Arifureta – Capítulo 166 – A mão estendida, não foi alcançada


― Eu não vou me conter. Vai ficar tudo bem, depois disso, vou reviver todos vocês sem falhar.

Kouki empurrou sua espada sagrada junto com essas palavras. Nesse momento, o dragão de luz que foi criado diretamente da magia de ataque do elemento da luz de mais alto nível, o próprio Poder do Céu, o dragão de luz disparou um ataque de sopro do Poder do Céu.

A pura luz branca que queimou o ar desenhou uma trajetória em espiral enquanto se aproximava de Shizuku e os outros.

Olhando para isso, Suzu estava prestes a balançar seus leques de ferro para invocar a Interrupção Sagrada ao espalhar sua energia.

Mas, como se para impedir isso, Eri invocou sua magia com um pouco mais de rapidez.

― Ahah, Lapso Mentaaaal!

― !!!

Magia da Escuridão, “Lapso Mental” ― uma magia que selava temporariamente a memória do alvo entre alguns segundos antes até o momento atual. Era apenas uma lembrança que parecia um piscar de olhos, mesmo assim, se essa mágica fosse usada no meio de uma batalha, esse seria um feitiço muito problemático que criaria uma abertura fatal. Era difícil lidar com essa magia porque era uma técnica de alta classe, mas Eri poderia usá-la sem dificuldade.

― Chih!

Diante da luz mortal que se aproximava com Suzu não conseguindo estabelecer uma barreira, Ryutaro jogou sua colega para o lado enquanto pulava para longe daquele lugar junto com Shizuku.

Logo depois disso, o rugido do Poder do Céu passou pelo local onde os três estavam no momento anterior, atravessando um prédio em ruínas e o sacudindo de forma feroz.

Os soldados-fera-cadáver saltaram de todas as direções com uma mira cuidadosa em direção a Shizuku e os outros que escaparam para o ar.

― Retalhe, Presa Relâmpago!

Shizuku invocou a “Presa Relâmpago” enquanto puxava sua katana negra em direção aos soldados que desferiam suas grandes espadas da esquerda e da direita. Esse ataque realizaria três cortes simultâneos com um ataque, no entanto, embora os braços dos soldados fossem cortados, o ataque não chegou até seus troncos.

Shizuku estreitou os olhos, olhando o resultado do ataque que usou com o objetivo de partir o inimigo em dois. O poder mágico preto avermelhado que envolvia as marionetes refletia-se nos olhos dela.

― Vajra?

Como se quisesse dizer que eles não sentiam dor, mesmo enquanto perdiam um braço, os soldados mudaram as armas para o outro braço e brandiram suas espadas, Shizuku estava sussurrando para si mesma enquanto chutava o ar usando Aerodinâmica e girava seu corpo para fugir.

Perto dela, havia as figuras de Ryutaro, que bloqueava as inúmeras lâminas de vento que se aproximavam com sua Vajra, e Suzu, que refletiu uma lança vermelha usando pétalas de luz.

Parecia que os soldados-fera-cadáver estavam com um conjunto completo. Além de pessoas que poderiam usar magia elementar ofensiva, também havia outras com habilidades defensivas e de cura. O grupo era abundante em sua variação. Nesse aspecto, talvez houvesse também soldados que pudessem se esconder ou absorver magia como as quimeras que eles enfrentavam antes.

Enquanto Shizuku estava vigilante contra as capacidades dos soldados, de repente, um calafrio percorreu seu corpo inteiro. O sinal de alerta de seu instinto estava tocando alto. A Espadachim na mesma hora invocou Aerodinâmica em conjunto com Sem Batida e pulou para longe daquele local usando toda sua força.

Naquele momento, inúmeras lâminas de luz passaram pelo espaço que Shizuku acabou de desocupar. As lâminas de luz continuaram subindo sem parar e cortaram em pedaços a lateral de um prédio em ruínas em um local um pouco distante, o prédio em ruínas, que perdeu o apoio, desmoronou com um som estrondoso.

Além disso, Shizuku obedeceu ao seu alarme interno que ainda não parou de tocar e torceu seu corpo, sem ao menos checar, ela se virou para trás e sacou sua espada. A katana negra que foi acelerada com o movimento do desembainhar respondeu com resistência e um som duro: GAKIN!.

Ali estava a figura de Kouki, que bloqueou a katana negra com sua espada sagrada.

― Como esperado de Shizuku. Você é forte.

― Foi você que ficou fraco. Isso é uma vergonha para o nome do estilo Yaegashi.

― … que patético. Então você também é incapaz de entender a diferença de força entre nós. Mas, está tudo bem. Porque vou proteger Shizuku!

Talvez graças ao dragão de luz em suas costas, Kouki era capaz de voar pelo ar. Ele estava sorrindo para Shizuku enquanto travava a espada com ela no ar. Mas, a resposta que voltou foram palavras afiadas que o fizeram murmurar palavras mal direcionadas e sua expressão se distorceu.

Ao mesmo tempo, o dragão de luz que olhava para Shizuku por trás do Herói abriu sua mandíbula. E então, Poder do Céu foi disparado à queima-roupa na Espadachim sem demora.

― … Onda Escaldante! Desembainhar Celestial!

Shizuku balançou a bainha contra Kouki. Usando a onda de choque gerada, ela se separou à força e se distanciou do Herói, assim Shizuku escapou da linha de tiro. Porém, ela foi incapaz de escapar por completo do ataque de sopro do Poder do Céu, que parecia um laser.

E assim, usando a habilidade da katana negra, o Desembainhar Celestial que ela invocou quase ao mesmo tempo, atraiu o sopro do Poder do Céu para sua lâmina. E então, no momento em que o sopro tocou a lâmina, ela usou a torção do pulso e do corpo e afastou a pressão e a onda de choque para trás.

Uma arte com espada do estilo Yaegashi ― Dança da Lasca de Madeira. Uma técnica de defesa que fazia uso da lâmina para deslizar pelo ataque do oponente. Desta vez, a técnica foi usada em conjunto com o Desembainhar Celestial, que era uma capacidade de atrair o alvo para a lâmina. Ela tentou essa técnica sem qualquer preparação prévia, mas teve um esplêndido sucesso.

Nas costas dela, o som de mais um prédio em colapso devido ao Poder do Céu era audível. Shizuku lançou um olhar exasperado para Kouki enquanto ouvia aquele som.

― Me proteger? Você me disse isso algumas vezes no passado, mas, para ser honesta, não me lembro de nenhuma situação em que isso aconteceu. Mesmo agora, você está dizendo que vai me proteger enquanto libera um ataque ultrajante contra mim, não é?

― Então é isso… aquele ******* do Nagumo, ele até falsificou sua memória. Eu acho que você não se lembra, mas eu sempre estive ao lado de Shizuku, te protegendo. Bem, mesmo se eu dissesse que acho isso inútil, não importa o que eu fale para a atual Shizuku.

― Essa é a minha frase. Eu me pergunto se me sentiria um pouco melhor se causasse uma grande ferida nesse rosto bonito.

Uma veia pulsava na testa de Shizuku pela irritação. Soldados-fera-cadáver estavam circulando por trás da Espadachim. Olhando com mais atenção, todos os soldados tinham asas negras avermelhadas crescendo em suas costas. Com isso, eles não teriam problemas mesmo em batalhas no meio do ar.

Além disso, quando Kouki balançou sua espada sagrada, o dragão de luz em suas costas disparou inúmeras luzes ramificadas que formaram pequenos dragões de luz. O número era de aproximadamente trinta dragões.

― Shizuku, vou terminar esta batalha. Como esperado, você não será capaz de suportar ataques simultâneos nesse número, será? Vai doer, mas vou cuidar de você depois disso. Só descanse em paz.

Depois de dizer isso, o Herói apontou a espada sagrada para Shizuku. Em seguida, trinta pequenos dragões de luz e soldados-marionetes atacaram Shizuku de todas as direções. Não havia para onde escapar. Ryutaro não poderia se aproximar por causa do ataque de sopro do dragão da luz e dos soldados-fera-cadáver.

Suzu tentou agir na mesma hora, mas a própria Shizuku a interrompeu usando a telepatia.

“Shizuku!”

“Está tudo bem, Suzu. Eu vou te mostrar que posso lidar com isso!”

Logo depois que essas palavras chegaram até a Mestra de Barreiras por telepatia, a Espadachim foi engolida por silhuetas humanas e luz.

Kouki balançou a cabeça com tristeza ao olhar para isso. E então, como se dissesse: ― Se é para salvar a todos, não me importarei de sujar estas mãos ou ser odiado! ―, com uma expressão resoluta como se exibisse o ar de um herói trágico, ele olhou para Ryutaro, quem ele designou como seu próximo alvo.

Nesse momento…

― Me desculpe, mas recuso categoricamente que meu rosto adormecido seja visto por qualquer outro homem que não seja ele. Florescer Cintilante.

― … gua!?

Um corte reto e horizontal foi aberto no peito de Kouki e o spray de sangue dançou no ar. Graças à inexpugnável armadura sagrada, não foi um ferimento fatal, mas mesmo assim, foi um grande dano.

Kouki olhou surpreso com a forma como Shizuku estava falando calmamente e como ele foi cortado mesmo com a distância. Ele estava recuando com a mão pressionando o peito. E então, ele percebeu algo.

― A-a katana, está voando?

Kouki sussurrou por reflexo.

Exatamente como ele disse, na frente do Herói, a katana negra de Shizuku e uma da cor do azeviche, que parecia ser a mesma, estavam flutuando no ar com as pontas apontadas para Kouki.

Então, a Espadachim estava ferindo de forma letal os soldados e pequenos dragões desarmados… Kouki olhou para sua colega, que estava tão cercada por soldados e dragões, parecia estar dentro de uma esfera fechada.

E então, os corpos dos soldados e dragões que cercavam Shizuku deslizaram na diagonal e caíram no chão. Essa cena surpreendente entrou nos olhos de Kouki.

E então, o que apareceu entre a brecha dos inimigos que caíram ou se dispersaram em farrapos…

Foi a figura de Shizuku, que bloqueou todos os ataques com uma barreira de inúmeras katanas negras implantadas ao seu redor.

― Rompa, Onilâmina ― Florescer Cintilante!

Shizuku levantou sua voz mais uma vez.

Em um instante, a barreira da katana negra brilhou na cor azul escuro, e dessa vez, todos os soldados e pequenos dragões foram partidos em dois. Os soldados caíram no chão e os pequenos dragões de luz se dispersaram. No meio de tudo isso, a Espadachim disparou contra o Herói com katana nas mãos.

Então, todas as katanas negras ao redor foram apontadas para baixo e se alinharam com Shizuku como o centro. O número total era de vinte katanas.

Aquela figura parada no ar com costas retas e dignidade, um enxame de katanas negras da cor do azeviche a seguindo, parecia a imagem de uma heroína em uma história ilustrada. Os belos cabelos pretos no rabo de cavalo tremulavam, os olhos cinzentos carregando firmeza atravessaram Kouki.

“Lindo…”, Kouki sussurrou em seu coração sem perceber. Estava fora de lugar, mas a figura de Shizuku, que era como uma donzela de guerra, fez com que seu coração fosse roubado sem que ele pudesse fazer nada e o rapaz engoliu em seco.

― Espadas-Vivas (Enxame de Katanas que Exemplifica a Vontade). Minha alma está derramada em todas essas katanas negras. Eu me pergunto se Kouki, que continua a fugir para sonhos convenientes, pode suportar isso?

― Shi-Shizuku…

Apesar da voz calma, Kouki caiu em uma alucinação onde foi atingido fisicamente, sua voz ficou presa em sua garganta. A atual Shizuku estava cheia de uma pressão que não podia ser superada usando a diferença de poder mágico e especificações corporais.

― … contra o meu Kouki-kun… que atrevimento. Como esperado, eu simplesmente não posso suportar Shizukuuu!

A expressão de Eri se distorceu em feiura e ela estava prestes a disparar uma magia na Espadachim. Parecia que ela sentia a forma como Kouki estava fascinado por Shizuku. Era imperdoável para ela que o Herói estivesse atraído por alguém, exceto ela, ainda mais agora que ele estava sob lavagem cerebral. Seu ódio e ciúme explodiram, ela estava prestes a dirigir uma mágica para perturbar a mente de Shizuku e enviar todos os seus soldados contra a Espadachim.

Mas, diante dos olhos da Necromante, incontáveis sombras tremulantes foram refletidas como se para impedi-la.

O olhar de Eri percorreu os arredores de forma duvidosa. E então ela olhou maravilhada.

― O qu-quê? Isso é, uma borboleta?

Suas palavras murmuradas estavam corretas. Antes que ela notasse, um enxame de borboletas esvoaçava sobre o campo de batalha.

A fonte desse cenário era Suzu, que desdobrou seus dois leques de ferro. Monstros borboletas foram convocados de forma contínua da joia que estava presa à alça do leque de ferro. O espetáculo de borboletas, que possuíam cristas negras com um padrão vermelho em suas asas pretas voando em órbita espiral com pétalas de luz espalhadas ao redor enquanto subiam ao céu, estava mostrando uma mistura de charme e mística que não costumava aparecer em Suzu, exibindo uma beleza que não podia ser colocada em palavras.

― Suzu resistiu ao seu primeiro ataque, não é Eri? Desta vez é a vez de Suzu. Suzu não vai deixar você ignorá-la mais.

― Ahaha, o que é que Suzu está tentando dizer…

No meio do campo de batalha que transbordava de pétalas de luz e borboletas de cristas negras, Suzu gritou com um artefato de invocação diferente pendurado em sua cintura em um dos orbes mágicos.

― Inaba-san! Por favor!

― Kyukyuu!

Naquele momento, um coelho branco e carmesim saltou diante dos olhos da Mestra de Barreiras, sua figura desapareceu deixando para trás imagens persistentes e, em um instante, a figura do coelho apareceu atrás da Necromante.

Eri foi incapaz de reagir a essa velocidade extrema. Ela mal conseguiu captar essa figura usando suas especificações físicas que foram reforçadas usando a técnica para criar uma apóstola.

Dessa forma, logo depois que seus olhos se arregalaram…

― aGUH!?

Eri recebeu o forte chute do coelho “Inaba” e chocou-se contra um prédio em ruínas enquanto girava no ar. Sem parar, ela atravessou o edifício e foi lançada por algumas centenas de metros a mais. Pouco antes de ser atingida pelo ataque, ela envolveu seu corpo com um poder mágico igual ao de uma apóstola e se reforçou, para que sua vida não terminasse com o ataque de agora.

— Eri! ****, Suzu, o que você está fazendo com sua melhor amiga!

— Foi por isso que eu te disse, não fique dormindo acordado assim nos subestimando!

Kouki viu que Eri estava sendo atirada para longe e levantou sua voz. E então, quando ele iria culpar Suzu, um impacto lateral direto bloqueou sua voz.

Kouki bloqueou o punho de Ryutaro usando sua espada sagrada, enquanto sons de rangido ressoavam. Os dois se entreolharam em uma postura semelhante à de uma competição de força entre espadas.

Kouki desviou o olhar de Ryutaro e olhou para a direção em que Eri foi lançada, ao mesmo tempo em que o dragão da luz desferiu sua garra e cauda contra o Lutador.

Ryutaro prestou atenção nas garras e cauda do dragão da luz enquanto não assumia nenhuma ação de evasão. Em troca, ele invocou a magias da era dos deuses que obteve.

— Venha, demônio de aço! Transformação Demoníaca do Sexto Céu1!

Logo depois disso, o corpo de Ryutaro foi tingido com um poder mágico verde claro e se transformou. Beki-beki! Com esse som, os músculos de todo seu corpo aumentaram e rasgaram sua túnica. Seu corpo alto, que originalmente tinha um metro e noventa centímetros, ultrapassava com facilidade dois metros agora, o canto de seus olhos levantados e seus caninos alongados e expostos.

A mudança radical de Ryutaro fez Kouki o olhar com espanto, durante esse tempo, a cauda do dragão de luz atacou as costas do Lutador enquanto a garra atacava seu ombro.

Porém, o ataque do dragão de luz que atingiu o alvo de forma direta não fez o aluno se molhar de sangue, gakin!, um som duro que era impossível para o corpo humano ressoou e os ataques foram bloqueados.

― Quê!? Ryutaro, o que é…

― Kuuu! Eu senti isso, ei! Mas, eu suportei, certo? Agora é minha vez! Onda Escaldante!!

― !!!

Como era de se esperar, parecia impossível ficar sem danos depois de receber o ataque direto do dragão de luz que era o avatar do Poder do Céu, mesmo assim, Ryutaro não sofreu nenhum ferimento sério, o rapaz que sorria sem medo com um olhar literalmente demoníaco, desencadeou uma enorme onda de choque de seu punho coberto por uma manopla que estava preso com a espada sagrada.

Esse ataque não consistia apenas no poder mágico que foi convertido em impacto, mas a adição da força física pura extraída do braço musculoso, que aumentara de forma a ficar duas vezes maior que o braço de um ogro, se tornou uma força tremenda que lançou Kouki para longe.

Voando para longe com a voz presa na garganta, o Herói colidiu com um prédio em ruínas do outro lado, semelhante a Eri um pouco mais cedo.

Os soldados miraram Ryutaro, que permaneceu imóvel com seu punho apontado para frente, mas foram dispersados pelas muitas katanas negras que voavam em alta velocidade. A Espadachim chegou ao lado do Lutador, que se transformou em um ogro, ela abriu a boca depois de olhar para ele.

― Parece que você pode usá-lo bem, não é? Isso exige pressão.

― Hehe, bem, também é graças a trapaça de Nagumo. Se fosse apenas por mim, não conseguiria usá-lo com tanta facilidade até agora.

Ryutaro olhou para o prédio em ruínas onde Kouki colidiu sem baixar a guarda enquanto agia de forma humilde em contraste com sua aparência.

Mágica da Metamorfose, “Transformação Demoníaca do Sexto Céu” ― usando uma pedra mágica como um meio para mudar o corpo, a característica do monstro cuja pedra mágica foi usada afetaria o corpo do usuário, essa era uma magia um pouco única para uma magia da metamorfose.

Ryutaro tinha aptidão para essa magia da era dos deuses, mas era inábil no uso da magia (como ele era um cérebro de músculos, ele não fazia nada além de dar socos e chutes), ele era incapaz de subjugar os monstros no abismo em um espaço de tempo tão curto.

Assim, Ryutaro, que pensou em várias coisas, obteve uma dica com a dragonificação de Tio e chegou a uma conclusão típica de um cérebro de músculos.

Ou seja, “Se eu não posso subjugar o monstro, não estaria tudo bem se eu me tornar o mesmo que o alvo que quero derrotar?”, foi esse o pensamento. Ryutaro, que também estava familiarizado com seu corpo porque praticava caratê desde que era pequeno, testou essa ideia sem demora.

E o resultado, a magia da metamorfose Transformação Demoníaca do Sexto Céu realmente tinha uma boa aptidão com o Lutador, talvez essa magia pudesse ser classificada como uma magia superavançada mesmo entre os feitiços da magia da metamorfose, mas ele conseguiu ter sucesso.

É claro que não havia tempo para treinar, então o tempo que ele podia ficar transformado era muito curto, seu resultado também foi imprevisível, de modo que, quando ele liberou a transformação, recebeu um feedback severo e esse tornou-se um trunfo entre os trunfos que só poderia ser usado como último recurso, mas Hajime resolveu esse problema.

Em outras palavras, trapaceando ― minerais que não tinham um efeito adverso ao corpo humano, como cálcio e similares, foram encantados com a magia da metamorfose e a magia de sublimação, eles foram transformados em pó e depois transmutados e se tornaram um alimento sólido com um efeito específico. Com esse alimento, o corpo ficava temporariamente transformado em uma condição ideal para a metamorfose, em seguida, um efeito fortalecedor que era quase como o Superar Limite também era aplicado no consumidor para que ele pudesse suportar um fardo extremo.

Essa trapaça, uma vez consumida, manteria seu efeito por meio dia, além disso, não havia efeito colateral após seu uso. Esse era um dos principais produtos criados por Hajime, todos os membros que invadiram os Recintos Sagrados já o haviam ingerido. Shizuku se tornou capaz de usar vinte katanas ao mesmo tempo, o que era impossível sem aumentar o processamento do cérebro, graças a esse artefato alimentar de uso único.

A propósito, o nome era de Calo-Mate2. Mesmo se você acreditou na história de que o significado de “mate” era “amigo”… esse era um nome horrível.

Shizuku e Ryutaro estavam conversando de forma frívola enquanto olhavam através dos soldados ao redor, e, de repente, uma telepatia os alcançou.

“Shizuku, Ryutaro-kun. Vamos dividir os dois. Deixem Eri para Suzu. Vocês dois, por favor, cuidem de Kouki-kun.”

“Suzu… você vai ficar bem, não vai?”

“Sim. Suzu vai dizer o que ela quer dizer, perguntar o que ela quer perguntar, e então, dar um soco naquela idiota e fazê-la voar.”

“Heh, isso é ótimo. Não vá morrer, tá?”

“Vocês também, tá bem?”

De longe, Suzu, que colocou Inaba em sua cabeça, mostrou o polegar levantado para seus dois colegas. E então, ela girou nos calcanhares e correu atrás do estrondo causado por Eri enquanto lidava com o ataque dos soldados-fera-cadáver ao mesmo tempo.

Logo depois disso…

DOGOOOOOOOON!!

Um som estrondoso ressoou e o prédio em ruínas diante dos olhos de Shizuku e Ryutaro entrou em colapso ― não, o prédio foi explodido por dentro. Lá, brilhando como uma estrela, a figura de Kouki seguida por um dragão de luz e incontáveis pequenos dragões apareceram.

Kouki ficou em silêncio e sem expressão. Dessa forma, sem nenhum som, ele apontou sua espada sagrada para Shizuku e Ryutaro.

― Ryutaro!

― Sim!

Como esperado, os dois eram camaradas de guerra que lutaram juntos até aquele momento. Dançando na mesma batida, eles entraram na posição para um ataque de pinça, como se já tivessem preparado isso antes. Depois disso, o uivo do Poder do Céu ressoou.

Até o efeito posterior atingiu o corpo com imenso impacto, em meio a isso, Shizuku e Ryutaro prestavam atenção aos dragões de luz que estavam voando perto deles e aos soldados circundantes enquanto se moviam em direção a seu amigo de infância, um absoluto idiota.


Suzu avançou entre os intervalos dos prédios em ruínas, seguida por pétalas de luz e borboletas de cristas negras, e também por Inaba.

Inaba, que possuía orelhas de coelho sensíveis, disse-lhe que a presença de Eri, que foi lançada para longe, já havia desaparecido do ponto em que ela caiu.

Suzu pensou por um momento se a Necromante tinha ido ajudar Kouki, mas seu instinto sussurrou para ela que a garota não a deixaria em paz e iria em sua direção.

E assim, ela se moveu pela área que estava cercada pelos prédios arruinados da cidade destruída enquanto estava em guarda, mas… os soldados também haviam desaparecido da área sem que ela notasse, na área envolvida por um silêncio sinistro, exceto pelo som de batalha de Shizuku e os outros de longe, Suzu estava com suor escorrendo pelo nervosismo do desconhecido.

― Kyuu, kyu!

― Inaba-san… obrigada. Só estou um pouco nervosa.

Inaba disse: ― Suzu-han, você está muito nervosa, ia3. Estou aqui para que você possa estufar o peito sem se preocupar, você está apostando no vencedor aqui. ― e usou a perna da frente para dar um tapinha na testa da garota. As bochechas e os ombros de Suzu relaxaram um pouco. Inaba, que estava montado na cabeça da Mestra de Barreiras, cruzou os braços como se dissesse: ― Isso é bom. ―, enquanto balançava a cabeça dizendo: ― Uh huh, uh huh.

O gesto cômico fez a bochecha de Suzu se afrouxar ainda mais.

Naquele momento, Inaba rolou verticalmente acima da cabeça da garota. E então, com um pino4, ele amassou os cabelos de Suzu enquanto girava, virando-se para trás e soltando um forte chute.

Zugan! O som de onda de choque ressoou, o que Inaba bloqueou foi uma espada cinza brilhante.

― … é sério, este coelho nojento é muito irritante.

― Eri!

Sim, quem pegou Suzu de surpresa por trás e desferiu sua espada contra ela foi a própria Eri. Quando a Mestra de Barreiras olhou por trás do ombro, seus olhos encontraram o olhar frio e desumano da Necromante que era como gelo.

A espada cortante foi bloqueada pela perna de Inaba, que estava equipada com o artefato especial de proteção criado por Hajime, sem isso, a espada estaria em um curso direto contra a cabeça de Suzu. Olhando pela força da armadura de perna e da espada que estavam em um embate feroz entre si, Eri estava obviamente tentando matar Suzu com seu ataque surpresa.

Inaba torceu ainda mais seu corpo. Ele girou como se dançasse na cabeça de Suzu e disparou uma onda de choque com o pé oposto. Habilidade derivada da magia característica “Passo do Céu”, “Espiral Retalhadora” ― uma habilidade que lançava ondas de choque a partir dos chutes.

Eri bateu as asas cinzas em suas costas e deu um salto mortal no ar enquanto evitava aquela onda de choque.

― Ouvi dizer que evoluir monstros usando a magia da metamorfose levaria um bom tempoooo. Esse monstro, não é um pouco anormal?

Eri perguntou de mau humor enquanto examinava com seus olhos.

― Bem, é porque Inaba-san é especial em vários aspectos. A maior parte disso é de sua habilidade base.

― O que há com essa coisa, que trapaceiro, huuuum. Mas, esse coelho não acompanhará a violência dos números, certoooo? Como esperado, não acho que Suzu esteja empregando tantos monstros desse níííível! Blindagem Maléfica!

Eri materializou uma esfera escura na frente dos olhos de Inaba. Usando isso, o movimento do coelho, que tentou se mover na mesma hora, foi obstruído por um momento.

Usando esse intervalo, a Necromante lançou um bombardeio cinza. Foi um bombardeamento brutal que estava encantado com a capacidade de desintegração. Além disso, os soldados-fera-cadáver que espreitavam nos prédios arruinados saltaram de uma só vez para bloquear o caminho de fuga.

― Todos, por favor! Interrupção Sagrada — Mundo!

Com o comando de Suzu, seus monstros subordinados saltaram das bolas mágicas penduradas em sua cintura. Duas centopeias com comprimento corporal de dez metros, dez abelhas de um metro de altura com padrão listrado de preto e vermelho, quatro louva-a-deus onde cada um tinha seis foices, uma aranha com oito olhos pretos avermelhados e quatro metros de comprimento corporal. Este era o vangloriado (?) esquadrão de insetos de Suzu!

Enquanto se defendia contra o clarão cinza que se aproximava, com cinquenta Interrupções Sagradas sobrepostas e reabastecendo a camada desintegrada ao mesmo tempo, Suzu ainda usou seu outro leque de ferro para controlar as pétalas de luz da Interrupção Sagrada ― Sakura para apoiar seus monstros subordinados.

O soldado que ostentava uma lança em brasa foi recebido pela barragem de mísseis da abelha. Dez abelhas disparavam rapidamente e ao mesmo tempo, com uma taxa de disparo de cinco tiros por segundo, logo após o impacto da flor.

Os soldados atirados para longe foram eliminados pela teia de fio de aço estendida no vale dos prédios em ruínas pela aranha-de-fios-de-aço colada na parede do edifício. Os corpos deles foram cortados em pedaços.

Além disso, os soldados que escaparam da enxurrada de mísseis de agulha e se aproximaram foram recebidos pela lâmina de vento dos louva-a-deus, lâminas de vento que foram desferidas de suas seis foices fizeram picadinho dos soldados.

Os soldados com magia característica defensiva estavam se protegendo usando um escudo grande enquanto avançavam, da sombra deles, usuários de espada grande com a habilidade Onda de Choque Mágica saltaram e desferiram suas espadas contra as centopeias que cuspiam ácido e protegiam as costas de Suzu.

Ao mesmo tempo em que as ondas negras avermelhadas se espalharam, violentas ondas de choque surgiram. As centopeias-ácidas atingidas por aquelas grandes espadas foram fatiadas.

Os soldados que usavam espadas grandes e o impacto gerado costuraram através da abertura das centopeias cortadas e se aproximaram de Suzu. Mas, naquele momento, de todas as direções ― para ser mais preciso, dos fragmentos das centopeias que se espalharam ao redor, líquido dissolvente foi pulverizado como ondas que surgiam de suas partes cortadas.

O ataque surpresa impecável banhou todos os corpos dos soldados com líquido dissolvente e os molhou como se tivessem encontrado uma tempestade, fumaça branca subia de seus corpos e, em um piscar de olhos, eles mudaram de humanos para modelos ósseos, mudando de classe para esqueletos e, por fim, se dissolveram por completo sem deixar nem poeira para trás.

As centopeias-ácidas que se dividiram em dez segmentos não atingiram seus companheiros monstros subordinados e sua mestra Suzu, eles executaram a pulverização de seu líquido dissolvente como uma arma.

Reforços jorraram ainda mais das sombras dos prédios em ruínas. Contudo, no momento em que os soldados pularam, o chão e a parede ondularam e, a partir daí, formigas que cresceram até um metro de comprimento com suas mandíbulas rangendo esmagaram os soldados e os puxaram de volta para o chão ou a parede.

Bombardeios de mísseis explosivos e lâminas de vento terrivelmente afiadas, uma chuva pesada de líquidos dissolventes que seguiam com precisão seu caminho pelas brechas e choviam sobre os inimigos, teias de aranha feitas de fios mortais que aos poucos apertavam seu cerco, enxames de formigas que emboscavam do subsolo no momento em que alguém se aproximava.

Os soldados-fera-cadáver que deveriam ter sido transformados em super-humanos com a combinação de habilidade e técnica humana, somados à resistência de monstros e magias características, foram mortos um após o outro como se não fossem nada demais.

― Espere, isso é uma piada, certo!? O que há com esses monstros!? Até Freed só tem alguns monstros que evoluíram até chegar tão longe!

Eri gritou irritada. Seu bombardeio cinza também foi incapaz de romper a proteção de Suzu, apesar de ela ter obtido imenso poder! Sua irritação ficou mais violenta.

E então, enquanto mantinha seu ataque, ela tentou enviar penas cinzas para os monstros subordinados de Suzu e a magia das trevas Lapso Mental em direção a Suzu.

Então…

― Kyuu!

— !?

O coelho branco se materializou. Seus olhos vermelhos se estreitaram de forma ameaçadora, como se dissesse: ― Agora você realmente conseguiu, siiiim! Eu vou te espancar todaaaa! ― A velocidade extrema deixou para trás as imagens persistentes de Inaba, ao mesmo tempo em que a perna poderosa disparava em direção a Necromante.

Embora Eri tenha se defendido na mesma hora usando suas asas cinzas, ela foi incapaz de suportar o poder destrutivo e feroz e foi lançada para longe.

― KYUUuUUUU!!

― Você, um mero animal, está se empolgando demais!

Inaba a perseguiu. Suas orelhas de coelho batiam, ele chutou o ar, chutes polidos que eram como ondas crescentes foram desferidos à direita e à esquerda. Alto, médio, baixo, chutes de três estágios de alta velocidade foram lançados como um clarão, antes que todos pudessem ser processados pela mente, Inaba girou horizontalmente e uma série de chutes cheia de muita força centrífuga explodiu.

PAN! Junto a esse som seco, a parede de ar e as ondas de choque foram geradas com a perna de Inaba como centro. O efeito não foi devido à habilidade mágica, mas sim pura velocidade de chute que rompia a barreira do som.

Eri mal se defendeu daquela tempestade de chutes usando a habilidade de espada e suas especificações de apóstola. Sim, Eri mal estava se esquivando do golpe direto usando sua magnífica habilidade com espada. À frente do olhar de Suzu, que expôs seu choque com a cena, o poder mágico de desintegração irrompeu do corpo inteiro de Eri.

Incapaz de aguentar, Inaba chutou o ar enquanto voltava para o lado de sua mestra.

― O que é isto? Por que estou sendo pressionada? Meu corpo foi transformado no de uma apóstola, também obtive habilidades, também preparei soldados, fiz com que o supremo espadachim do reino me possuísse, apesar disso, por quê? Ei, por que eu tenho que ser encurralada como uma perdedora? Meu oponente não é esse monstro, é? Apesar disso, por quê? Ei, por quê? Por quê? Por quê!?

Apesar de suportar o ataque de Inaba com segurança, a expressão de Eri se transformou em algo feio e ela falou várias vezes “Por quê?” em histeria, enquanto sua mão coçava o cabelo com tanta força que poderia arrancá-lo. Essa figura tinha uma loucura que era um pouco densa demais para ser descartada como apenas uma criança que estava fazendo birra porque a realidade não era como ela esperava.

Em direção a Eri que estava gritando: ― Por quê? ― sem parar em sua loucura, Suzu voltou seus olhos e a voz que eram calmos como a superfície da água.

— Isso é óbvio. É porque Suzu quer falar com Eri.

— Hã?

As palavras da Mestra de Barreiras fizeram a Necromante parar de falar e ela soltou uma voz estupefata. Sua expressão estava confusa por não entender o que Suzu queria dizer.

— É porque Eri pensou que Suzu não valia a pena para se levar a sério. Suzu deu duro nos treinamentos para vir aqui. A fim de tornar Eri incapaz de ignorar Suzu. Bem, houve a ajuda de Nagumo-kun, então isso acabou parecendo patético.

— … eee. Então? Você quer gritar comigo? Dessa vez você vai me fazer rastejar e depois zombar enquanto me xinga? Nossa Suzu, você ficou tão desesperada por esse tipo de coisa? Você ficou muito distorcida, não ficoooou? Está tudo bem, sabiaaaa? Que tal tentar me xingar como você gostariaaaa? Eu vou te ouvir, táááá?

Eri adivinhou o que estava dentro do coração de Suzu e zombou dela. Parecia que ela recuperou a compostura ao sentir que tinha visto o fundo do coração da Mestra de Barreiras, que a garota apenas agiu de forma miserável em busca de uma vingança.

Mas, a expressão de Suzu nem se contorceu com essas palavras. Ela continuou olhando diretamente para a Necromante e falou com calma:

— Xingar? Zombar? Sem chances. Não há como eu fazer esse tipo de coisa. Porque… Suzu também estava usando Eri da mesma forma que você estava me usando.

— … o que isso significa?

Eri examinou Suzu com um olho e inclinou a cabeça. Parecia que ela tinha interesse na história da Mestra de Barreiras. Até os soldados estavam apenas cercando a garota sem nenhum indício de atacar.

— Assim como Eri disse, Suzu ria de forma tola e agia como idiota, totalmente superficial, no entanto, Suzu não é odiada por ninguém… Suzu viveu assim até agora. Porque Suzu odiava ficar sozinha. Porque estar sozinha é insuportável. Porque Suzu quer ser sempre incluída dentro do círculo das pessoas.

— Bem, Suzu é assim, não éééé?

— Sim. Como Suzu era assim, a existência de “melhor amiga” era necessária. Suzu estava grata. Porque, uma criança que não era odiada por ninguém, se você mudar sua maneira de ver isso, essa criança é apenas a amiga de todos. Algo como ser igual e justo com todos é uma verdadeira heresia. Por isso, uma existência para Suzu favorecer era necessária. Assim, Suzu poderia informar aos arredores, que Suzu não era esse tipo de heresia, que Suzu era uma criança normal que tinha uma amiga especial com um bom relacionamento.

— Fuuun. Então? Você está dizendo que essa era eu?

— Sim. Embora, é claro, Suzu não estivesse sendo a melhor amiga de Eri sendo totalmente consciente desse pensamento. Agora, quando Suzu olha para trás, Suzu percebe como agiu dessa forma. Naquela época, quando tudo se complicou em Orcus, Shizuku e Kaori tentaram ficar juntas no final, não tentaram? Naquele momento, Suzu estava convencida. Aa, Suzu e Eri não são assim, hum. Suzu fingiu de forma desesperada não perceber isso na época.

— … e daí? O que você quer dizer om isso?

As palavras de Suzu, que pareciam uma conversa interna, fizeram Eri perguntar com uma voz que parecia um pouco irritada. Diante disso, a Mestra de Barreiras olhou para a Necromante e depois baixou a cabeça em silêncio.

— … quê?

— Desculpe Eri. Eri disse que Suzu era uma ferramenta conveniente, mas Suzu nem tinha qualificação para ficar chocada com isso. Suzu é igual a Eri. Porque Suzu tratou Eri como uma ferramenta conveniente.

— … veja beeeem. Você quer dizer que percorreu todo esse caminho para dizer essa ****** de coisa trivial? Você pensou que eu estava me preocupando com esse tipo de coisa? Se isso é verdade, não posso deixar de dizer que sua cabeça foi roída por insetos. Depois de obter Kouki-kun, alguém como Suzu é apenas uma coisa inútil como uma pedra na beira da estrada para mim, entendeuuuu?

Os olhos de Eri se distorceram, como se dissessem do fundo do coração que ela tinha acabado de ouvir algo estúpido, no entanto, Suzu respondeu enquanto sorria:

— Sim, eu sei. Isto é apenas para a autossatisfação de Suzu. Suzu só queria pedir desculpas para se sentir revigorada.

— Você se tornou realmente descarada, não éééé? Isso é tudo que você quer falar?

— Não. Ainda há algo que Suzu quer perguntar. Ei, Eri. Por que Eri se apaixonou por Kouki-kun?

— Hã?

Havia um limite até mesmo para ser inadequado, Eri, que foi convidada para uma conversa de garotas, levantou uma voz confusa. Sem se importar com a Necromante assim, Suzu continuou sua pergunta.

— Desde o passado, Suzu de alguma forma sentiu simpatia por Eri, como esperado, Eri teve problemas em casa? Eri costumava brincar na casa de Suzu, mas nem uma vez Suzu pôde visitar a casa de Eri. Então Suzu se perguntou se Eri sentia dificuldade em ficar em sua própria casa. Você também, de forma indiferente, evitava falar sobre seu pai e sua mãe, não evitava? Sua relação com seus pais é ruim? Por acaso, você conseguiu ajuda de Kouki-kun quando estava preocupada com isso?

Foi uma tempestade de perguntas que surgiram como ondas, como se a Mestra de Barreiras estivesse dançando sapateado em um campo minado. Suzu estava entrando descaradamente com sapatos enlameados na infância de Eri, o que poderia ser considerado a escuridão de seu coração. Além disso, sua pergunta estava correta, por isso era ainda mais desagradável.

Do ponto de vista da Necromante, que lembrou de seu passado agora, parecia que a Mestra de Barreiras sabia disso, mas ela ainda se atreveu a desenterrar a dolorosa lembrança da colega.

E assim, a resposta de Eri foi um bombardeio sem palavras. Clarões cinzas atacaram Suzu de uma curta distância sem piedade. Para isso, a garota se defendeu de frente com a Interrupção Sagrada — Mundo enquanto sorria de forma doce. Os soldados também se moveram mais uma vez, depois que os monstros subordinados também reagiram com perfeição.

— Ei, vamos lá, explique para Suzu, por favor, Eri. Suzu quer saber sobre Eri. Todas as partes em que Suzu não se atreveu a intervir, mesmo quando te chamava de melhor amiga, agora, Suzu quer saber.

— Parece que sua personalidade se tornou muito perversa, não éééé, Suzuuuu? Você ficou corrompida com o choque da minha traiçãããão?

— Não fuja da pergunta. Vamos lá, diga a Suzu? Sobre Eri. O que aconteceu? Por que você ficou corrompida? Que tipo de sentimento você está buscando em Kouki-kun? Por favor, explique para Suzu.

— Aa, céus, você é mesmo irritanteeee!

Suzu, que continuamente colocava barreiras uma após a outra na mesma velocidade com a qual elas se desintegravam, estava perfurando Eri com seu olhar direto entre as aberturas das barreiras e clarões. Não havia nenhum desprezo ou desdém naqueles olhos, apenas a sinceridade de querer saber sobre a Necromante residia ali.

Tendo esse olhar direcionado para ela, Eri ficou ainda mais irritada. Seu coração estava desordenado em um nível que excedia em muito sua própria expectativa. Ela usou magia com essa irritação que repousava em seu coração.

— Iníquo5!

Magia da Escuridão, “Iníquo” — uma mágica que bloqueava a suplementação de imagem do alvo para usar magia.

Suzu estava mantendo a velocidade de implantação de barreiras no nível que se opunha à capacidade de desintegração porque havia uma abreviação em sua invocação mágica usando a suplementação da imagem. Consequentemente, se a Mestra de Barreiras recebesse interferência nesse ponto, de forma natural, a velocidade de criação de suas barreiras cairia — era isso o que deveria acontecer.

— Por quê!?

A voz chocada de Eri ressoou. À frente de seu olhar arregalado, Suzu continuava a colocar suas barreiras sem nenhuma alteração. Sua velocidade era igual a de antes.

— … você está interferindo na suplementação da imagem, não está? Graças a isso, agora Suzu não tem mais uma folga.

— Não me diga que… você está dizendo que estava pegando leve na implantação de barreiras até agoraaaa!?

— Sim. Afinal, Suzu é uma mestra de barreiras. Em proteção, Suzu não vai perder para ninguém. Bem, mesmo que Suzu tenha dito isso, também há a ajuda do artefato de Nagumo-kun, se isso fosse um bombardeio de uma apóstola real, Suzu não seria capaz de dizer isso.

Suzu piscou e olhou para Eri enquanto sussurra: — Suzu não poderia bloquear o bombardeio de Kaorin.

— O corpo de Eri. Parece mesmo que você é capaz de usar o poder das apóstolas, mas você é incapaz de fazê-lo com perfeição como Kaori, não é? Vinte por cento… não, parece que as especificações caíram trinta por cento. Você também não pode usar o traço de experiência entre as apóstolas, pode? A habilidade com a espada antes disso, Suzu acha que você conseguiu com Meld-san usando necromancia, não foi? Se estamos falando do pináculo da arte de espada dos cavaleiros, Suzu não consegue pensar em mais ninguém além dessa pessoa.

— … não se empolgue demais!

Depois de ter sido analisada através de várias coisas, uma após a outra, Eri estava sentindo como se estivessem vendo através dela pela forma como todas essas análises estavam corretas. Eri soltou um grito de raiva. A cor do desprezo e da compostura que enchia sua expressão no início já havia desaparecido, havia apenas a demonstração da falta de compostura que apenas desejava apagar, mesmo que um segundo mais rápido, o oponente que ela não conseguia suportar.

— Eri, Suzu não desviará mais os olhos. Porque Suzu não quer esquecer o que é importante e perder tudo de novo de forma impotente. Suzu não quer mais continuar sendo ignorante. Por isso, por favor. Conte a Suzu sobre Eri.

— Você continua dizendo “me explique”, “me conte”, irritante! O que você vai fazer depois de saber isso depois de tanto tempoooo!? Você quer entender minha fraqueza e depois me atacar mentalmenteeee!?

Eri disparou um grande número de penas de suas asas cinzas. O bombardeio circulou e lançou um ataque de todas as direções em um plano para quebrar o equilíbrio da adversária. Os soldados foram impedidos de se aproximarem da formação da muralha de ferro que o monstro subordinado de Suzu formou, e Eri teve que fazer algo sozinha. Ela estava lamentando ter se separado de Kouki, que se destacava em poder ofensivo.

Mas, como esperado, o plano da Necromante foi esmagado por sua colega. Do outro lado da barreira, Suzu agitava de forma elegante seus leques de ferro. Então, zaaaaaaa!, esse som veio das pétalas circundantes de luz que se reuniram, desenhando uma espiral ao redor da Mestra de Barreiras.

E então, a espiral engoliu todas as penas disparadas onde as duas mágicas se neutralizaram. As pétalas foram apagadas, contudo, elas foram na mesma hora reabastecidas e não mostraram nenhum sinal de diminuição.

Suzu enviou suas palavras para Eri como se nada tivesse acontecido.

— Você está errada. Veja bem, Suzu quer saber sobre Eri. Suzu saberá, olhará corretamente, sentirá, pensará… … … dessa forma, Suzu quer se tornar amiga de Eri, mais uma vez.

— … o que você está dizendo?

O bombardeio de Eri enfraqueceu de modo inconsciente. As penas cinzas também voaram em direções erradas. Isso mostrava o quanto as palavras de Suzu eram incompreensíveis e sem senso comum para a Necromante.

Isso era natural. Depois de como ela os traiu de forma sórdida, matando muitas pessoas, e além disso, ela estava tentando matá-los agora. Se alguém estava dizendo que “queria ser amiga” dessa pessoa, ela só conseguia pensar que havia algo errado com a cabeça da outra. Se esse era o ataque mental do estilo Suzu, então, em certo sentido, poderia se dizer que foi eficaz. Embora fosse eficaz apenas no sentido de pegá-la de surpresa.

Suzu continuou suas palavras para Eri. Sua voz era poderosa, seus olhos eram infinitamente claros.

— Isso é estranho, eu me pergunto? Sim, isso é estranho, não é? Afinal, Eri fez coisas ruins. Mesmo agora você está tentando matar Suzu.

— … hmmm, então é como pensei, você enlouqueceu?

— Não, Suzu está sã. Até a própria Suzu está pensando que é estranho, hmmm, mas esse é o verdadeiro sentimento de Suzu, sem nenhuma falsidade. Porque, Suzu se lembra.

— Se lembra?

— Sim. Do sorriso de Eri.

Ao ouvir essas palavras, a expressão da Necromante ficou ainda mais confusa.

— Eri sempre foi uma criança que sorria de forma reservada e um pouco afastada, mas agora Suzu entende que esse era um sorriso falso. Mas, mas sabe. Como no momento em que Eri veio para a festa do pijama na casa de Suzu, ou o momento em que nós duas conversamos no caminho de casa depois da escola, ou quando nós relaxamos no parque próximo, quando não havia nada para fazer nas férias, seu sorriso lânguido que você mostrou de repente naquele momento, ou seu sorriso que parecia um pouco cínico, ou seu sorriso para Suzu que parecia exasperado, mas também parecia um pouco divertido, Suzu lembrou-se deles.

— …

— Com certeza, esses eram rostos sorridentes que a “Eri que está atuando” não deveria mostrar, não é? Esses sorrisos eram fragmentos da verdadeira Eri que não podiam ser mostrados a outras pessoas, não é mesmo? Eri descansou seu coração apenas por um momento, só quando Suzu estava com Eri, não é? Sabe, isso é o que Suzu pensa.

A Necromante estava sem palavras. Seus olhos não podiam ser vistos porque estavam escondidos pelos cabelos. A sombra criada pela luz também estava escondendo a expressão da garota.

As palavras de Suzu ecoaram. A amiga que temia ser odiada e não daria um passo à frente tinha ido embora. Mesmo que ela tivesse que correr o risco do que queria escorregando de sua mão, ela ainda daria um passo à frente. Porque ela aprendeu que, diante do risco constante, estava exatamente o que ela queria.

— Eri, volte. Junta de Kouki-kun. Algo como um mundo com apenas duas pessoas é apenas triste. Suzu, quer ficar junta com Eri. É melhor ficarmos juntas para sempre, mesmo depois disso. Suzu quer se tornar a melhor amiga de Eri, desta vez com certeza.

— …

Suzu fechou um de seus leques de ferro com um estalo e o pendurou em sua cintura. Quando ela percebeu, o ataque das penas havia parado. Não havia mais necessidade de controlar as pétalas de luz. E então, dessa forma, sua mão vazia se estendeu na direção de Eri.

— Se você pegar essa mão, Suzu não permitirá que ninguém machuque Eri. Não importa o que ninguém diga, mesmo que Suzu tenha que se opor a Nagumo-kun, Suzu jura que protegerá Eri!

O bombardeio cinza foi aos poucos perdendo força. Em pouco tempo, ele diminuiu até se tornar uma linha fina e assim derreteu no ar e desapareceu.

Suzu também apagou sua barreira. Ao seu redor, seus monstros aguardavam em silêncio. Os soldados também pararam de se mover.

Suas palavras a alcançaram. Talvez até seu coração… Suzu pensou isso e seus lábios se expandiram um pouco.

À frente do olhar de Suzu, Eri levantou o rosto em silêncio. O que se refletia naqueles olhos era a cor da paixão e da felicidade — não, era a frieza que era como gelo cheio de desprezo infinito.

E então, suas palavras surgiram:

— Você é idiota?

― !!!

As bochechas relaxadas de Suzu se enrijeceram no mesmo instante. Logo depois disso, um enorme círculo mágico cinza se manifestou no céu.

O ataque de penas de Eri não tinha a intenção apenas de contornar a barreira de Suzu e a atacar. Em meio à confusão, em segredo, a Necromante deslizou suas penas em direção ao céu. Ela ganhou tempo acompanhando a palestra de Suzu e criou um enorme círculo mágico no alto com suas penas cinzas.

Aquele círculo mágico estava brilhando com luz acinzentada, enquanto jorrava um miasma preto enlameado. Aquela forma era a mesma da rachadura do espaço que apareceu acima da Montanha de Deus.

O déjà vu que Suzu abrigou em sua mente foi comprovado como correto sem demora. Como esperado, de forma semelhante à rachadura no espaço, muitos monstros apareceram desse ponto. O que Eri criou parecia ser um círculo mágico de invocação.

― Seu absurdo já foi suficiente, não concorda? Bem quando pensei sobre o que você ia falar… Suzu expôs sua estupidez de forma clara aqui, não foi? Obrigada por me deixar ganhar tanto tempoooo. Muito beeeem, você poderia por favor morrer engolida por essas ondas de monstro?

— …

Desta vez, foi Suzu quem ficou em silêncio. Do céu, monstros que podiam voar ou combater no ar apareceram de forma contínua. O número dos soldados-fera-cadáver sobreviventes também estava em torno de setenta.

Em contraste, entre os monstros subordinados de Suzu havia três abelhas-mísseis e um louva-a-deus com suas lâminas de vento, embora não estivessem mortos, eles estavam com graves feridas que os impediam de continuar lutando. Embora fossem apenas alguns, ainda havia uma diminuição na força de combate de Suzu.

Por mais forte que Inaba fosse, diante da violência dos números, seria apenas uma questão de tempo até que ele fosse dominado.

E então, ao longe, o som de uma batalha feroz ainda era retumbante, a possibilidade de Shizuku e Ryutaro virem como reforço da Mestra de Barreiras era muito baixa.

E assim, a expressão da Necromante se distorceu em êxtase. Na verdade, a força de Suzu a fez suar frio, mas quando a chance surgiu, a Mestra de Barreiras perdeu seu tempo de forma inútil para convencer Eri e agora a situação foi revertida, essa era mesmo uma piada divertida. ― Sério, que garota estúpida. ―, Eri sussurrou mais uma vez.

― Eu sou sua me-lhor a-mi-ga sim, mesmo depois de tudo? Então, pelo menos, vou ouvir o seu último desejo, entendeu?

Um grande número de monstros cobriu o céu, em meio à escuridão que caía no campo de batalha como uma nuvem negra, Eri ergueu a espada e disse isso. Provavelmente, quando a espada fosse abaixada, um ataque total começaria.

Por outro lado, Suzu, que percebeu que suas palavras não alcançaram o coração da amiga e agora estava em uma situação desesperadora, disse:

― Eri. Você menosprezou demais Suzu. Inaba-san! Por favor, cuide do círculo mágico!

― Kyukyuu!

Tirando o leque de ferro que ela colocou na cintura antes, como se dissesse que tinha encontrado sua resolução, Suzu olhou de volta para Eri com olhos cheios de determinação, sem nenhum desconforto ou agitação.

Esse olhar forte fez a Necromante dar um passo para trás de modo inconsciente. Quando ela percebeu o que fez, a garota rangeu os dentes. E então, sentindo-se farta de toda a conversa inútil, ela abaixou sua espada que era igual à foice do deus da morte.

Naquele momento, os monstros no céu e os soldados atacaram de uma só vez.

Contudo, os soldados foram em direção aos monstros.

― O que, o que está…!? Mesmo que meu comando tenha os alcançado de forma correta!?

Olhando para o fogo amigo repentino que começou entre os soldados e monstros, Eri gritou com raiva em um tom confuso. O comando de Eri estava alcançando os soldados sem qualquer obstrução. Apesar disso, eles confundiram seu alvo e agrediram os monstros.

Quem trouxe a resposta para a confusa Necromante foi a própria Suzu.

― A borboleta negra de Suzu… por que você acha que Suzu estava deixando elas voarem por aí?

― Nã-não me diga…

― Descobriu? Sabe, essas crianças, elas podem espalhar escamas com várias características. Parece que os soldados foram banhados com o suficiente. No momento, eles devem estar olhando para os monstros pensando que eles são Suzu e seus monstros subordinados.

Eri sentiu vontade de estalar sua língua. Parecia que Suzu estava completamente preparada.

Além disso, naquele momento, um som estridente ecoou como se para confirmar de que tudo estava dando errado para a Necromante. Olhando para o céu, uma parte do círculo de invocação foi soprado para longe. Naquele local, Inaba estava em uma posição de chute. Ele deslizou pelo espaço entre os monstros cobrindo por completo o céu em alta velocidade e destruiu o círculo mágico.

Os soldados, originalmente combatentes e cavaleiros do reino que eram especialistas em batalhas contra monstros, com suas especificações aumentadas, agora matavam os alvos invocados um após o outro.

Assim, de forma natural, os monstros subordinados de Suzu, junto aos feridos, foram curados pelos soldados com capacidade de cura porque estavam sendo considerados aliados. Depois que eles retornaram à frente de batalha, os monstros no céu foram reduzidos ao lado dos caçados.

Eri rangeu os dentes enquanto fazia os monstros priorizarem as borboletas de crista negra. Os monstros leais dirigiram-se para as borboletas tremulando no campo de batalha e dispararam todos de uma vez.

Nesse momento…

DOOOOON!! DOOOOON!! DOOOOON!!

Flores de explosão desabrocharam uma após a outra no céu da cidade em ruínas. No momento em que as borboletas foram tocadas, elas explodiram.

A voz de Suzu ressoou para a estupefata Eri.

— Você achou que Suzu poderia mesmo dominar um total de cem monstros borboletas? Mesmo que apenas três dias tenham passado?

— … você está dizendo que também há falsificações ali?

— Sim. Mais da metade é formada pelo golem-borboleta feito à mão por Nagumo-kun. Ao invés de escamas, eles carregam uma grande quantidade de pólvora, sabia? Embora seja apenas uma minicaixa do tesouro, parece que pólvora que não pode ser comparada à dinamite está colocada lá dentro. Que assustador, não é?

Eri apertou os olhos. Quando ela olhou, não notou antes, mas havia borboletas de crista negra penduradas na cabeça ou nas costas de todos os soldados. Qualquer um entenderia qual era o significado disso. Enquanto os soldados exterminavam os monstros e diminuíam seus números, ao mesmo tempo, a contagem regressiva para a morte deles era feita.

— … isto é um xeque-mate? Neste tipo de lugar? Ahahah, que estranhoooo. Para Suzu ser a pessoa que está destruindo meu plano. Mesmo que você pudesse apenas rastejar pelo chão como antes sem se levantar. Isto aconteceu, por causa daquele monstro, eu me perguntoooo.

— Suzu não acha que pode dizer que Nagumo-kun não tem participação nisso. Mas Suzu estando aqui é inconfundivelmente por vontade própria de Suzu. Porque Suzu pensou que, se Suzu deixasse isso de lado, Eri seria morta por Nagumo-kun.

— O quê? Você está planejando dizer que me salvou, é isso?

— Sim. Suzu veio para salvar Eri. Porque Suzu quer recomeçar com Eri mais uma vez.

— … já chega disso.

Eri ficou quieta mais uma vez. Mas, diferente de antes, foi apenas por um momento. Logo depois disso, ela invocou a magia das trevas Lapso Mental em Suzu enquanto, ao mesmo tempo, pulava contra a garota. Em linha reta, com os olhos carregados com intenção assassina.

Como se quisesse dizer que Suzu tinha que matá-la ou seria morta por ela, não havia mais nada a ser feito senão escolher entre essas duas opções. Como se fosse impedir todas as palavras da Mestra de Barreiras que ela via como um completo absurdo. Como se para declarar que era impossível para ela pegar a mão da amiga depois de tudo isso.

— AaAAAAAAAAAAAAA!! SÓ MORRAAAAAAAAAAAAA!!

Em direção a Eri, que executou um ataque suicida enquanto gritava, Suzu mordeu os lábios com força. Seus sentimentos não foram transmitidos a Necromante. Eles não puderam ser transmitidos. Frustração. Agonia. Sua mão estendida… não foi alcançada.

— Por que, isso acabou assim… com certeza, Suzu não deveria dizer essas palavras, não é?

Suzu, que parecia estar rindo e chorando, mordeu o lábio e sangue escorreu, então ela balançou seu leque.

Naquele momento, barreiras foram implantadas envolvendo a Necromante que disparava. De forma natural, Eri usou sua capacidade de desintegração e cortou a barreira na mesma hora, mas ela foi forçada a parar por um momento. Essa foi uma abertura fatal que foi criada à força por Suzu.

No momento em que Eri destruiu a barreira, as pétalas de luz que eram controladas pelo outro leque de ferro dispararam para a Necromante e a envolveram. Eri tentou afastá-las usando suas asas cinzentas, seu bombardeio e também sua espada, mas as pétalas de luz eram como folhas flutuando pelo vento, ou como a água do rio que corre sem pressa, elas nadavam no ar e evitavam os ataques.

E então, logo depois disso…

— Tudo na luz… Interrupção Sagrada — Flor de Luz Cadente.

Luz explodiu.

Todas as pétalas de luz explodiram em uma reação em cadeia. Uma técnica combinada da Interrupção Sagrada ― Sakura e Interrupção Sagrada ― Explosão. Cercada por uma tempestade de flores sem nenhum lugar para escapar, os impactos foram disparados por dentro, sem nenhum ponto sendo poupado.

Com uma sincronia que combinava com isso, outros sons estrondosos soaram consecutivamente no campo de batalha. Junto com esses sons explosivos, várias grandes flores de chamas e impactos surgiram no céu da cidade em ruínas. Os soldados-fera-cadáver que terminaram de derrotar os monstros foram engolidos pela autoexplosão dos golems disfarçados de borboletas de crista negra presos em seus corpos e morreram.

Suzu foi banhada pela luz laranja das várias chamas explosivas. Em sua cabeça, o fofo Inaba caiu. As fofas pernas da frente do coelho deram um tapinha na cabeça de Suzu, como se para consolá-la.

Do interior da chama de luz, um som do ecoou e uma silhueta caiu. A fumaça branca subia do corpo inteiro de Eri e ela caiu no chão. Seus quatro membros estavam torcidos em uma direção estranha, suas asas cinzas já estavam rasgadas. Ondas de choque mágicas também explodiram naquele momento, portanto, seu poder mágico também já devia ter sido drenado.

Suzu rapidamente balançou seu leque de ferro.

— Halo de Luz.

Assim, halos de luz se ligaram em uma rede que se materializou no ponto de queda de Eri. A Necromante foi pega por isso e caiu no chão.

A Mestra de Barreiras, acompanhada por Inaba, pousou ao lado da garota.

— Kahah, gohoh… … … só, me mate.

Parecia que ela mal mantinha sua consciência. Eri nem moveu seus olhos vazios para Suzu, ela estava olhando para longe e exigiu o golpe final.

— Eri…

— Ami-ga? Impos-sível… morrer, é… melhor…

— …

Não havia desdém ou desprezo. Eri falou como se não estivesse olhando para Suzu e a menina mordeu o lábio com força.

— Tudo, é apenas, o pior possível… eu, só…

― Eri? Só… o quê? Diga a Suzu.

— …

As palavras que pararam no meio do caminho poderiam ser palavras que vazaram de modo inconsciente até para a Necromante. Mesmo com Suzu perguntando, ela não mostrou mais nenhum sinal de abrir a boca. Era óbvio que o corpo de Eri estava em um estado em que a vida estava a deixando. Embora seu corpo tenha sido aprimorado com a técnica da criação de apóstolas, o poder do trunfo de Suzu, a Interrupção Sagrada — Flor de Luz Cadente, não era algo feito sem esforço. Sem nenhum tratamento, ela só encontraria seu fim.

Suzu pegou um recipiente em forma de tubo de ensaio em sua Caixa do Tesouro II. O conteúdo era uma poção de cura. Era algo que teve seu efeito aumentado de forma drástica pela magia da metamorfose de Hajime, por isso ela tinha dez vezes o efeito do remédio de cura de mais alto nível. O item não poderia ser como a água sagrada que recuperava por completo a saúde, mas era capaz de manter alguém vivo, mesmo que em estado de quase morte.

Porém, Eri, que viu Suzu tirando isso e adivinhou o que ela faria, perfurou a Mestra de Barreiras com um olhar severo que era impensável vindo de alguém que estava prestes a morrer. Não houve palavras. Mas aqueles olhos falaram de forma mais eloquente do que qualquer coisa. Ela recusaria qualquer piedade de Suzu, mesmo que estivesse à beira da morte.

Suzu apertou o remédio de cura com força, se perguntando com os dentes cerrados se essa seria a conclusão das duas. Isso era algo pelo qual ela já estava um pouco resignada. Mesmo assim, como esperado, seu coração se apertou com força.

Mas, ela não podia ser irresoluta. Ela não conseguiu alcançar o coração de Eri. Ela não conseguiu a alcançar. Ela não podia deixá-la viver assim sem convicção. O caminho para deixar Eri viver e trazê-la de volta não era por pura força, isso tinha que ser feito ao conectar seu coração e puxar sua mão. Se Suzu agisse de forma irresoluta agora, a tragédia daquele dia seria repetida mais uma vez no futuro.

Essa era a única coisa que ela não deveria fazer. Um desejo que cegamente acreditava em um futuro conveniente e desviava os olhos da realidade, a que tipo de futuro tal ação estaria conectada era algo que Suzu entendia muito bem até a profundidade de seu ser.

Portanto, pelo menos não pela mão de outra pessoa, isso devia ser feito pela mão dela.

Essa foi a decisão de Suzu.

Porque, embora ela estivesse distorcida e imperfeita, Eri já foi sua melhor amiga. E então, mesmo agora, ela pôde desejar ser melhor amiga dela mais uma vez. Foi por isso que…

Suzu guardou de volta o remédio de cura. E assim, em resposta, sua mão agarrou o leque de ferro com força.

Os olhares de Suzu e Eri se cruzaram.

Porém, naquele momento, de modo súbito, imenso poder mágico explodiu de um lugar que estava separado delas por vários prédios arruinados. Em pouco tempo, o puro poder mágico branco que esfaqueou o céu se transformou em uma forma humana de dez metros de altura, o braço daquele gigante foi desferido para baixo.

O impacto feroz foi transmitido até o local onde Suzu e Eri estavam.

— … Kouki… -kun.

Eri abriu os olhos e sussurrou.

Logo depois disso, o gigante de luz se dispersou. Era como se ele mostrasse o destino de seu conjurador…

— Kouki… -kun… Kouki-kun!!

— E-Eri-!?

O corpo de Eri, que deveria estar à beira da morte, brilhou em cinza no mesmo instante.

E então, no momento seguinte, suas asas trêmulas e seu corpo esfarrapado voaram para longe com imensa força em direção ao lugar onde o gigante de luz foi visto.

Suzu, que foi incapaz de deixar de ficar estupefata, voltou a si e perseguiu Eri com pressa.


Tradutor:



Notas

[1] No Budismo, o sexto céu é chamado de “Céu do Rei Demônio”. Seu nome é derivado das crenças da antiga Índia que diziam existir seis céus entre a Terra e o céu de Brahma. O “Céu do Rei Demônio” reside no reino celestial mais elevado (o sexto) no Mundo dos Desejos, o primeiro dos três mundos do Mundo Tríplice. É dito que o rei demônio, e os seres que residem no sexto céu do Mundo dos Desejos, desfruta do uso dos desejos dos outros para manipular e controla-los de acordo com sua própria vontade.

[2] O nome desse item é uma abreviação das palavras inglesas “calory” (“caloria”) e “mate” (“companheiro”, “amigo”).

[3] As falas de Inaba possuem alguns termos que indicam o dialeto de Kansai.

[4] Pino é uma postura invertida do corpo, na vertical, com a cabeça sobre as palmas das mãos.

[5] Iníquo significa contrário à equidade, ao que é justo.



Fontes
Cores