VM – Capítulo 76 – Novo começo.



-Calie.

Sem saber como ou porquê, Calie estava constantemente ansiosa, em vários momentos do dia ela se pegava pensando em Tyler (isso era, quando não estava chorando por sua mãe).

Ela já tinha mandado algumas mensagens para ele, mas tudo indicava que ele nem se quer as visualizou. Depois de muito relutar ela tomou coragem e ligou no escritório, um rapaz com a voz excessivamente jovem lhe falou que o local para onde ele tinha ido não tinha área de telefones, mas em breve voltaria e que qualquer coisa na qual necessitasse, ela apenas precisava pedir e seria dado.

Isso era outra coisa que tinha lhe tirado do sério, que diabos de emprego era esse. Tyler quitou todas as suas contas, as despesas médicas de sua mãe, bem como as taxas do funeral, além da hipoteca e outras dívidas do cartão de crédito.

Por mais que ela pensasse, não havia lógica nisso. Como Tyler disse a empresa mandaria um carro para ela, na sua mente era um sedã ou um compacto típico, como aqueles que as empresas alugam para seus funcionários. Contudo o guincho deixou uma mercedes nova, dentro do carro tinham muitas outras coisas, um notebook desses novos da espessura de uma caneta, um celular também top de linha. Talvez a coisa que a deixou mais desconcertada era uma pequena caixinha com cartões de visitas.

Calie tinha trabalhado em uma empresa de táxiaéreo e, sem dúvida, tinha visto diversos executivos, de vez em quando alguns lhe davam uns desses cartões na esperança de que ela retornasse, ela nunca ligou para nenhum deles, mas aprendeu a reconhecer um cartão de luxo quando o via. E esse era um deles, o mais surpreendente era o que estava escrito. Caterine Smith: Gerente de Aquisições.

No outro dia ela recebeu um e-mail, do qual ela nem sabia que tinha, mandando ela ir em determinadas lojas de grife, encomendar roupas. Em uma nota do rodapé Tyler tinha deixado claro que esse era um subsídio da empresa e como eles viajariam muito e fazendo várias reuniões era imprescindível que ela estivesse bem-vestida, até aí ela entendeu, porém o mais desconcertante era o valor. Cerca de 50.000 dólares além de outra nota posterior dizendo que os filhos dos funcionários também poderiam usufruir desse subsídio.

“Ele está dando um dia de compras para mim e minha filha?” Calie falou sem entender, na verdade quanto mais ela tentava colocar alguma lógica nessa equação, menos lógica ela ficava.

Calie pegou um papel e colocou todos os seus pontos fortes e qualidades. Fez isso uma, duas e três vezes e mesmo depois de enumerar tudo, ainda não entendia a razão de ser tão bem paga. Só aquele subsídio era maior que muitos salários anuais.

Ela não sabia o que uma gerente de aquisições fazia, mas esse era o seu cargo agora, apenas uma coisa que ela tinha certeza era de que tecnicamente não possuía capacidade de exercer uma função como essa.

Parece que sua mãe tinha amarrado Tyler de algum modo para que ele cuidasse dela, em circunstâncias normais ela rejeitaria esse tipo de “assédio” que Tyler estava fazendo. O que um homem queria lhe dando tantos presentes e dinheiro?

A vida tinha lhe mostrado que nada vinha de graça, e homens de negócios nunca fazem nada para perder, em algum momento ele cobraria de volta, agora de que forma era o que mais lhe preocupava.

A sensação de dívida dentro dela crescia a passos largos, não só por causa dos bens materiais, mas por tudo o que ele tinha feito por ela quando sua mãe estava doente, ele tentou garantir o melhor atendimento médico que o dinheiro poderia garantir, estava lá quando sua mãe se fora e viu, sem sombra de dúvidas, a tristeza dele.

Até agora ele não tinha mentido para ela, até agora o relacionamento dos dois tinha sido uma via de mão única.

Calie viu que não podia mais estar nessa situação e naquele momento tomou uma decisão. Ela trabalharia ao máximo para retribuir Tyler.

Tyler tinha lhe dito que passaria mais ou menos uma semana fora, Calie usou esse tempo para se preparar.

Primeiro ela foi às compras, ela amou passear e curtir esse momento com sua filha. Não por estarem gastando e comprando, mas por terem um momento de paz e tranquilidade.

Naquela noite ela estava tão cansada que dormiu quase que instantaneamente depois de deitar-se. Abraçada com Mel ela se deu conta de que não se lembrava mais a última vez que não dormira sem se preocupar com contas, hipotecas ou coisas do tipo. As únicas coisas que vinham na sua mente era sua mãe e aquele distinto senhor de cabelos brancos.



-Tyler

“Boa noite!” Tyler falou aos rapazes quando entrou na sala.

“Boa noite tio Tyler, que bom que o senhor já está de volta, como foi?” Night Up perguntou.

“Sim, felizmente tudo correu bem.”

“O senhor não parece muito bem.” Shift comentou.

“Ontem eu tive que fazer uma coisa que eu não gosto de fazer, mas infelizmente foi preciso.” Tyler suspirou.

“E o que foi?” Shift estava curioso.

“Arrancar ervas daninhas…”

O clima ficou pesado, os mais velhos entenderam na hora o que as palavras de Tyler significavam, contudo Shift que era o mais jovem ficou sem entender.

“O senhor está trabalhando com jardinagem?” Shift franziu o cenho.

“Não, infelizmente não.” Tyler só pôde rir com uma dessas.

“Então com… AI!!!” Pendrive deu um tapa na cabeça dele para que ele se calasse.

“Tio Ty, o que devemos fazer com essa mulher, a Calie?” Pendrive perguntou.

“Vocês fizeram o que até agora?” Tyler quis saber para ter uma base.

“Nós lhe mandamos um carro novo, computador, telefone e coisas do tipo para que ela pudesse trabalhar, além de disponibilizarmos aquela quantia que o senhor tinha deixado. Ela vai trabalhar conosco?”

“Sim, estou pensando em deixar ela encarregada do setor de aquisições, ter ela no time pode ajudar indo em reuniões que eu não posso ir, e também deixa vocês mais livres.” Tyler explicou.

“Agora eu entendo, ela sabe da verdade?” Night Up perguntou.

“Não, e vamos mantê-la no escuro por enquanto.”

“Ela ligou aqui umas duas vezes atrás do senhor, acho que ela não sabe quais são as intenções do senhor.” Ele explicou.

“Como assim?”

“Bem todos os computadores e celulares nossos são hackeados, ela tem procurado muitos vídeos no YouTube sobre como agir numa mesa de negócios, ou como ser uma boa secretária.”

Tyler pensou em reclamar sobre os meninos estarem hackeando o computador dela, mas se lembrou que esse era basicamente o trabalho deles. “Vamos conversar um pouco e depois eu passo lá mais tarde.”

“Ok, o senhor quer falar sobre o quê?”

“Podemos começar a comprar as armas e as munições.” Tyler falou.

“Estive vendo com outros hackers e achamos que seria muito mais útil se em vez de comprar, fizéssemos um Por Para. Night Up sugeriu.

Essas palavras soaram como um estalo na mente de Tyler, como ele não tinha pensado nisso antes?

Ao menos no que constava no papel ele era dono de uma grande empresa de venda de armas, fazer um Por Para, seria a solução mais correta.

Esse método de negócios consiste em alugar uma empresa ou fazer com que os produtos dela saiam de fábrica com o seu próprio rótulo. As grandes redes de supermercado fazem esse tipo de negociação quando querem lançar uma linha própria.

Se Tyler fizesse assim poderia garantir um preço bem menor que o de mercado e se quisesse teria algumas personalizações exclusivas. “Seria muito bom, já viram alguma empresa que poderia fazer?”

“Já sim, temos ótimas candidatas para as munições e para o lote de AK-47.” Night Up falava enquanto procurava uma folha com os nomes das empresas.

Desde o governo Obama não se pode importar armas da Rússia, isso gerou um novo nicho de mercado em solo americano e em pouco tempo fábricas americanas começaram a fabricar seus próprios lotes de AK-47.

Como Tyler pediria para que eles fizessem sob encomenda, mudaria o calibre do original 7,62x39mm para o 5,56x45mm NATO. Esse último é o utilizado por todos os fuzis da Otan, então se por algum motivo ele quisesse usar um M-4, M-16, FN-Scar ou qualquer outro desses não precisaria ficar nem levando munições a mais e quando fosse possível fabricar no outro mundo, seria um modelo a menos.

Todo o processo de fabricar um cartucho é extremamente complicado, todos os componentes envolvidos têm que ser precisamente computados. O estojo na qual a pólvora e o projétil vão, tem que ter uma espessura determinada para o tipo de pólvora e projétil. Existem pólvoras de queima lenta, média e rápida. O próprio projétil pode ter materiais e formas diferentes, existem aqueles de chumbo, os de bronze, os de aços, os mistos. Uns são maciços, outros tem ponta oca e cada um tem sua função.

Ou seja, Tyler já tinha que se preocupar com muita coisa, e ficar variando os calibres só traria mais dor de cabeça.

“Vamos ver isso ainda essa semana!” Tyler falou.

“As encomendas da china começaram a chegar, mandamos para o armazém?”

“Claro, eu vou entrar em contato com os fornecedores e farei outros pedidos em breve, recentemente eu tenho pensado em uma coisa, como é a praia de vocês, queria suas opiniões.”

“Sobre o quê?”

“Supercomputadores, será que seria vantajoso comprar um?” Tyler quis saber.

“Comprar não, mas fazer um, seria!” Night Up disse animado.

“Como?”

“As peças normais são muito caras, mas se usarmos consoles de videogames podemos fazer um muito bom com um preço bem mais baixo!” O rapaz de repente estava excitado.

“Isso dá certo?” Tyler não estava muito convencido.

“Sim, o pessoal do MIT já fez uma vez, consoles de videogames são excelentes pois foram projetados para rodar gráficos de alta resolução e uma IA muito avançada, então o processador e a memória deles é bem melhor que a dos computadores comuns. Se ligarmos em série, dá certo.”

“Quantos são precisos?”

“Depende do tamanho que o senhor quer, mas se comprarmos uns 300 playstations, seria um jeito muito bom para as nossas necessidades no futuro.”

Um supercomputador serve para fazer cálculos avançados, seja para uma trajetória de foguetes ou mesmo para o desenvolvimento de máquinas ou materiais. Era pensando nesses últimos que Tyler tinha pensado.

“Podíamos integrar todos os nossos arquivos nele e fazer uma biblioteca!” Mouse falou.

“É possível?”

“Não será tão simples, mas com dinheiro é sim!” Night Up falou.

“Vamos fazer então, mas acho que devemos encomendar o software que gerencia tudo em uma empresa, será mais rápido e garantido.” Tyler falou, mesmo que esses meninos fossem muito inteligentes, essa não era área deles, uma empresa tem o Know-How e muitas conexões, planejar um software que gerencie isso seria muito mais fácil.

“Concordo, mas acho que podemos muito bem cuidar da parte física do computador.” Night Up disse.

“Se acham que podem, façam. Apenas lembrem-se da nossa missão principal e do nosso tempo.” Tyler lembrou.

“Vamos sim!” Todos responderam juntos.

“Eu vou resolver aquele problema com a Calie, nos vemos amanhã.” Tyler se despediu.






Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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