Arifureta – Capítulo 164 – Recintos Sagrados


Um mundo que era ricamente colorido.

Esse foi o cenário que apareceu nos olhos de Hajime e dos outros que entraram nos Recintos Sagrados.

Não havia fim que pudesse ser visto. Várias cores se misturavam neste espaço. Era como se eles estivessem perdidos em um mundo dentro de uma bolha.

Naquele espaço colorido e misterioso, havia um caminho branco como giz se estendendo para a frente. Não, em vez de chamá-lo de caminho, era como o topo do muro de uma represa, era mais correto expressar sua localização como “acima de um enorme muro reto”.

Hajime e os outros ficaram surpresos por um momento. Apesar disso, eles armazenaram os skyboards que ficaram destruídos com o ataque das apóstolas na Caixa do Tesouro II e seguiram para o caminho branco de giz. Eles não podiam ver nenhuma apóstola mesmo depois de olhar em volta. Parecia que o espaço ao qual Hajime se conectou usando a chave de cristal degradada era um lugar diferente do que continha as apóstolas e os monstros.

Eles estavam prontos para enfrentar uma grande quantidade de apóstolas e monstros que cobriam por completo suas visões logo após a infiltração, de modo que a situação atual poderia ser considerada uma fortuna.

— Que espaço misterioso. Não consigo ter uma noção da distância.

Shia compartilhou sua impressão enquanto espiava pela beira do caminho. Assim que essas palavras soaram, enquanto ela espiava para baixo, o chão ou o fundo da parede estavam sendo engolidos pelo espaço coloridíssimo. Até o caminho a frente, após uma certa distância, era engolido pelo espaço colorido, o que dificultava a confirmação da distância.

— Acho que não vai ficar tudo bem se você cair, hum. Todos, tomem cuidado, tá?

Todos assentiram com vigor após o aviso de Hajime. Dessa maneira, eles começaram a seguir o Sinergista enquanto vigiavam seus arredores.

Eles estavam viajando em alta velocidade seguindo o caminho de giz branco na atmosfera que estava cheia de um silêncio desconfortável. A Bússola da Orientação mostrava que o paradeiro de Yue estava à frente do caminho branco. Por isso, eles dispararam acreditando nisso, embora não houvesse uma única coisa que pudessem usar para confirmar a distância, de modo que ficaram em dúvida se estavam mesmo avançando.

Se não fosse a bússola que mostrava a Hajime que a distância para Yue estava diminuindo, mesmo que só pouco, talvez ele também sentisse dúvida.

Eles avançaram pelo caminho por várias dezenas de minutos, onde nenhum fim podia ser visto.

Por fim, uma mudança aconteceu.

— Está vindo. Bombardeio!

As orelhas de coelho de Shia se levantaram de repente, ao mesmo tempo em que ela deu um aviso. Independentemente de sua vigilância, todos, exceto Shia, foram pegos de surpresa. Era a prova de que a Visão do Futuro dela foi ativada, ao mesmo tempo em que também significava que o ataque era tão perigoso que poderia acabar com eles.

Logo depois disso, sem nenhum aviso prévio, clarões prateados radiantes atacaram Hajime e os outros de todas as direções. Era uma chuva de meteoros da morte sem uma única brecha, transmitindo claramente que não havia nenhum lugar para fugir.

— Juntem-se!

O rugido furioso de Hajime ressoou. Todos se aproximaram por reflexo do lado do Sinergista. Ao mesmo tempo, Hajime tirou um escudo enorme da Caixa do Tesouro II. E então, esse escudo que se manifestou no ar vazio perfurou o chão enquanto poder mágico era derramado nele.

Como resultado: Gashun! Gashun!, tal som surgiu, as placas de metal deslizaram do interior do grande escudo em grande velocidade. Em um piscar de olhos, as placas formaram uma cúpula que cobria Hajime e o grupo. Placas de metal que pareciam escamas esticadas, era um grande escudo variável: “Aidion”.

No momento em que a última placa de metal deslizou no lugar e o grupo ficou completamente coberto, os clarões de todas as direções enfim chegaram. Quase não houve impacto. O ataque era como um laser, a superfície de Aidion estava se transformando em pó. De forma óbvia, a causa foi a capacidade de desintegração das apóstolas.

Mas isso já era esperado no momento em que a luz prateada surgiu. Por esse motivo, Hajime escolheu a opção de defesa omnidirecional de Aidion.

— Hah, tentem se vocês acham que podem penetrar isto.

Hajime sussurrou enquanto sorria sem medo dentro de Aidion, onde havia a iluminação de pedra de luz verde instalada. Essa era a expressão de sua confiança. Uma confiança absoluta de que pessoas como as apóstolas não seriam capazes de penetrar em sua defesa aprimorada.

Diante da brutal habilidade característica das servas de deus, que era praticamente uma jogada suja, essas palavras soavam como algo muito insolente.

Normalmente seria assim.

Sim, enquanto Hajime estava soltando essas palavras insolentes, Aidion estava bloqueando por completo o bombardeio de desintegração. Não, para ser mais preciso, a parte do escudo que foi desintegrada estava se regenerando. Não era preciso dizer que a causa era a magia de regeneração. A “Pedra da Restauração”, que foi encantada com a magia de regeneração, regenerava de forma contínua a parte de Aidion que se transformava em pó, como se o tempo fosse revertido.

É claro que a capacidade de desintegração das apóstolas estava no nível em que um edifício se tornaria pó em um instante, dessa forma, não importava quanta magia de regeneração fosse encantada, o resultado seria que o item acabaria destruído antes que pudesse mostrar algum efeito.

Contudo, este Aidion era semelhante a Interrupção do Céu, onde contava com um escudo composto feito de várias camadas de adamantino1 inserido com a pedra da restauração, além disso, o Vajra de Hajime também o reforçava. Em outras palavras, mesmo com uma camada desintegrada, se a segunda, terceira e quarta puderem ganhar tempo por um segundo, a pedra de restauração poderia exibir seu efeito. Portanto, com essa capacidade de desintegração, as apóstolas não podiam esperar penetrar o escudo.

— Poupem suas forças por enquanto. Se for apenas essa quantidade de apóstolas, eu vou lidar com elas.

— Eh? Lidar com elas…

Shizuku estava colocando força na mão que segurava a katana negra na preparação da batalha contra o enxame de apóstolas mais uma vez, mas as palavras de Hajime ressoaram como que para refrear seu espírito. Shizuku perguntou por reflexo, mas dentro do grande escudo que era iluminado por uma pedra de luz verde, olhando para a expressão do Sinergista que sustentava o enorme escudo — aquele olhar que parecia o de uma fera selvagem fez suas palavras ficarem presas na garganta.

Logo depois disso, a pressão que empurrava Aidion desapareceu de modo súbito. O bombardeio total das apóstolas acabou.

Hajime transferiu Aidion para a Caixa do Tesouro II, na sequência, as apóstolas mostraram suas figuras como se estivessem escorrendo do espaço colorido enquanto faziam ondulações. Todos as apóstolas estavam revestidas com um poder mágico de prata, mostrando sua seriedade desde o início. Elas enviaram um olhar feroz para Hajime, que resistiu ao bombardeio total, e em um instante…

… um massacre começou.

DOPAAAAAAN!, ao mesmo tempo em que o familiar som de disparos rugiu, a cabeça de seis apóstolas explodiu como se isso não fosse nada demais.

— !?

Foi uma derrota rápida, imprópria para as servas de deus.

As apóstolas que perderam seis de suas irmãs no momento em que fizeram sua entrada engoliram em seco de forma audível. O clarão carmesim que arrancou a cabeça das apóstolas com certeza atacou mais rápido que o som da arma, mas deveria ser possível escapar se o alvo fossem as servas de deus em seu pleno estado de poder revestida com a luz prateada.

O motivo para a capacidade de evasão das apóstolas ser negada podia ser entendido pelo fato de que as seis vítimas, todos os alvos, piscaram naquele instante.

Hajime estava se aproveitando da abertura criada pela mente das apóstolas. O número de inimigas que apareceram do espaço era quase cinquenta. O Sinergista confirmou todas em um instante e mirou com grande precisão apenas nas que piscaram…

Hajime havia sobrevivido a muitas batalhas contra as apóstolas, por isso esse movimento especial, que tinha um nível de dificuldade parecido com enfiar um fio no buraco de uma agulha, funcionou. Não havia como as apóstolas entenderem o que aconteceu.

Por esse motivo, elas não conseguiram entender o motivo pelo qual suas irmãs foram baleadas sem poderem fazer nada, isso também fez com que suas cabeças fossem tomadas pela confusão por um instante.

DOPAAAN!

Com isso, mais quatro morreram. A cabeça delas explodiu e seus corpos caíram no chão como um inseto com as asas cortadas.

— Kuh, três devem preparar o encantamento. O resto continua avançando!

Uma das apóstolas deu instruções enquanto rangia os dentes com o habitual rosto inexpressivo desmoronando. Parecia que ela era a líder que transmitia o comando mesmo entre as apóstolas. As servas de deus restantes obedeceram às instruções e se moveram de uma só vez.

A apóstola que deu as instruções — Zekst, balançou suas grandes espadas gêmeas uma vez e depois voou com as asas de prata batendo. Ela disparou contra Hajime enquanto deixava para trás pós-imagens.

Mas, para tal apóstola, o pequeno murmúrio de Hajime a alcançou de forma clara.

― … hee, então você é a capitã.

― !!!

Em meio a um grande número de apóstolas voando com inúmeras imagens persistentes preenchendo o espaço até o limite, o brilho dos olhos de Hajime captou com precisão a figura de Zekst.

E então, o olhar do Sinergista e da apóstola emaranharam-se dentro do mundo onde as cores ricas pareciam desbotadas e opacas, depois disso, lentamente, e ainda mais devagar na mente de Zekst, a boca de Hajime… se curvou.

Naquele momento, Zekst percebeu. Esse mundo em que o fluxo de tempo estava lento, não era algo produzido por causa de sua grande velocidade, mas era o fenômeno da lanterna giratória que alguém assistia em seus momentos finais. O motivo de sua realização foi porque, mesmo enquanto estava se conscientizando da bala carmesim se aproximando em câmera lenta em sua direção no mundo real, as imagens das muitas manobras secretas que “a apóstola de deus” havia realizado até o momento em todos as nações contra os humanos também passou por sua mente.

Todas as apóstolas compartilhavam suas memórias. Mesmo que não fosse algo que Zekst fez pessoalmente, mas algo que a “apóstola” fez era algo que Zekst fez. Ela pensou. As apóstolas que foram destruídos antes dela também viram a mesma cena? A cena das pessoas com quem elas estavam brincando até agora, estavam olhando para elas de modo zombeteiro.

O corpo de Zekst estava se movendo com precisão mesmo enquanto assistia a lanterna giratória. Seu pescoço se moveu sozinho, tentando escapar da bala que voava ao se torcer para o lado. Mas, de forma misteriosa, mesmo fazendo isso, Zekst estava convencida de que a bala que se aproximava ainda a perfuraria.

E então, essa convicção foi comprovada em um instante. No momento em que Zekst torceu o pescoço, a bala diante de seus olhos mudou um pouco de sua trajetória. Seu caminho estava indo com precisão para a têmpora de Zekst.

“Ah, sério, que irregular…”

Após murmurar isso dentro de seu coração, Zekst sentiu um impacto, junto a isso, sua consciência caiu na escuridão.

Ao mesmo tempo em que Zekst caiu, outras sete apóstolas também caíram no chão com as cabeças igualmente alvejadas.

Hajime olhou para aquela cena enquanto girava Donner e Schlag, então ele disparou mais balas mortais em todas as direções.

Embora a rotação dos braços do Sinergista e a velocidade de recarga fossem muito rápidas, um observador só seria capaz de ver giros acrobáticos repetidos o tempo todo. A realização da intenção assassina de Hajime foi demonstrada apenas pelo fato de que os clarões vermelhos dispersos seguiam para as testas das apóstolas sem o menor desvio.

― Por-por que…

Incapaz de suportar, uma das apóstolas que não foi abatida ainda falou com voz áspera e palavras que poderiam ser tomadas como uma pergunta ou uma tentativa de escapar da realidade.

Era natural que ela estivesse assim. Elas eram a “apóstola de deus”. A espada de deus que seres como a humanidade não tinham esperança de se opor. Elas eram uma existência que poderia pisar no mundo assim como um desastre natural, com apenas uma delas! E, no entanto, por que, como elas poderiam ser exterminadas com tanta facilidade assim, caindo como se fossem moscas… impossível. Não havia como esse tipo de visão irrealista existir!

Logo depois disso, um clarão voou em direção a apóstola.

Com uma emoção desconhecida brotando dentro dela, aquela apóstola desferiu um golpe no ar tentando cortar a luz com sua espada grande e brilhante. As informações de que a bala de Hajime, que gerava o impacto, poderia quebrar sua grande espada com um ataque na batalha anterior também foram compartilhadas com essa apóstola, portanto, ela decidiu não “transformar sua enorme espada em um escudo”, mas usá-la para “cortar a bala”.

Dessa forma, a bela trajetória prateada dividiu o clarão carmesim… pelo menos era isso que deveria ter acontecido.

Em vez disso, o resultado que surgiu foi a explosão da cabeça da apóstola. Pouco antes de a mente da apóstola afundar na escuridão, ela sussurrou dentro de sua percepção estendida.

“A luz… desviou?”

Não era irracional para ela ter esse equívoco.

… Transmutação Combinada de Metamorfose-Criação, Bala Especial, Bala-Viva.

Essa era a verdadeira forma do ataque que superou a evasão e as grandes espadas das apóstolas.

Essa “Bala-Viva” era uma bala especial encantada com a magia da metamorfose, a explicação simples era que a bala podia ouvir o comando do usuário ― era literalmente uma bala viva.

Hajime desenvolveu essa bala depois de entender que a pedra seladora e o pseudoescorpião no abismo foram criados pela mistura de matéria orgânica e inorgânica, de modo que a bala era apenas um golem-vivo em forma de bala que executava uma ordem simples.

Desta vez, o comando que o Sinergista deu foi apenas um. “Atinja o local pretendido”, isso foi tudo. Essa era uma bala pequena, assim, mesmo que ela ouvisse a ordem, não possuía ego. Por assim dizer, era como um programa. Desvie se houver um obstáculo na frente do alvo, persiga se o alvo se mover. Isso era tudo o que elas podiam fazer. A bala não poderia dar meia-volta se ultrapassasse o alvo nem o perseguiria sem parar, ela também não conseguiria circular se uma parede fosse feita com asas de prata para acertar a apóstola por trás.

Mesmo assim, o clarão acelerado eletromagneticamente que alcançou o alvo em um instante corrigiu sua trajetória apenas alguns metros antes de atingir o inimigo. Não importava quão injusta fosse a capacidade de percepção e a velocidade de reação que a apóstola tinha, não havia como escapar disso.

Se a apóstola tentasse cortar a bala usando sua enorme espada, mas a bala mudasse sua trajetória de forma suave, não era razoável que a serva de deus confundisse isso com a bala “se esquivando”?

— Antes, vocês disseram isso, não disseram? “A análise sobre você está completa”. Sobre que momento vocês estavam se referindo, é o que eu me pergunto. No momento em que vocês não me mataram pela segunda vez, a foice do deus da morte já estava posicionada no pescoço de vocês.

O giro da arma era feito em uma velocidade de rotação muito alta a fazia parecer um escudo redondo. A figura de Hajime, que se movia com os pés deslizantes girando várias vezes enquanto disparava clarões, parecia estar dançando.

E então, enquanto a dança da morte continuava, uma por uma as apóstolas tinham a testa alvejada, a cabeça explodida e elas caíam como uma marionete com o barbante cortado.

Se elas tentassem usar sua espada grande como escudo, um ataque com três impactos comprimidos surgiria e com apenas um tiro, um dano fatal seria infligido à espada, com a largura de um fio de cabelo, o segundo tiro perfuraria a testa junto da espada. Mesmo quando tentavam ataques de longo alcance ou magia, sua respiração no instante em que iam atacar era lida com perfeição, então elas estavam apenas expondo uma abertura, mas se tentassem um combate a curta distância, seriam interceptadas por uma bala que alterava sua própria trajetória.

Quando elas tentaram sobrepor suas grandes espadas gêmeas e asas de prata como um escudo para resistir ao impacto, seis tiros irromperiam ao mesmo tempo e com precisão, a tremenda onda de choque era gerada ao esmagar a parede de ferro, ou a apóstola acabaria sem força e seria destruída. E então, esse impacto as faria espontaneamente relaxar a guarda de suas grandes espadas e asas e a bala curva atacaria costurando por essa abertura.

— Enquanto eu pensava em maneiras de matar vocês, o que vocês estavam fazendo? Vocês analisaram meu estilo de luta? Hah, isso não vai funcionar. Vocês precisam treinar-se, trocar de arma, aperfeiçoar suas táticas, aumentar sua proficiência, colocar camadas duplas e triplas de armadilhas e produzir trunfos em massa.

Os vestígios destruídos pelas apóstolas desapareceram do céu em direção ao chão como um biscoito se desfazendo.

— Cale a boca.

Logo depois disso, junto com uma voz furiosa que parecia reprimir desesperadamente algo que brotava em seu interior, um sol prateado se materializou. O sol que brilhava com força era algo feito com o poder mágico concentrado da apóstola encantado com a capacidade de desintegração. Olhando com mais atenção, sob o sol prateado havia três apóstolas erguendo suas grandes espadas empilhadas. Muito provavelmente, este era um enorme bombardeio executado por múltiplas servas de deus.

Olhando para isso, Hajime estava… bufando com irritação.

— Esse é o seu trunfo!? Tudo bem, manda ver.

— … desapareça sem deixar vestígios! Irregular!

As três apóstolas abaixaram a espada em uníssono. O sol prateado, que era uma compressão de energia até o estado crítico, irradiava sua luz de ruína com proeminência. Um laser supergrosso com diâmetro de dez metros se aproximou de Hajime para transformar tudo em pó.

Da Caixa do Tesouro II, Hajime também pegou dois pedaços de disco — ele pegou dois chakrams e os jogou para frente. Um dos chakrams girou no ar, quando sua parte plana enfrentou o bombardeio espesso que se aproximava, ele se dividiu em três partes.

O chakram foi dividido em três partes com a mesma distância entre eles, no entanto, as divisões não se espalharam em pedaços, as partes estavam conectadas por um fio fino e se espalharam em um instante para criar um grande círculo diante dos olhos de Hajime.

Naquele momento, o enorme laser prateado atingiu Hajime… não, ele foi completamente engolido pelo círculo formado pelo chakram dividido e pelo fio. E então, essa luz de prata engolida saltou do outro chakram que também se separou e criou um círculo grande semelhante em um local mais afastado.

Chakram Variável, “Orestes”2.

O chakram até agora só podia criar um portal no pequeno interior da arma, mas esse novo tipo, “Orestes”, que teve melhorias aplicadas, poderia se separar e, com o fio interno, criar um portal que poderia ser alterado em tamanho. Dependendo da situação, ele também poderia ser usado como uma guilhotina, fazendo algo passar pela metade do portal e depois diminuir seu tamanho.

As apóstolas nem sequer sonhavam que o bombardeio focalizado pelas três, que poderia ser dito como um trunfo, seria devolvido a elas da forma que foi, talvez elas não pudessem se mover enquanto executavam o disparo, pois suas reações foram lentas e as três acabaram engolidas pela luz que dispararam, sendo aniquiladas literalmente sem deixar vestígios para trás.

― Vocês não evoluem. Vocês não podem lutar até a morte para sobreviverem, pelo bem do seu desejo, em nome do que é “importante”. Foi por isso que eu te disse desde o começo, não disse? Vocês são todas apenas bonecas de madeira.

― Irregular! Não, você é um verdadeiro monstro…

Um tiro ecoou. A bala que se curvou na trajetória se aproximou com facilidade e perfurou a testa da última apóstola.

Enquanto as penas de prata e os restos das apóstolas caíam como uma ilusão, Hajime girou as fumegantes Donner e Schlag e terminou de as recarregar, e então as guardou nos coldres em silêncio.

Olhando para o resultado, ele não estava ferido por sua luta contra as cinquenta apóstolas de deus. Ele estava ileso. Foi realmente um poder avassalador.

Esse fato fez as expressões de Shia, Tio e Shizuku se transformarem um pouco em êxtase. Suzu e Ryutaro soltaram uma risada seca.

“Impacto de Meteoro” que destruiu a Montanha de Deus, laser de convergência da luz solar do Hipérion Resplandecente, gatling bate-bunker e balas-vivas… quando Hajime tinha tempo, muitas armas absurdas poderiam ser produzidas uma após a outra.

O que significava ter um trabalho de não combatente? O que significava uma ocupação mundana? Na verdade, o próprio corpo do Sinergista ostentava especificações monstruosas devido a um evento irregular, mas a verdadeira arma do rapaz não era outra senão esse poder de desenvolvimento. E então, em todas as eras, o que se tornava uma ameaça à humanidade sempre era “algo” que foi criado recentemente. Em certo sentido, talvez pudéssemos dizer que Hajime possuía o talento mais aterrorizante.

Embora já fosse tarde demais nesse momento, querendo ou não, Shizuku e os outros foram obrigados a entender isso.

― Será problemático se elas vierem em sucessão. Vamos seguir em frente.

Ouvindo o Sinergista, que começou a correr enquanto dava a ordem como se nada tivesse acontecido, Shizuku e os outros voltaram a si e correram atrás dele.

― Aaa. Eu queria mostrar Hajime-san de agora pouco para Yue-san, desuuu.

― Fufu, esta pensou que poderia haver esse tipo de coisa. Assim sendo, esta trouxe o artefato de gravação de imagem. Quando tudo acabar, fareis uma reunião para apreciação do vídeo!

― Tio-san, boa, desu! Como esperado da extraordinária pervertida que pode até deixar seu nome na história!

― Fuhahaha, não elogie esta, não elogie esta! Esta ficará tímida, entendeste?

Shia e Tio riram uma com a outra com compostura enquanto estavam dentro da base inimiga que eram os Recintos Sagrados. O sentimento delas estava se aliviando com isso enquanto elas avançavam por um tempo.

Hajime e os outros enfim encontraram uma parede ricamente colorida. Quando a mão do garoto tocou a parede ondulante, a mão afundou para o outro lado com facilidade. Eles assentiram um com o outro e todo o grupo saltou para o outro lado da ondulação.


Se perguntassem a Eri Nakamura qual era sua primeira lembrança mais intensa, com certeza ela responderia isso:

― A cena da morte de meu pai.

Foi quando Eri tinha cinco anos. Ela foi com o pai para um parque público com apenas os dois, lá, a animada Eri pulou pela estrada sem cuidado e, com uma sincronia diabólico, um carro avançou, então seu pai morreu protegendo a garota. Em certo sentido, foi o resultado de um acidente de trânsito mundano.

Mas, houve um resultado que não era nada mundano. Foi o estado de sua mãe depois disso. A mãe de Eri era filha de uma família de classe alta, mas parecia que ela se voltou contra sua família e se casou com o pai de Eri, ela era tão apegada ao marido que até o coração infantil da garota ficava envergonhado.

Isso não foi apenas porque a mãe amava o pai, se alguém desse um passo para trás e olhasse com mais atenção, talvez estivesse no nível que poderia ser dito como dependência. Por esse motivo, a mãe de Eri, que desde o início não era mentalmente forte, foi incapaz de suportar a morte do amado marido que sustentava seu coração.

Por ser incapaz de suportar, ela mostrou suas presas à causa da morte. Sim, seu alvo era sua própria filha ― Eri. Em geral, uma mãe engoliria as lágrimas enquanto apoiava a filha, que deveria estar ferida porque testemunhou com seus próprios olhos a morte de seu pai, essa seria a maneira correta de agir como mãe. Mas, como esperado, embora a mãe de Eri se detivesse na frente de outras pessoas, quando elas voltassem para casa e houvesse apenas as duas, ela iria direcionar seu ódio para a garota sem disfarçá-lo.

Para a mãe de Eri, se a filha e o marido fossem colocados em uma balança, a balança se inclinaria para o último, ela também amava a filha porque esse era o fruto de sua união com o marido.

Na época, Eri, com cinco anos de idade, suportou com sinceridade a violência que era praticada quase todos os dias e a linguagem abusiva usada contra ela. Isso aconteceu porque Eri, que era inteligente para uma criança de cinco anos de idade, estava aceitando completamente as palavras de sua mãe que dizia: ― Foi sua culpa. ― O descuido dela matou o próprio pai ― a pessoa que acreditava nisso mais do que qualquer um não era outra senão a própria Eri.

Era natural que sua mãe se zangasse com quem roubou o homem que ela tanto amava. Era natural que ela, que fez seu pai morrer, fosse punida tanto em seu coração quanto em seu corpo. Eri acreditava nisso do fundo de seu coração.

Ao mesmo tempo, Eri também acreditava que, quando esse castigo terminasse, sua mãe, que parecia um demônio, voltaria a ser a mãe gentil do passado, que sempre sorria de forma gentil.

O abuso de sua mãe era engenhoso, ela nunca fez nada que pudesse deixar alguma marca no corpo de Eri. A garota também nunca havia revelado nada pelo bem de sua mãe e também por acreditar que ela era merecedora desse castigo. Por causa disso, essa situação continuou por alguns anos, mas não havia ninguém que pudesse perceber o que acontecia.

No entanto, para uma criança, não havia como ela estar sempre sorrindo vivendo sobre essas circunstâncias. Quando criança, cercada por um ambiente sombrio, Eri não tinha nenhum amigo na escola. Sua figura solitária e quieta, que parecia alguém esperando uma tempestade passar, era com certeza assustadora para as crianças da mesma idade.

Isolamento e autocondenação e a dor de seu coração, seu sentimento de pensar em sua mãe e sua solidão… o coração de Eri estava chegando ao limite. Assim, ela suportou tal situação por vários anos, mas, em certo sentido, também poderia se dizer como foi espantoso para ela aguentar tanto tempo.

Uma mudança aconteceu em dias tão sombrios.

Nove anos de idade ― quando ela estava no terceiro ano do ensino fundamental. Sua mãe levou para casa um homem desconhecido para casa. Ele era um homem adulto com uma atitude arrogante e mau caráter. Sua mãe usava uma voz muito doce para aquele homem, enquanto se esfregava no corpo dele.

Eri não poderia acreditar nisso. Sua mãe não mostrou tanta raiva e ódio para ela porque amava seu pai do fundo do coração, pensou Eri.

Esse pensamento não estava errado. Mas, o coração da mãe de Eri estava muito mais fraco do que ela imaginava. Na medida em que, se ela não fosse apoiada por alguém, a mulher não seria capaz de viver de forma apropriada.

A partir desse dia, a casa de Eri virou a moradia desse homem.

A maneira como o homem agia na casa era a mesma de um traste típico que costumava sair em de um romance barato. E, além disso, como se quisesse seguir a história clichê de tal romance, o olhar daquele homem em direção a Eri não era algo que seria direcionado a uma garotinha.

A sensação repugnante que parecia rastejar por todo o corpo fez com que a garota passasse o tempo dentro de casa prendendo a respiração ainda mais do que antes. Mesmo assim, o ato e a fala do homem foram aumentando aos poucos, logo Eri passou a se chamar com “boku3 e ela manteve seu cabelo com um corte bem curto. Essa foi a medida da pequena Eri para se defender do pensamento de que “se ele não está me vendo como uma garota, então está tudo bem”.

Na escola, Eri, que mesmo em situações normais já era vista como sombria e um pouco sinistra, um dia mudou de repente o modo como se chamava e apareceu com cabelos curtos como um menino, o que fez com que as poucas criança, que embora não fossem amigas dela, mas ainda conversavam diariamente com a garota, até essas crianças se distanciassem dela. Eri ficou cada vez mais isolada.

Mesmo assim, mesmo que sentisse que sua mãe traíra o pai, ela ainda acreditava. Que sua mãe com certeza retornaria à mãe gentil do passado. Ela fingiu não perceber que esse pensamento era apenas um tipo de fuga que desviava seus olhos da realidade.

Essa esperança de Eri, que era como desespero, foi destruída por um evento que a fez perceber que a esperança era apenas um fio frágil. Enfim, o homem mostrou suas presas de desejo para Eri. Foi enquanto a mãe dela estava fora em seu trabalho noturno.

Por sorte, embora não estivesse claro se isso poderia ser chamado de sorte, os vizinhos que ouviram o grito de Eri notificaram a polícia, graças a isso, a castidade da garota não foi tomada. A própria Eri estava pensando que talvez esse dia poderia chegar, então ela se preparou todos os dias abrindo a janela para que seu grito pudesse chegar com facilidade a alguém, essa foi também a razão pela qual ela foi salva.

E assim, ser atacado não foi algo chocante para Eri. Em vez disso, ela até pensou que essa era uma oportunidade. Com isso, sua mãe deveria por fim abrir os olhos. Sua mãe cortaria a conexão com um homem que atacou sua própria filha e ela se lembraria do pai de Eri. Em todo o caso, o homem foi pego pela polícia, então a conexão foi cortada. Com isso, o modo de vida de Eri e sua mãe melhoraria um pouco, ela pensou.

Sim, ela pensou dessa forma.

Somente até que sua mãe dirigisse um ódio que era ainda maior do que ela mostrou até então.

Depois de terminar com o interrogatório da polícia e ela voltar junto com Eri para casa, o que veio cumprimentar Eri foi o tapa da mãe. E então, a mãe disse isso a sua filha: ― Como você ousou seduzir aquela pessoa!?

Parecia que, para sua mãe, o incidente em que Eri foi atacada pelo homem não foi um evento para que ela percebesse o lixo que era aquela pessoa, mas isso foi percebido pela mãe como sua filha roubando seu homem mais uma vez. Em vez de a filha sendo agredida, a questão de como o homem foi separado dela e como o desejo dele foi dirigido a Eri eram os assuntos que a mulher não podia suportar.

Uma mãe que traiu o pai, uma mãe que a machucou, uma mãe que ficou triste porque o homem se foi e não a filha sendo agredida… nesse momento, Eri enfim percebeu. Não, talvez pudéssemos dizer que ela finalmente entendeu algo, mas estava desviando seus olhos até agora.

Ou seja, sua mãe não a amava. Sua mãe do passado não voltaria mais. A verdadeira natureza de sua mãe não era a figura gentil do passado, mas a figura transbordando de feiura diante de seus olhos.

Ela percebeu tudo isso.

Foi por isso que ― Eri se quebrou.

Tudo o que ela acreditava era uma ilusão. Sua resistência não tinha sentido. E então, não havia esperança para o futuro por vir. Esses fatores foram fortes o suficiente para quebrar a jovem Eri.

Quando ela acordou no dia seguinte, não do sono, mas de seu desmaio, era de manhã cedo quando o sol ainda nem havia nascido, e ela saiu da casa. Não era um ato de testar a afeição que as crianças costumavam realizar, para ver se sua mãe se preocuparia e iria procurá-la. Foi por uma questão de dar um fim a ela mesma ― em outras palavras, para se suicidar.

Ela saiu de casa porque, por algum motivo, não queria morrer perto de sua mãe.

Assim, Eri vagou instável, sem nenhum destino em particular, e o que ela descobriu foi um rio. Um grande rio em um local um pouco distante de casa. A planície fluvial bem mantida tornou-se um bom lugar para as crianças brincarem. Com isto, Eri, que olhava de forma vaga o rio que fluía abaixo da ponte de ferro que se estendia para o alto, pensou: “Vamos fazer aqui”.

Era um rio com bastante água, mas o fluxo não era muito rápido e não era como se o nível da água subisse devido à chuva. Para um suicídio por afogamento, esse lugar poderia ser considerado inadequado. Em vez de se afogar, havia mais perigo ao pular da ponte e aterrissar de forma incorreta. Embora esse risco fosse diminuído pela água do rio e não causasse a morte em muitos casos.

O corpo de Eri subiu com a ajuda de seus braços finos, a parte superior do corpo foi projetada para fora do corrimão. Assim, como se estivesse sendo sugado, o corpo de Eri estava quase caindo embaixo da ponte… nesse momento, de repente, uma voz a chamou.

― O que você está fazendo? ― A voz disse.

O que entrou nos olhos vazios da garota, que olhavam para trás, foi um garoto da mesma idade dela, ele estava vestindo uma camisa e obviamente estava correndo. Eri também conhecia bem esse garoto, ele era alguém da mesma escola que ela e que reuniu toda a popularidade para si, um garoto brilhante ― sim, esse era Kouki Amanogawa.

Vendo a expressão sombria de Eri olhando para trás, Kouki adivinhou que ela não estava em um estado mental normal, ele a afastou à força do corrimão e demonstrou seu senso de justiça por completo.

Para Kouki, que persistentemente perguntou sobre a situação, Eri explicou com muitas coisas sendo omitidas. Ela fez isso porque, se não o fizesse, não parecia que o garoto a deixaria ir. Kouki, que ouviu a explicação muito abreviada da garota, entendeu da seguinte maneira.

Eri, que estava isolada na escola, foi disciplinada com rigor pelo pai por causa disso. Quando ela pediu ajuda à mãe, até a mulher a repreendeu como seu pai. Eri não tinha nenhum aliado e, triste, tentou se suicidar.

Essa conclusão não poderia ser considerada equivocada ao ouvir apenas a informação fragmentada. Para Kouki, que ainda era imaturo e tinha a impressão de que a natureza humana era fundamentalmente boa como sua base pensante, algo como o princípio por trás do ato da mãe de Eri estava além de seu entendimento, ele era incapaz de imaginar que um homem adulto pudesse usar uma garota da mesma idade que a dele como fonte de seu desejo, além disso, como a mãe culparia a filha por isso? E assim, a conclusão ficou dessa forma na esfera limitada de entendimento de Kouki.

Entendendo assim, com um sorriso e força que deixavam as meninas da escola cativadas, mesmo naquela idade, o garoto colocou as mãos nas bochechas de Eri enquanto declarava à queima-roupa.

― Você não está mais sozinha. Eu protegerei Eri.

Ele disse isso. A palavra “proteger” foi dita a ela, no coração de uma garota quebrada, logo depois que ela compreendeu que não tinha valor para ninguém. Isso foi, sem sombra de dúvidas, dito com certeza. Do garoto mais famoso da escola que era como um príncipe, em uma situação que poderia ser considerada dramática em certo sentido, esse tipo de frase foi dito para Eri.

No fundo de seu coração, para a garotinha que continuava a procurar carinho de alguém durante todo esse tempo, essas palavras foram muito intensas.

Além disso, naquele dia, Eri, que de alguma forma desistiu do suicídio, foi obrigada pela mãe a ir à escola, lá ela ficou surpresa porque as meninas da classe vieram conversar com ela uma após a outra, e quando ela soube que essa situação foi por causa de uma palavra de Kouki… para dizer isso de forma simples, seu coração passou a pertencê-lo.

Depois disso, as equipes do centro de consulta infantil suspeitaram de maus-tratos devido ao comportamento da mãe de Eri e foram visitá-la para investigar várias vezes. Contudo, mesmo sendo jovem, ela sabia que se fosse separada de sua mãe teria que se mudar para outro lugar, em outras palavras, ela seria separada de Kouki. Eri, que pressentiu isso, agiu como a “garota que amava a mãe” com toda a força.

Ela sentiu vontade de vomitar, mas, na frente dos funcionários, abraçou a mãe com um sorriso e atuou como mãe e filha felizes. Mesmo agora, Eri ainda se lembrava da expressão de sua mãe naquele momento. Sua expressão mudou de choque para um rosto desconfortável e depois transformou-se em claro medo.

Olhando para sua mãe assim, o que Eri pensou foi: “Aah, então é isso”. Apenas mudando o método, algo como posição ou emoção poderia ser superado com facilidade. Só por ela sorrir de forma alegre como se sua tristeza até agora fosse apenas uma mentira, sua mãe desviou os olhos e calou a boca. Quando mais tarde, ela sussurrou: ― Agora, o que você quer que eu te roube? ―, brincando, sua mãe ficou pálida e gritou enquanto corria para fora da casa.

Eri estava convencida de que tudo isso era graças a Kouki ― o príncipe que apareceu de repente e jurou protegê-la. No dia em que seu príncipe a salvou, ele também a mudou. Ela renasceu graças a Kouki. Por isso, sua vida a partir de agora seria junto dele, que era como uma luz radiante, e ela viveria de maneira semelhante dentro da luz.

Ela ameaçou sua mãe, e então a induziu para que a mulher só entregasse o custo de vida para a casa, a garota organizou o ambiente para que ela pudesse estar ao lado de Kouki… ela estava convencida de que era alguém especial e que foi escolhida pelo príncipe…

Mas, Eri estava equivocada. Para Kouki, Eri nada mais era do que uma pessoa que deveria ser salva pelo herói da justiça. Depois de chamar seus colegas de classe e pedir que eles fossem amigos da isolada garota, o resgate do herói acabou. Assim como nos animes, as pessoas que foram salvas pelo herói não aparecem mais no episódio seguinte, para Kouki, o problema de Eri era “uma história que já havia terminado”.

Foi por isso que Eri pensou na situação de Kouki, que só entrou em contato com a garota como se ela fosse apenas “mais uma na multidão”, a menina pensou no motivo para as outras garotas não conseguirem entender que ela era a “pessoa especial” do garoto. “Esse local é o lugar ao qual eu pertenço, certo?”, ela ponderou.

Devido a isso, Eri, que era incapaz de se aproximar de Kouki na mente e no corpo, e não podia fazer mais nada, exceto continuar olhando para ele, começou a perceber várias coisas.

As meninas da classe que conversaram de forma íntima com ela fizeram isso apenas “porque esse era o pedido de Kouki”.

Que ao lado de Kouki, já havia uma “pessoa especial” que o acompanhava desde muito antes do momento em que eles trocaram palavras na ponte no início da manhã, que não havia lugar para ela pertencer.

Para Kouki, ela era alguém cuja história com ele já havia terminado.

No momento em que percebeu isso, era como se ela estivesse ficando louca, não, ela estava literalmente ficando louca enquanto pensava na mesma coisa continuamente todos os dias.

“Você disse que não estou mais sozinha, certo?”

“Você disse que iria me proteger, certo?”

“Eu sou especial para você, certo?”

“Ei, por que você está dizendo as mesmas palavras para outra pessoa, é o que eu me pergunto.”

“Ei, por que você não está olhando apenas para mim?”

“Ei, por que, agora, você não está me resgatando, mesmo que eu esteja com tanta dor?”

“Ei, por que você está mostrando esse tipo de rosto para outra mulher?”

“Ei, por que os olhos que você está me olhando são os mesmos que você usa com ‘aquela outra multidão’?”

“Ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que, por que…”

Dessa forma, Eri entendeu.

Sobre o humano chamado Kouki.

E então ela se lembrou.

O que ela aprendeu com a mãe, como a emoção e o ato de alguém podiam ser mudados com tanta facilidade com apenas um ato.

Foi por isso que…

― Assim eu consegui colocar Kouki-kun na minha mão, não é? Bem, houve muitas coisas irregulares como a invocação para outro mundo e assim por diante…

— Hmm? Eri, você disse algo?

Em um certo lugar nos Recintos Sagrados, Eri, que olhava para um terreno baldio enquanto sussurrava para si mesma, fez Kouki se virar para ela e ele perguntou enquanto inclinava a cabeça. Para o Herói, a Necromante sorriu com alegria enquanto se aproximava dele, e então ela se aconchegou em suas costas. Ela estava agarrada a ele como a mãe dela fez com aquele homem. Ela fez isso de modo inconsciente.

― Não, não há nada de errado, entendeeeu? Eu estava pensando que seria ótimo se derrotássemos logo esse demônio e depois recuperássemos seus amigos de infância, não seriiiia, isso é tudo, táááá?

― Entendo… você está certa. Eu penso da mesma forma. Temos que libertar logo Shizuku, Kaori e Ryutaro, e também nossos colegas de classe da lavagem cerebral. Nagumo também, ele é sem dúvidas um colega de classe, mas… esse cara fez muito mal. Mesmo que eu tenha que transformar meu coração no de um demônio, tenho que derrotar aquele cara. Mesmo que eu tenha que suportar o estigma como assassino de um colega de classe, tenho que salvar a todos, não tenho?

― Vai ficar tudo bem, entendeeeu, Kouki-kun? Porque eu estou do seu lado, táááá? Vou ajudá-lo sempre. Sou eu, só eu, que serei a aliada de Kouki, não importa o que aconteça, entendeeeu?

― Eri… obrigado. Eu pude me tornar tão forte e me tornar capaz de lutar contra aquele cara também, tudo graças a Eri. Eri é minha…

― Minha? Minha o que, eu me perguntoooo?

Eri sussurrou no ouvido de Kouki e deliberadamente o pressionou a falar a resposta óbvia. Contra isso, as bochechas do Herói coraram um pouco, mas suas palavras foram firmes.

― Você é a minha… “pessoa especial”. Não importa o que aconteça, “não vou deixar você ficar sozinha” daqui em diante. “Vou proteger Eri”.

― Fuh, fufu, kuh, fuufufu…

― Eri? … nmu-…

Eri, que soltou uma risada por não conseguir se segurar, fez Kouki olhar por cima do ombro com um olhar preocupado. Enquanto mostrava uma expressão de êxtase, a Necromante colou seus lábios nos do Herói. E então, seus lábios se separaram com um fio de prata esticada entre eles. Enquanto olhava de volta para os olhos de Kouki que pareciam vazios, Eri murmurou sorrindo:

― Sim, está tudo bem deste jeito. Kouki-kun, nós vamos ficar juntos para sempre, não vamoooos?

Um vento seco soprou.

“… no mundo onde não há ninguéééém além de nós dois…”

As últimas palavras sussurradas dentro do coração de Eri não entraram no coração de Kouki. Em troca disso, de um local um pouco afastado, havia um som ecoando. A expressão do Herói se transformou em um olhar feio. Seus olhos continham chamas de ódio.

Esses eram os passos de seu inimigo odiado e de seus amigos de infância.


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Notas

[1] O adamantino é um material mitológico e fictício extraído da natureza (ou forjado do amálgama de metais duros, gemas ou diamantes) que tem a qualidade de ser indestrutível depois de solidificado. Por extensão de sentido, o adjetivo adamantino é atribuído a objetos ou pessoas marcadas pela firmeza, integridade ou incorruptibilidade. Adamantita e adamantium também são variantes comuns.

[2] Na mitologia grega, Orestes era o filho de Clytemnestra e Agamemnon. Ele é o protagonista de várias peças da Grécia Antiga e de vários mitos conectados com sua loucura e purificação.

[3]Boku” é uma maneira de se referir a si mesmo geralmente usada por garotos, uma garota usa o termo “watashi“.



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