VM – Capítulo 37 – O começo da caçada.



O rei o levou até a barreira, ele encheu os pulmões de ar e deu um longo e fino assovio.

Tyler demorou um tempo para perceber o que era aquilo, quando de repente, de uma grande árvore a figura de uma mulher saiu literalmente do tronco.

As formas de seu corpo eram incrivelmente parecidas com o de Isis, mas a aparência geral não tinha nada a ver. Ela era de uma cor castanha-clara, como madeira, os cabelos não eram apenas verdes, eles eram feitos de um fino capim, que em alguns pontos estava até mesmo florescendo. As flores brancas em sua cabeça eram enfeites naturais que a deixavam com um aspecto muito bonito.

“Me chamou?” A ninfa falou com uma voz suave.

“Sim, Jasmim eu lhe chamei pois quero apresentar esse homem!” O rei apontou para Tyler. “Ele é um grande amigo nosso, acabamos de fazer uma aliança duradoura e agora ele irá nos ajudar a dar um fim as criaturas das trevas que entraram na nossa casa!”

“As fadas e os homens fizeram uma aliança?” Jasmim ficou atônita.

“Não é qualquer aliança e ele não é qualquer homem, no futuro ele será o rei de todos os homens!” Oberon disse.

“…” Jasmim não sabia o que dizer.

“Vou apresentá-los corretamente, o nome dele é Tyler Newman. Tyler, essa é Jasmim a ninfa da floresta!”

“É um prazer conhecê-la.”

“…” sem saber o que dizer ela apenas acenou a cabeça novamente.

“Não fique assim, eu posso afirmar que ele é de total confiança, a própria Yggdrasil o escolheu para dar seu fruto.”

Ela assentiu ouvindo as palavras de Oberon. “O que quer que eu faça?”

“O senhor Newman, vai caçar as criaturas das trevas e precisa de uma certa ajuda para carregar todo seu equipamento.”

“Se for para se livrar dessas criaturas malignas eu irei ajudar, eu posso convocar qualquer criatura dessa floresta, qual delas você quer?” Ela se virou e perguntou.

“Oberon me falou que pode chamar os cervos, não carrego muita coisa apenas quatro deles serão o bastante.”

“Parece razoável, eu vou chamá-los.”

Quando jasmim disse isso Tyler pensou que ela iria assoviar ou lançar alguma magia poderosa com as mãos. Mas não, ela simplesmente fechou os olhos por uns dois segundos.

“Aquela carruagem de metal esquisita é sua, não é?” Ela perguntou.

“Sim, ela é!” Tyler afirmou.

“Mandei que eles nos esperassem lá.” ela disse.

“Obrigado, prometo não ocupá-la por muito tempo.”

Ela apenas acenou novamente e saiu andando.

‘É parece que ela não é de muitas palavras’ Tyler pensou.

“Você é muito parecida com Isis.” Tyler disse tentando atenuar o clima estranho.

“Ela é minha irmã.” A ninfa disse.

“Nossa, eu não sabia!” Tyler realmente estava surpreso, uma era uma ninfa da água e outra da floresta, como isso funcionava? Tinha ninfas machos? Ele queria muito perguntar essa e outras coisas a ela, contudo a outra parte não parecia muito disposta a responder!

Ter uma ninfa como guia era muito conveniente, pois as plantas simplesmente saiam do lugar e davam passagem a eles!

‘Isso é muito legal!!’ Era tudo o que Tyler conseguia pensar.

Depois de quase uma hora de caminhada ele resolveu conversar um pouco. “Você não conversa tanto como sua irmã.”

“Minha irmã vive afastada naquele lago, e não sabe como os humanos realmente são!” Tyler pôde sentir uma raiva escondida naquelas palavras.

“Realmente você tem razão, porém eu quero que você saiba de uma coisa, nem todos os homens são iguais, muitos deles são capazes de fazer coisas boas.”

“São sim, eu já vi caçadores fazendo coisas terríveis com os meus animais! Já os vi caçando fêmeas grávidas e filhotes, já os vi caçando simplesmente pelo prazer de matar, não me venha dizer que eu não sei do que os homens são capazes porque eu sei!”

“Acha realmente que vivendo isolada aqui nessa floresta sabe tudo sobre a natureza dos homens? Vou te dizer uma coisa, eu lutei em uma guerra terrível, vi homens que cortavam os bicos dos seios das mães com crianças pequenas, simplesmente para que elas vissem seus filhos morrerem de fome! Vi florestas inteiras sendo incendiadas, vi grandes cidades serem reduzidas a nada mais que montes de pedras! Eu vi governantes loucos que deixavam milhões, eu disse milhões de pessoas viverem nas condições mais miseráveis que você nem é capaz de supor só para no final deixá-las morrerem de fome! Não me diga que você sabe alguma coisa sobre os homens, pois eu lhe provo que você não sabe!”

Tyler perdeu a paciência.

“E me falando tudo isso ainda vai me dizer que vocês são dignos de confiança?” Ela tinha um sorriso que misturava desprezo e raiva.

“Sim, você não sabe. Acredite quando eu falo que a sua floresta só está de pé ou ainda há animais por aqui, pois quando os homens maus se levantam existem homens bons que também se levantam. Nós mais do que qualquer um sabemos das nossas capacidades, e naturalmente nos erguemos contra aqueles que querem destruir tudo em seu caminho.”

“…” Jasmim estava assustada com as palavras daquele velho, ela nunca havia sido confrontada dessa maneira.

“Se quiser nos odiar, é sua escolha, mas por favor, tenha motivos de verdade. Mesmo que os homens tenham feito tudo isso que você me disse, não são eles que estão pondo em risco toda a floresta.”

“Não, não são!” Ela disse a contragosto.

“Desculpe se eu me exaltei por um momento, se quiser me conhecer ou conhecer de verdade os homens eu posso te ajudar.”

Ela assentiu, e eles continuaram caminhando.

Andando com aquela guia eles chegaram ao carro na metade do tempo previsto. O carro estava do mesmo jeito que Tyler havia deixado, e esperando por eles quatro grandes cervos estavam pastando do lado.

“Jasmim, você sabe onde os goblins estão escondidos?” Tyler perguntou.

“Sim, eu sei.”

“Quantos são?”

“300!”

“E os ogros?”

“É apenas um, o ogro e os goblins vivem na mesma caverna.”

Tyler pegou todas as suas armas e munições, e colocou em bolsas separadas nas costas de cada animal, ele também pegou o kit médico mais completo que tinha trago da terra. Com certeza haviam mulheres presas naquela caverna e Tyler queria livrá-las daquele pesadelo o mais rápido possível.

“Jasmim, você pode me dizer se existe algum grupo de goblin caçando longe da caverna, eu gostaria de ir pegando os desgarrados antes de ir para lá!”

“Vou pedir ajuda as aves e as outras criaturas para nos ajudar.” Ela falou.

Como agora Tyler tinha ajuda com os equipamentos ele só levava seu fuzil e o colete transbordando de munição!

Tyler e suas novas companhias saíram em direção ao outro oposto da floresta.

Depois de outra meia hora andando um pequeno esquilo apareceu e saltou para o ombro da ninfa.

“Tem um grupo bem perto daqui!” Ela disse nervosa.

“Não se preocupe, quantos são?”

“São 12, estão armados com arcos e espadas!”

“Faça o seguinte, peça para um animal bem rápido servir de isca e faça-os vir para cá!”

“Tem certeza que dá conta?” Ela perguntou apreensiva.

“Toda!” Tyler tinha começado a odiar goblins e estava excitado com a ideia de matar alguns deles.

Tyler pegou uma paracord de cor camuflada e começou a amarrá-la em algumas árvores à uns 20 centímetros de altura. Ele fez uma trilha com vários desses.

“Você pode deixar a mata ao redor dessa trilha mais densa?” Tyler pediu.

“Sim, eu posso.”

“Outra coisa, fale ao animal que vem sobre essas armadilhas.”

“Certo!” Ela disse parecendo bem mais aliviada quando viu Tyler se preparando.

Depois de uns cinco minutos, Tyler começou a ouvir aquela gritaria típica de uma perseguição.

Ele tinha se posicionado no fim da trilha, quando viu um vulto laranja passar diante dos seus olhos!

“Ghrrr!!!”

“Ahhh!!!”

Os goblins gritavam enquanto corriam. Entusiasmados com a caça eles passaram por Tyler sem percebê-lo.

Era um prato feito! Quando os dois últimos passaram a chuva de chumbo começou.

“Phoww…. Phoowww… Phoowww….”

Na primeira vez Tyler teve o cuidado de mirar na cabeça para garantir uma morte rápida… mas isso foi só da primeira vez!

Agora ele não era mais um tolo que não conhecia essas criaturas.

Depois do primeiro disparo os goblins ficaram atordoados, tentando fugir pela trilha eles caiam nos fios esticados.

Tyler que corria atrás não se dava ao trabalho de atirar nos caídos. Com o bico de aço da sua bota ele chutava suas cabeças.

Aquele corpo de criança magricela não era páreo para ele.

Toda aquela ação não durou nem 30 segundos.

“Acreditam em mim, quando eu digo que posso dar fim neles?” Tyler perguntou a ninfa que estava chocada.

“S… sim!” Ela gaguejou.

Aquele grupo não tinha dado nem para o começo, Tyler queria matar mais antes de atacar a caverna.

“Existem mais grupos desses caçando?” Tyler perguntou.

“Mais quatro!”

“Ótimo, vamos fazer do mesmo modo, nos leve para o próximo.”

“Vá!” A ninfa disse para uma pequena raposa que estava aos seus pés. Aquele borrão laranja que tinha passado na frente de Tyler era ela.

“Espere um pouco.” Tyler disse. “Tome, coma um pouco dessas frutas, vai te ajudar a correr melhor sem se cansar!”

Tyler deu um pouco das suas frutas secas para a raposa, não era preciso dizer que ela adorou!

Não só ela, mas os cervos e a própria ninfa também gostaram de comer.

“Vamos seguir em frente.”

Seguindo as ordens de Tyler eles caminharam pela selva.

Agora não era mais uma caçada, era um massacre! Os próximos quatro grupos caíram na armadilha de Tyler como patinhos!

Isso era até um pouco frustrante, pois ele queria um pouco mais de ação. Depois de comer aquele fruto de Yggdrasil ele tinha o corpo transbordante de energia.

Quando escureceu eles decidiram parar.

“Estamos perto?” Tyler perguntou.

“Não tanto.” Ela disse.

“Então vamos dormir aqui e partimos ao amanhecer!” Tyler disse, enquanto tirava as bolsas dos animais.

“Certo!”


    Autor : Lion | Revisor: Bczeulli



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