Arifureta – Capítulo 81 – Loucura e Cíumes


(Hiyama): “Merda! Merda! O que há com isto!? Que tipo de piada é esta!?”

Era meia-noite. Dentro de um parque localizado nas imediações da cidade postal, |Holward|, um garoto estava praguejando com uma voz abafada, socando uma das árvores repetidamente. Era Hiyama Daisuke. Os olhos de Hiyama estavam tremendo intensamente com o ódio, agitação e impaciência. Esses eram olhos verdadeiramente feios e impuros, e não seria exagero dizer que eles estavam cheios de loucura.

(???): “Como imaginei, você realmente perdeu sua paciência… bem, eu sei que não há o que fazer. Afinal, sua preciosa, preciosa princesa Kaori foi roubada por outro homem diante de seus olhos, não é?”

Uma voz cheia de desprezo, e uma sutil simpatia, surgiu atrás de Hiyama. ] Fwip [, Hiyama imediatamente se virou. Em seguida, ele momentaneamente mostrou uma expressão de alívio quando ele reconheceu que a outra pessoa era quem ele encontrava em segredo, e, depois disso, com seus punhos cerrados, ele respondeu com uma voz que era exatamente como o uivo de uma fera.

(Hiyama): “Cale a boca! Merda! Isto… isto não deveria ter acontecido! Por que, por que aquele maldito está vivo!? Mas por que ele fez aquilo…”

(???): “Não se distraia consigo mesmo, eu quero ter uma conversa, sabia? Aliás, vai se tornar um assunto sério se alguém nos ver nos encontrando em segredo”

(Hiyama): “… eu, eu não tenho mais nenhuma razão para te seguir… minha Kaori já está…”

Entre as sombras das árvores criadas pela luz da Lua estava a silhueta de uma pessoa, a quem Hiyama amargamente falava enquanto ele esmurrava a árvore com seus punhos.

Hiyama cooperava com esta pessoa apenas porque ele ouviu que seria capaz de fazer Kaori ser sua. Dessa forma, com Kaori partindo, ele perdeu sua razão para cooperar, e era tarde demais o ameaçar dizendo que sua tentativa de matar Hajime seria exposta já que a própria vítima era capaz de dizer isso por conta própria.

Contudo, a pessoa na escuridão sorriu enquanto sua boca se curvava para tal Hiyama, e mais uma vez o tentou exatamente como o diabo.

(???): “Se ela foi roubada, então a roube de volta. Isso estaria errado? Felizmente, nós temos boas iscas aqui”

(Hiyama): “… iscas?”

Sem saber o que isso significava, Hiyama inclinou sua cabeça com dúvidas, o que fez a outra pessoa sorrir e acenar com a cabeça.

(???): “Isso mesmo, iscas. Mesmo que ela dê prioridade para seus sentimentos e se separe desses companheiros dela… seus melhores amigos que sempre estiveram ao lado dela, seus amigos de infância… você acha que ela pode simplesmente abandoná-los? Especialmente se ela soubesse que eles estão em apuros”

(Hiyama): “Você…”

(???): “É fácil chamar ela de volta. Então, não há necessidade de ser pessimista com isso. Especialmente neste caso, até eu fiquei com calafrios… mas eu estou feliz que tudo resultou em algo conveniente para mim. Yup, pode se dizer que foi uma bênção. Devemos terminar tudo assim que voltarmos para a |Capital Imperial|? Então… você certamente obterá o que você deseja, entendeu?”

(Hiyama): “…”

Embora soubesse que era inútil, Hiyama encarou seu cúmplice que permanecia nas sombras. Mesmo recebendo o olhar dele, a pessoa diante de Hiyama riu normalmente.

Apesar de ele não saber tudo sobre o plano desta pessoa, por suas palavras anteriores, Hiyama poderia imaginar que isso envolvia ferir os outros colegas de classe. Para seus próprios objetivos, eles facilmente poderiam trair seus companheiros, com quem eles compartilharam alegrias e tristezas. Em seguida, um arrepio percorreu sua espinha quando ele percebeu que não havia nenhum culpa naquela pessoa.

[Hiyama]: (“Uma pessoa desagradável como sempre… mas eu também não posso mais recuar… eu tenho que fazer isso para recuperar Kaori… isso é tudo. Não há nada para se hesitar. Isto é por Kaori. Eu sou a justiça aqui”)

Hiyama só pensava em si mesmo e sua confusão já tinha desaparecido. Graças a seu cúmplice, ele olhou para longe do que ele devia ver, acreditando que sua ação era justificada, enquanto tudo isso se originava de seu desejo por Kaori.

A silhueta ficou em silêncio assim que entendeu os sentimentos de Hiyama. Sorrindo, a pessoa esperou pela resposta de Hiyama.

(Hiyama): “… okay. Assim como antes, eu vou te auxiliar. No entanto…”

(???): “Aah, eu entendo. Eu vou obter o que eu desejo e você vai obter o que você deseja. ‘Dar e receber’, essa não é uma ótima frase? De agora em diante é crucial. O caso na |Capital Imperial| também, eu posso deixar isso para você?”

Sem se importar com a expressão distorcida de Hiyama, a outra pessoa se virou e desapareceu, como se estivesse se fundindo com o espaço entre as árvores. Assim, o que restou foi o garoto caído cujos olhos estavam repletos de escuridão.

 

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Em contrapartida, no momento em que o encontro suspeito acontecia nos arredores da cidade, um garoto e uma garota também estavam sob o luar.

Eles não estavam no local onde a reunião secreta acontecia, eles estavam em uma pequena ponte arqueada, acima de um dos canais que passavam entre as lojas e becos da cidade. Muitos canais foram construídos para o grande número de restaurantes e edifícios de serviços, e o garoto na ponte estava olhando para baixo, para a superfície da água corrente enquanto ela refletia a Lua no céu, sob o luar.

Mais precisamente, ele não estava olhando, mas estava “de cabeça baixa”, além disso, sua expressão era sombria, longe de seu brilho usual. A aparência do garoto era exatamente como a de uma pessoa cuja empresa faliu devido a uma enorme quantia de débitos, e estava agora desesperado com seu futuro enquanto olhava para longe, em direção ao crepúsculo. Era o nosso ⌈Herói, Amanogawa Kouki.

(Shizuku): “… você não quer conversar?”

Uma voz chamou Kouki, que não tirou os olhos da Lua refletida na superfície da água. Era sua amiga de infância há dez anos, a companheira da garota que partiu, Yaegashi Shizuku.

Diferente de Kouki, Shizuku estava confiando suas costas no corrimão da ponte, olhando para o alto, para a Lua no céu. Na direção do corrimão, seu rabo de cavalo que era sua marca registrada estava balançando, brincando com o vento. Kouki não olhou para sua amiga de infância, e Shizuku, que também não estava olhando para ele, falou enquanto continuava a olhar para a Lua.

(Shizuku): “Há algo que você quer dizer?”

(Kouki): “…”

Não houve resposta, não, Kouki apenas não poderia respondê-la. Mesmo que ele estivesse olhando para a Lua refletida na superfície da água, o que estava em sua mente era o espetáculo de Kaori confessando seus sentimentos. No meio de sua ansiedade e alegria, como se estivesse orando, ela falou de seus sentimentos sem nenhum traço de mentira, o que convenceu até Kouki, cuja estupidez estava no nível de uma doença crônica.

Kouki e Kaori eram amigos há cerca de dez anos, mas ele se feriu quando viu a bela força dela, ele nunca viu Kaori fazer tais expressões. Foi algo surpreendente para ele.

Sempre que ele se lembrava da expressão dela, um indescritível sentimento se espalhava em sua mente. Era sombrio e pesado, um sentimento realmente tenebroso. Incondicionalmente, sem qualquer base, ele acreditava que seu pensamento era natural. Isso foi tudo, sua amiga de infância, Kaori, sempre estaria ao lado dele, sem nenhuma mudança. Podia se dizer que ele pensava que Kaori fosse dele. Em outras palavras, ele estava com ciúmes.

Esse ciúme, o próprio Kouki não sabia se era por causa de amor ou apenas seu desejo de monopoliza-la, mas o sentimento de que ela foi “roubada” dele estava girando em sua mente, intensamente.

Contudo, foi a própria Kaori que decidiu ir com aquele que “roubou” ela, Hajime (embora ele certamente fosse contra isso). Além disso, ele não queria acreditar e tentou negar a existência chamada Hajime ao desafia-lo para um duelo onde ele foi derrotado. Sua miséria e ressentimento contra Hajime, dúvidas sobre os sentimentos de Kaori, e muitos outros sentimentos estavam misturados, tornando a mente de Kouki uma bagunça, exatamente como o interior de uma lixeira chutada.

Assim, ele continuou olhando para a água, e, sem o conhecimento dele, sua outra amiga de infância já estava de pé a seu lado sem dizer nada… sua resposta de antes também era algo incomum para ele. Incapaz de encontrar a próxima palavra, Kouki ficou em silêncio.

Olhando de relance tal Kouki, Shizuku franziu suas sobrancelhas e com uma atmosfera que expressava, “Não há o que fazer”, ela moveu sua boca.

(Shizuku): “… agora mesmo, Kouki, você está sendo um saco”

(Kouki): “… um saco?”

A inesperada frase de Shizuku fez Kouki automaticamente imitar ela. Shizuku moveu seu olhar da Lua para Kouki, e continuou a falar.

(Shizuku): “Isso mesmo. Sobre Kaori, desde o início, ela não era sua, sabia?”

(Kouki): “… é que… então, você está dizendo que ela é de Nagumo?”

] Prick [, os olhos de Kouki estavam tremendo assim que ele imaginou isso, ele desesperadamente tentou negar como se amaldiçoasse isso. Escutando isso, Shizuku respondeu com um poderoso peteleco em sua testa. “Isso dói!?”, Kouki inconscientemente cobriu sua testa, e olhando de lado para ele, Shizuku o repreendeu com uma voz fria.

(Shizuku): “Idiota. Kaori é dela mesma. Independentemente do que ela escolher, onde quer que ela vá, cabe a Kaori decidir isso. Logicamente, até com quem ela quer estar… depende da própria decisão dela”

(Kouki): “… desde quando? Shizuku, você deve saber disso, não é?”

Sem perguntar, “O que você quer dizer?”, Shizuku concordou.

(Shizuku): “Sabe… Kaori conheceu Nagumo-kun no ensino fundamental II… bem, ele deve ter se esquecido disso… ou melhor, eu também não sei em que tipo de situação eles se conheceram”

(Kouki): “… o que isso significa? Mas o que é você está tentando dizer?”

(Shizuku): “Isso é algo que você deve perguntar a própria Kaori. Afinal, seria ruim se eu falasse sem a permissão dela”

(Kouki): “Então, a razão para Kaori sempre conversar com Nagumo na classe era realmente… era… porque ela amava… ele?”

(Shizuku): “Hmm, correto”

(Kouki): “…”

Shizuku facilmente o disse a verdade que ele não queria ouvir, o que fez Kouki mostrar um olhar reprovador. Entretanto, Shizuku apenas ignorou isso. Irritado com a atitude dela, exatamente como uma criança fazendo birra, Kouki começou a proferir o que estava em sua mente.

(Kouki): “… por que, por que Nagumo? Quando nós ainda estávamos no Japão, ele era um otaku desmotivado e ele não era nada especial em termos de esportes ou estudos… sempre forçando sua risada e ficando deslocado… ele tomava uma atitude evasiva sempre que Kaori falava com ele… ele era um otaku… se fosse eu, eu não trataria Kaori com frieza.

Eu sempre pensei nela como alguém importante, e eu daria o meu melhor pelo bem de Kaori… além disso, Nagumo estava sendo esperado por aquelas garotas daquela forma, ele não é o pior por tratá-las daquela forma? Não apenas isso, ele é um assassino! Ele matou uma mulher que não estava reagindo. Então, você acha que eu estava errado!? Isso mesmo, é estranho para Kaori gostar de um maldito desses. Ele com certeza deve ter…”

] SWISh! [

(Kouki): “Guhah!?”

Se irritando enquanto ele falava, Kouki começou a difamar Hajime com verdades fabricadas, o que mais uma vez o recompensou com um peteleco na testa (versão ‖Sem Batida) de Shizuku. “O que você está fazendo!?”, foi a mensagem do olhar de Kouki que foi ignorada por Shizuku, que estava com uma expressão impressionada.

(Shizuku): “De novo, seu péssimo hábito está aparecendo, sabia? Eu estive dizendo até agora que você deve parar de interpretar as coisas para sua própria conveniência”

(Kouki): “Interpretar as coisas para minha conveniência… de forma alguma eu…”

(Shizuku): “Você ainda não notou? Kouki, você não sabe nada sobre Nagumo-kun, sabe? Você não sabe nada sobre a época em que ainda estávamos no Japão ou neste mundo… e aquelas garotas pareciam felizes, não, elas estavam realmente felizes, sabia? Mas você ignorou esse fato e disse algo egoísta… o atual Kouki está apenas tentando fazer Hajime parecer uma pessoa ruim que é inadequado para Kaori. Se isso não é interpretar as coisas para sua própria conveniência, então o que é?”

(Kouki): “Ma-mas… é verdade que ele matou uma pessoa”

(Shizuku): “… naquele momento, até eu estava a ponto de matá-la. Contudo, eu não pude reunir minhas forças. Mesmo no futuro… se algo similar acontecer, então eu certamente irei brandir minha espada para matar, em nome da sobrevivência, pelo bem das pessoas que são importantes para mim. Embora eu não saiba se eu possa fazer isso, já que só irei saber quando o momento chegar… por enquanto, o que eu fiz foi apenas uma tentativa de assassinato… mas você vai me desprezar se eu me tornar uma assassina?”

A confissão de Shizuku deixou Kouki sem palavras. Sua amiga de infância, Shizuku, possuía um senso de responsabilidade e justiça maior do que o dos outros, então ele subitamente sentiu como se ela fosse uma existência distante depois de ouvir que ela realmente iria matar. Porém, Kouki sacudiu sua cabeça quando ele notou a sombra de angústia e o medo de ferir uma pessoa no sorriso amargurado de Shizuku.

Vendo a reação de Kouki, Shizuku continuou suas palavras que poderiam ser chamadas de solilóquio[1].

(Shizuku): “Certamente, a transformação dele é surpreendente… e pensando sobre o caráter dele quando ainda estávamos no Japão, não seria exagero dizer que ele é uma pessoa diferente… bom, mesmo assim, parece que Kaori ainda pensa nele como ‘Nagumo Hajime’, e parece que nem tudo nele mudou… mas uma coisa você não deve esquecer, ele lutou com aquela mulher para nos salvar e a matou em nosso lugar”

(Kouki): “… você está dizendo que é certo matar?”

(Shizuku): “Eu… eu não acho que seja certo. Afinal, um assassinato é um assassinato… eu não posso nem justificar nem querer fazer isso”

(Kouki): “Então…”

(Shizuku): “Ainda assim, nós não somos qualificados para criticar Nagumo-kun. Não é culpa de ninguém, além de nossa própria fraqueza…”

Em resumo, ele deveria resolver isso sozinho se tivesse um problema com a situação. Ele simplesmente não era forte o bastante, então ele não poderia alcançar o resultado que esperava. Era um erro reclamar do resultado para a pessoa que cuidou de tudo.

Notando as palavras não ditas, Kouki se lembrou que ele só pôde rastejar no momento que Hajime mostrou sua força incomparável. Incapaz de contestar, ele caiu em um silêncio taciturno. Sua expressão insatisfeita estava obviamente dizendo, “Mas é verdade que ele matou uma pessoa!”.

Para a obstinação de Kouki, com um tom de repreensão, Shizuku implicitamente o avisou sobre o que tinha acontecido até agora, junto do que ela sentiu depois de chegar neste mundo.

(Shizuku): “Eu não odeio o senso de justiça direto de Kouki”

(Kouki): “… Shizuku”

(Shizuku): “Contudo. Eu acho que está na hora de você começar a questionar se você está realmente certo”

(Kouki): “Duvidar da minha justiça?”

(Shizuku): “Certamente, um forte sentimento é necessário para fazer algo. Porém, uma distorção com certeza aparecerá se você não se questionar e continuar apenas seguindo em frente, cegamente acreditando nisso. Portanto, quando isso acontecer, eu quero que você reaja ao se perguntar se você realmente está com a razão, ou se você ainda precisa fazer isso, ‘mesmo’ que você saiba que está errado… não seria ruim se você continuasse pensando dessa forma? Realmente, é difícil continuar vivendo sinceramente. Chegando neste mundo, eu acabei com vidas, mesmo que elas fossem Feras Mágicas… eu cheguei a pensar nisso”

Totalmente ignorante que Shizuku estava pensando assim sempre que ela matava uma 〈Fera Mágica, Kouki ficou com os olhos arregalados.

(Shizuku): “Kouki. Você nem sempre está correto e mesmo se você estiver com a razão, você deve saber que sua integridade pode se tornar uma arma letal. Bem, a forma como você interpretou as coisas para sua conveniência desta vez não veio de sua convicção de ‘justiça’, ela veio de seu ciúme”

(Kouki): “Nã-não, para eu me sentir com inveja…”

(Shizuku): “É desagradável inventar uma desculpa para me enganar aqui, entendeu?”

(Kouki): “…”

Kouki mais uma vez voltou seu olhar para baixo, olhando para a Lua na superfície da água. No entanto, o humor sombrio de pouco antes enfraqueceu, e ele parecia estar pensando profundamente sobre algo. Enfim, ele evitou entrar em uma espiral de negatividade e Shizuku soltou um suspiro aliviado ao perceber isso.

Assim, pensando que era necessário deixar ele sozinho por ora, Shizuku parou de se apoiar no corrimão e tentou silenciosamente deixar o local. Então, o murmúrio de Kouki veio de trás de Shizuku, que já tinha se virado.

(Kouki): “Shizuku… você não irá para nenhum lugar, não é?”

(Shizuku): “… o que é isso tão de repente?”

(Kouki): “… por favor, não vá Shizuku”

(Shizuku): “…”

As palavras de Kouki eram como se ele estivesse suplicando a ela. Era uma frase que faria as alunas no Japão e as garotas no |Reino| que se apaixonaram por ele ficarem, “Kya, kya!”, mas infelizmente, Shizuku apenas mostrou uma expressão “impressionada”. Ele podia estar enfraquecido pelo sentimento de perda porque Kaori se foi… Shizuku olhou por sobre seu ombro, em direção a Lua embaçada. Era a Lua que estava na superfície da água que Kouki estava olhando anteriormente.

(Shizuku): “Ao menos eu não sou como a ‘Lua’… eu não vou apenas abandonar um homem que depende de mim”

Dizendo isso, Shizuku deixou o local. Deixado para trás, Kouki observou o beco onde Shizuku desapareceu por um tempo, então, mais uma vez, ele olhou para a Lua refletida na superfície da água. Em seguida, ele notou o significado por trás das palavras dela.

(Kouki): “… entendo… a Lua refletida na superfície da água”

Flores refletidas em um espelho e a Lua refletida na superfície da água. Essas eram palavras ditas sobre algo que podia ser visto, mas não tocado, visível, mas sem nenhuma substância, exatamente como um reflexo[2]. Ele inconscientemente olhou para a Lua refletida como se fosse Kaori, e certamente era algo que ele não poderia alcançar. Especialmente depois de ver a expressão de Kaori no momento que ela confessou seus sentimentos a Hajime.

Shizuku disse que ela não era “a Lua refletida na superfície da água”. Portanto, era possível para ele alcança-la. Contudo, suas próximas palavras foram severas. Kouki involuntariamente formou um sorriso sem graça. Ele pensou sobre o que ele escutou de sua amiga de infância.

Kouki parou de olhar para a Lua refletida, ele olhou para o alto, para o céu. Ele incondicionalmente acreditava que ele poderia alcançar “isso” se ele apenas esticasse sua mão, mas ele percebeu que “isso” estava terrivelmente distante. Soltando um profundo suspiro, Kouki começou a pensar sobre as palavras vindo de sua rigorosa e gentil amiga de infância.

Mudar ou não mudar… só dependia de Kouki.


Tradutor: TraduzindoNovels



[1] Um solilóquio é um dispositivo frequentemente usado em dramas quando um personagem fala consigo mesmo, relacionando pensamentos e sentimentos, compartilhando-os com o público, dando a ilusão de ser uma série de reflexões não verbalizadas.

[2] Mirror Flower, Water Moon (literalmente “Flor do Espelho, Lua da Água”) é um provérbio do Leste asiático que se refere a algo pode ser visto, mas não tocado, como uma flor refletida em um espelho ou a Lua refletida na superfície da água; algo que é belo, mas é um sonho inalcançável, uma miragem.


Fontes
Cores