VM – Capítulo 115 – Instituto Imperial Pedro II.



 

Na calada daquela noite doze homens saíram da cidade, para muitos eles não passavam de mais alguns dos milhares de aventureiros que iam e vinham diariamente para essa cidade.

Tyler só podia desejar-lhes boa sorte, ele agora estava jogando um jogo muito perigoso. Certa vez Erich Hartmann que foi de longe o maior ás da segunda guerra, que abateu mais de 352 aviões disse a seguinte frase: ‘A guerra é um lugar onde os jovens que não se conhecem e não se odeiam, lutam por velhos que se odeiam, mas não se matam.’

Embora Tyler não conhecesse o rei Caliga, ele ainda não queria dar o braço a torcer e admitir que seus objetivos eram um tanto quanto egoístas.

Por várias fontes diferentes, ele soube que muita gente do Reino Central vivia em um estado de miséria extrema. Tyler queria tanto acabar com a sombra de uma guerra com a maior potência desse continente, como livrar essas pessoas da opressão dessas crias de Stalin.

Tyler só não sabia ao certo qual motivação era mais forte. Contudo ele tinha uma estratégia, e essa estratégia era a soma dos conhecimentos de toda uma vida.

Com o Vietnã ele aprendeu a mais valiosa de todas. Uma guerra tem a data para começar, mas nunca uma para terminar.

No Vietnã ele viu de perto o governo dos EUA se afundar cada vez mais em um lamaçal, onde não poderia sair com sua dignidade intacta, os soviéticos tiveram que aprender a mesma lição no Afeganistão.

Tyler pensou em fazer um misto de táticas diferentes e usar como base a guerra do golfo. Aquele teatro de operações se sucedeu em duas grandes operações diferentes, quando o Iraque invadiu o Kuwait, pouco tempo depois os EUA liderou uma coalizão de mais de 30 países diferentes, no primeiro momento eles apenas ficaram estacionados na Arábia Saudita, essa fase se chamou Operação Escudo do Deserto. Mas depois que eles estavam totalmente prontos e já tinham muitos dados de inteligência coletados, a Operação Escudo do Deserto teve fim, e a Operação Tempestade do Deserto começou.

Copiando os moldes alemães de blitzkrieg, a coalizão avançou rapidamente sobre os territórios Kuwaitianos e em apenas 6 meses a guerra terminou, e dessa vez com uma vitória total.

Tyler sabia que o Reino Central nunca acreditaria que Tyler já tinha dado o primeiro passo. Agora ele estava num estado muito vulnerável, todas as suas atenções estavam na construção do seu império e no máximo ficar de olho na invasão marítima que talvez fosse ocorrer em 2 meses.

***

Dois dias depois Tyler estava finalmente começando a montar sua escola. O Instituto Imperial Pedro II.

O intrigante fato de Tyler, um estadunidense homenagear um imperador de uma nação estrangeira, se devia não ao fato dele ter morado no Brasil e ter um carinho especial por ele. Se devia ao fato dele quando novo ler uma citação de Charles Darwin: ‘O Imperador fez tanto pela ciência que, todo sábio é obrigado a demonstrar por ele o mais profundo respeito.’

Tyler passou muito tempo intrigado com aquelas palavras, Dom Pedro II era um completo estranho para ele, quando ele começou a pesquisar sobre. Esse imperador de uma jovem nação era um verdadeiro amante da ciência, ele subiu ao trono aos 15 anos e em seu primeiro ano de governo abriu mais de 100 escolas diferentes.

Isso já é um número expressivo para um mundo moderno, mas foi realmente em 1840! O homem falava alemão, italiano, espanhol, francês, latim, hebraico e tupi-guarani. Lia grego, árabe, sânscrito e provençal. E fez traduções do grego, do hebraico, do árabe, do francês, do alemão, do italiano e do inglês.

Certa vez em seu diário pessoal foi encontrado escrito, ‘Nasci para consagrar-me às letras e às ciências’. E aparentemente foi o que ele fez, dedicando-se aos estudos seus interesses eram diversos e incluíam antropologia, geografia, geologia, medicina, direito, estudos religiosos, filosofia, pintura, escultura, teatro, música, química, poesia e tecnologia.

A erudição do imperador surpreendeu Friedrich Nietzsche quando ambos se conheceram. Victor Hugo falou dele: ‘Senhor, és um grande cidadão, és o neto de Marco Aurélio’, e Alexandre Herculano o chamou de um ‘Príncipe cuja opinião geral o considera como o primeiro de sua era graças à sua mente dotada, e devido à sua constante aplicação desse dom para as ciências e cultura.’ Tornou-se membro da Royal Society, da Academia de Ciências da Rússia, das Reais Academias de Ciências e Artes da Bélgica e da Sociedade Geográfica Americana. Em 1875 foi eleito membro da Académie des Sciences francesa, uma honra dada anteriormente a somente dois outros chefes de estado: Pedro, O Grande e Napoleão Bonaparte.

Outra paixão de sua vida era viajar e conhecer novos lugares, em uma viagem aos EUA, em apenas 3 meses ele percorreu cerca de 15 mil quilômetros. A American Geographical Society organizou uma reunião especial, com a presença de D. Pedro II. Na saudação, o poeta Bayard Taylor afirmou: “Nunca esteve entre nós um estrangeiro que, após três meses de permanência, pareça ao povo americano tão pouco estrangeiro e tão amigo quanto D. Pedro II”.

Outro editor disse: “Quando ele voltar ao Brasil, estará conhecendo mais os Estados Unidos do que dois terços dos membros do Congresso!”.

Mesmo nos EUA a aceitação dele era tamanha que nas eleições para presidente de 1877 ele recebeu só na Filadélfia, mais de 4.000 votos espontâneos.

Parece que não só a sua dedicação aos estudos, mas a sua personalidade também eram muito boas, o que o levou a ter um grande e influente círculo de amizades. Entre os vários estavam Richard Wagner, Louis Pasteur, Louis Agassiz, John Greenleaf Whittier, Michel Eugène Chevreul, Alexander Graham Bell, Henry Wadsworth Longfellow, Arthur de Gobineau, Frédéric Mistral, Alessandro Manzoni, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco e James Cooley Fletcher.

Infelizmente seu longo governo de 58 anos onde o poderoso Império Brasileiro era respeitado e admirado por todo o mundo, acabou em um golpe republicano.

E mesmo tendo apoio da maioria esmagadora da população ele abdicou do seu trono para evitar uma guerra civil e derramamento do sangue de seu povo.

Depois de muito pesquisar e ler sobre a vida desse homem, Tyler tinha um grande apreço por ele. Dar o nome do seu instituto de ensino era a mínima homenagem que ele poderia dar aquele erudito herói esquecido.

***

“Isso, pode abaixar!” Tyler passou no rádio para o operador do guindaste.

A montagem tinha demorado um pouco porque os operadores ainda precisavam se acostumar com a máquina, mas agora parecia que tudo estava dando certo.

Tyler teve o cuidado de nivelar toda a área e também preparar todo entorno. Um a um os contêineres foram colocados em seus devidos lugares.

Quando se tem o cuidado de preparar tudo antes, as tarefas finais são bastantes simples. Tyler estava feliz com sua decisão em comprar esse projeto de contêiner, afinal era só colocá-los lado a lado e empilhá-los.

Trabalhando de manhã e à noite, só demorou dois dias para montar, e outro dia Tyler gastou para estabelecer as conexões de água e luz entre os módulos. Depois disso ele terminou com os acabamentos e mobiliou. Carteiras, mesas, televisores, livros e até simples vasos e quadros de decoração.

“Esse prédio é tão magnífico!” Macal exclamou enquanto andava pelas instalações.

Macal era um dos sábios que andava com Tyler desde a primeira vez que ele foi na capital. A amizade dos dois a muito tempo já tinha se estabelecido. Hoje em dia Macal fica dividido entre cuidar do novo jardim medicinal imperial e aprender nos diversos cursos que Tyler estava dando.

“Gostou?” Tyler perguntou.

“Sim, muito!” Macal estava perdido olhando cada detalhe do prédio.

Deve-se levar em conta que tudo ali tinha vindo de outro mundo, a arquitetura e os materiais eram totalmente diferentes. Não era apenas Macal quem estava olhando o novo prédio.

Todos os sábios faziam uma “inspeção”.

“Que porta magnífica.” Um sábio comentou ao olhar uma simples porta de alumínio.

“É mesmo, tudo o que vossa majestade traz é tão maravilhoso, sempre vai além de qualquer expectativa nossa.” Outro comentou.

“Como será que é feito? É tão leve e fino.”

“O metal é diferente, esse metal se chama alumínio, é um dos mais importantes do mundo.” Tyler disse-lhes.

“Ele é caro?” Um perguntou.

“Se ele é caro, como vocês poderiam fazer portas dele, não seria luxo demais?” Outro quis saber.

“Esse metal tem uma história interessante. O alumínio não possui minas como os outros metais, ele pode ser achado apenas em reservas com minérios onde ele está em uma concentração razoável, mas nunca puro, para extraí-lo é preciso diversas técnicas que envolvem o uso de produtos químicos e eletricidade, muita eletricidade. Além de fogo como qualquer outro metal.” Tyler explicou.

“Então como vocês podem usá-lo em coisas tão simples?” Macal perguntou.

“Desenvolvemos processos melhores e mais baratos, assim foi possível produzir em larga escala.” Tyler informou.

A história do alumínio era um tanto engraçada, apesar de ser conhecido por séculos, por muitos e muitos anos ninguém pôde extrair alguma amostra decente para estudos, os processos de purificação dos minérios como a bauxita que tem muita concentração desse metal dentro só foram descobertos no século XX.

Quando o Monumento a Washington foi construído em 1884, quando foi terminado o alumínio foi escolhido para coroar o topo do obelisco, uma pequena pirâmide de 23 centímetros de altura e pesando 2,8 quilos.

Naquela época era a maior peça do metal já criada, seu valor era quase inestimável. Foi verdadeiramente um grande marco.

Tyler sabia que mesmo se ele achasse grandes reservas de bauxita, ele só poderia olhar para elas e esperar. Talvez daqui a 50 ou 60 anos eles poderiam começar a extrair o minério de forma bem modesta.

Sabendo disso ele deu uma atenção muito maior a esse metal, Tyler tinha trazido centenas de toneladas, mesmo que grande parte dela não fosse nada além de pilhas e mais pilhas de ferro-velho, o alumínio tem essa vantagem, ele não precisa de altas temperaturas para ser trabalhado.

Nada de cobre, ouro, aço ou prata. A maior preocupação de Tyler foi esse metal leve e muitas vezes esquecido na sociedade moderna.

“Quando o senhor vai começar a dar aulas?” Macal perguntou.

“Assim que a primeira leva de cadetes chegarem, quando eles chegam mesmo?” Tyler quis saber.

Esses cadetes eram aquelas crianças vindas de todas as partes do reino para estudarem exclusivamente com Tyler. Elas eram filhas de nobres, comerciantes e até mesmo filhas de aventureiros.

“Creio que chegam amanhã.” Ele respondeu.

“Ótimo.” Tyler sorriu.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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