Arifureta – Capítulo 98 – Uma reunião surpreendente



Foi Shia a primeira a notar a confusão.

(Shia): “Não tem alguém sendo atacado logo à frente?”

Como de costume, Yue estava pressionada contra Hajime. Kaori tentava entrar no meio deles, sua aura de dragão pressionava a aura de relâmpagos de Yue. O resultado foi Hajime tendo que dirigir com cuidado, e assim, ele não estava com sua atenção direcionada para o que estava à sua frente.

Como disse Shia, parecia haver uma caravana à frente com dois grupos, um atacando o outro. Assim que o veículo deles se aproximou, a ‖Visão de Longo Alcance de Hajime o permitiu ver os dois grupos no meio de uma batalha, um atacando e o outro defendendo. As orelhas de coelho de Shia captaram o estrondo da batalha antes que Hajime pudesse vê-los.

(Hajime): “Eles parecem ser bandidos. Os bandidos parecem exceder os guardas da caravana em 40 contra apenas 15. A diferença em seu potencial de combate é clara”

Hajime descreveu a situação para Yue e Kaori

(Yue): “… nn, os guardas estão oferecendo uma boa luta”

Yue adicionou.

(Hajime): “Eles têm uma barreira mágica cercando a caravana, mas ela não vai aguentar muito tempo. Os bandidos estão tentando quebrar a proteção com magia”

(Kaori): “Mas a defesa deles está aguentando por enquanto”

(Hajime): “Fazer a barreira cobrir toda a caravana faz com que ela fique fina demais. Ela não irá aguentar muito tempo. Eles só conseguiram um pouco de tempo, mas isso não vai durar muito”

Parecia que a caravana enfrentava um ataque surpresa. Inúmeras pessoas dentro da barreira estavam agachadas com ferimentos, ou pior, mortas. Eles conseguiram derrubar alguns bandidos, mas os ladrões ainda eram proporcionalmente maiores em número. Eles conseguiram erguer uma barreira, mas assim que ela fosse derrubada, as pessoas da caravana iriam, inquestionavelmente, encontrar um fim macabro.

A conversa de Hajime foi cortada assim que a barreira de desvaneceu no nada. Os bandidos soltaram um grito e seguiram em frente, atravessando as defesas restantes da caravana com sorrisos terríveis em seus rostos. O esquadrão de escolta lutou desesperadamente, mas eles foram derrotados. Uma pessoa após a outra caía com os ferimentos causados pelos bandidos.

Kaori tinha uma expressão determinada em seu rosto, ela se virou para Hajime e pediu que ele ajudasse os resgatando com um tom que sugeria que ela estava agitada.

(Kaori): “Hajime-kun, por favor! Ajude-os, se você puder…”

Hajime não respondeu, mas acelerou seu [Veículo de Quatro Rodas]. Como era óbvio que a caravana seria destruída se ele não ajudasse, ele já tinha decidido que queria conhecer a história deles. Ele queria dizer isso a Kaori, mas não o fez.

O [Veículo de Quatro Rodas] triturou o chão produzindo sons de, ]garri, garri, garri[, enquanto acelerava com violência, o veículo se movia como se tivesse um foguete preso no motor.

(Kaori): “Hajime-kun, obrigada…”

Kaori sorriu alegremente assim que ele começou a agir. Hajime encolheu seus ombros em resposta. Hajime estava simplesmente fazendo o que ele queria fazer. Yue apertou seu cinto de segurança.

(Kaori): “Oh, isso, Hajime-kun? Isto não é um pouco…”

A sensação parecia ter sido arruinada assim que o [Veículo de Quatro Rodas] continuou acelerando. Apesar de ela pedir pela ajuda dele, ela sabia como os carros funcionavam na terra, e a velocidade com que ele estava disparando contra os alvos não permitiria tempo para parar. Ele iria atropelá-los com o [Veículo de Quatro Rodas]? Kaori não poderia de se impedir de pensar assim.

Com o olhar preocupado de Kaori, Hajime respondeu.

(Hajime): “Eles não te ensinaram a pisar com força no acelerador quando você vê um criminoso na autoescola?”

(Kaori): “É claro que eles não ensinam isso. Não distorça as leis de trânsito para seu próprio benefício. Hey, Yue, não concorde com ele, pare de acenar com a cabeça!”

Enquanto Kaori o corrigia, Hajime a ignorou, virando o veículo na direção de um bandido na retaguarda e que parecia ser o líder. Hajime pretendia matar os bandidos ao passar por cima deles sem hesitação.

O líder dos bandidos finalmente notou o objeto estranho se aproximando deles enquanto criava uma nuvem de poeira. Ele emitiu instruções para os bandidos próximos e eles começaram a invocar magia. Para eles, o [Veículo de Quatro Rodas] parecia ser um novo tipo de monstro. Eles não acreditariam que isso foi feito por um homem, quanto mais que era operado por pessoas.

Hajime colocou |Poder Mágico no [Veículo de Quatro Rodas], operando uma de suas muitas funções. Uma lâmina de aproximadamente um metro apareceu de seus lados e teto. Os bandidos dispararam projéteis de fogo contra o veículo, mas eles quicaram inofensivamente no [Veículo de Quatro Rodas], então Hajime escolheu ignorá-los e continuou dirigindo em frente. Apesar das bolas de fogo atingirem o veículo, sua investida imperturbável contra os bandidos colocou expressões azedas em seus rostos.

]Dogoo! Baki! Squish![

Horror, desespero e constrangimento… essas eram as expressões nos rostos dos bandidos assim que eles colidiram com o capô do [Veículo de Quatro Rodas].

Enquanto bandidos voavam pelo teto, a lâmina no topo os fatiava em pedaços. Alguns tentaram pular para os lados para desviar das lâminas, mas acabaram sendo atirados para longe. A 80 km/h, qualquer um que fosse sortudo o bastante para desviar das lâminas acabaria com ossos quebrados e órgãos rompidos.

O grupo de bandidos na retaguarda foi eliminado em um momento, deixando sete mortos.

Depois de cuidar dos bandidos na retaguarda, Hajime girou o carro, o fazendo derrapar. A área se tornou um campo de massacre enquanto o [Veículo de Quatro Rodas] cortava os bandidos, fazendo os membros sobreviventes da caravana encararem a cena com olhares espantados. Os bandidos e guardas em combate subitamente pararam para encarar a cena.

Assim que os bandidos e os guardas da caravana os olharam cautelosamente, Hajime se virou para Kaori enquanto ela se inclinava para a frente impacientemente.

(Hajime): “Se eles nos atacarem sem compaixão, nós devemos estar dispostos a fazer o mesmo. Você entendeu?”

Hajime explicou a Kaori.

(Kaori): “… sim, eu entendo”

Kaori entendia que, apesar de ser gentil, ela não teria permissão para curar ou proteger pessoas que eles chamariam de inimigos. Se ela o fizesse, não seria capaz de seguir Hajime. Ela tinha se decidido fazer parte deste grupo. Hajime temia que Kaori entraria em seu caminho, mas ela acenou para ele com determinação para aliviar suas suspeitas.

(Hajime): “Eu não vou interferir. Então faça o que você precisa fazer”

Hajime suspirou.

(Kaori): “Sim”

Kaori mostrou um sorriso, saindo do [Veículo de Quatro Rodas] e correndo em direção a pessoa ferida mais próxima. Ela estava surpresa quando descobriu que era uma jovem mulher. Os bandidos que recuperaram sua determinação imediatamente se aproximaram de Kaori agressivamente, seus rostos distorcidos pela raiva ao verem seus colegas sendo mortos.

“Sua vadia! Morra!”, um dos bandidos brandiu sua espada longa enquanto erguia sua voz irritada.

Kaori o deu um olhar de lado e então desviou enquanto o ignorava. Ela continuou correndo à toda em direção a pessoa ferida enquanto começava seu encantamento. Um momento mais tarde, houve um alto estrondo, e a cabeça do homem explodiu, facilmente acabando com sua vida.

]Dopan! Dopan! Dopan! Dopan! Dopan! Dopan![

O vento continuamente carregou os sons de morte com cada estalo de trovão. Cada explosão resultou na destruição de outra cabeça em um espetáculo de sangue. Isso foi imensamente severo. Os mais de 40 bandidos tiveram seu número reduzido pela metade em questões de segundos.

Em pânico com a visão inacreditável, alguns bandidos tentaram agarrar Shia e as outras garotas em uma tentativa de ganharem reféns. Um dos guardas tentou gritar para as garotas para avisá-las, mas sua preocupação era sem sentido. O crescimento da super-humana Shia estava progredindo muito bem, e não havia aberturas na forma de combate da ⌊Garota-Coelho!

Shia puxou [Doryukken] da [Caixa do Tesouro], que pareceu ter surgido do nada atrás dela para os bandidos. ]Passi![. Ela fez um som satisfatório assim que Shia balançou a arma, a marreta se esticou e aumentou de tamanho. Assim que ela a manuseou, uma membrana branca circular se formou em sua ponta. Era uma parede de ar que atingiu os troncos de três bandidos, os lançando para longe com um único golpe.

(Shia): “Oops! Sangue demais!”

Aparentemente, como eles não enfrentaram nenhum adversário fraco em muito tempo, Shia se esqueceu de se conter quando lutava com um inimigo mais fraco. Ela pretendia apenas derrubar seus inimigos, mas com seu espírito distraído, ela fez os troncos deles voarem, deixando a metade inferior para trás. O súbito jorrar de sangue fez Shia se afastar vários passos com surpresa.

Yue e Tio enviaram olhares surpresos para Shia, mesmo que elas estivessem dizimando os outros bandidos com uma tempestade de magia.

Os dez bandidos restantes foram atingidos por Hajime sem cerimônias, morte imediatamente se seguiu sem tempo para que eles implorassem por suas vidas. Era uma destruição pura, sem qualquer sinal de misericórdia.

Kaori usou a ‖Magia de Cura para tratar várias pessoas que estavam espalhadas ao redor da caravana de uma vez. Lamentavelmente, muitos dos guardas da caravana que caíram mais cedo já tinham dado seus últimos suspiros. Até a ‖Magia de Regeneração não poderia trazê-los de volta da morte.

Assim que Hajime se aproximou de Kaori, uma pessoa correu na direção dela. A estranha tinha uma estatura pequena, seu rosto estava escondido por um capuz, fazendo com que sua aparência fosse suspeita. Contudo, Hajime sabia que esta era a pessoa que manteve a barreira de pé desesperadamente para proteger a caravana. Nenhum dos guardas da caravana entrou no caminho de Hajime enquanto ele se aproximava.

(???): “Kaori!”

A pessoa encapuzada esticou seus braços e usou sua velocidade para saltar em Kaori enquanto gritava seu nome com uma voz agradável. Kaori não escondeu seu espanto, murmurando o nome da pessoa em resposta.

(Kaori): “Lili? No fim das contas, é a Lili? Aquela barreira pareceu familiar. Eu não imaginei que fosse encontrar você nesse lugar, mas eu suspeitei…”

Parecia que Kaori reconheceu a pessoa encapuzada como Lili.

… ou melhor, Liliana S. B. Haihiri, a Princesa do |Reino Haihiri| era a pessoa de capuz.

Liliana abraçou Kaori com alívio, oferecendo um vislumbre de seus grandes olhos azuis e aparente beleza escondida pelo capuz. Seus olhos se apertaram assim que ela começou a chorar, falando com Kaori em voz baixa entre soluços.

(Liliana): “Eu também não achei que fosse encontrar Kaori neste lugar. Isso é… boa sorte. Parece que eu ainda não gastei toda a minha sorte”

(Kaori): “Lili? Qual o problema?”

Kaori não entendia muito bem o significado das palavras de Liliana, mas ela notou que algo estava errado e se afastou. Liliana colocou um dedo na boca de Kaori, a advertindo para não usar seu nome.

Aparentemente, Liliana estava sozinha e conseguiu se esconder na caravana para chegar tão longe. Kaori mostrou um olhar simpático enquanto a princesa tentava enfatizar o desafio que teve que enfrentar.

(Hajime): “Kaori, vocês já terminaram?”

Hajime interrompeu, alheio ao clima.

Liliana deu a Hajime um olhar vazio. Subitamente, Liliana ergueu sua voz e gritou, “Hya!”. Olhando para Hajime de dentro de seu capuz, uma luz parecia ter se acendido em sua cabeça e ela imediatamente começou a cumprimentar Hajime.

(Liliana): “Você é Nagumo, não é? Há quanto tempo. Nós escutamos sobre sua sobrevivência depois da queda. A força e capacidade para sobreviver são dignas de respeito. É muito bom você ter sobrevivido. Enquanto você estava desaparecido, Kaori estava um caco”

(Kaori): “Espere Lili, nós estamos bem agora”

Kaori falou em afobação.

(Liliana): “Eu ouvi sobre como Kaori se confessou para Hajime por Shizuku, mas você tem que me contar mais sobre isso”

Liliana estava provocando Kaori em um tom divertido, sorrindo atrás de seu capuz. Kaori ficou completamente vermelha com o constrangimento.

O sorriso da Princesa devia ser muito popular com o público. Não havia dúvidas de que se ela o mostrasse para jovens ou velhos, eles se apaixonariam por ela. Entretanto, Hajime não foi particularmente afetado por seu sorriso.

Sem reconhecer a situação, ele a olhou desconfiadamente e exigiu, “… e quem exatamente é você?”.

(Liliana): “Heh?”

Se Hajime não as interrompesse, Liliana e Kaori, sem dúvidas, continuariam falando sobre o estado de todos os outros estudantes no |Reino|. Hajime não tinha a paciência para ser sutil. Ele queria respostas diretas.

Liliana era uma Princesa com uma grande personalidade e que era amada por todas que ela conhecia. Ela estava chocada ao ser abordada tão inadequadamente por um homem que normalmente nem seria digno de se encontrar com a Princesa, assim, ela soltou uma voz estúpida involuntariamente.

Kaori entrou em pânico imediatamente e tentou aliviar a situação pelo bem da aturdida Liliana. Ela falou em voz baixa para que ninguém as escutasse.

(Kaori): “Hajime, você… Princesa! É a Princesa! Ela é a Princesa do |Reino Haihiri|, é com Liliana que você está falando!”

(Hajime): “… … … ah…”

(Liliana): “Gusu, você se esqueceu de mim, não foi? Gusu”

Liliana choramingou.

(Kaori): “Lili! Não chore por causa disso! Hajime-kun é um tipo de pessoa com memória curta. Ele é especial. Nenhuma pessoa normal esqueceria de Lili. Então você não precisa chorar!”

Kaori tentou suavizar a situação.

(Hajime): “Hey, você poderia não dizer essas coisas rudes tão casualmente?”

Hajime suspirou.

Como os olhos marejados de Liliana estavam horríveis, Kaori estava desesperadamente tentando conforta-la. Hajime involuntariamente tentou retorqui-la, contudo, Kaori o deu um olhar irritado que dizia, “Fique quieto agora mesmo!”. Enquanto isso, Liliana estava explicando, “Não, está tudo bem Kaori, foi só o meu orgulho que ficou um pouco ferido…”. De maneira geral, a conclusão da conversa das duas parecia ser que Hajime estava errado por ter esquecido completamente quem Liliana era.

Na atmosfera já delicada, um homem da caravana se aproximou deles.

“Há quanto tempo… parece que você está bem…”, o líder da caravana afirmou.

(Hajime): “O das bebidas energéticas…”

Hajime respondeu.

(Mottou): “Sério? Uma bebida energética? Uma companhia que pode fazer isso deve ser famosa e rica. Você pode me falar o nome deles?”

(Hajime): “Oh, não, deixa para lá. Mas como você está Mottou?”

(Mottou): “Yeah, estou feliz por você se lembrar de Mottou, da Empresa Comercial Junker. Esta é a segunda vez que você nos ajuda em um lugar perigoso. Parece que estamos destinados a nos encontrar de novo”

O homem riu e apertou a mão de Hajime.

Parecia que o líder da caravana era o homem que eles escoltaram até |Fhuren| da |Cidade de Brook| algum tempo atrás1.

Hajime também se lembrou de quando o espírito comercial dominou ele e o rapaz teve que colocar o mercador em seu lugar. Hajime aprendeu um pouco sobre a natureza humana do homem chamado Mottou. Apesar de parecer que o espírito comercial de Mottou não ter diminuído nem um pouco. Ele casualmente tocou o anel da [Caixa do Tesouro] de Hajime assim que soltou a mão do estudante. Seus olhos não estavam rindo, mas pareciam perguntar, “Você tem certeza que não vai vender isso mesmo?”. Talvez fosse apenas a imaginação de Hajime.

Shia explicou para Kaori e Lili a relação deles com Mottou.

(Liliana): “Você se lembra de uma pessoa aleatória que você conheceu uma vez, mas não uma Princesa?”

Lili ficou ainda mais deprimida e Kaori lutou para conforta-la apesar da história que acabara de ouvir.

Como Mottou disse, eles estavam seguindo para o |Ducado de Ankaji| via |Horuado|. O problema de |Ankaji| já era conhecido, e como um mercador, ele estava pronto para seguir para lá e lucrar. Parecia que ele já tinha visitado o |Ducado| antes, e esta seria sua segunda jornada após uma parada na |Capital Real|. Pelo olhar em seu rosto, estava claro que eles estavam ganhando bastante.

Hajime explicou que eles estavam seguindo para o |Mar de Árvores| depois de pararem em |Horuado|. Mottou implorou que eles o escoltassem até chegarem a |Horuado|.

Contudo, antes que Hajime pudesse responder, Liliana interrompeu a conversa.

(Liliana): “Eu sinto muito por te interromper mercador. Eu devo falar com você por um momento. Obrigada por me transportar tão longe. Eu sinto muito por meu pedido egoísta, mas eu não vou me juntar a você no resto do caminho até |Horuado|

(Mottou): “Oh, você não está mais seguindo para |Horuado|?”

(Liliana): “Sim, este ponto é o suficiente. Eu irei, logicamente, te pagar por toda a viagem”

Parecia que Liliana tinha se aproveitado da caravana para chegar até |Horuado|. Se encontrando com Hajime pelo caminho, ela não sentia mais necessidade de continuar com esse plano. Nesse ponto, Hajime sentiu um toque em seu ombro e Kaori sussurrou em seu ouvido.

“Não seja mais cruel com Lili!”, ela fez um apelo silencioso com seus olhos.

(Mottou): “É mesmo? Bem, foi um prazer. Não se preocupe com o dinheiro”

Mottou continuou.

(Liliana): “Huh? Não… por quê?”

Mottou se recusou a receber dinheiro, o que confundiu Liliana. A caravana tinha fornecido cama e comida, além de uma escolta. Vindo de Mottou, o mercador, essas palavras pareciam completamente inesperadas. Liliana mostrou a Mottou um sorriso preocupado.

(Mottou): “Não se incomode demais com isso. Mas aqui está um aviso. Normalmente, uma caravana irá cobrar passageiros extras antes da partida. Não pagar antes de partir sugere que o responsável pela caravana está tramando algo, ou não planejava receber em primeiro lugar. Nosso caso é o último”

(Liliana): “É mesmo…”

(Mottou): “Eu não sei quais são suas circunstâncias, mas como você está viajando sozinha, eu presumi que era algo sério. Durante uma crise, se um mercador como eu ajudar, então no futuro, as pessoas deste país podem passar a confiar neste mercador”

Liliana percebeu que Mottou sabia a identidade dela desde o começo. Ele fingiu não saber para ajudá-la sem atrair atenção.

(Liliana): “Então pelo menos eu devo oferecer um gesto de minha apreciação. Sem sua ajuda, eu nunca teria saído da |Capital Real|

(Mottou): “Heh… a coisa que você mais deseja frequentemente é a mais difícil para se comprar de um mercador, sabe?”

(Liliana): “Eh? Não, eu não sei”

Liliana respondeu confusa.

(Mottou): “É confiança”

Mottou explicou.

(Liliana): “Confiança?”

(Mottou): “Sim, um negócio sem confiança não prospera e nunca gerará lucro. Contudo, ajudando uma jovem senhorita em uma situação séria, a Companhia Comercial Junker pode se tornar conhecida como uma companhia em que as pessoas podem confiar. Seu bilhete vai ser pago sem demora”

Liliana mostrou um sorriso sem graça com as palavras ditas por ele. Se você usar dinheiro excessivamente, isso é sinônimo de falta de confiança. Havia alguns sentimentos contrários surgindo em Liliana. Eventualmente, ela desistiu deles e aceitou a boa vontade de Mottou.

(Liliana): “Sua companhia é realmente digna de confiança. Esta Princesa de |Haihiri| nunca irá esquecer sua gentileza e dedicação. Obrigada!”

(Mottou): “Você desperdiça suas palavras comigo”

Mottou se curvou profundamente com respeito.

Assim, ele se virou, deixando Liliana e Hajime para trás enquanto sua caravana seguia sua rota para |Horuado|. Ele partiu sabendo que ele receberia seu próprio certificado de heresia por ajudar a Princesa. Ele já tinha recebido a informação de que o |Ducado de Ankaji| se recuperou graças à ajuda de Hajime. Hajime só poderia imaginar o motivo para ele escolher ajudar desta forma. Ele supôs que Mottou diria que ele fez isso para “ganhar um favor para um amanhã melhor”, o slogan de um genuíno mercador.

Depois de Mottou partir, o grupo seguiu para o [Veículo de Quatro Rodas] enquanto Liliana começava a explicar sua história. A expressão dela estava cheia de tensão e impaciência, o que fez Hajime ficar com um mau presságio. Finalmente, ela começou a falar.

(Liliana): “Aiko foi sequestrada…”

Hajime sentiu que havia mais do que isso na história.

Para resumir a história de Liliana:

Recentemente, o clima dentro do Palácio Real parecia mais desconfortável do que Liliana se lembrava.

O Rei se comprometeu com a Igreja dos Santos ainda mais fervorosamente do que fez no passado. O Primeiro-Ministro e os outros líderes também pareciam ter sido pegos em sua devoção, suas crenças fortalecidas sem razão aparente.

Se fosse apenas isso… porém, também havia o fato que, um após o outro, todos pareciam concordar com a Igreja. A colaboração deles foi reforçada como nunca. Liliana continuou dizendo a si mesma que era apenas sua imaginação.

O desconforto não parou por aí. Todos pareciam estranhamente desprovidos de qualquer ambição. Ela tentou falar com os ⌈Cavaleiros e Soldados que conhecia, rostos familiares, e todos eles responderam corretamente, mas suas respostas pareciam mecânicas. Talvez fosse algum tipo de doença.

Ela até tentou consultar Meld, o ⌈Cavaleiro que ela tinha maior confiança, mas ele sempre estava fora de sua vista e ocupado. Liliana não conseguiria se encontrar com ele nem mesmo uma vez.

Enquanto isso, Aiko finalmente retornou para a |Capital Real| com os detalhes da |Cidade de Ur|. Liliana parecia ter estado presento no momento. Subitamente, uma demanda anormal foi feita. Foi uma solicitação para fazer de Hajime um herege. Creditada com o resgate de |Ur|, as objeções e opiniões de Aiko, que possuía grande reconhecimento e popularidade como a ⟦Deusa da Fertilidade, foram completamente ignoradas.

A conclusão parecia irracional, e Liliana foi uma feroz opositora, apesar de seu pai não ceder, não importava o que ela dissesse. Sua teimosia parecia beirar a obsessão. Em vez disso, a própria Liliana foi acusada de não ter fé, e seu pai começou a vê-la como uma inimiga, ao invés de uma filha.

Liliana fingiu que eles a tinham convencido, e então imediatamente fez planos para fugir. Ela queria discutir o que estava acontecendo com Aiko primeiro. Liliana sabia que Aiko estava planejando se encontrar com o resto dos estudantes para discutir os eventos cercando a queda de Hajime no jantar, então ela queria se encontrar com a professora previamente e discutir seus temores.

Ela estava se aproximando do quarto de Aiko quando a escutou discutindo com outra mulher no corredor. Quando ela espiou perto do local, ela viu Aiko inconsciente e nas mãos de uma mulher com cabelo prateado vestindo um hábito de freira2.

A mulher amedrontou Liliana, e ela imediatamente disparou para uma passagem secreta próxima só conhecida pela Família Real.

Embora a mulher de cabelo prateado tivesse notado e procurado por ela, a mulher não notou a passagem secreta e deixou Liliana em paz. Liliana estava confiante que a mulher de cabelo prateado era a mentora por trás de tudo isto. Que tudo estava conectado e que ela precisava contar a alguém.

Entretanto, como Aiko foi emboscada, ficou claro que os estudantes estavam sendo vigiados. Ela também não sabia do paradeiro de Meld. Então ela se lembrou que uma das estudantes, uma amiga confiável, não estava na capital. Assim ela decidiu encontrar Kaori. Ela tinha ouvido a história de que Kaori estava com Nagumo Hajime. Isso significava que havia apenas esses dois para ela recorrer. Ela escapou por uma passagem secreta com o plano de seguir para o |Ducado de Ankaji|.

Baseando-se nas notícias que |Ankaji| estava se recuperando após uma emergência pública, parecia haver uma grande possibilidade de a pessoa responsável ser Hajime e seu grupo.

(Liliana): “E depois disso, você sabe, eu recebi permissão para viajar com a caravana da Companhia Comercial Junker. Eu não acho que fui notada, mas me ver sendo atacada por bandidos, ou que eu seria ajudada por Kaori… nem em meus sonhos… um pouco antes… mas… eu… isso foi assustador… a Igreja… o que está acontecendo? A freira com aquele cabelo prateado… meu pai…”

Liliana abraçou seu corpo, tremendo de medo. Ao invés da talentosa Princesa que ela costumava ser, ela parecia apenas uma garota assustada. Embora isso não fosse nenhuma surpresa. Todas as pessoas que ela conhecia se tornaram estranhos, e ela estava com medo de ser a próxima.

Kaori a abraçou com força, tentando aliviar, mesmo que só um pouco, o medo que se entranhava na mente de Liliana.

Enquanto observava a cena, Hajime repassou os eventos em sua mente. A história de Liliana o lembrou das |Ruínas Submersas Merujiine| e a cena que lhe foi mostrada no fim. As pessoas que entraram em fervor com sua crença em Deus. Isto era realmente uma situação de perigo.

Ele não sabia se essas visões eram verdadeiras. Isso poderia estar acontecendo agora? Não, ao invés de se preocupar com isso, eles deviam adquirir a ‖Magia da Era dos Deuses rapidamente e deixar este mundo o mais rápido possível.

Contudo, Hajime não poderia tomar uma decisão imediatamente, já que ele tinha que considerar Aiko-sensei. Muito provavelmente, o que Aiko iria dizer para os estudantes era a verdade sobre eles serem trazidos para este mundo para lutar para o entretenimento de Deus. Eles gostavam de usar pessoas como peões, e suas palavras iriam colocar um pouco de suspeita que iria perturbar eles. Parecia que a teoria de Hajime estava correta.

Para eles decidirem sequestrar Aiko, isso devia ser culpa do garoto. Eles provavelmente não queriam matá-la, mas as pessoas que sentiam prazer ao manipular a todos como se fossem fantoches, poderiam decidir eventualmente usá-la.

Hajime estava em dívida com Aiko pelo conselho que ela o deu. As coisas não eram tão ruins agora que ele não estava sozinho.

Por esse motivo…

(Hajime): “Nós vamos ajudar minha professora”

Hajime escolheu salvar, ao invés de abandonar aquela que precisava dele.

Com essas palavras, Liliana ergueu seu rosto com esperança. Ela estava com uma expressão de alívio apesar do fato de que estaria voltando para a cidade. Ela ouviu que ele era indiferente por seus colegas de classe neste mundo e temia que Hajime iria abandoná-los. Ela esperava que convencê-lo seria muito difícil.

(Liliana): “Você vai mesmo?”

Liliana pedia confirmação, mas Hajime apenas encolheu seus ombros.

(Hajime): “Por favor, não me entenda mal. Não é pelo seu |Reino|. É pela minha professora. Ela foi sequestrada por minha causa. Eu tenho que assumir a responsabilidade”

(Liliana): “Por Aiko…”

Liliana ficou um pouco desanimada quando percebeu que Hajime não tinha planos de emprestar seu poder para o |Reino|, mas ela tinha alguma esperança que ele mudasse de ideia pelo caminho. Apesar de suas palavras duras, ela ainda mostrou um sorriso involuntário.

(Hajime): “Bom, no processo de ajudar minha professora, eu posso acabar auxiliando o |Reino| por acidente”

Ele admitiu.

(Liliana): “… fufu, eu espero que seja esse o caso. Eu te agradeço Nagumo”

Como a mulher que sequestrou Aiko estava vestindo um hábito da Igreja, e como o Rei estava ouvindo a Igreja em um nível anormal, provavelmente, a Igreja era a causa de todos esses problemas. A Igreja certamente entraria no caminho de Hajime, e eles acabariam como seus inimigos. Ajudar Aiko e consertar o |Reino| pareciam ser sinônimos. Ao ajudar Aiko, Hajime ajudaria Liliana.

Liliana compartilhou um sorriso com Kaori, fazendo a boca de Hajime se distorcer um pouco.

Além de salvar Aiko, Hajime tinha outro propósito. Era a ‖Magia Espiritual na |Montanha de Deus|. Pelo que eles tinham escutado de Miledi (a armadura possuída brincalhona que os deu a ‖Magia da Gravidade), a |Montanha de Deus| também era um dos |Sete Grandes Calabouços|. Contudo, se havia uma entrada para o |Grande Calabouço| escondida pela Igreja, Hajime não fazia ideia. Ainda assim, valia a pena verificar, mesmo que os oficiais da Igreja provavelmente entrassem em seu caminho.

Portanto, mesmo que ele tivesse originalmente planejado seguir para o |Mar de Árvores|, ele agora tinha um bom motivo para ir até a |Montanha de Deus|. E, no processo, ele resgataria Aiko, com a probabilidade de uma luta com a Igreja ser muito alta. Se ele atacasse o templo principal, talvez fosse tudo o que ele precisava fazer para obter a ‖Magia Espiritual, ou assim ele pensava.

A respeito da mulher de cabelo prateado, Hajime mencionou que ele imaginou ter visto uma pessoa com cabelos dessa cor nas visões que eles tiveram nas |Ruínas Submersas Merujiine|. No cruzeiro de luxo, havia uma mulher com um capuz que desapareceu e ela certamente tinha cabelo prateado. Hajime não poderia dizer se era a mesma pessoa, a idade seria diferente demais3. Entretanto, havia uma sensação desde o início. Algo a se fazer com esta mulher com cabelo prateado.

O espírito de luta de Hajime se incendiou. Ele iria detê-los, não importava quem fosse o inimigo. Ele iria matar qualquer um que entrasse em seu caminho. Ele mostrou um sorriso feroz como o de um lobo selvagem.

(Yue): “… Hajime, ótimo”

Yue respondeu a seu olhar.

(Kaori): “Hajime-kun… seu rosto parece um pouco fechado…”

(Tio): “Obrigada por me mostrar um olhar tão brutal. Tu estás deixando esta molhada!”

Tio acrescentou.

A atmosfera entre Hajime e as garotas era tudo, menos sutil, e Liliana corou com a cena.


Tradutor:



Notas

[1] Mottou é o mercador que Hajime escoltou no capítulo 52, logo depois de completar o Calabouço Raisen e voltar para Brook.

[2] Esses eventos aconteceram no capítulo 82.

[3] Hajime está se referindo a figura encapuzada (referida como um homem pelo tradutor desse capítulo) que parecia ter olhado diretamente para ele e Kaori no fim da visão do Rei Aleist, no capítulo 94.



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