DDf – Volume 1, Capítulo 5.2 – O circo mais extravagante


 

O tempo passou de maneira bem arrastada.

Teria sido divertido se outra discussão tivesse acontecido, mas ambas Barbatos e Paimon se mantiveram caladas. Portanto, não existia nenhum tipo de entretenimento.

Este tédio absoluto estava fazendo meus olhos pesarem. Se não fosse a Lapis ao meu lado constantemente me beliscando, certamente, a essa altura do campeonato, eu já teria caído no sono.

Enquanto eu travava desesperadamente uma batalha sangrenta contra o sono, Paimon finalmente abriu a boca.

“Meus queridos companheiros e Ivar Lodbrok. Há um incidente que definitivamente precisa ser resolvido antes de nós entrarmos na discussão sobre a praga.”

“O que poderia ser este incidente, Vossa Alteza?”

“O incidente do assassinato. Eu acredito que todos aqui estão cientes do abominável evento que ocorreu alguns dias atrás. Nosso irmão, Andromalius. Lorde Demônio de 72º rank, Andromalius, foi assassinado.”

Ara?

Eu pisquei meus olhos que estavam tomados pela letargia.

Paimon estava trazendo à tona um assunto bem sério.

“Andromalius. Ele era um homem vergonhoso. E se comportava de uma maneira inadequada com a de um Lorde Demônio. Contudo, apesar de tudo isto, assim como nós, ele ainda era um Lorde Demônio.”

Com passadas leves, Paimon avançou até o centro do salão. A cada passo que ela dava um pouco do meu sono evaporava de minha cabeça. No momento em que ela parou, eu já estava absolutamente acordado.

“Não importa o quão grande seja o continente, a quantidade de escolhidos para nascerem como Lordes Demônios foram 72. Nós éramos uma raça de apenas 72 pessoas. O valor de cada indivíduo é tão alto que não pode nem ser comparado com as outras raças. E alguém da nossa família foi impiedosamente assassinado.”

Paimon virou a cabeça para me encarar.

A emoção contida naqueles olhos vermelhos, sem qualquer sombra de dúvida, era hostilidade.

“Todos devem saber bem o porquê de este ser um incidente tão grave. O culpado por ter matado o nosso familiar deve receber uma punição justa.”

De uma só vez, todos os Lordes Demônios se viraram para olhar em minha direção.

“…….”

Um alarme estava disparando na minha cabeça.

A sonolência havia evaporado e minha mente rapidamente ficou fria. Um ataque inesperado. Uma situação para a qual eu não tinha me preparado previamente. Concluindo que eu estava correndo perigo, a minha mente operava de maneira mais feroz.

Por quê?

 

Parecia que o espaço ao meu redor tinha desacelerado.

‘Por que ela está me atacando enquanto eu só estava aqui inerte?’

As informações que eu havia bloqueado propositalmente começaram a me inundar.

As roupas dos Lordes Demônios.

Expressões faciais.

O formato de suas bocas enquanto eles sussurravam uns com os outros.

Cada pequeno pedaço de informação era ‘coletado’ e ‘analisado’ para então ser armazenado como dados.

Primeiramente——Paimon.

Ela havia me encarado apenas uma única vez antes de imediatamente virar o olhar para o outro lado. Mesmo agora, ela estava dando um discurso emocionado não para mim, mas sim para os outros Lordes Demônios. O que isso significava?

‘Ela não está me atacando porque ela tem algum tipo de rancor contra mim.’

Sendo assim, então…

‘Ela está me atacando por algum tipo de motivo político. É por isso que convencer os outros Lordes Demônios é prioridade e vem antes de me atacar.’

Eu aceitei essa hipótese temporariamente.

Deste modo, o ponto inicial para as deduções foi conquistado. Foi-me dada apenas uma única base. Assim como uma árvore gigantesca brotando de um pequeno pedaço de terra, da minha mente vários tipos de hipóteses e deduções se esticaram como galhos.

‘Que tipo de vantagem política você ganharia por me atacar?’

‘Dantalian é só um peixe pequeno. Não há nada a ser ganho o apunhalando.’

‘Então é a Peste Negra.’

Uma resposta surgiu imediatamente.

‘Usando o assassinato de Andromalius como pretexto, eles vão tomar uma grande quantidade das ervas negras que estão sob minha posse. O objetivo de Paimon deve girar em torno disto.’

‘Um cúmplice?’

‘Se ela tentasse tomar e adquirir um monopólio de todas as ervas negras sozinha, então os outros Lordes com certeza iriam se opor. Há um cúmplice aqui. Quem é ele?’

A primeira etapa da minha dedução estava completa.

Eu dei uma pequena olhada em volta de mim.

A quantidade de Lordes Demônios aqui era 32. A quantidade de acompanhantes dos Lordes também era 32. Se você incluísse o anfitrião, Ivar Lodbrok, então havia um total de 65 pessoas. Todos os 65 indivíduos estavam olhando de um lado para o outro, variando entre Paimon e eu.

‘São muitos.’

Eu tinha que diminuir o número de possíveis suspeitos.

Eu mudei minha abordagem.

De acordo com o manual gravado na minha mente.

Uma quantidade de casos mais diversa.

Uma conclusão mais natural.

Mais rápido.

‘E se o objetivo principal não for me atacar?’

Na perspectiva das outras pessoas, eu não havia previsto a praga, ao invés disto, eu havia a profetizado. Ao utilizarem o senso comum, eles provavelmente pensaram que isso era impossível.

Alguém espalhou a doença de propósito. Seria mais natural chegar a esta conclusão. Eles também pensariam que já que o Lorde Demônio Dantalian não possuía nenhum talento, o verdadeiro culpado era outra pessoa.

Culpado.

Um culpado capaz de criar uma doença e espalhá-la

Meu olhar lentamente se dirigiu até certo Lorde Demônio. Uma garota com cabelo branco estava segurando uma taça e bebericando silenciosamente vinho tinto.

‘Barbatos.’

‘Apenas necromantes conseguiriam controlar pragas.’

A maior necromante da história.

O único Lorde Demônio que conseguiu obter o título de arquimaga no campo da magia negra.

Do ponto de vista de um terceiro, não havia ninguém mais próximo de ser a ‘verdadeira culpada’ se não Barbatos.

‘Então era isso?’

Meu coração se resfriou.

‘Então é por isso que é Paimon.’

Desta vez eu voltei o meu olhar para Paimon.

Ela estava segurando seu leque de penas com grandeza como se estivesse tentando anunciar algo. Seus movimentos estavam lentos. Sua saia havia parado no meio do ar e estava congelada no mesmo local. Sua boca se movia lentamente. O cenário exterior não conseguia acompanhar a velocidade do meu raciocínio.

Paimon.

A arquirrival de Barbatos.

De acordo com ela, Barbatos era a verdadeira culpada por espalhar a Peste Negra.

Dantalian não era nada mais do que uma mera peça de xadrez se movendo por Barbatos.

‘Eu me pergunto sobre isto.’

Eu havia entendido claramente o quão desagradável era a minha situação atual.

Sem que eu soubesse, parece que eu acabei sendo envolvido em uma disputa política entre estas duas grandes nobres.

É por isso que os políticos eram irritantes. Eles, por conta própria, criavam uma confusão e envolviam pessoas completamente inocentes. Se eles não estavam causando grandes prejuízos, então eu não sei o que mais eles podiam estar fazendo.

O problema é que Barbatos e Paimon tinham uma relação tão ruim que elas criavam guerras locais a cada 21 anos. Suas relações diplomáticas por si só já eram brutais. A ponto das discussões que eu tinha com a Lapis não poderem nem ser comparadas as delas.

Sempre que as relações entre essas duas Lordes piorava, uma guerra estourava. Mesmo assim, Paimon estava interferindo com ‘Dantalian, que era um peão de Barbatos’. Ela estava me acusando estando ciente do possível resultado terrível.

A proporção desse plano era muito grande para ser realizado confiando em apenas um simples fator. Guerra não é algo que você faria sem pensar cuidadosamente. Mão de obra seria consumida, recursos seriam consumidos e até mesmo sua mente acabaria sendo desgastada.

A razão definitiva para o porquê de a Paimon agir.

O motivo para ele me acusar como o criminoso mesmo sabendo muito bem que o pior resultado possível seria a guerra.

Em outras palavras, uma prova incontestável.

‘Paimon tem evidências.’

Provas de que a Peste Negra não aconteceu por acaso.

‘Mas que tipo de prova poderia ser essa para que ela…… aha.’

Eu exclamei dentro da minha mente.

Entendo.

Por que não considerei isso mais cedo?

Deixando de lado Barbatos e Paimon, eu dei uma pequena olhada de canto de olho para a garota em pé diretamente ao meu lado.

Lapis Lazuli.

Se você parasse para pensar sobre isso então era bem simples.

Em 27 de Junho, Lapis Lazuli estava exatamente no local em que a primeira epidemia da Peste Negra ocorreu e testemunhou pessoalmente o exato dia em que a praga começou a se disseminar. Ela estava lá, no ponto origem.

Lapis Lazuli tinha ido para aquele local graças ao meu conselho, por mais nenhuma outra razão. Entretanto, do ponto de vista de um terceiro isso pareceria completamente diferente.

A súcubo por sorte havia comprado a erva negra, por sorte tinha sido a primeira pessoa a ver diretamente o surto e finalmente, por sorte a erva negra se provou capaz de curar a Peste Negra.

É assim que pareceria para um terceiro.

Isso não era possível, era o que eles diriam.

E Paimon teria concluído que ‘isso não era possível’.

Nesse caso, a hipótese seguinte seria mais plausível. Barbatos havia criado a Peste Negra e Lapis Lazuli havia utilizado algum método para espalhá-la na cidade. Depois disto, Lapis Lazuli havia escapado até Dantalian, o peão de Barbatos…….

 

A verdadeira culpada era Barbatos.

O peão era Dantalian.

A pessoa que executou o plano foi Lapis Lazuli.

 

Esse tipo de trama tinha sido estruturado.

Eu gostaria de negar isto como sendo nada mais do que uma baboseira sem sentido, mas bem pelo contrário, Paimon consideraria as minhas afirmações como sendo baboseiras sem sentido.

Se Paimon perguntasse, ‘Como você pode prever o surto da Peste Negra com antecedência e por que Lapis Lazuli estava lá?’. Eu poderia apenas responder com, ‘Eu sabia disto por causa do jogo’. E mesmo que eu mentisse e dissesse que ‘É por que eu tive um sonho precognitivo’, eu não poderia responder nada caso eles taxassem isto como besteira, Paimon julgaria isto apenas e puramente através de pensamento racional…….

‘Contudo, ela acabou me atacando por causa desta mesma racionalidade.’

Tudo bem então.

As ações da Paimon foram todas explicadas.

Se for isso mesmo, então restava apenas mais uma pergunta.

 

Quem havia contado para Paimon sobre o paradeiro de Lapis Lazuli?

 

Lapis estava disfarçada durante todo o tempo em que ela passou no local.

Apenas uma pequena quantidade de pessoas sabia que Lapis estava em Siracusa, à cidade origem da Peste Negra, entre 20 de junho e 16 de julho. Sendo sincero, havia apenas duas pessoas.

Uma delas.

‘Eu mesmo, que ordenei Lapis a ir lá.’

É claro, eu não havia contado nada para Paimon.

E a outra pessoa.

‘O indivíduo que não tinha escolha se não saber onde Lapis Lazuli estava trabalhando.’

Em outras palavras, seu superior.

A pessoa que recebia seus relatórios.

O antigo chefe de Lapis Lazuli.

Ivar Lodbrok——.

Virando minha cabeça, eu olhei para o velho vampiro. O cavalheiro idoso com uma barba bem crescida estava em pé fazendo nada, como se não tivesse nenhum tipo de envolvimento que fosse com a situação. Como um louva-a-deus se escondendo na grama alta aguardando calmamente para realizar uma emboscada, a camuflagem deste vampiro era extraordinária.

‘Sim.’

Você vem controlando tudo por baixo dos panos.

‘Era você.’

O cúmplice foi revelado.

A segunda etapa da minha dedução estava completa.

‘Eu vou admitir isto.’

Ivar Lodbrok era um predador bem decente.

Como uma leoa, ele tinha tentado me caçar cautelosamente. Do início ao fim o vampiro havia planejado e tecido uma teia ao meu redor. Novatos como o Lorde Demônio Andromalius ou o aventureiro Riff eram diferentes dele desde o nascimento.

Ele provavelmente era o maior oponente que enfrentei desde que fui jogado neste mundo.

Entretanto, havia uma chance que todas as minhas deduções estivessem erradas.

Antes de ir a caçada com força total contra Ivar Lodbrok, havia um fato que eu precisava verificar primeiro.

Eu murmurei em voz baixa.

“Lapis Lazuli.”

Assim que eu movi a minha língua.

O tempo que havia desacelerado temporariamente voltou ao seu ritmo normal. Os movimentos de Paimon, os sussurros das outras pessoas, até mesmo o vento que eu podia sentir no meu nariz, tudo havia recuperado a velocidade.

“……É por isto que esta dama demanda a punição imediata de Dantalian. Este assassinato é imperdoável!”

Paimon apontou para mim com seu leque e falou com emoção.

“Seria adequado ele pagar no mínimo uma sanção de 1.000.000 Libras como compensação pelo assassinato de Andromalius e o próprio Dantalian deverá ser confinado na Prisão Congelada por 15 anos!”

Eu me pergunto se eles pensaram que era uma punição excessivamente severa. As pessoas espalhadas aleatoriamente pelo salão começaram a ficar agitadas. Metade delas estava observando como se estivessem assistindo a algo interessante e a outra metade estava assentindo seriamente como se estivessem se divertindo com a situação.

Nesta situação, Lapis Lazuli respondeu baixinho.

“Sim, Vossa Alteza?”

“Eu quero que você siga as minhas próximas ordens sem questionar. Dê cinco passos para longe de mim e então, como se algo urgente tivesse ocorrido, prossiga até a entrada do salão rapidamente.”

“……Eu devo andar completamente para fora?”

A voz de Lapis Lazuli estava relativamente tensa. Bem, isso era inevitável nesta situação em que estávamos sendo acusados pela Lorde Demônio de rank 9.

Em consideração por seus sentimentos, eu sussurrei o mais levemente que pude.

“Não. Não há razão para fazer isso. A partir de agora a maior e melhor apresentação de circo que o mundo já viu está prestes a começar, então você deveria ficar aqui para assisti-la do início ao fim. Certifique-se de assistir do camarote.”

“Do camarote……?”

Lapis Lazuli estava um pouco perplexa com a minha atitude despreocupada.

Enquanto sussurrava com ela, eu estava examinando cuidadosamente cada canto do salão de baile. 65 personagens importantes estavam reunidos neste local. Mesmo sendo dono do cérebro mais brilhante de todos, se eu fosse tentar prestar atenção em todas as 65 pessoas aqui, então eu teria que me esforçar um pouco.

“Eu vou fazer uma contagem regressiva a partir do 5.”

Eu a comandei em um tom baixo.

“Mova-se no instante em que o número ‘um’ sair da minha boca. Cinco. Quatro. Três. Dois…….”

Um.

Lapis Lazuli moveu os pés.

Seguindo as minhas ordens, ela deu cinco passos para trás. Então, lentamente aumentando sua marcha, ela prosseguiu até a entrada do saguão.

‘Se houver algum cúmplice além de Ivar Lodbrok…’

Eu concentrei minha atenção em cada indivíduo presente neste local.

‘Eles não vão prestar atenção na marionete, Dantalian, mas sim na pessoa que realmente executou o plano, Lapis Lazuli.’

65 pessoas.

Dentre elas, a que encarasse Lapis Lazuli até o fim seria o ‘inimigo’.

Assim que Lapis se afastou, 21 das 65 pessoas se viraram para olhá-la instintivamente. Mas foi apenas por um instante. Elas logo perderam o interesse nos movimentos da pequena súcubo e voltaram o seu olhar para Paimon ou para mim. Para eles, não havia motivo para prestar atenção em Lapis Lazuli.

‘Venha.’

Eu sorri.

Pergunto-me se é porque meu cérebro trabalhou ferozmente agora a pouco, mas uma solitária gota de suor se formou em minha testa, um sinal de superaquecimento.

‘Mostrem-se, minhas presas.’

Ao se passarem 3 segundos os 21 suspeitos diminuíram para 15.

Depois do quinto segundo, os 15 suspeitos diminuíram drasticamente para 4.

Finalmente, após 11 segundos terem se passado…… havia apenas uma única pessoa.

Apenas Ivar Lodbrok.

O vampiro disfarçado de cavalheiro idoso observou Lapis Lazuli até o último instante enquanto franzia a testa.

‘Aha.’

Os cantos de minha boca se torceram.

‘Então você está me dizendo que não existem outros cúmplices além de Paimon?’

Então, o terceiro estágio da minha dedução estava completo.

Encontrei os motivos do culpado — encontrei o cúmplice do culpado — e finalmente, confirmei a autenticidade das minhas especulações — todos estes três passos foram perfeitamente completados.

‘Ivar Lodbrok, duas pessoas não são insuficiente?’

Na verdade, era extremamente insuficiente.

Oh, vampiro esperto.

Não só Paimon, você deveria ter trazido também Barbatos e Marbas para teu lado. Você diz ser a pessoa mais rica do mundo dos demônios. Não seria possível subornar Barbatos e Marbas se você tivesse usado toda a sua fortuna?

Mas ter trazido só um Lorde Demônio.

Oh, e, além disso, ser só a Paimon!

Para acabar com a pária mais odiada e desprezada do mundo, eu gastei toda a minha fortuna e recebi um empréstimo de 10.000 libras. Eu coloquei todo o meu futuro em jogo. Isso é o que significa ser um leão dando o máximo de si para caçar uma única lebre!

Se alguém vir até você com a intenção de te matar, então não hesite em usar tudo o que você tiver disponível.

Por ter encontrado tamanha descortesia, a minha alma lamentou-se profundamente.

O mundo estava mesmo transbordando com pessoas ignorantes quanto à etiqueta. Como alguém que tentava o meu melhor para viver da maneira mais cortês possível, essas tragédias do mundo sempre me causavam extrema infelicidade.

Como as pessoas conseguem ser tão sem vergonhas?

Por que elas não conseguem ser um pouco mais preguiçosas quando se trata de caçar as outras?

Por que as pessoas que aguentaram suas preguiças para caçar outras, são tão relutantes quando se trata de gastar um pouco mais de dinheiro, sendo que elas deveriam dar o máximo de si na caçada?

Minha segunda irmã mais nova dizia que eu tinha o cérebro mais diabólico de toda a humanidade, mas isso estava errado. Eu só não entendia por que as pessoas viviam a vida sendo ‘casualmente comprometidas’. Eu era realmente teimoso nesse quesito…….

Não havia nada que eu pudesse fazer para mudar isto.

Eu vou te ensinar pessoalmente como é a etiqueta apropriada.

Eu vou fazer você se arrepender por não colocar a sua própria vida em jogo, sendo que você decidiu por contra própria atrapalhar a vida confortável de outra pessoa.

“Esta dama sugere uma audiência formal! Eu, Paimon, como a Lorde Demônio de 9º rank e como a Senhora responsável pela justiça, gostaria de incriminar o Lorde Demônio de 71ºrank, Dantalian.”

Sim.

Para começar, Paimon.

Você foi o primeiro problema.

Você, através de seu pensamento racional concluiu que eu era um subordinado de Barbatos. Que eu havia ajudado e estimulado a propagação da doença e que não havia feito nada enquanto milhões de vidas inocentes eram perdidas.

Em ‹Dungeon Attack›, Paimon, era amigável com os humanos, mesmo sendo um Lorde Demônio. Ela tinha o hábito de se vestir como uma humana e sair à procura de homens humanos. Mesmo no jogo, o protagonista por acaso acabava encontrando Paimon, que estava disfarçada de humana, enquanto vagava pela cidade.

Paimon se apaixonou à primeira vista pelo herói. E, até ele deixar bem claro o seu posicionamento, ela continuou tentando conquistá-lo insistentemente. Até mesmo no seu fim, quando ela acabou sendo empalada pela lâmina do protagonista.

— Este meu corpo já está morrendo.

— Você não poderia conceder a esta dama um último beijo?

Desta forma, ela confessou seu amor pelo herói.

O herói, incapaz de recusar seu último desejo, beijou Paimon. Apesar de várias heroínas estarem almejando conquistar o primeiro beijo do herói, aquela que o roubou foi Paimon, uma Lorde Demônio inimiga da humanidade. Era uma história de amor bem estranha.

Devido à recém-propagada Peste Negra, grandes quantidades de humanos continuavam a morrer. Na perspectiva de Paimon, que considerava os humanos como seres inteligentes com os mesmos direitos que os demônios, a Peste Negra era uma calamidade imperdoável.

‘Eu não posso perdoar Barbatos por esta tragédia.’

‘Eu também punirei Dantalian que está agindo como o seu lacaio.’

Até este ponto estava tudo bem.

De um ponto de vista de acordo com o senso comum, isso estava correto.

Conforme as pessoas vivem suas vidas, é muito comum elas tomarem alguém como o culpado por engano. Entretanto, pensando logicamente, se um mal-entendido ocorresse você não deveria tentar conversar com a outra pessoa primeiro?

Por que você atacaria assim subitamente?

Você está naqueles dias? Talvez você também esteja sob a influência da Síndrome de sempre-naqueles-dias e está sendo manipulada pela sua turbulência sentimental irrefreável e incontrolável? Isso é um grande problema. Eu recomendo que você vá ao médico e tenha seus sintomas reconhecidos e tratados o mais rápido possível.

Mas antes disso, eu vou dar um jeito nessa sua cabeça.

Seja uma boa garotinha e deixe eu te ensinar o que é boa educação de verdade.

 

 

 


Tradutor: Yuere   |   Editor: BCZeulli


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