Arifureta – Capítulo 161 – Uma Orcus nostálgica (Fim)


— Hajime-san! Estou de volta, desuu!

O portal que ligava o espaço ao esconderijo de Oscar Orcus se abriu, de lá, Shia pulou como uma coelha.

Ela foi se encontrar com a mestra do Grande Calabouço Raisen que eles já haviam conquistado, Miledi Raisen, como a mensageira de Hajime, mas agora que cumprira sua missão com segurança, ela estava de volta.

Shia viu o braço artificial que havia sido devolvido à manga esquerda de Hajime que a recepcionou, sua expressão ficou ainda mais feliz.

— Bem-vinda de volta, Shia. Eu recebi o seu relatório. Parece que você conseguiu se encontrar com Miledi de novo sem problemas, hum?

— Sim, desu. Infelizmente, parece que Miledi-san não pode sair de seu território com facilidade. Ela estará guardando suas forças até o dia da batalha decisiva e eu não pude trazê-la de diretamente, mas… em troca, recebi várias coisas que pareciam úteis para ela.

— Entendo. Você se saiu bem. Obrigado por seu trabalho duro. Então, você conseguiu entrar usando a prova da conquista?

Para a garota-coelho, que estava batendo suas palmas na sacola que carregava nas costas com um sorriso que parecia dizer: — Eu tenho coisas muito boas aqui! —, Hajime retribuiu com um sorriso enquanto perguntava.

Depois que eles foram tratados como sujeira que foi expelida pelo banheiro, o Sinergista lembrou o momento em que eles foram obrigados a sair pelo atalho para o exterior do labirinto. Ele inclinou a cabeça em contemplação, pensando: “Não me diga que ela teve que passar pelo canal de água?” Se Shia fez mesmo isso, era como se ela estivesse saindo do interior de um banheiro enquanto dizia: — Boa tarde! — Assim sendo, pensando em seu coração de donzela, o rapaz teria que recompensá-la.

Parecia que Shia também adivinhou o que Hajime estava imaginando com sua pergunta. Ela sorriu sem graça enquanto balançava a cabeça dizendo que estava tudo bem.

— A nascente nos arredores de Brook não reagiu, como já suspeitávamos. E assim, tentei avançar a partir da entrada regular, mas nesse momento, a prova da conquista reagiu… o método de transferência usual da primeira sala me enviou para a sala mais profunda. Isso aconteceu de forma educada, enquanto girava um pouco a sala. Bem, isso não afetou o meu eu atual, então não havia nenhum problema, mas… como sempre, ela foi uma pessoa irritante. Sim, com certeza foi.

— En-entendo… não, muitíssimo obrigado pelo seu trabalho duro. De qualquer forma, entre aqui. Lá dentro, o tempo também é estendido, então ouvirei os detalhes na oficina.

— Ah, sim, desu.

Shia recuperou seu olhar voltado para o além enquanto algo um pouco negro cobria a garota, vendo isso, o Sinergista de podia imaginar que tipo de conversa ela teve com Miledi, o rapaz, cujo sorriso sem graça se aprofundou, convidou a garota-coelho para a oficina.

Nesse momento, quando Shia entrou no prédio pelo lado de fora, onde o portão estava instalado, gashon! gashon!, passos mecânicos ressoaram nas proximidades. Ao mesmo tempo, a voz feliz de uma criança reverberou.

— Ah, Shia-oneechan! Bem-vinda de volta, nano!

— Myuu-chan! Estou de volta… desu?

Enquanto as bochechas de Shia relaxavam com as boas-vindas de Myuu, ela também inclinou a cabeça, se perguntando: “Que barulho é esse?” e seu rosto apareceu por trás de Hajime. E então, a figura de Myuu sendo cercada por golems em formas que ela nunca tinha visto e a própria Myuu sentada em um dos ombros deles entrou em seu campo de visão, de modo que as palavras da garota-coelho pararam sem que ela se desse conta.

O número de golems era seis. Suas figuras tinham várias pernas e vários braços segurando incontáveis armamentos com brilho metálico de seus corpos, todos os golems tinham uma intensidade sombria. Se, por exemplo, Shia os encontrasse dentro de um labirinto ou em outro lugar, com certeza diria algo como: — O inimigo descobriu como desenvolver armas mortais, desuu! — ou: — A vitória vai para quem faz o primeiro ataque, desuu! — e os atacaria.

Na verdade, até Shia voltar, vários dias se passaram dentro da oficina, durante esse intervalo, Hajime viu vários pontos em que poderia melhorar “Belfegor”1 e “Asmodeus”2 que ele presenteou a Remia e Myuu, então o garoto aplicou melhorias sequenciais neles. Como resultado, ele chegou à conclusão de que, no fim, os golems poderiam até suportar o combate, assim, o Sinergista assumiu a produção dos golems-vivos, a fim de investir na força de batalha deles como armas.

Nesse momento, ele também estava produzindo armas de tamanho maior, dessa forma, eles estavam precisando de mais ajuda do que contavam apenas com Belfegor e Asmodeus, e assim, enquanto produzia os golems de combate, Hajime também aumentou o número de “animais de estimação” de Myuu enquanto cuidava disso.

Mas não era como se não houvesse nenhum problema…

— Err, Myuu-chan, essas coisas que parecem golems são…

— Myuu ganhou eles do papai, nano! Este aqui ´é “Bel-chan”, e este é “Sa-chan”. Depois também tem “Lu-chan” e “Ma-chan” e “Levi-chan” e “Bal-chan”, nano!

— Ha, haa, é mesmo? Uh, hum, de qualquer forma, eles são o trabalho de Hajime-san, então está tudo bem, desu. Isso não é ótimo, Myuu-chan?

— Sim, nano!

A propósito, os nomes formais dos golems pareciam ser: “Satã”3, “Lúcifer”4, “Mamon”5, “Leviatã”6 e “Belzebu”7. Todos esses nomes foram dados por Myuu prontamente, sem nenhuma ponderação. Não era preciso dizer como as bochechas de Hajime estavam contraídas com isso. Mais tarde, seria necessário investigar se Myuu havia atraído os olhos de coisas estranhas.

Ao mesmo tempo em que Myuu introduziu seus nomes, os golems-vivos fizeram poses pomposas. Hajime não os deu essa função, e Myuu também não parecia ter dado a eles a instrução, mesmo assim… por que diabos eles fizeram essas poses…

Suas figuras pareciam estar dizendo: — Esquadrão ☆ Demônio ☆ de ☆ Batalha ☆ dos ☆ Pecados ☆ Capitais Rangeeeer!!!8 — O ranger vermelho era com certeza o Satã da fúria, como poderia se esperar.

De qualquer forma, não houve nenhum problema de funcionamento, e eles também eram muito obedientes a Myuu, que faria qualquer um observando imaginar os golems agitando seus rabos de cachorro para os lados felizes, então o Sinergista decidiu ignorar isso. Sem perder mais tempo, ele levou Shia para a oficina.

Ao entrar na oficina, o cristal do tempo foi ativado e o fluxo do tempo era um décimo do normal. Olhando para o espaço colorido de forma monótona e as armas que eram produzidas de forma automática devido à Transmutação Automática, Shia emitiu uma voz de admiração.

O Sinergista fez a garota-coelho se sentar na cadeira no canto da sala e ouviu o relato dela. Shia fixou a postura sentada e tirou vários itens que pareciam ser artefatos de sua mala.

— Hajime-san, essas são as coisas que Miledi-san me entregou.

— … pelo que posso ver, eles se parecem com artefatos.

— Sim. Parece que eles não são perfeitos, mas são contramedidas contra a Declaração Divina. Se o Hajime-san os revisar, talvez também possa concluir o trabalho feito neles.

— Hã… isso será apreciado.

Hajime pegou a bola cinza do tamanho de uma bola de gude e olhou para ela.

De acordo com seu olho mágico e a avaliação de mineral, parecia que a bola estava cheia de magia da alma. Dentro da bola, parecia haver um encantamento que contava com uma magia de “orientação do coração” que possuía o efeito de transmitir a vontade de alguém diretamente ao estado da alma, ou talvez até à própria alma.

— Eu tinha um palpite sobre o truque da Declaração Divina, e parece que eu estava certo.

— E, isso significa?

— Essa magia é uma que está conectada à magia da alma. Ela reverbera as palavras em sua alma de forma direta e prende sua consciência em um nível subconsciente. Eu diria que é algo como uma sugestão absurdamente poderosa. A magia precisa que o conjurador murmure seu nome por causa do senso comum de que um comando precisa de uma pessoa para recebê-lo.

— Entendo. Afinal, não há uma pessoa que obedeça a um comando com um criador desconhecido, há? A declaração se torna ainda mais poderosa quando ele dize seu nome completo. Além disso, o reconhecimento do interlocutor pelo ouvinte se torna ainda mais forte, é algo parecido com isso?

— Você também pensou nisso, não pensou? Essa bola de mármore… ela tem um nome?

— Aa, não, eu não perguntei. Não está tudo bem dar um nome qualquer?

— É mesmo? Então, vou chamá-lo temporariamente de “Muralha da Alma”, essa coisa parece ter o poder de impedir que a Declaração Divina alcance a alma. Ela aplica a “orientação do coração” para perturbar a vontade transmitida e transformar a afirmação apenas em ruído. Ela não é perfeita. Eu acho que é porque a Declaração Divina de Ehito é tão poderosa que não pode ser alterada para um simples ruído.

Shia assentiu: — Entendo. — após a explicação de Hajime.

— Portanto… se for Hajime-san, você será capaz de melhorá-la para que possa bloquear a magia com perfeição?

— Veremos… acho que isso é possível se eu combinar meu poder mágico com a magia da sublimação. Embora, se o item for roubado como antes e esmagado, será game over.

— Aa, agora que você mencionou… então, o que podemos fazer? Deste jeito, não poderemos usar isso, exceto em um ataque surpresa, será que…

— Não, na verdade, agora eu tenho o esboço de uma ideia. Eu não tenho a aptidão, então haverá dificuldades, mas parece que um pouco mais da forma está surgindo. Se eu aplicar essa ideia, o item não será roubado. Além disso, eu com certeza posso criar uma Muralha da Alma com alto efeito. De qualquer forma, é uma grande ajuda que eu não precise pensar na contramedida para a Declaração Divina do zero. Essa é sua conquista, Shia.

O sorriso alegre de Hajime fez a garota-coelho bater as orelhas com alegria. Na realidade, a conquista pertencia a Miledi, que entregou a Muralha da Alma, mas seria um pouco irritante sentir-se grato a essa pessoa, então o rapaz elogiou Shia. Ela também tinha o mesmo sentimento, assim, a garota se sentiu feliz por ser útil.

— Aliás, isto também, desu.

— Uma espada curta, hã? Mesmo assim, sinto muito poder vindo dela. Mas que diabos… hee?

O que foi retirado da bagagem a seguir foi uma espada curta enrolada em um pano com o comprimento da lâmina chegando a cerca de vinte centímetros. Era uma simples espada de gume duplo sem um guarda-mão, ela lembrava o tipo de espada curta que era chamada de dirk9.

Hajime, que a recebeu, tirou o pano e olhou maravilhado para o poder que sentia, depois ele investigou a arma da mesma forma como fez com a Muralha da Alma. Sua voz escapou sem querer pela habilidade que estava encantada na espada. Olhando para o estado do Sinergista, Shia também assentiu com simpatia.

— Segundo Miledi-san, ela se chama “Espada Curta da Travessia Divina”. O conceito inserido nela é o de “matar deus”, ao que parece.

— Então, esse é um dos três conceitos mágicos que Haltina disse que os libertadores criaram, hum. Então aquela Miledi tinha isto. Chih, ela deveria ter nos dado isso logo.

— … quando eu disse isso: “Você não falou que matar um deus ou algo parecido era problemático, heiiiin? Não há como eu dar isso para aquele tipo de pessoa, certo? Está bem tudo bem com a sua cabeça? Eeei? Está bem tudo bem com a sua cabeça? Eeei, eeei?”, ela disse isso para mim…

― Entendo…

— Sim. Mas está tudo bem, desu. Porque em retaliação, eu quebrei o lugar que o explosivo de Hajime-san destruiu antes e ela resmungou dizendo que era um trabalho complicado reparar tudo. Eu destruí tudo. Ela estava chorando um pouco enquanto me pedia desculpas, sabia, ku-ku-ku.

— En-entendo…

Shia estava sombria. Esse foi o surgimento da Shia sombria. Enquanto Hajime suava frio, a garota-coelho parou de fazer uma cara sinistra e sorriu enquanto continuava sua história. Foi uma mudança esplêndida.

— A propósito, parecia que também havia um artefato chamado “Flecha da Travessia de Mundos” para abrir o caminho para os Recintos Sagrados, mas ela foi perdida na última batalha dos libertadores. Além disso, eles foram encurralados pelas massas antes de confrontarem Ehito, então não está claro quanto efeito a “assassina de deus” terá. Mas essa espada curta não machucará a alma de Yue-san, então pode ser usada sem problemas, desu.

— Isso é ótimo. No momento, há também o trunfo que eu preparei, mas não há nada melhor do que ter muitas cartas na manga. E se isso não afetar Yue, não tenho queixas.

— Não é? Ela me disse que, quanto ao conceito de “matar deus”, parece que os libertadores perderam a paciência porque não conseguiram criar um trunfo, então todos eles beberam muito em desespero. No fim, quando todos estavam completamente bêbados, criaram uma competição para xingar Ehito com palavras obscenas e esse conceito foi criado. Coisas como posição oficial, raciocínio ou missão, esse tipo de pensamentos desnecessários não foram incluídos no conceito, apenas o sentimento de “Morra Ehito, seu ****** *******” compõe o conceito , por isso ele não afetará nada além de Ehito, desu.

— Eu-eu entendo… sim, compreendo os sentimentos deles. Miledi é uma mulher infinitamente irritante, mas quando recuperarmos Yue, acho que precisaremos pelo menos dizer obrigado, hum.

Enquanto sentia simpatia e irritação pela boa relação (?) dos libertadores, Hajime sorriu pela forma como eles obtiveram dois diferentes e úteis artefatos.

Quando ouviu o relatório de Shia, parecia que Miledi mobilizaria os golems dentro do labirinto. Então a garota-coelho instalou uma abertura do portal lá. Parecia que esses golems também foram construídos a partir da magia da metamorfose, então não era como se Miledi os estivesse movendo sozinhos, os golems eram formas de vida que se moviam de forma independente, obedecendo a comandos até certo grau.

Pensando nisso agora, era de fato difícil imaginar que Miledi sozinha controlasse cinquenta golems-cavaleiros ao mesmo tempo.

Contudo, no que dizia respeito aos Recintos Sagrados ou se havia mais deuses retentores além de Aruvheit, o ponto fraco das apóstolas ou métodos eficazes para combatê-las, etc., parecia que Miledi não sabia mais sobre essas questões do que o que Hajime e os outros sabiam. Em vez disso, pensando em como eles já haviam enfrentado Ehito diretamente e provado sua força com seus próprios corpos, em certo sentido, o Sinergista e o resto do grupo eram os que mais sabiam sobre isso.

Embora, mesmo sem obter nenhuma informação nova depois de receber esses itens, Hajime não tinha queixas. Porém, se ele encontrasse Miledi cara a cara, com certeza ele iria querer esmagar o rosto dela.

Quando Shia terminou seu relatório, o rapaz retirou de sua Caixa do Tesouro II outra Caixa do Tesouro II exclusiva para Shia e seu Drücken aprimorado ― o “Wirr Drücken” e outros equipamentos que ele preparou para ela.

― Hauuuu, é isso, desuu, como esperado, não é bom sem essa textura dura e fria, desuu.

No momento em que recebeu seu querido martelo de guerra de Hajime, Shia esfregou a bochecha na parte mecânica com um sorriso brilhante. Ela estava sussurrando coisas assustadoras como: ― Esmagar o inimigo com você é um desejo irresistível, desuu.

Enquanto se afastava um pouco, Hajime explicou sobre as novas funcionalidades de todos os novos artefatos, mas, de repente, a porta da oficina se abriu. Quem entrou foi Kaori… e depois Suzu e Ryutaro.

Na verdade, um pouco antes de Shia entrar em contato, os dois terminaram sua missão em Faea Belgaen e com os Haulia e alocaram a chave do portal nesses lugares antes de seguirem para Orcus. E assim, enquanto Kaori estava coletando materiais, ela também se tornou a guarda deles. Os dois subjugaram os monstros no abismo e tentaram acumular experiência de batalha e dominar a magia da metamorfose.

― Ah, Shia! Bem-vinda de volta. Fufu, olhando para você, parece que você teve vários resultados positivos, certo?

― Kaori-san. Estou de volta, desu! Aliás, vocês dois vieram mais cedo, não vieram? Como estão meu pai e as pessoas do clã Haulia e Faea Belgaen?

― Pois é, Shiashia. Não há nenhum problema. O povo de Faea Belgaen não tinha fé no início. Mas quando eles entenderam que isso dizia respeito ao destino do mundo, eles agiram depressa.

— É. Embora eles parecessem desconfortáveis com a luta, quando dissemos que os artefatos de Nagumo seriam compartilhados com todos, eles se motivaram, sim. Quanto ao clã Haulia… ah, hmm, bem, não há problemas, certo?

— … por que isso pareceu uma pergunta?

Shia dirigiu um olhar desconfiado para Ryutaro. O Lutador mostrou um estado vacilante, — Uu. —, com essa encarada, o olhar do garoto vagou, então, parecendo que ele não queria se lembrar do que aconteceu, ele abriu a boca.

— Não, não há nenhum problema real. É só que… é que… de repente, eles começaram a chorar e gritar, isso me assustou…

— Como é? Chorar e gritar? Meu pai, estava chorando?

― Pois é, Shiashia. Kam-san também está incluído, todo o clã Haulia estava chorando, sabia? Depois disso, foi uma confusão em que todos conversaram simultaneamente. Eles continuavam gritando coisas como: “Chefe banzai10!” ou: “Finalmente, poderemos lutar ao lado dele!” ou: “Matar! Matar! Matar!” A névoa na floresta foi até apagada por um momento com as vozes deles. Foi muito assustador.

— …

— Acho que o estilo de treinamento do Sargento Ha*tman não traz coisas positivas, é. Por algum motivo, todos eles tinham olhos vermelhos. A intenção assassina deles foi incrível. Um animal que parecia um macaco nas árvores caiu… quando olhei para seus olhos, eles estavam brancos e o monstro já estava morto. Acho que seu coração parou apenas com a intenção assassina.

— … por algum motivo, eu me sinto culpado.

Suzu e Ryutaro explicaram enquanto seus rostos ficavam pálidos e seus corpos começavam a tremer. Devia ter sido uma cena anormal e aterrorizante. Para ser franco, era inevitável que os dois vissem o respeito e o carinho do clã Haulia por Hajime como algo parecido com a fé fanática por Ehito. Dentro do coração deles, os dois alunos pensaram em segredo: “Como esperado, Nagumo-kun é o rei demônio… não, talvez ele seja um deus demônio?”

Além de poder participar do campo de batalha de Hajime, esse pedido de adesão veio do respeitado chefe deles. Para aqueles que desejavam lutar juntos com o Sinergista, as palavras “Me emprestem sua força” desse chefe eram algo realmente alegre. A cena em que todos eles estavam comemorando flutuou pelos olhos de Shia, suas orelhas de coelho se encolheram com um ruído e ela também murmurou pedidos de desculpas.

Hajime, que estava sorrindo sem graça para essa conversa entre Shia e os outros, mudou a conversa para Suzu e Ryutaro, com o desejo de, de alguma forma, evitar esse tópico.

— E então? E o resultado do seu treinamento? Vocês conseguiram subjugar um bom monstro?

— Uu…

— Não, de jeito nenhum!

Suzu, que desviou o olhar com expressões estranhas, e Ryutaro, que negou com uma risada animada. Por ora, o Sinergista puxou o gatilho da nova Donner e uma bala de borracha atingiu na têmpora de Ryutaro. — NUOoOOO! — O Lutador gritou enquanto se contorcia no chão, para ele, o olhar frio de Hajime parecia esfaqueá-lo.

Assim, Kaori parou isso em pânico.

— Es-espere-espere! Isso não significa que não houve resultados!

— Hoo. Então? De que resultado você está falando?

Suzu, cuja expressão tremia de medo devido à falta de hesitação de Hajime, se contorceu ao responder.

— Si-sim. Quanto a isso, também houve a ajuda de Kaori e eu consegui subjugar muitos, mas…

— O que, então você realmente conseguiu fazer isso de forma apropriada. Então qual foi o problema?

— Err. Em primeiro lugar, eu enfrentei um monstro que podia cuspir um ácido poderoso, uma enorme ― centopeia.

— Aah, esse monstro. Na camada superior, também há monstros que são semelhantes a esse, mas este da camada inferior pode separar seus segmentos para saltar, sua capacidade de cuspir ácido ao separar seus segmentos é incomum, não é? Lembro que um deles me deixou um pouco desesperado, sabia?

— Depois disso, um monstro que podia disparar agulhas explosivas com rapidez como se fossem balas, uma grande ― abelha.

— Esse também, hum. Em vez de chamar de agulha, era mais parecido com um pequeno míssil, não é? Lembro-me de quando interceptei a agulha, fui engolido por uma explosão, isso foi chocante.

— Um monstro que nadava no subsolo como uma toupeira ― uma formiga.

— Bem, ela tinha ataques surpresa.

— Um com seis braços que disparava foices de vento ― um louva-a-deus.

― … mais algum?

― … coisas como aranhas ou borboletas.

― … por que todos eles são insetos?

Na direção dessa esplêndida formação, Hajime olhou para Suzu como se estivesse olhando para algo bizarro. Na mesma hora, a garota começou a chorar.

― Eu não sei. Por que os monstros que minha magia da metamorfose pode afetar são apenas do tipo inseto!? Mesmo que no mar das árvores eu consegui domar os fofinhos com sucesso. Orcus é estranha demais!

Parecia que essa não era a real intenção de Suzu. Parecia que ela subjugou os insetos como último recurso. A figura da garota, que chorava de angústia, desmoronou no chão, convidando um sentimento de compaixão.

De fato, seus monstros eram uma visão estremecedora só de imaginar a escalação. Contudo, este lugar era o abismo, além disso, esse eram monstros dos níveis inferiores, em comparação com os monstros na superfície, eles eram muito mais fortes. Deixando de lado as apóstolas, eles certamente se tornariam uma força de batalha confiável o suficiente contra os soldados-marionetes de Eri e os monstros que Freed dedicara seu tempo para evoluir.

― Bem, vamos lá, o outro lado também pode mostrar aberturas com a repulsão, correto?

― Você está me dizendo para lutar enquanto enojo o inimigo? O oponente de Suzu é Eri, entendeu? Mesmo Suzu querendo conversar com ela, você quer que eu desde o começo a deixe enojada? Soluça, com certeza Suzu será considerada a garota dos insetos ou algo assim… “Uah, nojento!”, Eri sem dúvidas dirá isso…

― Ma-mas-mas Suzu-chan! Veja, você tem aquele pequenino, não tem!? Aquele é fofo, é sim!

― Espere, Kaorin! Suzu disse que esse era um segredo!

— Ah? Segredo?

Talvez porque a figura de Suzu se sentindo triste enquanto desenhava um círculo no chão fosse lamentável demais, Kaori, ao seu lado, estava a animando de forma desesperada. No entanto, com essa tentativa de animar sua colega, por algum motivo, Suzu tentou impedir Kaori de falar com afobação enquanto olhava para Hajime. A Curandeira também voltou aos seus sentidos e tampou sua boca.

As duas, que sem dúvidas estavam escondendo algo, fizeram Hajime apertar os olhos. Seus olhos suspeitos estavam transmitindo: “Não façam essa confusão e fiquem tremendo assim, abram o bico logo, ora.”

Suzu estava soltando uma voz de: — Uu! — com o olhar vagando, enquanto Kaori mostrava uma expressão perturbada, imaginando o que devia fazer.

Mas, nesse momento, Myuu, que pilotava Belfegor, entrou na oficina. Parecia que ela tinha algo para comunicar e olhou para Hajime, dessa forma, de modo natural, ela pisou em Ryutaro, cuja têmpora foi baleada e estava agachado aos pés do golem. — Gue!? — Parecia que essa voz ressoou, mas ninguém prestou atenção.

— Papai! Há um coelho-san, nano!

— Hmm? Claro, se é de um coelho que você está falando, então há um aqui.

Enquanto inclinava a cabeça para Myuu, que pulava para cima e para baixo com as duas mãos acima da cabeça como se fossem orelhas de coelho, o Sinergista moveu o olhar para Shia. A garota-coelho também bateu as próprias orelhas de coelho para cima e para baixo.

— Não é isso, nano. É um coelho-san que não é Shia-oneechan, nano. Ele é muito forte e legal, nano! Mesmo quando Lu-chan e Sa-chan e Ma-chan lutaram juntos contra ele, o coelho-san não perdeu, nano.

— O quê? Ele está atacando aqui?

— Não é isso, nano. Veja, quando a mão do coelho-san fez “kui, kui11“, Lu-chan e outros viram e disseram: “Seu *******, na frente da princesa, você se atreve a nos desafiar!? Muito bem, te ensinaremos qual é o seu lugar!” e então eles começaram uma luta (?), nano!

— … Lúcifer e os outros, eles podem falar? Além disso, eles se movem sozinhos?

— ??? Lu-chan e os outros sempre conversam, eles se movem sozinhos, nano. Isso é óbvio, nano. Papai, qual o problema?

— … a propósito, neste momento, o que Belfegor, em que Myuu está montada, está dizendo?

— Nmyu? “… só aguarde, -su. É mesmo impossível para eu começar de repente a lutar contra você, entendeu, -su? Paz & Amor é o melhor. Por favor, ensine isso a eles mestra”, é o que ele disse, nano.

— … … … … entendi.

Hajime ativou sua habilidade superior de ignorar as coisas com força total e suportou a enxurrada de perguntas que ele queria fazer. Havia muita coisa que ele queria retorquir, mas para o rapaz, isso já estava acima de sua capacidade.

E assim, por enquanto, ele apenas compreendia a parte em que parecia que os rangers demoníacos chamavam Myuu com carinho de princesa. Isso era algo bastante estranho, mas, por algum motivo, o Sinergista não sentiu que era algo perigoso, nem mesmo por um momento, Myuu, que era sensível à má vontade desde que foi sequestrada, reagiu de forma negativa, ela estava emocionalmente ligada aos golems, então ele decidiu não se preocupar.

Embora agora ele não pudesse entender a situação, ele pediu a Myuu para parar a luta de Lúcifer e os outros e que levasse o coelho até ele. — Sim, nano! — Myuu respondeu com energia e saiu da oficina junto com Belfegor.

— Então? O monstro que vocês deveriam ter subjugado está provocando e lutando com os golems, qual é o significado disso? Além disso, vocês não parecem duvidar que o monstro esteja fora de controle, hã? O que vocês estão escondendo? Desembuchem.

Para resolver sua outra dúvida, o olhar de Hajime se voltou para Kaori e Suzu, que sem dúvidas estavam agindo de forma suspeita.

Assim, talvez por enfim desistirem, as duas abriram as bocas.

—Sa-sabe Hajime-kun. Esse filhote, ele-ele não é uma criança ruim, ou melhor, ele é especial. Aquela criança admira Hajime-kun, quero dizer…

— Hã? Me admira?

— Sim! É isso mesmo! Em certo sentido, Nagumo-kun também é a causa, é por isso que no momento em que você o ver, pelo menos, não saia atirando para matar, tá bem? Não faça isso! Afinal, ele é o único fofo que concordou em aceitar a magia da metamorfose de Suzu! Por favorzinho, Suzu implora!

— Mas o que diabos…

Hajime só poderia ficar perplexo com as palavras incompreensíveis das duas.

Logo depois disso, com um excelente timing, o “coelho-san”, ou algo parecido, foi liderado por Myuu e seus golems e entrou na oficina.

Sua figura era com certeza a de um coelho. Orelhas de coelho compridas e olhos pretos avermelhados — não, olhos quase carmesins. Em seu pelo branco, havia várias faixas fracas de vermelho. As faixas não pulsavam como em outros monstros, eram como um padrão que brilhava de forma atraente no pelo branco. E então, o que tornava o coelho mais peculiar eram suas patas traseiras, desenvolvidas em um grau impossível para um coelho normal.

Embora fosse um pouco diferente, para Hajime, sua aparência era muito familiar.

— Kyu!

Além disso, seu grito que parecia fofo, estimulou ainda mais a memória do Sinergista.

Sim, o que apareceu na frente de Hajime foi o monstro que uma vez pulverizou seu braço esquerdo e fez dele um brinquedo até que o rapaz ficasse encurralado, era o Coelho Chutador. É claro que era apenas um monstro da mesma espécie e este era um indivíduo diferente.

Foi difícil para Kaori e Suzu dizer isso por que elas achavam que Hajime iria explodir o coelho sem fazer perguntas. Como era de se esperar, nesse período em que não poderiam perder tempo de modo desnecessário, elas não podiam cometer uma loucura, onde um monstro que havia sido subjugado com muita dificuldade era morto em um instante a tiros por causa de emoções descontroladas.

— Não, isso não é nada demais, não vou puxar o gatilho só de ver isso depois de tanto tempo. Ou melhor, este é um monstro que aparece no primeiro nível, não é? Não me diga que mesmo entendendo que ele é fraco, como você queria um coelho, você foi até o nível superior… espere, acho que você não faria isso. Não havia tempo para que você pudesse fazer isso.

Hajime notou algo estranho pelo que disse e fechou a boca. Pensando bem, as duas disseram coisas desconcertantes, como o monstro admirando o rapaz, que ele era especial, que o Sinergista era a causa, que o coelho concordou em aceitar a magia da metamorfose, ele lembrou de tudo isso e seu olhar pediu uma explicação.

No entanto, antes que as duas pudessem explicar, o coelho chutador agiu primeiro. Depois que entrou na oficina, ele olhou fixamente para Hajime enquanto tremia de forma peculiar, em seguida, ele pulou no garoto.

Em resposta, o Sinergista estendeu a mão e agarrou com facilidade as orelhas de coelho, parando-o no ar enquanto o monstro chorava de forma suplicante: — Kyu! Mokyu! Ukyu. — Parecia que ele não estava pulando para atacar o rapaz.

“O que há com esse cara?”, para Hajime, que estava enviando seus olhos cheios de suspeita, Suzu avançou para se voluntariar como tradutora. Era possível que o monstro dominado pela magia da metamorfose tivesse um entendimento mútuo com seu mestre até certo ponto. Suzu e os outros também tentaram o entendimento mútuo com esse coelho chutador, foi assim que eles obtiveram a explicação sobre várias coisas.

— Err, ele disse: “Rei, Rei, estou extremamente feliz por poder conhecê-lo. Nesta ocasião, ouvi dizer que poderia me tornar mais forte e concordei em ser transformado em servo de sua colega. Meus cumprimentos. Ah, aliás, se possível, quero ser nomeado pelo Rei… pode ser? O que há com esses olhos!?” É verdade, é sim! Ele está mesmo dizendo tudo isso!

— … mesmo que ele esteja falando com esse tipo de significado em mente, não há necessidade de usar o dialeto de Kansai12, há?

— é porque Suzu está ouvindo no dialeto de Kansai, então não há o que fazer, certo!?

O rosto de Suzu ficou vermelho por ser encarada de forma fria por Hajime e ela deu uma desculpa.

Olhando para o estado desesperado da garota, o Sinergista olhou para o coelho que ainda estava pendurado em sua mão e, de fato, o coelho estava dirigindo um olhar que parecia dizer algo do tipo para o rapaz. Os olhos redondos e fofos estavam ficando úmidos, implorando para ele.

De qualquer forma, Hajime ainda reuniu sua enorme habilidade florescente de ignorar tudo e perguntou mais detalhes a Suzu.

Segundo a garota, o que aconteceu foi o seguinte.

No início, Suzu desejava um monstro o mais forte possível e, com a cooperação de Kaori, elas perseguiram os monstros do nonagésimo andar para cima, mas, como esperado, talvez porque os monstros eram poderosos, mesmo com o novo artefato especial de Hajime que aumentava a capacidade da Mestra de Barreiras, ela não foi capaz de subjugá-los.

Não tendo outra escolha, Suzu abaixou seu padrão para o octogésimo andar e procurou os monstros com a bússola, mas, como era de se imaginar, parecia que os monstros parecidos com fera pensavam estar acima do nível de Suzu com sua magia de metamorfose recém-adquirida, depois disso, mesmo pensando: “Eu não quero isso!”, mas apenas por precaução, ela tentou sua magia nos monstros insetos que encontrou, e como resultado, ela foi capaz de subjugá-los com facilidade, o que a fez querer gritar: — Que diabos! — com todos os problemas que encontrou antes disto.

Mesmo depois disso, a aluna, que foi capaz de subjugar monstros limitados apenas ao tipo inseto, viu sua tensão diminuir drasticamente, no momento, ela curou seu coração aos poucos capturando muitos monstros parecidos com borboletas com aparência bonita que podiam manipular pós com vários efeitos, enquanto ela fazia isso, também subjugou insetos gigantes deformados sem problemas, e então, a garota estava prestes a começar a voltar.

Foi nesse momento que aconteceu. Suzu descobriu um “coelho” que se movia de modo estranho, quase humano, que vinha da escada do andar superior, cheio de vigilância, passando de sombra em sombra de forma ágil e silenciosa.

Aquele coelho também notou Suzu e o resto do grupo e seu movimento parou. Esse era um monstro que eles nunca tinham visto nem uma vez até o momento nos andares entre o octogésimo e o nonagésimo. Além disso, fundamentalmente, um monstro não sairia do andar onde nasceu, então o ato do coelho de descer até ali era sem dúvidas anormal. E assim, Kaori avançou com Suzu e Ryutaro também em alerta máximo.

Contudo, quanto ao próprio coelho… ele expressava com todo o corpo uma alegria que qualquer um que visse entenderia logo. A severa intenção assassina e a pressão características dos monstros do abismo eram inexistentes. O coelho pulava para cima e para baixo como se dançasse com suas orelhas movendo-se. O coelho era como uma criança perdida que enfim descobriu um assentamento humano depois de vagar sem parar dentro de uma floresta profunda por muitos dias.

Kaori e os outros se sentiram perplexos e hesitaram em lançar ou não ataques preventivos, para o grupo, que estava assim, o coelho se aproximava quase em câmera lenta. Era como se ele estivesse os levando em consideração para que a outra parte não ficasse agitada.

Enquanto olhava repetidamente para Suzu e companhia, cada vez que o coelho avançava um pouco, ele parava e confirmava: ― Está tudo bem em avançar um pouco mais? ― Olhando para o coelho agindo dessa forma, Suzu foi nocauteada.

Para seu coração, que estava tempestuoso pela possibilidade de ser chamada de rainha dos insetos, o fofo coelho branco ― cujo comportamento era realmente fofo e, em vez de hostil, parecia amigável ― era poderoso demais. Suzu ignorou o aviso de Kaori, que ainda estava cautelosa, e pulou na frente do coelho.

― Suzu decidiu desde o início! Por favor, torne-se o coelho de Suzu!

A garota inclinou a cabeça e sua mão foi apresentada para a frente, essa proposta parecia uma confissão. A propósito, a primeira impressão de Suzu em relação ao coelho foi que ele era suspeito.

Essa proposta da Mestra de Barreiras fez o coelho ficar surpreso. E então, o monstro inclinou a cabeça em perplexidade. Este monstro parecia cada vez mais humano.

Por outro lado, Suzu, que estava desesperada, falava: ― De jeito nenhum eu desperdiçarei essa chance única! ― como uma fã (stalker) que perseguia um ídolo apaixonadamente até sua residência, seus olhos ficaram vermelhos e sua respiração irregular, ela começou o que parecia um discurso de vendas.

― Garantia total de todas as necessidades da vida. Três refeições por dia. Não, quatro refeições com um cochilo à tarde incluso, cinco dias de trabalho por semana e dois dias de folga. Férias pagas fornecidas! Além disso, o tempo livre também pode ser negociado! Além disso! Se a oferta for aceita agora mesmo, ó meu Deus, uma pedra mágica especial de Suzu virá como bônus! Com isso você pode se despedir de seu eu de ontem! Agora, nessa proposta, você não aceitaria esse aumento de status cercado de camaradas felizes em um local de trabalho adorável!?

Kaori e Ryutaro pensaram: “Com toda certeza, ninguém aceitaria esse tipo de oferta…”

No entanto, de modo inesperado, o coelho perplexo, quando ouviu as últimas palavras de Suzu ― quando ela mencionou um “aumento de status“, seus olhos brilharam com um olhar feroz. Como se dissesse: ― Essa parte, mais detalhes! ―, o coelho se inclinou para frente com entusiasmo e gritou: ― Kyuu! Kyuu!

De forma natural, os lábios de Suzu sorriram, pensando: “Ele mordeu a isca!”, até se esquecendo por completo que a outra parte era um monstro, ela explicou sobre o mecanismo da magia da metamorfose de forma alegre.

Como resultado, o coelho, que entendeu que poderia evoluir, apresentou suas orelhas de coelho, aceitando se tornar o monstro subordinado de Suzu.

Assim, o coelho tornou-se um companheiro com esse contrato de trabalho (?), e, com a magia da metamorfose da Mestra de Barreiras, eles tentaram chegar a um entendimento. Ou, para ser mais preciso, desde o início, esse coelho possuía ego com uma inteligência que era impossível para um monstro, com esse coelho como parceiro, era possível ter um tipo de entendimento mental, mesmo usando apenas a “orientação do coração” da magia da alma.

Dessa forma, Kaori e Suzu ouviram sobre as circunstâncias do coelho com pelos de uma cor realmente diferente, parecia que esse monstro era da mesma raça do Coelho Chutador que Hajime matou no passado, e também era do mesmo andar, mas ele desceu os andares em uma viagem de treinamento e, ao fazer isso, tornou-se poderoso ao ponto em que era capaz de alcançar o octogésimo andar com sua própria força.

Mas, esses eram um princípio comportamental e capacidade de raciocínio que eram impossíveis para um monstro. A causa para isso era Hajime. Sendo mais preciso, a Água Sagrada que o aluno deixou para trás.

Parecia que esse coelho chutador testemunhou o momento em que Hajime derrotou o monstro urso. Para os monstros do labirinto, o andar em que eles estavam era todo o seu mundo e o mestre daquele andar era o rei. Derrotar aquele rei significava o nascimento de um novo monarca. Eles instintivamente não podiam deixar de tomar cuidado com esse rei. Naquela época, o coelho, que não era diferente de um monstro normal, possuía a maior cautela e terror em relação a Hajime.

Por um tempo, o coelho se escondeu em um local distante, enquanto observava a tendência do novo rei, em pouco tempo, ele descobriu o “ninho” do Sinergista ― a caverna onde o cristal divino estava localizado. Quando o coelho conseguiu confirmar que esse era um lugar que ele não deveria se aproximar por sua compreensão instintiva, o mencionado Hajime foi embora enquanto atravessava o andar com facilidade.

Sabendo que o dono do ninho havia partido, o coelho entrou no que considerava um ninho agradável e seguro. E o que ele descobriu lá dentro, amontoando-se em uma cavidade de rocha, uma pequena quantidade de água que fornecia vitalidade brotava de maneira impressionante ― era a água sagrada.

O coelho bebeu em um transe até que tudo acabasse, e então ele sentiu um poder que nunca sentira até aquele momento transbordando de seu corpo. Poder mágico estava surgindo, sua mente ficou clara e ele pôde sentir a presença circundante com mais sensibilidade e em uma área maior.

Parecia que, no caso em que um monstro bebesse a água sagrada, esse tipo de efeito aconteceria. Não havia como alguém fazer um monstro beber uma água sagrada, então isso era algo que nunca havia sido descoberto.

Depois disso, o coelho saiu para procurar por mais água sagrada, e, enquanto chutava os monstros que encontrava ― ele se empolgou demais e encontrou o urso. Qualquer tipo de monstro voltaria a aparecer no labirinto depois de algum tempo, mas o coelho, que não sabia disso, estava com a guarda completamente baixa.

Depois disso, foi uma luta até a morte. Não havia lugar para fugir com base no local. Se o coelho mostrasse suas costas, ele seria morto. Normalmente, um monstro sentiria a diferença de status por instinto e recuaria de medo ou mostraria suas costas e escaparia, dando uma abertura para que ele fosse morto no mesmo instante, mas o efeito da água sagrada fez com que o coelho tivesse uma certa capacidade de pensar, ele desafiou o urso em parte pelo desespero.

Como resultado ― ele sobreviveu. Diante da iminente morte que ele superou, ele despertou a derivação de sua magia característica e pulverizou esplendidamente a cabeça do urso com sua perna poderosa. Foi uma batalha feroz em que não seria exagero dizer que o coelho morreria dez vezes sem o efeito de recuperação contínua da água sagrada.

O coelho olhou para o rei anterior que ele derrotou e tremeu. E então, ele entendeu. Que um ser vivo poderia ficar mais forte com o treinamento.

A partir daí, começou a jornada do coelho para se tornar mais forte. Seu objetivo era ir até o novo rei, a pessoa que lhe deu esse impulso. Depois de alcançá-lo, o monstro mostraria ao rei quão forte se tornara e o agradeceria. E então, ele queria tentar explorar um mundo mais amplo… ele lutaria com muitos adversários poderosos e chegaria a níveis mais altos!

Dessa forma, o coelho, que entendeu o destino adverso como um protagonista de alguma história, naquela época não tinha nenhuma ferramenta conveniente como a Caixa do Tesouro ou algo parecido, quando ele encontrou por acaso a água sagrada que se acumulava na cavidade do solo em que Hajime a derramou, além de uma porção que ele economizaria o máximo possível, ele beberia o restante por não ter outra escolha, e então, enquanto tentava recuperar e fortalecer seu próprio corpo, o coelho aperfeiçoou sua técnica e por fim adquiriu a força para descer para o octogésimo andar com seu próprio poder e a capacidade de raciocínio igual à de um adulto.

― … o que há com esse desenvolvimento que parece a história de uma light novel!?

― Kyuu!

A primeira coisa que Hajime disse após terminar de ouvir todos os detalhes foi isso. Com um olhar absurdamente complicado, ele desviou os olhos do coelho que, sem que ninguém percebesse, estava agora sentado em seu colo enquanto mostrava olhos redondos e fofos.

― Ahaha, isso não é incrível? Ao voltar, tentamos fazê-lo lutar, mas apenas com um pouco da magia da metamorfose, ele se fortaleceu a um nível em que podia lutar contra monstros do nonagésimo andar um a um sem perder, acredita nisso? Isso é apenas um palpite, mas, seu movimento lembrava o de Shizuku-chan, então talvez ele também possa usar o Teletransporte e o Sem Batida? Aliás, só com seus chutes ondas de choque apareciam.

― … entendi.

Por algum motivo, Hajime sentiu que, nessas poucas horas, ele já havia dito essas palavras muitas vezes.

― Err, e por isso, se Nagumo-kun não se importar, essa criança queria que você escolhesse o nome dele… porque ele disse que queria o nome de Nagumo-kun, não de Suzu.

― Haa. Bem, se você é capaz de fazer de um monstro poderoso um companheiro, vamos considerar isso uma ótima notícia. Parece que há muitos desenvolvimentos cansativos no momento, ainda mais cansativos do que a luta com Ehito e seu exército… mesmo assim, um nome, hum…

Hajime olhou para o coelho chutador em seu colo. O coelho estava olhando fixamente para o Sinergista. Os dois se encararam. E então, Hajime sussurrou baixinho.

— … Miffy13.

— Rejeitado.

Kaori rejeitou no mesmo instante. Seus olhos estavam dizendo para o Sinergista se desculpar com a mascote mundialmente famosa.

Hajime se recompôs e moveu o olhar para o coelho chutador mais uma vez. O monstro também estava olhando para o rapaz. E então, Hajime sussurrou baixinho.

— … Peter Rabbit14

— Nem pensar.

— … Udongein15.

— Não sei o motivo, mas sinto que isso não é bom. Ou melhor, leve isso a sério!

A bronca de Kaori ressoou. Hajime estava sendo muito sério, então ele estalou a língua com o quão horrível a Curandeira foi, sua expressão mudou, sentindo o quão incômodo isso era e então o garoto falou de forma negligente.

— Ah, céus, então vocês podem usar apenas Inaba16. Afinal, sua aparência é a mesma de um coelho. (TN: Parece que o nome Inaba é frequentemente usado para coelhos no Japão.)

— Ee, isso não é simples demais? Algo, um pouco mais fofo seria…

— Suzu também, seus outros monstros são todos daquele jeito, então um nome fofo para o coelho-san é…

Parecia que o nome era impopular entre Suzu e Kaori. Mas, logo após Hajime dizer Inaba, o coelho chutador gritou: — Kyuu! — enquanto pulava para cima e para baixo, talvez sentindo algo com o nome. Parecia que ele estava contente.

E assim, os olhos pretos avermelhados — ou melhor, os olhos quase carmesins, que eram ainda mais vermelhos do que os coelhos que Hajime matou no passado, da mesma cor das linhas que corriam por seu corpo, estavam brilhando para o Sinergista.

— Parece que ele está satisfeito com esse nome, estão vendo?

— Ee… bem, se o interessado está satisfeito, então não há o que fazer…

— Uu, Inaba-chan… depois de dizer mais uma vez, é inesperadamente fofo, não?

As duas estavam relutantes, mas parecia que concordaram.

E, nesse momento, Shia, que observou em silêncio até agora, julgou que, no momento, a conversa estava terminada e ela se aproximou de Inaba. Como companheiros com orelhas de coelho, o interesse de Shia estava se seguindo para Inaba. Enquanto sorria de forma amigável, ela ia acariciar o monstro.

― Inaba-chan, estou feliz que você tenha recebido um nome. Como colegas de orelhas de coelho, vamos nos dar bem…

― Kyuu.

A mão que foi estendida para fazer carinho recebeu um tapa. Shia endureceu no mesmo instante. Inaba lançou um olhar para as orelhas de coelho da garota e depois bufou: ― Fuh.

Com uma veia pulsando em sua testa, o olhar de Shia se voltou para Suzu, perguntando o que isso significava. Um sorriso ainda estava colado naquele rosto.

― Hih, Shi-Shiashia, se acalme!

― Estou calma. Então? O que esta criança impertinente está dizendo?

― E-err, é que…

― Suzu-san?

― Hii! Sa-sabe, “Orelhas de coelho como se estivesse servindo ao lado do Rei, estou morrendo de tanto rir aquiiii. Você precisa polir suas orelhas de coelho antes de me enfrentaaaar!” É o que ele disse… uhii! Não, não foi Suzu quem disse isso!

Parecia que Inaba sentia algo por Shia, que possuía as mesmas orelhas de coelho que ele. Ele enredou suas orelhas no braço de Hajime com os olhos se apertando de modo provocador. Vendo isso, Shia, cujas orgulhosas orelhas de coelho foram ridicularizadas, também não ficou calada.

― … insultar minhas orelhas de coelho que Hajime-san ama, você tem bastante coragem, não tem? Que atrevimento, desu. Quem é digno de se tornar o coelho de Hajime-san, vou gravar a resposta em seu corpo, desuu!

― Kyuu!!

O punho reforçado de Shia roçou a ponta do nariz de Hajime. Um cheiro de queimado apunhalou a cavidade nasal do garoto.

Por outro lado, Inaba, que foi atacado, pulou e escapou de forma majestosa, invocando sua magia característica Aerodinâmica, ele rolou e lançou um poderoso chute descendente contra a garota-coelho. Em resposta, Shia bloqueou ao levantar sua mão.

E então, as belas pernas da garota foram abertas diante dos olhos do Sinergista e foram desferidas contra Inaba, que estava no ar. Acima da cabeça de Hajime, o chute de Inaba e o de Shia se chocaram, produzindo ondas de choque ferozes. O cabelo dele ficou desarrumado.

Sem pararem. Shia e Inaba seguiram para dentro da oficina enquanto realizavam uma troca de golpes ferozes.

― Hajime-san está feliz com apenas um coelho, desuu!

― Kyukyuu!

Depois disso, não era necessário dizer que os dois foram baleados pelo Sinergista, cujos olhos estavam meio fechados, cabelos bagunçados e a ponta do nariz queimado. Também não era preciso dizer que o surrealismo do abate de dois coelhos que estavam se dando bem no canto da oficina fez as bochechas de Kaori e os outros se contraírem.

Mais tarde, os monstros subjugados de Suzu ― em especial a quantidade de monstros do tipo borboleta e suas habilidades foram aprimoradas com mais melhorias devido a Hajime perceber que eles tinham boa afinidade com Suzu, ele também entregou o artefato exclusivo da Mestra de Barreiras, os “Leques Gêmeos de Ferro” e o artefato para transportar seus monstros, a “Orbe Mágica”.

A propósito, Ryutaro, que foi negligenciado durante todo esse tempo, também recebeu seu artefato de maneira adequada, ele também entendeu a maneira de usar a magia da metamorfose de seu próprio modo especial também com a ajuda de Hajime, dessa forma, por ora, não havia problemas.

Embora o fato de a maneira de Ryutaro usar a magia da metamorfose usando Tio como referência, e de que essa maneira era a mais compatível para ele, fez Hajime e o restante do grupo ficarem exasperados, todos entenderam que isso era algo esperado de um cérebro de músculos.

— Enfim, é amanhã…

— Sim. Embora não se saiba qual será a hora exata.

A hora era o final da noite. Faltava apenas mais uma hora para o dia que Ehito informou como o dia da grande invasão. Dependendo da situação, também era possível que isso começasse com a mudança do dia, então, no momento, Hajime e Shia estavam fazendo a última verificação em relação à preparação para a partida.

— Hajime-san.

― Hmm?

— “Mesmo que algo aconteça comigo, Hajime e Shia com certeza farão algo a respeito. Não preciso me preocupar com nada”… ela disse isso.

— … Yue, hum.

— Sim, desu. E eu respondi: “Obviamente, desu“.

Dentro do tempo estendido no interior da oficina, Shia estava fazendo a verificação final da nova habilidade que obteve de forma meio forçada usando o novo artefato descartável de Hajime, enquanto falava com uma voz calma.

— Três dias… esse é o tempo para recuperarmos Yue-san, mas… ao mesmo tempo, é também o tempo em que a resistência dela terminará.

— … é.

Sim, o tempo para Ehito dominar por completo o corpo de Yue também era o limite de tempo até a vampira ser encurralada em um estado em que seria incapaz de resistir. Ninguém disse isso, mas, nesse momento, em que tipo de estado Yue estaria… pelo menos era certo que seria um estado em que ninguém poderia estar otimista.

— Mesmo assim, eu acredito. Que Yue-san está segura. Que com certeza a traremos de volta. Que mesmo que ela não consiga resistir, Yue-san está acreditando e esperando por nós.

— Sem dúvidas. É de Yue que estamos falando. De jeito nenhum ela vai perder para aquele chuunibyou que dá dó só de olhar. Muito menos depois que ela foi espancada por Shia há pouco tempo.

— Fufu, não é verdade? Mas isso não muda o fato de que o inimigo é poderoso. Ele é incomparável com tudo que enfrentamos até agora. Uma determinação para cruzar a linha da morte é necessária para isso.

— … o que você quer dizer?

Shia girou em direção a Hajime e olhou diretamente para ele. A chama ardente de raiva por sua melhor amiga ter sido roubada e intenção assassina contra o inimigo, e então a determinação de trazê-la de volta sem falhas residia naqueles olhos de forma muito clara.

Shia, que demonstrou espírito a um nível que fez Hajime engolir em seco sem querer, ressoou suas palavras de determinação.

— Eu, serei imprudente. Vou seguir em frente de forma imprudente. Estou decidida a morrer sem me render se Yue-san não puder ser resgatada. Vou levar pelo menos mais um inimigo para o túmulo comigo. Quero que minha vida e minha morte acompanhem Yue-san.

— … entendo. E?

— Por favor, não me impeça. E então, Hajime-san, por favor, esteja junto comigo nisso.

Essas palavras estavam dizendo para ele morrer junto com ela, dependendo da situação. Era um ego que odiaria sobreviver quando apenas Yue morria. E agora ela estava dizendo a Hajime para acompanhar seu egoísmo, que palavras inacreditáveis. Se Shia fosse a heroína de um conto, essas palavras seriam uma grande desqualificação para ela.

Mas, para Hajime, que ouviu essas palavras que pareciam ultrajantes, esse era seu senso comum.

— O que você está dizendo depois de tanto tempo? Isso é óbvio, não é? Se vivemos juntos, ou morremos juntos. Essas duas coisas são iguais. Afinal, Shia, não tenho nenhuma intenção de deixar você fugir. Não fique com medo antes do evento principal, tá legal?

Para Hajime, que estava mostrando um sorriso destemido enquanto dizia algo ainda mais egoísta, Shia soltou uma risada: — Kufufu. — como se estivesse concordando com essa resposta.

— Sim, desu. Quero transformar esse sentimento em palavras pela primeira vez. Afinal, se no último momento, você me dizer coisas tolas como: “Shia! Pelo menos você tem que sobreviver!”, perderei minha força.

— Bem, de acordo com o pessoal da minha classe, eu sou mais um rei demônio do que o próprio rei demônio, é. Um rei demônio não vai deixar nada de lado por escolha própria. Não vou cuspir esse tipo de frase ******, tá bem? Bem, não haverá nenhuma morte nem uma rendição. Terei em minhas mãos tudo o que quiser, esmagarei todos os que estiverem no caminho.

― Ahaha, como esperado de Hajime-san, desuu. Sua frase é mesmo a de um rei demônio ― velocidade máxima à frente, como um vilão, desuu!

Shia, que riu contente por um tempo enquanto apoiava em seu ombro Wirr Drücken , mostrou que estava totalmente preparada. E então ela falou com um olhar que se encheu de determinação.

― Vamos recuperar Yue-san logo… e depois fazer o nosso tão esperado ménage!

― … você acabou com o clima, esta coelha *****!

Shia saiu da oficina enquanto sussurrava: ― Mal posso esperar por isso, desuu. ― Hajime, que fez uma contestação e olhou exasperado para as costas da figura que saía, um momento depois disse: ― Que pessoa sem esperança. ―, ele exibiu um sorriso onde se podia sentir carinho e confiança.

E assim, cumprindo a cota das armas produzidas em massa, Hajime e os outros, que estavam totalmente preparados, enfim partiram das profundezas do Grande Calabouço Orcus, a fim de se juntarem com o grupo da superfície.


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Notas

[1] Belphegor, ou Belfegor (“o senhor do fogo”), é uma divindade moabita venerada no monte Fegor. No cristianismo, é considerado o demônio da preguiça, das descobertas, do apodrecimento, dos inventos e do ciclo. Era cultuado na antiga Palestina na forma de uma figura alta e barbuda com a boca aberta, tendo por língua um gigantesco falo. O sabá dos feiticeiros da Idade Média não foram senão uma repetição, herança das festas de Belfegor. Belphegor é um dos sete príncipes que governam o Inferno, sendo a personificação do primeiro pecado, a preguiça. Sua aparência modifica-se de acordo com a citação, desde um ser bestial (semelhante a um lobo) ,um monstro marinho com a boca rasgada de orelha a orelha e dentes afiadíssimos, até um velho alto, barbudo, possuindo uma língua com forma de falo, dentes caninos grandes e uma cauda de dragão, ou até mesmo em algumas tradições religiosas, é retratado como sendo uma jovem de beleza exuberante.

[2] Asmodeus é um demônio da crença do Judaísmo (Livro de Tobias 3, 8, 17). É considerado um dos sete anjos do inferno abaixo somente de Lúcifer (imperador do inferno, que se alimenta e se fortalece da avareza). É o demônio representante do pecado da Luxúria. Sua origem difere muito conforme a fonte. Alguns consideram-no como um anjo caído, porém alguns escritos judaicos indicam Asmodeus como o “Rei Esquecido de Sodoma”. Nesses contos Asmodeus é visto como o homem mais impuro já nascido, e aquele que guiou Sodoma à luxúria. Alguns teólogos consideram a destruição de Sodoma como meio de matar Asmodeus, e não como prelúdio do Dilúvio. Já no livro deuterocanônico de Tobias, é citado como o assassino dos noivos de Sara. Deus envia o Arcanjo Rafael para guiar Tobias, encontrar Sara e prender o demônio nos mais altos picos terrestres. Depois de completar sua missão, o Arcanjo cura Tobit, pai de Tobias, e retorna para a Corte celeste.

[3] Satanás, ou Satã, é um termo originário das religiões Abraâmicas do Mediterrâneo geralmente aplicado à personificação do Mal em religiões monoteístas.

[4] Lúcifer é um termo de origem latina para o planeta Vênus que aparece nas traduções da Bíblia Vulgata de São Jerônimo. No cristianismo, o nome ficou associado a Satã devido à interpretação de uma profecia do livro de Isaías que falava sobre a queda de um dos reis da Babilônia, possivelmente Nabucodonosor II. Embora esta ligação tenha se difundido na concepção popular, o termo não se referia ao nome original de um anjo caído que teria desafiado a Deus. De acordo com São Jerônimo, Lúcifer era o nome do principal anjo caído, e seu nome em hebraico, “helel”, é derivado do verbo “lamentar”, pois ele lamenta a sua queda e a perda do seu brilho. Esta visão prevaleceu entre os Padres da Igreja, de forma que Lúcifer não fosse o nome próprio do Diabo, mas apenas o seu estado anterior à queda.

[5] Mamon é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade. A própria palavra é uma transliteração da palavra hebraica “Mamom”, que significa literalmente “dinheiro”. Como ser, Mamon representa o terceiro pecado, a Ganância ou Avareza, também o anticristo, devorador de almas, e um dos sete príncipes do Inferno. Sua aparência é normalmente relacionada a um nobre de aparência deformada, que carrega um grande saco de moedas de ouro, e “suborna” os humanos para obter suas almas. Em outros casos é visto com uma espécie de pássaro negro (semelhante ao abutre), porém com dentes capazes de estraçalhar as almas humanas que comprara.

[6] Leviatã é um peixe feroz citado no Antigo Testamento. É uma criatura que, em alguns casos, pode ter interpretação mitológica, ou simbólica, a depender do contexto em que a palavra é usada. Geralmente é descrito como tendo grandes proporções. Era bastante comum no imaginário dos navegantes europeus da Idade Média e nos tempos bíblicos. No Antigo Testamento, a imagem do Leviatã é retratada pela primeira vez no Livro de Jó, capítulo 41. Sua descrição na referida passagem é breve. Foi considerado pela Igreja Católica durante a Idade Média, como o demônio representante do quinto pecado, a Inveja, também sendo tratado com um dos sete príncipes infernais. Uma nota explicativa revela uma primeira definição: “monstro que se representa sob a forma de crocodilo, segundo a mitologia fenícia” (Velho Testamento, 1957: 614).

[7] Belzebu, nome derivado de Baal Zebul ou Baalzebub, é uma divindade nas mitologias filisteia e cananeia, com várias referências na Bíblia como sendo o próprio diabo. Para o cristianismo moderno, Belzebu é um dos nomes do diabo. Na demonologia cristã, ele é um dos sete príncipes do inferno e a personificação do segundo pecado, a gula, tal como era visto na Idade Média. No Dictionnaire Infernal, é descrito como o “Príncipe dos Demônios, Senhor das Moscas e da Pestilência, Mestre da Ordem”. Belzebu é conhecido principalmente como O Quarto, por ser o quarto demônio mais poderoso do inferno, curvando-se somente perante Lúcifer, Satã e Belfegor. Ele é o irmão mais velho de Lúcifer, descendente da geração de Behemoth, pai de Belial, um dos maiores demônios do inferno.

[8] Os nomes escolhidos por Myuu para os golems são parecidos com os dos Sete Príncipes do Inferno, apenas com alguns caracteres diferentes, como “Lusifer” no lugar de “Lúcifer” e “Asmodeusu” no lugar de “Asmodeus”, mas eu decidi mudar para os nomes corretos para explicar as origens desses nomes. Os Sete Príncipes do Inferno é uma expressão popularizada que indica ao resumo feito pelo teólogo e bispo alemão Peter Binsfeld, no Século XVI, no qual ele associou um demônio específico a um Pecado capital. Os sete príncipes do inferno então seriam, segundo Binsfeld: Asmodeus associado à Luxúria; Azazel à ira; Belphegor à Preguiça; Belzebu à Gula; Leviatã à Inveja; Lúcifer à Soberba; Mammon à Ganância.

[9] Dirk é uma adaga longa para estocadas. Historicamente, era uma arma pessoal de oficiais navais envolvidos em combate corpo a corpo durante a Era das Navegações (normalmente datada de 1571 a 1862), assim como uma arma secundária para os escoceses das Terras Altas (zona montanhosa do norte da Escócia). Essa arma também foi usada por oficiais, gaitistas e bateristas dos regimentes escoceses das Terras Altas por volta de 1800 e pelos oficiais da marinha japonesa.

[10] Banzai é uma forma tradicional de dizer “dez mil anos” de vida longa em japonês. A frase “dez mil anos”, traduzida comumente como “vida longa” nos idiomas ocidentais, é utilizada em diversos idiomas da Ásia Oriental. Surgiu na China antiga como uma expressão usada para desejar uma vida longa ao imperador, e devido à influência política e cultural da China na região – em especial do idioma chinês – cognatos com significados e formatos de utilização semelhantes surgiram em diversos idiomas asiáticos, como o japonês e o coreano.

[11] O “kui” é um gesto de mão que indica um desafio, é como dizer: — Venha me enfrentar se você tiver coragem.

[12] O Kansai-bem, um dos dialetos da região de Kansai, está centrado em torno de Osaka, e é usado nas províncias de Osaka e Kyoto e em toda a área do sudoeste de Honshu. Também é chamada de Kinki hōgen, ou dialeto de Kinki. Neste dialeto existe outras subdivisões tais como Ôsaka-ben e Kyoto-ben. Se caracteriza pela fala rápida e com muito mais entonação. O Ôsaka-ben é comum no meio humorístico, com a cidade de Ôsaka sendo o lar de grande parte dos humoristas do país. Por esse motivo, é bastante comum ver personagens cômicos que usam esse dialeto, principalmente em animes e mangá.

[13] Miffy é uma personagem de história em quadrinhos criada pelo ilustrador e escritor neerlandês Dick Bruna (1927-2017) em 1955.

[14] A História de Pedro Coelho, em inglês “The Tale of Peter Rabbit“, é um livro infantil britânico escrito e ilustrado por Beatrix Potter que descreve as peripécias do jovem Pedro, um coelho maroto e desobediente, quando é perseguido no jardim do Sr. McGregor. Pedro consegue escapar e regressar a casa da sua mãe que o põe na cama depois de o acalmar com um chá de camomila. O conto foi escrito para o filho da ex-governanta de Beatrix, Noel Moore, de cinco anos de idade, Annie Carter Moore em 1893.

[15] Reisen Udongein Inaba é uma personagem da série de jogos Touhou Project. Ela é um dos lendários coelhos lunares; ela fugiu da Lua para a Terra como uma refugiada da “Guerra Lunar” entre os dois mundos que começou em 1969 D.C. depois da “invasão” da Apollo 11. Enquanto fugia para Gensokyo, ela surpreendeu-se ao encontrar as notórias fugitivas Kaguya e Eirin, e pediu asilo em Eientei. Em troca disso, ela trabalha para e protege Kaguya e Eirin. Touhou Project, também conhecido como Toho Project e Project Shrine Maiden, é uma série de jogos com foco em shmups de bullet hell feitos por um único homem, conhecido como ZUN, que fez a maior parte dos gráficos, música e programação sozinho.

[16] Parece que o nome Inaba é frequentemente usado para coelhos no Japão.



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