VM – Capítulo 120 – Lei de Murphy. Parte 1.


 

 

“Estamos indo ver o mar?” Nº1 perguntou para Tyler.

Atualmente a menina estava colocando sua mochila na camionete, ambos estavam se preparando para viajar até a praia onde a invasão marinha aconteceria.

“Sim, estamos.” Ele respondeu. “Juntou tudo o que precisa?” Tyler perguntou.

“Sim.” Ela assentiu.

“Roupas, meias extras, um kit de primeiros socorros, seu bloqueador solar e etc?” Ele começou a enumerar vários itens.

“Fiz exatamente como o mestre me ensinou.” Ela bateu na mochila conferindo tudo.

“A jaqueta ficou boa?” Tyler perguntou depois.

A jaqueta da qual ele perguntou foi uma que ele tinha importado ainda quando estava no Texas, elas eram feitas de uma mistura de kevlar e poliamida, o mesmo material que fazia as luvas à prova de corte que passavam na televisão. Tyler mandou fazer essas jaquetas tão bem reforçadas, pois esse era o uniforme do aluno do instituto, e esse uniforme o acompanharia por muitos e muitos anos.

Como ele não tinha ideia de qual trabalho cada pessoa teria, era melhor estar preparado. Sem falar que uma roupa dessas seria de grande utilidade contra um ataque de feras em geral.

“Sim, ficou ótima.” Narja tinha sua jaqueta cinza como seu maior tesouro, ela até dormiu com ela na primeira noite em que a ganhou.

“Está com sono?” Tyler quis saber.

“Não.” A menina negou firmemente.

Era quase amanhecer e toda a comitiva estava partindo. Os soldados seguiam montados em cavalos, Tyler e outros COMANDOS seguiam em 10 camionetes e outros 4 caminhões montavam toda a viagem.

Como os cavalos não levavam nada mais que o peso dos próprios homens, a viagem até que seguiu rápida. Tyler já tinha ordenado que as principais estradas fossem consertadas, isso evitou muitos contratempos.

Depois de uns 30 quilômetros Narja dormiu como uma pedra, mas Tyler tinha que reconhecer o mérito dela. Desde que ele a assumiu como aluna, ela virou sua segunda sombra, e mesmo quando ele dava aulas pela madrugada, ela insistia em ficar junto a ele.

Narja parecia não se cansar de ver a mesma aula duas ou três vezes, é claro que ele a pegou dormindo algumas vezes nas aulas de madrugada. Contudo ele sabia muito bem do limite dela e não brigou, ele até a carregou no colo até a cama algumas noites atrás.

Ele riu muito na manhã seguinte quando ela acordou desnorteada, a pobre garota simplesmente não sabia como tinha ido parar na cama.

A quietude da viajem durou até a hora do almoço onde todos pararam e descansaram um pouco, depois de uma refeição rápida eles andaram até que fosse escuro. Esse ciclo se repetiu por mais uma semana, até que chegaram ao pequeno povoado de Costa Formosa.

Costa Formosa era onde a última invasão aconteceu, Tyler supôs que as feras emergiriam dos mares naquela mesma praia. Ele se baseou no hábito das tartarugas que atravessam oceanos inteiros e sabe-se lá como depositam os ovos na mesma praia onde nasceram.

Tyler também havia visto que na Austrália também havia uma grande migração de caranguejos, só que ao contrário do que ocorria aqui, eles iam das florestas onde viviam e migravam para as praias. O único ponto que ele achava ser comum, era que devia ser um período de acasalamento.

Ele não tinha nenhuma prova concreta e estava trabalhando apenas em suposições.

Tyler estacionou no topo de uma pequena colina de onde tinha vista para o mar. “Nº1 acorde, você não vai querer perder essa vista.” Ele chamou a pequena garota.

Ela tinha passado a maior parte da viagem dormindo, ela preferia ficar acordada e estudar com Tyler quando eles estavam parados à noite.

“Hum?” Ela disse sonolenta.

“Você não queria ver o mar?” Ele quis saber. “Ele está na sua frente.”

Esfregando os olhos ela se endireitou no banco e observou aquela linda imensidão azul. “É tão grande!” Ela exclamou surpresa.

“Sim, está vendo o outro lado?” Ele brincou.

“Não.” A menina espremia os olhos tentando enxergar o outro lado.

“Vamos dar uma volta.” Ele chamou.

Narja colocou sua jaqueta, um boné dos yankees e um óculos aviador que Tyler tinha lhe dado ainda em Mil.

Ambos caminharam até a linha da água, ficaram admirando a paisagem. Tyler em toda a sua vida tinha percorrido por dezenas de países diferentes, então ele naturalmente já tinha visto todo o tipo de praias diferentes.

Claras, turvas, frias, quentes, congelantes, calmas e furiosas. Ele achava que as praias de países frios eram as maiores inutilidades que existiam.

Afinal qual era o motivo de se ter uma praia tão convidativa se você não pode banhar-se?

Os países tropicais eram mesmo abençoados por Deus.

Esse era um dos locais que definitivamente entrava no top 20 de Tyler. As águas eram claras e calmas, ele podia ver uma grande distância dentro dela.

“Podemos entrar?” Narja perguntou, ela estava na beira exatamente onde a espuma da onda terminava.

“Hoje não, eu não tenho certeza se é seguro.”

“Entendo.” Ela chutou a terra parecendo meio amuada.

‘Ainda é uma criança depois de tudo.’ Tyler pensou consigo. “Não fique assim, vamos ver o mar muitas e muitas vezes.”

***

“Alguma movimentação na água?” Tyler perguntou a um general que estava no comando antes dele chegar.

“Vossa majestade, à algumas milhas mais a dentro do mar a água está turva e bolhas de cheiro ruim saem toda hora.” O general respondeu.

“E os habitantes, quais os preparativos para eles?” Ele quis saber, independente de qualquer coisa as pessoas eram a prioridade de Tyler.

“Os moradores já começaram a sair. Creio que entre hoje e amanhã todos já terão ido embora.” Ele reportou.

“Eu e meus homens vamos proteger a praia e construir barricadas defensivas de formas sucessivas até aqui.” Ele apontou para um mapa estirado sobre uma mesa, a última barreira estava a quase 40 quilômetros da linha da água.

“Não é muito longe?”

“Não sei, eu não tenho ideia do tamanho do exército inimigo, é melhor estar precavido.”

“Eu entendo, sendo assim eu vou pessoalmente cuidar da retirada.” O general assentiu e se retirou junto com seus assistentes.

***

“Aqui, aqui e aqui.” Tyler apontou para vários locais diferentes. “Quero as barreiras como um V, temos que afunilar o inimigo.”

Tyler estava falando com o operador do trator, seu objetivo agora era montar barreiras que não só impediria a passagem livre dos caranguejos, como facilitava o contra ataque dos soldados.

Para facilitar o processo eles estavam usando as barreiras de terra Hesco. Esse tipo de barreira veio substituir os simples e complicados sacos de terra usados desde antes da 1º guerra mundial.

Em 1990 a empresa Hesco teve uma grande sacada quando inventou um tipo inovador de sacos de areia, era um grande ‘bag’ feito de lona resistente envolto em uma armação de metal. Quando esticado ela se arma sozinha e fica pronta para se encher de terra.

Muito mais prática e resistente, elas rapidamente substituíram os antigos sacos de areia. Hoje em dia todas as bases americanas no exterior tinham seus muros feitos de Hesco.

Tyler os empilhou até formarem uma sólida muralha de 4 metros de altura e nas extremidades de cada ponta do “V” ele colocou um ninho de metralhadora.

“Os morteiros já estão posicionados.” Petrus informou.

“Ótimo, agora consiga um barco grande, nós vamos pescar um pouco.” Tyler riu.

“Certo…” Petrus estava desconfiado dos planos de Tyler, ela sabia muito bem do que ele era capaz.

***

“Isso vai dar certo?” Petrus perguntou.

Ambos estavam em um barco de pescadores junto com mais 5 tenentes formados e outros soldados que ficaram responsáveis pelos remos.

“Não faço ideia, mas confie em mim. Eu sou engenheiro!” Tyler riu enquanto terminava de enroscar uma carcaça de carneiro em um gigantesco anzol.

“Mest…” O homem soou fraco ao ver Tyler lançar o anzol no mar e segurar um grosso cabo de aço.

“Segurem firme o carretel, creio que não vai demorar muito.”

Poucos segundos depois da isca chegar no leito oceânico, um puxão violento fez toda a embarcação gemer.

“Segurem o cabo! Remem com toda a força!” Tyler gritou e correu para puxar o carretel junto com os outros rapazes.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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