VM – Capítulo 61 – Céu sem anjo e desejo realizado.



Ainda era cedo quando Tyler chegou ao aeroporto particular, mesmo assim ele já havia despachado o carro-forte carregado de metais preciosos para New York.

Tyler viajaria à Hollywood para rever Denys da Hollywood Costumes e ter uma compreensão melhor do andamento das entregas. Além de que, os rapazes tinham encontrado uma firma de construção especializada em fazer casas tendo como base o uso de contêineres velhos.

O motivo de ser tão obsessivo em colocar tudo em contêineres era simplesmente para facilitar sua vida no futuro, Tyler não queria passar o resto de sua vida naquela cidade, na verdade ele ainda estava muito inseguro de onde realmente ficaria depois que se estabelecesse.

Mesmo que levasse muitos caminhões capazes de transportar, não seria fácil treinar os motoristas em tempo hábil, mas seria muito mais fácil colocar os containers em cima dos reboques e puxar com ajuda de animais.

Depois de esperar um pouco, Tyler viu aquele maravilhoso pássaro de metal fazer seu pouso.

“Seja bem-vindo novamente!” O comandante Trevor o saudou.

“Obrigado, é um prazer revê-lo.” Tyler assentiu e entrou na aeronave.

“Bom te ver, Ty!” Andrew falou.

“Posso pegar sua bagagem?” Uma voz feminina falou.

Tyler olhou estranho, essa não era a voz de Caile. “Você é?” Ele não pôde deixar de perguntar.

“Desculpe-me, eu sou Jéssica, serei a comissária deste voo!” A moça se apresentou.

Tyler sorriu e se apresentou também, mas não pôde deixar de lançar um olhar estranho para os rapazes.

“Ela teve um problema de família, já faz uns dias que não vem trabalhar!” Andrew respondeu vendo a expressão dele.

“A mãe?” Tyler quis saber.

“Achamos que sim.” Trevor respondeu.

“Certo…” Tyler respondeu qualquer coisa, não era nem o fato de Calie não estar no voo que o deixou preocupado, mas sim a situação que ela poderia estar passando nesse momento.

“Posso cuidar da sua bagagem?” Jéssica perguntou.

“Claro, me desculpe.” Tyler respondeu e sentou-se na poltrona.

Ele pegou o celular e ligou para Night Up, depois de alguns toques o jovem atendeu.

“Sol” O jovem falou.

“Alasca.” Tyler respondeu, esses eram os codinomes do dia, se qualquer resposta diferente fosse dada eles saberiam imediatamente que algo estava errado.

“Precisa de alguma coisa?” O rapaz perguntou.

“Eu quero que encontrem uma pessoa para mim…”

Tyler passou o nome de Calie e todos os dados que conhecia. Foi bastante rápida a resposta, Night Up pegou o nome completo de Calie nos dados do voo passado, e com esses dados pesquisou tudo dela.

“A mãe dela está internada em um hospital, ela parece que está acompanhando a mãe.”

“Será que tem um jeito de você conseguir o prontuário?” Tyler perguntou.

“Hoje em dia todos os arquivos dos pacientes são digitais, mas vai demorar um tempinho, Firewall de hospital não é tão fácil de atravessar como parece.”

“Ok, eu posso esperar, mas por favor, ponha isso como prioridade.” Tyler pediu.

“Vou fazer o meu melhor.” Night Up assegurou.

Impacientemente ele esperou por uma hora até que o prontuário lhe fosse mandado, e infelizmente as notícias não eram nada boas.

Clare vinha lutando contra um câncer de mama, já há algum tempo, mas agora ele chegou a um estado irreversível, o câncer tinha se espalhado por todo o corpo causando metástase.

Não havia mais nada a ser feito, a não ser garantir uma morte sem dor e o mais confortável possível. Junto com o prontuário veio também um resumo completo da situação financeira das duas.

Calie tinha hipotecado a casa para garantir o dinheiro para o tratamento da mãe, porém não foi o suficiente, ela juntando empréstimos e cartões de crédito, eram quase 50.000 dólares em dívidas.

Tyler ligou novamente para Night Up. “Alasca.”

“Sol.” Ele respondeu.

“Eu quero que quitem todos os débitos que houver nos nomes das duas e paguem uma suíte particular para a mãe dela, ela não vai durar muito, então usem todo o dinheiro possível para que ela tenha um final decente.”

“Tio Ty, ela é importante para o projeto?” O rapaz perguntou curioso.

“Não, ela é apenas uma boa pessoa que merece um futuro diferente, às vezes não se trata só da nossa missão, mas também do que podemos fazer pelos outros.” Tyler falou.

“Entendo…” O jovem respondeu com a voz distante. “Vou providenciar agora mesmo.”

“Obrigado, me mantenha informado sobre todos os passos e eu quero uma atualização do estado clínico de Clare sempre que possível.”

“Vamos fazer.” Ele respondeu.

Tyler desligou o telefone e esperou impacientemente o fim desse voo.

***

Beebeep!!! Beebeep!!!

Tyler buzinou na frente da Hollywood Costumes, ele lembrava muito bem do estado em que estava isso aqui, era apenas um galpão abandonado.

Agora as coisas tinham mudado, havia mais carros e a fachada tinha sido refeita.

“Tio Ty!” Denys cumprimentou com um sorriso.

“Ei garoto, parece que as coisas melhoraram por aqui!” Tyler elogiou.

“É tudo graças ao senhor, com o dinheiro da venda que eu fiz para o senhor pude comprar equipamentos novos e dar uma capitalizada, alguns estúdios ficaram interessados nas armaduras e eu estou recebendo vários pedidos!” Deny falou feliz.

“Os estúdios querem as armaduras?” Tyler ficou confuso.

“Elas não são iguais as que eu vendi para o senhor, mas por fora são idênticas, elas servem para closes e tomadas externas.” Denys explicou.

“Hum, entendo, fico muito feliz em saber, tudo corre bem com a minha encomenda?” Tyler quis saber.

“Sim e não, lembra da minha parceria com a universidade?” Ele perguntou.

“Sim, ela trabalharia a liga de titânio e ouro, não era?”

“Exatamente, o problema é que ninguém sabia ao certo como trabalhar com essa liga, mas agora eles desenvolveram um método eficiente e a produção já começou, eu apenas vou atrasar um pouco, contudo posso garantir que entregaremos tudo antes daquele prazo final dado pela sua equipe!”

“Fico feliz em saber dessas novidades.”

“Quer ver uma?” Denys perguntou.

“Posso?” Tyler falou surpreso.

“Claro, afinal são todas suas, a primeira acabou de ficar pronta.”

Denys guiou Tyler para dentro da empresa, eles passaram por diversos departamentos diferentes e todos eles estavam lotados de pessoas trabalhando.

Tyler ficou contente em ver que o filho de seu colega tinha conseguido vencer na vida.

“Tio, olhe aqui!” Denys apontou todo orgulhoso.

Tyler olhou para o manequim exposto, na primeira vez ele tinha visto apenas um desenho conceitual da armadura, mas ele tinha que admitir… era de tirar o fôlego!

Fazendo jus a profissão do garoto, ela parecia ter saído diretamente de um filme de ficção científica!

O livro de ficção preferido de Tyler era “Starship Troopers”, criado pelo grande mestre Robert A. Heinlein, o livro conta a história de Johnnie Rico, um rapaz que entrou para as tropas da federação terráquea e lutava em planetas distantes contra insetos perigosos.

Tyler perdeu as contas de quantas vezes leu aquele livro, e como é de se esperar de um homem, e também de um nerd, ele sempre teve aquele sonho secreto em que lutava vestido em uma armadura futurista contra monstros.

Ele quase deixou uma lágrima cair…

“…” Tyler abriu a boca, mas não falou nada.

“É linda não é?”

“Muito!” Ele suspirou depois de um tempo.

Ela era feita em tons de dourado e preto, não era alta e volumosa, mas dava a quem usasse uma sensação intimidante.

Nas costas dos antebraços haviam algumas farpas curvadas para o sentido do corpo, placas metálicas recobriam cada músculo do corpo. Isso não só era uma proteção formidável como dava a impressão de que o usuário era muito forte.

“Quanto pesa?” Tyler quis saber.

“15 quilos!” O rapaz respondeu.

Nem era tanto, Tyler sabia muito bem que uma armadura medieval pesava algo em torno de 30 até 50 quilos! Algumas eram tão pesadas que só poderiam ser usadas sobre cavalos.

As usadas naquele esporte chamado “justas” eram dessas. Quem usava uma roupa mais leve abria mão da proteção.

“E no espaço entre as placas é vulnerável?” Ele perguntou.

“Não, toda ela é feita sobre um tecido de kevlar-carbono, é extremamente resistente, e como foi desenhada e projetada por um computador as partes das junções são muito mais resistentes que o normal!” O rapaz falou orgulhoso.

“Fez muito bem garoto!” Tyler elogiou.

“Eu sei que pode até parecer mais frágil assim, porém usar placas inteiriças prejudicaria na mobilidade e também o tamanho do usuário seria mais restrito, esse modelo permite que pessoas com estruturas físicas diferentes possam usar!”

“Bem pensado, o que é isso?” Tyler perguntou olhando para o símbolo cravado no peito.

“O nome desse modelo é infinity!” Denys apontou, era o símbolo do infinito desenhado de forma estilizada com dois triângulos deitados na horizontal com as pontas se encostando, ele brilhava em um amarelo vivo!

“O que é isso?” Tyler quis saber enquanto acariciava o material brilhoso.

“Trítio!” Ele respondeu sem explicar, afinal ele sabia exatamente com quem estava falando, se Tyler não soubesse ninguém mais saberia.

Só com aquela palavra Tyler entendeu tudo, o trítio é um isótopo radioativo de hidrogênio, normalmente encontrado na forma de gás, ele apresenta uma qualidade muito interessante, luz própria!

Sabem aquelas luzes químicas usadas em festas ou acampamentos? Pois é, a diferença destes para esse, é que dura por 12 anos que é o período de decaimento no elemento.

Muito usado na indústria bélica, ele é usado na confecção das miras de pistolas. Mesmo as Glocks que Tyler tinha usavam essas miras, pois usar em ambientes de baixa luminosidade é incrivelmente mais fácil com uma dessas.

O que começou no uso militar logo foi incorporado para os civis, as fábricas de relógios foram os primeiros, carros esportivos e etc. Todos que queriam usar em mostradores que brilhavam no escuro ou até mesmo fábricas de chaveiros.

“Posso testar?” Tyler perguntou.

“Claro!” O rapaz respondeu animado.

Denys separou a parte do peitoral em dois, frente e costa.

Rasg!! O som inconfundível do velcro sendo separado desconcertou Tyler. “Isso…”

“Eu sei que parece ser algo de baixa qualidade, mas pense bem, aqui tem um velcro de alta qualidade com 7 centímetros de largura, não existe possibilidade alguma disso sair sozinho ou ser arrancado no combate, a vantagem é que o lutador pode colocar sozinho e em pouco tempo!”

Passado o susto e excluindo o preconceito inicial, Tyler teve que elogiar a genialidade do garoto, ele nunca pensaria em algo tão simples e inteligente como isso! Por ser usado em coisas como tênis de crianças ou coisas do tipo fazia com que o produto tivesse um ar de infantilidade, contudo se alguém pesquisasse um dos primeiros usos do velcro foi pela NASA ainda na era das missões Apolo. Como tudo no espaço fica flutuando, eles precisavam de uma alternativa simples e prática para grudar os objetos nos lugares, os adesivos e colas não eram uma boa opção pois perdiam a aderência muito rápido e os líquidos presentes na fórmula da cola tendem a não funcionar da mesma maneira quando fica em gravidade zero. O velcro não, até no vácuo do espaço funciona firme e forte.

Levou menos de 3 minutos para Tyler por tudo, inclusive as botas.

“Isso é fantástico, mas cadê a espada?”

“Tio, o melhor sempre vem no final!”

“Melhor que isso?” Tyler perguntou curioso.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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