VM – Capítulo 118 – Más notícias nunca andam sozinhas.



Depois de mais ou menos 10 dias N°1 e os demais estudantes se acostumaram com o ritmo de ensino do instituto, para prevenir algum tipo de bullying entre os estudantes, Tyler fez com que no momento em que eles entravam no instituto eles perdiam qualquer status e título de nobreza.

No primeiro momento, vários pais foram contra e exclamaram sua indignação, contudo Tyler sabia muito bem como não só contornar a situação como também usar isso ao seu favor.

Como plano de governo de longo prazo Tyler queria acabar com os títulos de nobreza hereditários, mas ele sabia que se fizesse de forma abrupta ninguém aceitaria de bom grado e o seu governo não teria nenhum apoio. Para controlar os ânimos Tyler ofereceu um título exclusivo para quem se formasse no instituto imperial, seria um Estadista Imperial.

Esse título seria algo nobre, e quanto mais formações e realizações o aluno tivesse dentro do instituto, maior seria o seu peso. Quando os alunos souberam disso suas vontades de estudar foram renovadas, os mais animados eram os de origens humildes.

Agora que tudo entre eles estava “zerado” e as suas futuras conquistas vinham apenas dos seus próprios esforços, eles tinham em mão uma oportunidade única de dar renome para eles e suas famílias.

Outra coisa boa foi que aqueles nascidos em berços de ouro sentiram o perigo iminente e se esforçariam em dobro para garantir que suas famílias não decaíssem.

Tyler sabia que mesmo com um novo título de nobreza feito para substituir o antigo, os nobres ainda sentiam uma certa perda, para remediar isso ele propôs um leilão tecnológico.

O maior problema de Tyler era que ele era apenas um homem, ele tinha muito conhecimento, mas não tinha pessoas para levar adiante tudo o que ele conhecia.

O primeiro passo para estar apto ao leilão era ter um filho, ou alguém “apadrinhado” estudando. Tyler deixou essa cláusula de apadrinhamento em aberto para que os estudantes mais pobres consigam algum relacionamento com pessoas que tenham dinheiro, mas não tenham nenhum parente estudando. Isso fez o status do estudante crescer mais ainda na comunidade.

As tecnologias leiloadas eram bem simples, bombas manuais para poços, equipamentos agrícolas, moedores de farinha, além de plantas de barcos e carruagens. Tudo era muito simples, mas de certa forma era revolucionário.

A simples planta de um tear podia aumentar dezenas de vezes a produção de tecido. Tyler também incentivou o plantio de várias culturas diferentes. O clima geral do reino leste era classificado como tropical, embora Tyler soubesse que nas montanhas ao norte, onde era a terra dos anões, chegava a nevar. Ele pensou que as montanhas deviam ser muito altas.

Já que o clima ajudava, Tyler começou a enviar sementes de milho, trigo, arroz e feijão para várias cidades diferentes.

Além de ajudar na questão da alimentação, ele ainda estava criando todo um novo mercado em cima disso. Por exemplo, com o trigo pode-se fazer farinha, e com a farinha vem os pães, bolos, biscoitos e etc. Já o milho pode servir de ração animal, comido quando verde ou ter o grão beneficiado como o trigo.

Tyler também estava se preparando para ajustar a população criando uma demanda de café, cacau, cana-de-açúcar, borracha natural, dendê e castanha de caju.

Esses três últimos eram mais voltados à indústria como um todo, a castanha de caju contém um óleo natural excelente. Ele pode ser usado como substituto de muitos óleos lubrificantes e hidráulicos.

De qualquer forma uma vez que os alunos pegaram o ritmo das aulas, a coisa fluiu de forma bastante boa, Tyler teve o cuidado de passar um conhecimento prévio para os professores. E muitas das coisas que eles aprendiam eram de usos práticos. Por exemplo, Tyler não estava empenhado a ensinar matemática ao ponto deles saberem equações de 3º grau (ainda não…), era mais proveitoso ensinar mecânica básica, agronomia, botânica e química.

Todos os dias ele acordava Narja às 5:30, fazia uma pequena corrida com ela e depois tomavam um belo café da manhã. Ele fez questão de que todo alimento fresco que ela e os demais alunos consumissem fosse cultivado com núcleos de feras, e quando ela comia carne, de preferência deveria ser de alguma fera.

Para onde Tyler ia, Nº1 seguia fielmente atrás, ela nunca reclamou de nada e sempre tentou ser o mais pró-ativa possível. Tyler ensinou como mexer na terra e cultivar na horta, ele lhe deu lições de hidroponia e adubagem, quando andavam de carro ele falava sobre como um motor funcionava e também sobre aceleração e força centrífuga.

Todas as aulas que Tyler dava tanto para Narja como para os alunos eram repletas de imagens e maquetes. Ele sempre tentava deixar a aula mais lúdica e fácil possível, uma das matérias mais importantes era a de administração.

Tyler falou sobre lucro, custo, despesas, formas de gestão, linhas de produções e tudo mais. Na verdade esses cursos mais simples iam ser abertos para as pessoas em geral, e só com a notícia de que o grande mestre Tyler daria aulas de como gerir negócios, foi o suficiente para atrair uma grande multidão.

Se aproveitando dessa popularidade ele começou a treinar cada vez mais os sábios para dar esses pequenos cursos pelo reino.

***

Em uma noite quando Tyler estava começando ensinar um pouco de jiu-jitsu para Narja, ele recebeu uma mensagem pelo rádio.

“Mestre, o tenente Rafir quer falar com o senhor e reportar a missão.” Um operador informou.

“Certo, já estou indo.” Tyler respondeu e foi até o escritório onde tinha um pequeno rádio amador.

Tyler sabia que a comunicação seria a chave para o seu sucesso neste mundo, e para isso ele equipou uma das carruagens que partiu na missão com um rádio amador.

Utilizando frequências AM, esses rádios podem se comunicar por distâncias realmente longas, e dependendo da intensidade do sinal podem até ser ouvidas do outro lado do mundo.

Hoje em dia o seu uso decaiu muito, mas continua vivo dentre os entusiastas e caminhoneiros.

A antiga capital ainda não tinha uma estação de rádio amador, pois Tyler só tinha ensinado aos alunos do curso de COMANDOS e como todos estavam em missões, ele não pôde deixar nenhum deles estacionados no palácio para servir de operador de rádio.

Ainda tinha o fato de ter que construir uma grande antena para transmitir o sinal, de 50 a 100 metros de altura. Rafir só conseguiu mandar essa mensagem graças a um pequeno truque que Tyler lhe ensinou, mas esse truque não era viável em uma situação onde o rádio seria permanente.

No escritório Tyler sentou-se na sua mesa e sintonizou o rádio amador na frequência que tinha sido combinado. “Alfa 1, Alfa 1 aqui é Base, está na escuta, câmbio?”

“Base, aqui é Alfa 1, na escuta, câmbio.” Rafir falou depois de um tempo.

“Algum problema com a missão? Câmbio.” Tyler soou preocupado.

“Base, a missão corre bem. Temos anotado uma grande quantidade de alvos e entendemos como está a situação geral do reino, câmbio.”

“Isso é bom, as informações estavam corretas? Câmbio.” Ele quis saber.

“Negativo, câmbio.” Rafir informou.

“Pode repetir? Câmbio.” Tyler franziu o cenho, algo não cheirava bem.

“As informações estavam erradas senhor, câmbio.”

“Então se explique, câmbio.” Ele pediu.

“Permissão para falar livremente senhor, câmbio.” O jovem pediu.

“Concedida, câmbio.”

“Senhor aqui é a imagem perfeita daquilo  que o senhor vivia chamando de antro de comunistas, até agora eu não vi um só guarda ou soldado que devesse ser poupado, o reino sem dúvidas é rico, mas toda essa riqueza está apoiada em escravos, mesmo os comerciantes são sujos. Em uma cidade que entramos vimos um vendedor oferecendo mãe e filha por 6 moedas de ouro! Mesmo os comerciantes eu diria que apenas 2 de cada 100 são pessoas boas, as pessoas aqui vivem em uma miséria extrema. Câmbio.” Rafir estava visivelmente alterado.

“Acalme-se, esse lugar está com os dias contados, se você fizer um bom trabalho, será ainda mais rápido. Obteve algum alvo de oportunidade? Câmbio.”

“Teremos daqui a alguns dias, em uma cidade próxima um ninho de goblins foi achado, estamos planejando emboscar os soldados e colocar a culpa nos goblins, será fácil. Câmbio.”

“Tenha cuidado, aja mais de noite e certifique-se de não estragar seus disfarces. Câmbio.” Tyler sabia que esse era o momento mais crítico da missão.

“Sabemos disso. Senhor, descobrimos que o poder militar do reino é dividido em 5 cidades-estado diferentes, depois de cumprir essa emboscada vamos até a primeira cidade-estado. Câmbio.”

“Ótimo, mantenha a calma e não seja precipitado, mas acima de tudo lembre-se de tudo que eu ensinei. Agora você é um COMANDO, você representa esse império! Aja como tal. Câmbio.”

“Eu sei…” Rafir ficou calado por um tempo e depois disse. “Vou fazer o meu melhor, Ave Império, câmbio.”

“Ave Império. Câmbio.” Tyler se despediu.

***

Tyler já não dormia e aquela notícia o deixou mais inquieto ainda durante a madrugada. Quando amanheceu antes mesmo dele terminar a sua corrida matinal com Narja, um mensageiro chegou.

“Mestre, uma mensagem do imperador!” O rapaz falou esbaforido, pelo visto ele vinha cavalgando de longe.

“Obrigado.” Tyler pegou uma pequena bolsa de couro.

Quando abriu a bolsa estava um papel com o selo de Otaviano. “Apresse-se o mar começou a mudar, temos pouco menos de um mês até a invasão.”


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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