VM – Capítulo 114 – Operação cavalo de Troia/Operação guilhotina.



 

“Tenente Rafir se apresentando!” Rafir bateu continência assim que entrou no escritório de Tyler.

“Descansar.” Tyler respondeu e apontou para uma cadeira. “Como foi esse período de descanso?” Ele iniciou a conversa.

“Foi muito bom, eu só percebi o quão exausto estava quando cheguei em casa, dormi por quase dois dias!” O rapaz exclamou sorrindo. “Meu pai viu a cerimônia e ficou maravilhado, me fez mil perguntas sobre o treinamento, mas no final teve que se contentar quando eu falei que era secreto.”

“Como militar eu o entendo.” Tyler comentou.

“Eu também, mas hoje eu entendo o real sentido daquela primeira conversa que tivemos, Atlantis é muito mais do que o nosso antigo Reino do Leste.” Rafir confessou.

“Que bom que entenda assim.” Uma expressão feliz passou pelo rosto de Tyler quando ele viu que todo o seu trabalho não foi em vão. “Se você lembra da nossa primeira conversa, então também se lembra que eu disse que você ainda serviria a mim como seu pai serviu ao rei Otaviano?”

“Sim senhor, eu me lembro.” O rapaz não regateou.

“Ótimo, agora posso falar que eu estava prestando bastante atenção em você durante o período de curso. Você se saiu muito bem, mas para servir tanto a mim, como para ao império, você precisa adquirir experiência.”

“Eu entendo, uma guerra longa com o Reino Central seria muito ruim para nós. Mesmo com nossas capacidades muito superiores, ainda não temos pessoal treinado o suficiente.” Depois de passar tanto tempo imerso num mundo onde ele podia enxergar várias facetas de Tyler, ele sabia muito bem do potencial aterrorizante do futuro exército Imperial. Mas o maior inimigo desse jovem império era o tempo. Entrar em uma guerra agora com o país mais poderoso era uma tolice, um bom tempo seria daqui a um ano ou dois.

“Isso é verdade, e todo o nosso sucesso vai depender de você.” Tyler jogou um balde de água fria no rapaz.

“Como assim?” Rafir estava pálido.

“Nossa guerra com o Reino Central será dividida em duas fases. A primeira será a Operação Cavalo de Troia, nessa fase você e seu time entrarão no Reino Central como aventureiros comuns, suas missões serão restritas para apenas coleta de informação.” Tyler esclareceu.

“Agora eu entendo.” Rafir parecia bem mais composto.

“No meu mundo existe um ditado que diz: ‘Os ratos sempre pulam fora do navio quando ele está afundando.’

“E o que isso quer dizer?”

“Pelo que eu soube a maioria da população de lá vive em péssimas condições, quando o Reino Central virar parte do império. Nós vamos cobrar as dívidas com juros, mas como vamos achar os culpados? Os covardes sempre acham um jeito de se esconder ou fugir.”

“…” Rafir estava pegando a linha de raciocínio de Tyler e elogiou secretamente o jeito dele. Seu imperador era um homem que pensava vários passos adiante.

“Como aventureiros, vocês percorrerão cada cidade daquele país. As missões dessa operação estarão divididas em áreas separadas. Em primeiro lugar eu quero um mapa confiável de cada estrada e cidade importante, e em segundo lugar eu quero saber quem presta ou não naquele país.” Tyler tinha uma cara azeda.

“E como eu vou fazer a segunda parte dessa missão?”

“Vá andando e sondando. Prostíbulos, favelas, bares, guildas e lojas serão ótimos lugares para extrair informação. Eu não quero que você tome alguma atitude enquanto recolhe essa informação, apenas procure saber quem é quem e se possível tire fotos dessa pessoa.”

Rafir já tinha algum conhecimento básico sobre tecnologia e sabia operar câmeras fotográficas e até um pequeno drone.

“Você vai ter o que chamamos de lista negra. Fotografe, descreva o nome e o crime dele, depois o categorize em preto, vermelho ou laranja.” Tyler explicou. “Essas três cores serão a nossa ordem de prioridades, os nomes em preto devem ser eliminados antes da invasão, os em vermelho devem ser eliminados o mais rápido possível assim que a guerra começar. Já os nomes em laranja podem esperar um pouco, mas ainda sim devem ser levados à justiça, mesmo que não mereçam a execução.”

“E como eu vou categorizá-los?”

“Os nomes em negro serão os militares de alta patente, nobres e comerciantes que tenham fortes laços com o governo. Os vermelhos serão quase os mesmos que os da lista negra, mas que tenham uma importância menor lá dentro. E por fim, os laranjas serão toda a escória que você trombar pela frente.”

“Certo, quanto ao emprego da força letal?”

“Discrição é tudo nessa missão, vocês serão como fantasmas, ninguém deve suspeitar de nada. Se possível, evitem confusões, contudo aproveitem os alvos de oportunidade.”

“Alvos de oportunidade?” Ele quis saber.

“Por exemplo, se vocês estão no meio de uma mata isolada e o principal general do reino aparece. Você sabe que tem uma rota de fuga perfeita e também a plena capacidade de abatê-lo. Eu digo que devem aproveitar essa chance!” Ele respondeu.

“Alvos com nomes negros devem ser abatidos se as oportunidades forem boas?”

Tyler pensou um pouco e depois falou. “Sim, mas só se forem muito boas. Melhor ainda é se os eliminarem sem deixar provas nenhuma. Queimem o corpo, enterrem ou joguem no fundo de um rio, eu não ligo, mas se os matarem com armas de fogo devem ter o cuidado redobrado, seria melhor o uso de facas e espadas.”

“Eu entendo, vou ter isso em mente a todo o momento.” Rafir assentiu. “Quanto tempo vai durar essa operação?”

“Tecnicamente seria o tempo que precisar, mas eu queria que fosse no máximo uns três meses.”

“A Operação Guilhotina, durará quanto tempo?”

“Se tudo correr bem eu acho que podemos tomar todo o Reino Central em 10 dias!” Tyler soltou um sorriso travesso.

“Quê???” Rafir não pôde se conter.

“Isso será o que chamamos de Blitzkrieg – a tradução disso é guerra relâmpago. Com a ajuda de uma infantaria motorizada rápida, vamos tomar as grandes cidades de assalto. Seremos rápidos e andaremos leves, tomando recursos dos locais que conquistarmos, depois o exército regular vai tomando controle desses locais. Você deve lembrar que as grandes cabeças do reino deverão estar mortas nessa época.”

“A estratégia do mestre faz muito sentido.” Rafir elogiou.

“Vê como seu papel é fundamental, nossas rotas de ataque serão dadas por você e as grandes mentes que regem aquele lugar só poderão ser mortas se nós soubermos quem elas são.”

“Prometo dar o meu melhor!” O rapaz bateu firme no peito, ele agora estava resoluto.

“Já escolheu todos os nomes?” Tyler quis saber.

“Sim, se fosse possível eu gostaria de acrescentar dois membros a mais ao time, penso que 12 homens funciona melhor se precisarmos nos dividir e também equilibrar melhor as nossas habilidades.”

“Não tenho nada contra.” Tyler concordou, e ficou satisfeito que Rafir pôde ter a sensibilidade de perceber essa pequena pegadinha deixada de propósito. Mesmo nas forças armadas atuais, as unidades de combates especiais quando vão para as missões procuram ir em grupos de 6.

O número 6 é bom, pois quando dividido ao meio se formam trios e se precisar de outra divisão você tem duplas, além de conseguir distribuir adequadamente militares de diferentes capacidade dentro do time.

“Quando partimos?”

“Em quatro dias, passe essas informações para eles e depois os mande se despedir adequadamente de suas esposas, afinal essa missão será perigosa e longa.”

“Entendo, eu vou cuidar disso agora mesmo.” Rafir assentiu.

“Não se esqueça de quão secreta é essa missão, ninguém fora vocês deverão saber.”

“Estou ciente da importância dessa missão.”

“Então está dispensado!”

“Senhor, obrigado, senhor!” Rafir bateu continência.

“Ave império.” Tyler se despediu.

“Ave império.” Ele respondeu.

***

A semana passou frenética, excluindo os homens que estavam se preparando para essa longa missão fora de casa, ninguém se deu ao luxo de descansar.

Os outros 68 formados se dividiram em vários times, Tyler começou a limpar os territórios do seu novo império. Ninhos de goblin, trolls e feras de todos os tipos eram mortas sem piedade, toda e qualquer área perto das cidades ou estradas estavam sendo limpas.

Isso não só deu segurança as pessoas como aumentou as áreas de cultivo. Outra parte estava fazendo as preparações para treinar o exército regular do império.

“Senhor, os batedores disseram que outra caravana chega amanhã.” Noeru avisou.

A caravana da qual ele se referia era outra viagem de container, Tyler já tinha trazido muitas coisas e embora elas não representaram grande parte do volume total das suas compras, ele já tinha sim um considerável suporte tecnológico em Atlantis D.C.

Mas diferente das demais, essa era uma viagem especial. Ela trazia a escola e a casa de Tyler.

Tyler estava dormindo na antiga casa do senhor da cidade, e agora ele achava que estava o suficientemente folgado para montar a sua casa. Quanto a escola, Tyler já achava que era algo de extrema urgência, diariamente ele dava aulas e mais aulas, em quase todo o tempo livre que tinha.

Mesmo que tenha arrumado uma lousa e usasse um datashow para apresentações, as condições eram precárias paras ambos, professores e alunos, já com a escola toda a infraestrutura necessária para melhorar o ensino estava à disposição dele.

“Senhor, tenente Rafir se apresentando junto com sua equipe, senhor!” Os 12 homens bateram continência.

“Isso é bom, sigam-me.” Tyler acenou e os levou até um galpão recém-construído na propriedade do batalhão dos COMANDOS. “Esse presente é para vocês!” Ele apontou para duas carroças velhas.

“Isso…” Rafir não soube o que dizer, elas eram duas carroças simples. Não tinham nada de atrativo, e se fosse considerar nem eram de uma qualidade tão boa assim.

“Se elas enganaram vocês, elas estão fazendo o trabalho delas muito bem.” Tyler os chamou para perto e começou a mostrar os segredos delas.

A carroça era esteticamente bem comum, tinha quatro rodas de madeira e um tecido grosso que formava um toldo. Foi só no momento em que Tyler começou a bater nas laterais e no assoalho é que eles viram a “especialidade” dela.

Os fundos falsos guardavam armas, roupas, munições, rações e equipamentos. Tudo estava devidamente acondicionado em lugares estratégicos e muito bem camuflados.

“Vocês serão um time que viajará por aí caçando bestas selvagens e vendendo as peles delas. Não levantem suspeitas e ajam de acordo, se mantiverem o perfil baixo, essa missão não será complicada.” Tyler aconselhou.

“Nós entendemos, senhor.” Eles responderam.

“Eu só tenho mais dois presentes de despedida.” Tyler empurrou uma pequena caixa de madeira. “Esse é o primeiro lote de comprimidos feitos em parceria com as fadas. Aqui tem pílulas de yang sangrento e outras ervas, se forem feridos elas podem salvar as suas vidas. Meu segundo presente é esse daqui.”

Tyler abriu uma caixa e pegou um facão negro de dentro. Todos os COMANDOS que estão saindo em missão receberam, esse é o de vocês.

O facão tinha sido pedido por Tyler para uma grande empresa sul-africana que só fazia artigos de sobrevivência. Esse facão era uma melhoria exclusiva da que ela já produzia no mercado.

Seu formato era bem parecido com as espadas do filme 300 de Esparta. Tyler apenas pediu para aumentarem a espessura para 3,5 milímetros e adicionou uma serra no dorso da lâmina, outra área lisa para servir de batoque e um skullcrusher no cabo.

Os homens tinham brilho nos olhos enquanto tiravam os facões das bainhas de nylon.

“Vão e vença-os…” Tyler puxou.

“E que por vencido não os conheça!” Eles responderam e todos juntos gritaram. “Caveira!”

“Até mais, Ave Império!” Tyler se despediu, afinal os homens ainda precisavam se arrumar para a partida.

“Ave Império!” Eles retornaram a despedida.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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