Arifureta – Capítulo 135 – Futuro inesperado


Após a clara afeição que Hajime mostrou a Shia, Kaori se aproximou dele com um gingado estranho em seus movimentos.

— … Hajime… o que foi isso agora há pouco? Eu me pergunto.

Uma sombra impossível flutuou pelo rosto dela, sem nenhuma fonte de luz discernível como causa. Apenas seus olhos escureceram. Combinado com seu olhar gelado, isso teve um efeito terrível.

— Embora machuque pensar sobre isso… Shia realmente se tornou alguém “especial”? Quando? Por quê? O que causou isto?

Para o interrogatório de Kaori, Hajime mostrou um sorriso sem graça enquanto coçava sua bochecha.

— Bom, o que posso dizer… apesar de não estar no mesmo nível de Yue… de alguma forma, comecei a desejar uma posse exclusiva por Shia. Também houve o conselho de Yue, e assim, decidi tratar ela de forma mais apropriada. Nada mudou em particular.

— Então, eles são… sentimentos românticos por Shia?

— Não tenho certeza… parece diferente. Mas acho que posso chamar isso de amor.

Na verdade, Hajime não pôde evitar de inclinar seu pescoço como se perguntasse se esses sentimentos por Shia eram de fato românticos.

Por Yue, seu coração palpitava, e ele sentia paixão que fazia a razão desaparecer, o que não era o mesmo com Shia. Além dos sentimentos ardentes por Yue, ele sentia algo mais calmo, mais suave quando se tratava de Shia. Colocando isso em palavras, ele percebia que isso poderia ser mesmo amor.

Ele sempre teve sentimentos que queimavam como o Sol pela sempre calada Yue, contudo, a doce e inocente Shia era como a Lua. Era um pensamento muito misterioso. Esses eram sentimentos contrastantes, mas isso claramente era mais do que simples afeição. Entretanto, como os sentimentos eram sutis, Hajime não sabia como explica-los.

Toda a sala de refeições silenciou assim que os sentimentos do Sinergista foram expressos. Shizuku estava com uma expressão complicada, enquanto Yue e Tio estava com olhares gentis enquanto continuavam a comer bolo, e quanto a Kaori, que começou este interrogatório…

— … sim, eu entendo.

Ela estava com um rosto contente, um sorriso feliz se formando por algum motivo.

Mesmo se a posição de Yue não mudasse, isto era prova de que ainda havia espaço no coração de Hajime. Esse sorriso era para uma importante amiga que consegui conquistar isto. Embora descobrir tenha a perturbado e ainda a pressionasse inconscientemente, ela entendia que a distância entre Hajime poderia ser atravessada e sorriu em resposta.

É claro que ela sentia inveja. Havia sensações ardentes, até mesmo neste momento. Entretanto, ela percebeu a situação completa com base na jornada até agora. Se havia tempo para fazer tal coisa, era sensato se mostrar em uma luz favorável.

Enquanto Kaori se movia com seus sentimentos vívidos, ela imaginou que metade dos sentimentos de Hajime era resultado das virtudes naturais de Shia. A Curandeira realmente gostava da força e dedicação da garota-coelho. Ela podia ficar feliz por sua amiga.

De alguma forma, esses sentimentos foram captados, fazendo Hajime mostrar um olhar constrangido antes de esfregar suas bochechas.

— Fe? Ha… Hajime?

— Não é mesmo nada demais.

— Eh? O que foi?

Kaori, que ficou feliz por algum motivo, perguntou com um sorriso, sem entender.

No entanto, Hajime não respondeu. Enquanto estava com uma expressão que indicava que ele tinha desistido, ele começou a cutucar as bochechas de Kaori. Então ela voltou seus olhos para Yue.

A vampira viu o aumento na afeição por Shia nos olhos do rapaz, e ela estava com um pequeno sorriso enquanto dava um aceno de aprovação.

Partindo um pedaço de pão, ela mostrou a Hajime um sorriso misterioso antes de molhá-lo em sua sopa e então jogá-lo em Kaori como se fosse um tijolo.

Splash! O pão se colou na têmpora da garota com um som molhado, se prendendo a garota. Isso logo transmitiu a implicação: “Já foi decidido e você não tem envolvimento nenhum”. A Curandeira ficou com a bochecha contraída, puxando o pedaço de pão enquanto mostrava um sorriso sombrio antes de saltar para atacar a Vampira.

— Yu-e!

— … pare. Esforço desperdiçado. Só coloque seu rabo entre as pernas e vá embora.

Yue evitou o ataque de Kaori ao escapar pela janela que Shia pulou. Olhando por seu ombro, ela deu um sorrisinho. Ela parecia estar dizendo: “Tentando pegar algo que está fora do seu alcance”.

Após soltar uma voz irritada, Kaori a perseguiu. Suas asas de prata se abriram e ela voou para o céu. A relação das duas era boa ou ruim? Ao menos, Yue parecia gostar da interação com Kaori.

As pessoas deixadas para trás encararam em um estado de distração.

— Hmmm, finalmente, o mestre também se rendeu a Shia. Nesse caso, o momento em que ele se apaixonará por esta e o charme de Kaori se aproxima.

Tio ajeitou seu peito anormal, as montanhas duplas brutais se protuberando com um bachikon! O som pareceu ter um efeito na sala. Ternura transbordava de seu corpo, em especial nos homens restantes, de repente, eles ficaram com a postura mais relaxada.

Contudo, esse sex appeal foi disparado especificamente em Hajime.

— Deixando Kaori de lado, você não tem chances.

— Haa… haaa… tão intenso… do mestre… partindo as esperanças desta… penetrando adequadamente, a fraqueza desta… haa… haaa!!

O corpo dela começou a tremer com as palavras do Sinergista, suas coxas vibravam enquanto ela se abraçava. A atmosfera sensual que isto transmitia era incomparável com a sensualidade de momentos atrás.

Contudo, a aparência relaxada dos homens de mais cedo esmoreceu depressa. Isto aconteceu devido ao olhar desagradável no rosto de Tio. Isto acabou com o clima.

Shizuku ficou atenta com a estranha frase de Hajime, que parecia sugerir de forma casual que Kaori estava na mesma categoria que Shia.

“Então, quanto a mim… ei, o que eu tenho a ver com isto!? Kaori parece estar em boas mãos. Isso é o bastante e, sim, não há mais nada para concluir!”

De pé em um canto da sala, o rosto da Espadachim ficou enrugado passando de uma careta para outra. Todos os demais estavam focados em Tio. Alguns mostraram a Hajime expressões inquietantes e maléficas. O garoto suspirou de novo. Enquanto isso, as perseguições continuaram do lado de fora.

Ao meio-dia em Faea Belgaen, as coisas estavam muito mais barulhentas comparadas com a usual tranquilidade.


— Uu, encontrei olhos tão cruéis…

Isso veio de um canto da floresta de Faea Belgaen, a reclamação acompanhada do laranja do sol do entardecer.

Em uma praça um pouco afastada na cidade, muitas mesas estavam preparadas. Havia uma fonte usando água de nascente no centro. Em geral, um lugar para as pessoas descansarem, nenhum dos residentes estava ali no momento, preocupados com outros assuntos. Apenas Hajime e Shia permaneciam no local. Todos os outros tinham partido, cuidando das preparações para a viagem.

O garoto se sentou em uma das mesas no espaço aberto deserto, dando a Shia um aceno de cabeça, reconhecendo o trabalho duro e treinamento da garota-coelho. A causa, é claro, era o ataque de Arutena. Shia foi perseguida a exaustão por alguém que usou percepção próxima da de um animal, ao invés de força física, ela só foi detida pela intervenção de seu avô.

Enquanto Hajime observava suas orelhas de coelho caídas, ele não pôde se impedir de gargalhar. Essas orelhas começaram a se contrair com violência.

— Por favor, não se divirta com isso. Isso foi mesmo assustador!

— Não diga isso. É ótimo encontrar uma amiga da sua idade. Não é bom brincar até cansar?

— Não posso mentir para você, mas você pode mesmo chamar aquilo de brincar, ou de tipo de relacionamento amigável? Acho que agora entendi o que Hajime está passando com Tio, hum? Como posso dizer… ser amada não parece ruim, mas é exaustivo?

A fadiga fez Shia se inclinar mais uma vez.

Hajime sentia simpatia por ela, dando um aceno com a cabeça. Ele entendia melhor do que ninguém como a boa vontade que ele mostrou por Tio não chegava a extensão de uma mera transformação. O desejo da mulher de não ser derrotada por Shia e Yue era forte. Dessa forma, o garoto se sentia cansado, uma realidade deplorável de seus verdadeiros sentimentos.

A expressão do Sinergista suavizou e se tornou um sorriso, e ele levantou uma mão em silêncio. Ele deu um tapinha gentil em Shia, tranquilizando suas orelhas de coelho. Enquanto Hajime acariciava uma de suas orelhas, a garota tremeu oferecendo sua outra orelha.

Ele tinha ambas as magníficas orelhas de coelho envolvidas em sua mão, suas bochechas relaxando. O som suave dele acariciando as orelhas com seus dedos escapou, a doçura transmitida para o ar envolveu Shia e Hajime em um espaço doce.

Escondendo seu rosto com seu cabelo branco-azulado, ela falou em um sussurro.

— … Hajime… o… problema é, que, está de dia… então…

A voz era repleta de expectativa e não podia esconder a vergonha. Era óbvio o que ela queria dizer. Ela só queria ser clara.

Hajime se levantou de seu assento com um som e se moveu para o lado da garota, onde ele se sentou. Shia notou o sinal e se contorceu enquanto virava seu rosto para baixo, seu corpo ainda se sacudia. Ela foi perseguida gentilmente pelo rapaz, que virou seus ombros na direção dele. Ele a segurou com vigor dessa forma.

O rosto de Shia, segurado por Hajime, ferveu e ficou todo vermelho. Suas pupilas, cheias de luz, estavam umedecidas. Os olhos de donzela eram muito lindos, olhando para Hajime, transbordando com afeição.

— … Shia, foi você quem disse: “O futuro não é absoluto”, isso com certeza é verdade.

— Ah…

Isso foi algo que Shia disse a Hajime há muito tempo, quando ela queria viajar com eles. Uma confissão única, uma resposta que ela há muito acreditava ser impossível. Com toda certeza, essas palavras de determinação chegaram a Hajime.

— Shia… você não confirmou seus sentimentos.

Ainda havia Yue que era “especial”. Ela realmente era boa o bastante para ouvir algo como isso? Shia estava com medo da confirmação.

— Eu amo muito Shia… não quero a perder para ninguém.

Mesmo que essas palavras fossem egoístas, seu desejo escapou delas. Os olhos da garota-coelho aumentaram seu ardor, ela soltou uma respiração quente como a de um dragão.

— Não há como eu querer te deixar partir, então por favor, decida. Shia é minha mulher!

— … sim… sim… eu sou a mulher de Hajime!

Enquanto lágrimas escorriam por suas bochechas e seu corpo se contraía, ela mostrou um sorriso. Era um sorriso enorme, florescente e energético. Não, era um sorriso muitas vezes mais bonito e mais adorável do que qualquer um antes dele. Com certeza, se outros homens vissem Shia hoje, seus corações iriam disparar e sua pressão sanguínea subiria apenas com esta aparência.

Assim, Hajime não era exceção. O amor dentro dele atacou e o fez abraçar Shia com força, tomando os lábios dela com os seus próprios.

— Nu… mmmm…

Com o gesto de Hajime, lágrimas de alegria escaparam de Shia. Seu corpo relaxou como algodão doce, um suspiro suave lhe escapou. Seu corpo transbordou com calor parecido com o do Calabouço Guryuuen como se ela pudesse derreter a qualquer momento.

— … ah… Hajime…

Uma ponte de prata surgiu entre os lábios que se separaram com apenas uma respiração. A constrangida Shia abaixou seus olhos. Sua alegria usual foi substituída por um encanto incrível. Era um charme que poderia aprisionar um homem de uma maneira que correspondia até ao misterioso encanto de Yue.

Os lábios rosas de Shia se abriram um pouco, sua língua se moveu fazendo som. Suas pupilas o deram um olhar de baixo para cima. Um olhar que dizia: — Mais.

Hajime sorriu, olhando para a adorável e suplicante Shia. Seus lábios se encontraram com os dela mais uma vez enquanto sua mão tocava as bochechas da garota.

Nesse ponto, uma voz impaciente de repente surgiu.

— Fuhya, para começar a fazer isso, isso… aqueles dois… e do lado de fora!

Shh! Suzu, você está falando alto demais!

— Shizuku-chan está sendo gentil demais quando se trata de Hajime.

— … todos estão sendo muito barulhentos, vocês vão envergonhar Shia.

Para essas vozes familiares, Shia separou seus lábios com um arfar e voltou seu olhar para aqueles que falavam.

Ao ficar consciente do grupo, o clima foi perdido. — Espere, ó, isso é…! —, uma pessoa caía do canto de um canteiro de flores que cercava a praça.

Caindo um em cima do outro, Kouki, Ryutaro, Suzu, Shizuku e Kaori estavam ali. Yue suspirou, aparecendo atrás deles. Tio também apareceu, com um sorriso interessado no rosto. Ao que parecia, todos estavam se escondendo para assistir a aventura amorosa de Shia.

Enquanto se levantavam com pressa, o grupo corou. Suzu e Shizuku não pareciam capazes de olhar diretamente para Shia e Hajime.

— Vocês viram, viram… e todos, por quanto tempo vocês estiveram…

Shia estava tremendo, seu rosto ficando vermelho escuro como uma explosão. Aquele que respondeu à pergunta direcionada a Suzu foi Hajime.

— Desde que comecei a brincar com as orelhas de Shia.

— Esse foi o início, todos viram… mesmo assim, você ainda fala como se não fosse nada…

Shia bateu repetidas vezes em Hajime por causa da vergonha. Lágrimas em seus olhos, mas elas tinham um significado diferente das de um momento atrás.

— Por que você quer esconder isso? Esse foi um bom momento, e eu não quis desperdiçar a oportunidade.

— Eu também não queria perder isto… mesmo assim…

O espírito de Shia foi abrandado pelo modo direto de Hajime, a fazendo ficar ainda mais envergonhada, mesmo assim, ela também estava feliz.

Como de costume, Tio falou enquanto mostrava um sorriso para a garota-coelho.

— Por favor, como foi? Qual é o sabor da paixão do mestre? Hmm? Diga a esta um pouco, sobre como Shia está feliz e constrangida?

— Fale por você mesma pervertida.

Tio colocou seu braço ao redor de Shia e então caiu repentinamente com um golpe atrás da cabeça. O dedo dela se contraiu, se movendo para um ponto onde apontava para… — Então foi você Yue. — A vampira jogou uma massa de gelo de forma impiedosa na cabeça da mulher.

— Yue…

— … Shia.

A garota-coelho encarou Yue, que estava dando a Tio um olhar frio enquanto a outra apontava para ela. Após a vampira dispensar a ryujin, ela deu a Shia um olhar paciente. E então ela sorriu, ambas as mãos abertas.

— … venha.

— … Yue.

Shia pulou no peito de Yue. Ela se agarrou a vampira, com o tamanho de uma criança, mas a estabilidade de uma mulher. Yue acariciou a cabeça da garota com um olhar de gentil afeição enquanto a abraçava.

— … Yue, eu… finalmente!

— Nn… você trabalhou duro. Boa menina.

— Eu amo Yue, da mesma forma!

Shia gritou e então chorou de alegria. Era de se entender. Contudo, mesmo que Hajime pensasse em alguém como uma pessoa importante, no final das contas, era Yue quem decidiria, que era “igual a ele”. Sem se preocupar com o Sinergista, qualquer uma seria uma “outra” para a vampira.

Yue tratava Shia como uma irmã mais nova. Ela, a mais velha, observou sua irmã mais nova trabalhando duro. Além disso, os sentimentos de Hajime, que era teimoso, foram por fim aceitos. Esse era um evento alegre que Yue aceitou com sinceridade, o valor de Shia e o direito para seus sentimentos…

— Yue não está incomodada?

Sem querer, Hajime murmurou com uma cara taciturna enquanto Shia alegremente pressionava seu rosto contra o peito de Yue. A irmã mais nova que era muito dependente estava relutante. Como uma boa irmã mais velha, ambas estavam com uma expressão de contentamento que parecia muito reconfortante.

— Tio, as próximas somos nós, vamos trabalhar duro.

— É claro, esta sonha com o dia que será atacada pelo mestre e vai trabalhar duro.

— … você não pode agir assim… Tio.

A ryujin estava em um estado deplorável enquanto Kaori falava enquanto a cutucava. Tio reviveu com seus olhos brilhando com esperança. Nos arredores, Kouki e Ryutaro estavam se olhando de forma desajeitada, enquanto Suzu olhava para Shia e Hajime com uma expressão ilegível.

Eles precisavam se encorajar? Hajime abriu sua boca com um sorriso preocupado após ouvir as palavras de Kaori.

— Por favor, não me tentem demais…

— !!

— !!

Kaori e Tio olharam para Hajime com surpresa, seus olhos brilhavam como estrelas. Não havia outro significado para isso… suas confianças em queda se recuperaram depressa.

Hajime não tinha intenção de aceitar uma parceira que Yue não gostasse, mas ele não poderia pensar que a vampira valorizaria pessoas com quem brigava constantemente. É claro, agora que Shia foi aceita, já havia alguém “além de Yue”, e a declamação de essa posição ser apenas para uma pessoa não era mais válida.

O principal ponto era que Hajime reconheceu duas pessoas como importantes. Ao ponto em que se esqueceu de tudo mesmo quando havia outros ao redor.

Embora Shia não tivesse o monopólio de seu desejo, ainda foi declarado que o garoto a aceitou e ela tinha um lugar em seu coração. O significado disso não era inútil para as outras.

E nesse momento, Yue estava com uma expressão satisfeita, os olhos de Kaori e Tio estavam brilhando, enquanto Suzu observava com nervosismo. Todos os olhos pareciam estar inquietos.

Hajime abriu sua boca sem saber o que estava se passando na mente de Suzu, reprimindo Kaori e Tio.

— E? O que um casal de voyeurs está fazendo aqui? Está um pouco cedo para jantar. Qual é o assunto de vocês?

— Bom, é que… acidentalmente encontramos Yue, e nós…

Shizuku mostrou uma expressão perplexa para Suzu. Parecia que a garota notou algo diferente a respeito de Hajime. Eles pareciam ter se juntado a Yue por acaso quando ela estava procurando pelo Sinergista.

Hajime lançou a Suzu um olhar de suspeita. A garota avançou na direção de seu colega.

— Nagumo-san, me escute, leve Suzu para o próximo grande calabouço, por favor!

Como ele pensou que Kouki seria a pessoa que faria esse pedido, ele ficou surpreso quando foi Suzu a primeira a suplicar.

— Suzu, isso…

— Kouki, este é um assunto meu. Portanto, este é um pedido pessoal de Suzu. Por favor, não se intrometa!

Após voltarem do calabouço, Kouki possuía uma atmosfera sombria, em resposta as palavras dela, ele estava sem forças para retaliar e parou. Não eram todos, apenas Suzu.

— Mesmo que você não me acompanhe, vou te ajudar a voltar ao Japão de qualquer forma, e eu disse que posso providenciar artefatos para fortalecimento, assim vocês podem ficar fortes, isso não é o bastante?

— Sim, com certeza é… mas, quanto a Nagumo, você não ajudaria Eri?

— … você está falando de Nakamura? Bom, se for sobre ela. Se possível, vou atirar nela na primeira oportunidade. Ela é um dos motivos para Kaori ter morrido.

Suzu mostrou um sorriso amargurado com a expressão feroz de Hajime.

— Então é isso, mesmo assim, eu quero me encontrar e falar com ela. Dessa forma, preciso de poder. Eu quero desafiar o grande calabouço mais uma vez. E não importa qual seja o resultado, quando você sair, você provavelmente acabará no território dos demônios.

— Suzu, isso é…

Shizuku agarrou os ombros de Suzu instintivamente. Nenhum amigo de verdade permitiria que o outro entrasse no território dos demônios sozinho.

Contudo, Suzu foi tomada por sua força de vontade, e não havia um resquício de dúvida no olhar que ela deu a Shizuku enquanto era segurada por seus ombros.

Por outro lado, ela estava convencida que se viajasse com Hajime, ela teria a chance de persuadir Eri. Se ela acompanhasse o Sinergista para a fonte do calabouço de gelo e neve, eles acabariam no castelo do rei demônio, que parecia ser onde Eri estava sendo mantida.

De qualquer forma, o calabouço de gelo e neve estava no leste do continente do sul. O país Garland, a fortaleza dos demônios, estava no centro do continente do sul.

Suzu sabia que era impossível para Hajime estar preocupado com Eri, assim, ela entendia e sabia que seu colega poderia não esperar por Eri quando estivessem partindo. Dessa forma, ela falaria com sua amiga até que Hajime descobrisse como eles poderiam voltar, e a melhor forma para obter essa chance era acompanhando eles até o calabouço de gelo e neve.

Quando Suzu tirou seus olhos de Shizuku e os voltou para Hajime, ela pediu com sinceridade e um tom que sugeria desespero.

— E se, se for possível buscar Eri com isso, se Eri quiser perdão… nesse caso, você pode nos fazer voltar para o Japão juntas? Por favor! Por favor, eu te imploro!

— …

O grito suplicante de Suzu ecoou, ninguém poderia dizer nada e todos ficaram em silêncio.

Para ser sincero, Hajime se lembrava do olhar no rosto de Eri. O espetáculo de quando Kaori caiu foi lembrado neste momento, e apenas intenção assassina surgiu com esse pensamento.

Era egoísmo de Suzu fazer coisas desta forma a respeito da Necromante. Contudo, o pensamento de cooperação parecia um pequeno espinho preso na garganta do garoto. A garota chamada Eri Nakamura já era uma inimiga para Hajime.

Entretanto, mesmo que isso fosse verdade, o pedido de Suzu foi feito com todo o seu coração. Foram os olhos de Kaori que perguntaram a Hajime por que ele possuía tanto desejo em matar Eri. Esses olhos falavam algo, transmitindo seus próprios pensamentos e intenções.

Nesse momento, após um longo silêncio, Kouki abriu sua boca.

— Nagumo, eu também tenho que te pedir isso. Eu sou a causa do que aconteceu a Eri. Mesmo que seja desagradável, devo falar com ela. Não posso deixar Suzu ir sozinha para o território dos demônios. Assim…

Kouki teve que morder seus lábios com força, seu punho estava fechado enquanto ele lutava para encontrar as palavras com uma atmosfera um pouco depressiva.

— Do jeito que as coisas estão, não é possível parar por aqui. Shizuku também foi capaz de obter a magia da era dos Deuses. Eu, uh… se continuarmos te seguindo, vamos com certeza obter poder. Se esse não fosse um local cruel cheio de ataques mentais, até eu seria capaz de completá-lo. O grande calabouço para onde vamos desta vez é um lugar que até aqueles demônios podem completar. Assim, eu também posso!

— Kouki…

Com a aparência de Kouki, com seus punhos fechados tremendo e uma atmosfera sombria, Shizuku o observou com olhos aflitos. A Espadachim se lembrou do olhar de choque de Kouki quando ela foi capaz de obter a magia da era dos Deuses e ele não. Embora ele tenha tomado cuidado de não deixar isso aparecer, para uma amiga de infância, ele não poderia esconder sua inquietação.

— Ó, com certeza não posso deixar Suzu ir sozinha. Quando se trata de Eri, considerando a personalidade de Nagumo, eu também tenho que pedir.

— Ryutaro também, haa, bom, não é certo deixar Suzu ir sozinha. Nagumo-san… se for possível te pedir isso…

Realmente não importava se era Kouki ou Suzu, se um companheiro estava partindo, Ryutaro iria acompanhá-lo com alegria. Embora suas sobrancelhas estivessem abaixadas com o constrangimento diante de tal Ryutaro, Shizuku sorriu um pouco como se estivesse sendo chamada por Kouki. Em seguida, a Espadachim se curvou, parecendo se desculpar com Hajime.

O Sinergista voltou seus olhos para Suzu com um olhar desesperado com a decisão de Shizuku, quase a levando às lágrimas. Kouki, que recuperou parte de seus sentimentos, Ryutaro, que era um cérebro de músculos, Kaori que estava preocupada com Shizuku, a Espadachim, que estava preocupada com Suzu, sua amiga de infância, por fim, o Herói deu uma alta gargalhada.

E os olhos de Yue, Shia e Tio mostravam que elas concordavam, como se estivessem dizendo que entendiam o desconforto de ter feito este pedido.

— … se eu perceber um mínimo de hostilidade, vou atirar para matar…

— É claro Nagumo-san, obrigada!

Suzu, que conseguiu o consentimento de seu colega, parecia exausta, seu rosto brilhou com a expressão de gratidão. Shizuku também expressou seu agradecimento.

Como ele precisava inventar a magia de conceito que preveniria uma reinvocação, além da magia que permitiria que eles voltassem para seu mundo, Hajime estava pensando que isso levaria algum tempo, mesmo após ele obter a magia final.

Independentemente do que Suzu fizesse, isso não seria um obstáculo para o retorno deles, então o garoto não pensou em nenhum motivo para recusar o pedido. Contudo, o pensamento de Eri se arrependendo e voltando, Hajime não achava que isso era possível, e se ela entrasse no caminho dele, ele iria matá-la com toda certeza.

Eventualmente, o garoto levaria Suzu para o último dos grandes calabouços e decidiu permitir a companhia de seus colegas por isso não causar nenhum problema em particular. Com sua própria magia aumentando graças a magia de sublimação, isso não deveria criar nenhum problema.

Ignorando Suzu, que tinha um novo senso de propósito, e os sentimentos doces que vinham disso. Hajime sorriu para si mesmo. Yue e as outras se aninharam perto do garoto.

— … nn, um Hajime magnânimo é fofo.

— De fato, este é um Hajime do qual me orgulho.

— Afinal, o mestre é um tsundere.

— Entendido… hehe, obrigada Hajime.

De cada uma, Hajime recebeu um tratamento afetuoso, ele olhou para longe. E Yue e as outras riram alegres ao verem isso.

Esta terra de Deuses e demônios era interessante, mas parecia que eles estavam chegando na reta final.


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