UD – Capítulo 81 – Salvando um Mundo?



81. Salvando um mundo?

 

Nós estamos de volta a bordo da Nômade e eu observo a tela tática em franco desalento. Os demônios que foram criados até agora ainda estão atacando descontroladamente.

“Nossas armas não funcionam. Mesmo usando projéteis completamente não-mágicos, os demônios não são mortos. Apenas leva mais tempo para regenerar.” Um técnico me informa da situação. “A única coisa que funcionou até agora foi abatê-los com uma arma de cristal de mana em modo de absorção de mana.”

Eu anuo para a explicação e penso sobre a situação.

“Descer e lutar com eles mano-a-mano vai nos causar um bocado de baixas com certeza.” Nicosar aponta uma das nossas opções.

“Destruir o planeta só vai deixá-los à deriva. Mas pelo menos eles não serão capazes de continuar a se alimentar de mortais.” Celes murmura para si mesma.

Eu repenso sobre o momento em que eu olhei para aquelas coisas fantasmagóricas com minha visão de mana. Elas pareciam similares a uma alma. Uma alma artificial. Qual a razão para a existência deles. Eu tenho que dar uma olhada de perto em uma dessas coisas. Eu só vi os recém feitos, que não haviam se alimentado ainda. Eu preciso ver uma daquelas coisas enquanto se alimenta.

O que realmente acontece com a alma?

Os prisioneiros nos disseram que de tempo em tempo um grupo de demônios retornaria para a caverna e rezaria para a esfera. Eles estavam trazendo de volta as almas que pegaram? É um pensamento assustador, mas eles estariam agindo como coletores?

Um calafrio corre pela minha coluna quando eu penso de novo na minha própria experiência com a esfera.

Eu abro o menu de comando para as armas de plasma da Nômade e tranco todos os outros para fora do sistema. Então eu restrinjo as configurações para minha cadeira de comando.

“Vossa Majestade?” O oficial de armas se vira para mim com um tom questionador, porém educado. Eu só o restringi de seu console.

“É só um experimento e eu não quero que ninguém saiba a magia para isso.” -Eu

Após garantir que eu sou o único com acesso às armas de plasma, eu invoco os dispositivos de convocação mágicos, que são usados para criar o campo de contenção para o plasma.

As armas de plasma são uma combinação de magia e ciência. Uma corrente de plasma superaquecido é pego por uma barreira e então ejetada com magia de movimento.

Em princípio, os dispositivos de convocação dos canhões podem invocar qualquer outro feitiço também. Eu ajusto a quantidade plasma para baixo, o que libera um dos dispositivos de convocação para outro propósito.

Então, eu mudo o sistema mágico dentro do dispositivo para interagir com o plasma. O maravilhoso orbe azul de runas que demonstra o sistema mágico se torna um vermelho com interações giratórias doentias em sua superfície.

“Me dê o alvo que esteja além da salvação e tenha uma alta concentração de demônios.” Eu dou o comando e um técnico amplia a tela em uma cidade. Não há muito para se ver nessa escala, mas há muitos pontos vermelhos e uns poucos azuis. Os pontos vermelhos obviamente representam demônios e os azuis….

Ser sentimental não vai mudar a situação.

Eu insiro as coordenadas e pressiono o botão de disparar o canhão. Um turbilhão giratório de energia vermelha é enviado para baixo em direção a superfície. É uma magia apocalíptica sem um nome. Eu nunca me incomodei em dar um e eu só uso isso se eu realmente quiser alguém morto.

Ela age como um triturador em todos os níveis de existência. Até almas são cortadas em tantos pedacinhos que levaria uma eternidade para elas se curarem sozinhas.

Tudo acontece em silêncio, enquanto o turbilhão atinge a superfície e a tela escurece por um segundo.

Após retornar ela mostra uma cidade devastada com uma cratera no centro, o técnico dá sua avaliação.
“Sem demônios…… sem nada. O lugar está morto como a superfície de uma lua…. vossa majestade.”

“Me dê as coordenadas para outras altas concentrações de demônios.” Eu apresso o técnico para continuar.

Pelos vinte e cinco minutos seguintes eu disparo os canhões de plasma em trinta e quatro alvos diferentes.

Ninguém diz uma palavra durante todo o tempo. Todos estão cientes de que eu estou eliminando um bom número de mortais inocentes junto com os demônios. Mas as almas deles podem se curar após uma eternidade, para eles não faria muita diferença se eles reencarnarem após cem anos ou alguns milhares….. ou assim eu disse a mim mesmo.

Pelos menos eles reencarnariam, comparado àqueles que foram jogados na esfera.

Após a última grande concentração de demônios ser eliminada, eu dou ordens para nossos guerreiros descerem e cuidarem do resto.

Então eu deleto minhas mudanças nos canhões de plasma e garanto que elas não possam ser restauradas. Eu não me sinto confortável em confiar em mais ninguém com este feitiço. Ele esmaga mortais e deuses igualmente. Não há muita diferença.

Eu saio para os meus aposentos privados depois. No meu quarto, eu tiro uma garrafa de vinho e encho uma taça com o conteúdo. Não é como se eu estivesse de luto pelos inocentes que foram pegos no fogo cruzado. Eu sou uma pessoa pragmática. O que tem que ser feito, tem que ser feito. Meu próprio povo é minha primeira prioridade, eu estaria fazendo um trabalho ruim como um rei caso contrário.

Isso só deixa um sabor ruim se eu pensar sobre isso no futuro. Eu posso ter que fazer isso de novo. E o que os outros poderes vão fazer se eles souberem do que nós somos capazes.

Eles percebem que esta arma não seria diferente de maneira nenhuma entre um planeta populado por deuses e um mundo de mortais? Eu espero que não.

A porta se abre e a Celes entra na sala. “Eu disse tchau ao Evenguar. Ele nos agradeceu por salvar o mundo dele.”

Eu ergo uma sobrancelha. “Eu me pergunto se ele ainda terá a mesma opinião quando ficar ciente do dano e das baixas.”

“Ele já sabe e não parece nada bonito. Mas ele já previu o fim do mundo dele. Então esse resultado ainda é melhor do que suas apreensões.” Celes me abraça por trás e eu a puxo em meu colo e a abraço.

Nós nos sentamos ali em silêncio por alguns minutos até que eu falo. “Eu ainda estou um pouco puto por você não ter me falado sobre esse novo rodamoinho que foi adicionado a família.”

“Como eu disse, eu descobri só recentemente e eu não estou certa de que deveria tê-lo.” -Celes

“Qual o problema?” Eu pergunto para ela com uma voz surpresa.

“Eu não tenho ideia de quem será. E ter uma alma aleatória como um bebê me dá arrepios.” Celes fica tensa.

“Aengus não foi assim também? Eu poderia procurar por uma boa. Não deve ser problema, nós fizemos a mesma coisa com a Seria.” Eu estou um pouco confuso, mas eu não vou forçar a Celes nisso.

“Aengus já estava lá quando isso aconteceu. E a Seria era a Sofie. É diferente.” -Celes

Eu dou um riso para minha esposa. “Por que você não pergunta a Lada. Ela ainda está um pouco cabisbaixa apesar de seu novo trabalho. Ou a Enyo, ela seria um bebê real porque ela está completamente apagada. Nós não temos qualquer ideia do que fazer com ela além de reabilitação.

“Você me assusta! De jeito nenhum! Enyo está completamente fora de questão! E a Lada é a presidente do multiverso agora!” Celes enrijece e vai contra minha ideia.

“Bem, você pode perguntar a ela. Não é como se ela ainda não pudesse fazer o trabalho. E ela conseguiria ser a irmãzinha da Seria. Quanto ao tempo em que ela será uma criança, deve haver um substituto.” -Eu

Celes me acotovela no lado. “Eu sabia que você seria inútil nesse assunto. Isso é um campo delicado para uma mulher!”

“Hrm. De qualquer maneira! Eu esperarei humildemente a decisão da Rainha sobre o assunto até ela decidir fazer uma. Sabe, já faz um longo tempo desde que você sentou no meu colo. Eu não lembrei até agora porque você me drogou, mas eu realmente gosto disso.”

Eu pego seu peito com minha mão direita enquanto deslizo minha esquerda entre suas pernas e mordo sua orelha.

“Hey!” -Celes

“Qual o problema com isso? Não pode fazer mais mal do que já está feito. Ou você quer me dizer que acabaria com gêmeos se nós fizermos um pouco mais?” Eu puxo a Celes por trás em um forte abraço.

“Hhgn! Essa não é a questão! Haah!” Celes tenta escapar, mas eu ataco seu ponto fraco, que é o pescoço dela.

“Eu sempre quis tentar a fantasia de gata em você! Você sabe, aquela com a cauda!” Eu sussurro na orelha dela e ela começa a tremer sob meus braços.

“hhhhnn? Cauda? … não! Aquela não! Não, você não vai enfiar aquilo na….. Eu já tenho uma cauda! NÃOOOoooo” Celes tenta resistir, mas eu já puxei ela para o caminho para nossa casa de madeira.


Tradutor: Batata Yacon   |   Revisor: Heaven   |   QC: BravoEd



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