KotB – Capítulo 41 – Asura (5)


Os Monstros Aéreos só existiam em locais específicos e não existiam em torno da Grande Cidade.

No entanto, se ele fizer um Morto-Vivo Aéreo com antecedência, poderia haver muitos lugares onde o Morto-Vivo podia ser útil.

Claro, as Harpias tinham muitas falhas para não serem consideradas monstros fortes. Não somente eram pequenas, elas não tinham poder de combate individual.

No entanto, elas viviam em bandos e possuíam um veneno paralisante decente.

O veneno residia em suas penas e ao lançá-las como dardos, elas eram capazes de paralisar sua presa.

As Harpias eram o tipo de monstro que atacaria com números esmagadores para lutar por carne e não deixaria um único vestígio dela nos ossos da vítima.

‘Aproximadamente cinco mil Harpias.’

Ele estimou com uma olhada, mas parecia muito próximo.

Muyoung escondeu seu corpo em uma área escura sob uma estante.

Suzy fez o mesmo logo depois dele com as mãos cobrindo a boca.

Já que sua figura já era pequena, ela não era do tipo que chamava atenção, mesmo sem o uso de habilidades furtivas.

Desta maneira, as pessoas normais se moveriam de uma estante para outra para evitar os olhos das Harpias e para proteger suas vidas.

‘Normalmente Provações como esta, provavelmente, foram feitas na premissa de que as pessoas se esconderiam…’

Muyoung abaixou seu corpo e pegou uma adaga enquanto ele se movia lentamente.

Quando foi mencionado que a estrutura da Biblioteca tinha sido alterada significava que havia um espaço fornecido em algum lugar para as Harpias.

O objetivo principal de Muyoung era invadir esse local e transformar as Harpias em Mortos-Vivos.

Lutar contra vários adversários fracos era uma oportunidade de ouro para as Classes do tipo Necromante brilhar.

No entanto, Necromante era uma Classe Secreta.

Por exemplo, Muyoung possuía uma Classe Lorde.

Isso significava que um número incrivelmente limitado poderia agir da maneira que Muyoung estava agindo e mesmo isso era impossível sem forte determinação.

De qualquer forma, a Biblioteca Celeste era um lugar onde as pessoas não poderiam entrar se um de seus Atributos fosse maior que 100.

Nenhum dos desafiantes poderia se mover livremente enfrentando milhares de Harpias.

‘Como esperado.’

Havia uma lagoa em um canto da sala.

Cerca de uma dúzia de Harpias estava enfileirada, bebendo água.

‘Fique aqui.’

Muyoung articulou com a boca e gesticulou para Suzy.

Como se ela estivesse nervosa, ela assentiu com a cabeça.

Um único erro poderia produzir um resultado fatal. Não havia nenhuma maneira de Suzy não saber disso com seu afiado senso de sobrevivência, que era melhor do que o senso de qualquer outra pessoa.

Muyoung pegou uma pequena pedra, que estava próxima a ele e a jogou tão longe quanto podia.

Plop!

Cawww!

Cawwwwwww!

Como corvos, elas crocitaram¹ alto e voaram em direção ao som.

Elas apenas soavam semelhantes, as Harpias tinham um nível de inteligência inferior ao dos corvos. Antes dele perceber, restavam apenas cinco Harpias na lagoa.

Aproveitando o timing, ele pegou cinco adagas pequenas da sua lateral.

Era um dos itens que ele comprou na Grande Cidade para se preparar para assassinatos.

Ele segurou uma adaga depois de abaixar quatro.

Ajustando a velocidade e o timing de seu lançamento, ele precisava ter certeza que todas as cinco Harpias iriam morrer quase ao mesmo tempo.

Era um problema altamente avançado para Muyoung em seu estado atual.

Se fosse ele no passado, ele teria sido capaz de lançar as adagas, como água corrente², e poderia ter terminado antes que qualquer uma das cinco pudesse reagir.

No entanto, Muyoung aceitou com rapidez o fato de que seu corpo atual era diferente do corpo que ele tinha no passado.

‘A primeira, devagar.’

Swoosh.

A adaga estava bem afiada. Uma vez que a adaga fizesse contato com a pele da Harpia, ela iria rasgar facilmente.

A adaga foi atirada para cima enquanto voava num arco.

‘A segunda, gentilmente.’

Ele imediatamente pegou outra adaga e esticou a mão.

Ele se agachou ainda mais no momento em que ele disparou a adaga.

E assim, foi como todas as cinco adagas voaram em diferentes velocidades e ângulos para seus alvos.

Swoosh! Swoosh!

Quase ao mesmo tempo.

Todas as cinco Harpias morreram em um instante no momento em que seus pescoços e cabeças foram perfurados.

“Uau…”

Atrás dele, a pequena admiração de Suzy fluiu para fora.

Era como assistir o circo em uma televisão ou em um filme.

No entanto, a qualidade de seus movimentos era diferente da de um Pierrot³. Era como ver um verdadeiro mestre de adagas que superava aqueles na Ópera Chinesa.

Embora ela soubesse que tinha que ficar quieta, a jovem Suzy não conseguia parar de fazer um comentário.

Depois de reconhecer seu erro, ela rapidamente cobriu a boca. Felizmente, não parecia que as Harpias no teto notaram ela.

Depois, Muyoung esticou a sua mão e castou a Habilidade Arte da Morte.

Uma aura negra fluiu para fora de suas mãos e dirigiu-se para as cinco Harpias mortas.

Swish.

A harpia morta ergueu seu corpo desajeitadamente.

Logo depois, todas as cinco Harpias voltaram à vida em uma postura desajeitada.

Talvez tinha sido porque ele usou sua Habilidade à distância, mas as Harpias não foram curadas. No entanto, elas ainda eram úteis na criação de uma confusão.

‘Vão.’

As Harpias eram o tipo de monstro que viviam em bandos.

Elas provavelmente nunca tinham sido atacadas por seus membros do grupo, especialmente aquelas que foram transformadas em Mortos-Vivos.

Cawww! Cawwwww!

Como esperado, o Bando de Harpias ficaram confusas quando as cinco Harpias atacaram. Dezenas delas emaranhavam-se juntas e o veneno paralisante permeou em suas cicatrizes.

Suas armas, que elas tinham para se proteger, tornaram-se uma arma que iria tirar suas próprias vidas.

Uma após a outra, o número de Harpias que caía no chão aumentou.

Como uma sombra, Muyoung aproximou-se furtivamente das Harpias paralisadas, parou suas respirações e cuidadosamente moveu as mãos para castar a Habilidade Arte da Morte.

‘Eu não acho que eu posso fazer muito.’

Muyoung estalou levemente sua língua.

A Habilidade Arte da Morte era atualmente uma Habilidade de Rank C.

No início, quando ela era uma Rank F, ele mal tinha a força para usá-la algumas vezes.

Agora, depois de aumentar o Rank algumas vezes, ele era capaz de usar a habilidade mais livremente do que no início, mas 50 era o limite.

Muyoung focou apenas em ‘criar Mortos-Vivos’. Se ele fizesse isso, ele seria capaz de usar a Habilidade Arte da Morte o dobro de vezes que ele normalmente poderia.

 

◈ 100 Harpias foram feitas grosseiramente em Mortos-Vivos! ◈

◈ Pela primeira vez, você fez 100 Mortos-Vivos de criaturas que vivem em um bando. ◈

◈ Pontuação de Arte: 70. ◈

 

Finalmente, uma vez que ele fez 100 Mortos-Vivos, a mensagem acima apareceu.

As 100 Harpias foram reconhecidas como se fossem um único Morto-Vivo.

‘Eu posso transformar o Bando em um Talismã.’

Muyoung confinou todos os Mortos-Vivos criados em um talismã.

Ele pensou que ter apenas algumas seria útil, mas este resultado foi melhor do que ele esperava.

E o recém-criado Morto-Vivo Harpia definitivamente valia o preço.

Era porque as Harpias já mortas não eram mais afetadas pelo veneno paralisante. Ele poderia ser eficaz se fosse um tipo de paralisia que afetasse os músculos, mas o veneno das Harpias era um tipo que afetava o cérebro e os nervos.

Elas só teriam uma chance se usassem suas garras afiadas para rasgar seu oponente, mas por causa da grande confusão que surgiu, seus próprios iguais as atacando, elas não eram capazes de contra-atacar corretamente.

Muyoung aproveitou o máximo da situação pegando um par de Talismãs.

O Príncipe e os Vingadores, Lanceiro das Chamas e a Feiticeira dos Relâmpagos!

Rapidamente, todos os Mortos-Vivos que Muyoung possuía foram invocados.

E quando ele virou a cabeça, ele viu Suzy, que estava olhando para ele com uma expressão pálida.

“E-eu não contarei a ninguém.”

Como se ela considerasse o que acabou de acontecer um segredo, ela repetiu silenciosamente suas palavras.

Havia rumores no Templo que Muyoung manipulava os mortos, mas esta era a primeira vez que ela tinha visto essa cena pessoalmente.

Especialmente o Dragão de Fogo Woo e Code, eles não mataram pessoas quando eram ‘Juízes’?

Sua aparência e atmosfera estavam levemente diferentes, mas ela não sabia porque eles apareceram de repente aqui.

Suzy não conseguia pensar adiante.

Mesmo que Suzy fosse inteligente, ela não podia fazer nada a respeito das limitações de sua idade.

Somente que, eles davam-lhe arrepios.

‘Eu só preciso obter o Olho do Céu.’

Muyoung não se importava.

Se ele alcançasse seu objetivo na Biblioteca Celeste, não importava se sua identidade fosse exposta.

De qualquer forma, ele planejava sair da Grande Cidade.

Era necessário sair da Grande Cidade para continuar a obter coisas como Classes Secretas e aprimoramentos.

“O que, eu devo fazer?”

O Lanceiro das Chamas.

Um diálogo era possível com o Dragão de Fogo Woo, que foi transformado em um Morto-Vivo quando ele ainda estava vivo.

“Cacem todos os pássaros que estão vivos.”

“Eu seguirei, sua ordem.”

Grawl!

Blaze!

Chamas e relâmpagos se espalharam.

 

 

Pôde-se dizer que Muyoung burlou habilmente as restrições da Biblioteca Celeste.

Uma vez que todos os Mortos-Vivos, que Muyoung possuía, eram extremamente fortes.

A força de vários seguindo um único comando era surpreendente.

Não era como se não houvesse pessoas com Classes de Invocação, mas a maioria obtinha essas coisas conhecidas como Classes enquanto viviam suas vidas no Submundo.

Foi um caso especial para Muyoung, que obteve uma Classe tão cedo. Ainda mais, porque era uma Classe Lorde.

Quando eles finalmente mataram todas as Harpias do bando, algo inesperado aconteceu.

 

◈ 200% completos da Provação! ◈

◈ Você cumpriu a exigência oculta. ◈

◈ Atualmente, buscando a recompensa relacionada. ◈

◈ Agora você será enviado para a ‘Sala dos Oito Fantasmas’. ◈

 

O corpo de Muyoung gradualmente tornou-se transparente.

“Senhor?”

Quando Suzy percebeu a mudança, ela inclinou a cabeça ligeiramente enquanto chamava por ele, mas Muyoung já tinha desaparecido.

 

 

Muyoung percebeu que este envio forçado era para uma recompensa.

No entanto, ele estava pessoalmente bastante surpreso.

A razão pela qual o Item Mágico de Teletransporte de Longa Distância era um item surpreendente era porque ele permitia que o usuário se deslocasse para um local que se lembrava, e também porque o teletransporte era um movimento através do espaço.

As Habilidades que permitiam o usuário mover-se através do espaço eram raras e mal existiam itens que poderiam fazer isso.

No entanto, a Biblioteca teletransportou Muyoung para sua recompensa.

Logo, o cenário ao redor mudou lentamente.

Muyoung estava no topo de um lugar semelhante a um templo.

O templo em si era completamente escuro, toda a área estava iluminada apenas um pouco por uma pequena chama suspensa no teto.

E Muyoung foi capaz de encontrar oito enormes estátuas cercando o local.

Um homem segurando um Dragão e uma lança, um homem em forma de uma besta, um pássaro com asas de plumagem dourada… até mesmo um Dokkaebi com três cabeças e muitos braços compridos!

‘Os Oito Devas Guardiões do Budismo.’

Muyoung estava certo de que as oito estátuas tinham algo a ver com os Oito Devas Guardiões do Budismo.

Até mesmo o nome da sala em si era a ‘Sala dos Oito Fantasmas’.

Zinnnnnng!

A Algibeira Infinita emitiu uma luz.

Quando ele colocou a mão dentro, sua mão naturalmente tirou um Talismã.

‘Talismã do Asura.’

O Talismã que ele recebeu depois de vencer o primeiro Chefe no Templo Azul.

Foi dado a ele quando ele quebrou um recorde fenomenal.

Muyoung estava pensando em usar o Talismã do Asura mais tarde, quando ele conseguisse a arma de Rank (S), ‘Diabolos’, pois o Talismã permitia-o fortalecer um equipamento ou Habilidade.

No entanto, agora, o Talismã do Asura brilhava enquanto voava para fora de sua mão e era absorvido pelo Dokkaebi de seis mãos.

Na verdade, essa era uma estátua modelada com a imagem de Asura.

Thump! Thummp!

Logo, Asura se moveu.

Lentamente, ele esticou sua mão grande e agarrou Muyoung.

Em seguida, Muyoung encontrou o olhar de uma das três cabeças.

Muyoung sentiu como se sua alma estivesse sendo sugada no momento em que ele olhou dentro dos olhos daquela cabeça.

Enquanto a mão se movia, ele foi capaz de ver o resto dos olhos.

Ele sentiu como se tivesse entrado em um lugar profundo dentro de um abismo.

Raios enfureciam-se dentro da cabeça de Muyoung enquanto ele olhava para todos os seis olhos que as três cabeças tinham.

Ele não conseguia pensar em nada.

Muyoung foi capaz de dar uma olhada rápida dentro do mundo de terríveis Demônios e Espíritos dentro dos seis olhos de Asura.

Os gritos e aflição de dez bilhões, cem bilhões, explodiam nos ouvidos de Muyoung.

Um lugar onde a morte era evidente.

Um lugar que era a própria morte…

Até mesmo Muyoung, que matou milhares de pessoas, não podia entender tudo neste mundo.

Não, era impossível um humano entender os seis lugares.

Ele só pegou uma parte muito pequena, um grão de algo.

E como um monge que tinha sido iluminado, uma luz emitiu do corpo de Muyoung enquanto ele começou a flutuar livremente.

◈ Os Seis Mundos onde os Demônios vivem. ◈

◈ Você tornou-se consciente dos ‘Seis Caminhos’. ◈


Tradutores: Wolf e Heilong   |   Revisora: Ana Paula   |   QC: BravoEd



1 – Som dos corvos e outras aves como corujas, abutres etc.⤴

2 – De uma maneira fluída como água corrente, ou seja, fácil.⤴

3 – Aqui, o autor faz uma comparação com as habilidades de um pierrot (que será explicado abaixo), que tem grandes habilidades no malabarismo, acrobacias e entre outros truques, típico de um palhaço, com as habilidades manuais do Muyoung. 

Origem: São personagens de um estilo teatral conhecido como Commedia dell’Arte, nascido na Itália do século XVI. Integrantes de uma trama cheia de sátira social, os três papéis representam serviçais envolvidos em um triângulo amoroso: Pierrô ama Colombina, que ama Arlequim, que, por sua vez, também deseja Colombina.

O estilo surgiu como alternativa à chamada Commedia Erudita (Tipo de comédia que floresceu em Itália durante o Renascimento e que baseava-se na imitação das comédias clássicas gregas e latinas pelos humanistas eruditos), de inspiração literária, que apresentava atores falando em latim, naquela época uma língua já inacessível à maioria das pessoas. Assim, a história do trio enamorado sempre foi um autêntico entretenimento popular, de origem influenciada pelas brincadeiras de Carnaval. Apresentadas nas ruas e praças das cidades italianas, as histórias encenadas ironizavam a vida e os costumes dos poderosos de então, para isso, entravam em cena muitos outros personagens, além dos três mais famosos.

Do lado dos patrões, por exemplo, havia um comerciante extremamente avarento (chamado Pantaleão), um intelectual pomposo (o Doutor) e um oficial covarde, mas metido a valentão (o Capitão). Outros personagens típicos eram o casal Isabella e Orácio (em geral, filhos de patrões) e outros serviçais. Apesar de obedecerem a um enredo predefinido, as peças tinham a improvisação como ingrediente principal, exigindo grande disciplina e talento cômico dos atores, que precisavam responder rapidamente às novas piadas e situações criadas pelos colegas.

Um detalhe interessante é que sempre havia, no meio do espetáculo, um intervalo chamado lazzo, que podia ter mais comédia, apresentar acrobacias ou sátiras políticas sem qualquer relação com o enredo. Terminado o lazzo, a história continuava do ponto em que havia sido interrompida. Com esse estilo único, a Commedia dell’Arte influenciou a arte dramática de toda a Europa.

Intriga amorosa e sátira social eram os pratos principais da antiga comédia italiana. 

Pierrô:
Seu nome original era Pedrolino, mas foi batizado, na França do século XIX, como Pierrot e assim ganhou o mundo. O mais pobre dos personagens serviçais, vestia roupas feitas de sacos de farinha, tinha o rosto pintado de branco e não usava máscara. Vivia sofrendo e suspirando de amor pela Colombina. Por isso, era a vítima preferida das piadas em cena. Não foi à toa que sua atitude, sua vestimenta e sua maquiagem influenciaram todos os palhaços de circo

Pantaleão:
O mais conhecido dos personagens patrões, que representavam a elite da sociedade italiana nas histórias da Commedia dell’Arte, Pantaleão (também chamado de “O Velho”) era um “mercador de Veneza” (expressão que deu título a uma peça de Shakespeare). Tirano avarento e galanteador desajeitado, era alvo constante das gozações dos servos e de outros personagens da trama

Arlequim:
Também servo de Pantaleão, Arlequim era um espertalhão preguiçoso e insolente, que tentava convencer a todos da sua ingenuidade e estupidez. Depois de entrar em cena saltitando, deslocava-se pelo palco com passos de dança e um grande repertório de movimentos acrobáticos. Debochado, adorava pregar peças nos outros personagens e depois usava sua agilidade para escapar das confusões criadas. Outra de suas marcas-registradas era a roupa de losangos

Colombina:
Criada de uma filha do patrão Pantaleão, mas tão bela e refinada quanto sua ama, Colombina era também o pivô de um triângulo amoroso que ficaria famoso no mundo todo – de um lado, o apaixonado Pierrô; do outro, o malandro Arlequim. Para despertar o amor desse último, a romântica serviçal cantava e dançava graciosamente nos espetáculos.⤴

4 – Bom, como foi dito, pierrot tem grandes habilidades com as mãos, mas o autor diz em comparação, os feitos pela ópera chinesa são ainda maiores em seus truques, assim mostrando que há partes nas peças envolvendo adagas, e diz que Muyoung é até melhor do que eles.

Teatro da China: O teatro chinês tem uma história longa e complexa, pois existem diversas formas de teatro na China.
Existem referências de espetáculos teatrais na China já no ano 1500 a.C. durante a Dinastia de Shang. Geralmente envolviam música, palhaços e acrobacias. A Dinastia Tang por vezes é conhecida como “A Era dos 100 jogos”. Durante esta era, Ming Huang formou uma escola de artes cénicas denominada por “Jardim das Peras” com o objetivo de produzir uma forma de drama que no início era musical. É por isso que, geralmente, os atores são chamados de “Estudantes do Jardim de Pera”.

Ópera de Pequim: Os argumentos de uma ópera chinesa unem elementos cômicos e trágicos, juntamente com canto, dança, narrações poéticas e acrobacias. É uma dramatização de feitos históricos e lendas populares. Uma outra forma de representação é um diálogo com uma linguagem próxima da fala corrente e pantomimas com gestos normais. No seu humor delicado reflete-se e satiriza-se a sociedade. A Ópera Nacional da China é um bom exemplo. Esta foi produto da fusão de um conjunto de tradições da ópera chinesa que atuavam em Pequim. Também existem variedades regionais. A ópera sempre foi muito popular tanto entre o povo como entre os nobres e imperadores. O imperador Ming Fujam (também conhecido como Hsuan Tsung) e o imperador Chuang Tsung, ambos da dinastia Tang, são considerados os pais honoríficos da Ópera de Pequim.
Teatro de Sombras: Foi durante o percorrer da Dinastia da Imperatriz Ling, que o teatro de sombras com fantoches apareceu como uma forma reconhecida de teatro na China. Existiam duas formas distintas de teatro de sombras – Cantonese (do Sul) e Pekingese (do Norte). Os dois estilos diferenciaram-se pelo método de fazer os fantoches e de posicioná-los nas hastes. Geralmente, ambos os estilos realizavam peças que descreviam grandes aventuras e fantasia. Os fantoches de sombra do estilo Cantonese eram os maiores dos dois. Eram construídos usando couro grosso que criava sombras mais substanciais. A cor simbólica também predominava muito: uma face preta que representava a honestidade e uma vermelha que representava a bravura. As varas usadas para controlar os fantoches eram perpendicularmente unidas às cabeças dos fantoches. Assim, não eram vistas pelo público quando a sombra era criada. Os fantoches do estilo Pekingese eram menores e mais delicados. Eram feitos de couro fino e translúcido. Eram pintados com cores vibrantes, moldando uma sombra bem colorida. As varas finas que controlavam os seus movimentos eram unidas a um colar de couro na garganta do fantoche. As varas eram unidas às gargantas para facilitar o uso de múltiplas cabeças num único corpo. Quando as cabeças não eram usadas eram removidas e ficavam guardadas. De acordo com a antiga superstição, se esta fosse deixada no corpo, os fantoches ganhavam vida à noite. É costume dizer que o teatro de sombras alcançou o seu auge de desenvolvimento artístico no século XI, antes de se transformar numa ferramenta governamental.

Os Quatro Personagens: Basicamente a Tradicional Ópera Chinesa é formada por 4 personagens, que não possuem idade ou profissão, e tem suas performances baseada na história que está sendo encenada. São eles: Sheng 生, o herói; Dan旦, a mulher; Jing 净, representante do mal e que pode ter 3 versões principais (vocal, atuação e acrobacia) de acordo com seu papel na história; e Chou 丑, o palhaço, que às vezes pode ser sombrio, outras espirituoso e ainda cômico.

As 4 óperas mais famosas na China são: O Romance da Câmara Ocidental, O Pavilhão da Peônia, onde a original tem 55 atos e dura mais de 20 horas, mas nos dias de hoje é sensivelmente abreviada (porque ninguém merece, né?); O Leque da Flor de Pêssego, que levou 10 anos para ser escrita; e O Palácio da Juventude Eterna, que foi baseada em fatos reais de um Imperador que se apaixonou por uma concubina. Resumindo, todas são histórias de amores impossíveis no melhor estilo Romeu e Julieta, até onde consegui entender.

Como já era de se esperar, durante a Revolução Cultural, a ópera também foi desacreditada pelo sistema e hoje é difícil retomar a tradição com a juventude chinesa, dentro de um ambiente informatizado e sem paciência para as peculiaridades dessa manifestação artística.

Hoje ela é apresentada em casas de óperas e no sétimo mês do calendário lunar, o Festival dos Fantasmas, como forma de entretenimento aos espíritos e ao público em geral.

Quando são usadas as máscaras, ou a pintura diretamente na face, as cores colocadas a cada personagem, não são aleatórias. Elas têm o significado, baseado na cultura chinesa e retratam as características de personalidade e emocional dos seus personagens.

Branco é sinistro, diabólico, suspeito. Quem usa essa máscara geralmente é o vilão. E vejam que interessante, pois para nós ocidentais o branco é a cor celestial, de paz e harmonia. Só para completar, aqui se usa branco em enterros e luto.

Verde é impulsivo, violento e sem autocontrole (característica importantíssima nos relacionamentos interpessoais aqui na China).

Vermelho é valente, nobre, virtuoso.

Preto é imparcial, feroz, rude.

Amarelo é ambicioso, cabeça fresca.

Azul é inabalável, firme e leal.⤴

5 – Esse nome é referente aos Seis Reinos do Samsara. Podemos dizer que cada um dos nossos pensamentos e das nossas reações, pertence a um dos seis mundos. A cosmologia budista declara que o universo atravessa continuadamente várias etapas, sendo que cada uma dessas etapas possui um ciclo de nascimento, desenvolvimento e declínio que dura bilhões de anos e, em cada etapa de nascimento e desenvolvimento existem os seis reinos.
Todos os seis reinos possíveis devem ser entendidos como metafóricos, todos servem como metáforas para a vida presente que temos – a única possível para a existência de uma psique individual –, sem nos referir a uma reencarnação futura ou passada, mas de que já vivemos todas as vidas aqui, agora, e colhemos os frutos imediatamente aqui e agora, de nossa paz ou agonia interior.

O Reino dos Seres do Inferno:
É o mais baixo e desprezível reino. As descrições falam de planícies e montanhas de ferro em fogo, atravessadas por rios de metais em fusão. O calor é sufocante o céu está sempre em brasa e ali todos sofrem diversos tipos de torturas. Pelo que dizem os textos, o sofrimento desses mundos é verdadeiramente inconcebível para nós. No inferno frio, a paisagem é apenas neve, gelo e desolação. O frio é tão intenso que só se avista neve e gelo. Nesses infernos recaem os seres violentos que não aceitam a ponderação e o acordo. Seja como for que se manifestem, o verdadeiro obstáculo que permanece é a intensa raiva que eles experienciam. Só transcendendo este fator que será possível limpar seu karma e avançar para o próximo reino do Samsara.

O Reino dos Espíritos/Fantasmas Famintos:
O Reino dos Espíritos Famintos é caracterizado pela grande ânsia, uma que parece nunca poder ser satisfeita. Os reinos de fantasmas famintos existem sempre em pessoas que são imensamente ricas materialmente (ou seja, que já tem seus desejos cumpridos), mas que nunca estão satisfeitos, com uma ânsia e ambição descontrolada, buscando sempre e nunca sentindo que alcança. Devido ao fato destes morrem sempre de forma violenta e rápida, eles são ditos como os assombradores dos vivos, completamente invisíveis e com pendências mundanas, eles gastam seu tempo assistindo e desejando voltar a viver novamente, mas não podem até terem suas penitências pagas. Este reino não suporta prazeres viscerais ou sensações reconfortantes. Em vez disso, a paisagem é um vazio de qualquer nutrição; nenhum alimento ou bebida, (muitas ilustrações os descreve com bocas e pescoços finos para representar esta causa particular de seu sofrimento), e nenhuma roupa ou calor e frio.

O Reino Animal:
É fácil ficar preso neste reino pelo fato da causa de o sofrimento ser a ignorância. O reino animal lida com a sobrevivência e brutalidade, mas também contém certas regalias que os seres de luz ou os seres humanos não seriam capazes de desfrutar, como voar como uma ave ou nadar como um peixe, e toda a multiplicidade de outras maravilhas que a primavera do mundo animal contém. Este reino é dominado pelo torpor e pela falta de iniciativa, pela ausência de sentido de humor e de inteligência criativa.

O Reino dos Seres Humanos:
O reino humano, embora não seja o ‘maior’ reino, este é o mais cobiçado, apesar da forte atração karmica que nos une a este estado, é aqui que se tem mais probabilidade de alcançar a iluminação. Tendo quantidades iguais de sofrimento e de felicidade, o ser humano atinge o equilíbrio e o incentivo necessário para procurar o Nirvana e tentar sair do atoleiro do karma. Com a aptidão dos animais e com o aspecto negativo do desejo, nós temos dentro de nós mesmos os ingredientes para reconhecer o ciclo de samsara e pará-lo em suas trilhas para o bem.

O Reino dos Asuras:
Os Asuras são Semideuses comprometidos com ciúmes e não são, ao contrário dos deuses gregos do Partenon, o bem e o mal. Estes semideuses parecem gostar de pensar que eles são divinos, mas, depois de ter transcendido o desejo do reino humano, ainda de alguma forma, têm o ego humano ainda firmemente enraizado. Eles são seres humanos em forma de Deus, mas ainda não são seres celestiais. E são totalmente bêbados pelo poder. É relatado que no mundo dos semideuses, existe uma árvore gigantesca cujos frutos só podem ser colhidos pelos deuses, que habitam um reino acima. Achando que os frutos da árvore deveriam ser seus, os semideuses sentem inveja dos deuses. Infelizmente para eles, o karma dos deuses é superior e os semideuses sofrem por não poderem se satisfazer com os frutos da tal árvore. Os semideuses vivem num estado muito alegre e feliz, mas como ainda possuem o sentimento da inveja e da competição não se espiritualizam porque estão imersos em facilidades e felicidades, deste modo, esgotado suas reservas karmicas renascem em outro reino – dizem os sutras.

O Reino Divino:
Recompensado com prazer ou felicidade intensa, eles reinam sobre os reinos celestiais e vive em esplendor, talvez ilusoriamente, já que tantas vezes eles esquecem o ponto principal de sua existência e desaparecem no nada, não tendo completado sua meta. Juntamente aos aspectos negativos dos Deuses, está o Orgulho. Enriquecido pela devoção mundana e à grandes e amáveis atos, eles também persistem em ver a distinção, tentando ser mais elevados que a criação. Não se trata do reino de Deus, descrito em outras religiões. No mundo sutil, eles ajudam os seres humanos em dificuldades, mas são benefícios condicionados, e não do tipo que produz libertação. Esse reino é o que os seres humanos buscam em seus sonhos. Vivemos almejando, trabalhando ou sonhando chegar lá.⤴

Contribua com a Novel Mania!
Alterar fonte
Cores