Arifureta – Capítulo 167 – As respectivas conclusões


Depois que Suzu perseguiu Eri e desapareceu do outro lado dos prédios em ruínas, Shizuku e Ryutaro travaram uma batalha equilibrada contra os sessenta soldados atacando, enquanto também se opunham a Kouki.

Se Ryutaro, que metamorfoseou sua própria carne e invocou a magia avançada da metamorfose Transformação Demoníaca do Sexto Céu para exibir a característica especial de um monstro, se aproximasse de Kouki, os soldados tentariam impedi-lo ou até pegá-lo de surpresa, mas Shizuku lidaria com eles.

O enxame de katanas negras que ela recebeu de Hajime, as Espadas-Vivas, dispararam pelo campo de batalha cooperando como um único ser vivo e se agruparam nos soldados e os cortaram.

― Grupo Dois ― Florescer Cintilante! Grupo Cinco ― Garra Voadora!

O comando de Shizuku ecoou pelo campo de batalha. Seguindo esse comando, dentro do enxame de vinte katanas, quatro partiram os grandes escudos dos soldados que possuíam magia característica do tipo defensivo; na verdade, até o espaço foi cortado com os alvos. E então, as fileiras dos inimigos ficaram desordenadas. Mais quatro katanas negras lançaram lâminas de vento contra os soldados que perderam seus escudos de aço.

As lâminas de vento invisíveis e com uma sincronia espetacular cortaram sem piedade dois grandes portadores de escudos. Os soldados não foram cortados por causa do alto poder defensivo, mas ambos os braços foram rasgados a partir do ombro e giraram pelo ar.

― Grupo Três ― Desembainhar Celestial! Grupo Quatro ― Florescer Cintilante!

Além disso, soldados ágeis estavam usando os soldados de escudo como trampolins, pulando no ar para esfaquear Ryutaro pelas costas, mas eles foram puxados para trás à força por quatro katanas pretas brilhando em azul escuro. A grande espada e a lança que seguravam em suas mãos estavam presas à lâmina da katana negra voando pelo ar.

O usuário de espada grande e de lança que expuseram a abertura fatal foram partidos verticalmente em dois pelas fendas espaciais lançadas atrás deles. Como era de se esperar, embora fossem soldados-fera-cadáver, eles seriam incapazes de lutar depois de serem divididos em dois.

Mesmo os soldados com magia característica de cura precisariam de tempo para curar a perda de membros ou da bisseção. E assim, não havia como Shizuku lhes dar esse tipo de tempo, portanto, isso era o mesmo que removê-los de cena.

Os soldados tentaram ataques simultâneos de cima, baixo, esquerda e direita contra a Espadachim. Olhos pretos e avermelhados apunhalaram a garota, as intenções de matar cavalgaram pelo vento e acariciaram sua pele.

No entanto, uma mentalidade suave que recuaria contra algo desse nível já havia sido descartada por Shizuku. Em especial agora, que ao seu lado havia o enxame de katanas negras, uma proteção do homem por quem estava apaixonada.

― Primeiro Grupo ― Lampejo da Gravidade! Corte tudo, Garra Crescente ― Quatro Resmas1!!

Quatro katanas pretas apontaram para fora nas quatro direções em torno de Shizuku e depois orbitaram ao redor dela, a espada até girou com rodopios que pareciam elegantes. A habilidade que foi invocada era uma que poderia cortar temporariamente a gravidade ― Lampejo da Gravidade.

Como resultado, os soldados que se aproximavam foram roubados da força da gravidade e seu equilíbrio foi quebrado. Não deixando escapar essa abertura decisiva, o golpe da espada de Shizuku surgiu. Com uma velocidade em que o braço da Espadachim parecia borrado, quatro saques de espada foram repetidos em um instante. Cada vez que um som de sino tocava, um corte invisível fazia as cabeças dos soldados voarem.

Além disso, por trás deles, a katana negra lançada ao redor retornava com velocidade feroz, cortando sem dificuldades e em pedaços os soldados sem cabeça.

As “Espadas-Vivas” de Shizuku foram organizadas em cinco grupos, com quatro katanas em cada um. Ao pronunciar o nome do grupo e o nome da habilidade, ela poderia dar a mesma ordem a um grupo. Além disso, cada uma das vinte katanas tinha seu próprio nome como “Corte Um”, “Corte Dois”, a Espadachim também poderia dar uma ordem à espada individual usando esses nomes. Quando Shizuku pronunciava o nome da técnica, cada uma das Espadas-Vivas atacava o inimigo com seu próprio julgamento usando arte de espada baseada no estilo Yaegashi que não era inferior à habilidade da própria Espadachim.

Assim como o nome sugeria, as Espadas-Vivas, todas as katanas negras poderiam ter entendimento e compartilhavam imagens com Shizuku usando a magia da metamorfose, assim, todas as armas poderiam ser controladas como o uso da vontade da aluna sem nenhum atraso.

E, naquele momento, um grito de raiva chegou a Shizuku, que estava fugindo do ataque feroz dos soldados.

— Shizuku! Desvie!

― !!!

Um aviso de Ryutaro. Sem confirmar o conteúdo desse aviso, Shizuku ativou a Aerodinâmica e Teletransporte e evacuou aquele local em um instante.

Logo depois disso, o local onde ela estava um momento antes foi atingido pelo clarão do Poder do Céu junto com um rugido estrondoso. Um soldado azarado, que foi engolido, foi apagado sem deixar vestígios para trás.

— Kouki. Malditooo, você se sobrepôs à linha de fogo de propósito. Agora você realmente conseguiu.

— Estou muito familiarizado com o padrão de movimentos de Ryutaro. É muito fácil orientar seu movimento.

— Cale a boca! Se é assim, então eu também sei como você vai se mover!

Ryutaro se aproximou com rapidez de Kouki com sua carne de ogro. A cena do corpo imenso que passava dos dois metros, espalhando ondas de choque enquanto avançava, tinha a intensidade que podia fazer qualquer um sentir seu estômago se contorcer.

— Isso é inútil.

Porém, do outro lado, a expressão de Kouki nem se alterou. E então, sem nenhum encantamento ou gesto, o dragão em suas costas, o avatar do Poder do Céu, foi controlado e moldado em um escudo. Entretanto, como o escudo foi feito com o próprio Poder do Céu, mesmo assumindo a forma de um escudo, essa ainda era a luz da destruição que continha a propriedade do poder de ataque de aniquilação.

— Venha! Vajra Duplicada!

Ryutaro não vacilou. Ele cruzou os dois braços e aplicou a característica especial do ogro em que ele se metamorfoseou, a implantação de várias camadas de Vajra. Essa era uma técnica derivada que apresentava tenacidade no mesmo nível com reforço concentrado, essa Vajra foi dobrada em camadas duplas e triplas e formava uma proteção que era uma parede de aço.

Ryutaro, que foi transformado em uma única massa de aço, disparou contra o escudo do Poder do Céu sem parar.

E então, mesmo enquanto sua Vajra Duplicada era destruída, ele conseguiu avançar com apenas alguns ferimentos.

— Sim. Eu pensei que se fosse Ryutaro, ele com certeza faria isso.

O som que ressoou foi a voz calma de Kouki.

No momento em que o Lutador avançou pelo escudo, com alta velocidade, um ataque de sopro se aproximou dele. Ryutaro, que acabara de desfazer sua Vajra, foi abordado por uma luz destrutiva, onde não terminaria bem para ele se fosse atingisse, mesmo com sua carne dura de ogro.

Porém, mesmo sendo iluminado pela luz do Poder do Céu, o rapaz mostrou um sorriso destemido. Como se dissesse: — Eu pensei que você faria isso, sabia?

— Venha, rei lobo do abismo, Transformação Demônio do Sexto Céu!

Logo depois disso, o sopro do Poder do Céu engoliu o local em que Ryutaro estava.

Ao mesmo tempo, Kouki virou sua espada sagrada para o lado e assumiu uma postura defensiva, então, um som de impacto forte e poderoso ressoou.

A ponta de uma garra mal foi detida na frente dos olhos de Kouki. Aquele que desferiu a garra tinha uma forma bizarra com uma cabeça de lobo, a parte superior do corpo era peluda e cinco garras afiadas cresciam de suas mãos. Parecia exatamente com um lobisomem2 em um conto de fadas.

Sem dizer nada, o Herói brandiu o dragão de luz para atacar. Mas, quando a garra do dragão seguiu para onde Ryutaro estava, o Lutador já havia circulado para o lado oposto e seu chute giratório atacou o ombro de Kouki. Aquela velocidade anormal fez o Herói voar para longe e ele só podia olhar maravilhado.

E, no momento seguinte Ryutaro alcançou Kouki, sua garra traiçoeira oscilou.

— Kuh!

A velocidade ultrajante e o poder ofensivo fizeram o Herói soltar um gemido. Mesmo assim, ao repelir a garra com sua espada, ele comandou o dragão de luz e soltou inúmeras balas de luz. A luz do Poder do Céu, que parecia uma metralhadora, tornou-se um contra-ataque que assaltou Ryutaro, mas o Lutador evitou tudo isso e deixou para trás pós-imagens.

Mágica da metamorfose, Transformação Demoníaca do Sexto Céu ― Modo Lobisomem. Comparado com o ogro, essa forma diminuía o poder e a resistência, mas a velocidade aumentava para um grau incomparável.

Ryutaro, que deslizou através das balas de luz, disparou para o espaço pessoal de Kouki e lançou um golpe com suas garras afiadas.

― Algo como isso…

No mesmo instante, Kouki quebrou a forma do dragão de luz e explodiu a luz do Poder do Céu. A luz aumentou de repente com Kouki como centro. O Herói, que se transformou em uma estrela, deixou Ryutaro incapaz de resistir e o rapaz recuou.

Mas, seu corpo estava bastante queimado por não ser capaz de escapar de todo o ataque. Na mesma hora, Ryutaro cruzou os dois braços e protegeu seus pontos vitais, mas o modo que ele estava usando não era adequado para defesa. Seu pelo estava bastante carbonizado e soltava fumaça enquanto era obrigado a se distanciar.

― Ryutaro! Vocês está bem!?

― Sim, só fui atingido um pouco. Isso não é nada demais.

Shizuku, que cortou em pedaços vários soldados e correu em direção a seu colega, derramou um líquido especial de cura que recebeu de Hajime na cabeça de Ryutaro. Dessa vez, o corpo do Lutador soltou um pouco de fumaça por um motivo diferente, enquanto o olhar lupino do aluno encarava Kouki.

― Porém, é como esperávamos, o Poder do Céu é problemático. Ele muda de forma sem parar. Não posso atacá-lo nas melhores oportunidades.

― Então, vamos tentar com nós dois desta vez. Graças a Ryutaro segurando Kouki, consegui cuidar da maioria dos soldados.

— Tá legal. Afinal, Suzu também está dando tudo de si. Não há como dizermos que não podemos vencer, ainda mais com duas pessoas aqui.

— É verdade. Nós vamos espancar aquele idiota!

― Sim!

Confirmando que Kouki mudou a forma do Poder do Céu para um dragão de luz mais uma vez e disparou um ataque de sopro contra eles, Shizuku e Ryutaro se dispersaram em um instante.

Olhando para isso, o Herói balançou a cabeça uma vez e depois explodiu com ainda mais poder mágico, sua expressão era de determinação.

― Estou ficando preocupada com Eri. Fiquei surpreso com várias coisas por vocês dois, contudo, vocês usaram seus trunfos, certo? Vou acabar com isso agora.

Kouki invocou ao mesmo tempo os minidragões de luz, a versão do Poder do Céu da Espada Voadora do Firmamento e a versão do Poder do Céu da Chuva de Meteoro Celestial na tentativa de superar os dois no campo de batalha.

O Kouki atual era como uma fortaleza que disparava canhões de laser de forma aleatória. A luz do Poder do Céu, que foi formada em várias formas ao redor do Herói, destruiu por completo os edifícios em ruínas na área enquanto se aproximava de Ryutaro e Shizuku para envolvê-los.

Mas, colocando de outra maneira, também podia se dizer que foi um ataque grosseiro que carecia de refinamento. Por essa razão, Ryutaro riu. Era porque ele adivinhou que o Herói, que ficou impaciente depois de testemunhar sua persistência, confiaria em uma técnica superior.

Agora era a hora do Lutador mostrar seu trunfo que ele preparou para esse momento.

— Venha, grande árvore que perfura o céu, Transformação Demoníaca do Sexto Céu!

Entre os muitos raios do Poder do Céu que se aproximavam, o pelo do lobisomem caiu e o corpo se transformou. Por toda a parte, o corpo ficou retorcido, a pele foi tingida de marrom escuro, os cabelos também mudaram para verde escuro. Em todas essas mudanças, apenas os olhos estavam liberando uma luz ofuscante de cor preta avermelhada.

Logo depois disso, Ryutaro foi atacado por pequenos dragões de luz e pela chuva de meteoros do Poder do Céu. O Lutador nem mesmo se esquivou, ele atacou o Herói enquanto era engolido pela luz.

— Ryutaro, durma um pouco por mim.

Kouki estava convencido de que Ryutaro foi derrotado e murmurou isso. Deixando de lado a forma de ogro especializada em defesa, não havia como o Lutador, que parecia não estar usando Vajra, ser capaz de suportar isso.

Porém, esse pensamento se provou errado no instante seguinte.

— Não faça piadas comigo. De jeito nenhum eu vou dormir antes de te espancar e fazer você despertar.

— Quê!?

Ryutaro saltou ileso de dentro da luz.

E assim, Kouki, que foi pego de surpresa e mostrou uma abertura, foi socado pelo punho do Lutador que se aproximava com rapidez. O soco direto que seguiu em linha reta atingiu o estômago do Herói através da armadura. O golpe, que atingiu com precisão o plexo solar3, produziu um grande impacto que foi transmitido para o interior do corpo de Kouki sem poupá-lo, agitando seus órgãos internos.

— Gohah!?

Kouki conhecia bem o poder destrutivo do punho do Lutador, mas ainda assim, mesmo com sua armadura sagrada e a habilidade de mitigação de impacto, o poder terrível que poderia apagar sua consciência fez sua mente cair em caos por um momento. Sua garganta foi bloqueada pelo sangue que ele vomitou com a dor insuportável.

Magia da metamorfose, Transformação Demoníaca do Sexto Céu — Modo Treant4. Era um monstro do tipo planta que vivia no andar noventa do abismo. Sua característica especial era absorver a luz e converter a energia luminosa que absorvia. A energia convertida poderia ser transformada em qualquer coisa, fosse poder mágico, resistência ou pura força muscular.

Sim, Ryutaro, com essa forma de treant, absorveu a luz do Poder do Céu, que era uma magia do elemento da luz, converteu isso em força física.

Como o impacto não se dispersou e estava concentrado no ponto em que foi liberado, Kouki não foi lançado para trás, seu corpo foi levantado e se curvou sobre o punho. Com isso, Ryutaro riu ferozmente para o amigo.

― Iôô, você está acordando um pouco depois isso, melhor amigo?

― Guh, Ryuta-…

― Este aqui é um brinde. Por quanto tempo você vai ficar falando dormindo, hein!?

― … gua!?

O rosto de Kouki, que não conseguiu se mover logo após do impacto, foi socado pelo punho de Ryutaro, que parecia uma rocha. Goba! Um som incompreensível ecoou do ataque no rosto, o Herói espalhou sangue do nariz enquanto era lançado para longe.

Mesmo assim, seu corpo que foi reforçado por Ehito mal conseguiu manter a conexão com sua consciência. De alguma forma, ele conseguiu controlar o dragão de luz que estava conectado a ele e tentou consertar sua postura.

Em um momento, um arrepio súbito percorreu a espinha do Herói. Ao mesmo tempo, sua Detecção de Presença o notificou da existência da espadachim à espreita na direção em que ele foi lançado.

De modo natural, quem suportou a tempestade do Poder do Céu e os soldados e circulou ao redor do rapaz foi Shizuku. Ela estava parada em sua posição para sacar sua espada, enquanto comprimia seu poder mágico a uma densidade incrível. Sua bainha estava rangendo alto, como se não pudesse suportar o poder, o poder mágico azul escuro transbordava da boca da bainha.

Kouki tentou com desespero parar a si mesmo enquanto chamava o nome da Espadachim com uma voz que soava semelhante a um gemido causado pelo fardo em seu corpo.

― Shi-zuku…

― Seja obediente e aceite este ataque.

Dessa forma, enquanto sua figura desaparecia com o uso da habilidade Sem Batida, Shizuku deu um passo à frente enquanto sussurrava: ― … Demolição da Alma. ― O lampejo do saque de espada que foi desencadeado junto com aquele sussurro criou uma esplêndida linha reta no ar e cortou Kouki.

― !!!

A sensação definitiva de um corte passando por dentro de seu corpo fez Kouki soltar um grito silencioso, sentindo que estava sendo cortado.

Mas ele enfim escapou do impacto que Ryutaro infligiu a ele ao ver Shizuku, que passou por ele e permaneceu imóvel na postura ataque, e então ele conseguiu parar de se mover. Os olhos de Kouki se arregalaram, e então, sentindo-se estupefato, sua mão se arrastou sobre seu corpo.

Sob suas mãos não havia nenhum sinal de ferimentos, seu corpo com certeza ainda estava conectado e inteiro.

― Mas, o que diabos… o que, meu poder mágico está…

Por um momento, Kouki estava pensando que a sensação de ser cortado foi apenas sua imaginação e, como esperado, Shizuku não foi capaz de atingi-lo, mas logo depois disso, ele percebeu que o ataque da Espadachim sem dúvidas o alcançou.

O dragão de luz que o Herói tinha nas costas foi dividido em dois, com a parte superior escorregando na diagonal, mas ele se dispersou todo de uma vez na sequência. Não apenas isso, até o enxame de meteoros do Poder do Céu ― Chuva de Meteoro Celestial que ele lançou, além das lâminas voadoras do Poder do Céu ― Espada Voadora do Firmamento, e também os pequenos dragões de luz que voavam como armas de alcance total, estavam todos desaparecendo.

Nessa situação, um sentimento de letargia atacou o rapaz como se fosse algo natural. O corpo do Herói cambaleou e caiu no chão. Até seu voo usando o dragão de luz, além da Aerodinâmica em sua bota, ficaram incapazes de serem mantidos.

Mesmo assim, para evitar morrer com a queda, Kouki aterrissou de joelhos. Shizuku e Ryutaro pousaram na frente dele.

― Shi-zuku, o que, você fez…

Kouki perguntou com uma voz trêmula.

― Demolição da Alma… a base desta habilidade é a capacidade da magia da alma que pode interferir com o aspecto imaterial de um ser vivo. Esta habilidade buscará pela fonte de poder no alvo. O poder mágico, a estamina, energia mental do alvo, esses aspectos que os olhos não podem ver podem ser cortados com este golpe. Cortando apenas o que você quer cortar… o território mais distante que um espadachim pode atingir, eu trapaceei e progredi até lá.

Os olhos de Kouki se arregalaram com a explicação de sua amiga de infância. Sua expressão estava perplexa como se dissesse: ― O que diabos foi isso!?

Era normal para o rapaz estar assim. Afinal, Shizuku não afetou o corpo de Kouki, ela apenas “cortou” o poder mágico transbordando no interior do corpo do rapaz. De fato, poderia se dizer que cortar apenas o que se desejava cortar, independentemente de qualquer obstáculo, era o território mais distante que um espadachim poderia alcançar.

Shizuku estava sendo humilde ao dizer que estava trapaceando como uma espadachim graças à ajuda da katana negra, mas, na verdade, invocar apenas a Demolição da Alma não permitiria que o usuário escolhesse o alvo a ser cortado com tanta facilidade.

Afinal, esse era um ato que penetrava todos os fatores do corpo humano e cortava apenas um alvo específico. Seria necessária uma suplementação de imagem muito clara e, acima de tudo, uma vontade tenaz para conseguir isso. Uma vontade clara, sem qualquer hesitação, de cortar apenas o que se queria cortar, sem ferir absolutamente nada que não fizesse parte do desejado.

Parecia fácil de fazer apenas ouvindo a explicação, mas, na realidade, não era tão simples quanto parecia, isso era algo impossível se o espadachim não fosse alguém no nível de Shizuku. No mínimo, nem Kouki, que aprendeu o mesmo estilo Yaegashi, seria capaz de usar a Demolição da Alma com perfeição.

― … mas esse foi um pequeno erro. Eu pensei que iria cortar a maldição do Amarrar Alma com esse ataque, mas não consegui alcançá-lo porque estava protegido pelo poder mágico. Você ainda está tendo um sonho conveniente, não está?

Enquanto o enxame de katanas seguia suas costas, Shizuku preparou a katana preta em sua mão mais uma vez, vendo a expressão distorcida de Kouki.

― Shizu-ku. Você não pôde me cortar, porque… você ainda está pensando em mim, em seu coração… esse sentimento ainda permanece, certo? A lavagem cerebral, de Nagumo, não é perfeita. Não pude, sentir sua intenção assassina, essa é a prova.

— Kouki…

— Está, tudo bem. Ryutaro também não tentou me matar. Vou salvar vocês dois…

As palavras de Kouki foram interrompidas. Porque Shizuku desencadeou a Demolição da Alma com o desembainhar de sua katana negra. Ryutaro, que cruzava os braços e franzia as sobrancelhas, deu um tapinha no ombro de Shizuku como se quisesse agradecer pelo trabalho duro dela.

Shizuku também suspirou: — Fuuh… — enquanto embainhava sua katana de novo. Isso aconteceu porque ela estava convencida de que o Amarrar Alma de Eri foi eliminado. Com isso, a mente que estava cheia de inconsistências plantadas por Eri deveria estar desmoronando.

— Kouki. Como você se sente? Com isso, a lavagem cerebral já deve ter sido desfeita. O que você esteve fazendo até agora. O que está acontecendo neste momento… você entende, não entende?

— …

— Bem, não importa. Enfim, apenas reflita sobre si mesmo. Mais tarde, temos que correr atrás de Nagumo e das outras, dar um soco naquele ****** deus, e depois ajudar os caras brigando na superfície… vamos voltar, Kouki.

— …

Shizuku e Ryutaro chamaram Kouki, mas não houve resposta. Ele continuava caído no chão de quatro sem nem levantar o rosto. Sua expressão estava escondida pelos cabelos e completamente invisível.

Embora, ele não estivesse nem respondendo, parecia que o garoto não estava em silêncio. Os ouvidos de Ryutaro e Shizuku captaram o som fraco. Uma voz baixa que nem sequer formava palavras. Kouki estava abaixando a cabeça enquanto sussurra de forma inaudível.

— Kouki?

— … … … mentiras, impossível. Isto é estranho. Completamente, errado. Porque eu estou correto. Eu só sofri lavagem cerebral. Para eu ser o inimigo… de Shizuku… de Ryutaro… o que foi que eu fiz… mesmo que não devesse ser assim… mesmo que eu só quisesse agir com retidão… eu só queria ser um herói … assim como o vovô… isso, tudo é… por que algo assim está… tudo foi roubado… porque Shizuku e Kaori também foram roubadas por aquele cara… Ryutaro também é aliado dele…

— E-ei. Kouki!

— Isso mesmo… isso é uma armadilha. Um esquema sujo… aquele cara planejou isso… eu fui pego por ele… eu não estou errado. Eu não estou errado. Isso aconteceu porque aquele cara roubou tudo que é importante para mim. O errado é ele. Se esse cara não estiver aqui, tudo vai dar certo. Ainda assim, Kaori e Shizuku, e Ryutaro e Suzu também, todos, para aquele cara… isso é traição. Eu fui traído. Eu fui, traído. Por todos vocês!

Kouki ignorou o chamado de Shizuku e Ryutaro e continuou sussurrando antes de de repente levantar seu rosto com um olhar perigoso, encarando os dois com um olhar cheio de ódio.

Não, talvez essa expressão devesse ser chamada de triste. O sentimento de culpa e remorso, o desconforto de não poder mais voltar, inquietação, desespero e assim por diante, a saturação das emoções negativas estava se atacando, até o próprio Herói já não entendia o que ele deveria fazer, era esse tipo de expressão que ele tinha. Kouki estava em um estado de pânico.

Sua aparência era como a de uma criança perdida.

Mas, a força que ele possuía não era a de uma criança. Um grito cheio de ódio e tristeza ressoou, ao mesmo tempo, seu poder mágico, que deveria ter sido drenado, explodiu com uma força inacreditável. O poder mágico torceu de forma estrondosa em uma espiral e perfurou o céu.

Essa radiância, era como se…

— … Kouki! Pare! Seu poder mágico já deveria estar esgotado! Fazer mais do que isso afetará sua vida!

— Droga! Que diabos! Por que o poder mágico dele está transbordando assim!? Ele já não tinha acabado…

— Ele deveria ter se esgotado! Foi cortado junto com a linha que fornecia poder mágico a Kouki. Mesmo agora ele não está absorvendo o fator mágico na área para se recuperar!

— Mas então por quê!?

— Algo como isso,,, como a magia se foi, ele só pode tirar isso de outra fonte! Talvez, sua força vital ou sua alma, ele está retirando poder mágico à força desse tipo de coisa agora mesmo! Mais cedo ou mais tarde, isso não vai acabar bem para ele!

— ******* ****! Koukii! Volte aos seus sentidoooos!

Sim, era como se fosse o brilho da vida de Kouki.

Shizuku com certeza usou a Demolição da Alma para cortar o poder mágico e a linha de suprimentos que lhe forneciam um poder mágico infinito dentro de Kouki. Quanto a isso, não havia a menor dúvida. E assim, mesmo com a Recuperação de Magia de Alta Velocidade, que recuperava o usuário absorvendo o fator mágico do exterior, era impossível recuperá-lo de forma tão radical. Na verdade, mesmo olhando para o fluxo de poder mágico que Kouki soltou, eles não conseguiram avistar nenhuma mágica do ambiente fluindo para o Herói.

Havia poder mágico que não deveria estar lá, o que significava que Kouki estava pagando algum tipo de compensação para trazê-lo à força de algum lugar, tal pensamento era válido. E assim, não se podia esperar que esse método, que normalmente seria impossível, fosse seguro. Se Kouki fosse deixado sozinho da forma que estava, sem dúvida haveria uma compensação que ele não poderia ignorar.

Diante da tempestade de poder mágico que liberava luz e pressão ultrajantes, Shizuku e Ryutaro se prepararam, eles seguraram os braços na frente dos rostos enquanto chamavam o amigo. Mas, Kouki continuava em um estado frenético, seus ouvidos não escutavam. Com ódio e tristeza em sua expressão, era como se ele estivesse tentando destruir a realidade diante de seus olhos, não, era como se o rapaz estivesse tentando se destruir, o brilho da luz estava se fortalecendo.

— … tudo acabou. Eu me pergunto, por que as coisas ficaram assim? Kaori está aqui, Shizuku está aqui, Ryutaro está aqui, Eri e Suzu também estão aqui, todos junto, superando as dificuldades… é assim que deveria ser, e ainda assim…

O monólogo de Kouki, com uma expressão chorosa, ressoava com muita clareza.

— Algo como isso não é o que eu desejava. Se tudo está perdido, então… se nem um único pode ser recuperado, então… então eu prefiro que tudo se vá, por estas próprias mãos!

O solo e a construção na área atingida pela torrente de poder mágico se tornaram pó e foram aniquilados. No momento, o brilho do poder mágico se tornou a radiância do Poder do Céu. Ao mesmo tempo, aquela luz furiosa foi aos poucos se concentrando e se formando.

— … ei, Shizuku. Eu vou cuidar do Poder do Céu. Vou deixar Kouki com você.

— Você está são? Aquele Poder do Céu pode ser muito mais perigoso do que antes, sabia? Você não será capaz de absorvê-lo nem no modo treant… você vai morrer.

As palavras que Ryutaro murmurou enquanto suportava a tirania da luz com uma expressão sombria, fizeram Shizuku franzir ainda mais a testa. Mas, ao contrário, o Lutador estava mostrando um sorriso destemido nos lábios.

— Hã, não vou morrer aqui. De jeito nenhum eu vou ser morto pela mão daquele cara. Não posso morrer aqui, não importa o que aconteça, é por isso que não morrerei!

— Seu cérebro de músculos. Não há lógica em nada do que você acabou de dizer. Mas, está tudo bem. Agora não é o momento em que a lógica é necessária. Surre aquele idiota desesperado e mal-humorado até que ele esteja chorando e se desculpando, tá bem?

― Sim!

Ryutaro saltou para frente. Com um sorriso feroz, ele apertou o punho com a força e a determinação de trazer de volta seu melhor amigo sem falhar.

Logo depois disso, junto com um grito, uma torrente de luz, o bombardeio do Poder do Céu, espiralou da ponta da espada sagrada e atacou os dois com violência.

Mas Ryutaro não vacilou. Em vez disso: ― PODE VIIIIR! ―, ele soltou um grito de guerra e enfrentou o ataque de frente. Ele cruzou os dois braços e deu um passo à frente enquanto exibia a característica do monstro em forma de árvore gigante.

Junto com um tremendo som de impacto, o bombardeio do Poder do Céu atingiu Ryutaro de forma direta. Mas o Lutador não foi aniquilado. Ele não foi atirado para longe. Como uma rocha que bloqueava um riacho furioso e alterava o fluxo da água, como uma grande árvore que nem se contorcia contra uma tempestade furiosa, ele continuou bloqueando a luz da devastação de frente e avançou um passo, e então mais um passo.

Olhando para aquela figura inabalável, os olhos de Kouki se arregalaram. Ele estava convencido de que o Poder do Céu que ele liberou agora tinha o maior poder comparado a tudo até o momento. Apesar disso, Ryutaro o bloqueou de frente. Como se dissesse que não fugiria de Kouki, como se dissesse que não desviaria os olhos.

O brilho preto avermelhado dos olhos de seu melhor amigo transformado, que o perfurou entre a torrente de luz, fez a perna do Herói recuar de modo inconsciente. Aqueles olhos estavam lhe dizendo: ― Estou indo até aí. Eu não vou deixar você fugir, não importa o que aconteça! ―, da forma mais eloquente possível.

Dessa forma, Kouki, que estava meio atordoado com a vontade intensa de seu melhor amigo, voltou aos seus sentidos com um ― Rá! ― Quando ele percebeu, o outro se aproximou até que não houvesse muita distância entre os dois.

― Nã-não se aproxime! Não venha até aqui! Se você, chegar mais perto do que isso, vou te matar de verdade! Mesmo que seja Ryutaro, eu realmente vou te matar!

Kouki gritou com uma expressão que indicava que ele iria chorar a qualquer momento em sua loucura. Vendo a figura do Lutador que se aproximava cada vez mais até uma distância em que ele podia ver seu rosto, o coração do Herói ficou ainda mais perturbado.

Sim, Ryutaro já estava ferido em todo o corpo. Não importava quão incrível fosse a característica de absorver luz do modo treant, havia uma coisa chamada limite, na verdade, a luz de destruição, que não podia ser suportada pela característica do treant, fazia com que seus dois braços se rasgassem por toda parte, todo seu corpo tinha sangue jorrando.

No entanto, Ryutaro ainda estava sorrindo de forma destemida. E então, ele avançou, mais um passo.

― A-a-aaAAAAAAAAAH!

Kouki gritou. Até ele mesmo não entendia exatamente o que estava fazendo. Ele estava apenas repetindo: “Não deveria ser assim”, em seu coração enquanto empunhava suas forças para negar a realidade diante de seus olhos.

A massa do Poder do Céu foi formada na forma de um gigante que poderia até ser descrito em lendas. O gigante de luz ergueu o enorme braço e apertou o punho. E então, a luz explodiu com o grito de Kouki como fonte, assim, o punho foi desferido para baixo, em direção a Ryutaro como uma estrela caindo do céu.

DOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

Um som estrondoso ressoou. O chão estava se abrindo com o lugar onde o Lutador estava como centro, tudo foi varrido em uma forma radial.

― A, aa…

Kouki gemeu. Enquanto estava atordoado, ele estava convencido no canto de sua mente. Agora ele havia matado seu melhor amigo com as próprias mãos. O coração de Kouki estava rangendo. Seus olhos perderam o foco, um pensamento sem sentido percorria sua cabeça.

Dessa forma, a mente do Herói estava quase se quebrando, foi então que…

― Iôô, melhor amigo. Mas que ****** de rosto patético você está fazendo.

— Eh?

A poeira foi soprada.

Ryutaro estava de pé lá. Ele estava vivo. Não apenas isso, enquanto sorria ferozmente, ele estava parando o golpe esmagador do gigante com os dois braços levantados. Seu corpo, que era como uma árvore marrom enegrecida e retorcida, tinha rachaduras por toda parte, sangue jorrava de todo o corpo esfarrapado, mas a força que residia naqueles olhos não estava enfraquecendo nem um pouco.

— Ryu-Ryutaro? Ta-tal coisa, por que, isso deveria ser impossível de bloque-…

— Estúpido… idiota. Um punho, como este… sem nenhum espírito nele… não vai funcionar em mim. Ei, Kouki. Você… não pode me matar. Você… entende o porquê, não entende?

— U-e?

— Veja. É porque, o meu eu atual… é invencível. Desde o momento em que decidi, que iria trazer de volta meu melhor amigo idiota… me tornei invencível. É por isso que, você… não será capaz de me matar. Até eu te levar de volta… eu absolutamente… não vou ser morto…

— U-a… por-por que você está, indo tão longe…

As palavras heroicas e a figura de seu melhor amigo fizeram com que a voz de Kouki ficasse presa na garganta.

Diante do Herói, Ryutaro sorriu com feridas por todo o corpo e formou suas palavras.

— Algo como isso, é óbvio, não é? Se o seu amigo seguiu o caminho errado… socar, e detê-lo… é o papel do melhor… amigo, não é?

— Porque, um melhor, amigo…

— Isso. Mas, bom, para este momento, esse papel, deixarei para ela. É patético, mas, meu punho… não parece que… te alcançará.

— Eh?

Ouvindo as palavras de Ryutaro, Kouki ficou surpreso por um momento. À frente de seu olhar, sob o golpe esmagador do gigante que o Lutador bloqueou, uma sombra negra estava correndo. Com o rabo de cavalo que era sua marca registrada tremulando, e um olhar digno que estava olhando diretamente para ele, a garota que era sua amiga de infância surgiu.

— … Demolição da Alma!

— …!?

O corte invisível ceifou o poder mágico dentro de Kouki mais uma vez.

O gigante do Poder do Céu se dividiu em dois e a parte superior escorregou na diagonal enquanto se dispersava. De baixo dele, Ryutaro caiu com toda a sua força esgotada. Diante dos olhos do Herói havia uma figura parada em uma posição para sacar sua espada, encarando-o com um olhar que parecia pedra de obsidiana. Enquanto tudo isso se refletia em seus olhos, Kouki estava caindo para trás devido ao impacto do corte.

E então, o Herói, que viu como a intenção de atacar não desapareceu do olhar de Shizuku, mesmo depois que ela balançou sua katana negra, — Aa, então essa é minha retribuição… —, com um sentimento estranhamente calmo, ele se preparou para aceitar a lâmina de sua amiga de infância.

Mas então, uma voz ressoou. Uma voz familiar e solene.

— Aperte os dentes! Seu grande idiota!

— !?!?!? Guah!?

Dogo! Com um som alto e abafado, um forte impacto foi transmitido na bochecha de Kouki. A força que ecoou até o centro de sua cabeça apagou sua consciência por um momento. Sua visão que retornou logo a seguir também estava tremendo em preto e branco. A força deixou seus braços e pernas devido a concussão cerebral.

O céu era visível em sua visão distorcida. O Herói estava entendendo de forma vaga que ele havia caído.

Logo depois disso, o seguinte impacto veio de sua bochecha oposta. Sua cabeça foi girada com uma força que poderia rasgar seu pescoço. Justo quando ele pensou isso, no momento seguinte, sua cabeça foi virada para o outro lado de novo junto com outro impacto. E então mais um impacto, e outro impacto, e mais um… a cabeça de Kouki estava borrada indo da esquerda para a direita em alta velocidade como um brinquedo quebrado.

— Este é por todos os problemas que você causou para mim! Este é por todas as coisas problemáticas que você empurrou para mim! Este é por desperdiçar a ajuda que eu ofereci para você! Este é por não ouvir com atenção a minha bronca! Este é por várias outras coisas, mas de qualquer maneira, este é por mim! Este também é por isto e por aquilo e também por aquele outra coisa e também por mim!

— Buh! Beh! Boh! Bah! Goh! Hih! Gih! Gee! Oboh! Abeshih! Buberah!?

“ORA ORA ORA ORA ORA ORA ORA!!” Com uma força que faria com que qualquer um que olhasse para essa cena sentisse que estava ouvindo isso, Shizuku estava falando com sinceridade sobre sua parte de vingança enquanto dava não apenas um tapa duplo, mas um soco duplo no rosto de Kouki. O objeto branco que brilhava no ar com certeza era o dente do Herói.

— Shi-Shizu-, esp-…

— Eu não vou esperar, eu não vou parar de te socar até que você esteja chorando e se desculpando! Meu estoque de paciência já acabou por completo, chega de brincadeiras! Por quanto tempo você vai ficar fazendo birra!? Como tudo não está indo como você quer, você fica mal-humorado e quer quebrar tudo! Você obrigou todos a sua volta a lidarem com essa birra! Este ****** pirralho. Não vou mais ouvir o que você tem a dizer! Vou ensinar esse idiota que não pode ouvir os outros com uma surra! Se prepare!

O grito furioso da Espadachim ecoou no local de guerra da cidade em ruínas. Ela estava montada em Kouki, que estava deitado de bruços e o socava sem piedade e sem parar com os punhos esquerdo e direito.

— Shi-Shizu-… gahah!

— Não deveria ser assim? Isso é óbvio! Não há ninguém que esteja vivendo com tudo seguindo seus desejos! Todo mundo, eles cerraram os dentes, seguraram as cabeças, eles dirão: “Mesmo que seja assim…” e então darão o seu melhor! Fugir da realidade diante de seus olhos, sem sequer tentar lutar, não há como obter o futuro que você deseja assim! Você, no fim, é apenas uma criança mimada. Você desvia os olhos de qualquer coisa inconveniente, só procura por desculpas e, se isso ainda não for suficiente, você pensará que é por culpa de outras pessoas…

Antes que ele percebesse, os punhos de Shizuku perderam a força, em troca, as mãos da garota seguraram o colarinho de Kouki com força.

— “Tudo acabou”, é o que você disse? Não me venha com essa. Se você acha que pode acabar com tudo sozinho, isso é um grande erro. Você acha que eu vou deixar você morrer com tanta facilidade? Se você não entendeu, não importa quantas vezes eu tenha dito isso, farei você entender à força. Mesmo que eu tenha que amarrar seu pescoço com uma corda, eu vou te arrastar de volta. Depois disso, toda vez que você fizer algo estúpido, eu vou te espancar!

— Shizu-ku…

“Se você ainda quer falar de forma impertinente, eu vou bater em você até que você não mais possa falar.”, os olhos que brilhavam diante dele estavam dizendo isso. Sangue já estava escorrendo da boca e do nariz de Kouki, seu rosto inchado parecendo um goblin, o Herói, que foi deixado em um estado tão horrível, abriu a boca com uma voz que soou como um gemido:

— Vo-você não, escolheu Nagumo…

— Isso mesmo. A pessoa que eu gosto é Hajime. Não é você. E daí?

— … por que… você não está desistindo… de alguém como eu… mesmo que eu tenha feito coisas horríveis… por que…

Mesmo que ela devesse ter escolhido Hajime, mesmo que ele tenha incomodado muitas pessoas, mesmo que ele tenha feito coisas horríveis com seu importante melhor amigo e amigas de infância, por que eles não o abandonaram, para o Herói, que encarava a garota e era incapaz de esconder esse desconcerto, a expressão de raiva enfim desapareceu do rosto de Shizuku e um sorriso perturbado apareceu.

— Isso não é óbvio. Porque você é meu amigo de infância. Estamos juntos esse tempo todo desde a infância, para mim, você é o mesmo que um familiar importante, é por isso. Família, absolutamente não abandonará a família. Bem, embora eu preferisse ser poupada de ter um irmãozinho incômodo como esse.

Ela não podia abandoná-lo porque ele era como um familiar importante. Não importava a estupidez que ele cometeu, ele não seria abandonado, por isso eles eram uma família. Dessa forma, dentro de Kouki, que foi informado disso junto de um sorriso, algo caiu com um baque.

Pelo bem do mundo, pelo bem das pessoas cujo rosto ele não conhecia, porque ele era um herói, porque tinha que ser justo, todas as coisas com as quais ele estava fixado até agora, de repente, elas pareciam pequenas.

Só por serem família, por serem melhores amigos, eles disseram que adquiriram forças incomparáveis a antes, vieram persegui-lo até um lugar perigoso como os Recintos Sagrados, apesar de ele ser um traidor, mesmo que eles pudessem morrer, os dois apenas riram e o impedira de perder o controle.

… mesmo que isso devesse ser uma razão insignificante, por que eles davam tanta importância para ele? Por que, eles pareciam tão poderosos?

Lágrimas caíam dos olhos de Kouki em grandes gotas. Seu eu patético, que ele por fim percebeu no fundo de seu coração, e os amigos de infância, que ainda estenderam a mão apostando suas vidas até o fim, mesmo para alguém tão ruim, causaram uma emoção indescritível e cheia de sentimentos, de modo algum essa sensação surgindo dentro dele era desagradável.

— Des-culpem. De verdade, eu sinto muito… eu, algo assim… aa, eu, o que foi que eu…

— Você está chorando enquanto pede desculpas, hein. Este grande idiota.

Depois de um sentimento indescritível em relação aos amigos de infância, um tremendo sentimento de culpa e remorso surgiu em seguida. Para Kouki, que estava fixado com fazer a coisa certa até agora, o que ele havia feito era a mais baixa e a pior das ações. Ao ponto em que ele pensava que deveria se arrepender por isso com a morte.

Porém, esse pensamento era algo que tornaria o ato de seus amigos de infância, que apostaram suas vidas, em algo inútil e, em seguida, para esse pensamento…

— Não fuja Kouki. Viva, lute. Não perdoaremos outro caminho senão esse.

A morte era apenas uma fuga. Mesmo que fosse difícil, mesmo que ele perdesse seu lugar para pertencer, mesmo que fosse amaldiçoado e menosprezado pelos outros, ele tinha que continuar vivendo. Essa era sua expiação, uma luta que Kouki teria que fazer. No lugar de toda a sua fuga miserável feita até agora, ele teria que continuar vivendo e lutando a partir de agora.

Kouki chorou enquanto mordia o lábio com o olhar direto de seu amigo de infância. Como se o sentimento de seus amigos de infância estivesse gravado em sua alma. Como se ele estivesse determinado a se separar de seu eu do passado.

— … Shizu-ku. Eu… não devo morrer. Vou viver, desta vez com certeza, tenho que lutar. Não contra os outros, mas contra mim mesmo.

— Sim, isso mesmo. Por esse motivo, chore agora, depois disso, se levante e dê o seu melhor. Se você cometer outro erro, vou te espancar até você chorar mais uma vez.

Ouvindo o que Shizuku disse, Kouki mostrou uma expressão complicada que parecia irritada e patética, mas também um pouco feliz e ele não pôde dizer nada. E então, ele dirigiu os olhos vermelhos para Shizuku, que soltou seu colarinho e se afastou de cima dele. Aqueles olhos tinham cores claras como se o espírito maligno tivesse o deixado.

— … não há necessidade disso. Porque, vou mudar. Juro que irei mudar. Ao ponto em que uma amiga de infância da mesma idade que eu não poderá me tratar como um “irmãozinho”.

— É mesmo? Bem, mesmo se você se tornar assim, não vou tratá-lo como um homem, entendeu?

— Uu, não coloque um perímetro defensivo desses. Você gosta tanto assim de Nagumo?

— Sim, eu o amo. Estou profundamente apaixonada por ele. É irritante que eu não possa monopolizá-lo, mas vou compartilhá-lo de forma pacífica. Sobre as dificuldades nesse sentido, se for ele, ele suportará isso sem problemas.

— Não fale de forma tão apaixonada de outro homem na frente do seu irmão mais novo espancado…

Kouki sorriu sem graça. Havia muita frustração naquele olhar, mas ele não parecia perturbado pelo ciúme. Porque em seu coração, ele chegou a um entendimento. Mas o que atraiu Shizuku para Hajime? Essa coisa era a diferença entre ele e Hajime, possivelmente até a diferença entre ele com Shizuku e Ryutaro, era o motivo de sua derrota, ele enfim entendeu isso.

— … vocês dois, vocês estão esquecendo de mim?

Enquanto Kouki estava sentindo frustração e reprovação por sua infantilidade e resolveu mudar em busca de sua expiação, Ryutaro se arrastou e se aproximou do local antes de deixar escapar uma voz de desagrado.

— Oras, Ryutaro. Você ainda pode se mover mesmo com esse estado esfarrapado?

— É porque eu já tomei a bebida especial de recuperação de Nagumo agora há pouco. Mas eu mal posso me mexer.

Kouki dirigiu seu olhar para Ryutaro, que estava respondendo enquanto acenava com um recipiente de tubo de ensaio. Ele olhou diretamente para o seu melhor amigo, que estava ferido por toda a parte por sua culpa, para o homem que continuava chamando-o de “melhor amigo”.

— Ryutaro… eu sinto muito.

Ele não deveria abaixar a cabeça. Se ele abaixasse a cabeça, desviaria seu olhar de Ryutaro. Porque ele já havia decidido que não desviaria os olhos de nenhuma verdade ou realidade pela segunda vez.

Ryutaro, que recebeu aquele olhar de Kouki, retornou um olhar calmo depois de uma pequena pausa. E então, um momento depois, ele sorriu e disse apenas uma palavra:

— Sim.

Como se quisesse dizer que palavras excessivas eram desnecessárias, ele respondeu apenas com isso. A resposta, que era exatamente como o Lutador, fez o Herói sorrir um pouco. Entre os dois, apenas essa palavra foi suficiente.

Mas, naquele momento, uma voz ressoou de repente.

— O que, é isto…

Shizuku voltou a si e se virou com a katana preta na mão. Ryutaro também tentou se preparar de alguma forma, mas seu dano foi muito profundo, além disso, sua Transformação Demoníaca do Sexto Céu também já tinha sido desfeita, então ele não podia se levantar.

E então, Kouki, que estava no mesmo estado e não conseguia se mover, chamou o nome da dona daquela voz.

— Eri…

Com feridas por todo o corpo, Eri estava flutuando no ar com suas asas cinzentas tremulando. Ela estava olhando para Kouki e os outros, atordoada.

Suzu também veio atrás em perseguição. Shizuku desviou o olhar da Necromante por um instante e encontrou os olhos da Mestra de Barreiras. Elas ficaram felizes uma pela outra por estarem a salvo e, no momento seguinte, encararam Eri com uma expressão que estava cheia de tensão.

A Necromante nem percebeu Suzu, ela estava deixando escapar uma voz embargada.

— Eeei, por que, a atmosfera está tão calorosa? Eeei, Kouki-kun. Esses caras são o inimigo, sabia? Eles seguiram o odioso, odioso inimigo que roubou todas as coisas importantes de Kouki-kun, eles são traidores, entendeu? Por que você está conversando com eles pacificamente, eu me pergunto? Por que, eu me pergunto? Eeei, por quê?

Enquanto inclinava a cabeça como um brinquedo quebrado, Eri falou com um olhar vazio e olhos sem foco. Seus quatro membros foram esmagados e torcidos na direção errada, então ela parecia uma marionete criada com por artesão ruim.

— Eri… eu sinto muito. Eu já não posso lutar contra Shizuku, Ryutaro ou Suzu. Todo esse tempo eu confundi o inimigo com que deveria lutar.

— … o que isso significa?

A cabeça de Eri inclinou-se para o lado e ela ficou imóvel. O ângulo de sua cabeça os fez alucinar pensando que o osso de seu pescoço havia se quebrado. Eri olhou para o ar vazio e abriu a boca com loucura em sua voz.

— O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa? O que isso significa?

— E-Eri, me escute. Eu-eu sou um idiota estúpido que não entende nada, mas agora há uma coisa que eu entendo, eu com certeza te magoei. Por isso, talvez você pense que já é tarde demais, porém… só mais uma vez, vamos conversar…

Eri repetiu as mesmas palavras como um disco quebrado. Kouki, que reflexivamente a chamou mais uma vez, fez os olhos da Necromante, que olhavam para o ar vazio, se voltarem para o Herói em um instante. E então, ela o encarou por um tempo com um rosto inexpressivo como uma máscara Noh5.

O ar estava tenso, quer eles quisessem ou não. Kouki não desviou seus olhos. Suas palavras eram desajeitadas, dentro de seu coração, ele não entendia nada, ele não entendia o que deveria fazer e as coisas não estavam bem nem para o próprio Herói, mas mesmo assim, ele pensou que tinha que olhar para Eri de forma apropriada.

Mas, aquele olhar direto e desesperado para ela pareceu ter o efeito oposto isso fez algo dentro de Eri não poder aceitar a situação.

De repente, a força deixou o corpo da Necromante. E então, ela mostrou um sorriso doce que parecia o mais humano de tudo que exibiu até agora. Esse era um rosto sorridente e misterioso, onde resignação e desprezo, cinismo e exasperação, se misturavam…

Assim, uma única palavra, sua última palavra ressoou neste mundo.

— Mentiroso.

— Eh?

Kouki tentou conversar com ela.

Mas, antes que ele pudesse deixar escapar qualquer palavra, uma luz intensa surgiu no peito de Eri.

— Is-isso é… Eri, você…

Shizuku, que viu através da fonte de luz, levantou a voz em choque.

Aquela coisa que emitia luz intensa do peito de Eri. Certa vez, quando Kouki e os outros alunos foram encurralados no Grande Calabouço Orcus, a fim de salvá-los, Meld Loggins tentou usar essa ferramenta mágica para autoexplosão ― A Lealdade Final6.

Mas a luz que Eri emitia era incomparável com a desse evento. Sem dúvidas, o item estava liberando um poder fortalecido. Era óbvio que ele estava escondendo um poder no nível dos artefatos. Provavelmente, essa era a Lealdade Final que ela roubou dos líderes dos cavaleiros que ela transformou em soldados-fera-cadáver, e então reforçou o item com algum tipo de método para torna-lo um artefato.

Seu poder destrutivo era insondável. E assim, a velocidade de ativação também era incomparável com a Lealdade Final original.

As palavras de Shizuku foram cortadas. Porque uma explosão que apagou até o som engoliu a área junto com a luz.

A torrente de luz tingiu tudo de branco. Um silêncio que faria alguém alucinar pensando que o mundo havia desaparecido estava assaltando a todos.

Shizuku, Kouki, Ryutaro, todos cobriram os rostos com as mãos no mesmo instante. E então, levantando as mãos dessa forma, eles perceberam que eram capazes de reconhecer que o mundo estava tingido de branco e silêncio. Ao mesmo tempo, eles viram uma sombra que se estendia na direção deles.

Essa era a sombra da protetora em que podiam confiar. A mestra de barreiras que protegeu seus camaradas muitas vezes até agora. A garota estava no caminho da torrente de luz sem dar nem mesmo um passo para trás, dois leques de ferro preparados como um escudo. Havia também a sombra de Inaba agarrada a essas costas, como se a estivesse a apoiando.

Nenhuma voz poderia a alcançar. Mas Shizuku, Kouki e também Ryutaro rezaram com sinceridade. Porque eles não podiam fazer nada além disso, eles oraram para que pelo menos a oração deles chegasse, tornando-se força para a garota.

Suzu sentiu vontade de assentir para eles.

Em pouco tempo, até sua figura foi engolida pela luz e ficou invisível.

Suzu estava em um espaço misterioso.

Logo depois ela assentiu sentindo como se estivesse ouvindo a voz de Shizuku e dos outros, quando percebeu, ela já estava naquele espaço branco. Não havia luz ou impacto nesse espaço realmente profundo.

Em um lugar tão misterioso, havia apenas uma pessoa além da Mestra de Barreiras.

— Eri…

— … Suzu.

As duas se encararam a uma certa distância. Elas se entreolharam por um tempo sem dizer palavras. Quem abriu a boca primeiro foi Eri.

— Que lugar estranho. É uma lanterna giratória que se vê antes da morte… mas acho que um pouco diferente. Ou uma experiência de quase morte… eu já morri, então acho que não deve ser isso.

— Então Suzu também morreu, não morreu? Suzu pensou que conseguiria se defender até o fim.

— Quem sabe? Se possível, eu queria levar todos vocês comigo.

— Suzu quer viver. Suzu quer que Shizuku, e Kouki-kun também, e Ryutaro-kun, vivam também… Suzu também quer que Eri viva.

As palavras da Mestra de Barreiras fizeram a Necromante bufar como se estivesse tirando sarro dela.

— Hum. Depois de me fazer voar de forma impiedosa, você ainda pode dizer isso sem sentir vergonha!?

— Ahaha. Ééé.

Eri ficou claramente descontente olhando para Suzu, que estava sorrindo sem graça. E assim, sem esconder esse descontentamento, ela abriu a boca mais uma vez.

— De alguma forma, sinto que não ficaremos neste mundo por muito tempo, é por isso que direi isso agora. Suzu é mesmo muito nojenta.

— … eee. Como por exemplo?

— Vejamos. Como quando você sempre ria de forma estúpida. Ou até quando falavam de você pelas costas, você ainda ria como se não fosse nada demais. Ou como seu interior é o mesmo de um velho pervertido. Como você diz coisas repugnantes, como querer se tornar uma amiga, até quando estamos tentando matar uma a outra. Isso não terminará se eu continuar citando outros exemplos, mas o mais grosseiro é que, mesmo quando você já está nessa idade, ainda está se chamando por seu próprio nome. Não, é sério, você é impossível, não éééé?

A testa de Suzu se distorcia com uma veia subindo de forma visível à superfície. E então, ainda sorrindo, ela contra-atacou.

— Suzu entendeeee. Mas Eri também é muito nojenta, não é?

— Hã?

— Você sempre mostra um sorriso amigável enquanto ficava atrás de todos. Até quando falavam de vocês pelas costas, você apenas sorria como se não fosse nada demais. Seu interior é apenas o de alguém rabugento. Você usa óculos e age de forma reservada como um membro do comitê da biblioteca, você se esforça demais para se encaixar nesse clichê. Além disso, Suzu não quer que você diga nada sobre como Suzu se chama por seu próprio nome. Mas o que há com o seu “boku7? Ver uma garota de óculos ficando toda excitada chamando a si mesma de “boku” como um membro do comitê da biblioteca é apenas doloroso. Além disso, “Eu sou a heroína” você disse. Pupu, você precisa superar esta sua fase chuuni.

A testa de Eri se distorcia com uma veia subindo de forma visível à superfície. E então, ainda sorrindo, ela contra-atacou.

Chuuni? Eu não quero ser chamada assim por uma garota dolorosa que diz algo como “Onee-sama” no mundo real, entendeuuuu? Puxa Suzu, você tem uma inclinação para yuri8, não tem? Eu senti o perigo para o meu corpo várias vezes antes. Que pervertida impossível. Tão nojenta.

— Ahaha, algo assim ainda está no nível de brincadeiras, certo? Eu não quero ser tratada como um pervertido por uma mulher equivocada que se prendeu em seu primeiro amor e correu a toda velocidade rumo à loucura, entendeuuuu? Ver isso é incrivelmente doloroso, sabia? Tão nojenta.

— …

— …

— AAaa?

— AAaa?

Ambas estavam atirando palavras violentas uma para a outra com expressões de delinquentes que não se parecia com a beleza de meninas do ensino médio. Depois disso, por um tempo, uma linguagem abusiva que faria alguém querer cobrir seus ouvidos voou entre as duas.

Assim, talvez incapazes de continuarem, as duas estavam respirando com dificuldades com os ombros levantando e abaixando, nesse momento, o espaço em branco de repente começou a rachar.

— Hmph, parece que este mundo está entrando em colapso.

— …

Suzu não pôde responder a Eri, que estava com uma expressão revigorada. Com as mãos nos joelhos, ela estava olhando para baixo enquanto escondia o rosto. Mas, ela não conseguia esconder as coisas que escorriam pelo chão.

— … o quê!?Você está chorando? Estúpida.

— Ca-cale a boca. Quem chama os outros de idiota é o verdadeiro idiota…

Suzu conteve seu soluço enquanto limpava as gotas transbordando. Adivinhando que a verdadeira separação estava se aproximando, ela não conseguiu segurar o que estava brotando em seu coração.

— … eu disse algo assim há pouco, mas talvez Suzu e os outros ainda não tenham morrido. Quem está indo embora sou eu (boku)… só eu (watashi)9.

— E-ri?

O modo como ela se chamava de repente mudou, não, voltou ao normal, o que fez Suzu levantar o rosto ainda chorando. À frente de seu olhar, Eri, que ainda estava desviando o rosto, estava com uma expressão descontente.

— Suzu também entende, não é? Apesar disso, por que você está chorando assim?

— É, que…

— … sério, que idiota. Por que você está se lamentando, por esse tipo de traidora, este lixo de mulher.

O mundo branco estava visivelmente se dispersando a partir das bordas.

— Agora que está tão tarde você estava dizendo que “queria ficar junta” ou “me proteger”, pensei se você estava mesmo buscando isso.

— Eri, Suzu está…

— Vamos lá, isso é nojento, então mude a maneira como você chama a si mesma.

— Uu, Eri…

Um colapso separou as duas. Quase tudo tinha desaparecido, exceto o ponto de apoio das duas. No meio disso, as palavras de Eri, que pareciam um monólogo, ressoaram.

― … naquele momento, se quem eu encontrasse naquela ponte fosse Suzu… o que aconteceria, eu me pergunto? Para eu pensar em algo assiiiim, sim, eu sou a maior idiota.

― Eri, Suzu está… eu estou feliz por ser a melhor amiga de Eri! Mesmo que isso tenha sido falso, mesmo que fosse distorcido, foi divertido! Eu…

O ponto de apoio se dispersou. O corpo das duas também estava se transformando em areia e desaparecia como se tivesse sido levado pelo vento.

Eri, que estava olhando de lado, virou o rosto para Suzu que gritava. Ela parecia inexpressiva, mas em algum lugar também parecia estar cheia de uma atmosfera aliviada.

E então, as verdadeiras últimas palavras da garota chamada Eri Nakamura alcançaram apenas a garota chamada Suzu Taniguchi, que tinha sido sua melhor amiga e, que por algum acaso, ainda poderia ser sua melhor amiga até agora.

― … tchau, tchau. O tempo em que estive com Suzu, me senti à vontade, mesmo que só um pouco.

― !!!

O grito de Suzu foi engolido pelo mundo desaparecendo e não se tornou som.

Mesmo assim, pela expressão que Eri mostrou a Suzu no último momento, ela acreditava, que com certeza a alcançou.

Goteja, goteja. Tal sentimento acariciou suas bochechas.

Além do que estava por trás de Suzu, tudo foi transformado em pó nesta cidade em ruínas. Então um soluço reverberou.

Os dois leques de ferro que Suzu segurava com as duas mãos se desfizeram em pedaços, como se para dizer que haviam cumprido seu papel e caíram no chão. A própria Suzu também se sentou no chão com o corpo cheio de feridas, mas Shizuku e os outros que estavam completamente protegidos atrás dela não a chamaram por estarem preocupados.

O trio não sabia sobre o fenômeno misterioso que a colega experimentou. Mesmo assim, eles conseguiram adivinhar que as lágrimas que Suzu derramava eram o que ela sentia pela importante amiga. Isso mostrava o quão dolorosa e sagrada a figura dela parecia.

Em pouco tempo, como se quisesse dizer que já havia chorado o suficiente, Suzu enxugou os olhos depressa e, com aqueles olhos vermelhos e claros, contraiu o corpo e se levantou. E então, ela se virou para Shizuku e os outros com um giro enérgico.

― Agora, Shizuku, Kouki-kun, Ryutaro-kun. Vamos continuar em frente!

Um sorriso inocente. Assim como costumava ser. Aquele sorriso que protegia seus camaradas em um sentido diferente de uma barreira, naquele momento parecia um pouco com o de uma adulta. Comparado à quando eles estavam no Japão, comparado à quando ela animava todos no labirinto, parecia muito mais encantador.

A fonte de vivacidade que era esmagadoramente eficaz fez Shizuku e os outros relaxarem suas bochechas de forma natural. Embora fosse apenas Kouki que estava com uma expressão complicada.

“Aconteceu alguma coisa?”, ele não perguntou isso. Porque sem dúvidas isso era algo que estava guardado dentro do coração de Suzu, em sua caixa do tesouro. Perguntar à força seria um ato grosseiro.

― Ceeerto! Vamos perseguir aqueles caras e ajudá-los!

― Mesmo que você diga isso, eu e Ryutaro não podemos nos mover…

― Além disso, a torre do relógio também foi destruída, não foi? Não parece que haja outra entrada que possa conectar os espaços.

Shizuku voltou o olhar para o local onde estava a torre do relógio. Naquele ponto, ela não conseguiu encontrar a ondulação que ligava o espaço.

― Aa, agora que você mencionou, a cidade em ruínas deste espaço não está apenas neste lugar, eu já ouvi isso antes.

― Então vamos procurar outra cidade! Os skyboards estão bastante danificados, mas acho que se usarmos todos os truques que temos, eles ainda poderão ser usados por um tempo. Com certeza poderemos encontrar outra cidade se for do céu!

― Acho que podemos tentar isso. De qualquer modo, Kouki e Ryutaro, vocês dois precisam se recuperar logo. Vou fazer vocês dois tomarem remédios até que seus estômagos inchem como um balão.

Kouki e Ryutaro olharam para as bebidas de recuperação alinhadas diante de seus olhos com olhos relutantes, mesmo assim, as derramaram pela garganta e seus corpos foram curados com a combinação de suas próprias forças de recuperação.

Assim, depois de descansar um pouco, eles pegaram seus skyboards e voaram para o céu. Kouki estava junto de Ryutaro em sua prancha.

Suzu, que voou alto para o céu, virou-se para trás e olhou para a cidade em ruínas abaixo com uma expressão um pouco solitária. Entretanto, isso também foi apenas por um instante. Ela mostrou um sorriso forte e animado no mesmo instante e levantou a voz:

― Agora, pessoal, venham atrás de mim!

― Puxa, Suzu.

― Haha, esta é a Suzu que conhecemos.

― Nós não somos páreo para Suzu, hum.

Assim, Suzu, Shizuku, Ryutaro e Kouki, os quatro, a fim de perseguir Hajime e as outras, procuraram por outra cidade em ruínas e subiram no céu de outro mundo.


Tradutor:



Notas

[1] Resma é uma tradicional unidade de medida. Antigamente uma resma correspondia a 480 folhas de papel, ou 20 “mãos” de papel (com 24 folhas cada). Em razão da padronização internacional, o termo “resma” passou a se referir a 500 folhas, 20 mãos de papel (com 25 folhas cada).

[2] Lobisomem, ou licantropo, é um ser lendário, com origem na mitologia grega, segundo as quais, um homem pode se transformar em lobo ou em algo semelhante a um lobo em noites de lua cheia, só voltando à forma humana ao amanhecer. Tais lendas são muito antigas e encontram a sua raiz na mitologia grega. Segundo As Metamorfoses de Ovídio, Licaão, o rei da Arcádia, serviu a carne de Árcade a Zeus e este, como castigo, transformou-o em lobo.Uma das personagens mais famosas foi o pugilista arcádio Damarco Parrásio, herói olímpico que assumiu a forma de lobo nove anos após um sacrifício a Zeus, lenda atestada pelo geógrafo Pausânias. Segundo lendas mais modernas, para matar um lobisomem é preciso acertá-lo com artefatos feitos de prata.

[3] O plexo solar, também conhecido como plexo celíaco, é uma complexa rede de neurônios que no corpo humano está localizada atrás do estômago e embaixo do diafragma perto do tronco celíaco na cavidade abdominal a nível da primeira vértebra lombar (a região próxima à altura da boca do estômago).

[4] Um treant é uma criatura ficcional encontrada no jogo de RPG Dungeons & Dragons. Treants são árvores sencientes com características humanas. Eles são tipicamente descritos como protetores das florestas e antagonistas da industrialização e degradação da natureza. Eles são tipicamente aliados de druidas e se opõem a raças malignas como os orcs. Treants são baseados nos Ents do universo de Tolkien.

[5] Noh é uma forma clássica de teatro profissional japonês que combina canto, pantomima, música e poesia. O termo noh deriva da palavra japonesa que quer dizer talento ou habilidade. Muitas de suas personagens usam máscaras, os shites (protagonista) e seu acompanhante, mas não todas.

[6] Eventos do capítulo 77.

[7] Boku significa “eu” e é um termo usado para dar senso de consideração casual usado por homens. Também pode ser usado direcionado a crianças (equivalente a “garoto” em português).

[8] Yuri (literalmente “lírio”), também conhecido como wasei-eigo Girls’ Love, é um gênero de mangá e anime que descreve relações românticas entre mulheres. O termo Yuri também é conhecido pelo termo shoujo-ai, que é um termo mais usado para conteúdo mais leve sem nada explícito ou pornográfico.

[9] Watashi significa “eu” e é um termo educado para se referir a você mesmo, usado tanto por homens quanto por mulheres. É o pronome japonês usado para ocasiões formais e eventos públicos. Nessa frase, Eri para de usar boku para se referir a si mesma.



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