VM – Capítulo 126 – Prelúdio para a guerra.



— Bom. — Tyler elogiou o balão que tremulava imóvel no céu.

Depois de ter recebido a mensagem de que Rafir queria entrar em contato com ele, Tyler se dirigiu a simples casa que servia de QG (Quartel General) improvisado, para se comunicar com a equipe que estava em missão, ele não podia usar os simples walk-talks que usava diariamente.

Pelos seus cálculos, Rafir estava a uns 500 quilômetros de distância e usar esses métodos não servia. O jeito mais fácil era usar o radioamador que usava frequência AM, o problema era que Rafir e os outros homens estavam em missão secreta e até os seus poucos equipamentos estavam totalmente escondidos e camuflados em duas carruagens aparentemente comuns.

Um radioamador não tem nada de complicado em sua operação ou construção, seu único ponto fraco é que precisa de uma antena alta, quanto mais alta melhor!

Agora como disfarçar uma antena de 50 metros em uma carruagem?

A resposta é, não dá.

Antes mesmo de se mudar para esse mundo, Tyler quebrou a cabeça tentando resolver problemas dessa natureza. Ele deu graças a Deus porque vivia em um país capitalista e num país de essência capitalista, sempre que algumas pessoas têm alguns problemas, outras trabalham para resolvê-los.

Felizmente o exército americano sentiu a mesma necessidade que Tyler, como montar uma antena de comunicação de forma rápida, fácil, segura e barata?

A resposta é um balão de hélio.

Os transmissores de hoje em dia não pesam mais que 100 gramas. Basta ele estar no alto e descer um fio fino até o rádio que ele funciona normalmente. Antigamente havia um pequeno problema do balão balançar com o vento.

É normal ele balançar, mas é péssimo para a recepção do sinal. A solução encontrada foi criar um híbrido de pipa e balão, ele é um balão oval com pequenas asas de tecido atrás. Ficou perfeito, mesmo em tempestades ele não se move.

Quando Rafir precisava falar com Tyler, ele entrava numa floresta densa e subia o balão. Assim, ninguém sabia o que estava acontecendo.

Tyler sentou-se na mesa e configurou a frequência predeterminada com Rafir. — Alfa, aqui é base, na escuta? — Ele chamou.

Poucos minutos depois Rafir respondeu. — Base, aqui é Alfa, estou escutando.

— Qual a mensagem? — Ele quis saber.

— Senhor… — Rafir respirou fundo e continuou — existe um risco de invasão do Império, por parte do Reino Central.

— Para quando?— Tyler suspirou.

Isso era uma droga. Não era que Tyler tivesse medo de perder, era que agora ele não queria perder seu tempo em uma guerra boba.

—Iminente. — O jovem tenente disse.

— Você está certo disso, como soube? — Tyler perguntou.

— Segui o dinheiro.— Ele explicou. — O Reino Central está reunindo suprimentos de todos os seus maiores comerciantes. Tudo leva a crer que ele estará pronto para ir a guerra a qualquer momento.

— Entendo a sua dedução, mas isso não explica como você soube.

— Senhor, atualmente estamos em Mitraz, uma das cinco cidades fortificadas das fronteiras. Quando chegamos aqui, nos espalhamos por todos os lugares para reunir informações, uma prostituta local chamada Raby percebeu quem éramos no primeiro olhar e decidiu nos ajudar.

— Decidiu ajudar? — Tyler ficou confuso. — Assim do nada? Isso parece ser uma armadilha, tomem cuidado!

— Eu também pensava o mesmo, mas deixe-me explicar como tudo aconteceu. — O jovem pediu.  — Essa moça chamada Raby, já havia notado os grandes fluxos de mercadoria e sabia que uma nova guerra estava por vir. Ela viveu a vida toda rodeada por soldados, como disse, por isso reconheceu-nos no primeiro olhar, mas achou estranho a forma como agíamos.

— O que vocês fizeram de estranho? — Uma curiosidade passou pelos olhos de Tyler.

— Agimos parecido com o senhor! — Ele respondeu.

— Hã?! — Tyler não entendeu nada.

— Veja bem mestre, fomos treinados pelo senhor e seguimos os mesmos princípios que o senhor. Também é preciso notar que os feitos e a bondade do mestre são conhecidos por todos os cantos desse continente. Quando ela viu soldados se comportando bem e não intimidando os mais fracos, ela juntou as peças e sabia que o Reino Central entraria em guerra conosco, assim decidiu ajudar. Ela quer livrar o povo desse rei tirano.

Tyler respirou fundo e bateu os nós dos dedos na mesa enquanto pensava. A história parecia plausível, tinha seus riscos, mas parecia plausível.

— Isso vai atrapalhar completamente nossos planos, quero evitar a guerra nesse momento. — Ele confessou.

Tyler não tinha nenhum medo de ir contra o Reino Central, ele sabia que perder era quase impossível, o problema é que agora não era um momento muito oportuno. Ele mal começou a estruturar seu novo exército e pelo que viu nessa pequena batalha, ainda faltava muito para afinar esses homens e deixá-los 100% operacionais.

Atlantis D.C estava se erguendo aos poucos, contudo o principal motivo era que, agora, Tyler se dedicaria mais na procura do portal para à Terra. Nas vezes em que mal dormia, ele tinha pesadelos com Calie, ela era uma mancha em sua consciência, ele precisava ao menos tentar, de todas as formas, trazer a mulher que amava para esse mundo. Todo o tempo era preciso.

A missão na qual Rafir estava, era um atalho da guerra. Ele, invisivelmente, cortaria todas as cordas de sustentação do Reino Central, pois quando percebessem já não haverá mais chance.

Pelos cálculos dele, uma guerra perfeita não duraria nem uma semana, mas enfrentar a maior potência militar do continente, sem que nenhum dos seus generais morresse, não seria tarefa fácil. Seria pelo menos de 6 à 8 meses de guerra, isso seria desastroso no momento.

— Tem alguma ideia? — Tyler perguntou.

— Tenho uma, porém acho horrível.

— Horrível, como assim? — A curiosidade mais uma vez cresceu nos olhos de Tyler.

— Sabe a cidade fortificada de Mitraz? — Rafir perguntou.

— Sim, é uma das 5 cidades fortalezas que servem como bases do exército do reino, elas são muito fortes e importantes para o reino. — Tyler disse, ele sabia uma coisa ou outra, desde que conversou com várias pessoas para obter conhecimentos sobre seu inimigo mais próximo.

— Que tal pularmos na frente deles e avançarmos com tudo na cidade de Mitraz e destruí-la completamente? Isso assustaria o Reino Central, mesmo que por pouco tempo, dando uma breve trégua. — Rafir disse e completou. — É tudo o que o mestre precisa no momento.

— Quantos homens estão estacionados lá?

— 5.000… — Rafir ficou sem graça.

— Vocês são 12, dá menos de 500 para cada. É um bom número. — Tyler riu.

— O que fazemos? — O jovem quis saber.

— O que é que uma caveira faz ao entrar numa situação de vida ou morte? — Tyler relembrou de uma frase que foi repetida durante todo o treinamento deles.

—Elas riem… — O rapaz completou.

— A árvore da liberdade só pode ser regada com o sangue de heróis.

— Farei o meu melhor. — O rapaz já estava resoluto.

— Planeje com calma e faça tudo em ordem. — Ele aconselhou.

— Sim mestre, eu entendo.

— Não se preocupe, você vai ter uma medalha quando chegar. — Tyler riu. — Como é aí? — Ele perguntou de repente.

— Uma desgraça total, é o que o mestre chamava de covil comunista! Os ricos mandam em tudo, eles inventam dívidas falsas para pegar os filhos dos pobres como escravos, os mais poderosos roubam as terras e deixam os camponeses vivendo no nada. Me sinto horrível só em pensar.

— Então vou emitir minha ordem. — Tyler disse.

— Estou na escuta.

— Veja quem presta na cidade e os deixe a salvo, mas quem for uma ameaça, mate-os e pendure-os nus com estacas transpassando. — Tyler deu a dica.

— Essa é a ordem final? — Rafir esperou.

— Sim, a ordem é extermínio. Seja um fantasma da noite e mate quem estiver no nosso caminho.

— Ordens recebidas base, Ave Império!

— Ave Império! — Tyler retornou a saudação.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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