VM – Capítulo 130 – Os 12 imortais. Parte 4.



— Então é assim… — Rafir respirou fundo, ele tinha acabado de falar com Tyler. E como era de se esperar ele lhe dera carta branca para agir.

Ele sabia que do ponto de vista estratégico, ele deveria estar contente com a confiança do seu comandante, contudo ele não podia deixar de ficar apreensivo, afinal era sua primeira missão fora do império e o fato de que ela era uma das maiores bases para a fundação e desenvolvimento da sua jovem nação, não ajudava em nada.

— Como foi? — Um dos rapazes perguntou assim que ele voltou até a fogueira onde eles estavam reunidos, deu um certo trabalho puxar de volta o balão-antena e escondê-lo debaixo do falso assoalho da carruagem.

— Temos permissão para prosseguir. — Rafir respondeu.

— Isso é ótimo! — Juno falou com um brilho nos olhos.

Rafir balançou a cabeça rindo, todos ali tinham uma excitação à flor da pele. — A equipe de reconhecimento deu notícias? — Ele quis saber.

— Deme entrou em contato faz 15 minutos, como tínhamos imaginado eles estão acampando próximo da entrada do ninho. — Cam informou.

— Algum sinal de outra patrulha de goblins por perto?

— Sim, mas eles parecem estar a uns 4 quilômetros de distância.

— Bom, já que é assim, vamos agir ainda hoje com a cobertura da madrugada. — Rafir pegou um graveto e começou a desenhar no solo. — A equipe amarela continua fazendo a vigilância do acampamento inimigo, equipe azul e verde vamos atacar enquanto eles dormem e a equipe vermelha atrai os goblins, alguma dúvida?

— Não senhor. — Eles responderam.

— Ótimo, comam e se aprontem, saímos em 30 minutos, Ave Império!

— Ave império!

***

— Iscas chegando em 5 minutos! — Vermelho 1 informou pelo rádio.

— Essa é a nossa chance, rapazes, não vamos envergonhar o nosso imperador. — Rafir começou a dizer suas últimas palavras antes de entrar em ação. — Somos os assoladores criados para os dias de angústias, somos aqueles que não temem o mal, mas são o próprio mal! Hoje, vamos mostrar ao Reino Central o porquê os caveiras são os anjos da morte!

Ele não precisou falar mais nada, ele podia ver um brilho distinto nos olhos de cada um deles. Hoje era o dia em que os COMANDOS seriam postos à prova, de verdade, sob a pálida luz da lua eles estavam vestidos com seus uniformes completos, roupas pretas, caras pintadas e aquela icônica boina preta com uma caveira trespassada por uma faca.

— Iscas chegando em 3 minutos! — Vermelho 1 atualizou.

— Cada um sabe o seu lugar, boa sorte e Ave Império!

— Ave Império!

Como sempre a equipe amarela estava cuidando do perímetro, agora a sua maior prioridade era impedir que ninguém saísse com vida dali, seja homem ou goblin.

Quando a equipe vermelha chegasse com mais de 50 goblins nas costas, todos os COMANDOS se juntariam à festa. Talvez os soldados do Reino Central nem soubessem que estavam lutando contra dois inimigos, e se soubessem, já seria tarde demais.

— 30 segundos! — Vermelho 1 disse com a voz ofegante.

— É agora! — Rafir apertou os punhos e esperou, ele viu com sua visão noturna os 3 homens da equipe vermelha correndo direto para o acampamento, e pouco depois uma avalanche de pequenas criaturas magricelas avançou sobre as barracas.

— Goblins! — Um grito desesperado foi ouvido na noite fria.

* Roar * Um brado forte veio pouco depois.

Rafir tinha que admitir que o Reino Central não era fraco, apesar de serem pegos de surpresa eles logo se concentraram em acabar com os goblins. — Vamos abater os comandantes! — Ele ordenou.

Pelo que conseguiu com o patrulheiro no dia anterior, cada pequeno pelotão de 10 homens era comandado por um capitão, depois havia os de 50 e 100 homens.

Isso queria dizer que dentro daqueles 100 soldados, 12 deles deviam morrer o mais rápido possível.

Thuff… Thuff… Thuff… Os pequenos clarões e barulhos abafados não foram percebidos pelos soldados que estavam focados na batalha com os goblins.

— Capitão! — Um homem gritou ao perceber que seu capitão morreu, ele estava bem do seu lado, mas ele não pôde ver o momento em que os goblins ceifaram a vida dele.

* Clang * As espadas colidiram no escuro e pequenas faíscas brilhavam.

— Não é possível! — Um guarda gritou desacreditado.

— Rápido, formem um círculo, eles vã… — Antes de terminar sua frase, um pequeno furo apareceu na sua testa e seu corpo caiu sem vida.

— Vamos fug… — Outro homem deixou esse mundo.

— Pelos deuses, a gente vai morre… — Mais um soldado perdeu a vida sem saber o que estava acontecendo. Delongas: Triple Kill

Não era preciso dizer que a moral deles afundou tão rápido como uma pedra na água, eles não entendiam como seus companheiros apareciam mortos do nada. Não havia flechas ou facas de arremesso, mesmo longe dos goblins, alguns deles simplesmente caíam mortos.

Desesperados eles formaram um círculo defensivo e lutaram contra os goblins.

— Esperem até que todos os goblins morram, não deixem ninguém fugir. — Rafir ordenou.

A luta durou por mais meia hora, e mesmo depois de tudo, ainda 30 soldados conseguiram sobreviver. Isso provava o quão bem treinados eram aqueles homens.

— Vencemos! — Os soldados gritaram de alegria, mesmo com seus companheiros mortos a seus pés, a alegria de sair vivo dessa emboscada era indescritível.

— Com calma, vamos abater cada um deles. — Rafir falou, enquanto riu sozinho.

Se antes quando havia 100 soldados os rapazes não temiam nada, agora que mal dava 3 homens para cada é que eles não se importavam. Com uma paciência fora de série, os caveiras escolhiam seus alvos e apertavam o gatilho.

— Tudo limpo. — Deme que era o líder da equipe amarela respondeu.

— Ninguém fugiu? — Rafir quis saber.

— Não, nem homem, nem goblin.

— Bom. — Rafir estava satisfeito. — Vamos terminar de armar a cena, recolham o dinheiro e ervas medicinais se houver alguma, temos que sair antes do amanhecer.

Parece que a prática leva mesmo à perfeição, depois de poucos minutos nem eles mesmos poderiam dizer que outra força esteve naquela batalha. Os ferimentos de bala foram disfarçados com facadas ou flechadas.

Para quem viesse depois, não veria outra coisa a não ser uma triste batalha entre homens e feras. Sem contar que o cheiro de sangue atrairia animais selvagens e mais goblins, quando o Reino Central descobrisse o que aconteceu com seus homens, a cena estaria ainda mais mexida.

— Senhor, achamos muitos núcleos de feras. — Cam reportou.

— Mais que moedas?

— Sim.

— Pelo visto eles usam mais núcleos do que moedas, dizem que os elfos no além-mar só usam núcleos como dinheiro, alguma erva?

— Poucas, nada demais, só o básico para pequenos ferimentos. — Ele respondeu.

— Não importa, nossa missão será longa, temos que nos preparar com provisões.

— Entendo, estamos quase terminando.

***

Pouco antes dos primeiros raios solares caírem sobre a floresta os 12 imortais deixaram para trás seu rastro de terror.

— Vamos levar nossas carruagens para mais longe, só agiremos quando o Reino Central se mover.

Depois de voltarem ao seu acampamento os homens finalmente descansaram, é claro que Tyler tinha-lhes feito passar por situações muito mais exaustivas, contudo sempre era bom dormir quando podiam.

— A primeira vigília é minha, durmam o quanto quiserem, foi um bom trabalho. — Rafir falou, cada homem sabia como agir e procurou seu lugar para dormir.

Sozinho, Rafir olhou para o sol que ganhava cada vez mais brilho no céu e ficou imaginando como ficaria a cara do comandante Xandre quando recebesse a notícia que 100 dos seus melhores homens foram perdidos em um piscar de olhos.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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