BG – Capítulo 16



Um misterioso painel se moveu e ocultou a silhueta de Yuataree.

Seu olhar inconsolável observou Roten, até ela desaparecer por trás do painel com um estalido.

“…Irmã.”

Um murmúrio fraco escapou de seus lábios.

Ela não estava mais em nenhum lugar a vista. O painel era fino e tingido de branco, com delicados altos e baixos relevos. Ele não sabia como isso funcionava, mas como se encarasse águas profundas, não importava o quanto ele forçasse seus olhos, ele não conseguia ver ninguém.

Yuataree já havia partido há muito tempo.

Roten cerrou os dentes. Seus olhos estavam arregalados e sua respiração havia parado. O sangue estava correndo para sua cabeça e suas sobrancelhas pareciam doer terrivelmente. Ele sabia que estava fazendo uma expressão horrível. Mas Roten continuou encarando a direção em que Yuataree esteve uma vez.

Era porque Yuataree havia lhe ensinado que meninos jamais podiam chorar.

Mesmo se ele jamais pudesse ver sua mãe ou irmã de novo, Roten não choraria.

Yuataree havia sido uma irmã rigorosa.

No lugar da mãe fraca deles, que sempre estava ocupada com suas responsabilidades de Chefe, Yuataree havia rigorosamente disciplinado Roten.

De lhe dar aulas a lhe ensinar como tratar os mais velhos e até seus deveres como filho do Chefe. Se ele cometesse mesmo um pequeno erro, ele apanharia sem misericórdia. Apenas por deixar um pouco de jitake sobrando em seu prato, ele foi forçado a ficar sentado na frente da mesa de jantar por dois koku.

Ainda assim, Roten amava sua irmã.

Era porque ele sabia que a rigorosidade de Yuataree foi construída com base no seu amor por ele.

Para ensiná-lo a ler e escrever, ela havia ficado acordada até o amanhecer desenhando figuras e palavras em cartões. Quando ele cometia um erro de cortesia, ela iria se curvar com ele. Até ele conseguir engolir o jiitake, ela esperaria ao seu lado.

Ela era mais rigorosa do que qualquer pessoa e mais gentil do que qualquer um. Para Roten, Yuataree era a melhor irmã do mundo.

E para protegê-lo, essa irmã havia imprudentemente tentado fazer o ritual.

E isso tudo porque ele não conseguia usar bem a flauta.

“Irmã.”

Dessa vez, havia força em sua voz.

Ele precisava fazer isso no lugar dela, não importava o que. Não havia tempo para ele sentir pena de si mesmo.

“… Isso não pode ser.”

Ele ouviu uma voz atrás dele.

“Por quanto tempo você vai ficar me segurando?!”

Repentinamente, os braços brancos que envolviam sua cintura o deixaram indescritivelmente irritado. Ele se debateu para escapar dos braços dela. O líquido embaixo dele respingou enquanto ele chutava e repentinamente, a mulher o segurou com mais força em pânico.

“E-, Ei, não se debata.”

“Me solte Mulher Exibicionista!”

“Eu já te disse que não sou uma exibicionista! Espe-, ou melhor, se acalme por um minuto!”

“Eu estou calmo. Me solte nesse instante, sua insolente!”

“I-, Insolente…?”

A mulher soou perplexa. Mas seu abraço apenas ficou cada vez mais forte.

“Eu sou tecnicamente uma anja, certo!? Como eu seria insolente!?”

Agora, até Roten sabia que essa mulher não era uma espiã.

Era porque ele considerava que ela podia realmente ser uma anja que ele havia aguentado a vontade de lhe dar uma cotovelada no estômago ou uma cabeçada na orelha. Entre as coisas que Yuataree havia lhe ensinado como o filho do Chefe, estava a auto defesa. Se livrar do abraço de uma mulher frágil não era nenhum problema para ele.

“Eu vou te soltar, mas você tem que me prometer uma coisa.”

“Eu vou fazer o que você quiser, então diga de uma vez.”

Ele a obedeceu porque queria que ela o soltasse nesse instante.

“Olhe ali.”

A mulher se virou com Roten ainda em seus braços. Era uma tábua branca, não diferente da que separava Roten de sua irmã. Mas essa era um pouco maior na vertical.

“Você de forma alguma pode abrir aquela porta. Ah-, e essa janela também não. Se você atravessá-la enquanto a janela não está conectada, eu não consigo nem imaginar o que pode acontecer…”

Isso eram duas coisas.

Roten olhou ao redor, irritado.

Ele estava dentro de um quarto pequeno.

E as coisas dentro desse quarto quase irritantemente brilhantemente colorido eram todas coisas que ele jamais havia visto em sua vida.

Um tubo rosa claro e um tubo rosa um pouco mais escuro, assim como um prisma elíptico com um buraco bem no meio. Fixada à parede, havia uma longa corda brilhante que parecia com uma cobra e no final dela havia uma cabeça prateada, aquilo pendia sobre os dois.

Enquanto Roten encarava fixamente o interior desse quarto, repentinamente uma coisa veio a sua mente.

“Oi. Se eu não posso abrir essas duas tábuas que você chama de janela e porta, então como eu supostamente deveria sair daqui. Não me diga que você pretende me prender aqui para sempre.”

De fato. Nesse quarto só havia essas duas saídas.

E inacreditavelmente, quando a mulher ouviu sua pergunta, ela deixou escapar um surpreso “Eh-” antes de cair em silêncio.

Ela realmente pretendia prendê-lo ali?

“Eu preciso fazer o ritual no lugar da minha Irmã. Eu não posso manter essa promessa.”

― Ele não ligava mais se ela era um anjo ou não. Ele iria fugir dali.

Roten se preparou para se mover. Percebendo isso, a mulher gritou em pânico.

“É claro que eu não vou te prender aqui. Está tudo bem, aquela janela irá se conectar com a pessoa que você quer encontrar. Então nós poderemos te devolver para sua irmã… Provavelmente.”

“Provavelmente?”

As palavras dela haviam lhe dado esperança, mas quando ele ouviu a última palavra, ansiedade tomou seu interior.

“Não, uh, definitivamente! Eu definitivamente te devolverei para a sua irmã, então primeiro, por favor, me diga o que está acontecendo. Rituais de inauguração, insetos e coisas do tipo, eu não entendi nada do que vocês estavam falando de verdade.”

Isso soava um pouco como se a mulher estivesse simplesmente comprando tempo, mas se ela realmente era um anjo e aqui realmente era o Céu, então Roten não tinha como voltar para o mundo mortal. Ele relutantemente assentiu.

“Eu entendi. Eu vou te dizer tudo… Anja. Eu concederei. Eu não abrirei as tábuas sem a sua permissão e eu irei explicar tudo. Então me solte logo. Eu não sei como isso funciona no Céu, mas no mundo mortal nós chamamos de ‘perversão’ quando uma mulher nua abraça um homem desse jeito.”

“… Em, homem…? …Mas, bem, eu acho.”

Roten finalmente conseguiu escapar dos braços dela.

Quando seus pés tocaram o líquido quente que parecia ser de banho, Roten se sentiu aliviado.

“É comum no Céu ficar nu, mas eu agirei de acordo com os seus costumes mortais por um tempo. Eu já volto, apenas-, apenas espere aqui, certo? Certo? Não se mova e não toque em nada!”

“Eu entendi.” Roten assentiu e a mulher desapareceu do quarto pela tábua que ela chamou de porta.

Ela se abriu e se fechou com um som. Mas quase imediatamente depois, a mulher reapareceu com um pano branco enrolado em torno de seu corpo.

“… Você está entendendo errado o mundo mortal.”

Com um único pano que não cobria nem suas pernas nem seus ombros, que parte disso era ‘agir de acordo com os costumes mortais’?

“Isso não pode ser evitado, certo. Meu rou’pão de ba’nho ainda está na máquina e eu estava preocupada sobre tirar meus olhos de você. De qualquer forma, esqueça de mim. Mais importante, explique: por que vocês dois não queriam que o outro se tornasse o Chefe? E o que isso tem a ver com Ii’Jibro? Além disso, que relação vocês têm com Conyork o Segundo?”

A mulher disparou uma pergunta após a outra.

Certamente não era hora de se preocupar com o erro dela. Roten abriu a boca para falar, mas…

“Ah-, espere, sim, espere um pouco.”

A mulher imediatamente o interrompeu.

“Você vai se cansar se ficar de pé. Eu também vou começar a sentir frio. Pelo menos coloque os seus pés aqui dentro.”

Com essas palavras, a mulher saiu do quarto de novo e dessa vez voltou com alguns panos nas mãos.

Ela colocou um deles na borda do recipiente em que agora Roten estava dentro.

“Você pode se sentar nisso. Aah, suas barras estão molhadas, não estão? Isso pode não ajudar muito, mas eu irei dobrá-las para você.”

Após Roten se sentar como ela mandou, ela se ajoelhou diante de seus pés e começou a dobrar as barras da sua calça.

“Oh? Esse pano…”

O longo cabelo da mulher estava casualmente preso atrás de sua cabeça. Quando ela se inclinou, os cabelos perdidos que não estavam presos fizeram cócegas nos joelhos de Roten.

De repente, Roten se lembrou de uma coisa que aconteceu quando ele era mais novo.

Durante os verões quentes, Yuataree iria frequentemente levá-lo para brincar na água durante os intervalos. Quando não dava tempo de tirar a roupa para nadar, ela sempre se abaixáva na frente dele para puxar as barras da sua calça para cima.

Sob a luz do sol, filtrada pelas folhas das árvores, ele se sentaria sobre uma grande pedra, enquanto o cabelo dela flutuava no vento. A água no riacho iria cintilar brilhantemente.

Essa era uma memória preciosa com sua preciosa irmã.

A mulher diante dele se mesclou a imagem de sua irmã.

“… Irmã.”

“Eh?”

A mulher ergueu a cabeça e a inclinou com murmúrio silencioso dele.

“E-, Está bem! Minha irmã sempre me disse para fazer as coisas eu mesmo! Eu não sou uma criança pequena.”

Quando ele considerou que a mulher podia tê-lo ouvido chamar por sua irmã, o constrangimento se tornou insuportável.

“Do que você está falando? Você é bem pequeno.”

A mulher foi pega de surpresa por um momento, mas então de repente abaixou a cabeça e cerrou os dentes.

“O que foi? Você não está se sentindo bem?”

Roten ficou em pânico quando viu a mulher envolver seu estômago com as mãos. Talvez o ar do mundo mortal não tivesse feito bem para o seu corpo. Ou poderia ser que sua existência estava contaminando a essência desse mundo? Mas apesar da sua preocupação, o que escapou dos lábios da mulher sofrendo foi uma risada.

“O qu-, Do que você está rindo!?”

“Me… Me desculpe. Você apenas me lembrou de uma criança que eu conheço, então eu apenas…”

Roten cerrou os punhos e se levantou. A humilhação fez seu sangue correr para sua cabeça. Mas isso só aconteceu por um instante.

“É vergonhoso deixar suas emoções o controlarem. Lembre-se de controlá-las.”

Sua irmã frequentemente lhe dizia isso.

Já que a mulher continuava dizendo “Me desculpe”, Roten cuspiu um “Está tudo bem” em resposta e se sentou com a cabeça virada para o lado.

“Eu realmente sinto muito. Isso foi culpa minha.”

A mulher respirou algumas vezes para parar de rir e então se sentou na borda oposta a Roten.

“Então por que vocês dois não queriam que o outro se tornasse o Chefe? Há alguma coisa de errado com a cerimônia de inauguração?”

A mulher não estava mais sorrindo, nem tentando conter um sorriso. Agora que ela parecia seriamente disposta a ouvi-lo, Roten também mudou sua atitude. Endireitando sua postura, ele colocou as mãos sobre os joelhos. Ele era o próximo Chefe de Ottko Yu e precisava agir de acordo. Acalmando sua mente, ele falou da forma mais calma e lenta possível.

“A cerimônia de inauguração ocorre quando a posição de Chefe é passada adiante. O significado principal da cerimônia é mostrar ao rei de Ii’Jibro que nós temos o poder de fazer os insetos nos obedecerem.”

“Ii’Jibro…”

“Isso. Para explicar a cerimônia, primeiro eu preciso explicar a história da tribo Ottko Yu. Nós originalmente éramos uma tribo nômade do deserto. Aparentemente nós sobrevivíamos fazendo poços para as outras tribos. Mas por nós não termos nossa própria terra, as outras tribos eram duras conosco. Embora eles nos pedissem para achar água para eles, assim que perdêssemos nossa utilidade, suas atitudes se tornavam frias. Talvez eles pensassem que nós pretendíamos roubar suas terras. Cansados dessa vida, nossos ancestrais buscaram uma terra para eles. Na hora certa eles encontraram um rei de Ii’Jibro. O rei estava interessado na habilidade deles de controlar os insetos e nos apresentou uma oferta de terras em Ii’Jibro em troca do resgate de sua mãe de uma torre. Naquele tempo, quem negociou com rei no nosso lugar foi Kon York, o Segundo. Não foi só isso que ele fez por nós, mas eu vou deixar por isso agora. Tendo ganhado um lugar para viver do rei, nossos ancestrais fizeram uma promessa com o rei. Se o rei de Ii’Jibro assim quisesse, nós usaríamos o poder dos insetos para ajudá-lo. Mas em algum ponto, o significado dessa promessa mudou e se nós em algum momento perdermos o poder de controlar os insetos, nós teremos que devolver as terras para o rei.”

Quanto mais a história avançava, mais arregalados seus olhos ficavam e mais escancarada sua boca ficava.

“Qual é o problema?”

Naturalmente ele ficou intrigado, mas a mulher apenas balançou a cabeça um pouco.

“Eu estava apenas um pouco surpresa. Eu já ouvi um pouco dessa história em outro lugar, você vê… Mas eu entendi. Então o menino que teve sua mãe aprisionada acabou se tornando o rei.” Murmurou a mulher com os braços cruzados. Depois de um tempo ela olhou para ele e perguntou:

“Isso significa que já é hora de passar a posição de Chefe adiante e vocês precisavam mostrar ao Rei de Ii’Jibro seu poder?”

“Isso mesmo. Normalmente somos nós que escolhemos a hora. Mas nos obrigando a fazer isso agora… Eles se esqueceram completamente do significado da promessa e à medida que o tempo passou, eles se tornaram cada vez mais gananciosos.”

O olhar de Roten caiu sobre seus joelhos.

Ele cerrou os punhos subconscientemente.

Seus braços tremeram e suas unhas afundaram em sua pele.

“Minha mãe não vai conseguir aguentar por muito tempo. Minha irmã acabou de perder sua habilidade de ouvir os insetos. E eu… Eu não consigo transmitir a minha voz para os insetos! Por minha causa, por minha causa, minha Irmã…!”

“Que… Cruel…”

Uma mão com longos dedos cobriu seus punhos trêmulos.

Em algum momento a mulher havia se ajoelhado diante dele de novo.

Suas mãos estavam tremendo também. Roten se perguntou se ela estava chorando. Mas ele estava errado. Ela estava brava. Suas sobrancelhas estava erguidas perigosamente e ela estava olhando para suas mãos.

“Eu entendi.” Disse a mulher e ela o encarou diretamente. “Então tudo o que eu tenho que fazer é te dar o poder de falar com os insetos e dar a sua irmã o poder de ouvir os insetos, certo? Então eu te enviarei para sua irmã.”

“Quando a cerimônia começa? Onde está a sua irmã agora?”

“Ela começa daqui aproximadamente dois koku… Minha irmã deve estar rezando diante do ninho do ritual agora.”

“Eu vejo. Então nós iremos invadi-lo! Se vocês dois não estão qualificados para serem Chefes sozinhos, então vocês podem simplesmente fazer isso juntos. Ou há alguma promessa que explicita que isso precisa ser feito sozinho?”

Roten balançou a cabeça. Ela tinha um ponto. Não havia referência do número de Chefes. Era óbvio que só havia um afinal.

“Então Ii’Jibro não deverá ser capaz de reclamar. Contanto que os insetos ouçam, deverá estar bem mesmo se houver dois de vocês. Ou melhor, você pode provar para eles que está bem! É imperdoável perturbar uma criança dessa forma!”

Agora a mulher parecia ainda mais irritada do que Roten.

“Deixe isso comigo.” Ela disse enquanto inflava o peito. Roten sentiu vergonha por suspeitar que ela era uma espiã. Essa mulher era sem dúvidas uma anja. Ele tinha certeza de que ela iria mediar por ele, assim como Kon York, o Segundo uma vez fez.

“Então Anja. Essa tábua pode me conectar a minha irmã?”

“Sim!”

A anja se levantou com vigor e colocou a mão na tábua da sua ‘janela’. Mas ela repentinamente congelou.

“O que foi? Ela não quer abrir?”

“Eh? Ah, um, ela irá, você sabe?”

Definitivamente havia inquietação em sua voz. Mas agora que ele estava distraído pela esperança que ela havia dado a tribo Ottko Yu, ele não pensou muito sobre isso.

Talvez ela fosse muito pesada para ela conseguir mover sozinha. Pensando nisso, ele colocou sua mão atrás das dela para ajudá-la.

“Ah-, espere!”

A tábua se moveu muito mais facilmente do que o esperado.

Quase como uma névoa se dissipando, a tábua tingida de branco desapareceu.

Roten pensou que ele estava prestes a salvar sua irmã e a tribo Ottko Yu. Mas o que encontrou seus olhos o deixou chocado. Longe de sua irmã, ele estava olhando para um lugar que ele nunca havia visto antes.

“Onde… é isso?”

Uma ampla expansão de verde. Um vento úmido acariciou suas bochechas, seguido pelos sons de folhas farfalhando com vento. Era uma grande árvore cercada por um mar de grama verde.

“H-, Huh? Esse lugar não é… o lugar da cerimônia… Huh…”

Roten olhou para a mulher ao seu lado. A imagem da expressão surpresa da mulher entrou em seus olhos.

Raiva borbulhou no fundo do seu ser. Como assim “Deixe isso comigo!”

O fato de que ele uma vez acreditou nela apenas o deixou ainda mais irritado

“Sua maldita mentirosa! Você realmente é apenas uma mulher exibicionista!”

“EEH!? Você está tão desapontado assim comigo? Mas, eu quero dizer, eu realmente me sinto mal, mas… Apenas isso eu não posso… De qualquer forma, nós deveríamos fechar a janela e tentar de novo?”

Foi quando a mulher debilmente tentou fechar a janela que isso aconteceu.

“Gyaaaaaaaaaaaaaaaahhhh! Fique longee! Por favor, fique longee!”

Uma voz um pouco estridente e, ainda assim, um pouco grave. Mas definitivamente de uma mulher.

E ao mesmo tempo, um familiar som de GICHICHICHI.

“Eu sou apenas pele e ossoss! Eu não sou deliciosa de verdadee!”

Enquanto Roten estava surpreso demais para até mesmo repreender a mulher perplexa ao seu lado, outra mulher pulou na frente dele. Sem percebê-los, ela diretamente tentou subir na árvore.

-GICHICHIGICHI-

Quando Roten viu o que surgiu para persegui-la, ele gritou:

Arrijighock!”

O arrijighock ruidosamente estalou suas presas em ameaça e colocou um dos membros dianteiros na árvore.

Ele não conseguia subi-la. Mas a mulher era desajeitada e parecia que iria cair a qualquer momento.

Roten apalpou sua camisa. Havia folhas de zaza dentro de seus bolsos, usadas para apitos de folha.

Pegando uma, ele a colocou em sua boca.

-pyuuui pyu pyuui pyu pii-

O som começou claro, mas imediatamente foi ficando fraco.

Ainda assim Roten continuou a assoprá-lo e fez o vento vibrar.

“Eh? Isso, eh? Espe-, eh? Isso é um apito de folha? Espere, vocês fazem os insetos ouvi-los, o que-, poderia ser que isso é um dos apitos!?”

Rotenn ignorou a agitada mulher exibicionista e desesperadamente assoprou a flauta. Mas o arrijighock simplesmente se virou na sua direção uma vez e não saiu de perto da árvore.

―Estranho.

Mesmo que ele fosse terrível com a flauta, um inseto nunca prestou tão pouca atenção aos seus sons.

Roten continuou assoprando e ouvindo atentamente.

-GICHI GICHICHI GICHICHICHI-

“Por favor, não chegue pertoo, eu realmente não sou deliciosaa.”

A voz da mulher estava entrando no caminho da voz do inseto.

Roten tinha o melhor ouvido da aldeia. Ainda assim, não era uma tarefa fácil entender os insetos.

Ele ficou irritado e então gritou:

“Cale a boca! Se você quer ser salva, então cale a boca! Não faça um único som.”

“Certo! Be desculpe! …Wahhh, pribeiro é um inseto e agora é um fantasba? Por favor, apedas be de um descanso logoo…”

A mulher enrijeceu com um susto e começou a se desculpar com muco escorrendo por sua face. Após aparentemente finalmente percebê-los, ela olhou na direção deles antes de quase cair em lágrimas novamente.

“Eu te disse para calar a boca. Cale a sua boca agora!”

Talvez oprimida por seu olhar ameaçador, a mulher assentiu sem dizer uma palavra.

O barulho havia finalmente acabado. Roten desesperadamente aguçou seus ouvidos.

-GICHICHICHIGICHICHI GICHICHICHI-

Ele olhou para cima com um sobressalto.

A arrijighock continuava mencionando alguma coisa de novo e de novo. Isso era ‘fome’. O arrijighock faminto teimosamente perseguiu a mulher. Ele imediatamente entendeu o porquê.

“Você ai! Você tem um sunarabi, não tem?! Jogue ele para longe, agora!”

Zu-, Zunarabi?”

“Um animal de quatro patas com orelhas longas. Você tem um, não tem?”

“Ah-“, murmurou a mulher entendendo. Aparentemente ela sabia do que ele estava falando.

“Jogue ele para longe agora! O arrijighock está atrás disso!”

A estúpida mulher havia finalmente encontrado um ponto de apoio. Colocando seu pé em cima de galho, com uma mão ela rapidamente desamarrou o saco em suas costas.

Roten começou a tirar suas roupas enquanto ele a observava.

“Eh? O que você está fazendo?”

A mulher exibicionista ficou histérica quando viu ele se despir, mas ele a ignorou. Após terminar, ele as encharcou no líquido sob seus pés.

De repente, um forte cheiro encheu o pequeno quarto.

― Isso deve ser o suficiente.

Roten olhou para cima no mesmo instante em que a estúpida mulher jogou o saco que estava em suas costas.

“S-Sua idiota!”

Ele arregalou os olhos.

De todas as coisas, ela jogou o saco na direção dele.

Mas felizmente, o saco se abriu no ar e o sunarabi molhado pousou no chão.

O arrijighock imediatamente correu para capturá-lo.

O saco se aproximou da cabeça de Roten. Ele a inclinou para evitá-lo e então enrolou suas roupas molhadas.

Ele ouviu o saco pousar atrás dele.

“Uwah-, o que é isso? Isso cheira à álcool.”

“Tsk.”

Roten estalou a língua. Aparentemente ainda havia um sunarabi ali dentro.

“Oi! Mulher! Pegue isso!”

Ele jogou suas roupas emboladas para a mulher estúpida. Ela quase caiu, mas as pegou.

“Há folhas de hahanero costuradas nelas. Esfregue-as sobre você para que o cheiro fique no seu corpo. Espere até o sol se pôr e então as enrole ao redor das suas pernas. Tente ir para o mais longe possível daqui que você conseguir!”

“Certoo-! …B-, Bas por quê?”

A arrijighock se virou na direção deles com o sunarabi em sua boca.

Ele começou a se aproximar com uma velocidade assustadora, atraído pelo cheiro do sunarabi restante.

Não dava tempo para jogá-lo de volta.

“Eu estou fechando isso!”

Ele gritou enquanto fechava a janela.


Tradutora: Brinn | Revisor: Ryokusan000



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