ZTJ – Capítulo 192 – Era uma vez… Três Pessoas (I)



CAPÍTULO ANTERIOR                                                                                               PRÓXIMO CAPÍTULO


O que é o destino? Esta palavra possuí inúmeros significados: nascer rico ou pobre, encontros especiais, o curso da vida com suas trajetórias em constante mudança e indescritíveis flutuações, ou é a misteriosa e desconhecida vontade dos céus?

Se o destino realmente fosse tal existência desconhecida, imutável, então este tipo de existência seria inútil. Naturalmente, os cultivadores não aceitariam tal conclusão. Quando os Tomos Celestiais caíram por sobre a terra, as pessoas do continente começaram a cultivar e tomar emprestado força das estrelas para mudar o curso da natureza. Eles refletiam sobre seu próprio destino, enfrentavam-no com um espírito totalmente destemido e se atreviam a mudá-lo.

A primeira conexão de cada cultivador no mundo ocorria na noite em que determinavam sua Estrela Destinada. Como resultado, a compreensão popular do destino refletia o vasto mar das estrelas à noite.

Desde os tempos antigos, as estrelas no céu noturno nunca mudariam, independentemente da posição ou brilho da estrela. Elas sempre brilhariam serenamente no mundo mortal. Naturalmente, havia um número infinito de conexões complicadas entre as inúmeras estrelas, e elas simplesmente não podiam ser desenhadas em papel na sua totalidade. As imagens dessas conexões formadas eram absolutamente impossíveis de se ilustrar.

As pessoas iriam olhar para as estrelas e ver aquelas imagens bonitas e complexas. Elas eram tão bonitas e complexas que seus corações começariam a palpitar de alegria. Naturalmente, acreditavam que estas imagens escondiam um significado extremamente profundo, eterno por detrás.

Incontáveis anos atrás, os poderosos membros da geração mais velha da Ortodoxia, vagamente perceberam uma sensação do reino dos seres celestiais. Especularam que algum tipo de poder escondido dentro das estrelas afetava o destino de todo o continente.

Quanto a vida de cada indivíduo, sua Estrela Destinada, a área em volta dela e todas as suas ligações eram, talvez, os seus destinos individuais.

Esse tipo de raciocínio estava de acordo com a filosofia do destino nas Escrituras Daoístas[1]. Era também uma das explicações mais difíceis de se entender: o destino era a visão generalizada das trajetórias sobre interações entre pessoas.

As infinitas estrelas podiam conter inúmeras vidas, esperanças e desejos. Mesmo a explicação correspondente do destino, que as pessoas achavam tão misteriosa, certamente poderia também ser encontrada dentro das constelações.

Poderia se dizer que, depois que uma pessoa nascesse, uma explicação correspondente da trajetória do destino dela apareceria dentro das estrelas. Tal poderia ser igualmente dito que, mesmo antes do nascimento de uma pessoa, o destino dele ou dela já existia dentro das estrelas, talvez como uma linha curta ou como uma grande constelação.

Se cultivadores quisessem mudar seu próprio destino, tinham que mudar essas linhas e imagens que delineavam seus destinos. Tinham que mudar primeiro o brilho e a posição de suas Estrelas Destinadas. Se realmente conseguissem mudar a posição e o brilho de suas Estrelas Destinadas para a posição que queriam, então as conexões entre as estrelas em torno mudaria da mesma forma, afetando o destino de outras pessoas ao mesmo tempo.

Destino nunca foi considerado uma existência independente. O destino das pessoas eram interligados uns com os outros, assim como as Escrituras Daoístas explicavam: o destino era a visão de trajetórias relativas à interação entre as pessoas.

No entanto, no passado, inúmeros astrônomos do continente deixaram para trás registros que explicavam que as estrelas, independentemente da sua posição ou brilho, nunca haviam mudado nada. Com tudo isso, era completamente impossível alterar o seu destino, por assim desejar mover a Estrela Destinada. Quem tinha poder suficiente para se levantar da terra e afetar os céus? Quem poderia agarrar as estrelas do mundo mortal?

No final do livro do Pandecta das Escrituras Daoístas, a seção sobre destino só tinha um total de, aproximadamente, seiscentas palavras. Mencionava algumas possibilidades simples no segundo parágrafo, que incluía o cultivador ser capaz de realmente entrar no Reino da Grande Libertação ou ser capaz de alcançar tal conquista. No entanto, este Reino da Grande Libertação era ainda mais misterioso que o Reino do Divindade Oculta. De acordo com a lenda, apenas existia na imaginação das pessoas — era considerado um mito. Então, como poderia ser tratado como algo verdadeiro?

Então, havia realmente alguém que tinha tido sucesso em mudar seu destino? De acordo com os registros dentro das Escrituras Daoístas e as declarações dos funcionários, tal coisa nunca havia ocorrido desde que os Tomos Celestiais haviam caído na terra. Mesmo que realmente tivesse ocorrido antes, ninguém teve a coragem de discutir publicamente devido à falta de evidência e seus excessivos efeitos de longo alcance.

Na verdade, sempre houve uma espécie de raciocínio ou conjectura entre as pessoas que diziam que, nos últimos mil anos, a mudança do destino deveria ter ocorrido três vezes.

Somente aqueles envolvidos na mudança do destino tinham o poder de eliminar todos os registros no observatório imperial e de outros vários. Eles tinham o poder de causar medo no mundo humano caso se discutisse sobre esse assunto. Assim se dava porque os envolvidos que desafiaram os céus três vezes, agora, eram todos monarcas.

Os três eram o Imperador Taizu, o Imperador Taizong e a… Imperatriz Divina da Dinastia Zhou.

Há mil anos, o império anterior começou a mostrar sinais de corrupção e as pessoas viviam na beira da miséria. No norte, a raça dos demônios olhava avidamente para o Império, e no sul, várias famílias aristocráticas estavam se rebelando. Surgiram incontáveis exércitos e guerras foram sendo travadas continuamente, terminando por destruir quase toda a paisagem.

Em meio a uma constante guerra, inúmeros peritos vieram à tona em todo o continente, e até mesmo vários especialistas do Reino Santo continuamente apareceriam. Este também foi o primeiro período de crescimento explosivo que o mundo do cultivo experimentou.

Por um tempo, as bandeiras no portão de Luoyang mudaram inúmeras vezes. Um dia um grande general iria destronar o Imperador atual e matar para abrir seu caminho para as colinas orientais, e no dia seguinte, um segundo jovem mestre da família Xiao, do sul, de repente, iria mudar de lado e chamar-se-ia de “Sima”. Ele aceitaria a admoestação[2] escrita do Monte das Virgens Santas e conjecturaria um golpe de estado com especialistas de várias seitas. Ninguém sabia quem exatamente limpou a bagunça de uma paisagem tão destruída no final.

Nesse tempo, Taizu era um oficial do Condado de Tianliang. Como tinha relações com a mais amada concubina do imperador deposto, ele era confiável e mantido em alta consideração, e devido a isso ele foi ordenado a guardar a cidade. Poderia-se dizer que ele era um homem demasiado comum. No entanto, em incontáveis anos, ele nunca havia deixado a área do Condado de Tianliang para ir à Montanha da Bifurcação, até mesmo por meio passo ele não o fez.

Na visão dos plebeus, ele era extremamente medíocre e sem ambição. Quando comparado com os grandes lordes que eram o centro das atenções naquele momento, era como se ele estivesse de pé no escuro, e verdadeiramente ninguém acreditava que ele seria capaz de conquistar o mundo. Quando se discutisse sobre quem tinha poder, ninguém sequer mencionaria seu nome. A massa acreditara que o Condado de Tianliang tinha uma posição geográfica decente somente, e que os espertos filhos de Taizu poderiam se proteger neste momento de proeminente emergente, assim suportando pacientemente e, posteriormente, se rendendo à força mais forte naquela época.

Entretanto, quem teria pensando que depois de tantos anos a situação no continente iria mudar tão rapidamente? Grandes lordes lutaram sem descanso, assim causando grandes perdas e danos a todas as forças. Ao mesmo tempo em que Taizu construía uma resistência no Condado de Tianliang, ele, lentamente, crescia no poder. Um dia, levou um grande exército de trinta mil para leste da Montanha da Bifurcação e, em verdade, conquistou dezessete cidades em somente um piscar de olhos nesta ida. Ele formou alianças com muitas famílias aristocráticas do sul e igualmente recebeu o apoio total do Dao. Na verdade, ele alcançou uma grande vitória contra os Rebeldes da Colina do Tigre, que eram famosos por sua valentia fora da Cidade de Luoyang. Ele os aniquilou com êxito em seu caminho para a cidade. No segundo ano, ele conquistou a capital e oficialmente tomara o trono na frente do Mausoléu de Livros. Então ele, assim, uniu o mundo.

Olhando para este período da história, quando o Império da Dinastia Zhou fora fundada, havia muitas peças que não podiam ser explicadas e muitas coisas que não poderiam acontecer caso se seguisse um pensamento lógico de eventos. Por exemplo, os grandes lordes poderiam ter olhado mesmo que de relance ao Condado de Tianliang no início, e destruir Taizu que era ainda fraco no momento. Nas três primeiras batalhas sangrentas, quando Taizu chegara à Montanha das Bifurcações, só quando a situação estava prestes a tomar um rumo negativo, ele sempre seria capaz de sobreviver e mudar, o infortúnio, em bênção. Nas ininterruptas dúzias de intensas batalhas fora da cidade de Luoyang, Taizu deveria ter encontrado o seu fim, mas ele não se entregou, como se houvesse algum tipo de poder oculto sempre a protegê-lo.

Se foi sorte, então essa sorte grande que iria durar por tanto tempo poderia somente ser chamada de destino.

Depois, Taizu subira ao trono na capital, e vários sábios lideravam inúmeros generais famosos em expedições por todo o lado. As várias seitas e famílias aristocráticas do sul tinham todos tornado-se seus súditos, e os grandes lordes que não estavam dispostos a aceitá-lo foram eliminados. Por um tempo, todos os heróicos personagens do mundo foram sendo mortos, capturados ou enviados para a capital. Como esses especialistas podem resignar-se? Todos eles infinitamente amaldiçoaram em alta voz nos locais de execução.

Foi nesse tempo que uma lenda começou a se espalhar. A razão pela qual o Imperador Taizu poderia sobressair os especialistas do mundo e matar em seu caminho para alcançar a vitória enquanto, aparentemente, parecia ser uma pessoa comum por conta de que, na prévia meia dúzia de anos, ele se concentrara unicamente ao cultivo. Em essência, ele tinha formado uma aliança com o líder do Dao naquele tempo e havia usado alguma espécie de técnica secreta para alterar o seu destino, mudando, assim, sua Estrela Destinada para uma Estrela Imperadora.


¹-道藏 / 道典 (道 (Dào) = Caminho, Estrada, etc)— Escrituras do Caminho, Clássicos do Caminho, Canon Daoísta, Pergaminhos Daoístas, etc.
²-Admoestação é uma observação crítica com o intuito de censurar, de repreender.


Se você gosta do nosso trabalho, da novel e quer nos ajudar,
Não esqueça de Avaliar Ze Tian Ji na Central Novel e deixar seus comentários.
Isso é de extrema importância para nós. Muito obrigado!
dragão


Tradutor: Vaan   |   Revisor: Enxarcado   |   QC:Asura


CAPÍTULO ANTERIOR                                                                                               PRÓXIMO CAPÍTULO



Fontes
Cores