VM – Capítulo 128 – Os 12 imortais. Parte 2.



— Isso é um absurdo! — Rafir ficou chocado quando olhou as taxas de impostos nas missões. 50% do lucro vai para o rei, 15% para o lorde do território e 5% para a guilda.

— Como os aventureiros fazem as missões se só recebem apenas 30% do valor da recompensa? — Cam também estava indignado.

No Império, do valor total apenas a guilda ficava com alguma parte e geralmente ou era um valor fixo, ou uma porcentagem de 1% a 2%. Era por isso que muitos e muitos jovens se ousavam em missões perigosas, o valor compensava muito.

— Deve ser por isso que quase nenhuma missão é pega, qualquer uma que tenha risco de vida é deixada de lado. — Rafir notou.

— E como vamos fazer? — Cam quis saber.

— Como tínhamos planejado, vamos passar dois dias aqui e depois vamos seguindo entre as cidades fortificadas. — Rafir começou a distribuir as ordens. — Vamos fazer 4 grupos de 3, quero dois mapeando a cidade e os outros dois fazendo o levantamento de quais pessoas serão nossos alvos.

— Certo. — Todos responderam.

Cada um tinha uma pequena câmera tipo “GoPro”, ela servia para tudo. Eles tiravam fotos das ruas, dos comércios e principalmente dos postos de guardas e postos avançados.

Logo no primeiro dia os homens conseguiram pegar todas as entradas da cidade, o tamanho dos portões, a altura deles, a altura da muralha e sua espessura.

Realmente ninguém desconfiou que aqueles aventureiros eram espiões, o trabalho deles era muito discreto, eles apenas “andaram” pela cidade. Quando viram que algo era relevante, apenas ergueram o braço que estava coberto por um capuz largo e tiraram suas fotos.

— Agora que já está de noite o que vamos fazer? — o grupo se reuniu no quarto da pousada.

— Vamos para o bar ver quais são as notícias.

***

— 1 moeda de prata por uma cerveja? — Cam quase gritou de susto.

— É verdade, em qualquer bar dos outros reinos não custa mais que 10 moedas de bronze. — Trefil resmungou.

— Ei! — Rafir chamou atenção. — Vamos com calma, sem chamar atenção.

Eles se sentaram em uma mesa e começaram a beber as cervejas, em um canto afastado do bar eles prestaram atenção em todas as conversas soltas nas mesas.

— O capitão realmente não dividiu o dinheiro com vocês? — Um guarda perguntou para o outro.

— Não, aquele porco ficou com tudo só para ele, parece que ele já conhecia o mercador. — O outro suspirou.

— Cara eu também queria ter sangue nobre!

— E você acha que ele tem? Aquele idiota só tem o cargo porque um nobre comprou a mãe dele quando ele ainda era jovem, ouvi dizer que o nobre era muito rico e não fazia questão de ter mais um escravo, não foi muita coisa para ele deixá-lo como capitão perto da fronteira.

— Oh, eu não sabia que a família dele era de escravos. — O guarda ficou surpreso.

— Parece que o pai dele era comerciante, ele teve o azar de casar com uma mulher bonita, um lorde a quis para si, então inventou uma dívida. O pai foi enforcado e a mãe e ele vendidos para pagar a dívida.

— Shhh… — o guarda suspirou. — É como dizem: “Nunca case com mulheres bonitas, elas sempre dão trabalho.” —, mas como você soube?

— Outro guarda me contou, não sei se é verdade. — Ele deu de ombros.

Para aqueles dois homens a conversa era trivial e corriqueira, contudo os 12 soldados disfarçados tinham expressões sombrias em suas faces.

— Aquela merda é real? — Deme que era o mais novo dos 12 perguntou.

— Parece que sim… — Juno um dos mais velhos respondeu. — Eu só ouvi falar que algo parecido aconteceu no nosso reino a muitos anos atrás, lembram do lorde louco?

— Sim, todos contam a história dele. O rei pessoalmente o matou! — Cam disse.

— O que é um tabu para nós, parece ser algo corriqueiro para eles. Deve ser uma merda viver assim.

Conforme a noite ia passando histórias como essa e até piores surgiam. Histórias sobre dívidas falsas e famílias vendidas, guardas que saquearam vilas e colocaram a culpa em goblins, meninas roubadas em vilas para serem prostitutas.

Cansados de ouvir tanta desgraça eles voltaram para casa.

***

— Existe alguém são nesse reino? — Cam perguntou, ele ficou no mesmo quarto que Rafir.

— Sei lá, mas até agora não vejo um único soldado que vale a pena salvar. — Ele balançou a cabeça.

— Pelo menos diminui o nosso trabalho. — Deme falou, ele tinha sido a pessoa mais afetada nessa situação. — Para onde vamos depois daqui?

— Vamos terminar o levantamento dessa cidade, depois vamos exterminar um ninho de goblins perto de uma aldeia e pedir a recompensa.

— Vamos eliminar algum membro do alto escalão aqui? — Deme quis saber.

— Essa cidade é muito pequena, acho que se os membros dos altos escalões morrerem, será fácil para eles relacionarem as mortes conosco.

— Então vamos deixar passar?

— Relaxa, eu tenho um plano… — Rafir sorriu.

***

— Azul 1 em posição. — Rafir falou pelo rádio.

— Vermelho 1 em posição.

— Amarelo 1 em posição.

— Verde 1 em posição. — As equipes reportaram seus status.

— Equipe amarela cuide do perímetro, o resto de nós… Extermine! — Rafir passou a ordem.

Pelas fontes de espionagem, Tyler sabia que o maior problema com feras no Reino Central eram os goblins, felizmente os goblins são muito fáceis de matar. Tendo uma constituição física muito parecida com a de uma criança de 10 ou 12 anos, o melhor meio é caçá-los com uma arma de calibre 22.

Além dos fuzis que tinham calibres altos, Tyler colocou nas carroças várias carabinas calibre 22. O projétil tinha apenas o tamanho de um caroço de feijão, mas tinha o poder de uma flechada.

Isso é mais que suficiente para matar um goblin, sem falar que milhares de munições não ocupam quase nada de espaço e uma arma dessas com silenciador é quase imperceptível, mesmo na floresta.

Thuf… Thuf… Thuff…

9 homens armados caminharam na floresta, fazendo uma limpa geral!

[20 minutos depois.]

— Mais que merda é essa, aqui tem mais de 50 goblins. É quase um ninho médio! — Cam falou.

— Sim, muito estranho. O número é muito alto, lembram quando ficamos caçando ninhos no curso de COMANDOS? Nunca pegamos um grupo de batedores com mais de 20. — Rafir respondeu.

— Esse ninho deve ser imenso. — Cam comentou.

— Vamos lá, juntem os corpos, arranquem os narizes para pegar a recompensa e depois toquem fogo.

Normalmente eles só arrancariam os narizes para servir como prova na guilda e deixavam os corpos na selva para serem comidos pelas feras, porém fazer isso no Reino Central era um problema.

Os buracos feitos pelos disparos era algo que chamava muita atenção, não era segredo para ninguém que o antigo Reino Leste que agora se auto proclamava Império Atlantis, usava armas diferente de todos os outros.

Se você somasse um grupo de homens estranhos, mais uma taxa incrível de mortes, mais corpos mortos com ferimentos estranhos, era bem fácil perceber a real identidade desses homens.

***

— Esse é o último? — Rafir perguntou enquanto cortava o nariz da criatura.

— É sim. — Cam jogou o corpo em cima da pilha de corpos, junto com alguns troncos secos. — Sabiam que eu amo gasolina? É tão fácil fazer fogo. — Ele despejou um bom litro na pilha de corpos e ateou fogo.

— Não fique gastando tanto assim, a gasolina que temos tem que durar toda a missão. — Rafir chamou atenção.

— Eu sei, mas não pude evitar. — Cam deu de ombros.

— Azul 1, aqui é amarelo 3. Temos companhia. — Deme avisou pelo rádio.

— Informe. — Rafir pediu.

— Uma patrulha de soldados está vindo, 10 homens a pé. 5 minutos para chegarem até vocês.

— Obrigado amarelo 3, continue de guarda. — Rafir falou. — Senhores, se arrumem, temos companhia para o almoço!


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas




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