VM – Capítulo 74 – Arrancando as ervas daninhas.



Tyler não podia deixar de ter um sorriso sínico no rosto, esse pivete tinha sim alguma habilidade, mas era somente baseada na força e velocidade. Antes Tyler era apenas superior em técnica, mas depois de ter seu corpo renovado pelo fruto de yggdrasil e comer diariamente frutas nutridas com núcleos de feras, ele era um jovem numa carcaça antiga.

Mesmo agora sua força e velocidade estavam a par com a de Hélio.

Tyler de modo algum se deu ao trabalho de terminar essa luta rapidamente. No primeiro ataque de Hélio, Tyler usou suas habilidades de krav magá e o desarmou.

Pronto, a sessão de pancadaria estava aberta!

Phaaa… Phaaa… dois socos rápidos no estômago fizeram Hélio retroceder.

O som das armaduras era seco e abafado, Tyler teve certeza de que a potência dos seus golpes foram diminuídos, mas secretamente ele gostou, afinal essa luta duraria mais.

Tyler chutou a adaga de Hélio para longe. “O quê está fazendo aí? Venha, não seja um garotinho tímido.” Ele zombou.

“Ora seu verme!” Hélio estava muito além de qualquer raiva já sentida antes, sua razão havia se evaporado, tudo o que ele queria era estraçalhar esse velho na sua frente.

Com ambos lutando de mãos limpas a batalha ficou mais rápida e próxima. Hélio socava e chutava como se não houvesse amanhã, contudo Tyler apenas desviava ou defendia de vez em quando.

Até mesmo uma criança poderia ver que Tyler estava fazendo Hélio de capacho!

“Quase sinto pena!” Macal disse para Rafir, tanto ele como o resto da plateia tinham expressões complicadas no rosto. O estado de Hélio era deplorável, ele já tinha um olho roxo e sua armadura brilhante estava completamente amassada.

“Eu não, esse babaca está provando do próprio veneno, a vida dele era humilhar as pessoas, agora ele está sendo chutado feito um cachorro morto na frente de todos aqueles  que ele queria mandar!”

Tyler fez o que quis, chutou, socou, bateu, fez Hélio pegar a adaga diversas vezes só para desarmá-lo e derrubá-lo no chão novamente.

Depois de 40 minutos de surra Hélio disse desanimado. “Eu desisto…”

“Quer desistir em um duelo de vida ou morte? Você é burro ou retardado?” Tyler perguntou.

“Ora seu!” A raiva era grande, porém o que ele podia fazer? “Meu rei, eu desisto do duelo!” Ele pediu clemência.

“Idiota e sem honra, pede um duelo de vida ou morte e depois desiste?” Otaviano ficou visivelmente raivoso.

“Caso queira se matar eu deixo.” Tyler falou.

“Você fala demais, velho!” Hélio cuspiu.

“E você ainda está falando… erro meu.”

Consumido pela vergonha e pela fúria Hélio largou tudo em um último e desesperado ataque.

“Se é assim, vamos terminar!” Tyler disse.

Desviando do golpe e aproveitando a abertura, Tyler executou um golpe de judô e o lançou ao chão como um saco de batatas. Sem dar mais espaço para brincadeiras Tyler montou em cima dele e começou a esmurrá-lo.

Nada de floreio ou técnicas, apenas força bruta e raiva. “Desde o dia em que eu cheguei aqui você vem me atrapalhando, tentou me matar quando nos conhecemos e depois como um monte de merda que você é ainda tentou me envenenar!”

As pupilas de Hélio se contraíram.

“Sim, eu percebi quando tentou me envenenar.” Tyler socou mais uma vez fazendo vários dentes voarem pelo salão.

“Seu maldito estrangeiro, ninguém sabe de onde veio! Haverá dezenas de outros que não confiarão em você e tentarão matá-lo!” Hélio reunia suas últimas forças para tentar mudar a opinião a seu favor.

“Pode ser, mas isso será problema meu!” Pela primeira vez na luta Tyler sacou sua faca, ele golpeou uma… duas… mas apenas na terceira vez a faca conseguiu passar pela armadura.

Hélio tentava reunir todas suas forças para tirar a faca empalada no peito.

Devido ao forte atrito com o metal, Tyler não conseguiu empurrar mais do que três centímetros. “Agora acabou!” Sem esperar mais Tyler se levantou e pisou com toda força no cabo da faca!

O som de metal rasgando preencheu o ar junto com o de Hélio tossindo sangue. “Não morreu? A armadura deve ter desviado a lâmina do seu coração, porém só lhe deu alguns poucos segundo a mais!”

Tyler se abaixou e puxou de volta a faca, o serrilhado ficou preso na chapa da armadura, fazendo com que o corpo débil de Hélio se curvasse junto quando Tyler retirava a lâmina.

Phack!

Depois de subir meio metro no ar, Hélio caiu morto no chão!

Ninguém falava nada no salão, muitos tinham expressões enjoadas no rosto.

“O vencedor do duelo é o lorde Newman!” Um servo quebrou o silêncio.

Tyler pensou que haveria aplausos ou coisa assim, porém todos com exceção do rei se ajoelharam.

“Muito bom, eu rei Otaviano I, nomeio Tyler Newman como meu herdeiro e sucessor direto ao trono!”

Tyler se ajoelhou ao rei, agradecendo e depois se virou à multidão. “Eu sei que as palavras desse verme entraram em seus corações, alguns de vocês me temem por não me conhecer, alguns de vocês não querem que o reino caia nas mãos de um estrangeiro. Para aqueles que acham o contrário, para aqueles que não me querem no trono, eu vou lhes dar uma última chance, hoje e somente hoje, eu aceitarei o desafio de qualquer nobre para um duelo, pode ser você ou um guerreiro seu!”

A multidão ficou impactada, ninguém pensaria em uma coisa dessas.

“A seu próprio modo eu vejo uma certa razão nas suas maneiras de pensar, contudo eu repito, essa será a sua última chance, não levarei em conta isso no futuro, mas se eu ver qualquer traço de traição, vou arrancar sua casa da história! Quem quiser me desafiar traga 500 moedas de ouro.”

Tyler terminou de falar e se sentou nos degraus que levavam ao trono onde o rei estava sentado.

Alguns bons minutos se passaram antes que alguém se pronunciasse.

“Eu quero desafiá-lo!” Um senhor saiu de trás da multidão.

Tyler não se recordava de tê-lo visto antes. “Ótimo, qual o seu nome?”

“Sou Tácio, senhor da cidade de Zana.”

“Você vai lutar ou outra pessoa vai representá-lo?” Tyler quis saber.

“É um duelo de vida ou morte?” Tácio perguntou cauteloso.

“Se você quiser.” Tyler deu de ombros.

“Será um duelo comum, quem admitir a derrota ou ficar incapacitado, perde.” Ele propôs.

“Eu aceito.”

“Então meu filho vai lutar.” Tácio falava enquanto trazia seu filho ao centro do espaço.

“Quer por uma armadura, ou quer que eu tire a minha?” Tyler perguntou.

“Sem armaduras.” O jovem falou.

“Mãos nuas ou facas?”

“Mãos nuas.”

“Ótimo, eu vou tirar minha armadura e volto.”

***

Em pouco tempo ambos os homens estavam se encarando.

“Não sei seu nome.” Tyler falou.

“Cádimus.”

“Bom, tenho que admitir que você tem coragem, depois eu vou montar meu exército, vou precisar de homens assim, venha falar comigo nesse tempo.”

O rapaz assentiu e avançou.

Seu estilo de luta era rápido e decisivo, não tinha muitos golpes perdidos, cada soco procurava uma área crítica do corpo. Tyler teve que elogiar tal técnica, que embora não oferecesse tanto risco a ele, tinha um grande potencial se fosse lapidada.

Tyler ficou um tempo na defensiva enquanto analisava os padrões de movimento. Quando finalmente ele conseguia prever os próximos movimentos, ele quebrou a sequência de golpes de Cádimus com um único gancho de direita.

O engraçado foi que o pobre rapaz desmaiou em pé e Tyler teve que segurá-lo para que não se machucasse mais com a queda.

“Próximo!” Tyler falou enquanto o pai levava seu filho de volta.

“Sabe o que o mestre está fazendo?” Macal perguntou para Rafir.

“Está acabando com qualquer oposição futura, já havia falado com o mestre Newman antes e ele tem grandes planos, talvez ele não queira perder tempo com coisas pequenas mais para frente.”

“Oh, muito sábio da parte dele.” Macal elogiou.

“Sim, e ao mesmo tempo quem não teve coragem de desafiá-lo hoje terá mais medo no futuro, o mestre é bondoso e implacável, quem está do seu lado colhe grandes frutos, mas quem se opor a ele será eliminado.”

“É por isso que ele foi tão brutal com Hélio?”

“Céus, você não pegou o recado? Mesmo eu fiquei arrepiado, até agora estou feliz por não ser ele!”

“Verdade.” Macal assentiu, mesmo ele sendo um sábio de renome ainda lhe faltava uma certa capacidade de entender as interações humanas.

“Quero um duelo até a morte!” Outro homem falou depois de um tempo.

“Bom, mostre o dinheiro e venha.”

O homem jogou o saco de moedas e falou. “Quero lutar com espadas!”

“Não uso espadas, se quiser que eu lute com espadas, pague o dobro.” Tyler nem forçou muito, ele também estava doido para usar Gram.

Outros dois homens ficaram ao lado do que havia desafiado Tyler e passaram outra sacola de dinheiro.

‘Estão jogando juntos.’ Tyler pensou.

“Aqui está!” Ele jogou o saco de moedas.

“Vamos começar.” Tyler foi até Rafir que segurava seus equipamentos e pegou sua espada.

“Cuidado, esse é o lorde Ziriu, ele é conhecido por jogar sujo, ele andava com Hélio desde o princípio.” Rafir avisou.

“Obrigado.” Tyler falou enquanto redobrava a atenção.

Lorde Ziriu escolheu ele mesmo para lutar, ele era um homem alto e forte, e tinha a pele morena, Tyler pensou agora que viu poucas pessoas com a pele mais escura nesse mundo, ele tinha visto caucasianos, asiáticos e até nórdicos, mas quase nunca pessoas com a pele mais escura.

Ele usava uma espada curvada muito parecido com uma Kopesh. Tyler não era um espadachim, mas ele entendia de espadas, e o desenho dessa era para ser usada em golpes longos e abertos a fim de desmembrar o oponente.

“Pronto?” Tyler perguntou.

“Ahhh!!!” Sem responder o homem avançou como uma flecha.

Tyler mal teve tempo de se abaixar quando sentiu um vento frio no topo da cabeça.

‘Verme maldito, quer me pegar desprevenido!’ Tyler deu dois passos para trás para recuperar o equilíbrio, e depois atacou.

Gram era leve, ágil e equilibrada. Com o mínimo de movimento ela fazia uma dança no ar.

Tyler não era um conhecedor de técnicas, ele conhecia seu corpo bem. E com base nisso ele lutou.

Em um momento oportuno Tyler colocou força e parou com sua espada um golpe rápido que vinha contra o seu pescoço.

Toda a sala ficou boquiaberta com o resultado, não porque Tyler tinha parado o golpe, mas sim porque sua espada tinha entrado em mais da metade da lâmina do adversário.

Tyler teria que elogiar Denys no futuro, nem ele imaginaria isso. Ele girou o pulso e fez com que a espada sacasse da mão do adversário.

“Espere, eu nã…”

Fap!

Tyler degolou Ziriu. “Você não me esperou e quer que eu espere?”

Embora Tyler já tivesse matado antes, ele nunca degolou ninguém. Quando a cabeça se separa do corpo e cai no chão, o som produzido é quase igual ao de um melão caindo, e para completar o coração ainda bate por um bom tempo, tempo esse suficiente para bombear todo o sangue do corpo fora!

E como um chafariz vermelho, Ziriu caiu de joelhos, a cada batida de seu coração, o sangue esguichava longe.

“Alguém mais?” Tyler perguntou de novo se aproveitando dessa cena macabra.

Dessa vez mais ninguém se atreveu a desafiá-lo, mesmo os homens que ajudaram Ziriu a pagar pelo duelo, não se atreveram a falar nada.

“Se já acabaram com as brincadeiras, eu vou terminar por hoje!” O rei Otaviano falou. “As terras dos lordes Hélio e Ziriu irão para o lorde Newman, agora saiam do meu salão, pois eu quero falar com ele a sós!”

Com aquelas palavras duras do rei, a multidão saiu muda.

Depois que só restava os dois o rei falou. “Agora que seu show terminou, nós temos muito o que conversar.”

“É, temos sim!” Tyler respondeu.




Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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