VM – Capítulo 111 – Faca na caveira.



“Senhores!” Tyler gritou para uma multidão de 500 soldados completamente alinhados.

Tyler tinha passado o dia todo trabalhando e só agora no final da tarde é que veio falar com os soldados. Ele tinha os feito esperar de propósito, hoje Tyler tinha que fazer um grande “teatro” por assim dizer.

Toda a sua postura estava diferente, Tyler usava um uniforme militar completo e uma boina negra. Hoje ele forjaria uma lenda!

“Vocês estão aqui porque eu decidi treinar homens para a batalha.” Tyler estava falando alto e poderosamente. “E a meu pedido o imperador Otaviano me enviou 500 dos que ele acreditava ser seus melhores homens.”

* Cospe *

Tyler cuspiu no chão e continuou.

“Essa foi a primeira vez que eu vi o imperador errar em seu julgamento! Na minha frente eu só vejo 500 pedaços de bostas diferentes!”

Uma aura de indignação se espalhou pelos soldados. Como esse homem tinha a ousadia de ofender todos esses homens?

“Por sorte de vocês eu sou um homem muito habilidoso, tenho um talento quase divino! Eu posso transformar bostas em homens dignos de carregar essa boina negra!” Tyler apontou para sua cabeça.

“Você ai, o que você vê nessa boina?” Tyler perguntou a um homem próximo.

“Uma faca transpassando um crânio?” Ele disse meio incerto.

“Certo, Sabe o que significa?”

“Não.”

“Isso significa que você nunca será. Esse é o símbolo dos comandos!” Tyler deu uma ênfase no final. “Eu sou um COMANDOS, e isso é algo que só alguns sonharão em ser. Os COMANDOS são assassinos treinados, eles nunca fraquejam, eles nunca recuam e nunca se rendem! Somente alguns poucos de vocês poderão fazer parte da elite suprema dos guerreiros, o meu trabalho pelos próximos dias será separar os fracassados dos poucos homens de verdade. Eu quero apenas que os fracos tenham a consciência de sair logo, eu não me importo que fique 100, 50, 10, 1 ou mesmo nenhum! Eu quero ver quem tem a capacidade de seguir em frente!”

Ouvindo este discurso inflamado o ânimo deles se recuperou muito rapidamente.

“Para aqueles que saírem logo eu agradeço e ainda dou uma moeda de ouro! Por favor, essa é a última vez que eu serei gentil. Apenas pegue essa moeda e vá se divertir bebendo uma cerveja ou coisa parecida.” Tyler ficou brincando com a solitária moeda dourada na mão.

“A glória será destinada aos fortes e apenas aos fortes. No futuro muitos dirão que você já nasce um COMANDOS, e que você vem até aqui para requerer o que é seu. Outros dirão que é uma questão de decisão, se você quer e trabalha duro será capaz de ser um. Pessoalmente eu não dou a mínima, eu só quero os fortes e os bravos comigo!”

Tyler sabia que tinha pego cada um na sua armadilha. “Quem quer se tornar um COMANDOS dê um passo à frente!”

De forma coesa todos os homens deram um passo à frente.

“Eu fui gentil e pedi por favor, mas ninguém quis me escutar. Agora orem a Deus e entreguem suas almas, pois vossos corpos agora me pertence! Querem ser COMANDOS?” Tyler gritou com toda a força.

“Sim!” Eles gritaram em uníssono.

“Nunca serão!” Tyler gritou de volta. “A minha primeira lição é essa, a primeira e a última palavra que sairá da boca de vocês é: SENHOR! Estão entendendo?”

“Senhor, sim, senhor!” Eles prontamente responderam.

“Já que ninguém teve a dignidade de sair cabe a mim expulsar os inúteis, durante todo o processo o meu trabalho será retirar os entulhos, eu não vou aprovar ou reprovar ninguém, vocês o farão por si só! Eu sou o ferreiro que trabalha no ferro. Só o calor das chamas ardentes e as pancadas poderosas podem trabalhar e transformar a escória em metal digno.” Tyler deu uma pausa para respirar.

“Ainda vão continuar?”

“Senhor, sim, senhor!”

“Muito bem, deitem-se e comecem a fazer flexões! Vamos ficar a noite toda aqui!” Tyler riu, para ele que não sentia mais sono isso era uma diversão e tanto.

“1” Ele gritou começando a contagem. “2, 3,4…”

Depois de duas horas ninguém tinha desistido ainda. “Certo vamos fazer uma corrida básica até o dia amanhecer, quem não estiver perto do pelotão está fora!” Tyler gritou mais uma vez.

Esse teste era onde a maior parte desistiria, agora era por volta de 8:00 pm, ficar correndo até o sol nascer era um exercício excruciante.

“Vamos lá, eu tenho algumas músicas para animar!” Tyler começou. “Fui chamado para guerrear!”

Animados os soldados começaram a repetir a música. “Fui chamado para guerrear!”

“Mas na hora “H”, quem diria!”

“O meu fuzil resolveu falhar!”

“Com a faca entre os dentes a ordem era matar!”

“A pele do inimigo e pus no mastro da bandeira!”

“Por isso eu sou chamado de faca na caveira!”

“É faca, é faca, é faca na caveira!”

“Patrulha, patrulha, patrulha a noite inteira!”

“Nas selvas, nas guerras!”

“Contra homens ou contra feras!”

“Escutem a risada da caveira!”

“Iahaha iahahahaha!”

“Iahaha iahahahaha!”

“Iahaha iahahahaha!”

 

500 homens gritavam risadas grotescas dentro da noite, a própria população ficou assustada.

Quando foi 1:00 am Tyler perguntou. “Que está com sede?”

Ninguém era bobo de falar alguma coisa. “Eu sou um homem bom, aqui tem um pouco de água.”

Terminando de falar Tyler ligou um motor-bomba e com uma mangueira de pressão molhou todos. Agora completamente encharcados eles voltaram a excruciante marcha.

Aos poucos os mais fracos foram caindo de exaustão, não que Tyler se importasse, quanto mais, melhor!

Tyler repetiu o processo de encharcamento a cada hora e quando amanheceu 200 homens tinham ido embora.

“Ótimo, mas ainda tem muita merda presa entre os homens.” Tyler acenou para a multidão. “Descansem o quanto podem, eu volto mais tarde!”

Sem precisar de mais nenhuma ordem os homens começaram a cair exaustos no chão, mal sabendo que Tyler tinha outro exercício excruciante para eles três horas depois.

Tyler foi gerenciar uma e outra parte das obras na cidade, os dois portos ficariam prontos hoje e as estradas começavam a ser aplainadas.

“Como vamos nos livrar de toda essa terra?” Dalin perguntou.

O relevo atual da cidade tinha pequenas colinas, porém ele já tinha visto a planta de construção e sabia que Tyler queria sumir com todas.

“Elas serão usadas na própria construção.” Tyler respondeu.

“O mestre vai usar concreto?” Ele quis saber.

“Não.” Ele respondeu.

Embora Tyler tivesse trazido muito cimento para concreto ele não gastaria com coisas à toa. O cimento era um dos recursos mais valiosos que ele tinha agora.

“Então como o senhor quer erguer as paredes e tudo mais?”

“Vamos usar uma técnica chamada hiperadobe. Vamos compactar a terra em um saco e empilhar fileira por fileira até formar as paredes.”

“Não estou entendendo direito.” Dalin confessou.

“Não tem problema, eu estava planejando começar a construir os galpões do porto hoje, você vai entender quando ver, vai ser muito mais simples do que pensa.”

Depois de pegar uma planta na casa do senhor da cidade, Tyler seguiu para o canteiro de obras.

Ele tinha encomendado plantas prontas de várias empresas e isso ajudava muito agora. Em vez de limpar o terreno como seria comum em uma construção normal, os trabalhadores apenas cavaram os locais onde seriam as fundações e encheram de pedras.

“Olhe aqui, o traço da massa será 10 medidas de terra e 1 de cimento. Molhe até que quando você esprema com a mão, ela vire um torrão, mas não grude na mão.” Tyler explicou o ponto da terra para Dalin.

“Pegue o saco e corte no comprimento da parede que vai ser erguida.” Tyler mostrou um saco feito de ráfia. “Agora amarre a ponta e vista o balde.” Tyler mostrou um balde com o fundo furado. “Coloquem a terra dentro!” Ele ordenou aos homens.

Assim pouco a pouco uma minhoca de terra era derramada no chão. Quando eles completaram toda a linha, eles amarraram a boca e começaram a compactar a terra com pesados cepos de madeira.

Quando restava apenas uma fina e sólida camada de terra, começou outra camada. O serviço não era complicado e muitos homens que já tinham uma pequena noção de construção pegaram o jeito de primeira.

Essa técnica só tinha pequenos pontos para se prestar atenção, um era saber o ponto ideal da terra, se fosse bem-feita nem precisava da adição de cimento e a segunda era sempre ir tirando o nível e o prumo a cada nova fiada posta em cima.

Dalin estava completamente animado, ele nunca pensou que algo tão simples poderia ser a solução para tantas coisas.

***

“Hora do café!” Tyler gritou para os 300 soldados que sobraram.

Dessa vez não era nenhuma pegadinha, Tyler tinha preparado um suntuoso café da manhã. Carne assada, leite, queijo e muitas outras coisas eram oferecidas em grandes mesas.

Como se estivessem vendo uma cena do paraíso, os homens avançaram como se não houvesse amanhã.

Tyler não disse nada e apenas ficou de longe sorrindo.

Depois que todos estavam cheios ele gritou. “Muito bem, já que estão reabastecidos, vamos para mais uma rodada de exercícios, ainda temos muito joio no trigo!”

Tyler pôde ver lágrimas saindo dos pobres recrutas, quem não sabia que era uma péssima ideia correr de estômago cheio?

Antes de viajar Tyler tinha pedido para ser feito uma grande pista de obstáculos.

Tinha de tudo, escalada em cordas, pista de obstáculos, pista de pneus, valas com lama, corredores com arame farpado… Em outras palavras um paraíso!

“Quem vai ser o primeiro?” Tyler riu. “O objetivo agora é o seguinte, passem por todo o percurso antes do tempo acabar. Eu vou anotar o tempo de cada um, vocês lutarão contra vocês mesmos, hoje todos podem passar ou todos podem reprovar!”

Após um assovio de apito os homens começaram a ir em grupos de 10 em 10. Tyler ficou alegre quando alguns vomitaram no terceiro obstáculo.

“Hoje vai ser um dia muito bom!” Tyler suspirou contente.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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