Arifureta – Capítulo 154 – É mentira ou verdade (Início)


— … tio…

A voz rouca de Yue ressoou. Seus olhos estavam arregalados, suas mãos pequenas e esbeltas tremiam um pouco, como se expressassem a agitação dentro de seu coração.

Essa era uma situação impossível, pois ela nem notou Hajime a chamando, isso mostrava o quanto a vampira estava abalada.

Dando uma olhada no Sinergista e os outros que estavam chocados ao ver a condição de Yue, o rei demônio de olhos vermelhos e cabelos dourados sorriu muito gentilmente enquanto se dirigia a vampira mais uma vez com o nome desconhecido.

— Isso mesmo. Sou eu. Aletia. Parece que você está surpresa. Isso é compreensível. Mas esse seu olhar é adorável e nostálgico. Você não mudou nada, mesmo após trezentos anos.

Um rei demônio sorridente. Yue deu um passo para trás, talvez enfim percebendo que essa pessoa era mesmo seu tio. E então, quando ela estava prestes a dizer algo com seus lábios trêmulos, a apóstola Ahat abriu a boca para se antecipar a vampira.

— Aruv-sama?

Ahat chamou o rei demônio com uma expressão que era como uma máscara, no entanto, sua entonação foi questionadora. A partir dessa indicação, era como se a atitude do rei dos demônios em relação a Yue fosse uma situação inesperada para ela. E não eram apenas as apóstolas, até Freed estava parecendo um pouco confuso.

Ao ouvir esse chamado, o rei demônio sorriu um pouco e de repente ele levantou a mão… na direção de Ahat e as outras, as apóstolas de deus.

No momento seguinte, a luz do poder mágico que lembrava o de Yue explodiu como uma granada de atordoamento, no mesmo instante, tudo foi afogado na luz. Aquela luz então foi absorvida de volta nas mãos do rei demônio como isso fosse uma reprodução visual, depois disso, as figuras das apóstolas desmoronando como máquinas que tiveram sua eletricidade cortada puderam ser vistas.

Além disso, como se fosse uma reflexão tardia, Freed e Eri também caíram. Kouki, que estava ao lado da garota, ficou pasmo com a situação repentina, ele estava apenas olhando para a Necromante, sem nem se mexer.

Na frente de Yue e dos outros que ficaram estupefatos com o evento repentino, o rei demônio soltou um suspiro: — Fuu. — como se tivesse acabado de passar por uma situação muito estressante, em seguida ele ergueu sua mão esticada sobre sua cabeça e estalou sua língua, invocando algum tipo de técnica.

O que se refletiu no Olho Mágico de Hajime foi uma barreira dourada se espalhando em forma de domo. Contudo, seu objetivo parecia ter um efeito diferente em comparação com o de uma barreira normal.

— Essa é uma barreira para enganar a interceptação e vigilância. É algo para mostrar diferentes vozes e cenas que eu preparei. Com isso, as apóstolas fora deste lugar não perceberão o que está acontecendo aqui.

— … o que você está planejando?

Hajime apertou os olhos com esse discurso e conduta de uma pessoa que parecia hostil as apóstolas enquanto fazia essa pergunta.

—Hajime Nagumo-kun, não é? Sua vigilância é razoável. Por isso, deixe-me dizer isso com franqueza, sem rodeios. Eu sou o atual rei demônio do reino dos demônios, Garland e o primeiro-ministro do antigo reino dos vampiros, Avatarl ― Dienleed Galdea Vesperitio Avatarl… uma pessoa que se rebelou contra deus.

As palavras que foram ditas com majestade pelo rei demônio reverberaram dignamente no amplo auditório. Essas palavras carregavam o poder que fez as pessoas no local ouvi-las e pensarem que elas foram ditas com seriedade.

Todos os membros, exceto Hajime, engoliram em seco a verdade chocante. Quem pensaria que o rei da raça dos demônios, que se opunha à raça humana, era um rebelde contra deus, tal coisa era impensável mesmo em seus sonhos. A reação deles era natural.

Entre eles, Suzu, que conseguiu voltar aos seus sentidos, gritou: ― Eri! ― enquanto tentava correr para ela, mas a garota foi parada pela mão de Kouki. Sua mão tocou a nuca da desmaiada Necromante e ele sentiu o pulso dela, depois assentiu enquanto sorria, dizendo que não havia nada com que se preocupar. Parecia que a Necromante só perdeu a consciência. Olhando para Suzu dando um tapinha no peito com um suspiro aliviado, Dienleed fez um pedido de desculpas: ― Desculpe por deixá-lo preocupada.

Aliás, em relação as apóstolas, elas tiveram suas funções suspensas. Freed e outros tiveram suas funções corporais suspensas ― em outras palavras, estavam em um estado de morte temporária.

Além disso, com o “pedido de desculpas do rei demônio”, entre todos os que se perderam com as palavras da sequência de eventos, o olhar de Hajime estava varrendo o ambiente e estava prestes a fazer uma pergunta a Dienleed sobre suas verdadeiras intenções. Mas, naquele momento, um grito de repente ressoou. Era uma voz que parecia desesperadamente tentar negar algo.

― Mentira… não há como isso ser verdade. Dien-ojisama era um vampiro normal! Na verdade, ele era excepcionalmente forte, mas não era um verdadeiro ancestral como eu! Não há como aquele tio, aquele Dienleed ainda estar vivo.

― Aletia… Você está abalada, não está? Mesmo assim… isso é natural. Embora fosse necessário, eu fiz algo horrível para você. Se essa pessoa aparecesse de repente diante de seus olhos, seria muito estranho se você não estivesse abalada.

― Não me chame de Aletia! Não finja que você é meu tio!

Dienleed sorriu com pesar para Yue, que estava em um estado agitado que Hajime nunca tinha visto. Talvez ficando irritada, mesmo com essa atitude, Yue estendeu sua mão com uma intenção assassina fervilhante. Um tremendo poder mágico estava saindo de seu corpo.

Embora ela tenha aceitado a possibilidade de uma diferença em sua memória dentro da Caverna de Gelo e Neve, mesmo assim, o homem diante de seus olhos foi quem a trancou na profundidade da escuridão por longos trezentos anos. Foi a pessoa que a traiu, aquele que lhe deu imensa confiança. Não havia como ela ser convencida com tanta facilidade.

Sem falar de como aquela pessoa que deveria ter morrido apareceu de modo súbito diante de seus olhos, falando de forma íntima, afetuosa, com o olhar que não mudou após trezentos anos. Seu coração batia como um mar atingido por um tufão.

Seguindo um impulso que ela não entendia, Yue lançou um dragão de relâmpago. O nervosismo percorreu os outros membros na situação atual que se desenrolava.

Entretanto, Dienleed continuou a sorrir. Com uma atitude que poderia até ser considerada como composta, mais uma vez, ele estalou os dedos. Naquele instante, ao longo da borda do altar onde o trono estava localizado, uma parede de luz se ergueu. O dragão de relâmpago que uivava enquanto se aproximava de Dienleed colidiu com essa barreira, mas não conseguiu destruí-la devido a sua força.

Dentro do maciço relâmpago, o rei demônio falou com uma voz gentil do outro lado da barreira.

― Aletia Galdea Vesperitio Avatarl. A rainha mais bela e sábia da história, minha amada sobrinha. Eu com certeza sou seu tio. Eu me pergunto se você se lembra. Que eu era um poderoso usuário de monstros.

― O que você…

― Se é o seu eu atual, então você deve entender. Por que o eu daquela época era tão poderoso como um usuário de monstro?

― … uma magia da era dos deuses… a magia da metamorfose.

Dienleed sorriu dizendo: ― Boa resposta. ―, como no passado, quando ele acompanhava os estudos de Yue. Atacada pelo déjà vu, a expressão da vampira se distorceu.

― Exato. Para dizer mais, também obtive a magia de regeneração. Embora, infelizmente, meu talento nessa área seja fraco; é como jogar pérolas aos porcos. Em troca, posso me gabar de que sou muito talentoso na magia da metamorfose. Eu também trabalhei muito nisso. Como resultado, não apenas criando monstros, eu também fui capaz de realizar fortalecimento em meu próprio corpo. Foi assim que estendi minha vida até agora.

Na verdade, Hajime sacou sua arma e atirou sem preocupação sob a proteção do dragão de relâmpago, mas entendendo que a barreira não podia ser quebrada com facilidade, ele colocou a mão no ombro de Yue. Com aquele dragão de relâmpago que tinha eficiência e taxa de convergência ruins comparadas com o habitual devido à sua mente desordenada, esse ataque era apenas um inútil desperdício de poder mágico.

Yue de repente retornou aos seus sentidos pelo calor em seu ombro, ela olhou uma vez para Dienleed com olhos perigosos e depois dispersou o dragão de relâmpago. Ela então recuperou a calma em alguns minutos antes de fazer sua pergunta, mesmo assim, não escondeu como seu tom se tornou mais áspero.

― … naquele dia, o demônio que usa o dragão branco, ele disse que você é um deus com o nome Aruv. Ele disse que você liderou a raça dos demônios por algumas centenas de anos até agora!

No mínimo, Dienleed havia trabalhado como o primeiro-ministro do reino dos vampiros, Avatarl, por mais de vinte anos até Yue ser presa, a vampira apontou essa contradição com a declaração de Freed sobre Dienleed.

Mesmo assim, a compostura do rei demônio não desmoronou. Como se dissesse que o que Yue apontou era apenas algo natural, ele respondeu como calma.

― O que Freed disse não está errado. Eu sou com certeza Aruv, ao mesmo tempo, também podemos dizer que Aruv não sou eu.

O olhar de Yue ficou severo ao ouvir seu tio responder com algo que parecia a filosofia Zen1. Dienleed sorriu sem graça ao continuar suas palavras.

― A existência chamada Aruv era o deus vassalo do deus Ehito durante a era dos deuses. Ele é um tipo de subordinado. A princípio, Aruv jurou lealdade ao deus Ehito e se tornou suas mãos e pés, mas um dia ele teve uma dúvida. “Está tudo bem continuar ignorando o ato desumano do deus Ehito?”, ele pensou. Algumas centenas de anos, alguns milhares de anos se passaram enquanto ele mantinha a dúvida que cresceu e, em pouco tempo, ele passou a cultivar uma intenção de se rebelar.

Dienleed andou ao redor do trono com sons de passos constantes. Por algum motivo, esse tom calmo ressoou muito bem, apesar do volume que não era alto, mesmo assim, isso não fez ninguém sentir desconforto.

― Mas não havia como ele se igualar ao deus Ehito, que é o deus principal. Portanto, Aruv elaborou um plano. Nesse plano, ele desceria à superfície como o peão de Ehito e intensificaria a guerra dos povos, e quando a situação entrasse no caos, ele assumiria o papel de rei demônio ― sob tal pretensão, ele procuraria na terra por qualquer método e força de batalha que pudesse se opor a Ehito.

Dienleed parou de falar por um momento e abriu e fechou a mão repetidas vezes. Ele estava fazendo aquele gesto como se quisesse verificar a sensação enquanto continuava.

― Porém, um deus que não tem um corpo de carne, precisa de um como um hospedeiro para que ele possa agir na superfície. Aruv também procurou uma pessoa que pudesse se tornar seu hospedeiro onde sua alma pudesse residir. Originalmente, fazer a alma residir dentro do corpo de outra pessoa não é algo fácil, mesmo para um deus, se a rejeição do dono do corpo for forte… porém, se ele mostrar sua existência como deus, não haverá ninguém que o rejeite. Afinal, não é como se a pessoa desaparecesse, ao invés disso, seria até uma honra, não seria?

― … assim, Dienleed também foi escolhido por Aruv?

― Aruv estava louco de alegria, sabia? Se eu fosse apenas alguém com aptidão, ele só me diria que era um deus vassalo de Ehito, mas eu sabia a verdade. Eu poderia me tornar um verdadeiro companheiro rebelde. Aruv me disse sua vontade de dentro do meu corpo enquanto lá fora eu estava sob a observação das apóstolas. Mesmo agora, Aruv está dentro de mim, me ajudando em várias questões. Duas almas em um corpo. Esse é o significado das minhas palavras de que sou Aruv e também não o sou.

Dienleed fez uma pausa para verificar se a compreensão havia alcançado Yue e os outros enquanto colocava a mão no trono. Vendo isso, a vampira ficou com uma cara complicada enquanto perguntava.

― … desde quando?

― Aconteceu um pouco antes de você suceder o trono. Ao mesmo tempo, mesmo eu que era incapaz de fazer qualquer coisa, mesmo sabendo a verdade, entendi que havia algo que eu poderia fazer. Pensei nisso como minha missão.

― … missão.

― Sim, a missão de derrotar deus. Embora fosse muito difícil fazer com que o deus Ehito e suas apóstolas não captassem minhas verdadeiras intenções. Graças a isso, fui obrigado a fazer muitas coisas que não eram minha verdadeira intenção em inúmeras ocasiões.

Dienleed sorriu perguntando se havia mais alguma coisa que ela queria perguntar, vendo aquele sorriso que despertou a lembrança do momento em que ele estava no papel de instrutor, o coração de Yue se agitou. A maneira como ele falava e sua atmosfera pareciam o tio de sua memória. Ela começou a pensar que, talvez, ele poderia mesmo estar vivo, como ele acabara de dizer.

E então, se esse era o caso, havia algo que a vampira queria perguntar, não, algo que Yue tinha que ouvir a todo custo.

― … por que você traiu nossa nação? Por que, eu fui aprisio…

― Eu sinto muito.

― … eu não quero ouvir suas desculpas! A razão…

Yue gritou com Dienleed, que estava se desculpando com uma expressão triste. Hajime ao seu lado aumentou a força na mão que ele colocou no ombro dela para acalmá-la. Os outros membros também estavam dirigindo expressões sérias para Dienleed sem se intrometer nesse assunto que estava relacionado ao passado de Yue.

― Aletia. Você era um prodígio, na medida em que nenhum outro poderia alcançá-la no campo da magia. Até eu, que era um usuário de uma magia da era dos deuses, não era páreo para você. Essa força era muito notória. Foi por isso que os olhos foram atraídos a você. Assim como Hajime Nagumo, que está ao seu lado.

— … irregular.

— Isso mesmo. Aletia, me pergunto se você se lembra? Naquela época, o alto escalão de Avatarl já estava sendo tingido pela influência da fé do deus Ehito. Isso incluía seus pais também. Você deve ter sentido um vislumbre disso.

— … eu me lembro. O tio e meu pai brigavam com frequência em relação à minha educação. O tio foi designado como meu instrutor. Foi por isso que fui criada sem realmente me preocupar com a fé.

Dienleed assentiu com as Yue.

— Isso foi porque eu sabia a verdade. Eu não tinha nenhum método para determinar se as palavras dos libertadores eram verdadeiras ou não, mas achei que era perigoso para você, que ainda era jovem, adquirir uma fé incondicional. Eu queria te proteger. Mas meu esforço para distanciar você da fé se tornou em vão.

— … um peão que não se move como desejado era um obstáculo?

— Algo desse tipo. O plano para assassinar você ficou completo. Sua imortalidade não é absoluta. Especialmente se o inimigo for um deus, isso é ainda mais verdadeiro… mesmo depois que eu obtive a magias da era dos deuses, eu não tinha confiança para protegê-la dos desejos de deus. Além disso, eu que tinha Aruv residindo dentro do meu corpo e despertei para minha missão, não queria perder você, que é um trunfo. Por isso, antes do assassinato, fingi sua morte e te escondi. Até o momento em que o sinal da rebelião pudesse ser transmitido.

— …

O tio dela não a traiu. Pelo contrário, ele estava tentando protegê-la. Mesmo que ele tivesse um sentimento em que a considerava uma força de batalha, suas palavras continham o sentimento de que ele não queria deixá-la morrer, o que combinava com uma parte da memória de Yue.

Agora, a expressão de Yue parecia ansiosa como se sua emoção incontrolável, que era demais para ela, tivesse perdido o seu lugar, como se ela fosse uma criança perdida.

Sua voz trêmula e impotente, que mostrava sentimentos instáveis, lançou a pergunta final.

— … os reféns? Se você é mesmo Dienleed-ojisama, então… se você diz que não me traiu, então por quê?

Para essas palavras misturadas com críticas internas de Yue, que estava olhando para baixo, Dienleed sorriu sem graça enquanto murmurava: — Sobre isso… — E então ele estalou os dedos mais uma vez. No mesmo instante, o brilho que cobria as celas diminuiu e desapareceu em silêncio, a trava delas também se abriu.

Os colegas de classe capturados, Myuu e Remia encararam a porta destrancada com perplexidade.

— Eu pensei que se não fizesse isso, nem seria capaz de me encontrar com você. Além disso, eu também tinha o objetivo de protegê-los para quando chegasse a hora. Quero que você me perdoe pelas feridas causadas a eles. Quem foi buscá-los foram as apóstolas. Eu não conseguiria tratar os ferimentos na frente delas. Mas por precaução, eu as ordenei para que não matassem ninguém. Afinal, talvez eles possam se tornar aliados daqui para frente, junto com Aletia.

— … ali-ados?

Parecia que, de acordo com Dienleed, esse foi o raciocínio usado. Talvez ela tivesse usado todos os argumentos que tinha, assim, Yue apenas repetia as palavras de seu tio com dúvida. Sua voz já não tinha ardor, além disso, seu coração furioso ficou ainda mais tempestuoso. Como ela recebeu uma grande quantidade de informações de uma só vez e como todas essas informações eram importantes e impossíveis de ignorar, ela foi incapaz de organizar seus sentimentos.

Shia e as outras que estavam observando Yue não conseguiam esconder sua perplexidade sobre o que fazer. As pessoas presas dentro das gaiolas não conseguiram se mover ao sentirem a atmosfera do local.

Dentro de tal atmosfera, Dienleed a observou com carinho, como se tivesse visto através do coração de Yue, ele desceu do altar enquanto sorria. O destino para onde ele estava andando com calma era a localização da vampira.

― Aletia. Eu quero que você acredite em mim. Eu amo você, agora e no passado. Quão impacientemente estive esperando este dia em que poderia vê-la de novo. Durante esses trezentos anos, não houve um dia em que eu não pensei em você.

— … tio…

— Isso mesmo. Eu sou seu Dien-ojisama. Minha fofa Aletia. A hora chegou. Por favor, me empreste sua força, para terminar tudo.

— … emprestar, minha força?

— Vamos derrotar o deus juntos. Assim como quando lutamos juntos contra o inimigo externo de nosso país. O deus Ehito já está preparado para acabar com esta era. Na verdade, eu planejava esconder você até o momento em que teríamos que lutar, mas… isso foi um golpe de sorte. Você se tornou muito mais forte em comparação com o passado, e existem tantos usuários da magia da era dos deuses reunidos aqui. Com certeza podemos até alcançar o deus Ehito.

— … eu, eu sou…

As palavras de Dienleed chocaram Yue. O rei demônio estava abrindo os braços, como se fosse abraçar sua sobrinha, que estava assim.

Essa postura ressuscitou uma lembrança de sua infância no fundo de sua mente mais uma vez. Quando a jovem Yue alcançava algum tipo de resultado em treinamento ou aula de magia, “Dien-ojisama” sorriria parecendo ainda mais feliz do que a garota que obteve a conquista, enquanto ele com certeza abriria os braços para recebê-la. E então, ele elogiava Yue, que pulava nele, dizendo: — Você trabalhou muito duro. — enquanto acariciava a cabeça da garota.

O abraço de seu importante parente que estava vivo e que não a traiu. Ela o amava muito, como um pai, ainda mais do que seu pai de verdade. Os olhos de Yue tremeram.

O sorriso de Dienleed foi se aprofundando cada vez mais, ele estava prestes a dizer algumas palavras para abraçar a vampira.

― Muito bem, vamos seguir juntos. Alet…

No mesmo instante…

DOPAN!

Um som seco e familiar reverberou. Ao mesmo tempo, o corpo de Dienleed se voltou para cima, e então ele caiu para trás.

Ninguém foi capaz de entender o que havia acontecido; eles estavam olhando para o rei demônio, que estava caído, com as pupilas se transformando em pontos. Seu corpo nem se contorceu. A vasta sala de audiências estava tomada pelo silêncio.

Em tal atmosfera, um som de “clique” que era como o cão2 de uma arma acionado, não, era exatamente o som de um cão de arma de fogo sendo acionado o que quebrou o silêncio. As pessoas naquele lugar ficaram com os corpos trêmulos e olharam para a fonte do som todos juntos.

A cena que eles já esperavam podia ser vista.

Sendo mais específico…

― Saia do caminho. Vou transformar esse cara em picadinho.

Segurando Donner com fumaça branca subindo, enquanto declamava frases abusivas como um bandido, a figura de Hajime, que tinha veias pulsando na testa, estava lá.


Tradutor:



Notas

[1] Zen é o nome japonês da tradição Ch’an, que surgiu na China por volta do século VII. O Zen costuma ser associado ao Budismo do ramo mahayana. Foi cultivado, inicialmente, na China, Japão, Vietnã e Coreia. A prática básica do zen japonês é o zazen (literalmente, “meditar sentado”), tipo de meditação contemplativa que visa a levar o praticante à “experiência direta da realidade” através da observação da própria mente. Tal como o conhecemos hoje, ele só foi possível devido à forte influência que o Budismo na China sofreu do Taoísmo. Para alguns estudiosos, o zen nada mais é que a síntese dessas duas correntes de pensamento (Budismo e Taoísmo). Outros concluem que o Zen deveria ser considerado à parte do Budismo, pois sua natureza e tradição tão peculiares só foram possíveis e criadas devido à influência do pensamento chinês. No Zen japonês, há duas vertentes principais: soto e rinzai. Enquanto a escola soto dá maior ênfase à meditação silenciosa, a escola rinzai faz amplo uso dos koans, ou “enigmas”. Atualmente, o Zen é uma das escolas budistas mais conhecidas e de maior expansão no Ocidente.

[2] Cão é a peça que aciona o percussor. É uma peça da arma de fogo que tem como função imprimir movimento e ao percutir a munição faz realizar o disparo. O movimento que consiste em ativá-lo pode ser denominado como “armar o cão de uma arma”. O espaço vazio no cão serve para duas coisas: a primeira para aliviar a peça e a segunda para não rachar o mesmo e dividir a energia ao bater a frente no percussor.


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