VM – Capítulo 121 – Lei de Murphy. Parte 2.



“Puxem!!!” Tyler gritou o mais alto que pôde.

Seguindo a ordem dele os 5 homens giraram o carretel com toda a força que tinham, enquanto Tyler estava na frente puxando com as mãos nuas o grosso cabo de aço.

Tyler podia sentir facilmente a tensão naqueles filamentos, ele ficou rezando secretamente para que o cabo não se rompesse, pois se a fera tivesse força suficiente para tal. Ele estaria perdido.

Pouco a pouco os soldados no remo conseguiram trazer o barco para a margem. Com o barco atolado na areia, ele pediu ajuda para os homens na praia.

Diferente de quando estava em águas profundas e não tinha apoio, a fera ofereceu uma resistência gigantesca que só foi combatida de igual para igual quando várias dezenas de soldados agarraram o cabo.

Depois de alguns minutos de luta intensa, a fera cedeu e foi arrastada para fora.

Um poderoso caranguejo de 3,5 metros de altura apareceu saindo da água. A figura da fera era realmente impressionante, 8 poderosas patas eram como lanças mortais que faziam grandes sulcos por onde quer que passavam.

Sua carapaça era branca em baixo e em cima era um laranja avermelhado muito vivo. Suas duas pinças eram um show de horrores a parte.

Tyler teve certeza de que aquilo poderia partir um homem ao meio, um homem não, um cavalo!

Sem pensar duas vezes ele soltou o cabo e pegou o seu fuzil que estava nas costas.

* Tiro * Tiro * Tiro *

Tyler atirou três vezes no abdômen da fera, os que atingiram na parte inferior, onde a carapaça era mais fina penetraram sem problemas, a grande surpresa foi que o último disparo não penetrou.

Movendo-se em uma velocidade assustadora o caranguejo gigante moveu sua pinça e se protegeu do último disparo.

“Tec…” Tudo o que Tyler escutou foi uma simples batida seca e então ele viu uma pequena lasca se soltar da garra do monstro.

Tyler realmente suou frio agora, não era apenas a força e a velocidade do bicho que excediam sua previsão, sua resistência também era assustadora.

Era preciso levar em conta que um tiro de fuzil pode atravessar uma placa de aço sem grandes problemas, mas quando o projétil enfrentou essa garra abominável, só tirou uma pequena lasca.

“Shhrr.” A criatura chiou com raiva, sem dúvidas os disparos a feriram gravemente. Contudo o impensável aconteceu.

Olhando para Tyler ela abriu a boca e disparou um jato concentrado de água. Quando ele viu aquilo, suas pupilas se contraíram até ficar do tamanho de uma agulha, sem tempo para pensar ele apenas se jogou para o lado.

Aquele jato que não era mais grosso que um dedo humano, passou a centímetros do corpo dele e entrou na terra fazendo um furo perfeito no chão.

Por sorte Tyler tinha um reflexo muito mais rápido do que um humano comum, senão agora ele teria um buraco a mais no corpo.

Com raiva e sem tempo a perder Tyler avançou e descarregou seu pente inteiro no animal.

Depois de tantos disparos a criatura não conseguiu mais ficar de pé e tombou.

“Puxem!” Tyler gritou de novo, o anzol que ainda estava pregado na boca do animal ajudou no arraste.

Com a fera morta uma multidão de curiosos se reuniu para ver como era esse ser terrível. “Eu quero um machado.” Ele ordenou.

Tyler que estava tão perto do bicho não esperou mais que alguns segundos até que um machado de guerra pousa-se em suas mãos.

Além do tamanho irreal quando comparado a um caranguejo terráqueo, ele não encontrou nenhuma diferença óbvia na morfologia deles. Tyler abriu o abdômen puxando toda aquela carapaça.

Pouco a pouco ele foi examinando os órgãos internos, para sua surpresa o animal era quase idêntico aos que ele conhecia.

Sua maior preocupação era encontrar o pericárdio. O pericárdio é o coração primitivo dos crustáceos, que muito simplificadamente é uma veia dentro de outra.

Por sorte Tyler tinha conseguido acertar um disparo bem no meio dele. “Mestre o que é aquilo?” Uma voz suave soou perto de Tyler.

“Você?” Ele ficou surpreso com Nº1 que apareceu de repente ao seu lado, ele quis falar alguma coisa sobre como era perigoso vir para perto desse monstro, mas a criatura já estava morta mesmo. “Aquilo o quê?” Ele quis saber.

“Aquele brilho azul!” Ela apontou o dedo para dentro do animal.

Tyler fixou o olhar para onde a menina apontou. Realmente havia uma pequena luz azulada brilhando entre os órgãos destroçados. “Um núcleo?”

Tyler sacou uma faca e escavou o pequeno cristal que estava incrustado na parede interna do animal. Era grande para um núcleo de besta, na maioria das vezes eles tinham o tamanho de uma unha, mas esse aqui era do tamanho de um polegar.

Sua cor também era bem diferente, no geral as feras tinham núcleos de cor roxa. Tyler já tinha ouvido de Macal que feras que viviam em ambientes muito específicos, possuíam núcleos de cores variadas. Esse por exemplo era azul-claro, bem parecido com a água do mar.

Ele guardou no bolso, parece que ele faria um grande colheita logo em breve. Mesmo sem saber se esse cristal azul teria algum uso diferente do que ele conhecia, ele não poderia deixar passar uma oportunidade tão boa.

“Quem quer comer caranguejo assado?” Tyler brincou.

Um riso correu solto pelos soldados e ajudou a dispersar o clima tenso que surgiu depois deles se depararem com um tanque de guerra desses.

Todos sabiam que a única salvação deles era o seu novo príncipe herdeiro que tinha essas armas poderosas. Parecia ser fácil derrotar um desses com um fuzil, mas quanto de dano uma flecha poderia causar dano naquilo?

“Vamos comer esse rapaz mais tarde, continuem o trabalho!” Tyler ordenou.

Pouco tempo depois o som do trator e de várias motor-serras começaram a ecoar por todos os lados, barreiras e fortificações eram erguidas com o objetivo de atrasar o avanço inimigo, depois de verem o perigo com seus próprios olhos, cada homem teve seu empenho redobrado.

“Nº1.” Tyler chamou.

“Sim mestre.”

“Você não disse que queria entrar no mar?” Um sorriso se formou nos lábios de Tyler.

***

“Isso é seguro mestre?” A menina quis saber.

Narja estava muito ansiosa, ela não sabia nadar e agora ela estava no meio do mar com Tyler.

“Eu não coloquei um colete salva-vidas em você?” Ele retrucou.

“Sim, mas e os bichos?” Nº1 se agarrou ao colete laranja.

“Não se preocupe, é salva-vidas. Você estará segura!”

“Certo…”

“Primeiro vamos ver até onde isso vai.” Tyler ligou um pequeno drone.

O drone voou sobre a superfície do oceano e viajou por centenas de metros de cada lado. Tyler não conseguiu enxergar onde a mancha escura terminava.

“São muitos?” Narja perguntou olhando para a tela do controle.

“Mais do que eu gostaria, vamos para o próximo.” Dessa vez ele usou um microfone submarino. “Então?” Ele perguntou a menina que estava usando os fones.

“Parece como quando o mestre fritou batatinhas.” Narja tentou explicar.

“Deixe-me ouvir.”

Tomando os fones de ouvido ele pôde realmente confirmar. Era um estalado muito parecido com óleo frito.

Tyler marcou o início da multidão e das feras e depois ligou o motor do bote e margeou todo o perímetro.

2 quilômetros de largura por 4 de comprimento. 8 quilômetros quadrados!

‘Isso vai ser uma dor de cabeça.’ Tyler pensou consigo mesmo, se ele tivesse material suficiente, ele soltaria cargas de profundidade e acabaria com esses monstros antes mesmo deles chegarem na praia.

“Mestre, por que eles não estão avançando?” Nº1 perguntou depois de um tempo.

Realmente a menina estava certa, mesmo que eles estivessem muito perto da praia, eles ficaram parados sem avançar.

“Acho que não está na lua correta ainda.” Ele respondeu depois de pensar um pouco.

“Lua?” Narja ficou confusa.

“Sim, muitos animais, principalmente os marinhos têm os seus períodos de acasalamento definidos pelas fases lunares. Estou chutando, mas amanhã será lua cheia, eles devem estar esperando por isso.” Ele explicou.

“Quer dizer que ainda temos mais um dia?”

“Acho que sim, vamos nos preparar para o pior, contudo eu acho que estou certo.”

‘Espere o melhor e esteja preparado para o pior.’ De repente essas palavras vieram a sua mente.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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