VM – Capítulo 141 – Os 12 imortais. Parte 15.


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— Hahahahahaha!!!! — Risos enlouquecidos enchiam a madrugada, eles eram até mais altos que os gritos de pavor e pânico.

— Acha que devemos colocar isso no relatório? — Deme tinha o cenho franzido enquanto perguntava para Rafir.

— Não sei… não sei… — Rafir também estava sem palavras, todos sabiam que Juno tinha uma certa tendência a querer colocar fogo nas coisas, mas ninguém imaginava que um demônio incendiário morava dentro daquele rapaz.

Em dado momento Juno começou a cantar uma das músicas de guerra que Tyler tinha ensinado.

—Oh, Soldados, hoje é o seu grande dia.

Um sorriso veio nos lábios do resto dos Caveiras e eles entraram na “brincadeira”. — Oh, Soldados.

— Hoje é o seu grande dia.

— Não gostariam de manter todas aquelas almas furiosas esperando agora, gostariam?

 

— Esta é a história de um grupo de soldados desajustados

— Conhecendo o próprio diabo

— Bem-vindos ao inferno!

— Nós somos os reis dos mortos e condenados

— Por que vocês pecadores deveriam ser salvos?

— Vocês acham que podem correr?

— Vocês acham que podem se esconder?

 

— Iremos tomar suas vidas, arrancar suas almas

— O lugar onde suas almas são enviadas para morrer

— É o lugar onde o nosso propósito foi encontrado.

— MORTE! MORTE! MORTE!

 

Os risos malévolos começaram a suprimir os gritos de desespero e medo. Os disparos continuavam como se nada estivesse acontecendo.

Juno não parava de lançar as garrafas, no começo nenhum guarda do Reino Central deu valor ao brilho flamejante que descia de um telhado próximo, quando o coquetel se quebrava ao tocar no chão, uma pilastra de chamas se erguia, cada vez que isso acontecia transformava 5 ou 6 homens em tochas vivas, e o mais engraçado, se existe alguma coisa engraçada nisso, é que Juno era extremamente preciso em seus ataques. Ele tinha uma maestria invejável ao lançar as garrafas inflamadas. Cada uma caía a uma distância regular umas das outras, era quase como se ele tivesse esquadrinhado o local.

Antes, a noite estava fria e escura, além do cheiro forte de pólvora e sangue, a cidade não parecia muito diferente, contudo agora era totalmente o contrário. Todas as paredes apresentavam um brilho alaranjado das chamas que se espalhavam pelas casas de madeira, o cheiro de cabelos e carne humana se uniu ao sangue, agora sim, a morte tinha trazido sua essência até esse local.

Mesmo se houvesse silêncio, se você apenas inalasse esse perfume poderia ouvir os gritos de pavor.

* Splass! * Splass! * Splass! *

A cada novo lançamento, a cada nova garrafa quebrada, uma coluna de fogo se erguia no meio da multidão em pânico, aquela batalha nunca foi igualitária, eram 5.000 homens contra 12, mas não foi nada mais que um massacre unilateral.

O exército do Reino Central já tinha desistido de lutar, agora eles não eram nada mais que um bando de inúteis desesperados tentando lutar por suas vidas.

— Eles estão se dispersando! — Deme falou em êxtase.

— Ótimo, separem as duplas e boa caçada! — Rafir mandou.

***

A última fase deste ataque era caçar os fugitivos e eliminar o restante da fortaleza. Na lista de abate, também estavam os comerciantes que viviam ali, cada casa seria vistoriada e queimada até o nascer do sol, com exceção das que tinham sido marcadas por Rabe.

— Por onde quer começar? — Deme perguntou.

— Vamos até a residência oficial, acho que teremos boas informações lá.

— Certo.

Se não fosse os tiros ecoando, o cheiro de morte e o brilho carmesim das chamas, pareceria até uma caminhada comum para aqueles dois rapazes, vez ou outra eles se deparavam com alguns soldados, mas não era algo que valesse a pena qualquer atitude além de um puxão no gatilho.

— É aqui? — Deme perguntou quando eles chegaram na frente de uma imensa mansão.

— Deve ser, é a casa mais rica de toda cidade. — Rafir também estava surpreso, apesar deles saberem onde ficava a maioria das coisas eles nunca puderam chegar perto da residência oficial devido a forte segurança. — Vamos entrar. — disse por fim.

Mesmo com a mansão supostamente vazia, eles não se atreveram a entrar pela frente. — Dando a volta eles quebraram uma das janelas dos fundos e entraram.

— Aonde quer ir? — Deme quis saber.

— No escritório de Bratus. — Ele respondeu. — Acho que deve ser no andar de cima.

Depois dessa simples troca de palavras, nenhum deles fez mais algum barulho, eles andaram pela casa como fantasmas.

Assim que subiram as escadas ele escutaram um murmúrio vindo de uma sala próxima. — Merda! Merda! — A voz esbravejava. — Esses filhos da puta me abandonaram, por que não podia ser amanhã?

Rafir e Deme olharam pela fresta da porta e viram o comandante Bratus recolhendo alguns sacos pesados e colocando em uma bolsa maior.

Ele estava em um estado deplorável, suas roupas estavam chamuscadas e mesmo sua pele mostrava vários pontos onde havia se queimado.

— Eu tenho que sair dessa cidade, as tropas do general Verdus devem chegar amanhã, se eu pegar um cavalo rápido posso encontrá-lo no meio do caminho. — Bratus pensava alto.

Rafir e Deme se olharam com uma expressão complicada, eles ouviram certo? Havia mesmo uma tropa chegando até aqui amanhã?

Isso era muito ruim. Eles reconheceram o nome desse general, Verdus era um dos principais generais do Reino Central, ele tinha sido muito destacado nas batalhas contra o Reino do Sul. Se ele estava vindo para cá, era sinal que a invasão contra o Império estava próxima.

Com uma simples troca de olhar eles sabiam que tinham de agir.

Toc, toc, toc.

Rafir na maior cara de pau abriu a porta e entrou.

— Quê! — Bratus pulou de susto. — Quem são vocês? — Ele perguntou assustado, ele podia reconhecer a roupa desses homens, mesmo de longe ele ainda tinha tido um vislumbre deles.

— Essa não é a pergunta correta para essa noite. — Rafir riu, seus dentes brancos eram um contraste assustador no seu rosto pintado. — A pergunta certa dessa noite é, você quer viver?

Bratus perdeu as forças e deixou cair a bolsa que segurava, várias moedas douradas rolaram pelo chão. — Que tipo de monstros vocês são?

— Você faz muitas perguntas, mas nenhuma delas é a certa. — Deme sacou a sua pistola e atirou de raspão no ombro esquerdo do homem, fazendo-o girar e bater numa estante de livros.

— Vamos responda, você quer viver ou não? — Rafir insistiu.

— Sim, céus sim, eu quero! — Bratus gritou com lágrimas nos olhos, tudo ali fugia da sua limitada compreensão.

Bratus estava deprimido além da conta, nessa última semana sua mente tinha desmoronado pouco a pouco. Primeiro foram os seus soldados sendo mortos e estuprados por feras chupadoras de sangue, e nessa noite tudo ruiu em apenas poucas horas.

A torre de suprimentos caiu sobre o alojamento matando sabe-se lá quantos soldados e depois o que pareciam trovões ceifava a vida do resto que sobrava e, como se não piorasse, centenas deles morreram em um piscar de olhos quando uma rua inteira explodiu!

O inferno se completou quando chamas vieram de todos os lados, ele mesmo quase não conseguiu escapar ileso de lá e, agora quando tentava fugir da cidade, ali estavam duas das criaturas que ele tanto temeu nessa noite.

Apesar de parecerem vagamente humanos, Bratus teve certeza de que eles eram algum tipo de demônios encarnados.

— Muito bom, eu vou fazer algumas perguntas e você vai me responder. — Rafir riu ao ver o pânico nos olhos da sua presa.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | Revisor: Ma-Chan | QC: Delongas


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