Arifureta – Capítulo 133 – A confusão de Shizuku


As profundezas da floresta de Faea Belgaen pareciam particularmente pacíficas e calmas naquela manhã.

O gorjear de um pássaro próximo agitou o ar como uma onda na superfície da água. Parecia ser uma música gentil, flutuando com o tom das folhas sussurrantes.

Contudo, em uma parte não digna de nota de Faea Belgaen, fora dos olhos públicos, soava um tipo diferente de som.

Fuiiim! Fuiiim! Fuiiim!

— Iá! Rá! Ó!

Era o som afiado do ar sendo cortado combinado com respirações curtas. Com cada som, uma linha preta atravessava o ar, dividindo a neblina da manhã. A espada negra se movia de forma natural, como água corrente.

Os movimentos da portadora da espada eram extremamente refinados, e quando combinados com o cabelo preto solto, a cena lembrava uma dança dedicada aos Deuses.

A espada e o cabelo preto se moviam perto do trajeto de uma folha caindo, formando um padrão circular. A folha caiu dentro do trajeto da espada e foi na mesma hora dispersada, gotas de suor se espalharam na neblina.

Por quantas horas ela dançou com a terra? O terreno estava cravado com suas pegadas e havia um imensurável número de folhas destruídas a seus pés.

Contudo, sua forma desfocada se movia de forma incansável, lutando contra sua própria exaustão. Sua forma era inocente, ainda assim, linda de se contemplar, cada golpe com a espada era feito com seriedade.

— … hah.

A eterna dança da espada de Shizuku de repente encontrou uma perturbação. Sua espada errou a folha por meio metro. A força centrífuga de seu giro a fez perder o equilíbrio.

Shizuku mal conseguiu evitar cair. Com um rosto amargo, ela colocou a espada negra a seu lado.

— Hah, hah, oras…

Shizuku sacudiu sua cabeça em irritação. Sua marca registrada, o rabo de cavalo preto, balançou da esquerda para a direita, ecoando seu sentimento.

— Limpe sua mente, clara como a água.

Respirando profundamente, ela se lembrou de colocar sua mente em paz e acalmar seu coração. Esse era um exercício que ela aprendeu no Japão enquanto praticava esgrima. O coração agitado de Shizuku recuperou sua tranquilidade com rapidez.

Entretanto, a figura de um garoto emergiu dessa serenidade…

— Nuaaa!!!

Enquanto galantemente gritava de uma forma não muito feminina, ela balançou sua espada negra como se estivesse afastando a imagem de sua mente.

— Diferente, diferente! Não é nada disso! Isso é diferente!”

As águas em sua mente estavam turbulentas, nem um simples sinal de calma estava presente. Como um tufão devastando o mar, a mente de Shizuku ficou fora de controle.

— Isto é tudo diferente, e não sei o significado. Estou calma, estou bem.

Sem dúvidas, ela estava longe de estar calma. Seu coração parecia gritar com ela de modo incoerente.

Na verdade, ela passou o dia inteiro tentando se acalmar, mas sua espada não a escutaria, o estado de sua mente mostrava isso em seus movimentos instáveis e seu trabalho de pés negligente.

Ela estava tentando se livrar do distúrbio em seu coração com disciplina e treinamento.

Não seria exagero dizer que Shizuku passou a noite toda focada nisso.

No dia anterior, Hajime e o resto do grupo voltaram do Grande Calabouço Haltina e escolheram descansar na mesma hora. Shizuku teve uma refeição e um banho antes de ir para a cama, é claro. Contudo, por alguma razão, ela não conseguiu dormir; sua mente estava confusa. Embora fosse meia-noite, ela deixou sua cama, a espada negra em mãos.

E foi aquele garoto que continuou surgindo em sua mente, a fazendo sofrer a angústia mental da ociosidade.

— Sie! Sie! See!!!

Seu grito ficou mais duro após cada golpe.

Eram os eventos desagradáveis no grande calabouço que ela não podia evitar de pensar a respeito.

Isso começou após eles serem levados para aquele mundo de sonhos. Quando Shizuku se lembrou do mundo doce, isso a fez corar, mas também era doloroso… seu mundo ideal… era algo que ela nunca poderia dizer a ninguém.

Ela tentou rejeitar sua donzela interior em seu coração.

— Uryaaa!!!

Isto a fez pensar sobre o desafio final do grande calabouço. O inesperado conteúdo de seus sentimentos invertidos. Não era o fato de ela sentir amor pelas criaturas negras. Não, era o extremo desgosto por um certo garoto… ela não tinha o desejo de matá-lo, mas seus pensamentos eram com certeza odiosos.

Ou seja…

— Isso é diferente. Amizade. Isso é amizade!

Ela perdeu sua compostura com a espada. Isso parecia se originar do colapso de sua personalidade. A espada negra balançou em vão, o vento batia sem rodeios. Shizuku formou uma careta de desgosto assim que a sombra daquele garoto surgiu em sua visão como se fosse um fantasma, um sorriso de ódio em seu rosto. Se um de seus colegas visse isto, ele ficaria em choque.

A garota continuou a balançar a espada de modo irresponsável, tentando trazer de volta a paz e remover sua confusão. Par se livrar e negar isso. Ela queria se convencer que tudo isso era um mal-entendido.

Com a fadiga atacando, os sentimentos de Shizuku começaram a recuperar sua quietude original. Quanto a causa de sua agitação, é claro que o motivo era o Grande Calabouço, um ambiente excêntrico que criava uma temporária perda de decência. Seu coração por fim se acalmou, mesmo se ela pensasse nele. De volta ao normal.

Fuaaa!

Ela lentamente expeliu sua respiração. Ela fechou seus olhos e permaneceu na escuridão, suor escorrendo por sua pele pálida, uma cena eloquente para a manhã. Com seu corpo molhado, cabelo se prendeu a suas bochechas e uma respiração quente escapava por seus lábios; isso só poderia ser descrito como um pouco sensual.

Enquanto a Espadachim se satisfazia na calma persistente, uma voz surgiu.

— Como esperado de Shizuku.

— Ahh!?

O coração da garota pulou pela boca com o som de uma voz familiar. O tom perturbou sua paz. O pensamento “Como isto era esperado?” surgiu sem ninguém precisar retrucar. Shizuku encarou na direção da voz com esses pensamentos turbulentos em sua mente.

A pessoa esperada, Hajime, estava ali. Ela não sentiu nenhum sinal da aproximação do garoto, apesar de seu treinamento.

— Nagumo-kun. Não me assuste dessa forma, é de mal gosto ficar parado atrás dos outros.

Shizuku deu um sorriso enquanto seu coração batia e disparava de modo desconfortável.

Confrontando o Sinergista enquanto ele recebia a reprimenda dela…

— … é mesmo… pufu!

— !!!

Sua reprimenda foi repetida, mas apenas para receber uma gargalhada como resposta. Ele só podia reagir a desaprovação dela com humor. Contudo, como as bochechas da garota estavam um pouco coradas, a declaração dela não tinha muito peso.

Esse conhecimento era como um espinho preso em sua consciência.

— E você… você…

Hajime, ainda rindo um pouco com a frase da garota, se desculpou e jogou uma toalha para ela de sua Caixa do Tesouro. Percebendo que estava coberta por suor, a Espadachim começou a se limpar com um surto de pânico e um estranho senso de constrangimento.

— Não estava querendo te incomodar. Só acordei mais cedo. Estava procurando por um local adequado para treinar e acabei encontrando Yaegashi. Queria ver como você está se saindo. Você está bem?

— Eu estou… eu só não consegui dormir.

— Bem, você conquistou seu primeiro grande calabouço. Acho que você ainda está animada.

— Ah, bem…

Isso foi com certeza animado de uma forma diferente, e houve um aumento na força. Entretanto, Shizuku não poderia dizer isso e desviou seus olhos.

O ato suspeito fez Hajime apertar os olhos e inclinar sua cabeça com um olhar confuso.

Shizuku acabou perdendo ainda mais sua compostura.

Ela parecia inquieta, desconfortável, agitada…

— … Yaegashi, você está sentindo alguma peculiaridade, algum efeito residual?

— Ó? Você pode dizer que estou bem. Sim, completamente saudável! Quer dizer, em minha melhor condição.

— Se você diz… mas você parece muito cansada e está agindo de forma suspeita.

— Comportamento suspeito? Vindo de você? Eu sou comum! É você quem fica parado atrás das pessoas sem nem pensar nisso!

— Você normalmente é fria como gelo… sempre calma…

Embora Shizuku não parecesse normal, ela insistiu que estava, assim, o Sinergista decidiu parar de se preocupar com isso. Ele mostrou esse tipo de olhar antes de se aproximar da Espadachim.

Shizuku de repente entrou em pânico com a súbita aproximação de Hajime. Ela colocou ambas as mãos em sua frente para criar uma barreira entre os dois.

— O quê? Por que você está vindo na minha direção? Por favor, espere um momento. Suada! Violação de território! Se acalme! Você quer a toalha? Mas ela está toda… nada bom. Vou devolvê-la assim que lavá-la! Portanto, pare por favor!

— … algo com certeza está errado… só quero ver sua espada negra.

Assim que Hajime se aproximou dela, a atitude de Shizuku enquanto se afastava era a mesma de ser abordada por um pervertido.

— Ó? Minha espada negra? Então era isso…

— Posso reforça-la. Isso é algo que descobri graças a magia de sublimação. Se você não quiser, está tudo bem…

— Você pode… se você puder, ficarei agradecida.

Shizuku timidamente mostrou a ele a ponta de sua espada negra. Parecia que ele não pretendia se aproximar mais.

A Espadachim estava agindo de forma cada vez mais suspeita para o Sinergista, mas ele imaginou que ela não queria se aproximar de alguém após suar tanto, então ele encolheu seus ombros.

Hajime agarrou a espada negra e pisou com força no chão. No mesmo instante, o solo cresceu na forma de uma cadeira e uma mesa. Ele se sentou na cadeira e puxou vários minérios da caixa do tesouro enquanto exibia a espada negra diante dele.

Enquanto observava isto, Shizuku se sentou na cadeira oposta à dele enquanto mostrava uma expressão sombria e inquieta.

— …

— …

Não houve conversa. Enquanto o Sinergista remexia nos minérios, apenas sons de pequenos pássaros piando e os sussurros das folhas podiam ser ouvidos, e a paz da manhã retornou.

Contudo, Shizuku não se sentia particularmente desconfortável. Apesar da pouca tensão inicial entre ela e Hajime, o silêncio fez bem em ajudá-la a recuperar sua tranquilidade.

O Sinergista não deu a Espadachim um único olhar, perdido em sua concentração. As pupilas dele assumiram uma expressão séria, iluminadas pela magia vermelha. Assim que as mãos do garoto se moveram, luz de magia carmesim alterou a composição dos minerais.

Os pensamentos de Shizuku eram: “Como imaginado, isso é lindo”, enquanto ela observava o rosto de Hajime trabalhando. Ela começou a adormecer, sua cabeça caindo em seu ombro e cotovelo. Após ficar acordada a noite toda, sonolência era a consequência.

No meio do trabalho, Hajime pegou a mão dela e extraiu uma gota de sangue. O ato assustou a garota e quase a fez cair de sua cadeira.

Enquanto o tempo passava, Shizuku começou a sentir um estranho conforto, seus olhos mais uma vez ficaram pesados. Então, a voz de Hajime surgiu.

— Olhe, está pronto Yaegashi.

— …

— Yaegashi?

— …

— Você está dormindo?

O braço dela funcionou como um travesseiro para a cabeça. O garoto espiou o rosto dela, observando que seus olhos estavam fechados. Ele olhou com espanto a expressão indefesa que ela exibia enquanto dormia.

Em geral, você iria acordá-la com gentileza, ou talvez colocasse um casaco sobre ela. No entanto, Hajime depositou poder mágico na espada e a pressionou contra Shizuku, ativando uma de suas funções.

Baribaribaribaribaribari.

— Ababababababa.

Faíscas jorraram da lâmina. Shizuku soltou um grito, endurecendo e ficando de pé em um instante. O Sinergista ativou um relâmpago, o que certamente era uma forma de despertar alguém.

Assim que a espada negra foi puxada para longe, a cabeça da garota bateu na mesa, fumaça branca surgia de seu corpo enquanto ela esfregava sua mandíbula com uma mão.

A espada negra parecia ter funcionado de forma satisfatória.

— Por que você fez isso?

Naturalmente, Shizuku se recuperou e rugiu com raiva. Ela bateu na mesa com sua mão e mostrou uma carranca para Hajime.

— Imaginei que poderia te acordar testando a eficiência da arma ao mesmo tempo.

— Você diz isso sem qualquer ressalva, este cara…

Enquanto Shizuku tentava disparar palavras de protestos, ela percebeu que jogou a espada para longe durante o choque. Ela correu para recupera-la.

— Antes de obter a magia de sublimação, o melhor que eu podia fazer era adicionar um ou duas habilidades ao minério. Contudo, ao tentar com a magia da criação, fui capaz de criar dois ou mais efeitos.

— E você está ignorando minha raiva para explicar isso… tudo bem… está tudo bem agora.

Como Hajime começou a explicar o aprimoramento da espada negra como se nada tivesse acontecido, Shizuku decidiu deixar isso passar com um profundo suspiro. Ela o observou com olhos desdenhosos, tentando se convencer a fazer isso.

— Dessa forma, adicionei algumas novas magias a espada negra. Uma é a magia da gravidade. O peso da espada pode ser alterado. Você pode atrair e repelir algo através da lâmina e até cortar a própria gravidade por um instante.

— Isso… é incrível.

O desprezo nos olhos de Shizuku se dissipou durante a explicação do garoto, ao invés disso, seus olhos se arregalaram enquanto ela olhava para a espada negra. Entretanto, podia ser cedo demais para se surpreender. Enquanto Hajime continuava a explicação, o rosto da garota começou a endurecer com o total das habilidades da espada.

Primeiro, era possível romper o próprio espaço usando magia espacial.

A espada negra podia se reparar automaticamente com magia de regeneração. Além disso, ela podia ajudar na recuperação ao aumentar o potencial do usuário.

Ela também poderia danificar o espírito ao penetrar o corpo com magia espiritual.

Além disso, o desempenho do relâmpago e da garra do vento foram melhorados, além da nova capacidade de conversão de choque.

— …

Ademais, o método de autenticação e da placa de status foi reformulada para que um longo encantamento não fosse mais necessário para um efeito maior. A própria espada tinha um “estado de movimento”, permitindo que feitiços fossem usados sem encantamentos. Como Yaegashi era uma lutadora veloz, ela não poderia gastar muito tempo entoando uma habilidade.

Hajime terminou sua explicação. Shizuku observou a espada negra em sua mão, suor frio escorrendo por seu rosto. A original espada trapaceira que ela possuía estava agora claramente roubada, não importava como você olhasse para isso. Se seu desempenho se tornasse conhecido, guerras aconteceriam pela aquisição desta arma. Neste momento, esta era a espada mais forte deste mundo.

— Está tudo bem… ficar com uma coisas dessas…

— Ó, é só por precaução.

— Só por precaução?

Shizuku inclinou seu pescoço para o lado com um olhar confuso enquanto Hajime olhava para o céu e dava um pequeno aceno com a cabeça.

Ele tinha um olhar afiado, como os olhos de um lobo atento. O coração da garota começou a bater mais rápido. Contudo, ela esperou pela explicação de Hajime enquanto ignorava o calor crescente em suas bochechas.

— É bastante compreensível. Assim que capturarmos o último calabouço, isso significa que poderemos voltar para o Japão. No entanto, haverá obstáculos. A ideia é de que isso ocorra de forma tranquila é apenas otimismo.

— Obstáculos? Você está se referindo aos deuses loucos?

— Sim. Não parece ser a vontade de Deus ignorar uma irregularidade como eu. Vou precisar de um pouco de carne para quando Apóstolos de Deus como Nointo começarem a aparecer em grandes quantidades… embora você também seja considerada um potencial de guerra com sua magia da era dos deuses.

— Você não falou algo sobre precisar de um escudo de carne mais cedo? Ei? Você disse isso, não disse?

Hajime descuidadamente revelou um pouco de sua verdadeira intenção, e a Espadachim tentou abordar isso com uma veia palpitando. Contudo, o Sinergista continuou falando, ignorando esse fato.

— Minha habilidade de criar artefatos transcendeu para uma nova evolução graças a magia de sublimação. Mesmo que ela não melhore nenhuma das outras magias da era dos deuses, uma melhoria considerável no potencial de combate é possível. Posso aprimorar todos os seus equipamentos. Não apenas os de Yaegashi, mas do resto de seu grupo também. Enquanto seguimos para o calabouço de gelo e neve, é possível que outro apóstolo de deus nos ataque. Isso deve ser repelido por qualquer meio. É claro que vocês também serão capazes de desafiar os outros calabouços com essas armas aprimoradas.

— Entendo o que você quer dizer…

Terminando de falar o que ele queria dizer, Hajime se levantou. Shizuku ficou com uma expressão preocupada e hesitou.

— … no fim, o grupo de Nagumo-kun vai ir sem nós?

— Hmm? Você quer vir conosco?

— …

Shizuku não respondeu. Originalmente, este era um grande favor que eles pediram e Hajime se manteve ao lado deles como uma barganha. Ele os ajudaria a capturar um dos grandes calabouços.

O desafio do grande calabouço parecia ter se permeado por suas carnes e ossos. Ela não podia negar o déficit de capacidade que ela possuía. Em uma palavra, mesmo se ela o acompanhasse, ela seria um fardo para Hajime e seu grupo.

Além disso, assim que capturassem o calabouço de gelo e neve, voltar poderia ser uma realidade. Assim, o Sinergista não tinha motivos para levar seus outros colegas come ele.

Foi por isso que Shizuku não respondeu, apenas sacudindo sua cabeça. Hajime abriu sua boca com a resposta da Espadachim, encolhendo seus ombros.

— Bom… se for apenas Yaegashi, não me incomodaria em te levar junto…

— Eh?

Os olhos da garota se arregalaram em surpresa com as palavras inesperadas que saíram de Hajime.

Um momento depois, Shizuku virou sua cabeça, suas bochechas coradas como se estivesse em uma fornalha e tentava esconder isso. Enquanto tentava acalmar seu coração selvagem com desespero, ela tentou perguntar sobre a real intenção do garoto.

— Quanto a isso, o que você…

— Bom, isso é estratégia. Sua força espiritual não será um problema. As diferenças na habilidade podem ser contornadas com um artefato.

— Ó, sim. Isso é verdade?

As expectativas dela foram traídas com facilidade. Shizuku ainda pensou: “Não esperei por isso!”

Ela olhou para trás, se livrando do calor de suas bochechas e acalmando sua mente enquanto dava a Hajime um olhar de reprovação.

Contudo, as palavras seguintes imediatamente a fizeram corar mais uma vez.

— Sim, é verdade. Além das integrantes de meu grupo, Yaegashi é a pessoa em que mais confio.

— !!!

Parecia que o olhar de reprovação de Shizuku foi o resultado dela pensando que Hajime estava tentando a elogia, mas ele interpretou isso de forma errada. Isso foi uma retratação para isso. Mas a correção atingiu Shizuku, e ela começou a corar mais uma vez.

Hajime mostrou um sorriso sem graça, ignorando a reação dela enquanto se concentrava em seu propósito original.

— Bem, mesmo que apenas Yaegashi nos siga, isso pode ser problemático.

— Eh… por que isso?

— Bom, o que os outros da sala irão dizer? Amanogawa com certeza vai ficar fora de controle sem você. Ele vai correr por aí de forma irresponsável ou vai sentir sua falta dizendo: “Yaegashi está em apuros!”. Pessoas sem noção são problemáticas.

— Ninguém vai ficar fazendo isso!

Shizuku estava ficando cansada com o comportamento de Hajime. Ele mexeu em sua caixa do tesouro e puxou alguns chakrams.

— Estes chakrams se teletransportaram do nada? O que você está fazendo com eles?

— Estou treinando. Assim como você estava fazendo antes de eu chegar. Se você está cansada, pode voltar. Você deve conseguir dormir um pouco agora.

Assim que Hajime disse isso, a garota se lembrou de quão cansada ela realmente estava.

Contudo, também não parecia fácil deixar este local. Olhando pelos arredores… e para Hajime, que criou uma coluna de trinta ou mais chakrams ao redor de seu corpo. Notar isso fez a boca de Shizuku se abrir.

— … eu devo assistir… só um pouco?

— Eu não ligo, mas você tem certeza que não precisa dormir?

— Está tudo bem, vou voltar quando ficar mais cansada.

Hajime encolheu seus ombros, reconhecendo as palavras da Espadachim. Fechando seus olhos, ele puxou Donner. Shizuku descansou seus cotovelos na mesa, suas bochechas em suas mãos, observando o garoto enquanto apoiava sua cabeça.

No momento seguinte:

Tantantantantantantantan.

Hajime puxou o gatilho de Donner, mirando nos chakrams voando em alta velocidade, rápidos o bastante que era difícil de enxergar. As balas eram feitas de metal coberto por borracha não letal, fazendo o revólver produzir um som diferente do som normalmente explosivo.

As balas disparadas entraram pela frente, direita e esquerda, nos respectivos círculos dos chakrams, saindo de outro chakram antes de voltar para Hajime. As balas então eram colocadas dentro da coluna feita de chakrams que se reproduziam em mais chakrams. Os dedos do garoto continuaram a puxar o gatilho enquanto ele arrancava e disparava ao redor do círculo mirando em outro alvo.

Isso foi repetido, com movimentos mínimos e disparos precisos emergindo ao redor das folhas dançando de todas as direções.

Os movimentos podiam não ter a elegância de Shizuku um pouco mais cedo, mas não havia nenhuma arte militar nas últimas centenas de anos que tiveram sucesso em se tornar bonita. Entretanto, isso era razoável. Os movimentos foram refinados a uma condição mínima combinada com decisões racionais. Era um tipo de elegância diferente comparado ao da Espadachim.

Isso criava uma tempestade com Hajime voando em seu centro, fazendo Shizuku encarar involuntariamente.

Uma ondulação vermelha brilhante se expandiu pelo ar de onde o garoto praticava, além disso, mais chakrams foram retirados da caixa do tesouro, criando um esferoide de todas as direções.

E…

Dopan. Dopan. Dopan. Dopan. Dopan. Dopan.

A esfera brilhou com luz vermelha brilhante enquanto o chakram se movia.

As balas fatais aceleradas pelos eletroímãs eram delimitadas pela linha vermelha parecida com laser. Dez metros de diâmetro, o círculo de chakrams aos poucos diminuiu seu alcance. Quando ele chegou a três metros, clarões de luz vermelha foram disparados continuamente à queima-roupa.

Hajime atingiu cada uma das luzes uma vez. Donner em sua mão direita se movia tanto no ataque quanto na defesa como se fosse uma entidade separada. Os incontáveis chakrams banhados pela luz vermelha brilhante preencheram o interior da esfera. Os disparos e o brilho aumentaram, como uma lua vermelha que flutuava no céu.

— … lindo.

Com uma expressão encantada, Shizuku murmurou essa palavra cada vez que ela viu o brilho vermelho ao redor de Hajime. Parecia que seus sentimentos reais e inconscientes estavam a inundando.

Os disparos ecoaram pela floresta, acabando com a paz e a calma da manhã. No entanto, as pálpebras de Shizuku ficaram pesadas enquanto observavam a estrela vermelha no céu, e sua consciência lhe escapou tranquilamente.


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