BG – Capítulo 13



Izumi estava mergulhando seu corpo em de um banho levemente raso.

Havia um pouco menos de água do que o normal e ela só chegava à altura do seu umbigo.

Hoje, além de não ter lugar para se sentar no trem, Izumi havia passado o dia inteiro de trabalho em pé. Para ajudar a circulação das suas pernas, ela estava desfrutando de um pouco de água quente.

Embora ela tivesse esquentado a banheira antes de entrar, de início a pele da parte superior do seu corpo ainda estava um pouco fria.

Mesmo assim, à medida que o tempo passou, seu corpo inteiro começou a esquentar e o desconforto em suas panturrilhas pareceu se dissipar na água quente.

Soltando um longo suspiro, ela apoiou seu peso sobre a parede da banheira atrás dela.

Banhos realmente tinham que ser aproveitados desse jeito. De forma alguma eles podiam ser tomados usando roupa de banho.

Ela deixou sua cabeça apoiada na borda e seu olhar se inclinou para trás, a corda amarrada do outro lado do aposento entrou no seu campo de visão.

Ela parecia resistente, formada por uma trança de fios laranjas e marrons e era um objeto azarado que havia uma vez sido parte de uma tentativa de suicídio.

Cada vez que olhava para a corda, Izumi se lembrava da sensação da mão do homem em seu quadril e era forçada a engolir um grito.

O roupão de banho que ela havia preparado para usar no caso de sua janela se conectar outra vez com aquele misterioso mundo havia sido completamente inútil. Não apenas isso, ele era grosso e em dias chuvosos não secava direito.

Pensando nisso, cada vez que sua janela se conectava com aquele mundo, seus moradores estavam geralmente no meio de alguma crise e ela nem sempre teria tempo de pôr seu roupão. Tendo percebido isso, Izumi decidiu que, a partir do dia seguinte, ela usaria roupa de banho para tomar banho.

Ela havia comprado uma roupa de banho de duas peças com mangas curtas e um shorts para sua academia. Mas quando ela a usava no banho, ela grudava em sua pele e a sensação era horrível. Não apenas isso, ela também cobria muita pele e era irritante ter que puxá-la para lá e para cá para limpar embaixo dela.

No dia seguinte ela explorou o fundo do seu guarda-roupa para encontrar seu maiô um pouco mais aberto.

Embora ele fosse muito melhor do que sua roupa de academia, a experiência ainda estava longe do tempo relaxante que Izumi desejava.

Passar vergonha em alguns dias a partir de agora contra sua satisfação de hoje.

Quando ela os pesou na balança, foi o último que ganhou.

Ela dificilmente seria demitida do trabalho apenas porque os moradores de algum mundo estranho a viram pelada e isso obviamente também não afetaria suas amizades. Isso era apenas embaraçoso.

Ela ficou envergonhada agora que sabia que poderia ver a mesma pessoa de novo, mas ela podia apenas aguentar o constrangimento por alguns minutos e então agarrar uma toalha de banho no vestiário assim que soubesse o que estava acontecendo.

Izumi se convenceu disso e decidiu voltar a aproveitar seus banhos do jeito certo.

Enquanto tentava o seu máximo para não olhar para a corda e sua presença sombria, Izumi deixou seus pensamentos vaguearem e aproveitou o banho.

Suor estava se formando em suas sobrancelhas. Quando ela já estava meio de pé, se decidindo que já era hora de sair…

-WHOOOOOOOOOOSH-

Ela ouviu o som de alguma coisa passando com uma velocidade incrível.

É claro que era impossível para alguma coisa se mover dessa forma na estreita passagem embaixo de sua janela.

Ela sabia que a janela havia se conectado a algum lugar de novo.

Izumi já havia aproveitado plenamente seu banho. E ainda mais importante do que qualquer outra coisa, ela estava grata por poder se livrar da corda.

Ela colocou a mão na janela.

Mas a vergonha que ela pensou que já havia superado a estava fazendo hesitar de novo.

Eu estou fadada a continuar a abrir a janela com tudo completamente exposto de novo?

Haverá uma grande audiência como daquela vez com o arrijighock de novo?

Mas assim como na vez da tentativa de suicídio, poderia ser uma corrida contra o tempo novamente.

Prestes a tomar uma decisão, Izumi abriu apenas uma fresta e espiou além da moldura da janela.

O que ela percebeu primeiro foi uma grande quantidade de água.

Água que se espalhava da esquerda para a direita e rugia enquanto fluía pelo caminho.

Era um rio.

E era um rio relativamente largo.

Após ter certeza de que não havia ninguém a vista, Izumi moveu a janela de novo até ela estar aberta pela metade.

Quando espiou para baixo, o que ela encontrou foi grama balançando com o vento. Aparentemente havia um campo de grama embaixo dela. Por outro lado, havia uma densa floresta na outra margem e os galhos das árvores pendiam sobre a água.

A água era turva, talvez devido à chuva recente, mas ‘pitoresco’ ainda era uma forma perfeita de descrever a cena.

Mas ainda assim, ela pensou enquanto inclinava a cabeça.

Longe de alguém precisando de uma corda, não há uma única pessoa ao redor.

Ocorreu algum erro? Ela pensou enquanto se movia para fechar a janela.

“Ukoh-… goho-… salv-… gohoh-“

O que chegou em seus ouvidos foi um grito baixo, seguido por tosse e gritos de ajuda.

“Alguém-! …gahah-…”

Havia o som de gritos irregulares misturados com o rugido da água, atualmente se aproximando cada vez mais.

Alguém estava se afogando!

Izumi imediatamente puxou a corda.

Após enrolá-la várias vezes em sua mão esquerda, ela formou um laço e começou a rodá-lo igual aos caubóis dos filmes.

Logo uma pessoa apareceu no seu campo de visão.

Um homem velho em roupas brancas, com cabelo e barba também brancos, estava balançando seus braços enquanto oscilava para cima e para baixo na água.

Izumi ficou atônita.

O homem estava sendo arrastado para o meio do rio; muito longe para o comprimento da corda alcançá-lo.

Não, mesmo se ela fosse longa o suficiente, com a força de Izumi seria impossível puxá-lo para o seu lado.

Ela seria forçada a assistir impotentemente enquanto um homem velho era arrastado pelo rio?

Se sentindo frustrada, Izumi se inclinou para fora da janela e olhou ao redor.

E o que ela encontrou foi uma árvore caída, presa entre duas pedras, na qual aquele homem velho por sorte havia se agarrado.

Era um feito impressionante se agarrar em meio às rápidas corredeiras, mas isso não duraria muito.

“SEGURE FIRME!” Ela gritou.

Percebendo sua voz, o homem olhou para cima, apenas para arregalar os olhos em incredulidade.

Se alguém visse uma deusa nua, flutuando sobre um campo de grama, eles também ficariam chocados.

Mas desta vez foi a vez de Izumi ficar chocada.

Após dar um largo sorriso para Izumi, o homem velho ergueu a mão direita para acenar para ela.

Izumi não conseguiu acreditar em seus olhos. Quem na terra desejaria uma cortesia como essa nesse momento?

Era naturalmente impossível para ele se segurar com apenas um braço e o homem foi mais uma vez varrido pelo rio.

Felizmente, embora talvez a situação pudesse também ser chamada de lamentável, a árvore morta forçou seu corpo na direção de outro pedregulho.

Ele se deitou em cima da pedra, ofegante.

Embora ela tivesse conseguido evitar o pior cenário, o velho ainda estava preso no meio do rio.

Eu acho que eu realmente deveria encontrar alguma coisa.

Para dizer para o homem “esperar um momento”, Izumi colocou suas mãos em forma de concha ao redor de sua boca, antes de respirar fundo.

Mas sua voz foi engolida por uma forte batida que ressoou pelo chão.

Com as mãos ainda em sua face, Izumi virou a cabeça na direção do som ― rio a cima a sua direita.

Duas criaturas que pareciam com cavalos cobertas dos pés à cabeça por pelos longos e dois humanos montados nelas.

Ambos eram homens jovens e enquanto um tinha um longo cabelo loiro amarrado para trás, o outro tinha o cabelo bagunçado, como se já tivesse desistido de tentar penteá-lo.

Parando diante de seus olhos, o homem loiro desmontou da criatura-cavalo. No momento em que seus pés tocaram o chão, ele gritou para o velho.

“Velho Maestro!! Você está seguro!”

Aparentemente ele conhecia o homem. Izumi suspirou de alívio.

Quanto ao velho sentado em cima da pedra, ele franziu o cenho quando viu o homem loiro.

“Eu não te disse para desistir de me chamar de ‘Velho Maestro’?!”

“Por favor, ouça! Não se mova desse lugar Velho Maestro!”

“Eu te disse! Não me chame de ‘Velho Maestro’!”

Enquanto os dois estavam ocupados com sua conversação que parecia mais com uma esquete, o homem de cabelo bagunçado desceu de sua criatura-cavalo e prontamente começou a remover suas rédeas.

-shan-

Soou o sino que pendia sobre os ouvidos da criatura.

Quando ele terminou com as rédeas da primeira besta, o homem percebeu Izumi. Seus olhos imediatamente brilharam e então ele fez uma leve reverência. Vendo isso, Izumi o cumprimentou de volta.

O homem rapidamente tirou seus olhos dela e voltou a trabalhar em tirar as rédeas da outra criatura, antes de amarrá-las juntas.

“Aloma, tire o seu casaco.” Ele disse para o homem loiro ― Aloma ― enquanto tirava seu próprio casaco.

“Hah!?”

Aloma se virou com uma expressão suspeita.

“Isso não é longo o suficiente.”

O olhar de Aloma primeiro foi para a corda improvisada nas mãos dele, antes de imediatamente se mover para Izumi atrás dele.

“O qu-, uma anja!?”

Essa foi a terceira vez que Izumi havia sido chamada de anja.

Olhando cuidadosamente, ela sentiu que as feições deles eram semelhantes às daquele homem de armadura.

O homem loiro se ajoelhou sem sair do lugar.

“Oh Anja. Não seria possível você adiar a escolta do Velho Maestro? O Rei deseja que ele esculpa o herói matador de trangorns e componha uma música para louvá-lo. Eu suplico que você adie as coisas até ele completar seu trabalho final.”

“Não diga algo tão desgraçado como ‘trabalho final’! E também, quantas vezes eu tenho que te dizer para não me chamar ‘Velho Maestro’ até você entender!”

Ignorando o homem velho no fundo, Aloma puxou a bainha da calça do outro homem.

“Ei Solt. Implore à anja também.”

O homem de cabelo bagunçado ― Solt ― abaixou sua cabeça levemente enquanto esticava as rédeas.

“Por favor, espere até eu receber meu pagamento.”

“U-, Ummm…”

É ele, não é? Pensou Izumi, após ouvir sobre o herói matador de trangorns, mas ela não prestou atenção no resto da conversa. Isso era algum outro tipo de esquete?

“Um, se o comprimento da sua corda não for o suficiente, por favor, peguem isso. Ela deve ser mais forte do que o seu casaco pelo menos.”

Ela decidiu primeiro entregar a corda do suicídio.

“Oohh, meus sinceros agradecimentos pela sua misericórdia!”

Aloma abaixou a cabeça até o chão.

Se levantando com vigor, ele se virou para o velho homem no rio.

“Velho Maestro! A anja adiou isso.”

“Umm, na verdade eu não vim aqui para ceifar a vida dele ou algo do tipo…”

“Assim que nós o salvarmos, por favor, complete a estátua e a música.”

“Umm, como eu disse…”

Ele estava completamente convencido de que ela era uma anja que estava ali para levar o velho homem para os céus.

Puxando de volta a mão que ela havia estendido para Aloma, Izumi suspirou. Ela se lembrou da esposa do homem de armadura. Será que era um hábito desse país ignorar o que os outros estavam dizendo?

Enquanto os dois estavam começando outra esquete de “Não me chame de ‘Velho Maestro’!”, o homem de cabelo bagunçado, Solt, pegou a corda das mãos de Izumi.

“Eu pegarei isso emprestado.”

Ele a amarrou na corda improvisada, antes de esticá-la violentamente o suficiente para fazer um barulho.

“Nós de alguma forma conseguimos torná-la longa o suficiente. Mova-se Aloma. Velho Maestro! Aqui vai!”

Após formar um laço com a corda, ele a jogou na direção do homem.

Ela pousou esplendidamente na pedra em que o velho estava.

“Por favor, coloque o laço ao redor do seu corpo.” Gritou Solt enquanto amarrava a corda.

O homem pisou de primeira no meio do laço. Quando Solt confirmou que ele o havia prendido firmemente embaixo de seu peito, ele se preparou.

“Assim que você estiver pronto.”

“Ei!”

Aloma agarrou a corda em pânico para ajudá-lo

O velho respirou fundo, agarrou a corda com força, checou a temperatura da água com o pé e então pulou no rio.

A corda imediatamente se esticou.

Por um momento o corpo do homem fez uma curva antes de se aproximar da margem.

Aloma e Solt continuaram a puxar, como num cabo de guerra.

Izumi viu a mão do velho agarrar a grama na margem do rio.

Com um último esforço, Solt puxou o velho para cima da margem com um último puxão.

Agora que ela tinha certeza de que ele estava seguro, Izumi rapidamente correu até o vestiário.

Ela enrolou uma longa toalha de banho em seu corpo e voltou para o banheiro, descobrindo que aquele homem que antes estava sentado, agora estava de pé.

Alisando seu bigode branco, o velho andou na direção dela.

“Obrigado, senhorita anja.”

Assim que disse isso, o velho puxou os ombros dela na sua direção, rapidamente pousando um beijo entre seus olhos.

“N-, não. Não há de que.”

Seus movimentos foram incrivelmente hábeis. Seu sorriso era refrescante e ele parecia relaxado mesmo com sua idade. Ele provavelmente era bem popular na sua juventude.

“Velho pervertido.” Murmurou Solt.

“Eu nunca imaginei que uma anja seria tão encantadora quanto você. Os céus devem ser tão maravilhosos quanto diz a igreja. Eu lamentava o meu corpo velho e o pouco tempo que eu tinha restando, mas parece que isso foi um grande erro.”

Embora ele quase certamente tivesse ouvido Solt, o velho o ignorou e acariciou a mão de Izumi.

Misteriosamente, ela não sentiu nenhum desconforto. Será que era porque ele era um homem velho?

“Ummm, na verdade eu não estou aqui porque eu vim por você ou algo do tipo, então vamos deixar a conversa sobre o céu para outra hora. Mais cedo, aquele herói matador de trangorns que vocês mencionaram. Vocês estavam falando de um cavaleiro que veio do campo?”

“Você está bem informada. Isso mesmo. Agora ele serve como o Capitão dos Cavaleiros na capital.”

“Eu sabia!”

Izumi colocou sua outra mão sobre a dele.

“Então como ele está? Ele voltou com a sua esposa?”

Apesar de ele ter sorrido amplamente quando a mão dela cobriu a sua, suas palavras seguintes o fizeram franzir o cenho.

“Aquele homem tinha uma esposa?”

“Eh… Sim, na sua cidade natal. Houve um pequeno mal entendido, então ele deixou sua esposa para trás para ir caçar o trangorn. Umm, ela ainda não chegou à Capital?”

Os cantos de sua boca se viraram para baixo numa carranca.

“Eu ouvi que esse homem atualmente está noivo da princesa de Jebas. De todas as coisas, saber que ele tem uma esposa em sua terra natal é… Realmente uma desgraça. Aloma, eu vou recusar esse trabalho no fim das contas.”

“Você não pode rejeitá-lo. Essa é uma ordem direta do Rei, você sabia!?” Aloma gritou.

“Eu não gostei disso desde o início. Minha voz existe para espalhar louvores e apreciações da beleza feminina, não para cantar sobre homens. Minhas esculturas são o mesmo. O que supostamente há de interessante em esculpir homens musculosos de armadura.”

“Ele não é apenas um homem musculoso. Ele conseguiu matar um trangorn; algo que não acontecia há séculos. Não foi ele o herói que até trouxe de volta até o coração do trangorn? Ele é incrivelmente popular entre as pessoas agora e os ferreiros estão sendo inundados de pedidos para fazerem espadas no design da misteriosa espada que uma anja lhe conce― anja?”

Enquanto Aloma fervorosamente tentava persuadir o velho ― que aparentemente era um mulherengo incondicional ― ele pareceu perceber uma coisa enquanto olhava para Izumi.

“Poderia ser que a anja que concedeu a maravilhosa Espada Keropii ao Arshu-sama foi você?”

“Eh-, maravilhosa!?”

Arshu era provavelmente o Armadura. E pensar que aquela Espada Keropii havia acabado sendo classificada como uma espada maravilhosa.

“Eu errei?”

“Bem, não, eu acho que não, talvez.”

A espada não era dela para começar e nem era uma espada maravilhosa, mas era verdade que ela era quem a havia dado para ele.

“Eu sabia. Você ouviu, Velho Maestro? O homem é um herói que recebeu a espada dessa anja e foi guiado para a vitória por ela. E agora essa mesma anja salvou a sua vida. Eu realmente acho que mais ninguém pode escrever essa música além de você.”

“Fumu. Eu não me importo de esculpir a cena da anja concedendo a espada a ele… Mas eu não tenho a intenção de escrever uma música.”

Após ouvir que poderia haver uma estátua dela, um sorriso rígido apareceu na face de Izumi. Poderia ser que ela seria retratada completamente nua ali também?

Tendo escutado em silêncio até agora, Solt se intrometeu com um “Porém”.

“Se o Arshu-sama realmente tem uma esposa, então será um grande problema. A bigamia é um dos 49 Pecados Capitais.”

“49? São muitos, não é?”

“Sim, nós temos muitos mandamentos, começando com ‘Vocês não devem invadir outros países’. Aqueles que violam os mandamentos, mesmo se for o Rei, serão punidos. O Arshu-sama realmente é casado?”

Na verdade, ela estava curiosa sobre quais eram os outros 47, mas agora não era hora para isso. Seria terrível se o homem da Armadura fosse punido.

“Não, isso é apenas o começo da história, então ele deve estar divorciado agora. Ummm, vocês reconhecem os divórcios?”

“Então é assim? Sim, não há problema se ele for divorciado.”

Solt e Aloma soltaram suspiros de alívio.

“Mas vocês sabem,” Izumi continuou, “ele tinha uma razão para isso, sabiam? Arshu, certo? Por sua esposa ter um corpo frágil, ele recusou a missão de subjugação no início. Mas o mensageiro do Rei o fez ficar bêbado e aparentemente o jogou dentro de um bordel. Então sua esposa descobriu isso e ficou irritada, o jogando para fora da casa. Ou assim Arshu pensou, mas na verdade, ela não tinha muito tempo de vida restando, então, pensando no futuro do seu marido, ela decidiu sair da vida dele. Mas várias coisas aconteceram e seu corpo foi curado, então ela partiu em uma jornada para encontrar seu marido na Capital… Ou assim eu pensei que ela fez.”

Ela acabou não indo? Ela parecia tão feliz após ser curada também.

“Aha. Então essa é a história por trás daquele homem musculoso. Eu sempre me perguntei como ele podia estar na linha de sucessão ao trono e ainda parecer tão sombrio.” Solt balançou a cabeça após um comentário particularmente honesto.

Izumi estava aliviada. Pelo que Solt disse, parecia que Arshu não tinha sofrido uma mudança de coração ou algo do tipo.

“Poderia ser que a esposa dele chegou à Capital apenas para ouvir os rumores do casamento dele com a Princesa?”

Izumi bateu a mão na testa. Isso soava inteiramente possível. Se fosse aquela mulher, então era bem possível que ela fosse embora novamente após ouvir sobre o casamento dele com a princesa. Já era tarde demais?

“Ei, poderia ser que ele realmente já está noivo agora? E também, o Arshu pode não parecer feliz, mas e quanto a Princesa?”

“Isso não é definitivo, mas eu ouvi que quem está forçando isso é o próprio Rei, então deve ser apenas uma questão de tempo. Arshu-sama certamente parecia som-… Quer dizer, eu nunca o vi sorrir, então talvez ele ainda tenha sentimentos por sua esposa anterior.”

Então e quanto a última parte a quem isso interessava, a Princesa?

“A Princesa… Ela ainda tem apenas nove anos de idade e eu não acredito que ela já entenda alguma coisa do que está acontecendo.”

“Hah? Nove?”

Na melhor das hipóteses, Arshu estava na primeira metade dos seus vinte anos. Uma menina de nove anos e um homem nos seus vinte. Izumi pensou que isso era absurdo, mas talvez casamentos políticos fossem exatamente assim.

Mas ainda assim, e pensar que isso aconteceu. Eu até a curei e todo o resto.

Enquanto se perguntava se havia alguma coisa que podia ser feita, uma certa ideia veio a sua mente. Izumi olhou para o homem velho silenciosamente amuado.

“…Um, você vai escrever uma música, certo?”

“Não, eu não vou.”

Com uma careta, ele se virou para o outro lado.

“Eu não disse que você não pode recusar!?”

Aloma o repreendeu, mas o velho apenas ficou ainda mais teimoso.

“Você não escreveria uma música para nós?”

“Uma música sobre um tolo que foi enganado pelo mensageiro do Rei e deixou sua esposa para trás?”

O homem aparentemente já não tinha qualquer intenção de fazer isso. Ele parecia achar isso tão estúpido que parecia estar propenso a colocar o dedo no nariz a qualquer momento.

“Não, sobre o trágico amor de um herói que se separou de sua esposa para ir numa missão perigosa.”

“Você deve ser muito famoso se o Rei está requisitando você pessoalmente. Se você cantar sobre o amor trágico de Arshu e sua esposa, eu acho que os corações do Rei e dos cidadãos podem até ser tocados.”

O Rei obviamente tinha seus próprios planos, então isso provavelmente era impossível, mas se eles tivessem o suporte da maioria das pessoas, então talvez eles poderiam mudar alguma coisa.

“Essa pode ser uma boa ideia.” Aloma concordou.

“Você não disse que eu não posso desobedecer ao Rei?” O velho olhou para ele.

“O que você está dizendo. O Rei simplesmente disse que ele queria uma música de louvor escrita sobre o Herói Arshu e sua subjugação do trangorn. Ele não disse nem uma única vez que você não devia cantar sobre a amada deixada em sua terra natal. Você não estaria o desobedecendo.”

“No pior dos casos, você apenas não receberá uma recompensa por isso.” Adicionou Solt, aparentemente à bordo da ideia.

“Para ser honesto, mesmo que Arshu-sama seja um herói, eu realmente não concordo com ele se casar com uma princesa de nove anos de idade.”

Nem todo mundo podia simplesmente aceitar isso porque era um casamento político.

“Eu tenho certeza de que o Rei está ansioso. O Príncipe fugiu para outro país e assim seu único sucessor é a Princesa.” Aloma disse com um olhar significativo.

“O quão lamentável isso deve ser para a Princesa. Como aquele que instigou o Príncipe com histórias do impostor, Conyork o Segundo, você certamente deve estar se sentido culpado Velho Maestro.” Continuou Solt.

Aparentemente, esse velho tinha uma relação profunda com o Príncipe e a Princesa.

“Gununu.” Ele gemeu.

“Você não fará isso pela Princesa então? Pense naquela bela face, apesar de sua idade. Ela certamente se tornará uma bela mulher como você gosta no futuro.”

“Hmph. Eu duvido que estarei vivo até lá!”

Após maldizer, o homem soltou um longo suspiro.

“Eei! Eu só tenho que escrever uma música, certo?”

“Como esperado do Velho Maestro!”

“É por causa disso que eu não consigo desistir de ser seu discípulo.”

“Obrigada, Velho Maestro.”

Izumi, seguida por Aloma e Solt, todos comemoraram.

Ele franziu o cenho novamente.

“Eu já te disse para não me chamar de ‘Velho Maestro’.”

“Ah-, me desculpe.”

No momento em que Izumi se curvou, alguma coisa repentinamente forçou sua passagem pelo lado dela.

“Wawah-!” Ela gritou antes de olhar para o lado.

A criatura-cavalo havia enfiado seu nariz para dentro da janela do seu banheiro.

Ela esticou a cabeça para beber da água na sua banheira, mas quando percebeu que não conseguia alcançá-la, ela começou a lamber as gotas de água na parede ao invés disso.

“Pare com isso! Você irá para o céu!”

Aloma puxou seu pelo em pânico, mas a criatura-cavalo não mostrou qualquer sinal de pretender de parar.

Talvez ele tivesse perdido o controle dela porque ela não tinha mais rédeas, pois a criatura-cavalo estava fazendo apenas o que ela queria. Foi apenas quando Aloma e Solt puxaram juntos o pelo em seu pescoço que ela soltou um relinchar de insatisfação antes de recuar. Os sinos soaram novamente com um -shan- quando eles se enroscaram na moldura da janela.

“Nos desculpe, oh Anja. Por favor, não se preocupe com o problema do Arshu-sama!”

Logo que Aloma terminou de gritar, Solt colocou a mão na janela.

-shan-

O sino soou quando ele caiu dentro da água e ao mesmo tempo, a janela se fechou.


Tradutora: Brinn | Revisor: Ryokusan000



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