UD – Capítulo 35 – Um bom cumprimento!


 

“Eu não acredito nisso! Nós já não tivemos problemas o bastante?” Celes está reclamando após eu falar do aviso da minha mãe pra ela. No momento estamos a caminho da escola.

“Eu espero que os pequenos mestres tenham cuidado hoje. Eu ouvi algumas coisas perturbadoras sobre esse novo estudante. Ontem depois dele se registrar na escola, ele partiu para a aula de luta e arrumou briga com um grupo de estudantes. Ele ele os machucou seriamente.” Rose nos avisa.

“Então nós teremos que lidar com ele na classe especial com certeza. Que ótimo!” Celes reclama ainda mais.

“Hmmm. Então nós devemos só surrá-lo se ele puxar briga?” Eu pergunto a Celes.

“Se você me fizer as honras. Eu não sinto vontade de quebrar ossos hoje.” Celes olha para fora da janela.

“Você ainda está tendo problemas com os hormônios? Você pare estar mais irritadiça que o normal.” Ela está assim desde o café da manhã.

“Eu to bem. Eu só preciso de espaço.” Celes responde e eu mantenho minha boca calada.

Obviamente ela ainda está chateada pelo encontro de ontem. Ela tinha algo a mais em mente, mas a natureza abriu um buraco nos planos dela. Bem, ela mereceu por ignorar o próprio corpo.

Apesar de eu achar que poderia ter acontecido comigo também. O multiverso acerta seu sexo em cerca de noventa e cinco de cem reincarnações. A cada centésima reincarnação ele te fode e você acaba em um corpo de sexo oposto.

Tem algo a ver com a compatibilidade entre corpo e alma. A alma se gruda ao primeiro corpo que bate com suas características. Por algum motivo estranho, alguns corpos são compatíveis com quase qualquer alma.

Eu nunca realmente entendi o motivo pra isso. Provavelmente é só uma piada doentia do multiverso. Todo mundo tem que rir de vez em quando.

Após alguns minutos, nós chegamos na escola e silenciosamente seguimos nosso caminho até a primeira aula. Celes ainda está incomodada consigo mesma e com o mundo. Eu não posso fazer nada a respeito disso. Se eu falar com ela, eu vou provavelmente apenas virar alvo da raiva dela.

É assim que essas coisas funcionam na minha opinião. Se uma mulher estiver nervosa, você se esconde em algum lugar e fica fora de vista até a tempestade passar.

Se você der um presente a ela ou tentar animá-la, você tem chances meio-a-meio. No primeiro caso você consegue vira o herói. No segundo você vira um incomodo e será tratado de acordo.

Algumas horas depois, a temida classe especial está a vista. Quando chegamos no local de encontro, que é a mesma área aberta que sempre foi, nós achamos Stephen e Iris. Os outros também estão presentes.

Mas o motivo pelo qual são Stephen e Iris que atraem minha atenção é porque eles estão de mãos dadas. A expressão deles está… bem… se isso fosse algum tipo de quadrinhos, o artista desenharia uma aura rosa e corações ao redor deles. É assim que parece.

Gabriel, Tanja, Sven e Sandra também estão presentes.

“Oi, Stephen. Quanto tempo.” Eu tento puxar assunto porque estou curioso.

“Oh Angrod e Celes! Eu só escoltei a Iris aqui. Estou indo então, minha aula está prestes a começar também.” Ele acena e sai.

Eu dou uma olhada curiosa a Iris, que começa a mexer com as mãos diante dos olhos de todos. Parece que todo mundo está ciente desses dois.

“Bem.. sabe. Eu vivo na Mansão Cygnus agora e como resultado eu passo realmente muito tempo com Stephen e em um certo … momento ele me propôs casamento.. eu acho? Então somos um casal agora! Não precisam me olhar como se eu fosse um animal raro!!” Iris está vermelha da cabeça aos pés.

“Ohohoho. Quão longe vocês já foram?” Sandra e Tanja pulam na Iris. Esse é exatamente o assunto correto para essas duas cabeças de passarinho. Celes corre até elas também e elas tem uma tipica conversa de garotas.

Eu me viro para Gabriel e Sven que são agora os únicos com os quais eu posso ter uma… conversa decente. Eu espero?

“Então o que há com o Tongord?” Eu os pergunto. A aula já deveria ter começado.

“Eu foi pegar o novo estudante.” Gabriel me informa e Sven confirma. “Os rumores dizem que ontem ele foi contra toda a classe de luta e venceu.” Sven adiciona.

Sven de alguma maneira conseguiu controlar a timidez com passar dos anos. Apesar de ele só ficar bem com pessoas que ele conhece por algum tempo.

“Os rumores nessa escola sempre saem um pouco de proporção.” Eu acabo de lembrar sobre o rumor a respeito de mim e da Celes subjugando a classe de luta inteira só com nossa presença.

Os caras naquela classe são todos fracotes afinal de contas. Você pode jogá-los em dúzias contra qualquer um da classe especial… Muitos corpos destroçados seriam o único resultado.

Nesse momento Tongord chega com um cara com mais ou menos a nossa idade. Ele tem chifres e pupilas partidas como alguém com forte linhagem real deve ter. Seu cabelo é negro como o meu e você realmente pode ver uma forte semelhança.

Eu acho que ele realmente é meu primo? “Então aqui nós temos os outros estudantes da classe especial. Todos, alinhem-se aqui!” Nós fazemos como ordenado e Tongord continua com a apresentação.

“Então aqui nós temos Iris, Tanja, Celes, Sandra, Gabriel, Angrod e Sven. Pessoa, esse é Markorn de Tirna.” Markorn sorri e se curva para nós. “Eu estou feliz de me juntar a sua classe.”

Markorn caminha até o começo da fila e aperta as mãos de todo mundo. Ao chegar a Celes, ele se curva em uma tentativa de beijar as costas da mão dela.

*Plaft!*

Diante da mera tentativa Celes lhe dá um tapa com as costas de sua mão, levantando-o três metros no ar e girando duas vezes. Ele cai no chão de cabeça impacta.

Ai! Celes fez o trabalho por mim. Que maneira de acabar sua vida…. sua medula espinhal deve ter se quebrado!

“Eu gosto delas apimentadas. Não é engraçado sem um pouco de desafio. As pessoas dessa classe certamente valem meu tempo.” O cadáver falou! Markorn se levanta e testa o movimento de sua cabeça.

Nós ouvimos alguns sons de estalo, como se algo houvesse sido colocado de volta no lugar, mas tirando isso Markorn parece bem.

Ele prossegue pela fila até me alcançar. “Estou feliz em te conhecer primo. Já estou atrasado a um bom tempo.”

“O prazer é meu.” Eu respondo. Ele pega minha mão e põe toda sua força nela. Que é enorme. Eu mantenho o aperto com tudo que eu tenho até que eu escuto meus ossos quebrarem.

A dor deve ter sido imensa. Mas eu nem pisco. Assim que eu percebi que eu não venceria essa luta com força, eu usei minha telekinese para cortar os nervos receptores de dor na minha mão. Tudo que eu sinto é uma coceira desagradável.

Isso obviamente perturba Markorn um pouco, ele deve ter sentido os ossos quebrarem. Então ele solta minha mão e continua até Sven. Se manter em mim por muito seria estranho.

Eu vou matar aquele bastardo! E vou me demorar enquanto faço isso! Isso não vai acabar rápido, eu juro.

Eu ponho minhas mãos atrás das costas e ponho meus ossos no lugar. Ele quebrou dois dedos meus e um metacarpo! Quando Markorn terminou de apertar as mãos com Sven eu já havia curado minha mão de novo.

Então Markorn caminha até o professor e Gabriel e Sven olham par amim com rostos preocupados. “Você tá bem?” “Eu pude ouvi-los quebrar!”

“Sem problemas. Eu tô bem!” Eu sorrio e mostro minha mão a eles enquanto a movo como prova. Diante dessa vista, eu consigo ver os olhos de Markorn se arregalarem por um segundo.

“Okay! Após nós todos nos apresentarmos, nós podemos começar nossas lutas de treino de novo. Markorn, você como um novato pode escolher seu oponente se quiser.” Tongord continua o treino.

“Eu gostaria de me testar contra meu primo!” Markorn responde com um sorriso diabólico. “Está bem então, todo os outros se reúnam e comecem a treinar.”

Os outros também formam equipes para treinar e se espalham. Eu sou deixado sozinho com Markorn. “Isso é estranho, eu pensei que tivesse quebrado eles. Você é bem fraco para alguém com a linhagem real querido primo.”

“Eu não vejo problemas com isso. Eu só acho estranho que você não está escondendo nenhum pouco a sua hostilidade.” Eu não sei realmente o que pensar desse cara.

“Não há a necessidade de joguinhos entre nós. Eu estou bem certo que eu posso tirar a Celes de você e tomar o trono para mim. Um fracote como você não serve para o trono.” Ele está bem confiante em ter a vantagem.

Eu coloco minhas mãos nos meus bolsos e preparo alguns feitiços de defesa. “Nós veremos isso. Você vai falar pelo resto do dia, ou podemos começar o treinamento?”

“Eu vou começar a surra então…..” De repente Markorn está na minha frente. Ele teleportou? Eu não o vi se mexer! Eu recuo minha cabeça por puro reflexo. Está marcado em mim pelo treinamento diário com a Celes. Uma palma aberta esmaga meu escudo e avança pelo espaço onde minha cabeça estava.

Uma pedra se ergue do chão e dispara direto a Markorn, mas é desviada pela mão dele. Injusto! Isso deveria ter matado ele! Eu salto para trás, mas Markorn segue em curta distância e continua a lançar punhos e pés em mim.

Cada vez eu consigo desviar por um fio de cabeço. Eu impulsiono minha mão em direção a ele e um pequeno orbe vermelho sai, mas ele esquiva com facilidade.

“Hahahaha! Feiticinhos tolos! Não vale de nada se não acerta!” Ele avança e dá um chute perfeito no meu peito. O ar é pressionado para fora dos meus pulmões, mas gratamente meu feitiço de pele de pedra me protege de receber feridas sérias. Eu ainda sinto como se algo tivesse se quebrado!

Eu ainda sou jogado para trás. É como se eu tivesse sido atingido por um caminhão. Após voar em um arco baixo pelo ar eu caio no chão e ali fico.

Enquanto deitado de costas e invocando outro feitiço eu penso sobre a situação. Esse cara é poderoso demais. Algo está errado. Ele parece usar a mesma aura de luta que o tal de Senda. Senda lutava só com seu corpo também, mas esse cara está em outro nível.

“Já acabou? Eu estou ainda mais desapontado agora.” Parece que o Markorn não quer se calar.

De certa forma eu estou zangado agora. Eu não costumo ficar zangado frequentemente. Hmmm, Eu acho que usar uma segunda mão é permitido nesse caso.

De repente Markorn aparece acima de mim e eu vejo a sola de um pé descendo no meu rosto. Teleporte de novo?

O pé pisoteia mas tudo que é pisoteado é terra. Eu teleporto dez metros acima de Markorn, descendo com uma de minhas mão em um movimento de corte vindo de cima, uma onda de energia é descarregada de mim.

Mas o fudido de certa forma percebe o perigo e pula para o lado. Uma fenda de cinco metros de comprimento é marcada na terra, no local onde ele estava.

Agora ele pula pra cima de mim, mas eu teleporto para o chão de novo. Hehehe. Esse é o problema com movimento de alta velocidade, você pode apenas realizá-lo se você conseguir se impulsionar de alguma forma. Teleporte real é muito mais conveniente.

Eu disparo outra -bala de ar- nele, que ele não pode evadir. Ela o acerta a queima roupa e ele é erguido ainda mais alto.

*TUM*

Bala de ar é um bom feitiço. Ele não tem muito poder penetrante, mas dá um bom dano de energia física.

Eu espero até Markorn cair de novo, em seu rosto eu vejo raiva pura. Quando ele está a cerca de cinco metros acima de mim eu o acerto de novo, esmurrando-o para cima de novo.

*TUM*

E de novo.

*TUM*

E de novo.

*TUM*

Muahaha, isso é divertido.

*TUM*

Apesar de, é perturbador que eu não consiga causar dano ao fodido. Hmmm, o que eu deveria fazer? Um pequeno experimento para testar sua defesa?

*TUM*

Vamos ver como você lida com um desses.
Um pequenino orbe, do tamanho de um punho, aparece em minha mão. Eu movo minha mão para mirar nele mas Tongord pega minha mão pelo lado.

“Já chega. Eu acho que não há muito mais valor nesse duelo.” Ele me olha cautelosamente.

“Eu não acho que tenhamos acabado!” Eu respondo e encaro Tongord.

*PLOP*

Markorn atinge o chão com uma deselegante barrigada. Ele salta e dispara em nossa direção.
“EU VOU TE PEGAR POR ISSO! SEU ….”

*BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM*[1]

Um som distante pode ser ouvido como o rugir do trovão. Todo mundo olha na direção para ver o que aconteceu.

Há uma montanha ao sul de Midhold. Mas agora um pedacinho dela está faltando próximo ao pico. Não não nada tão grande que seria percebido se você não estivesse procurando. Mas uma nuvem de fumaça e poeira marca o lugar muito bem.

Deve ser um evento bem grande se você pode ver daqui. A montanha fica bem longe.

“Não é essa a direção que um dos seus orbes vermelhos foi, Angrod?” Tongord me pergunta com um tom sério.

“Uuum. Sim, o orbe foi naquela direção.” Eu dou um sorriso forçado pro Tongord.

Então Tongord olha para minha mão, na qual um orbe do tamanho de um punho está pairando. “Esse aqui é maior!”

“Uuum. Sim, esse aqui é maior. Você está bem atento hoje professor.” Eu ainda sorrio pra ele.

“Disperse essa coisa imediatamente! Você NÃO vai bagunçar meu campo de treinamento!” Ele grita para mim.

“Hmpf. Tá.” Eu fecho minha mão ao redor do orbe e ele se foi. A aula acaba nisso de qualquer maneira. Tongord se preocupa mais com seu campo de treinamento do que com sua própria vida.

Markorn ainda me encara, mas ele está em silêncio agora. Eu sorrio para ele e caminho de volta para os outros que já estão agrupado.

***

Algum tempo depois Celes e eu estamos dentro do carro e em nosso caminho de volta pra casa. Eu dou uma olhada curiosa para fora da janela e aprecio a nova aparência da montanha.

“Você tinha um sorriso perigoso no seu rosto de novo hoje.” -Celes

“Perigoso?” -Eu

“Você sabe, como se você estivesse realmente gostando de ferir alguém. E quando você começou a tratá-lo como uma bola para brincar. Então você ficou com aquele outro olhar, como se estivesse dissecando um animal raro.” Celes soa um pouco preocupada.

“Hm. E eu não tenho permissão de experimentar com um bastardo que quebrou meus dedos? E tentou te beijar[2]? Ele teria sobrevivido de qualquer forma.” -Eu

“Ele teria sobrevivido AQUILO!?” -Celes

Bom! Ela não percebeu![3]

“Eu senti uma quantidade inacreditável de mana dentro dele. Aquele feitiço seria o bastante para talvez arranhá-lo….” -Eu

“Nós temos um problema?” -Celes

Eu dou de ombros. “Talvez. Mas é certo que você não adquire tanto mana por meios naturais.”


[1]Alguém tem alguma ideia melhor? Eu procurei outras onomatopeias de estrondo mas as que achei são cômicas.

[2] É ciúme que eu vejo aqui pequeno Angrod?

[3] Mas nós percebemos seu cíume.


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