BG – Capítulo 10



Seu ponto de apoio estava instável.

A areia continuava a ondular.

Ao seu lado, o ruba que puxava a carroça havia colapsado por causa do peso.

Sohv desesperadamente esporeou o ruba que ele cavalgava enquanto esticava a mão na direção da sela do outro. Seus dedos roçaram nela, mas esse foi o mais longe que eles chegaram.

Seguindo um som estranho, o chão embaixo dos seus pés começou a entrar em colapso. Junto com a carroça, Sohv estava sendo engolido pela areia.

A areia estava em queda livre.

Antes que ele pudesse perceber, Sohv já havia sido jogado de cima de seu ruba.

Ele sentiu como se várias mãos estivessem agarrando suas pernas e o estivessem arrastando para as profundezas do inferno. Alguma coisa o estava esperando lá embaixo? Apenas imaginar isso fez um calafrio percorrer sua espinha.

Uma nuvem de areia bloqueou sua visão. Para evitar acabar a engolindo, Sohv freneticamente moveu seus braços para puxar o pano ao redor de seu pescoço até seu nariz.

Após sabe-se lá quantas orações ao Deus da Terra, Karan, a areia finalmente parou de se mover.

Apesar de estar enterrado até o peito na areia, ele conseguiu liberar seu braço direito com dificuldade. Mas apenas esse pouco não iria libertá-lo da areia. Se debater para sair simplesmente o fez afundar ainda mais.

Agora que a nuvem de areia havia se acalmado, a carroça imediatamente ficou visível. Ela havia sido engolida pela metade no tumulto de mais cedo, mas a porção da bagagem coberta pelo toldo ainda estava intacta. Quanto à parte da frente da carroça, o ruba preso a ela estava dando o seu máximo para rastejar para fora da areia. Quanto ao seu outro ruba, ele estava andando inquieto ao lado dele.

Um suspiro aliviado escapou de sua boca.

Olhando ao redor para avaliar a situação, ele encontrou uma parede de areia ao seu redor, mas quando olhou para cima, ele se deparou com um céu azul. Sohv estava no fundo de um pilão feito de areia.

Como ele poderia sair dali? Ou seria melhor esperar até alguém perceber e vir resgatá-lo?

Enquanto pensava nisso, o ruba da carroça colocou uma pata dianteira em cima da areia.

Sohv reagiu imediatamente, agarrando a roda assim que o ruba rastejou para fora da areia. O ruba puxou a carroça e o corpo de Sohv começou a também deixar a areia. Ele, de alguma forma, conseguiu sair até a altura dos joelhos. Mas foi então que a carroça parou de se mover.

O que está acontecendo?

Olhando para cima, ele descobriu que o ruba estava de joelhos, com sangue escorrendo de seu pescoço.

Um fraco gemido alcançou seus ouvidos.

O que raios acabou de acontecer?

Sohv simplesmente assistiu em transe enquanto a vida do ruba se extinguia.

~*~

Fazia pouco tempo que o novo rei de Yohk’Zai havia sido coroado.

Com o apoio do Primeiro Ministro Teo Keh, a nação que estava à beira de uma guerra civil foi dominada num piscar de olhos pelo novo rei. Mesmo levando em conta o grande número daqueles insatisfeitos com a sua aparição repentina e daqueles que questionaram suas origens.

Logo após ascender ao trono, o Rei Huuron começou a reformar as forças armadas.

Ele deu prioridade àqueles com habilidades reais. Aqueles que se recusaram a obedecer foram forçadamente substituídos. Dessa forma, ele espalhou sua influência em cada canto das tropas e com esse exército o apoiando, ele abafou as vozes daqueles que eram contra ele.

Sua subida ao poder foi tão impressionante que havia até piadas sobre ele ser a segunda vinda do Rei Fundador Tenuhg.

No período de cerca de um ano, ele resolveu o problema dos outros candidatos à sucessão e no fim desse ano, quando Yohk’Zai havia novamente obtido um rei forte e finalmente parecia ver algum futuro mais uma vez, um mensageiro do vizinho Ii’Jibro chegou.

Aquela nação, Ii’Jibro, havia uma vez tido fortes laços comerciais com Yohk’Zai, mas assim que Yohk’Zai começou a declinar, o mesmo aconteceu com o comércio entre eles.

O mensageiro trouxe com ele uma carta da Rainha.

Ela parabenizou o novo rei e sua ascendência e expressou seus desejos de retomar o comércio entre eles. Para discutir os detalhes, ela desejava se encontrar com ele pessoalmente. Embora fosse indelicado pedir para que ele viesse, como mulher, uma longa jornada seria ruim para o seu corpo e dessa forma ela desejava fortemente que ele viesse a Ii’Jibro. Assim dizia a carta.

Sua nação produzia tantas pedras da lua que seu brilho rivalizava com o do céu noturno e era um grande país que governava metade das Planícies Centrais. Não havia razão para adiar a diplomacia com eles.

Porém, como um país recém renascido, não seria bom se o rei de Yohk’Zai ficasse ausente. Assim, o Primeiro Ministro Teo Keh insistiu que ele mesmo iria. Ele foi parado pelo Rei Huuron entretanto e no fim, Huuron foi quem partiu para Ii’Jibro.

Nesse momento, sua tropa estava no meio dessa jornada.

Raro para essa época do ano, eles não encontraram nenhuma tempestade de areia e avançaram rapidamente. Provavelmente eles chegariam às fronteiras com um dia de antecedência. Considerando que essa seria a primeira vez de Sohv em outra nação, ele estava se preparando para qualquer coisa.

Quando eles inicialmente passaram pelas fronteiras de Ii’Jibro, eles descobriram que ali era um deserto igual a Yohk’Zai. À medida que continuavam a avançar, enquanto eles pensavam sobre as áreas rochosas que eles estavam começando a avistar, as pedras foram ficando cada vez maiores e, ao meio-dia, os enormes pedregulhos já eram grandes o suficiente para que eles tivessem de erguer seus pescoços para olhá-los.

Por outro lado, debaixo de seus pés ainda era um deserto e Sohv se perguntou qual era o misterioso motivo desses pedregulhos não afundarem com o tempo.

Foi exatamente quando eles estavam passando entre alguns desses megalitos que uma coisa anormal ocorreu.

Embora não houvesse vento, a areia começou a se mover.

O som do vento passando por entre esses pedregulhos soava como os gritos de um condenado, alguém disse.

Inquietação se espalhou entre os soldados e a ordem começou a entrar em colapso.

Uma das carroças no fim da fila estava se movendo de forma particularmente lenta e quando Sohv se deu conta, ele já havia começado a correr.

E então, Sohv foi engolido pela areia…

~*~

Sangue fluiu interminavelmente do pescoço do ruba e tingiu a areia de vermelho.

Até mesmo se esquecendo de tirar as pernas da areia, Sohv, que estava focado no ruba, repentinamente percebeu uma contorção na areia próximo dele e desembainhou sua espada em preparação.

Um desagradável rangido ecoou, seguindo por um cavidade aparecendo na areia.

Sohv engoliu em seco.

Do buraco surgiu um inseto enorme. Da sua cabeça, dois grandes chifres se dividiam e do lado de dentro deles se projetavam vários espinhos afiados.

Ser pego entre eles seria o mesmo que a morte.

Com sua espada ainda brandida, Sohv tentou remover seus pés da areia, logo antes do inseto mover sua atenção da carroça para ele.

Ele sentiu suor frio escorrer por suas costas.

De repente.

-garari-

Um barulho agradável soou atrás dele e um vapor quente fluiu pelo ar.

Com sua espada ainda apontada para o inseto, Sohv virou a cabeça para olhar e seus olhos se arregalaram.

Ele estava sonhando acordado por causa do medo?

Ou isso era algum tipo de fantasma ou miragem?

De qualquer forma, era impossível que isso fosse real. Porque a cena diante dele era ainda mais inacreditável do que o inseto enorme; era a repentina aparição de uma mulher nua.

“O que diabos é isso…?”

E finalmente a ilusão foi completada com alucinações auditivas.

“Como se eu soubesse!”¹

Embora ele soubesse que isso era um fantasma, ele se viu respondendo devido ao quão real a voz da mulher parecia.

“Ele parece com… um inseto²
, ei?”

“Sim, mas o tamanho é ridículo.”

“Você está sendo atacado?”

“Parece que eu estou sendo atacado.”

“Não seria melhor se você fugisse?”

“Eu não posso. Eu estou protegendo a carroça. São os presentes que nós meticulosamente juntamos para Ii’Jibro. Nós não podemos perdê-los.”

“Você acha que pode vencer?”

“Como se eu soubesse!”³ Ele respondeu grosseiramente as perguntas um tanto despreocupadas da mulher.

Agora não era hora de ficar respondendo às perguntas idiotas de uma alucinação.

O inseto moveu suas seis pernas multiarticuladas para se aproximar.

A mulher atrás dele murmurou: “…Whoa, isso é grotesco.”

Pouco a pouco, pouco a pouco, o inseto continuou a diminuir a distância entre eles, antes de parar. Ou assim ele pensou, quando o inseto repentinamente fechou a distância restante com um pulo e o atacou.

“UWAAAAAAAAAAH!”

“GYAAAAAAAAAAH!”

Sohv gritou e o grito da ilusão se sobrepôs ao dele.

Enquanto gritava, ele balançou sua espada de baixo para cima. Porém, foi um momento cedo demais.

A espada apenas cortou uma de suas pernas e ela pousou logo diante dele.

“NÃOOOOOOOOO!” Gritou mais uma vez a fantasma atrás dele.

Alguma coisa passou voando próximo a sua orelha.

Era uma bola feita de panos vividamente coloridos. A bola de panos atingiu o inseto de frente e de dentro dela algum tipo de pó flutuou para fora.

E embora ele não soubesse o porquê, quando o pó se espalhou, o inseto soltou um grito angustiado de todo seu corpo, como se ele estivesse prestes a morrer.

“A-Agora! Vamos, agora! Acabe com ele!”

Voltando ao seus sentidos, Sohv estocou sua espada nas costas dele.

Após passar por uma dura carapaça, ele pôde sentir a carne macia na ponta da sua espada.

O inseto começou a recuar. Sohv tentou retirar sua espada, mas ele foi muito lento e o cabo escapou de suas mãos.

“Ahhhh… O que diabos você está fazendo!?” A ilusão repreendeu.

Sentindo uma estranha espécie de injustiça com essa situação, ele deu um passo a frente para tentar recuperar sua espada.

Foi nesse momento que da borda do enorme buraco em que ele estava, um pano azul ondulou no ar, como se alguém tivesse pulado ali dentro.

Pousando do lado de dentro e escorregando pela areia até a base, o recém-chegado correu enquanto desembainhava sua espada e cortava o inseto por trás.

“Rei!”

Junto com o grito, soldado após soldado desceu dentro do buraco. Quando cerca de dez deles já haviam entrado, o comandante na borda parou o resto dos soldados.

Quanto àqueles ali dentro, eles já haviam apunhalado o inseto quase morto e ele finalmente morreu.

O homem de azul que havia sido o primeiro a pular virou seu olhar na direção de Sohv.

Sohv engoliu em seco audivelmente.

Diante do olhar afiado do homem, Sohv não conseguiu se manter calmo.

O homem removeu o manto azul marinho que adornava suas costas e se aproximou.

Mas ele passou por Sohv e continuou andando atrás dele.

“Já faz algum tempo. Uma bela vestimenta como sempre, mas infelizmente isso é ruim para os soldados que acabaram de sair de uma luta.”

“Já faz algum tempo… Entretanto, não é como se eu estivesse nua porque eu queria estar.”

Quando Sohv se virou, ele descobriu que o homem de azul ― O Rei Huuron, havia colocado seu manto ao redor da ilusão… Ou melhor, na mulher que ele havia confundido com uma ilusão.

“Obrigada.”

A mulher fez uma leve reverência.

“Não, eu é que devia estar te agradecendo. Parece que você me ajudou de novo.”

“Rei, hm, essa mulher… Quer dizer, quem poderia ser essa pessoa?”

O rei sorriu maliciosamente com a pergunta de Sohv antes de responder:

“Uma deusa.”

No momento que essas palavras deixaram sua boca, o sorriso da mulher apresentada como deusa pareceu infinitamente perturbado.

“Eu sei que Teo Keh te chamou de mística ou algo do tipo, mas você não acha que és digna do título de ‘deusa’?”

“Geez, faça o que quiser.”

“Hahaha.” A Deusa riu em cansada resignação, mas repentinamente seu sorriso rígido se transformou num olhar de surpresa.

“Atrás de você!”

Após a Deusa gritar, seus braços dispararam para debaixo do manto do rei e ela pegou dois panos coloridos como o que ela havia jogado antes. Colocando um pano em sua boca, ela forçadamente o rasgou com seus caninos antes de jogá-los em Sohv.

Sohv inclinou seu pescoço para evitá-lo e se virou com sua espada pronta.

Como ele imaginou, havia outro inseto ali.

Ele estava prestes a rasgar o toldo da carroça com seus dois longos chifres quando a bola de pano atingiu sua lateral. No mesmo momento em que um pouco de pó negro se espalhou de dentro dela.

-GICHIIIIII!-

O inseto balançou seu corpo inteiro.

Seguindo a primeira bola, a Deusa jogou mais uma.

Soldados balançaram suas espadas na direção do inseto que estava começando a cavar.

À medida que suas pernas voavam e duas espadas perfuraram sua barriga, o inseto parou de cavar.

Se contorcendo com suas pernas restantes, um líquido verde fluiu de dentro do inseto e seus movimentos pararam.

“Tsk, quantos desses malditos insetos há aqui?”

O Rei estalou a língua de irritação.

“Ummm~ Tem uma coisa que eu gostaria de perguntar, por acaso o mapa do mensageiro de Ii’Jibro já chegou?”

“O que?”

Virando-se de volta para a Deusa, as sobrancelhas do Rei se ergueram.

Sua atitude era um pouco rude para alguém se dirigindo a uma pessoa apresentada como deusa.

“A Rainha Akka de Ii’Jibro deliberadamente convidou vocês aqui por causa dos insetos perigosos. E assim, um mensageiro de Ii’Jibro veio e em troca do resgate do príncipe deles preso em uma torre, eles aparentemente entregaram um mapa com a passagem segura para Teo Keh.”

O rei deixou escapar uma risada curta.

“Você é onisciente, Deusa?”

“Não, não, não realmente. Veja só, eu encontrei com um dos caras que iria entregar o mapa um dia desses. Seu ruba foi morto, então ele não podia concluir seu trabalho, mas ele disse que havia outros quatro como ele.”

“Não parece que eles já chegaram entretanto, huh…” Ela murmurou.

“O vento está calmo, você vê? É por causa disso que nós estamos adiantados.”

A Deusa colocou uma mão na testa e abaixou a cabeça. Parecendo pensar sobre alguma coisa, ela nem mesmo percebeu o manto escorregando gentilmente de seu ombro direito. Sua mão direita parecia estar segurando seu peito e assim mais nada seria exposto, mas Sohv estava suando frio.

Após um tempo, ela finalmente levantou a cabeça e olhou diretamente para o Rei.

“Você tem um mapa?”

“Bem, sim, eu tenho.”

O Rei assentiu como se isso fosse natural.

“Bem, eu consegui esse mapa aqui, você vê…”

A Deusa se inclinou e esticou a mão para algum lugar invisível além da moldura.

De uma misteriosa roupa clara, ela tirou um pequeno papel dobrado e o balançou provocativamente.

“Não parece que… você vai me dá-lo de graça, huh.”

“Você disse que isso lhe daria má sorte, certo?”

A Deusa sorriu com as palavras do Rei.

“Vai ser fácil. Se quando você acabar, o Príncipe Hinoki ainda estiver preso dentro da torre, eu quero que você o ajude.”

“O que nisso é fácil…?” Murmurou o Rei em espanto.

Sohv era da exata mesma opinião.

Um grande suspiro escapou do Rei.

“Mas eu suponho que eu não possa escapar de uma crise sem algum sacrifício. Eu aceito essas suas condições. Já que ela acha que eu fui comido por esses insetos, eu duvido que a Rainha Akka estará me esperando.”

A Deusa sorriu em resposta.

“Obrigada pelos negócios como sempre.”

Ela era uma Deusa que parecia estar longe da divindade.

Após o Rei aceitar o mapa dela, ele o abriu antes de franzir o cenho.

“O nome desse inseto é arrijighock. Se alegrem. Aparentemente, cada ninho tem apenas três ou quatro deles.”

Sohv e os outros soldados agitadamente formaram um anel ao redor dele.

Ainda devia haver mais um ou dois vivos. Talvez eles estivessem espreitando por perto.

“Se nós não matarmos os insetos, não parece que nós conseguiremos recuperar a carga, não é?”

Sohv olhou para a areia procurando pelo menor dos movimentos.

Os soldados ali embaixo com ele, assim como os soldados em cima na borda, prenderam suas respirações e examinaram os arredores com seus olhares.

Por causa do vento soprando, areia caía da parede lateral.

Quem quebrou o silêncio foi a Deusa.

“Ei, o que tem dentro da carroça?”

“Vinho e pólvora.”

A resposta do Rei soou um pouco desapontada.

Como se perguntasse: ‘Qual é a importância da carga?’

“Aquele inseto, quero dizer, o arrijighock, você sabe de que tipo de coisa ele gosta?”

O Rei franziu o cenho.

E Sohv encheu seus pulmões de ar quando entendeu.

“O objetivo do arrijiighock é a carga?”

Apesar de um ruba sangrando estar ali, o arrijighock havia ido atrás da carroça.

Sohv correu até a carroça e espiou dentro dela.

-drip drip-

Alguma coisa estava vazando.

“Rei! É o vinho! Parece que o arrijighock foi atraído pelo vinho!”

Os soldados próximos à carroça recuaram em choque.

E para onde eles estavam olhando, a areia repentinamente formou uma depressão.

“Está aqui!”

Sohv mirou no chão onde ele suspeitava que a criatura estava se escondendo.

Ele sentiu a ponta de sua espada cortando alguma coisa, mas foi muito superficialmente.

“Minhas sinceras desculpas. Ele escapou.”

Abaixando o cabo de sua espada, Sohv voltou ao anel e sentiu a mão de seu Rei sobre seu ombro.

O pano ao redor de sua mão e dedos estava sujo de areia e Sohv ficou orgulhoso do motivo.

“Usar vinho para atraí-lo, huh… Mas seria uma grande vergonha deixar nossa carga sofrer mais algum tipo de dano, huh.”

O vinho estava sendo carregado em barris. Da quantidade que havia vazado, o dano não parecia ter sido muito grande.

Mas no tempo que eles gastariam para movê-los, o arrijighock poderia aparecer de debaixo da carroça de novo.

“Então eu vou te dar um pouco. Eu falo de vinho.”

Sohv ouviu um pequeno murmúrio.

Quando ele olhou para a Deusa da qual ele se originou, com dois lisos cilindros em sua mão, ela esticou os braços para fora do retângulo.

“Essas são minhas últimas duas, mas pegue-as.”

Que expressão trágica ela tinha.

Embora isso seja apenas vinho…

O próprio Sohv foi surpreendido pela atitude dela, mas talvez vinho fosse simplesmente muito importante para os deuses.

O Rei começou a deixar o círculo.

“O que você quer em troca?”

“Apenas que a promessa de antes seja cumprida.”

Após receber os cilindros da Deusa, ele se virou e gritou:

“Abaixem as tábuas!”

Seguindo isso, um por um, ele olhou para as faces dos soldados ali embaixo com ele.

“Construam um anel com as tábuas. Nós vamos derramar vinho no meio. Ouçam, esperem pelo momento em que ele deixar a areia.”

Os soldados em cima começaram a abaixar as tábuas com cordas.

O Rei mais uma vez se virou para a Deusa.

“Nós vamos exterminar o inseto agora. Acho que será melhor você partir primeiro, Deusa.”

Colocando sua mão na moldura retangular que abrigava a Deusa, o Rei puxou seu braço da direita para esquerda.

Os olhos de Sohv se arregalaram em choque.

Embora apenas um momento atrás a Deusa estivesse ali debaixo do manto, ela agora havia desaparecido.

Não foi simplesmente a Deusa. Até a moldura que ele agarrou agora não estava em nenhum lugar à vista.

Era como se a Deusa nunca tivesse estado ali para começar…


Tradutora: Brinn   |   Revisor: Ryokusan000



1 – “Hell if I know”, uma gíria que significa algo como ‘eu não tenho ideia’ ou ‘eu não sei’, geralmente usada na forma de exclamação e que também pode indicar raiva ou irritação por parte do falante.

2 – “It’s kinda… insect-y” – Uma tradução literal não cabe aqui pois “insect-y” seria um adjetivo formado a partir do substantivo inseto, que até onde eu me lembro não existe em português.

3 – “Hell if I know!”, novamente.


Fontes
Cores