GoC – Capítulo 99 – Prelúdio da tempestade (4)



“Do que você está falando? Eu não matei ninguém. Eu sou inocente e fui injustamente trancado aqui.”

“O que?”

“Você achou que eu era um monstro? Se sim, você se enganou.”

Kang-Suk olhou para Park Sung-Yul, chocado. Se ele fosse um novato, poderia acabar ficando confuso caso encontrasse alguém assim e não pudesse prosseguir com um interrogatório decente. Mas agora ele era um detetive que havia pego muitos criminosos horríveis. Ele não entrou em pânico. Se ele fizesse isso, ele estaria se jogando direto nas mãos de Park Sung-Yul.

Kang-Suk imediatamente retomou sua calma habitual.

“Então é assim? Aliás, você já almoçou?”

Park Sung-Yul contraiu a boca depois da resposta calma.

“Se eu soubesse que você iria demorar tanto, eu teria comido mais cedo.”

“Você não comeu enquanto me esperava? Quer um pouco de jajangmyeon? Oh, mas ninguém faz entrega aqui. Em outras palavras, vou ter que pedir algo na cozinha. Pode ser Ramyun?”

“Sim. Seria bom.”

“Então tragam Ramyun, por favor. Tragam uma panela com muita água. Deve haver o suficiente para três a cinco pessoas.”

Kang-Suk chamou os guardas e pediu para ferverem Ramyun. Após dez minutos, três recipientes foram levados para a sala de visitas.

“O que você sabe? Este Ramyun é exatamente do meu gosto.”

“Parece que sim.”

Park Sung-Yul estava com fome e instantaneamente esvaziou os recipientes cheios de macarrão. Kang-Suk perguntou enquanto ele comia:

“Você está nesse lugar isolado… alguém te visita?”

“Mesmo se eu estivesse em terra, ninguém viria.”

“Sério? Você não mantinha contato com a filha da dona do lugar onde você morava?”

“Sinto muito, mas isso faz tanto tempo…”

“Bem, entendo. De qualquer forma, me diga se quiser alguma outra coisa. Eu irei pedir para cozinharem.”

“Está tudo bem, já estou cheio.”

Desde então, o detetive e o criminoso começaram a conversar como se fossem velhos amigos. Kang-Suk não perguntou mais sobre a carta que recebeu e, rapidamente, o tempo de visita acabou. Kang-Suk se levantou e perguntou:

“Quer dizer mais alguma coisa?”

“Eu me diverti muito ao encontrar alguém depois de tanto tempo. Vejo você em breve.”

“Em breve? Sim. Bem, vamos ver o que acontecerá.”

“Sim Detetive, tome cuidado.”

Hyun-Ho, que estava sentado em uma mesa próxima, também se levantou e ergueu um dedo, em um sinal positivo. Isso significava que Kang-Suk se saiu bem no interrogatório, assim como ele havia dito.

Cho Kang-Suk suspirou lentamente. Isso realmente não era conveniente para ele.

*   *   *

Depois do interrogatório, o detetive e o investigador conversaram sobre tudo na sala de espera.

“Sério que há algo no lugar onde ele morava?”

“Pela reação dele, sim. A propósito, seu cérebro é muito bom.”

“Nem diga isso.”

Os dois homens decidiram o rumo que a conversa deveria tomar desde o começo, eles prosseguiriam de acordo com as respostas de Park Sung-Yul.

Kang-Suk estava bem ciente de suas deficiências. Portanto, ele deixou a parte racional para Joo Hyun-Ho. Depois de ler a carta, Hyun-Ho investigou tudo sobre Park Sung-Yul. Em particular, ele procurou por qualquer pessoa que desapareceu por perto de onde Park Sung-Yul vivia.

O que mais chamou a atenção foi o desaparecimento da filha da dona da pensão onde Park Sung-Yul ficou por um tempo. Hyun-Ho leu um relatório e murmurou:

“A idade dela bate com a época do desaparecimento. Já confirmei que ela chegou a discutir com ele alguns dias antes de desaparecer.”

“Então por que isso passou batido quando ele foi preso?”

“Só existiam evidências circunstanciais, nenhuma física. Além disso, ele tinha um álibi.”

No momento em que ela desapareceu, Park Sung-Yul supostamente estava na China.

“Hrmm…”

“De qualquer forma, pedi por um teste de DNA, para descobrirmos sobre a identidade do cadáver.”

“Isso deixa as palavras de Park Sung-Yul mais perto da verdade. Mas por que ele de repente mudou o discurso?”

“Eu não estou certo sobre o que ele está pensando. Além disso, acho que ele também queria confessar que matou a filha do dono da pensão.”

Kang-Suk gemeu.

“Ahem…”

Um criminoso que havia confessado os crimes em uma carta. Ele deu pistas através de um enigma.

“Talvez Park Sung-Yul esteja querendo brincar com a polícia. Além disso, o primeiro enigma foi baseado no passado dele. Parece que ele nos deu o enigma mais simples primeiro.”

“Droga. Então agora precisamos esperar até que ele nos envie outro enigma?”

“Ainda restam doze pessoas…”

“Desse jeito isso não vai acabar nunca.”

No entanto, Kang-Suk não queria desistir. Ele não queria que os doze assassinatos cometidos por Park Sung-Yul permanecessem sem nenhuma resolução. Kang-Suk percebeu que Hyun-Ho estava com uma expressão estranha no rosto, indicando que ele possuía um plano.

“No que você está pensando?”

Hyun-Ho lambeu os lábios enquanto seus olhos brilhavam. Parecia que ele estava gostando do enigma de Park Sung-Yul.

“Park Sung-Yul quer brincar conosco. Sunbae, você sabe como ganhar no poker de qualquer maneira?”

“Bem… Você não ganha se conseguir ler as expressões do outro competidor?”

“Isso é possível… Bem, há algo mais simples. É só ter alguém para dizer qual é a mão do oponente.”

Cho Kang-Suk percebeu o que Joo Hyun-Ho queria: ele desejava alguém espionando os movimentos de Park Sung-Yul na Penitenciária Dragão Azul. Kang-Suk franziu a testa e cruzou os braços.

“Isso é como uma trapaça, mas… Não é ruim. O problema é encontrar alguém para fazer isso.”

Seria bom usar outros prisioneiros para isso. Os guardas eram considerados inimigos públicos dos prisioneiros. Então, nascia um estranho senso de companheirismo e eles começavam a contar suas histórias uns para os outros.

Em outras prisões, existiam pessoas com penas de três a seis meses, por roubo. A maioria dessas pessoas acabavam sendo usadas como fonte de informações. Se eles fossem descobertos, suas vidas poderiam ficar em perigo. No final, quem ficaria preso por muito tempo não aceitaria ser um espião.

“Eu acho que vai correr tudo bem se o hyung propor uma redução de sentença para alguém…”

Kang-Suk falou com um tom firme:

“Com certeza não!”

“Então você tem alguma ideia melhor?”

“Se não pudermos conseguir por dentro, por que não tentamos por fora?”

Em outras palavras, enviar alguém para a Penitenciária Dragão Azul, para atuar como um espião.

“Oh, isso seria bom. Definitivamente será possível fazermos isso se conseguirmos a permissão do diretor. Ah, certo, sem policiais. Criminosos são muito sensíveis em relação à polícia.”

“Se eles forem descobertos como espiões, eles podem acabar sendo assassinados…”

Em primeiro lugar, eles precisariam de alguém de fora da prisão. Além disso, para se misturar com outros criminosos, eles precisariam de algo chamativo.

“Alguém que se parece com um criminoso, é corajoso e forte… Eu acho que um super-herói mascarado seria bom para satisfazer essas condições.”

“Kuoong… a pessoa certa…”

Kang-Suk pensou desesperadamente em alguém que poderia se adaptar à Penitenciária Dragão Azul.

Naquele momento, alguém surgiu em sua mente.

“Ah!”

*   *   *

“Ooof…!”

Tae-Hyuk ficou com náuseas ao entrar na sala. Uma aura sombria de morte existia no lugar. Não havia necessidade de ativar a Habilidade de Espionagem. Enquanto ele caminhava para o centro da sala, algo ficou preso aos seus sapatos. Quando ele olhou para o pé, ele viu algo, parecido com carne esmagada.

Esta era uma das duas salas secretas no porão do hospital. O lugar onde as relíquias das forças armadas japonesas estaria era um que não foi encontrado por décadas. No entanto, este lugar evidentemente era muito frequentado por alguém.

“O resultado é chocante…”

Tae-Hyuk sentiu calafrios, como se estivesse em um freezer. Ele olhou para os sacos plásticos empilhados na sala. Havia algo pequeno dentro deles. Ele esticou a mão e abriu uma sacola, para ver o que era.

Naquele momento, uma estranha ilusão surgiu diante dos olhos de Tae-Hyuk.

“Heok!”

Era o mesmo de quando ele entrou no banheiro em que o Hippo havia feito uma vítima. No entanto, ao contrário daquela vez, ele não viu ninguém sendo assassinado. Ao invés disso, ele ouviu uma conversa.

– Preciso de um fígado. Ele não pode ter nenhum defeito.

– Você não quer pedaços?

– Isso mesmo.

– Claro, todos os órgãos serão devidamente retirados. Você não precisa se preocupar. Se desejar, podemos trabalhar em atacado.

– Eu gostaria de fazer isso apenas se o preço for bom. Você consegue dez?

“…”

Tae-Hyuk ficou sem palavras. Ele descobriu o que eles estavam negociando. Eram órgãos dos fetos abortados.

As palavras de Jung Eui-Do apareceram momentaneamente em sua cabeça.

– A nossa clínica faz abortos de até trinta e seis semanas.

Essa era a razão. Tae-Hyuk tinha visto algo semelhante há não muito tempo. O Centro Médico T sequestrava crianças e retirava os órgãos delas para transplantes. No entanto, o objetivo de quem comprava os órgãos dos fetos…

“Sheesh, eu não posso ignorar isso.”

Os sacos estavam repletos de corpos. Eles estavam empilhados em um armazém resfriado, como se fosse carne de porco ou de gado. Tae-Hyuk fotografou tudo. Uma vez que isso fosse revelado, a mídia ficaria louca.

Tae-Hyuk saiu do quarto e pegou a planta que estava em seu bolso de trás. No final, o único lugar restante seria definitivamente onde o exército japonês tinha escondido o mapa do tesouro.

“Eu sei porque isso passou despercebido por tanto tempo.”

A entrada do lugar era no fundo de um poço, em um lugar que costumava ser um quintal. Havia uma passagem para entrar no porão, mas parecia que ela foi coberta com concreto quando uma outra sala foi feita. No final, seria necessário descer pelo poço ou destruir o piso de concreto com uma picareta.

Essa era uma das razões pelas quais ele deixou esse lugar por último.

“Todos no prédio viriam correndo se eu usasse uma picareta. Eu vou ter de entrar pelo poço.”

Tae-Hyuk caminhou em direção ao quintal.

*   *   *

Não foi difícil encontrar o poço. Ele não foi usado por muito tempo, então a corrente dele estava enferrujada. Ervas daninhas cresciam em torno dele. Qualquer um que não soubesse que o poço existia poderia confundi-lo com um túmulo.

Tae-Hyuk se equipou com o bastão de ferro usando a Habilidade de Violência e bateu na corrente que cercava o poço.

Kaaaang!

Ela estava enferrujada, então foi quebrada com mais facilidade do que o esperado.

“Agora, vou descer.”

Independentemente de estar seco ou cheio de água, o fundo do poço parecia ser tão profundo quanto um abismo. Tae-Hyuk segurou uma lanterna pela boca e desceu. Depois de dez metros, ele chegou ao fundo.

“Não tem problemas se eu fizer um pouco de barulho aqui, certo?”

Ele colocou o bastão de ferro no meio dos canos e começou a forçá-los. As pedras racharam e a parede do poço desmoronou. O resultado foi uma passagem que levaria a algum lugar. Tae-Hyuk aumentou o tamanho do buraco, para que pudesse entrar.

“Droga, merda de rato…”

Tae-Hyuk esfregou a coisa estranha que estava em sua mão contra a parede e endireitou seu corpo. Havia um pequeno espaço, de um pyeong¹. Várias caixas de madeira estavam empilhadas.

“Bem, isso é tudo comida enlatada.”

As latas não eram como as atuais, que poderiam ser facilmente abertas. Essas exigiriam um abridor especial.

“Bingo. Este é um abrigo criado pelos japoneses.”

Tae-Hyuk cuspiu um pouco de poeira e começou a andar pelo local.

“Eu encontrei!”

Era uma sala pequena, então ele facilmente encontrou o que estava procurando. Tae-Hyuk olhou para o documento com alegria.

“Ohuhu… Eu imaginei que seria algo como um pergaminho antigo… Essa não é apenas uma pasta de arquivos comum?”

Estava um pouco amarelada, o que não era surpreendente, mas estava em um bom estado de conservação. Tae-Hyuk começou a ler em voz baixa. Estava escrito em japonês, então ele teve que usar a ajuda de um aplicativo de tradução que estava instalado em seu smartphone.

“Nós decidimos manter todos os fundos para guerra restantes em um local… O responsável geral se chama Yamashita Toshiro…”

As mãos de Tae-Hyuk começaram a tremer.

“E-este é o tesouro de Yamashita!”

Durante a reforma do prédio, uma quantidade astronômica de ouro foi encontrada. Agora ele estava em um lugar inexplorado. Ele encontrou o último lugar escondido.

Os dedos de Tae-Hyuk começaram a tremer.

“Aha, ahahaha!”

Ele começou a rir. Alguns bilhões. Havia um tesouro no valor de bilhões de won, e logo tudo iria parar em suas mãos.

“Parece que posso construir um castelo de presente de casamento para minha irmã, ao invés de comprar uma simples casa.”

Mas isso não era tudo. Tudo o que ele sonhava poderia se tornar realidade. Não iria apenas mudar seu futuro. Com isso, ele poderia ter uma vida completamente nova. Não seria muito fácil fazer isso usando as habilidades do Fantasma.

“Agora, onde o tesouro está escondido?”

Tae-Hyuk olhou para o mapa nos documentos, mas algo estava errado. Era a primeira vez dele vendo isso, mas era familiar.

“Dragão Azul…?”

Tae-Hyuk gritou em voz alta. O lugar indicado pelo mapa era a Penitenciária Dragão Azul, o lugar onde ele acabaria sendo preso no futuro.

“Entendo. Então foi isso que aconteceu.”

Tae-Hyuk percebeu o motivo pelo qual o ouro de Yamashita só seria descoberto mais em breve. Ele seria encontrado em uma ruína inexplorada da Penitenciária Dragão Azul. Dois anos no futuro, a Penitenciária Dragão Azul começaria a passar por reformas para expansão. Seria durante essa construção que o ouro de Yamashita seria encontrado.

Tae-Hyuk viveu na Penitenciária Dragão Azul por dez anos. A expansão aconteceu enquanto ele estava preso, então ele definitivamente sabia onde encontrar as coisas.

“No final, preciso voltar para o lugar onde morri para pegar o ouro.”

Tae-Hyuk sorriu discretamente.

 


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Tradutor: Litle Fefe  |  Revisor: Ryokusan000  | Editor: Blame



Nota 1: Medida de área japonesa – 1 pyeong = 3,3 m². Saiba mais.


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