VM – Capítulo 127 – Os 12 imortais. Parte 1.



[Esse e os próximos capítulos serão no ponto de vista de Rafir e os outros.]

— Estamos longe? — Cam perguntou.

— A fronteira é logo ali, acho que antes das 09:00 AM atravessamos. — Rafir disse, já fazia quase 10 dias que eles tinham saído da nova capital e estavam se dirigindo para o Reino Central.

Todos eles entendiam muito bem a importância e a natureza dessa missão.

— De agora em diante não podemos mais usar nenhum equipamento moderno. — Rafir comentou enquanto retirava o relógio de pulso que havia ganhado de Tyler.

— Seria tão mais fácil. — Um dos soldados lamentou.

Vestidos com roupas grosseiras feitas a partir de peles de feras, os homens estavam sob o disfarce de caçadores itinerantes. Essa era uma profissão muito comum no continente, muitas cidades tinham problemas com feras e outros seres, então ficava a cargo da guilda local colocar uma missão a disposição além de repassar o pagamento.

Muitas pessoas viviam como “freelancer” procurando missões que pudessem resolver, mas é claro que nem sempre ela poderia terminar a missão sozinha, então era normal se juntarem em pequenos times.

Debaixo da aparência de simples carruagens comuns os homens esconderam tudo o que tinham de moderno nos seus interiores.

— É o seguinte, apenas os dois cocheiros estarão armados, e apenas com pistolas. — Rafir falou sério enquanto passava as últimas instruções.

— E quanto à noite? — Outro perguntou.

— O que fica de vigia fica armado, o resto fica com espadas mesmo, mas nossas armas ficarão em um lugar de fácil acesso, mais alguma dúvida? — Ele quis saber.

— Não. — Os homens responderam em uníssono.

— Comandante? — Um jovem levantou a mão.

— Sim. — Rafir deu a palavra.

— Não seria mais fácil uma equipe como nós, avançar até a capital do Reino Central e assassinar o rei? Digo, soltar uma bomba no palácio acabaria com essa guerra muito mais fácil.

— Não. — Rafir balançou a cabeça. Ele tinha pensado a mesma coisa quando ouviu os planos de Tyler pela primeira vez, porém Tyler tinha estudado a fundo a estrutura política deste reino. — Nosso imperador sabe o que faz, o rei Caliga tem 15 filhos homens, bom agora tem 13, mas todos eles sabem como comandar tropas e tem a capacidade para ser rei, fora isso todos os principais generais têm o apoio de suas tropas, alguns tem mais prestígio que vários príncipes. Matar o rei só fragmentaria o reino por pouco tempo e uniria o povo contra nós com mais fervor ainda.

O rapaz que tinha perguntado ficou em silêncio depois que ouviu a resposta de Rafir. Ele assim como os demais tinha sofrido o diabo nas mãos de Tyler, mas ele definitivamente viu as intenções dele. Um bom comandante faz os seus soldados suarem no treinamento para que não sangrem nas batalhas.

Eles sabiam que Tyler evitaria a todo custo um derramamento excessivo de sangue, depois de treinarem e aprenderem a usar as armas de fogo, cada um sabia o potencial de um exército moderno. Tudo o que o império precisava agora era de tempo.

Sentados naquela roda em volta da fogueira os homens tiveram sua última noite antes de irem para trás das linhas inimigas.

***

— Parem aí mesmo! — Um guarda disse ao grupo.

Já faz algum tempo desde que eles estavam oficialmente em terras do Reino Central, logicamente eles andaram nas vias comuns usadas pelos comerciantes. Só depois de duas horas andando é que uma patrulha casual de guardas os parou.

— Calma meu senhor, somos apenas um grupo de caçadores que está em busca de trabalho. — Rafir interveio.

— De onde vocês são? — Indagou o guarda.

— Somos do Reino Oeste, trabalhamos lá por alguns anos e depois fomos para o Reino Leste, mas ficamos pouco tempo lá, viemos para o Reino Central em busca de melhores missões nas guildas.

— Vocês já fizeram o cadastro na guilda de aventureiros do nosso reino?

— Não senhor, somos apenas humildes caçadores e não sabemos como as coisas funcionam por aqui. — Rafir manteve o perfil baixo.

— Isso não é problema. — O guarda sorriu. — Como vocês atravessaram a fronteira devem pagar 30 moedas de prata para a patrulha, depois devem ir até a cidade de Acom, lá poderão fazer o cadastro na guilda de aventureiros e receber missões.

— Oh! — Rafir mostrou uma expressão grata. — Eu não sabia que tínhamos de pagar uma taxa ao atravessar a fronteira, mas desde que é a lei eu não me importo, além de que o senhor foi muito atencioso e nos indicou o caminho certo para seguir. — Rafir entregou o dinheiro e seguiu em frente.

“Idiotas!” O guarda riu enquanto contava as moedas.

Depois de algum tempo um dos rapazes falou. — Todo mundo nesse lugar é ladrão? Não acredito que tivemos que dar 30 moedas de prata para um guarda idiota como aquele.

— Calma. — Rafir o tranquilizou. Mas dentro de si ainda havia uma certa indignação, pode não parecer muito, mas aquilo era o mesmo que um mês de salário para muitas pessoas, ver aquelas moedas sumirem na mão de um simples guarda corrupto lhe dava uma sensação de mal estar. — Vamos evitar qualquer tipo de confronto, mesmo que tenhamos de parecer vermes covardes para as outras pessoas, estão me entendendo?

— Sim. — todos responderam juntos.

***

Quando os homens chegaram na cidade de Acam eles logo sentiram a atmosfera estranha do lugar, embora houvesse pessoas andando pelas ruas e várias bancas de vendas.

O lugar tinha algo de estranho…

— Não há crianças. — Um soldado chamado Trun sussurrou.

— E nem mulheres. — Rafir devolveu.

— Existe muita gente de pele escura aqui. — Cam notou.

— Sim, bem mais do que no Império. Ouvi dizer que nos desertos do sul as pessoas têm os olhos puxados.

— Sério? — Cam ficou surpreso. — Só vi duas pessoas de olhos puxados em toda a minha vida.

— Isso não é nada. — zombou Trun. — Meus avós eram do Reino Oeste, lá quase todos são loiros ou ruivos.

— Eu amo ruivas, me apresente sua irmã! — Cam não perdeu sua chance.

Trun era de fato alguém que se diferenciava entre eles. Ele tinha uma barba ruiva que estava voltando a ser farta. Um membro normal do exército imperial deveria manter o rosto barbeado e os cabelos sempre curtos, contudo desde que ele havia entrado para os COMANDOS, ele poderia deixar a barba e o cabelo como quisesse.

— Bastardo! — Trun cuspiu.

Rafir por outro lado nem ligou, esses caras viviam implicando uns com os outros. — Encontrem uma pousada e cuidem dos cavalos, eu irei para a guilda fazer a nossa inscrição.

Os homens responderam com um aceno e foram embora, apenas Rafir e Cam foram até a guilda.

Normalmente a guilda de aventureiros é um dos maiores prédios em uma cidade, seja ela grande ou pequena, os pedidos de missões sempre geram um lucro razoável.

Contudo a guilda de Acam não era nada mais que um bar sujo com alguns papéis pregados em uma parede afastada. Rafir e Cam foram dar uma olhada nas missões antes de se associar.

— A maioria é sobre goblins. — Cam notou.

— Sim, nunca ouvi falar de alguma vez em que o nosso reino ficou tão infestado assim. — Rafir disse.

Havia pedido sobre goblins, trolls, ogros, lobos gigantes e muitas outras feras. Alguns pedidos estavam ali por meses, outros até anos.

— Tem alguma coisa errada com esse povo? Eles são o maior exército do continente e ainda sim deixam goblins fazer o que quiserem? — Cam cuspiu indignado.

— Acho que essas missões são de cidades mais isoladas, eles não devem se importar. — Rafir também estava com raiva.

— O imperador nunca deixaria isso acontecer conosco. — Cam sentiu orgulho do homem que os treinou, ele sabia que Tyler tinha despachado os melhores homens para limpar todo o reino dessas criaturas, ele mesmo tinha limpado alguns ninhos de goblins no período de treinamento.

— Nós somos “Braço forte, Mão amiga” —, O que eles são? — Rafir perguntou.

— Nada. — Cam cuspiu.

— Venha, vamos logo fazer essa inscrição. — Rafir se dirigiu até um balcão onde um senhor gordo estava sentado bebendo algum tipo de rum.

— Senhor, queremos pagar a taxa para nos tornar aventureiros dessa guilda.

— Sim? — O homem levantou a vista, ele tinha os olhos quase fechados devido ao excesso de bebida. — São 15 moedas de prata.

— Nós somos uma equipe, tem alguma diferença na taxa? — Rafir perguntou.

— Quantos? — O homem ficou um pouco aborrecido porque estava se demorando nessa conversa.

— 12.

— Hump! — O balconista bufou e pegou uma folha com algumas tabelas. — 5 moedas de ouro.

Rafir quase ficou louco de raiva, isso não era igual a roubo? Em qualquer lugar essa taxa deveria ser no máximo 1 moeda de ouro.

— Aqui. — Cam se apressou e colocou as moedas em cima do balcão, antes que Rafir saísse do sério.

— Nome da equipe? — O senhor perguntou enquanto pegava uma pena.

— Os 12 imortais. — Rafir zombou.

O balconista abriu um sorriso, mas não falou nada. “Que nome idiota, esses idiotas vão morrer cedo.” Ele pensou.

 


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas




 


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