Arifureta – Capítulo 165 – Na cidade arruinada


— Parece uma cidade do século passado saída de um filme…

— É, tem razão. Eu já vi esse tipo de cena em Bio*zard1 ou algo assim…

Suzu e Ryutaro sussurravam esse tipo de coisa enquanto faziam sons com seus passos. Eles moveram os olhares com atenção para os arredores, mas a confusão estava exposta em seus rostos.

— Espere Ryutaro. Pare já com isso. O que você vai fazer se um zumbi realmente aparecer aqui?

Shizuku respondeu com uma cara de repulsa. E então, com sua expressão desconcertada, ela moveu o olhar pelos arredores. O cenário de uma cidade devastada estava se espalhando nos olhos de Shizuku e dos outros.

Quando o grupo saiu do rico espaço colorido, eles chegaram a uma cidade moderna que parecia quase semelhante às da Terra, com suas ruas e arranha-céus apertados uns contra os outros. No entanto, assim como Suzu e Ryutaro disseram, era como se várias centenas ou talvez milhares de anos tivessem passado, em todos os lugares que olhavam, havia apenas ruínas em decomposição.

Havia prédios que pareciam prestes a desmoronar a qualquer momento, havia também construções que se apoiavam por pouco no prédio vizinho. Todo o local parecia ter vidro que havia sido esmagado com seus restos espalhados por toda parte. No chão, havia material áspero e duro, como asfalto, o cobrindo, mas havia inúmeras rachaduras e ondulações, além de pontos cavados.

Pela forma como as palavras remanescentes nas placas espalhadas por toda a parede ou no chão dos prédios não eram letras da Terra, e como eles não conseguiam encontrar nenhum sinal de trânsito na rua, além de como o material do edifício não era concreto reforçado, eles conseguiam entender que aquela não era uma cidade da Terra.

— Talvez, no passado, essa cidade tenha sido destruída e depois foi trazida para cá. Algo como pegar uma lembrança do que ele esmagou parece algo que aquele ****** ******* faria. Há também o traço da técnica de construção usando magia que é impossível para a Terra atual aplicada aqui, é como alguém que construiu uma torre de cartas complicada antes de esmagá-la por completo.

— … hás um limite até para o mau gosto.

— Isto é horrível…

Mesmo na Terra, havia muitos romances sobre cidades antigas que não permaneciam na literatura, cidades que se destacavam em tecnologia ainda mais avançadas do que as dos tempos modernos. Até este mundo poderia ser um país que se desenvolveu usando magia no lugar da ciência até perto do nível da Terra moderna.

E então, o que foi construído por essas pessoas foi pisoteado por Ehito, enquanto o deus ria. A figura do Deus rindo flutuou em suas mentes, transformando seus rostos em ódio feroz.

Embora a cidade tenha ficado arrasada e parecesse trágica só de olhar, a paisagem urbana que se parecia com uma cidade moderna da Terra fez Hajime e os outros ficarem um pouco nostálgicos, eles também sentiram que foram mostrados o que aconteceria se Ehito fosse libertado na Terra, fazendo com que suas mentes ficassem ainda mais tensas.

Em pouco tempo, quando eles passaram por quem sabe quantas interseções seguindo a bússola, uma torre de relógio que parecia o Big Ben2 de Londres entrou em suas visões por entre os espaços vazios dos edifícios. Parecia que a torre do relógio era a entrada para a próxima área.

Hajime guardou a bússola no bolso do peito enquanto seguia o caminho que levava em direção à torre do relógio através de um imenso cruzamento.

Mas, logo depois disso, seus olhos se apertaram em silêncio e seu pé que estava prestes a dar um passo à frente voltou para trás. Olhando para o seu olhar perigoso, até os membros que não eram Shia adivinharam que havia inimigos e se prepararam. Somente a garota-coelho parecia ter determinado a localização do inimigo, seu olhar se fixou por um momento em uma parte dos edifícios circundantes antes de se mudar para outro local de forma contínua. Parecia haver algo à frente de seu olhar.

— Hajime-san. Estamos cercados, o que vamos fazer?

Shia estava batendo Wirr Drücken no ombro enquanto perguntava.

Para isso, a resposta de Hajime foi…

— Hmm? É claro que se houver uma presa que entra na gaiola, pulverizar tudo junto com ela é o senso comum, não é? Todos, preparem-se para pular.

— Eh?

— Eh?

— Eh?

Na frente de Shizuku, Suzu e Ryutaro, que levantaram vozes confusas ao serem surpreendidos mais uma vez, Hajime pegou uma arma enorme na Caixa do Tesouro II. Ela tinha uma forma de cruz, de um dos lados havia três objetos salientes que pareciam uma asa.

… Novo Lançador de Foguetes e Mísseis, “Agni Orkan”.

Havia duas delas. A figura de Hajime segurando duas cruzes de três metros presas com asas nos dois braços causava a impressão de que ele estava vestido com um exoesqueleto reforçado.

― Muito bem. Em primeiro lugar, isso é problemático, então vamos explodir tudo.

Hajime, que se fixou no lugar com Agni Orkan de ambos os lados, exibia um sorriso demoníaco enquanto puxava os gatilhos sem hesitar. O interior dos edifícios circundantes ficou barulhento, mas já era tarde demais.

Pshuu, pshuu, pshuu! Com tal som, a pequena placa de metal na superfície das asas deslizou, dentro dela havia inúmeros mísseis carregados, esses mísseis voaram de uma só vez.

O número deles já havia ultrapassado trezentos. O enxame de pequenos mísseis seguiu a linha de fogo laranja enquanto deslizava pelas portas e janelas dos prédios em ruínas, como se entendessem que os inimigos estavam ali.

Além disso, bashuuuuu!, com esse tipo de som suave, sessenta grandes mísseis foram espalhados dos seis canos na ponta da cruz para o centro da cidade em ruínas, tudo em poucos segundos, eles se espalharam para todas as direções a fim de destruírem seus respectivos alvo.

Em seguida, um som horrível de explosão e uma tremenda onda de choque ― uma explosão de chamas obliterou o centro da cidade em ruínas.

Gogogo! Junto com esse rugido, o grupo de edifícios em ruínas que mal estavam de pé, mesmo em seus melhores tempos, começou a desmoronar de uma só vez.

― Espere, is-isto é ruim. Tudo está caindo para cá!

― Foi por isso que eu disse para vocês pularem.

― Não diga isso com tanta calma, seu exército de um homem só!

As silhuetas que espreitavam nos prédios arruinados e mal sobreviveram ao ataque feroz dos pequenos mísseis tentaram pular pelas janelas para escapar das ruínas em colapso enquanto perdiam alguns membros. Hajime, que os enviou com cortesia de volta (explodindo-os para dentro) com o bombardeio adicional de Agni Orkan, era completamente impiedoso e recebeu uma bronca de Shizuku enquanto ela invocava a Aerodinâmica em suas botas e pulava no ar.

Os fragmentos de edifícios em ruínas choveram do alto como uma chuva forte, Suzu e Ryutaro também saltaram em pânico no meio do céu que estava ficando apertado devido ao grupo de edifícios inclinados.

E então, eles de alguma maneira evitaram ser engolidos pelos prédios em ruínas e aterrissaram no telhado de um edifício abandonado a uma pequena distância.

― … sabe, Suzu viu uma vez as notícias na televisão. Era a imagem de um ataque aéreo em uma área de conflito. Suzu se pergunta se isso é parecido com aquela cena.

― Lutar é algo infrutífero, hum. Ninguém jamais imaginaria explodir a cidade inteira, hein? Isso já não tem relação com técnica ou experiência, huuh.

― Vocês dois, não fiquem tão esses olhares distantes… eu também entendo seus sentimentos.

A poeira subiu. Olhar para a cidade em ruínas que em um instante se transformou em uma cena parecida com uma área de conflito fez Suzu e Ryutaro ficarem com olhares distantes. Shizuku deu um tapinha no ombro deles enquanto pensava dentro de seu coração: “Mas o que significa força?” Foi nesse momento que um som tão semelhante ao próprio símbolo ameaçador ressoou.

A Espadachim virou o rosto para esse som com movimentos rangentes como uma engrenagem sem óleo, ali, a figura de Hajime preparando Agni Orkan, que ele havia terminado de recarregar, estava…

― Você vai atacar de novo!?

― Você vai atacar de novo!?

― Você vai atacar de novo!?

― Se você vai fazer algo, faça até que nem um pedaço de carne permaneça. Essa é a cultura do Japão que foi colocada no Kojiki3.

“Não existe tal cultura sanguinária!” Suzu e os outros iam fazer tal refutação, mas os gatilhos foram puxados mais rápido do que eles podiam abrir as bocas. O enxame de mísseis grandes e pequenos dançou no céu mais uma vez. A chuva da morte caía no cruzamento onde os destroços dos edifícios destruídos estavam espalhados.

― Não há nada para fazermos, há?

― O Mestre também, ele parecia calmo, mas parece que sua frustração se acumulou de modo considerável. Não hás o que fazer. Que tal vigiá-lo calorosamente até chegar a vossa vez.

Em meio à explosão de chamas e poeira, Shia e Tio estavam olhando de forma gentil para Hajime, que ria alto: ― HAA-HA-HA-HA! ― enquanto presenteava feridas letais em possivelmente centenas de inimigos à espreita na cidade em ruínas. Olhando para as duas, Shizuku, que estava tapando as orelhas com os dedos para se proteger do rugido estrondoso, soltou um suspiro pelas muitas dificuldades em seu futuro, imaginando se ela tinha mesmo que alcançar o nível das duas.

“Por que me apaixonei por esse tipo de pessoa, é o que eu me pergunto.” Quando ela estava pensando em algo que era parecido com o que Shia pensava, de repente, o Sinergista se virou e apontou os canos de Agni Orkan para seus aliados.

E então, na frente da Espadachim e dos outros, Hajime puxou os gatilhos sem nem um pingo de hesitação, como era esperado. Olhando para o enxame de mísseis que voou sem demora, Suzu soltou um: ― Hii! ― com um grito patético.

Mas, de forma natural, os mísseis não estavam mirando os aliados, eles traçaram trajetórias irregulares enquanto evitavam o grupo e voavam atrás deles.

E então, explosões de chamas foram espalhadas uma após a outra em um prédio abandonado a cerca de quinhentos metros de distância. Foi um verdadeiro ataque aéreo.

“Mas o que diabos ele está atacando lá?” Suzu e os outros estavam pensando isso, enquanto suor frio escorria de seus rostos pelo método de ataque que fazia mal aos seus corações. Logo depois disso, uma luz branca perfurou o céu daquele prédio em ruínas.

― Aquilo é… não me diga que…

― Na-Nagumo! Pare! Você não disse que ia deixar Kouki para nós!?

Suzu e Ryutaro se voltaram para o Sinergista enquanto gritavam. Sim, o pilar de luz subindo para o céu era sem dúvida o poder mágico de Kouki. Muito provavelmente, Kouki liberou seu poder mágico para se defender do ataque aéreo repentino. Hajime prometeu deixar Kouki e Eri para Shizuku e seus colegas, por isso, os dois dirigiram um olhar confuso para o rapaz.

― Foi por isso que os ataquei. Afinal, aqueles dois pareciam estar tentando fugir. Eu fiz a explosão para cercá-los sem nenhum impacto direto, então está tudo bem. No fim, foi apenas para mantê-los no lugar.

Hajime declarou que estava “mantendo-os no lugar” enquanto olhava para a cena de arranha-céus desmoronando como uma piada nos arredores. Ele só parecia um cara brincando ao dizer: ― Eu acertei-os com a parte de trás da minha lâmina. ― enquanto dirigia a lâmina afiada para o inimigo.

Contudo, na realidade, o poder mágico de Kouki continuava perfurando o céu por dentro das chamas sem nenhum sinal de enfraquecimento, portanto, Hajime com certeza não os atingiu de forma direta. Mesmo quando eles entenderam isso, como imaginado, os espasmos nas expressões de Suzu e Ryutaro não sumiram.

― Parecia que eles estavam indo para a torre do relógio para escapar. Como esperado, podemos ir para outro espaço a partir de lá. Eu não sei por que eles estão nesse tipo de lugar, mas… bem, vocês podem conversar com eles o quanto quiserem.

― É-é sim.

― Sim…

Suzu e Ryutaro assentiram, ao mesmo tempo, Hajime pulou em direção à torre do relógio em um instante. Seguindo atrás dele estavam Shia e os outros. Os movimentos deles, que aplicaram Aerodinâmica e Teletransporte, fez a distância de quinhentos metros se tornar zero em um instante.

Kouki e Eri, que não tinham para onde escapar por serem rodeados por ondas de choque e chamas de quatro direções, também não mostravam nenhum sinal de movimento do telhado de seu prédio em ruínas, talvez eles tivessem imaginado que seriam atingidos com um enxame de mísseis mais uma vez se tentassem correr.

Hajime e os outros aterrissaram naquele prédio em ruínas.

― Aaaaa, fomos descobertos. Embora nos escondêssemos expressamente em uma das coleções espaciais de Ehito, por que todos vocês vieram aquiiii? Mesmo que este lugar seja o mais distante do Portão Divino espacialmenteeee.

― Eri. De qualquer forma, tenho que libertar todos de Nagumo. Se o outro lado se aproximou de nós, então isso é uma verdadeira dádiva de Deus, certo?

Kouki e Eri se agarraram com força um ao outro como um casal de amantes enquanto trocavam uma conversa que não combinava.

Parecia que, do fundo do coração, Eri não queria se envolver com Hajime e os outros, mas Kouki pensava que ele tinha que resgatar seus camaradas e estava convencido de que a lavagem cerebral de Hajime não desapareceu, então a ação do Herói estava contradizendo a Necromante, que queria fugir. Os olhos de Kouki também estavam nublados, então eles imaginaram que ele havia sofrido uma lavagem cerebral com o Amarrar Alma de forma que ele não podia sentir a contradição como algo errado.

O olhar de Kouki, que como sempre, estava equipado com uma espada sagrada brilhante e com uma armadura sagrada, capturou Hajime. Ódio, ciúme, raiva ― seu olhar estava enlameado com emoções negativas ferventes.

E então, Eri estava esfregando a bochecha no ombro de Kouki enquanto soltava uma voz persuasiva que parecia pegajosa e doce, não estava claro se era inconsciente ou consciente, mas sua atitude era a mesma de sua mãe. As vestimentas da garota eram roupas que tinham o peito e a parte de trás com enormes decotes, o fundo também tinha uma fenda profunda inserida, a cor da roupa era de um branco puro que combinava com o Heróis. Como se estivesse afirmando de forma implícita que quem era a heroína de Kouki era ela.

— Nagumo. Você também é meu colega de classe. Originalmente, você era alguém que eu teria que salvar, não importava como, mas… o que você fez é demais. Você matou seus colegas de classe e até fez lavagem cerebral neles… eu, mesmo que tenha que sujar estas mãos, vou derrotá-lo. E assim, juro que salvarei todos de suas mãos imundas!

— Yaaahnn. Kouki-kun, você é tão legaaaal.

Kouki sorriu para Eri, que estava agarrada a ele com uma expressão embriagada, antes de preparar sua espada sagrada.

— … Hajime. Por favor, vá. Deixe este lugar para nós.

— Está tudo bem? Esses caras se tornaram algo estranho, sabia?

Shizuku agarrou sua katana negra com seriedade e tanta força que parecia que um som de rangido podia ser ouvido enquanto ela pedia que o Sinergista seguisse em frente. Hajime estava examinando os dois com o olho mágico atrás de seu tapa-olho enquanto confirmava com Shizuku. O que ele se referiu não era sobre o comportamento de Kouki, ele estava apontando para a força transbordante do Herói que era incomparável com tudo até agora.

— Eu sei disso. Mas tudo ficará bem. Seu artefato está junto de mim. Além disso, você tem o objetivo de resgatar Yue, correto? Somos nós quem devemos fazer algo sobre esse completo idiota.

— … bem, acho que sim.

Hajime concordou com Shizuku com um encolher de ombros, ele deu uma olhada para Kouki, que estava lhe enviando um olhar intenso com os olhos erguidos e impressionado ao ouvir como a Espadachim chamava o Sinergista por seu primeiro nome e a conversa cheia de confiança dos dois. E então, Hajime instou Shia e Tio a seguirem em frente com seu olhar.

Kouki, que adivinhou que o rapaz e as outras iriam avançar enquanto o ignoravam, liberou uma intenção assassina tão espessa que era impensável para o Herói de antes. Seu poder mágico também rugiu e explodiu.

— Você quer escapar! Seu covarde! Como pensei, vou derrotar esse imundo…

No momento em que ele ergueu sua espada sagrada para desferir um golpe, Kouki foi surpreendido por um impacto. Eri, que estava agarrada a ele, também foi separada à força do Herói por uma explosão de uma barreira muito pequena que foi implantada perto dela sem que a Necromante percebesse.

No lugar onde Kouki estava parado antes, havia a figura de Ryutaro com o punho estendido imóvel.

― Kuh, Ryutaro. Como pensei, você também sofreu lavagem cerebral de Nagumo…

— O que você está dizendo? Pelo contrário, sou eu quem está tentando ajudá-lo agora. Fazer algo como enviar intenção assassina contra Nagumo… de jeito nenhum eu posso deixar meu melhor amigo se transformar em carne moída.

— O que você está dizendo…

— Então você não está entendendo, hein, o você de agora. sua cabeça está uma bela bagunça. É por isso que estou lhe dizendo, esse incrível melhor amigo vai te espancar até você ACORDAAAAR!

Ryutaro uivou. O estado de Kouki, que parecia muito trágico, aumentou sua raiva. Essa raiva violenta foi dirigida a seu melhor amigo, que não queria olhar a realidade, e seu eu impotente, que não podia fazer nada até que seu amigo se transformasse em algo assim.

Essa raiva violenta foi derramada no punho que estava fechado como uma pedra, Ryutaro saltou em direção a Kouki.

— Aaaann, céus. Que cruel me separar de Kouki-kun. Isso é algo que uma me-lhor a-mi-ga faria? Hein, Suzuu?

— … porque Suzu sente que é sua melhor amiga, neste momento, Suzu está aqui. Suzu não vai deixar Nagumo-kun e os outros colocarem suas mãos em você, então não precisa ficar com medo, entendeu Eri?

— … hee, parece que você pode conta vantagem muito bem agora, eeh.

A expressão de Eri desapareceu devido às palavras e o olhar calmo de Suzu. Isso aconteceu porque a imagem da Mestra de Barreiras como uma menina ingênua e uma inimiga dócil de pouca importância em sua mente estava desmoronando, a Necromante podia sentir uma presença maior nela. E também porque ela, que estava completamente em seu limite dentro do coração devido ao inesperado encontro com Hajime, foi vista por Suzu.

Suzu mostrou um sorriso em seus lábios ao olhar para a mudança de Eri. Ela entendeu que enfim se tornara alguém que a Necromante não podia ignorar.

— Nagumo-kun. Assim como Shizushizu disse, deixe este lugar para Suzu e os outros, tá bem?

Suzu disse enquanto puxava os dois leques de ferro pendurados em sua cintura e se preparava.

— … não fracasse agora. Afinal, será problemático se eu tiver que matá-la mais tarde.

— Sim. Suzu sabe disso. Suzu resolverá isso de forma apropriada, não importa em que forma isso termine. Nagumo-kun e as outras também, tenham cuidado, tá?

Hajime deu de ombros, depois seu olhar se voltou para Shizuku. A Espadachim também sorriu e assentiu.

— Te vejo mais tarde.

— Sim. Até.

Uma despedida leve. Seja como for, essas palavras foram preenchidas com a determinação de se reunirem de novo sem falhas. Olhares de confiança com certeza se cruzaram.

Dessa vez, o Sinergista se voltou com certeza. Sem olhar para trás, ele correu para a torre do relógio acompanhado por Shia e Tio. — Espere! — O grito de Kouki pôde ser ouvido atrás dele, mas o grito de guerra de Ryutaro, que ressoou na sequência e o rugido estrondoso que seu punho causou, apagou a voz, tornando-a inaudível.

E então, Hajime, Shia e Tio seguiram a orientação da bússola e desapareceram no disco ondulante da torre do relógio em direção a outro espaço.

— Araraa, ele foi mesmo embora. Mesmo que fosse melhor se você não fosse obstinada e apenas dissesse: “Ajude-meeee.”. Para ser franca, se esse monstro não está aqui, então não há nenhum problema para nós, entendeeeu?

Enquanto ria com um sorriso enorme, Eri olhou para Suzu e Shizuku que a encaravam.

— Me pergunto sobre isso. Na verdade, estou sentindo uma aura anormal de vocês dois agora. Mas, nós também não somos mais os mesmos de antes, sabia?

— Ahahah, assustador, assustador. Eu não posso baixar minha guarda especialmente contra Shizuku, não éééé? Então, que tal eu tambéééém chamar meus companheiros de confiançaaaa?

Eri estalou os dedos. Logo depois disso, BOOM!, com um rugido estrondoso, os destroços dos edifícios destruídos nos arredores foram explodidos. De dentro da poeira e detritos espalhados, inúmeras silhuetas saltaram e cercaram Suzu e Shizuku.

— Soldados-Marionetes… eles não foram esmagados por Nagumo-kun…

— Fufufuh, eu não te disse? Não há problemas se aquele monstro não estiver aqui. Vocês veem esses caras, os corpos deles são feitos de forma especial, mas como esperado, é impossível se recuperar de um golpe direto de um míssil, mas eles não vão quebrar com algo no nível de um prédio desmoronando, entendeeeram?

Além disso…

— DOWAAAAAAAH!?

Ryutaro saiu voando em direção a Shizuku e Suzu enquanto soltava um grito muito alto.

— … Halo de Luz.

Suzu imediatamente balançou seu leque de ferro, colocando uma rede feita de anéis de luz interligadas e pegou Ryutaro.

— Ai, ai. Suzu, você me salvou.

— O que aconteceu, e quanto a Kouki-kun?

— Nada bom, é, aquele cara. Ele não está entendendo nada, sobre sua posição, o que diabos ele está fazendo agora, tudo. Mesmo quando eu apontei algo inconsistente, ele apenas definiu como “lavagem cerebral”. Não parece que apenas um ou dois socos serão suficientes para ele.

Ryutaro suspirou e coçou a cabeça enquanto fazia seu relato. Shizuku desviou o olhar para os soldados-marionetes e Kouki, que acabaram de pousar ao lado de Eri, enquanto faziam mais perguntas.

— E quanto a força dele?

— Sem dúvidas, algo foi feito a ele. Você o vê com aquela luz que parece o Superar Limite, certo? Ele praticamente se tornou tão forte como quando usa o Superar Limite, mas não parece que ele esteja ficando cansado.

— Isso é tão… bem, já estávamos preparados desde o início sabendo que haveria muitas dificuldades.

Olhando para as três pessoas que confirmaram a situação em voz baixa, Kouki mostrou uma expressão triste e abriu a boca enquanto estava envolto em luz.

— Shizuku, Suzu, Ryutaro. Vocês três não vão se render? Eu não quero brigar com vocês. Vocês estão sofrendo lavagem cerebral, e talvez tudo o que eu diga pareça absurdo, mas quero salvar todos. Vou libertar todos vocês da maldição de Nagumo!

— Kouki-kun, que tristeeee. Traído por seus amigos de infância, mesmo assim, você ainda tenta salvá-los heroicamenteeee.

— Eri… está tudo bem. Eu não importo agora. Contanto que todos estejam seguros. Se eu puder apenas derrotar a encarnação do mal que é Nagumo…

— Vai ficar tudo beeeem! Afinal, euuuu, apenas euuuu, sou a aliada de Kouki-kun, táááá?

— Obrigado Eri. Desde o passado, eu só continuo sendo apoiada por você…

Eri e Kouki se entreolharam. O vazio nos olhos do Herói aumentou enquanto a fenda do sorriso distorcido da Necromante se aprofundava.

— Viram? Isso não está em um nível em que a conversa possa resolver, certo?

— … haa, de fato, parece isso mesmo. Se for esse o caso, para fazer esse idiota voltar ao normal, temos que libertá-lo do Amarrar Alma de Eri e…

— Além disso, também há a necessidade de bater em Kouki-kun até que ele esteja meio-morto para ensinar a ele a realidade, não é? Por enquanto, Suzu cuidará de Eri. Afinal, a força destrutiva de Kouki-kun com o apoio da magia da escuridão de Eri é a pior combinação.

Os três assentiram um com o outro. Olhando para esses três, Kouki olhou para baixo triste.

— Como eu pensei, isso não é bom… entendi. Então, primeiro eu deixarei vocês três impotentes, mesmo que vocês me odeiem por isso mais tarde. E então, eu vou derrotar Nagumo e desfazer a lavagem cerebral!

O humor de Kouki se animou sozinho e ele preparou sua espada sagrada em uma postura alta. Na mesma hora, um poder mágico incomum explodiu em seu corpo. Uma pressão ainda mais forte do que a Quebra Suprema queimou o ar.

— Chih, eu não sei o que é aquilo, mas parece ruim!

Ryutaro tentou investir mais uma vez para parar a técnica de Kouki. Mas, naquele instante, os soldados-marionetes ao redor atacaram os três ao mesmo tempo.

— Ahahahahah, não vou deixar, entendeeeeu? Não esqueça a adorável heroína-chan que está apoiando o herói, táááá!?

Eri estava rindo alto enquanto uma espada ocidental, que parecia ser um artefato, apareceu sem que ninguém percebesse em sua mão. Ela a balançou como se fosse um bastão condutor. A lâmina de dois gumes que tinha finas linhas vermelhas em sua superfície estava revestida com um poder mágico cinza.

— Você parece uma líder malvada, sabia Eri? Se você não tem consciência disso, Suzu lhe emprestará um espelho.

Suzu respondeu dessa forma, enquanto girava de forma elegante seus dois leques de ferro. Os leques se abriram e um vento suave soprou, junto com uma luz mágica de poder que se espalhou como um pôr do sol.

— Chame o santuário aqui, Interrupção Sagrada.

Logo depois disso, uma barreira de luz envolvendo os três surgiu. Então, os ataques dos soldados aconteceram um após o outro — cada um deles atacou usando um artefato em forma de espada que estava revestido com poder mágico. Gakin! Um som alto ressoou, a barreira que emitia luz sagrada bloqueou os incontáveis ataques de espadas.

Além disso…

— Trague, Interrupção Sagrada — Explosão.

No instante em que os dois leques gêmeos de ferro foram fechados, a barreira explodiu com um poder destrutivo hediondo. Ondas de choque ferozes e os fragmentos quebrados da barreira afastaram os soldados-marionetes agrupados.

— Bom trabalho Suzu!

Ryutaro saltou para frente. O brilho aguçado de seus olhos perfurou Kouki.

— Não baixe sua guarda! Interrupção Sagrada — Mundo.

Suzu ofereceu apoio alinhando muitas camadas de barreira que possuíam o esplendor da Interrupção Sagrada para fazer um túnel triangular que combinava com o caminho de Ryutaro. Estava provado que a Interrupção Sagrada de Suzu não poderia ser quebrada pelo poder de ataque dos soldados.

Ryutaro correu com ferocidade para dentro do túnel. A técnica desconhecida que Kouki iria invocar era tão poderosa que o ar estava estridente. Mas, se ele tivesse a proteção de Suzu, o Lutador poderia impedir o Herói antes da invocação. Ryutaro estava convencido disso.

Porém…

— Vocês me subestimam demaiiiis.

Ao mesmo tempo, um soldado-marionete saltou para a frente quando o grupo ouviu aquele tom de voz que acabava com seus nervos. Aquele soldado apontou sua grande espada para o túnel da barreira e atacou com um movimento rápido.

PAAAAAAN!!

— Qu-quê!?

O som da destruição reverberou. De todas as coisas, no momento em que o ataque daquele soldado-marionete atingiu a barreira de Suzu, uma onda negra avermelhada se espalhou e um impacto violento surgiu, dessa forma, a barreira foi pulverizada como se fosse um pedaço de papel.

Ryutaro levantou uma voz chocada enquanto torcia o corpo para escapar por pouco da grande espada que seguia em sua direção, e em um momento perfeito, outro ataque de espada se aproximou de outro soldado-marionete.

Um ataque horizontal. Além disso, um ataque de pinça que apontava para seu pescoço e seu flanco. Ryutaro tentou repelir os golpes, mesmo enquanto sua postura estava instável, usando as manoplas de ambas as mãos.

Porém, esses dois soldados-marionetes não eram normais. A espada desferida piscou como uma ilusão, a espada real traçou uma trajetória diferente da que Ryutaro focou e se aproximou dele.

― !!!

Enquanto gritava sem palavras, Ryutaro, que percebeu que a defesa de suas manoplas não chegaria a tempo, em um instante, usou o fortalecimento parcial de Vajra para fortalecer apenas os locais que a espada atingiria.

Gakin! Um som de metal colidindo soou, os dois ataques dos soldados foram bloqueados pela Vajra do Lutador. Mas o terceiro soldado-marionete, que apareceu na frente do rapaz sem que ele notasse, desferiu de forma impiedosa sua enorme lança vermelha brilhante que estava em chamas em direção ao coração de Ryutaro.

O rapaz na mesma hora cruzou os dois braços e resolveu receber o ataque. O impacto feroz atacou o Lutador, mas suas parceiras de confiança, as manoplas, não foram de alguma forma perfuradas, elas estavam suportando o ataque da lança. Se as manoplas não tivessem passado pela remodelação demoníaca de Hajime, talvez até seus dois braços acabassem perfurados.

Mas, o verdadeiro valor da grande lança em chamas não era apenas queimar o oponente que ela tocava. No momento seguinte, ela pareceu ondular e, instantaneamente, uma grande explosão ocorreu junto com um estrondo.

― … aAAAAAA!?

Ryutaro, que soltou seu grito, desta vez foi forçado a voltar pelo túnel, ele caiu no chão usando a técnica ukemi4 e tentou se levantar no mesmo instante.

Naquele momento, mais dois soldados desferiram estocadas com suas espadas. Não em direção a Ryutaro, mas em direção ao chão um pouco afastado dele.

Logo depois disso, “bikibikibiki“, esse som surgiu, o lugar que as espadas esfaquearam congelou por completo. Aquele congelamento se estendeu por baixo de Ryutaro como uma cobra rastejante, atacando com sincronia perfeita no instante em que o rapaz estava ajoelhado de seu ukemi.

Devido a isso, o chão sob as pernas do Lutador ficou congelado e ele foi contido, e quatro soldados saltaram para dar o golpe final. Cada um deles segurava uma espada grande, as armas estavam em brasas como o usuário anterior da lança, se Ryutaro continuasse sendo banhado por ataques como esse, nesse ritmo, ele não sairia ileso, por mais robusto que fosse.

Atrás do Lutador, que estava encurralado em uma situação desesperadora, havia Shizuku, que estava perdendo terreno contra os soldados-marionetes que a atacavam até agora usando habilidades únicas e impossíveis. Shizuku viu a angústia de Ryutaro e tentou ir em sua ajuda, mas devido a um soldado que criou uma ferramenta improvisada de restrição ao manipular o chão do telhado, Shizuku ficou presa no lugar.

Além disso, assim como Ryutaro, quatro soldados também saltaram em direção a Espadachim, cujos pés estavam presos. Dois deles seguravam lanças revestidas por um raio, enquanto os outros dois brandiam espadas revestidas de areias cinzentas. Era óbvio que não terminaria nada bem para ela, não importava com o que ela fosse atingida.

Shizuku mostrou desconforto com a força inesperada dos soldados e quando estava prestes a usar seu novo trunfo…

― Primeiro vamos lidar com a mais problemática, Shizuku, sim você. Blindagem Maléfica.

— Uh, ah?

Contudo, ela foi impedida por Eri. De repente, um globo negro piscante apareceu diante dos olhos da Espadachim, no momento em que entrou em sua visão, o corpo dela ficou incapaz de se mover.

Magia da Escuridão, “Blindagem Maléfica” ― uma magia que obstrui o comando do cérebro a ser enviado ao corpo.

Com isso, Shizuku não conseguiu mostrar seu movimento e expôs uma abertura fatal. Eri sorriu presunçosamente.

Usando o Amarrar Alma, Kouki foi levado a pensar que, mesmo que os três fossem feridos de forma letal, eles poderiam ser revividos mais tarde. E assim, o Herói, que estava pensando em “salvar Shizuku e os outros” não sentiu que machucar os três era ruim, e mostrou sua força sem qualquer hesitação. Não havia necessidade de se segurar, porque mais tarde eles poderiam ser trazidos de volta à vida.

Claro, não havia como isso acontecer, em primeiro lugar, Eri não deixaria que isso acontecesse. Ela pelo menos acrescentaria os três como seus soldados-marionetes usando Amarrar Alma, mas não tinha planos de deixá-los vivos.

Dessa forma, ela riu quando estava prestes a matar a primeira vítima, porém…

― Dance, Interrupção Sagrada ― Sakura5.

Nesse instante, inúmeros fragmentos brilhantes correram pelo campo de batalha como uma tempestade de flores de cerejeira. Pequenas e incontáveis radiações dançavam no ar com um som farfalhante: zaaaaaa! Elas espiralaram com Shizuku e Ryutaro no centro enquanto levantavam um turbilhão.

E então o ataque dos soldados foi bloqueado pelos fragmentos reunidos e condensados, dispersando todo o impacto. Não apenas isso, a tempestade de luz das flores caiu sobre os soldados-marionetes que, depois que atacaram, mostravam uma abertura letal, como um riacho lamacento que engolia pequenos peixes.

Depois que a tempestade de luz passou, havia figuras trágicas dos soldados. Seus corpos inteiros estavam mutilados, seus membros não conseguiam manter suas formas originais. E a coisa mais impressionante foi como a cabeça deles ficou em pedaços, como se ela estivesse explodida.

“Interrupção Sagrada ― Sakura” ― essa magia se transformava literalmente a poderosa barreira, que era a Interrupção Sagrada, em pequenos fragmentos parecidos com pétalas de sakura, se algo fosse tocado por ela, seria cortado e, quando acontecesse um ataque, elas se tornariam flexíveis como uma parede de bambu de salgueiro; essa era uma barreira que unia ataque e defesa em um só movimento.

Quando Suzu balançou seus leques gêmeos de ferro como uma dançarina tradicional japonesa, as flores de luz de sakura se moveram como um riacho que acompanhava o movimento da garota.

― Fuu. Obrigada pelo salvamento Suzu.

― Ou, obrigado. Aliás, que diabos há com esses soldados!?

― De nada. Essas parecem magias características que monstros possuem, não parecem? Suzu não pode ver nada parecido com um encantamento ou um círculo mágico.

Shizuku e Ryutaro se recompuseram com o tempo que Suzu ganhou para eles e os dois se reuniram ao lado da Mestra de Barreiras. Os olhos deles se apertaram, olhando vigilantes para os soldados ao seu redor.

Mas, naquele momento, a técnica de Kouki foi enfim concluída, o poder mágico branco puro que perfurou o céu começou a convergir nas costas do Herói como um vídeo que estava sendo rebobinado. Esse poder mágico anormal foi aos poucos formando uma forma com movimentos oscilantes.

― … esta é a última chances de vocês. Embora todos possam voltar à vida mais tarde, se possível, não quero machucar vocês três.

Kouki enviou uma voz calma para Shizuku e os outros.

Em pouco tempo, a massa de poder mágico que o Herói emitiu se espalhou como asas, e então uma cauda grossa e dura se estendeu, um longo pescoço e cabeça surgiram, presas afiadas foram formadas e se entrelaçaram, garras brutais esculpiram o chão do prédio.

Kouki continuou suas palavras para seus amigos, que olhavam maravilhados.

― Poder do Céu ― Mudança Infinita… esta é uma técnica que possibilita que o Poder do Céu, que só pode ser ativado como um bombardeio, seja controlado de forma contínua em seu estado ativo. Este dragão, apenas por existir, carrega o poder destrutivo igual ao Poder do Céu em força total. Além disso, enquanto estivermos nos Recintos Sagrados, não ficarei sem poder mágico, portanto, tentar ganhar tempo é inútil. Vocês entenderam agora? O eu atual é mais forte até do que Nagumo. Vocês com certeza não podem vencer contra mim. Por isso… rendam-se.

O dragão da luz, que foi formado a partir do próprio Poder do Céu, rugiu. Ao mesmo tempo, um bombardeio foi disparado de sua boca, obliterando um arranha-céu a um quilômetro do local com apenas um ataque. De fato, além do Poder do Céu ser liberado com força total, sem limite de tempo, o poder de Kouki não parecia enfraquecer, então parecia que ele era alimentado com um poder mágico inesgotável.

― A propósitoooo, vejam bem, todas as marionetes-chan ao redor, elas têm pedras mágicas inseridas nelas, são um híbrido de monstros e humanos, sabiaaam? Com o trabalho em equipe e a habilidade inalteradas de quando ainda estavam vivos, agora eles também têm as características mágicas e as especificações iguais ao de monstroooos. É verdadeeee, por enquanto, achoooo que vocês podem chamá-los de “Soldados-Fera-Cadáver”.

Eri disse isso. Ela estava implicitamente transmitindo que havia uma diferença esmagadora na força da batalha entre eles enquanto sorria de forma repulsiva. Ela desdobrou suas asas cinzentas em suas costas com um estrondo alto. Com isso, ela transmitiu que possuía uma força que parecia a de uma apóstola, convidando os três a se desesperarem.

Além disso, nos arredores, parecia que havia um soldado-fera-cadáver que podia usar a característica magia de cura, até mesmo os soldados que foram estraçalhados e explodidos por Suzu agora se levantavam com as feridas curadas, além de também haver reforços que pareciam ter sido postos em espera por precaução, eles estavam se reunindo um após o outro.

Mesmo depois de excluir as várias centenas de soldados-marionetes que foram explodidos por Agni Orkan no início, parecia haver quase cento e cinquenta forças de batalha ainda restando.

Havia Kouki, que controlava o Poder do Céu que carregava imenso poder destrutivo com total domínio, além disso, ele não tinha restrição de tempo, seu próprio corpo também era capaz de manter de forma constante o estado da Quebra Suprema. E então, havia Eri, que devia possuir uma especificação que quase se aproximava da de uma apóstola e também dominava a magia da escuridão, adicionada por sua habilidade que podia controlar por completo um grupo de cento e cinquenta soldados-fera-cadáver.

Na verdade, essa situação poderia ser considerada infernal. Se fossem os colegas normais que estivessem aqui, talvez eles caíssem de joelhos com o desespero.

Mas os que estavam aqui eram as pessoas que desafiaram grandes calabouços, que tiveram suas fraquezas expostas diante deles próprios e conheceram sua impotência. Essas pessoas se enfrentaram e engoliram suas partes sujas e embaraçosas, dando um passo à frente.

E então, essas pessoas tinham visto aquele jovem, aquele que não importava em que situação estivesse, não importava quem enfrentasse, ele ainda não recuaria.

Foi por isso que…

― Mais forte até do que Hajime? Isso é exagero demais, até para um mal-entendido. Aquele homem, ele é mesmo “o mais forte do mundo”, sabia?

― É, exatamente. Além disso, vocês dois não estão menosprezando demais Suzu e os outros? Algo como isso nem conta como “força”.

― Mudança infinita, soldados-fera-cadáver, tanto faz… hah, isso tudo não é suficiente.

Algo apenas nesse nível, na melhor das hipóteses, não seria considerado uma situação difícil.

A sobrancelha de Kouki se contraiu em reação. A expressão de Eri mudou de desprezo para algo frio.

Em contraste, Shizuku adotou a postura de sua arte de sacar espadas, Suzu parecia dançar com seus leques gêmeos de ferro e Ryutaro adotou uma postura de caratê. Em seus olhos, não havia sequer um vestígio de nervosismo ou desespero. Havia apenas simples resolução lá, para fazer o que deveriam fazer.

― De alguma forma, isso é muito irritanteeee.

― Então a influência da lavagem cerebral é tão profunda… não há o que fazer. Vou despertar todos vocês.

Com essas palavras como sinal, o gongo da segunda rodada tocou.


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Notas

[1] Resident Evil (conhecido como Biohazard no Japão) é uma franquia de mídia que pertence à empresa de videogames Capcom. Foi criada por Shinji Mikami como uma série de jogos de survival horror, iniciada em 1996 com Resident Evil para PlayStation. A franquia Resident Evil é constituída por história em quadrinhos, livros, filmes e uma variedade de coleções, incluindo figuras de ação e guias de estratégias. Foi influenciada pelos filmes de George A. Romero e também pelo jogo Alone in the Dark. Enquanto os jogos aderem a uma história mais consistente, existem alguns desvios do enredo nos filmes e nos livros, que são considerados histórias paralelas.

[2] Big Ben é o sino que foi instalado no Palácio de Westminster durante a gestão de Sir Benjamin Hall, ministro de Obras Públicas da Inglaterra, em 1859. Apesar do termo também ser usado para se referir à torre do relógio onde o sino está localizado, a estrutura é oficialmente conhecida como a Elizabeth Tower, rebatizada para comemorar o Jubileu de Diamante da Rainha Isabel II do Reino Unido (antes de ser rebatizada em 2012, a torre era conhecida simplesmente como “Clock Tower“). A edificação possui o segundo maior relógio de quatro faces do mundo (o da prefeitura de Minneapolis, Estados Unidos, é o primeiro), foi construída em estilo neogótico e tem 96 metros de altura. A torre foi concluída em 1858 e tornou-se um dos símbolos mais importantes do Reino Unido, sendo frequentemente retratada em filmes ambientados em Londres.

[3] Kojiki, ou Furukotofumi (“Registro de Assuntos Antigos”), é o livro mais antigo sobre a história do Japão antigo que contém mitos, lendas, canções, genealogias, tradições orais e descrições semi-históricas. As canções incluídas no texto são em japonês arcaico escritas foneticamente com manyogana. O Kojiki foi apresentado por Ō no Yasumaro à Imperatriz Gemmei em 712. Este livro foi baseado em eventos que tinham sido memorizados de um livro anterior, o Kujiki, e também baseados nas histórias que passaram de geração em geração, assim como histórias memorizadas por Hieda no Are.

[4] Ukemi waza é o termo pelo qual se designam as técnicas das artes marciais japonesas que têm, por escopo, estudar meios de o praticante controlar a forma de queda, para, quando atingir o solo, sair-se numa posição ainda favorável. De igual modo, controlar como se cai implica evitar danos. E, como arte marcial que ensina técnicas de arremesso, as técnicas de como controlar a queda são corolário das primeiras.

[5] Sakura são as cerejeiras ornamentais do Japão (incluindo a Prunus serrulata) e suas flores. A cereja vem de outra espécie do gênero Prunus.



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