VM – Capítulo 132 – Os 12 imortais. Parte 6.


 

— Estão prontos? — Rafir perguntou uma última vez antes de começarem.

Um a um eles responderam com um aceno, no peito de cada um ainda havia um certo nervosismo. Afinal, agora era o momento em que tudo mudaria, eles já tinham emboscado soldados do Reino Central antes, mas agora parecia que realmente era para valer, como se eles realmente fossem a ponta da lança do Império.

Todo ninho de goblin tinha o mesmo cheiro pungente de fezes, suor e sangue. Durante o treinamento, Rafir e os outros destruíram dúzias de ninhos como esse, Tyler queria treiná-los e livrar o Império dessa praga ao mesmo tempo.

Pode-se dizer que os goblins foram quase extintos nessa brincadeira, e mesmo agora ele sabia que Tyler tinha colocado várias equipes para limpar todo o território.

— 5 soldados à 30 metros. — Juno informou.

— Certo, lanternas a postos, fogo em 10… 9… 8… — Quando a contagem caiu para zero, três soldados ligaram suas lanternas superpotentes no modo strobo.

Eles tinham aprendido esse método com Tyler durante o curso de COMANDOS, as “lanternas” que eles tinham em mãos eram, na verdade, canhões de mão. Com 32.000 lumens de potência, aquilo cegava qualquer um que olhasse diretamente. Agora some isso a um ambiente fechado onde todos estão com suas visões sensíveis devido a baixa luminosidade e acrescente o fato dela estar piscando tão intermitentemente que poderia até causar convulsões.

— Agora! — Rafir veio com a ordem e o show começou.

Sim, agora foi o momento em que tudo mudou. Antes eles faziam o possível para não alertar o inimigo, porém depois do primeiro tiro, ninguém ligava mais.

* Tiro * Tiro * Tiro * Tiro *

Em ritmo frenético eles avançaram imparáveis.

— Meus olhos, o que é isso!

— Corram para os fundos, se juntem ao comandante!

— Levantem seus escudos!

Um caos sem precedente caiu sobre aqueles homens, uns tentavam fugir, outros tentavam fazer uma pequena resistência, mas todos tinham uma coisa em comum. Eles estavam apavorados!

De todas as medidas que eles podiam tomar, fazer uma barreira de escudos foi a pior delas, em sua inocência/ignorância, eles pensaram que simples escudos de madeira podiam reter o caminho de um projétil de fuzil.

Foi o mesmo que se alinhar em um paredão de fuzilamento. Tolos!

Vendo seus companheiros morrerem um a um, sem clemência alguma, os soldados do Reino Central perderam suas esperanças, mas em sua defesa, que nem se os seus escudos fossem feitos de aço, eles poderiam resistir.

* Tiro * Tiro * Tiro *

Quando o fogo começou, nenhum caveira teve dó. Ter dó do inimigo era ser ruim para si mesmo. Todos sabiam que o Reino Central tinha planos de invadir o recém-nascido Império Atlantis, cada gota de sangue inimigo derramado hoje era uma gota de sangue a menos de seus compatriotas.

— Vamos em frente, não parem! — Rafir gritou, nessa altura eles estavam andando por cima dos corpos de homens e goblins.

Uma eternidade se passou em poucos minutos. Quando se está no calor da batalha, o tempo parece ser muito mais lento, Rafir viu Tyler uma vez chamar isso de relatividade, ele não entendeu tudo, porém ele pegou parte da ideia.

Passar 5 minutos beijando uma bela moça eram como um piscar de olhos, passar 5 minutos com a mão no fogo era uma eternidade.

Rafir e os outros 8 homens, agora estavam com suas mãos no fogo. Cada um deles podia se lembrar de quantas vezes puxaram o gatilho e quantas vezes viram uma névoa vermelha surgir do outro lado.

— Estamos perto, falta apenas mais um pouco! — Rafir gritou novamente.

Menos que outros 5 minutos se passaram quando o último disparo foi dado, depois de centenas deles, o silêncio resultante era desconfortante.

— Verifiquem se há sobreviventes, olhem nas salas de procriação, as mulheres devem ser salvas.

Todos sabiam que num ninho de goblins sempre havia mulheres como prisioneiras. Fato era que o goblin em si não era uma fera tão perigosa, mas o hábito de sequestrar mulheres humanas para procriar fazia com que o ódio entre as raças fosse algo irreconciliável.

— Estão todas mortas! — Tregis falou.

— Fomos nós? — Rafir sentiu um nó na garganta.

— Não, parece que os soldados do Reino Central já tinham chegado até aqui, eles não salvaram elas, eles as mataram!

Não só Tregis, mas todos ali tinham expressões escuras em suas faces.

“Que tipo de animais eles são?” Rafir pensou.

Sem dúvidas cada uma das mulheres sobreviventes teriam um grande trauma pela frente, o estigma social que elas carregariam seria enorme. As “mães de goblins” como eram chamadas, era o pior título que uma mulher poderia carregar, mas todos sabiam que elas eram vítimas.

Mesmo se elas não se recuperassem, ou não quisessem mais viver. Era decisão delas, o que esses soldados fizeram era inconcebível, em primeiro lugar eles não seguiram com suas obrigações e impediram a tragédia de acontecer;, e em segundo lugar, matá-las foi algo que nem mesmo as feras fariam.

Quando Rafir e os outros homens olharam para aquela cena, todos tiveram seus ânimos exaltados. — Cadê aquele merda do comandante? — Ele rugiu.

Ninguém ousou ficar parado, revirando cadáver após cadáver eles encontraram um homem de armadura brilhante embaixo de uma pilha de mortos.

— Arranquem a pele do filho da puta e empalem ele numa estaca!!! — Rafir gritou com toda força.

— Deixem comigo. — A raiva de Juno não era menor que a de Rafir, então ele se ofereceu.

Quando ele se aproximou com a faca, o homem que devia estar morto o chutou com toda força e depois o fez de refém com sua própria faca.

— Quem são vocês? — Xandre gritou com a faca encostada no pescoço de Juno.

— Se fingir de morto é coisa de covarde. — Rafir falou calmamente.

— Eu não estou nem aí, para o que você pensa! É melhor se afastar ou eu o mato. — O comandante estava fora de si, ele sabe que sua única chance é fazer um desses invasores misteriosos como refém, sendo assim ele pressionou a faca mais uma vez contra a garganta de Juno.

— Que bom que você está vivo, eu queria conversar um pouco.

— Não estou de brincadeira, acham que eu não mato ele? — Xandre faz um pequeno corte no pescoço de Juno, não foi profundo, nem perigoso, mas ainda sim tirou sangue.

— Idiota…

— Está morto…

— É muito burro mesmo…

* Estalo de língua *

Cada um dos homens lamentou o ato do comandante desesperado, eles sabiam que aquele homem não tinha escapatória, mas quando ele cortou Juno, ele assinou sua morte da pior forma possível.

Juno era sem dúvidas o melhor deles em combate corpo a corpo, Tyler tinha visto esse talento nele e pessoalmente o treinou muitas vezes, inclusive com facas.

— Não se esqueça de mim. — Juno que permaneceu todo esse tempo calado, finalmente falou.

— Fique quieto se não eu te… — Sem ter a mínima noção do que aconteceu, o comandante Xandre sofreu um golpe da sua suposta vítima, e agora estava deitado de bruços com Juno em cima dele.

Ele estava imobilizado, o pé de seu algoz estava na sua nuca e seu braço estava sendo pressionado de maneira estranha, lhe dando uma dor terrível. Só agora ele percebeu que nunca tinha tido aquele homem como refém.

— Obrigado por cooperar tão gentilmente, eu tenho algumas perguntas. — Rafir se abaixou e falou olhando nos olhos do homem.

— Vá para o inferno! — Ele cuspiu no rosto de Rafir.

— Pelo visto vamos demorar. — Rafir suspirou. — Bem, não importa, eu tenho que melhorar minhas habilidades de diálogo.

Vendo o sorriso sinistro nos rostos pintados dos homens, Xandre engoliu seco. — Quem são vocês?

— Caveiras! — Rafir respondeu sorrindo, e os homens puxaram a risada maligna que Tyler lhes ensinara. — IA, HA, HA… IA, HA, HA , HA, HA!

***

— Recolheram todos os cartuchos? — Rafir perguntou, essa era uma das poucas coisas que os poderia incriminar.

— Aqui. — Cam mostrou um saco com centenas deles.

— Ache um bom lugar e as enterre.

— Para onde vamos agora? — Juno perguntou enquanto coçava o pescoço.

— As informações daquele idiota até que foram úteis, vamos para a cidade fortificada de Mitraz. — Rafir respondeu.

— Estamos prontos para ir quando quiser, já recolhemos todo ouro e ervas que tinha no ninho, posso colocar fogo? — Juno tinha uma expressão esperançosa.

— Pode… — Rafir respondeu. — Use pouca gasolina, temos que economizar. — Ele lembrou.

— Sim, sim. Pode deixar comigo. — Respondeu Juno alegremente.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas


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Opa, meu povo! Esse é o ‘famoso’ DQ do Delongas.

DELONGAQUIZ#6

Quem é Zetus?

  1. a) Não existe
  2. b) É um mordomo
  3. c) É um dos Comandos
  4. d) Um dos amigos do Tyler na Terra
  5. e) É um caçador

 

OBS: Resposta no post de domingo.



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