Arifureta – Capítulo 150 – A profundidade da magia


A sensação de primeira classe que ele sentiu em seus lábios aos poucos levou a consciência de Hajime a despertar.

— … o que você está fazendo Yue?

— … nn? Beijo para despertar.

Havia uma maneira tão adorável de acordar alguém neste mundo. Para uma parte daqueles que eram riajuu1.

Hajime retribuiu com um leve beijo em Yue, que estava deitada em cima dele enquanto o beijava, então o garoto olhou para os arredores. O que entrou em sua vista foi uma familiar parede de gelo e a cama em que ele estava repousando e vários tipos de móveis.

Parecia que ele estava dentro da mansão feita de gelo na parte mais profunda da Caverna de Gelo e Neve. Enquanto pensava nisso, o Sinergista voltou seu olhar para a vampira, que estava olhando para ele com olhos marejados de uma distância muito próxima.

— … então fomos levados para uma sala em algum lugar porque desmaiamos. Yue, e quanto aos outros?

— … nn, desculpem. Acabei de acordar e não sei.

Hajime pensou que Yue tinha acordado primeiro e compreendeu a situação antes de ir acordá-lo, mas sua expectativa estava errada. O garoto exibiu uma expressão perturbada enquanto perguntava a garota, que ainda estava deitada em cima dele enquanto fazia gestos adoráveis, seu queixo apoiado nas mãos e os pés descalços subindo e descendo no ar.

— … há quanto tempo você está acordado?

— Nn… cerca de dez minutos atrás?

— Não me diga, desde então você esteve nessa posição?

— … nn. Porque quando meus olhos se abriram, Hajime estava lá.

“Porque há uma montanha lá.” Enquanto usava a mesma frase de um certo alpinista, Yue pressionou seus lábios em Hajime.

Antes, Hajime confirmou que, no limite de seu campo de visão, havia outra cama. Ele também confirmou que seus lençóis estavam desarrumados. Em outras palavras, depois que Yue acordou na cama vizinha, em vez de entender a situação atual ou tentar pedir uma explicação aos outros membros, ela entrou na cama do Sinergista. Independentemente da situação do desmaio de um acidente inesperado, ela decidiu pela escolha do despertar adorável.

Ela ficou tão abalada no último desafio que Shia a repreendeu, depois que enfim se reuniu com Hajime e falou sobre sua preocupação, e quando ela estava prestes a beijá-lo com uma emoção transbordante, foi bloqueada pelo poder feminino de uma personagem trapaceira… agora o julgamento já havia terminado, e seu amado estava dormindo ao lado dela, indefeso… por causa disso, parecia que a vampira não pôde se conter.

Realmente, realmente, que… adorável amada ela era, os olhos de Hajime se transformaram nos de um animal selvagem. Yue sorriu fascinada para esse Sinergista. A língua dela lambia os lábios de forma muito sedutora.

— Yue. Parece que preciso de um pouco mais de tempo antes de acordar.

— … nn. Então, até que você esteja acordado… eu te saborearei.

Seus lábios se tocaram mais uma vez. Som vívido colorido com umidade ressoou dentro do quarto. Ao mesmo tempo, — Nna! —, uma voz doce e ofegante ressoou.

Assim que pareceu que os dois poderiam continuar com isso e começaram a se despir, naquele momento, um som de porta se abrindo, de repente…

— Nn? Vocês dois acordaram… espereeem, o que vocês dois estão fazendoooo!?

A pessoa que entrou foi Shia. Olhando para Hajime e Yue que estavam envolvidos em cima da cama com suas roupas desarrumadas, suas orelhas de coelho se arrepiaram.

— Shia? Qual é o… Hajime-kun? Yue? Mas o que vocês dois estão fazendo? É o que eu me pergunto.

— ??

Atrás de Shia, Kaori, que espiou com a cabeça, materializou uma máscara de hannya atrás dela. Shizuku cobriu o rosto vermelho com as duas mãos. Contudo, seguindo o clichê, ela não se esqueceu de espiar por entre os dedos. Desde que se tornou ciente de seu amor por Hajime, ela também estava muito consciente desse tipo de ato, mas não pôde deixar de se interessar.

Por outro lado, sobre Hajime e Yue que foram interrompidos antes de chegarem mais longe, o casal dirigiu sua visão para as três enquanto se abraçavam. Então eles imediatamente se entreolharam, voltaram o olhar para as três e pronunciaram palavras com uma sincronia esplêndida.

— Voltem duas horas mais tarde.

— Voltem duas horas mais tarde.

Em resposta, a reação de Shia e as outras foi naturalmente…

— Vocês são idiotaaaas!?!?

— Isso sem dúvidas não está permitidoooooo!!

— …

Rugidos furiosos ecoaram na mansão de gelo. Apenas uma pessoa estava olhando de relance para o peito exposto do Sinergista com o rosto ainda vermelho.

A cama foi derrubada com Hajime e Yue ainda sobre ela e então os dois foram arrastados, Shia e Kaori os levaram à força para a sala de estar em um canto da mansão. Parecia que Shizuku ainda não conseguia sair do transe com os olhos ainda sem foco.

No centro, havia uma mesa de gelo que não parecia fria, e seus arredores incluíam um sofá de couro. Ryutaro e Suzu já estavam sentados no sofá, seus olhos se arregalaram para Hajime e Yue, que foram arrastados pela nuca.

— Ei, ei, mas que diabos…

— Aa, de alguma forma, Suzu entende o que está acontecendo aqui.

Parecia que Suzu podia imaginar o que estava acontecendo. Seu olhar estava direcionado para as roupas do casal que ainda estavam desarrumadas. Seguindo o olhar de Suzu, parecia que Ryutaro também adivinhou os aspectos gerais do evento. Mas logo depois disso, algo atravessou a sala em alta velocidade, zubishi!, e um som alto foi emitido pela têmpora sacudida com força do Lutador.

— Abeh!?

Soltando um grito estranho, o Lutador rolou para trás do sofá. Ele estava pressionando sua cabeça pensando: “Isso não é justo!!”, enquanto se contorcia.

— … hmph. Essa é a punição por ver a figura imodesta de Yue.

— … nn, ciúme? Hajime, fofo.

Sim, o que atingiu a têmpora de Ryutaro foi a bala do Sinergista. Uma punição para o Lutador que viu “Yue com roupas desarrumadas”… na verdade, isso foi irracional.

— Céus! Vocês dois, vocês não estão refletindo! Quanto vocês acham que nos preocupamos aquiiii?

Olhando para Hajime e Yue que estavam agindo despreocupados, Shia tremia de raiva. No entanto, no meio disso, ela perdeu o impulso e sentou-se ao lado dos dois com olhos lacrimejantes. Sua aparência mostrava fielmente o quanto ela estava preocupada com os dois que desmaiaram por uma razão desconhecida logo depois de concluírem o grande labirinto.

— É como Shia disse. Estávamos muito preocupados.

— Isso mesmo. Queríamos que vocês dois mostrassem logo seus rostos enérgicos.

Parecia que Kaori e Shizuku sentiam o mesmo. Semelhante a garota-coelho, elas estavam dirigindo os olhos um pouco marejados para o casal.

Olhando para as três, como era esperado, nem os dois conseguiram deixar de sentir culpa. O casal se entreolhou sem jeito e depois abaixaram a cabeça ao mesmo tempo.

— Aa, não, isso foi mesmo minha culpa. Quando eu acordei, uma garota superbonita estava me beijando, meu raciocínio foi eliminado… sim, é culpa de Yue por ser muito fofa.

— … nn, desculpem. Eu deveria ter notificado todas vocês na mesma hora. Mas quando notei um Hajime indefeso ao meu lado, não pude resistir. É culpa de Hajime por ser muito legal.

Eles estavam… abaixando suas cabeças? De alguma forma, parecia isso.

— … vocês dois não estão refletindo, estão?

— Haa, já basta. Mais do que isso apenas nos cansará mentalmente.

— Depois de olhar com consciência do meu próprio sentimento, várias coisas estão vindo para mim…

Vendo Hajime e Yue se desculparem enquanto sussurravam seu amor um para o outro, Shia dirigiu um olhar para eles e Kaori mostrou uma expressão cansada. Shizuku ficou com uma expressão que mostrava sua falta de palavras ao perceber mais uma vez o quão forte era Yue.

Mas, naquele momento, a porta da sala fez um som de abertura. Quem entrou foi Tio.

— Óó, mestre e também Yue estão seguros. Esta está feliz, esta está feliz. É o melhor que o que esta estava fazendo foi apenas um esforço vão.

— Ah, Tio-san. Me desculpe, esqueci de te falar sobre isso.

A expressão de Shia ficou culpada ao olhar para Tio, cuja expressão se transformou em um sorriso ao ver a aparência de Hajime e Yue.

A ryujin investigou o círculo mágico da magia da era dos Deuses e a biblioteca da mansão para o pior caso possível em que Hajime e Yue não acordariam para determinar a causa do desmaio. Shia, cuja atenção foi toda tomada por sua felicidade por Hajime e Yue acordarem e depois por sua raiva dos dois que estavam flertando sem considerar o sentimento de outras pessoas, esqueceu de entrar em contato com Tio.

— Está tudo bem, está tudo bem. De qualquer forma, logo após o mestre e Yue abrirem os olhos, eles deviam estar fazendo aquele tipo de coisa, não estavam?

— Você entende mesmo eles…

— Hmm. Isso é natural. Se esta estivesse na posição de Yue, faria a mesma coisa! E então, o mestre que despreza a aparência desarrumada desta fará aquele tipo de coisa e aquele tipo de coisa… nh, nh, haa haa.

— E exatamente o que aconteceu com Hajime-kun e Yue?

— Vocês soltaram vozes muito doloridas e desmaiaram, isso foi mesmo um evento chocante.

Kaori e Shizuku ignoraram de forma elegante Tio, que estava começando a ofegar com uma expressão de êxtase com sua imaginação, e perguntaram a Hajime e Yue.

De forma natural, o casal agiu como se Tio não estivesse lá, eles se sentaram no sofá enquanto mostravam sua intenção de explicar. Shia e os outras também se sentaram no sofá. O Ryutaro caído também se recostou no sofá enquanto esfregava a testa vermelha. Não havia lugar para Tio sentar. Ela estava ajoelhada em seiza2 no chão.

— Muito bem, a razão pela qual eu e Yue desmaiamos… isso mesmo, para dizer de forma simples, nossa cabeças ou mentes superaqueceram, algo assim.

— Superaqueceram, é isso?

A explicação inicial de Hajime fez Shia inclinar a cabeça.

— Sim. Naquele momento, a última magia da era dos deuses… a Magia da Metamorfose foi gravada em nossos cérebros, depois disso, eu e Yue fomos forçados a entender algo mais. O fardo disso foi muito grande e nos deixou incapazes de manter nossas consciências.

— Hmm… um fardo tão grande que o mestre e Yue não aguentavam… era algo sobre conhecer os detalhes sobre a magia conceitual?

— … nn. Como esperado, Tio. Sua compreensão é rápida, embora você seja uma pervertida. Apesar de você ser uma pervertida…

Isso foi dito duas vezes, embora não fosse importante. Apesar de ela ser uma pervertida, como sempre, seu palpite foi notável. Tio estava pensando em qual era a diferença entre Hajime e Yue com os outros membros, e ela notou que apenas aqueles dois haviam obtido todas as magias da era dos Deuses. Ela fez isso enquanto sentava-se em seiza no chão e sorria com a dormência em seus pés.

Luluo Haltina disse que suas mãos alcançariam a magia conceitual quando eles obtivessem todas magias da era dos Deuses. E então, entre esses membros, foram apenas Hajime e Yue que obtiveram todas as magias da era dos Deuses. Tio, que se lembrava até desse ponto, conjeturou que talvez a pressão de ter o conhecimento dessa magia ultrapassava o fardo de ter a magia da era dos Deuses gravada em sua mente.

Ela investigou dentro da mansão pensando em uma possibilidade fora disso para sua paz de espírito, ela fez isso porque mesmo com sua conjectura, ela não podia apenas ficar parada com a condição dos dois. Sua fala e conduta eram repugnantes, mas parecia que ela estava preocupada do fundo do coração, semelhante a Shia e as outras.

E então, o palpite da ryujin estava correto. Hajime e Yue, depois de obterem a magia da metamorfose da mesma forma que os outros, tiveram o conhecimento sobre a magia conceitual gravado em suas mentes.

Sabendo a razão pela qual os dois desmaiaram, Shia e as outras assentiram de acordo. Por enquanto, elas deram um suspiro de alívio depois de ouvirem que não havia efeito colateral nem nada do tipo. Kaori se recompôs e perguntou algo com que ela estava mais preocupada.

— Magia conceitual… com isso, podemos voltar para o Japão, certo? Por acaso, vocês dois já podem usá-la agora?

— Não, ainda não. Assim como Luluo disse, só porque você tem o conhecimento não significa que você pode usá-la. Além disso, o conhecimento que obtivemos também não é algo como a maneira concreta para aprender ou a maneira de usar, se eu tivesse que dizer como é, é algo como conhecimento das hipóteses.

— Conhecimento das hipóteses?

Shizuku perguntou repetindo as palavras do garoto. Essa conversa era sobre a possibilidade de eles voltarem para casa. Começando com a Espadachim, até Ryutaro, Suzu e Kaori também ficaram com expressões sérias.

— Sim. Por exemplo, a magia da metamorfose que vocês também foram capazes de obter dessa vez, como vocês entendem essa mágica?

— Eh? Err, vejamos. Pelo conhecimento gravado em nossa mente, é uma mágica que refaz um organismo normal o transformando em um monstro, não é? Usando o poder mágico do usuário e o poder mágico do organismo alvo, ela forma uma pedra mágica dentro do corpo, com isso como núcleo, é possível refazer a carne do corpo.

— Sim. Eu também entendo dessa forma. Além disso, parece que podemos interferir com a pedra mágica já existente de um monstro e misturar nosso poder mágico para fortalecê-lo e também fazê-lo se submeter.

O entendimento de Shizuku e Kaori era compatível com o geral.

Se fosse explicado com mais detalhes, a magia da metamorfose apresentava níveis de aprimoramento. No caso de transformar o ser vivo normal em um monstro, o alvo perderia a maior parte de sua razão e pensamento, e ele seguiria apenas seus instintos. Dizia-se que monstros selvagens vinham dos seres vivos normais. Em um local específico e por meses e anos absorvendo o elemento mágico ao redor e também com vários outros fatores para produzir de forma natural uma pedra mágica, ele atingia o primeiro nível da metamorfose; usar e magia da metamorfose era muito próximo desse processo dos monstros selvagens.

Esse monstro selvagem recuperaria sua razão e se ele fosse fortalecido ainda mais usando a magia da metamorfose, além do poder mágico do usuário se misturando na pedra mágica como a causa, isso seria como a cunhagem3 e o monstro se submeteria ao usuário como se ele fosse um de seus pais. Não era necessário dizer o que aconteceria se, desde o início, a pedra mágica fosse criada apenas a partir do poder mágico do conjurador.

Com habilidade, seria possível acumular a realização da metamorfose várias vezes e criar um monstro ainda mais poderoso… ou, em vez de dizer criar, era possível cultivar um monstro mais forte. No entanto, a carne do alvo se quebraria se a metamorfose fosse realizada com habilidade imatura, por isso era necessário cuidado.

— Em outras palavras, esta é uma magia para criar monstros obedientes, hum. Como imaginado. Pensando nas etapas, aquele dragão branco parece ter sido fortalecido de forma considerável…

— Uun, Suzu só viu isso uma vez, então ela não pode dizer com clareza, mas… se os monstros de Orcus são divididos em níveis por cada andar, esse dragão branco estaria no nível 300? É o que Suzu acha. Suzu acha que ele seria cerca de três a quatro vezes mais forte que os monstros no octogésimo andar.

— Não seria mais do que isso? Ela estava enfraquecida, mas a grande barreira da capital foi quebrada por apenas um dragão, e foi esse que estamos falando, não é? Até Nagumo teve que desviar de seu sopro. Ele não estaria no nível 400?

A conversa acabou fugindo um pouco do tema. Mas o palpite de Ryutaro não estava errado. O dragão branco fortalecido por Freed, se um monstro no andar 80 do labirinto externo de Orcus tivesse um nível próximo de 80, então a força daquele dragão branco era cerca de cinco vezes maior do que isso, mas se fosse agora, então o dragão seria cerca de seis, sete vezes mais forte.

Hajime franziu a testa por um momento, como se estivesse se lembrando de um cara irritante, mas ele se recompôs e retornou a conversa ao tema correto.

— Bem, em geral, vocês não estão errados. A magia da metamorfose é com certeza uma mágica que cria um monstro para segui-lo. Mas isso é um pouco impreciso. O que é chamado de magia da metamorfose, para defini-la com mais precisão… isso mesmo, acho que é uma “mágica que interfere no material orgânico”, entendem?

— Err…

Os olhos de Shia estavam perdendo o foco em sua perplexidade. Deixando de lado Kaori e os outros alunos, para a garota-coelho, essas eram palavras que ela não estava familiarizada. Parecia que Tio também estava no mesmo estado. Percebendo isso, Hajime limpou a garganta e se corrigiu.

— Vamos ver… falta um pouco de precisão na explicação, mas, para dizer de maneira mais fácil de entender, vocês também podem pensar nisso como a magia que interfere no material originado de seres vivos. Em outras palavras, se você quiser, não apenas um animal, mas algo como uma planta, e também coisas que são feitas a partir disso — por exemplo, comida ou papel, essa mágica também pode interferir nesse tipo de coisa. Claro, ela também pode interferir no ser humano. A pedra mágica nada mais é do que um subproduto.

De acordo com o resumo adicional de Hajime, a magia da metamorfose não era “magia que criava pedras mágicas e produzia monstros”, a pedra mágica nada mais era do que um corpo de energia criado como resultado de interferir no alvo usando o próprio poder mágico e a magia da metamorfose, na realidade, essa era uma mágica que operava de forma direta na carne. E assim, se alguém quisesse, em teoria, parecia que era possível causar metamorfose sem produzir pedras mágicas.

— … nn, isso é apenas um palpite, mas a dragonificação de Tio e dos outros do clã dos dragões, se a origem for rastreada, acho que ela tem raiz nessa magia.

— Hoho, então a magia da metamorfose é a origem da raça desta… hmm, esta entende.

Lançando um olhar para Tio que estava pensando profundamente, Hajime continuou sua explicação.

— O conhecimento das hipóteses que eu disse antes se refere a esse tipo de coisa. A magia da era dos Deuses é aquela que interfere no “princípio”, mas não entendemos bem o fundamento exato desse poder. Com a obtenção da magia conceitual como pré-requisito absoluto, é necessário entender por completo todas as magias da era dos Deuses.

— … nn. Além disso, temos que entender que isso é um abismo muito profundo, se alguém não estiver no nível que pode vencer todas as provações, seu corpo e coração não serão capazes de suportar o fardo e irão quebrar.

Essa foi a razão pela qual, para chegar à magia conceitual, havia uma necessidade de ganhar todas as magias da era dos Deuses.

Os atuais Hajime e Yue entendiam que, até o momento, a compreensão deles das magias da era dos Deuses ainda era superficial.

Por exemplo, a magia da criação que Hajime obteve logo no início, e que ele usou para manter sua vida até agora. Essa não era uma “magia para atribuir poderes ao mineral” se fosse expressa com mais precisão do que a “magia que interfere no material inorgânico”, uma mágica que era o oposto da magia da metamorfose. E, portanto, em teoria, essa magia deveria ser capaz de interferir em coisas como água ou sal também, não apenas minerais.

Além disso, a magia da gravidade era algo que deveria ser expresso como “mágica que interfere com a energia das estrelas”, não apenas a gravidade; teoricamente, também poderia interferir em coisas como o veio terrestre4 ou calor terrestre, rocha matriz5 ou magma, não era impossível usar essa magia para gerar de propósito terremotos ou erupções vulcânicas.

A magia espacial era uma “magia que interferia nos limites”. Eliminando a lacuna entre as raças e as criaturas, formulando novas fronteiras para criar o mundo espiritual, podia-se pensar que esse tipo de coisa também seria possível.

Magia de regeneração era “magia que interferia no tempo”. O uso da magia da regeneração era mais uma restauração do que uma cura, isso era apenas uma parte dela. Originalmente, era possível interferir com o próprio tempo usando essa mágica, poderia se vislumbrar o passado ou dar uma olhada em várias ramificações da procissão do tempo. A habilidade característica de Shia, Visão do Futuro, devia ser originada dessa magia.

Para definir a magia da alma, a expressão “magia que interfere com o material negativo possuído pelo ser vivo” mostrava sua verdadeira natureza. Para ser mais específico, essa mágica também poderia interferir em coisas como energia dentro do corpo, que eram poder mágico, calor, eletricidade, assim como pensamento, consciência, memória.

Embora essa mágica tenha sido designada como da “alma”, o que Yue e as outras poderiam exercer com essa magia era a interferência na ideia de corpo, para ser mais preciso. E então, se alguém pudesse lidar com essa mágica com perfeição, o conjurador poderia criar consciência e coisas do tipo, além de também poder configurá-la. Em outras palavras, era possível criar inteligência artificial usando essa magia.

Expressar a magia de sublimação como “mágica que interfere com a informação de algo existente” era uma definição mais precisa. Sua função que evoluía uma habilidade em um nível era, por exemplo, interferir em uma informação do corpo que pegava esse nível 1 e a elevava para o nível 2. Se o usuário alcançasse a raiz, era possível navegar e interferir nas informações de todos os objetos existentes.

Os nomes das magias da era dos Deuses que Hajime e os outros reconheciam até agora foram dados apenas levando em consideração a interferência que era possível de ser feita usando o corpo humano.

A propósito, a “bússola da orientação” usava a magia da alma para supor o que o usuário estava desejando; depois, usando a magia espiritual, ignorava a lacuna e a distância espacial e procurava o alvo; parecia que a bússola usava a magia de sublimação para complementar as informações do alvo. Todas essas funções não podiam ser realizadas usando a magia da era dos Deuses como eles fizeram até agora.

Depois que Hajime explicou sobre essas coisas também, a expressão de Shizuku ficou complicada.

— Agora eu entendo. Isso é real, enorme e, no entanto, essas magias podem interferir com a matéria fundamental. Parece que elas ultrapassaram o território que os humanos podem atingir. Mas, depois de ouvir tudo isso, acho que vocês dois ainda não podem criar a magia conceitual para voltarmos para casa, podem? Com base no que ouvi, parece que há uma dificuldade considerável…

— Bem, com certeza será difícil. Luluo explicou isso de forma leviana como o objetivo dos limites máximos ou algo assim, mas, na realidade, é mesmo o que ela disse. Precisamos elevar nosso “desejo” usando magia da alma e magia de sublimação até o nível do conceito, então precisamos conceder a ele poder mágico e materializá-lo à força… dizer que é apenas isso… mas isso não será bem-sucedido mesmo usando a magia de sublimação.

Pelo contrário, na magia conceitual, o usuário precisava do propósito daquele momento como base, portanto, apenas porque ela conseguia ser usada uma vez, não significava que nas próximas vezes seu uso seria estável. Em geral, isso se tornava uma magia que era usada apenas uma vez.

— … nn. Temos que usar a magia de criação de Hajime para conceder a magia conceitual a algo, como a bússola.

— Isso mesmo. A capacidade de controle de Yue para magia e minha transmutação… precisamos combinar nossos poderes e criar um artefato dotado do conceito de atravessar os mundos. Mas também precisamos de um conceito para impedir a invocação para cá mais uma vez, assim… levará algum tempo para isso.

— Isso não é impossível, é?

— Isso não é óbvio? Eu vou fazer isso dar certo, não importa o que seja preciso. Eu rastejei até aqui por esse motivo. Eu posso começar imediatamente pelo artefato para voltar para casa, vou elaborar o conceito de defesa contra interferências contra esses caras também, sem falhas.

Os olhos de Hajime pareciam brilhar de forma feroz. Ele havia sobrevivido a um ambiente severo e continuou desejando voltar para casa com sinceridade. Seria imperdoável tropeçar agora, tal vontade tão forte brilhava dentro de seus olhos.

Kaori e os outros alunos que viram o rapaz ficaram com o peito contraído pela saudade de casa pensando: “Aa, nós podemos mesmo ir para casa.”, as lágrimas estavam se acumulando em seus olhos.

Hajime e Yue se entreolharam e assentiram uma vez, e de repente se levantaram.

— Nós vamos tentar isso agora mesmo?

— Sim. Consegui reunir o conhecimento enquanto conversávamos. É como se eu fosse um cavalo com uma cenoura pendurada na frente de meus olhos. Eu tenho que tentar agora.

Hajime deu um soco na palma de sua mão com um estalo. Olhando para o Sinergista assim, a mão de Yue tocou-o de forma suave para acalmá-lo. A sensação da mão pequena e esbelta acalmou o coração do garoto na mesma hora. Parecia que um espaço doce iria se formar mais uma vez, então Suzu abriu a boca com uma sensação um pouco confusa.

— Err, Nagumo-kun. Sobre a magia para voltarmos para casa no Japão, quanto tempo você acha que vai levar? Se possível, Suzu também quer estar presente quando estiver pronta, mas… se vai demorar muito, Suzu e os outros também precisam fazer vários preparativos.

— Eu, entendo. Não acho que vá demorar muito se for apenas a magia para voltarmos para casa. Afinal, ninguém pode dizer que meu desejo de ir para casa não é extremo. Porém, quanto a defesa contra interferência mágica de outras pessoas… para ser sincero, eu não sei. Eu também sinto que posso fazer isso depressa, mas…

— É mesmo? Suzu entende. Então, Suzu e os outros se concentrarão em descansar até que a magia para ir para casa esteja concluída. Não parece que há outra coisa que precisamos fazer até entendermos se podemos realmente ir para casa… também há a magia da metamorfose que por fim obtivemos, então a jornada para o território dos demônios será depois disso. Err, o que Shizushizu e as outras vão fazer?

Suzu decidiu sobre seu plano a partir de agora e depois checou com Shizuku e os outros. Para Suzu, a Espadachim também tinha enfim percebido seu sentimento, ela estava pensando se a amiga estaria desejando ficar ao lado de Hajime daqui para frente ou não. Enquanto ela estava nisso, a garota também estava confirmando se Ryutaro estava mesmo pretendendo invadir o meio do território inimigo junto dela.

— É claro que irei junto com Suzu.

— Eu também.

Em resposta, a Espadachim e o Lutador responderam no mesmo instante.

— Deixando de lado Ryutaro-kun, está tudo bem para você, Shizushizu? Vocês finalmente…

— O que você está dizendo? São dois assuntos diferentes. Não posso apenas deixar Suzu aos cuidados dos dois idiotas. Além disso, não ficaremos lá por muito tempo, certo? Nós vamos escapar depressa depois de atingirmos nosso objetivo e nos juntaremos com Nagumo-kun. Não me sentirei solitária. Aliás, eu também não vou conseguir me acalmar sem dizer nada a Eri.

Em relação a Shizuku, que encolheu os ombros de forma indiferente, Suzu entendeu que esses eram os verdadeiros sentimentos de sua amiga, a Mestra de Barreiras a abraçou enquanto a elogiava: — Como esperado de uma mulher que faz outras mulheres se apaixonarem por ela, isso é tão viril! —, mas Shizuku mostrou uma veia na testa ao ouvir que era viril e deu um soco na cabeça de Suzu, fazendo-a gritar.

A Mestra de Barreiras mudou de assunto com os olhos lacrimejantes.

— A-a seguir é sobre Kouki-kun…

Essas palavras fizeram Hajime murmurar: — Hm? — e o rapaz inclinou a cabeça. E então seu olhar varreu a sala.

— Agora que você mencionou isso, onde está esse cara?

— Então você só percebeu agora que ele não está aqui. Se estamos falando de Kouki, ele ainda está dormindo em um quarto diferente. Ele sofreu danos sérios, então parece que ainda vai demorar um pouco mais até que ele acorde.

Parecia que até agora Hajime esqueceu da existência do Herói, para o Sinergista nesse estado, Shizuku explicou enquanto fazia uma expressão que mostrava sua falta de palavras.

A ferida de Kouki deveria ter sido curada por completo por Kaori, então o dano profundo que ela quis dizer devia ser o dano mental. Devia ser possível curar isso também usando a magia da alma que manifestava seu poder essencial, mas mesmo para a Curandeira que tinha aprendido como usar o corpo de Nointo, como era de se esperar, era quase impossível exercer os mistérios mais profundos de uma era das magias de era dos Deuses. Combinado com o fator de que quanto mais difícil era interferir, mais profundo era o dano mental, agora era apropriado deixá-lo à mercê da cura natural de seu próprio corpo.

— Bem, isso não importa. Depois disso, eu e Yue nos isolaremos na sala onde o círculo mágico da magia da era dos Deuses está localizado para criar um artefato dotado de magia conceitual. Na pior das hipóteses em que Amanogawa acorde durante esse período, não permitam que ele seja um obstáculo.

— Obstáculo, você diz… de jeito nenhum ele fará isso enquanto você estiver fazendo a ferramenta para irmos para casa, não é?

Ryutaro contestou enquanto fazia uma expressão confusa.

— Se for esse o caso, tudo bem. Mas o fardo mental dele foi grande, e não acho que isso vá acontecer, mas a possibilidade de que ele fique perturbado ao acordar não é zero. Bem, isso é apenas por precaução. Como esperado, acho que não terei nenhuma margem de segurança no meio do trabalho.

— Deixe comigo Hajime-san. Eu não posso ajudar nisso, mas em troca, não vou deixar ninguém ser um obstáculo. — Shia declarou cheia de confiança com o peito estufado de forma arrojada.

— Sim. Estou contando com você Shia.

— … estou aliviada com Shia aqui.

Essa aparência e palavras fortes e confiáveis fizeram com que Hajime e Yue também sorrissem para ela com uma confiança incomparável.

Assim, os dois foram para a sala com o círculo mágico da magia da era dos Deuses mais uma vez, desapareceram atrás da porta grossa enquanto a garota-coelho e as outras se despediam deles.


Tradutor:



Notas

[1] Riajuu é uma pessoa bem-sucedida ou realizada. É uma expressão normalmente usada por Otakus para demonstrar sua inveja por casais.

[2] Seiza (正座) é um estilo formal para sentar-se em um tatame que envolve ajoelhar-se, manter as costas retas e apoiar as nádegas nos calcanhares.

[3] Cunhagem, Imprinting ou Estampagem, em Psicologia, é uma resposta de comportamento adquirida no início da vida, não reversível e normalmente provocada por uma certa situação ou estímulo que a desencadeia. O conceito foi desenvolvido por Konrad Lorenz ao observar aves. A forma mais conhecida de cunhagem é a “cunhagem filial”, em que um animal jovem adquire várias de suas características comportamentais de seu pai ou mãe. É mais óbvio em aves nidifugas (aquelas que deixam o ninho logo após a eclosão), que se cunham aos moldes de seus pais e, em seguida, os segue.

[4] Veio é a designação dada em geologia e petrologia a corpos foliares de materiais distintos, por vezes com apenas alguns milímetros de espessura, encaixados no interior de uma massa rochosa ou rocha. O veio é em geral formado por minerais diferentes daqueles que estão presentes na rocha encaixante. Os veios formam-se quando constituintes minerais transportados por uma solução aquosa que atravessa a rocha por percolação são depositados por precipitação. O fluxo hidráulico subjacente ao processo é geralmente devido a circulação hidrotermal.

[5] Rocha matriz, ou rocha-mãe, é a rocha que se desagrega para dar origem ao solo. Se a rocha-mãe for o granito, o solo terá muitos fragmentos dos minerais que formam o granito, como o quartzo, o feldspato e a mica. A camada superficial do solo fértil, também conhecida como solo agrícola, apresenta característica escura, fofa, úmida, rica em matéria orgânica, sais minerais e microrganismos. Abaixo dessa camada, há uma camada de rocha parcialmente fragmentada, com quase nenhuma matéria orgânica, poucos microrganismos e com minerais alterados. Logo abaixo existe uma camada com grandes quantidades de rocha fragmentada. É uma rocha sólida.



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