Arifureta – Capítulo 82 – O desaparecimento de Aiko


– Prólogo do quarto arco.


Esse evento aconteceu um pouco mais tarde.

Três semanas se passaram desde que o grupo de Kouki recebeu o choque da reunião e dos sentimentos complexos devido a separação na |Cidade Postal Holward|.

Atualmente, havia uma coisa que o grupo de Kouki precisava lidar imediatamente: matar pessoas. Porém, eles não seriam mais capazes de lutar se não soubessem lidar com isso, então voltaram para a |Capital Real|. Era necessário que eles conhecessem o lado sombrio do “assassinato” se quisessem, de fato, participar da guerra contra a raça dos Demônios. Do contrário, teriam apenas desvantagens na guerra se não pudessem superar isso.

Em primeiro lugar, eles não seriam capazes de pensar sobre isso corretamente, já que pouco tempo lhes restava. O evento que ocorreu em |Ur| já tinha chegado aos ouvidos deles. Era óbvio que os movimentos da raça dos Demônios ficaram mais ativos, considerando que eles próprios também foram atacados e todos podiam imaginar que a guerra estava se aproximando. Dessa forma, o mais rápido possível, o grupo de Kouki queria superar este problema de qualquer forma.

Atualmente, o grupo de Kouki estava praticando combate contra os ⌈Cavaleiros comandados por Meld. Ryutaro, o grupo de Nagayama e a gangue de Hiyama já estavam preparados para isso, repetidamente, se perguntavam se eles poderiam realmente fazer isso depois de verem Hajime atirar na cabeça da mulher da raça dos Demônios. Não havia muito tempo restando, mas, eles acabariam “quebrados” se fossem obrigados a matar, então Meld e os ⌈Cavaleiros também estavam buscando uma solução.

Para os sombrios estudantes, uma pequena boa notícia chegou, era o retornou do grupo de Aiko. Normalmente, o carisma de Kouki seria capaz de animar os colegas de classe. Contudo, o Herói estava depressivo, o que também fazia com que todos ficassem deprimidos. A razão para eles não se partirem mentalmente com a severa derrota e o atual problema era graças a Suzu animando o ambiente, o que era seguido de pessoas prudentes como Shizuku e Nagayama. Mesmo assim, as mentes dos estudantes foram tomadas pela preocupação, forçando-os a olharem com mais do que receptividade para a adulta com quem eles eram familiarizados e que tanto confiavam. Todos realmente queriam se reunir com a professora que sempre dava o seu melhor por seus estudantes.

Ouvindo sobre o retorno de Aiko, Shizuku fez o primeiro movimento. Shizuku queria se consultar com Aiko sobre vários assuntos, assim ela encerrou seu treinamento. Ela também queria ouvir a impressão dos colegas de classe que encontraram Hajime muito antes dela e também queria trocar informação de forma objetiva com Aiko, que não julgava nem discriminava.

Usando a bainha da cor do azeviche que ela recebeu de Hajime e o cinto de outra espada de gume duplo completamente negro, Shizuku caminhou pela passagem do Palácio Real. Por algum motivo, sua aparência fazia mais damas nobres e camareiras corarem do que outros homens. Esse era um problema que assombrava Shizuku até neste mundo diferente. Ela realmente queria ser poupada de ser chamada de “Onee-sama” por mulheres que eram mais velhas que ela.

Ouvindo sobre as coisas que Hajime fez em |Ur|, Shizuku queria perguntar diretamente a Aiko sobre o que ela pensava de Hajime. Dependendo da impressão de Aiko sobre Hajime, a instável mente do atual Kouki poderia se inclinar para uma direção indesejável. Era a natureza de Shizuku o que a sobrecarregava com provações para onde quer que ela fosse.

(Shizuku): “Com toda certeza também houve uma confusão quando eles passaram por |Ur|… mas, ele também me deu esta espada parecida com uma Katana… sério, o que ele quis dizer com ‘resistente e capaz de cortar qualquer coisa com facilidade’? Esse não seria um Artefato no nível de um tesouro nacional?”

Falando consigo mesma, Shizuku silenciosamente moveu sua mão para a Katana pendendo em sua cintura. Caminhando em direção ao quarto de Aiko, Shizuku se lembrou da vez em que visitou a ferraria do |Reino| com o objetivo de cuidar de sua Katana.

Shizuku chamava sua Katana simplesmente de [Katana Negra] e a mostrou para o melhor ⌈Ferreiro do |Reino|. No início, o ⌈Ferreiro foi formal por estar diante de uma Apóstola de Deus. Contudo, sua atitude mudou completamente assim que ele examinou a [Katana Negra] com magia de avaliação e ele perguntou a Shizuku, enquanto segurava os ombros da aluna. Assim, como se sua atitude anterior fosse uma mentira, ele a bombardeou com perguntas, não, ele a interrogou com palavras, tais como onde ela obteve a espada e quem era o criador.

Embora ela estivesse aturdida, Shizuku conseguiu recuperar sua calma e perguntou o que tinha acontecido. O ⌈Ferreiro disse que até dentro do tesouro do |Reino|, esta espada devia estar mais ou menos no mesmo nível da [Espada Sagrada]. Embora sua potência e capacidade de receber |Poder Mágico não chegasse ao nível da [Espada Sagrada], suas funcionalidades e detalhes precisos como arma estavam acima da [Espada Sagrada].

Em seguida, exames detalhados descobriram que se a Katana recebesse |Poder Mágico, a lâmina se estenderia em 60 centímetros na forma de uma lâmina de vento. Além disso, duas lâminas a mais se formariam ao lado da parte estendida que, no momento oportuno, poderiam ser disparadas.

Então, a bainha foi examinada. Entendeu-se que a bainha seria revestida por um relâmpago se ela recebesse |Poder Mágico e havia uma parte em forma de interruptor na boca da bainha que dispararia agulhas com imensa força.

A parte da lâmina foi feita de [Azantium], então ela não seria lascada e praticamente não havia necessidade de fazer manutenção. A manutenção era apenas para repor as agulhas se elas fossem usadas.

Entretanto, havia um problema: ela não tinha nenhuma formação mágica para fornecer |Poder Mágico. Era algo natural. Hajime era capaz de usar manipulação direta de |Poder Mágico e ele originalmente nunca havia pensado em dar a espada para ninguém. Assim, não foi um erro quando ele disse: “resistente e capaz de cortar qualquer coisa com facilidade”, se ela fosse usada por Shizuku.

Essas eram as únicas funções instaladas e a misteriosa espada negra (ou assim os ⌈Ferreiros a viam) que só poderia ser usada com a manipulação direta de |Poder Mágico, fez os ⌈Ferreiros do |Reino| queimarem com espírito de luta.

“Mesmo que não possamos fazer uma arma com tamanhos detalhes e funcionalidades, nós vamos tornar esta espada utilizável!”, era o que eles estavam pensando. Em resumo, eles dariam um jeito de fazer o |Poder Mágico fornecido pelo usuário ser absorvido pela espada de qualquer modo. Consequentemente, depois de três dias e três noites, os ⌈Ferreiros, com o melhor deles na liderança, deixaram de lado seus outros trabalhos e conseguiram ter sucesso na criação da formação mágica.

Assim, Shizuku seria capaz de utilizar as habilidades da [Katana Negra] sem precisar de um encantamento. Posteriormente, os ⌈Ferreiros, cujos |Poderes Mágicos se esgotaram, dormiram por vários dias com expressões realmente contentes.

Shizuku estava olhando para longe enquanto se lembrava do incrível espírito de criação, então ela chegou a seu destino, o quarto de Aiko. Ela bateu, mas não houve resposta. Ela ouviu que Aiko ia se reportar para o Rei e os outros oficiais, então Shizuku pensou que ela ainda não devia ter voltado. Encostando-se à parede, Shizuku decidiu esperar pelo retorno de Aiko.

Trinta minutos se passaram até a volta de Aiko. Seus passos podiam ser ouvidos do corredor interno e, de alguma forma, pareciam deprimidos. Aiko estava caminhando sem olhar para frente e sua expressão séria fez Shizuku entender que Aiko estava desesperadamente pensando sobre algo em sua cabeça.

Assim, Aiko nem mesmo notou seu quarto com Shizuku ao lado da porta e continuou andando. Enquanto se perguntava sobre o que tinha acontecido, Shizuku chamou Aiko.

(Shizuku): “Sensei… Sensei!”

(Aiko): “Hoeh!?”

Soltando uma voz boba, seu corpo se contorceu em surpresa. Aiko olhou ao redor e finalmente notou Shizuku. Depois, Aiko suspirou de alívio vendo a aparência saudável de Shizuku, então ela sorriu com alegria.

(Aiko): “Yaegashi-san! Há quanto tempo. Você está bem? Você não se machucou? Os outros estão seguros?”

Apesar de ela estar depressiva até um momento atrás, as coisas que ela disse eram apenas suas preocupações com seus estudantes. Para a imutável Ai-chan-sensei, alegria também entrou no olhar de Shizuku assim que ela sorriu e um senso de segurança preencheu sua mente. Por um tempo, as duas ficaram felizes com a segurança uma da outra e por sua reunião, então elas entraram no quarto de Aiko para se consultarem e trocarem informação.


(Shizuku): “Então foi isso o que aconteceu… Shimizu-kun foi…”

Shizuku e Aiko estavam sozinhas no quarto e elas mutuamente trocaram informações enquanto bebiam chá dentro de xícaras com fofas pernas de gato. Ouvindo sobre o que tinha se passado em |Ur|, essas palavras foram a resposta de Shizuku.

Dentro do quarto, um clima desconfortável pairava no ar. Aiko encolheu seus ombros de forma abatida; ela obviamente estava deprimida com Shimizu. Pensando na personalidade de Aiko e seu senso de responsabilidade, Shizuku não poderia deixar de se preocupar com as circunstâncias, mas, ela não podia encontrar as palavras necessárias para se dizer.

Porém, apesar de Shizuku estar relutante em permitir que Aiko continuasse depressiva ou mais alegremente possível, ela se regozijou com a segurança da professora.

(Shizuku): “Eu me sinto mal por Shimizu-kun… contudo, eu realmente estou feliz pela Sensei estar viva. Eu realmente quero agradecer Nagumo-kun”

Para a sorridente Shizuku, Aiko estava refletindo porque ela, mais uma vez, fez sua estudante se preocupar com ela, então ela respondeu com um sorriso.

(Aiko): “Entendo. Em nossa reunião, ele não tinha nenhum interesse em nós e neste mundo… mas ele veio salvar Yaegashi-san e os outros. Além disso, ele até protegeu uma criança pequena… fufu, é possível que alguma parte do passado dele tenha voltado. Ou eu devo dizer que ele está crescendo enquanto muda… ele se tornou confiável”

Dizendo isso enquanto olhava para longe, por algum motivo, as bochechas de Aiko… estavam levemente pintadas de vermelho. Shizuku estava confusa enquanto pensava, “Essa não é uma reação estranha por apenas se lembrar de um de seus estudantes?”. Ela observou enquanto Aiko algumas vezes ria enquanto se lembrava de algo, “Fufu”.

Notando o olhar de Shizuku, ] Tosse! [, Aiko limpou sua garganta e foi incapaz de acalmar as coisas, suas bochechas convulsionaram e ela teve uma premonição ruim. Shizuku decidiu pressionar. Enquanto tentava se convencer que isso não seria possível, Shizuku disse…

(Shizuku): “… Sensei? Pela nossa conversa, a Sensei disse que foi salva de uma situação perigosa, você pode me contar os detalhes?”

(Aiko): “Eh!?”

(Shizuku): “Bem, foi dito que a Sensei poderia ter morrido, então eu quero ouvir como você se recuperou disso…”

(Aiko): “So-sobre isso…”

Shizuku se lembrou do remédio especial que rapidamente curou o moribundo Meld, ela pensou que devia ter sido isso, então, se fazendo de tola perguntou a Aiko. As bochechas de Aiko começaram a ficar mais vermelhas que antes. O olhar de Aiko estava percorrendo o quarto e, hesitantemente, ela murmurou suas palavras… era de fato como a aluna suspeitava.

Como a espadachim que ela era, Shizuku cortou direto ao assunto.

(Shizuku): “… Sensei. Algo aconteceu entre você e… Nagumo-kun?”

(Aiko): “!?!?!? Nã-não tem jeito de algo ter acontecido, sabia? Ma-mas o que você está tentando dizer? Foi só o habitual comigo sendo uma professora e ele sendo um estudante!”

(Shizuku): “Sensei. Por favor, se acalme. Sua expressão ficou estranha”

(Aiko): “!!!”

Aiko estava realmente abalada. Desesperadamente, Aiko murmurou, “Eu sou uma professora, eu sou uma professora…”. Aiko deve ter pensado que ela estava murmurando em sua mente, mas não estava. Assim, Shizuku ficou convencida. Apesar de Shizuku não entender em que ponto isso aconteceu, Aiko começou a ter um sentimento especial por Hajime, diferente do que sentia pelos outros estudantes!

(Shizuku): “Nagumo-kun! Como uma pessoa! O que você fez com Ai-chan!?”

Neste momento, qualquer um poderia ver as bochechas de Shizuku convulsionando enquanto ela pensava nisso. Hajime já tinha se tornado um “levantador de bandeiras”, cujo nível não poderia ser comparado nem com Kouki. Mas, diferente de Kouki, Hajime não era denso quanto a afeição que as outras tinham e ele as respondia claramente… e devia ter dito isso para Aiko também.

Uma rival de sua melhor amiga apareceu em um lugar inesperado, fez Shizuku olhar para o teto com sua mão cobrindo suas bochechas, se contorcendo. Independentemente do gênero, Shizuku passou a odiar esse lado de Hajime, e uma ideia perigosa de realmente espalhar um apelido doloroso passou por sua mente… uma ideia que ela conseguiu desistir.

Aiko e Shizuku tentaram acalmar as coisas ao limparem suas gargantas repetidas vezes, então elas continuaram sua conversa anterior como se nada tivesse acontecido.

(Shizuku): “Então, Sensei. Aconteceu alguma coisa quando você se reportou para o Rei? Afinal, parece que vocês tiveram uma conversa séria”.

A pergunta de Shizuku fez Aiko se lembrar de algo e ela ficou com uma expressão angustiada, onde ódio e desconfiança se misturavam.

(Aiko): “… oficialmente, Nagumo-kun foi declarado um herege”

(Shizuku): “!?!?!? Mas isso… !!!  O que você quer dizer? Não, de certa forma eu posso imaginar… mas, essa decisão não foi apressada demais?”

Hajime era poderoso. Com apenas algumas pessoas, ele repeliu mais de 60.000 Feras Mágicas enquanto usava Artefatos misteriosos. As companheiras de Hajime também possuíam poderes inacreditáveis. Contudo, sua postura dizia que ele não cooperaria com a ⟦Igreja dos Santos e até se oporia a eles dependendo da situação. Era verdade que Hajime era uma existência verdadeiramente perigosa para o |Reino| e a ⟦Igreja dos Santos.

No entanto, era mesmo muito apressado marcá-lo como um herege tão rapidamente. A marca de um herege era dada para aqueles que desobedeciam aos ensinamentos da ⟦Igreja dos Santos e se tornavam inimigos de Deus. Tal marca tornaria legal qualquer um que derrotasse Hajime, a qualquer momento, em qualquer lugar e, de acordo com a situação, até os ⌈Cavaleiros Templários e o exército do |Reino| poderiam agir.

Depois disso, ao atacarem Hajime porque ele era um herege, eles receberiam o tratamento de um inimigo por parte de Hajime, seu implacável e severo ataque. Não havia forma do Rei e da ⟦Igreja não saberem do perigo. Contudo, Aiko disse que eles decidiriam naquela hora. Não havia forma de Shizuku não estar surpresa com isso.

Shizuku imaginou até esse ponto, o que fez Aiko concordar com admiração ao ver que seu raciocínio rápido não tinha mudado.

(Aiko): “É totalmente como Yaegashi-san disse. Aliás, não importa se ele tenha imenso poder e não siga a ⟦Igreja, ele acabou salvando |Ur|, mas eles ignoraram meus protestos. Nagumo-kun esperava esta situação, então ele se escorou no título da ⟦Deusa da Boa Colheita. A propósito, eu escutei dos guarda-costas que o nome ⟦Deusa da Boa Colheita e ⟦Espada da Deusa se espalhou ainda mais para outras cidades.

Assim, ao marcá-lo como um herege, isso também significa que a ⟦Igreja está negando a ⟦Deusa da Boa Colheita, quem salvou o povo. Dessa forma, eles não deveriam ser capazes de ignorar tão facilmente meu protesto ou assim deveria ter sido. Mas, essas pessoas forçaram a decisão. Eles estavam obviamente agindo de forma estranha… aliás, eu me lembro que outros, além de Ishtar e as pessoas da ⟦Igreja, o Rei e outras Realezas, estavam com aparências estranhas…”

(Shizuku): “… isso é preocupante. Mas o que eles estão pensando? Porém, o que eles não podem deixar de pensar agora é ‘quem’ eles deveriam mandar contra o poderoso Nagumo-kun, não é? E esse é o ponto aqui”

(Aiko): “… tem razão. Talvez…”

(Shizuku): “Eeh. Só há nós… mas eu absolutamente vou recusar isso, entendeu? Eu não quero morrer. Se eu me tornar inimiga de Nagumo-kun… eu não quero nem imaginar isso”

Shizuku tremeu e Aiko mostrou um sorriso sem graça entendendo o que Shizuku sentia.

Assim, antes que o |Reino| e a ⟦Igreja dissessem a Kouki e os outros para lutarem com Hajime, Aiko decidiu dizer a eles sobre tudo o que Hajime havia dito sobre os Deuses Loucos e seu propósito durante suas viagens. Ela não tinha prova, então ela não sabia se Kouki e os outros iriam acreditar. Além do mais, até este momento, eles deram o seu melhor porque acreditavam que o Deus iria devolvê-los a seu mundo original, contanto que eles vencessem a guerra contra a raça dos Demônios.

“Na verdade, o Deus se encanta com a reação das pessoas com suas ações e a possibilidade de devolvê-los é extremamente baixa. Então, vamos procurar pelas moradas daqueles que se rebelaram contra os Deuses nos tempos antigos e procurar por uma forma de voltarmos por conta própria!”. Ninguém iria acreditar nessas palavras se fossem ditas de repente.

Depois que Kouki e os outros escutassem o que ela tinha a dizer, se eles iriam considerar isso como um absurdo e continuariam a lutar como antes, ou se eles acreditariam nela e buscariam por outro caminho… isso era algo que Aiko não poderia prever. No entanto, ela devia avisá-los para não acreditarem cegamente na ⟦Igreja. Aiko se convenceu do que tinha que fazer agora.

(Aiko): “Yaegashi-san. Nagumo-kun sabe que sua informação é inacreditável e ele iria ser antagonizado por Amanogawa e os outros, então ele disse isto apenas para mim.”

(Shizuku): “Informação… é isso?”

(Aiko): “Sim. É sobre o Deus venerado pela ⟦Igreja e o objetivo da viagem de Nagumo e as garotas. Ele não deu nenhuma prova sobre isso… mas é uma informação realmente importante, então hoje à noite… não, ao entardecer, eu quero dizer isto a todos”

(Shizuku): “Então… não, eu entendo. Portanto, eu devo chamar todos agora?”

(Aiko): “Não, essa é uma informação que eu não quero que a ⟦Igreja saiba, então eu quero dizer isso no momento em que todos se reúnem naturalmente, no jantar. E nós devemos ser capazes de conversar entre nós, vou dizer que quero passar um tempo com os estudantes que não vejo há muito tempo, sem estranhos”

(Shizuku): “Certamente… eu entendo. Dessa forma, no jantar…”

Mais tarde, uma boa quantidade de tempo se passou enquanto Shizuku e Aiko conversavam. No entanto, elas não poderiam saber que a promessa para o jantar não poderia se concretizar…


O horário era o entardecer.

Enquanto o Sol estava se pondo, ele deixava um presente de despedida de cor laranja vívida e Aiko caminhava pelo corredor vazio. A luz do Sol do entardecer entrava no corredor pelas janelas e criava um óbvio contraste com a parede e o piso no outro lado.

Aiko seguiu em frente para a sala de jantar enquanto seu olhar era cativado pelo Sol da tarde, mas, ela imediatamente parou depois que sentiu a presença de alguém. Quando olhou para frente, viu uma figura parecida com uma mulher na sombra. A mulher caminhou no meio do corredor e, graciosamente, parou seus pés com uma postura reta. Suas roupas eram o hábito de uma freira da ⟦Igreja dos Santos.

A mulher era linda, contudo, ela falou com Aiko com uma voz um tanto mecânica e fria.

(Freira): “Prazer em conhecê-la, Hatayama Aiko. Eu vim por você”

Aiko sentiu um arrepio em sua espinha quando escutou essa voz, mas fingiu calma para não ser indelicada com alguém que acabava de conhecer.

(Aiko): “Umm, prazer em conhecê-la. Vindo por mim… você está falando do jantar com os estudantes?”

(Freira): “Não, seu destino é a igreja principal!”

(Aiko): “Eh?”

A frase que não deu a ela uma chance de responder fez Aiko automaticamente perguntar de novo. Nesse momento, a mulher se moveu para fora da sombra para um local iluminado pelo Sol poente. Vendo a mulher, Aiko segurou sua respiração. Até Aiko, que era do mesmo sexo que ela, ficou instintivamente encantada pela beleza da mulher.

Seus cabelos prateados brilhavam enquanto refletiam a luz do Sol. Com olhos azuis grandes, longos e estreitos e suas misteriosas e maravilhosas feições que pareciam tanto de uma jovem adulta quanto como as de uma jovem garota; todas as suas partes estavam perfeitamente posicionadas. Sua altura era elevada para uma mulher, cerca de 1 metro e 70, o que forçava Aiko a olhar para cima. Sua pele branca era tão suave quanto à uma porcelana branca, suas mãos e pés eram esguios. Seus peitos não eram nem grandes nem pequenos, era um tamanho realmente excelente se você pensasse no equilíbrio dela como um todo.

Entretanto, infelizmente, ela não tinha nenhuma expressão. Ao invés de falta de expressões, era como se ela usasse uma máscara Noh. Ninguém duvidaria se dissessem que ela era uma estátua… a maior obra-prima de um escultor famoso. A mulher possuía uma beleza artisticamente inumana.

Para Aiko, que prendia o fôlego, a mulher sorriu e, indiferentemente, continuou suas palavras.

(Freira): “Nós sentimos que o que você ia dizer a eles seria inconveniente para nós. Afinal, o que seus estudantes vão fazer agora parece ‘interessante’ para nós. É por esse motivo que, até que o momento chegue, você irá, temporariamente, deixar o palco”

(Aiko): “O qu-que você está…”

A bela freira lentamente se aproximou de Aiko sem dar nenhum passo, e Aiko inconscientemente recuou. Então, Aiko viu os olhos azuis da freira brilhar. Aiko sentiu sua mente ficar nebulosa. Na mesma hora, ela se concentrou, como se estivesse invocando magia e essa nebulosidade se dispersou em um instante.

(Freira): “… entendo. Como esperado, eu não posso ignorar a forma como você se chama de ‘Deusa’. Para você ser capaz de resistir ao meu ‖Charme. Não há outro jeito. Eu vou levá-la à força!”

(Aiko): “Nã-não se aproxime! O qu-que eu quero… ugh!?”

A pressão da verdadeira personalidade da mulher fez Aiko imediatamente tentar ativar sua magia. No entanto, mais rápida do que ela terminando o encantamento, a freira instantaneamente encurtou a distância entre elas e desferiu um soco no estômago de Aiko. Aiko desabou e, nesse momento, sentiu que sua consciência estava a ponto de ser engolida pela escuridão, ela ouviu o murmúrio da freira.

(Freira): “Não se preocupe. Eu não vou matá-la. Você é uma peça excelente, e você pode ser útil contra aquele irregular”

O garoto de cabelo branco e tapa-olho apareceu no interior da mente de Aiko. Em seguida, embora soubesse que não chegaria até ele, ela gritou o nome dele em sua mente logo antes de sua consciência desaparecer por completo.

[Aiko]: (“Nagumo-kun!”)


(Freira): “???”

A freira facilmente colocou Aiko em seu ombro, como se ela não pesasse nada, então ela olhou ao redor do corredor como se tivesse sentido alguém. Por um tempo, a freira silenciosamente procurou por algo. Então, ela lentamente abriu a porta para um dos quartos de hóspedes junto ao corredor.

Depois disso, ela entrou na sala, olhou ao redor, se aproximou do guarda-roupa sem fazer nenhum som de passos e abriu a porta com força. Porém, não havia nada dentro, então a freira inclinou sua cabeça e olhou ao redor mais uma vez, olhando aqui e ali. Pouco depois, por não ter encontrado nada, colocou Aiko em seu ombro de novo e saiu do quarto.

Com o silêncio voltando para o local, um murmúrio trêmulo pôde ser ouvido.

(???): “… eu preciso contar isto… alguém…”

Ninguém estava no interior do quarto. Contudo, passos recuando podiam ser ouvidos e, em pouco tempo, o quarto recuperou por completo seu silêncio.


Tradutor: Zé   |   Revisora: Andréia Franco


 


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