VM – Capítulo 125 – Duro de matar. (Literalmente!)


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Vroommm!!!

Tyler estava pilotando sua moto em uma velocidade que no mínimo seria descrita como imprudente. O engraçado era que o mesmo feito foi repetido por todos do seu esquadrão.

As árvores passavam como borrões na pequena estrada de barro. Aos poucos alguns caranguejos apareciam na sua linha de visão.

Tyler apenas desviava e continuava seguindo em frente, ele tinha as duas mãos ocupadas e não podia atirar, mas pouco depois de ultrapassá-los ouvia os disparos de metralhadoras.

Os batedores nos carros não deixaram barato a invasão em sua terra natal.

Pouco a pouco o número de feras foi ficando cada vez maior, e a velocidade com que podiam avançar tinha diminuído.

“E agora?” Um oficial perguntou a Tyler quando eles pararam poucas centenas de metros antes do fim da linha das árvores e o início da praia.

“Vamos com tudo, se não der para avançar, abandone a moto e avance a pé!” Tyler respondeu e olhou fundo nos olhos de cada um deles. Ninguém ali desistiria.

Phusss! Phusss! Phusss!

Antes mesmo deles avançarem novamente, eles foram recebidos com disparos de jatos d’água.

“Em frente, agora!” Tyler gritou e acelerou novamente.

Foi uma sorte que os caranguejos não tinham uma mira tão boa, mas Tyler também não podia confiar muito nisso. Ele se esforçou um pouco e começou a pilotar com apenas uma mão.

Logicamente a outra não ficaria desocupada. Ele pegou o lança-granadas!

Phowww!!! Um caranguejo que estava na sua frente estilhaçou-se em mil pedaços.

Uma pessoa normal teria diminuído e agido com mais calma, contudo Tyler tinha sido desperto pelo calor da batalha. Fazia muito tempo que ele não se sentia dessa maneira.

Ele acelerou tudo o que podia e se jogou na batalha como um louco. Seus subordinados que o seguiam de perto ficaram impressionados com a coragem dele, ele atirava granadas, desviava por poucos centímetros das patas que vinham lhe atacar.

Enfim, ele era como um anjo da morte.

“Só mais um pouco…” Tyler disse para si mesmo quando estava a poucos metros de romper a linha das árvores.

“Ahhh!!” Tyler não pôde desviar da gigantesca pata que o atingiu no peito.

No exato momento em que saiu da sombra das árvores e entrou na ensolarada praia, ele ficou momentaneamente cego e não viu o caranguejo bem na sua frente.

De qualquer forma foi uma pancada que teria quebrado vários ossos de uma pessoa comum, e de fato ela lhe tirou o fôlego e o jogou à dezenas de metros de distância.

“Merda.” Tyler gemeu enquanto tentava se levantar e sem ter tempo para se recuperar, já teve que desviar daquelas patas afiadas.

Rolando de um lado para o outro, Tyler tentou pegar a espingarda. Já que seu lançador de granadas voou para longe quando ele recebeu o golpe.

“Tome isso!” Ele atirou quando teve chance.

Depois de cinco tiros à queima roupa o monstro tombou. Tyler recuou um pouco até que o reforço chegasse.

“O senhor está bem?” Um Tenente perguntou quando finalmente conseguiu romper a linha de feras e se juntar a Tyler.

“Sim, vamos em frente.” Ele respondeu.

“Não quer recuar um pouco?”

“Não temos tempo, cadê a C-4?” Ele quis saber.

“C-4!” O rapaz gritou, e em poucos segundos um soldado com uma mochila apareceu.

“Me cubram.” Tyler pediu.

Três homens se juntaram aos outros dois e formaram uma linha de tiro enquanto Tyler pegava o explosivo.

Tyler tinha feito pequenas cargas de meio quilo cada, elas não eram grande coisa em um mundo moderno, mas aqui elas eram um poder sem igual.

As cargas tinham um cronômetro de 15 segundos cada, e Tyler tinha feito 6 no total. Ele ligou o relógio e lançou no centro da massa.

Uma pessoa normal poderia lançar a uma distância de 40 ou 50 metros, mas Tyler tinha uma força muito acima dos outros e as jogou a uns 300 metros, exatamente onde as feras formavam um verdadeiro enxame.

“Fogo no buraco! Fogo no buraco!” Apesar de não haver fogo em nenhum buraco, essa é a frase padrão quando alguma coisa vai explodir, é um costume com mais de cem anos que vem desde os primórdios de quando os primeiros mineiros dinamitavam as minas.

Bummm… Bummm… Bummm…

O chão tremeu violentamente, e pedaços de feras foram espalhados por todas as direções. Foi uma cena fenomenal, pena que não era igual aos filmes e não existia uma enorme bola de fogo consumindo tudo, na verdade, exceto as bombas do tipo incendiárias, quase nenhuma bomba gera muito fogo quando explode.

Fogo é perda de energia, uma boa bomba lança terra e detritos.

“Fogo total agora!” Tyler gritou com tudo que tinha.

Nesse momento toda a tropa já tinha chegado e forneceu apoio, os barcos também estavam à espera das ordens e ajudaram a suprimir o inimigo pelo outro flanco.

“Grruuurrr!!!” Um rugido estranho e gutural veio das feras, mas não de qualquer uma… veio do gigante!

Tyler não era bobo em deixar aquele monstro revelar todo o seu poder, ele pegou o lança-granadas que havia recuperado e atirou.

Bonww…

Tyler tinha mirado bem no centro da fera, porém parecia que ele não era apenas um monte de músculos sem cérebro.

O caranguejo gigante foi muito além da expectativa dos outros e defendeu a granada com sua garra. E contrariando o senso comum, o resultado do impacto foi apenas uma nuvem de fumaça.

“Como?” Tyler ficou perplexo.

“Grruuurrr!!!” O caranguejo grunhiu novamente e disparou para enfrentar o exército.

“Fogo de supressão!” Tyler gritou.

As metralhadoras nos carros miraram apenas no monstro, as balas ricocheteavam como se estivessem batendo em aço, Tyler nunca tinha visto nada igual. Ele ia tentar usar o RPG, mas se isso não desse certo, ela simplesmente teria que desistir e recuar.

Com o lança-foguetes nas costas ele mirou bem no centro do corpo e atirou. O projétil saiu cortando o ar deixando uma trilha de fumaça.

Por sorte o animal estava distraído com as metralhadoras e as granadas, e não viu o foguete chegar. Mesmo assim o tiro não pegou exatamente onde Tyler mirou.

Pegando na parte superior direita do monstro, houve apenas um barulho alto e um flash de luz, o caranguejo ainda andou uns 15 metros, mas tombou de costas.

“Acabou?” Petrus perguntou.

“Acho que sim.” Ele respondeu.

“Vejam, eles estão indo embora!” Uma pessoa gritou.

Era verdade, depois do gigante tombar, os menores começaram a entrar na água. Seus números diminuíram mais da metade, e toda a praia estava tomada por cadáveres frescos e podres.

Tyler andou até o gigante e olhou o local onde o foguete explodiu, era um buraco pequeno de apenas uns 5 centímetros de circunferência. Ele colocou o dedo na carapaça e ficou chocado quando viu que ela tinha quase 10 centímetros de espessura!

Ainda bem que ele tinha usado uma arma anti-tanque, o RPG pode romper até 33 centímetros de aço, mesmo se a carapaça de queratina tivesse a mesma resistência que o aço, ainda sim o foguete poderia derrubá-lo sem problemas. Mas nada tirava o mérito desse monstro que só podia ser abatido com uma arma feita para matar outros monstros de aço.

“Olhe aqui!” Nº1 que surgiu de algum lugar exclamou.

Era o local oposto onde o foguete penetrou, diferente do pequeno buraco de entrada, as costas tinham um rombo do tamanho de uma cesta de basquete. Por ali era possível ver a real extensão dos danos, toda a carne e vísceras do animal estava queimada e destruída. Ele não sabia como esse bicho ainda tinha conseguido dar aqueles passos.

“…” Tyler franziu o cenho quando notou algo estranho. “Você aí, traga a minha camionete aqui!” Ele ordenou.

Depois de alguns segundos um soldado trouxe a camionete que era de uso exclusivo de Tyler. Diferentes das demais que tinham um engradado de suporte para tropas e armas, na dele a carroceria existia apenas uma grande caixa de ferramentas.

Tyler tinha de tudo ali dentro, equipamentos médicos, armas, ferramentas, roupas e tudo que ele achava necessário. Ele pegou um maçarico à gás e começou a cortar a barriga do animal.

Depois de alguns minutos de trabalho ela se abriu sozinha. Todos ficaram surpresos quando milhares de esferas verde lodo caíram no chão.

“Isso…” Tyler pegou uma, ela era do tamanho de uma bola de gude, um pouco opaca e macia ao toque.

“O que é isso?” Nº1 quis saber.

“Ovas.” Tyler respondeu.

“E isso quer dizer que tenho que fazer algo.” Ele disse incerto, mesmo que essa fosse uma invasão, ela ainda era parte do ciclo natural da vida nesse lugar, Tyler ainda não sabia se era coerente interferir tão ativamente no ecossistema local, as vezes retirando esse predador, outros piores poderiam vir.

“Todos vocês, eu quero que cada um com cuidado levem para o mar!”

Os soldados não entenderam a ordem dada, porém não ousaram desobedecer. Eles pegavam lonas e derramavam as pequenas esferas por cima e depois carregavam até o mar.

Mesmo com centenas de homens o trabalho ainda durou quase duas horas, de tão grande que o animal era. Os outros caranguejos que haviam se retirado para o mar, não tinham voltado para as profundezas do oceano, e quando viram as ovas da rainha gigante sendo jogadas, ele também liberaram suas cargas genéticas.

Todo o mar virou um misto bolinhas de lodo e uma espuma rosa, assim como os outros relataram 70 anos antes.

“Olhe!” Nº1 saiu de dentro do animal com um cristal azul brilhante, ele era do tamanho de um abacate e parecia emitir luz própria.

“Isso é um núcleo?” Até Tyler estava com dúvidas. “Deixe-me ver.” Ele pegou o cristal.

Era bem pesado e translúcido, era uma gema para ninguém botar defeito.

Antes de ter chance de olhar com mais calma, um rapaz veio correndo ao encontro dele. “Mestre, o tenente Rafir pede urgentemente que o senhor entre em contato com ele.”


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas


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