DDf – Volume 2, Capítulo 4.2 – Jogo Barroco de Verdade e Consequência


 

Lorde Demônio mais fraco, 71º rank, Dantalian, Calendário Imperial: 21/09/1505, Niflheim, Palácio do Governador.

 

“Barbatos. Esta manhã você veio aqui e me disse o seguinte. Que o único significado do amor é que ele revela as suas fraquezas. Que as pessoas não ficam mais fortes por causa do amor, mas sim que se fortalecem depois de descartá-lo.”

“…”

“A sua frase estava meio certa e meio errada. Com certeza Lapis era a minha fraqueza, e eu também era a fraqueza dela. Mas não passa disto. Enquanto nós dois compartilhamos nosso amor, nós não fazemos que o outro fique fraco.”

Ao contrário, era o exato oposto.

“Nós apenas fazemos o outro ficar mais forte sem nos prender ou limitar.”

Barbatos ficou em silêncio.

Enquanto degustava o meu vinho, eu disse.

“Nosso amor pode não ser quente, mas é frio. Nós podemos não ser macios, mas somos afiados. Mesmo que não consigamos aceitar algo, nós continuamos seguindo em frente rumo a algum lugar. Nós somos firmes, então não quebramos, e em perfeita harmonia, aniquilamos o inimigo a nossa frente. É assim que agimos. E este também é o motivo de termos retornado a Niflheim, depois de derrotarmos o exército do Marquês.”

“O que você quer dizer?”

“A carta.”

“O quê?”

Eu sorri.

 

“A responsável por escrever a carta me informando dos invasores, é ninguém mais ninguém menos do que você, Barbatos.”

 

“…”

Por um instante.

O rosto de Barbatos congelou.

“Como eu disse, do que é que você está falando…?”

“Foi um teste simples. O culpado sempre volta para a cena do crime que ele conseguiu cometer. Eu tentei utilizar este velho e antiquado ditado uma vez.”

Com um olhar suave.

Como se estivesse afagando a cabeça dela com minha mão, eu olhei para Barbatos da cabeça aos pés.

“Quem quer tivesse me enviado a carta, era óbvio que a pessoa tinha boas intenções para mim. Afinal, ela me avisou do fato de que invasores apareceriam. Entretanto, quem poderia saber detalhadamente a situação do Marquês Rosenberg e possuía a capacidade de adquirir esta informação? Barbatos, quão grande tem que ser a rede de informantes de alguém, para saber a informação exata da quantidade de tropas que foram enviadas? Sem sombra de dúvidas, o culpado tinha que ser alguém com muito poder.”

Por exemplo.

Alguém poderoso o suficiente para ser a 8º no ranking.

Alguém hostil contra os humanos e, portanto, que observasse constantemente as movimentações militares do lado dos humanos.

Alguém bem informada da situação no território do Conde Rosenberg, já que ele fica na divisa do mundo dos demônios e dos humanos.

“Sim. Barbatos. Uma pessoa de autoridade como você.”

“…”

Barbatos abriu a boca.

Em algum momento da conversa, ela havia retomado a sua expressão travessa.

“…Aha, ahahaha. Eu estava curiosa sobre o que você estava querendo dizer.”

A sua também estava controlada.

“Dantalian. É claro, eu sou uma pessoa assustadoramente incrível, exatamente como você disse. Uma rede de informações da raça humana, bem, é óbvio que eu tenho isto. Já que nunca se sabe quando aqueles humanos vão tentar começar a fazer algo engraçadinho.”

Barbatos deu um grande sorriso.

A sua habilidade de atuação era muito deslumbrante. Como uma política, isto era ideal. Ela ser a líder de uma grande facção política conhecida como a Facção das Planícies, não era mera coincidência.

As suas ações normalmente exageradas que pareciam frívolas, ela inserir palavrões pesados em suas frases para o desagrado dos ouvidos das outras pessoas, ela utilizar roupas que deixavam tanto a mostra e faziam as pessoas não saberem para onde olhar. Todas estas coisas eram ações calculadas.

Meios de atrair e manipular a mente das outras pessoas como ela bem quisesse.

“Mas sabe? Isto é tudo. Eu não sou o tipo de pessoa que escreveria algo trivial como uma carta. Se algo acontece, então como estamos fazendo agora, eu cuspiria tudo na sua cara pessoalmente. Por que eu enviaria uma carta para um imbecil com a mente limitada?”

Ela havia se aproximado de mim como se realmente se importasse com meu bem-estar, apesar, de ser uma pessoa absolutamente desinteressada na minha vida amorosa.

Ela agiu como se estivesse ouvindo sinceramente a minha história.

Portanto, eu disse antes.

Que Barbatos era uma boa mulher.

Raramente eu havia visto uma mulher tão minuciosamente ‘política’ assim.

Barbatos conseguiu desenvolver a sua habilidade de atuação durante seus longos quinhentos anos de vida. Certamente era uma habilidade formidável. Aah, era de um nível que faria até mesmo os melhores atores chorarem. Apesar de não estar no meu nível, eu admito que ela chegava bem próximo do meu queixo.

O talento natural ganha do esforço.

Não tinha como seus esforços superarem a minha aptidão para atuar.

“Para começar, se eu tivesse te mandado esta carta, então não teria motivos para eu negar deste jeito. Você não acha? No fim das contas, você foi salvo por causa daquele aviso.”

Barbatos deu de ombros.

“Sem aquela carta, você não saberia que o exército do Marquês estava invadindo e teria apenas sido eliminado. Portanto, a pessoa que escreveu aquela carta é sua salvadora. Por que eu jogaria fora a oportunidade grátis de te deixar em débito comigo? É porque eu realmente não a enviei.”

Apesar disto ser plausível.

Era uma desculpa rasa.

“Barbatos. É porque você não enviou aquela carta com a intenção de me salvar.”

“Ei, caralho. Eu estou dizendo que eu não enviei a carta, mas você continua repetindo isto?”

“Você enviou aquela carta com a simples intenção de me ‘testar’.”

“…”

Barbatos havia dito para mim.

 

—Eu estava esperançosa de que um novato verdadeiramente útil tivesse aparecido depois de tanto tempo, mas ele não é só um demente?

—Como caralhos eu faço esse retardado funcionar como uma pessoa normal…

 

Como ela poderia saber que eu era um novato útil?

Simplesmente porque eu consegui juntar dinheiro vendendo as ervas negras?

Barbatos não sabia os detalhes precisos de como exatamente eu fiquei rico. Foi somente graças à sorte, ou foi porque eu consegui deixar Ivar Lodbrok na palma da minha mão? Sorte ou habilidade, ela não tinha certeza de qual era a fonte do meu sucesso.

Portanto.

No momento que Barbatos disse aquilo, ela já havia me testado usando algum método anteriormente.

“Depois de ouvir a notícia de que o exército do Marquês estava se movimentando, você muito provavelmente gostaria de ver a minha habilidade ao menos uma vez. Você queria ver pessoalmente se eu realmente seria alguém útil. Você enviou a carta, e então esperou pacientemente para ver como eu responderia a invasão…”

O resultado foi que ‘eu passei’.

O Lorde Demônio Dantalian passou com segurança no teste chamado Marquês Von Rosenberg.

Agora a Lorde Demônio Barbatos havia decidido que recrutaria o Lorde Demônio Dantalian para a sua facção.

Exceto que, havia um grande problema no caminho.

“Por um acaso você lembra? Das palavras que você disse ontem no momento que eu entrei aqui.”

“… Não. Já que eu não o tipo de pessoa que se recordaria especificamente de algo inútil.”

“Então se recorde agora. Isto não era uma ocasião pouco importante para você, nem de longe. Desde o começo você disse o seguinte para mim.”

 

—Se você está tentando romper com aquela sua amante súcubo, então eu posso ajudar.

—Em primeiro lugar, não faz sentido algum uma pária estar fazendo sexo com um Lorde Demônio. Ainda não é tarde demais, então peça a minha ajuda.

 

Sendo sincero, isto foi algo muito intrometido de se dizer.

Mas se você mudar levemente o seu ponto de vista, então isto muito obviamente era um conselho.

Porque se o indivíduo que ela planejava trazer para a sua facção fosse ‘um imbecil que tomou uma pária como amante’, então isto causaria um grande dano a imagem da facção da Barbatos.

Cuidar da sua imagem é uma parte fundamental da política.

Do ponto de vista da Barbatos, ela precisava me fazer romper com a Lapis não importava como.

“…Haa. Eu te dei este conselho puramente sendo atenciosa com você.”

Depois de escutar o que eu disse, o rosto de Barbatos distorceu-se em uma careta.

“Você realmente é um filho da puta que trata favores como se fossem merda, huh? O quê? Pra esses buracos que você chama de olhos todas as pessoas parecem ser coiotes querendo apenas ganhos políticos? O seu jeito de pensar é realmente horrível, Dantalian.”

“Quando você escutou a notícia que o Lorde Demônio Dantalian foi estapeado pela Lapis na praça.”

Eu falei em baixo volume.

Barbatos cerrou seus lábios.

“Naquele momento você provavelmente pensou isto. Que havia chegado uma oportunidade de ouro. Você se aproximou de mim rapidamente pretendendo bater enquanto o ferro ainda estava quente. Aliás, em menos de vinte minutos depois de eu levar o tapa.”

 

—Vá em frente e me conte tudo. Por que vocês dois brigaram

—Você não está vendo que eu ainda estou passando gelo no rosto? Faz só vinte minutos desde que eu levei o tapa da Lapis.

 

“Aqui em Niflheim, eu sou famoso por meu amor ardente por Lapis. Estando na sua posição, a dor de cabeça que isto deve ter te causado deve ter sido imensa. Para começar, você tinha que fazê-los se separar, mas não lhe veio à cabeça como você poderia conseguir fazer com que rompessem a relação.”

“…”

“Com o relatório que eu fui estapeado, você pensou ‘é isto’. Não há algo mais frágil do que alguém que acaba de brigar com sua amada, e logo depois deles terem se afastado. Este vidro frágil despedaçaria facilmente se você o tocasse com um martelo. Muito provavelmente você pensou que se arremessasse suas cartas corretamente, então poderia romper a minha relação com a Lapis facilmente.”

Então Barbatos estava cautelosa.

Para não deixar que suas verdadeiras intenções fossem óbvias.

 

—Você disse que o nome da sua amante era Lapis Lazuli? Caralho ela é realmente de se admirar. Como diabos ela conseguia lidar com você? Se fosse eu, teria cortado as suas bolas fora e te largado há muito tempo atrás.

 

Esta foi à parte em que Barbatos foi digna de elogios.

Ela não ficou do meu lado, ao contrário, ela ficou do lado da Lapis.

Como se estivesse plantando o mal-entendido que ‘ela sozinha escolher terminar’ era a escolha certa.

 

—Vocês dois realmente deveriam se separar.

 

Ela disfarçou suas palavras habilmente.

Inicialmente Barbatos devia estar feliz por tudo estar correndo sem que ela precisasse agir. Assim que ela escutou que eu tentei matar a mãe da Lapis, ela teve certeza.

Isto estava acabado.

Barbatos estava convencida que não existia uma pessoa que poderia tolerar um homem que tentou matar a mãe de sua amada e continuar com o relacionamento.

Entretanto, conforme seu estratagema prosseguia sem dificuldades— ela encontrou um problema que nunca havia esperado.

“O instante em que você começou a entrar em pânico, Barbatos. Foi no momento em que eu confessei meu amor a Lapis pela segunda vez. Deve ter sido incrivelmente incompreensível. Eu entendo. Você muito provavelmente nunca imaginou que existira uma pessoa no mundo cujo amor era tão insano quanto o meu.”

“…”

“Você tentou me convencer falando um bocado.”

 

—Como diabos isto é amor?

—Isto não é amor.

—Tudo bem vocês dois terminarem, mas o amor… é uma emoção mais preciosa do que qualquer outra coisa. É algo para que todo o resto deva ser deixado de lado e se entregar de vontade própria, se esforçar por ele.

 

“A emoção que eu estou sentindo agora não é amor. Amor é algo mais nobre do que qualquer outra coisa. Mais sagrado. É algo mais macio… Ao afirmar isto, você queria que apontasse para meu próprio sentimento e dissesse que ‘isto não é amor’, certo?”

Eu sorri gentilmente.

“Desculpe-me por você não conseguir atingir seu objetivo, Barbatos. Isto é meu pagamento por ser minha conselheira amorosa esta noite. Eu irei provar para você especialmente que isto é outro exemplo de amor.”

Jingle

Eu levantei um pequeno sino e o balancei.

Assim que fiz isto, a porta para a sala de visitas abriu e alguém entrou. Barbatos assustou-se e virou para olhar para a porta. E ali estava Lápis, de pé, e com o seu rosto inexpressivo.

“Vossa Alteza chamou?”

“Aah. Deve ter sido muito problemático ter permanecido esperando de pé a noite inteira, Lapis.”

“Está tudo bem. Graças a Vossa Alteza, esta serva já se acostumou a ficar acordada a noite inteira.”

Vendo nós dois conversando, Barbatos nos olhou com perplexidade estampada no rosto.

“O que é isso…?”

“Lapis. Parece que Sua Alteza Barbatos está duvidando um pouco de nosso amor. Parece que ela acha que você está guardando rancor de mim por ter tentando matar a sua mãe. O que você acha? Poderia mostrar aquilo para Sua Alteza Barbatos também?”

“Entendido. Esta vassala mostrará aquilo imediatamente.”

Lapis curvou-se e saiu da sala de visitas. Barbatos olhou para mim, seus olhos demonstravam que ela não estava conseguindo entender. Bem, espere um pouco. A velocidade de caminhada da Lapis é surpreendente rápida, então ela vai voltar em breve.

Um silêncio peculiar ocupou o cômodo. Pouco depois, Lapis voltou. Em suas mãos ela carregava uma bandeja de prata que as empregadas utilizavam para entregar comida.

“Então agora, Lapis. Mostre isto para Sua Alteza Barbatos.”

“Sim. Dê licença a esta subordinada.”

Delicadamente, Lapis levantou delicadamente a tampa da bandeja.

“…”

Barbatos arregalou os olhos.

Brilhando de alegria, eu bati palmas.

“Que tal? Não é esplêndida? Esta é Lapis Lazuli. Meu primeiro amor, minha amante que talvez seja meu único amor. Barbatos. Observe.”

 

Em cima da bandeja brilhante de prata estava a cabeça de uma pessoa.

O rosto da velha senhora que veio aqui quinze dias atrás.

 

“Esta é a mãe da Lapis.”

“…………O quê?”

“Você ainda não entendeu? Ela foi assassinada. Pela própria Lapis!”

Eu comecei a gargalhar.

O som da rizada preencheu a sala de visitas. Apesar de ser falta de educação fazer isto no meio da noite, isto era inevitável. Como eu poderia parar quando a gargalhada vinha do meu peito por conta própria?

 

 


Tradutor: Yuere   |   Editor: Golias



Notas: E… alguém acertou kkkk. Dungeon Defense

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