VM – Capítulo 100.6 – O fim dos 200 dias.



[Dia 199]

[8:15AM]

Como a data final não era mais que uma especulação, então ele decidiu dar os dois últimos de folga para todos os empregados. Mesmo a empresa de depósitos estava fechada, contudo Tyler não havia saído do escritório. Atualmente ele estava no maior dilema da sua vida.

Ele já havia decidido deixar Calie aqui, mas no seu coração nada estava certo. Ele a queria junto dele, contudo ele também sabia que ela queria ficar aqui.

Tyler seria um rei no outro mundo, se ele fosse para lá, estaria realizando o sonho de todo acadêmico, todavia ficar aqui seria constituir uma família e isso era algo que ele nunca fez.

De que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder sua casa? Essa era uma passagem bíblica que retratava o exato sentimento de Tyler.

“Acho que vou ter que pecar e pedir perdão depois!” Tyler alegrou-se e pegou o seu telefone enquanto ligava para Calie.

“Alô, Tyler?” A voz de Calie tremeu do outro lado da linha.

“Meu anjo, antes que você fale alguma coisa eu quero te dizer que eu te amo, eu te amo muito, nunca senti nada assim por alguém antes e eu quero fazer uma família com você.” Tyler começou a disparar todos os sentimentos presos dentro de si.

“Eu errei e menti para você, mas eu vou contar tudo, eu prometo! Me espere em casa eu vou te buscar, eu vou te buscar e nós vamos ficar juntos!” Tyler ainda estava frenético enquanto falavas tais coisas, mas…

Thu… Thu… Thu… a ligação caiu.

“Que merda é essa?” Tyler ficou irritado quando foi interrompido.

“Senhor Newman?” Uma voz grave e autoritária soou nas costas de Tyler.

Tyler sentiu o pelo de sua nuca se eriçarem. “Isso não é bom…” Ele deixou escapar e se virou.

 

***

[Dia 196]

“Senhor, olhe isso.” Uma inspetora passou uma folha para Reynolds.

“O que é isso?” O inspetor chefe do caso ficou confuso quando viu os dados sobre o local de onde vinha um dos IP’s que participou dos ataques.

Alguns dias atrás, eles finalmente foram capazes de perseguir uma pista. Em primeiro lugar deve-se notar que cada computador tem um número específico, chamado IP.

O IP é como a identidade do computador, dizendo quem é o dono do computador e de onde ele está acessando. Cada site que você entra na internet grava o seu IP. Quando os hackers fazem um ataque, ele tentam mascarar os números verdadeiros criando imagens falsas por todo o mundo.

Felizmente o FBI e a Interpol tem apoios governamentais e verbas grandes. Com um certo trabalho eles conseguiram descriptografar cada IP e descobriram os endereços reais de cada pessoa envolvida.

Reynolds olhou para um endereço em especial, era um escritório empresarial. Segundo constava, lá era onde várias empresas tinham sua sede administrativa.

“Vamos checar essas empresas. Algo não me parece bom.” O homem franziu o cenho.

 

[Dia 199.]

[7:30 AM]

“Senhoras e senhores, infelizmente a ameaça não é tão simples quanto pensávamos. Não se trata apenas de um pequeno grupo de hackers trancados nos porões de suas mães.” Reynolds falou com ênfase para a plateia a sua frente, se tudo desse certo então sua promoção estaria muito mais que garantida. “Segundo os dados reunidos pela nossa inteligência, esse homem, Tyler Newman.” Uma foto mostrou um senhor de idade.

“Ele é um veterano do Vietnã e, acreditem ou não, tem nove formações acadêmicas diferentes.” Houve um certo burburinho na sala, e então o homem completou. “Nunca houve uma só queixa a respeito desse homem, historicamente ele até passou alguns anos na África em programas sociais contra a fome e a mortalidade infantil. Poderíamos dizer que ele era um exemplo de cidadão, até pelo menos 6 meses atrás.”

A sala ficou inquieta, como um homem com um histórico desse se torna uma ameaça?

“Mais ou menos seis meses atrás o senhor Newman começou a comprar diversas coisas que iam muito além do seu poder aquisitivo. Depois ele montou uma holding de empresas, construtoras, depósitos, escritórios, lojas de veículos, postos de gasolinas, distribuidoras alimentares e lojas de armas!”

A expressão nos rostos de cada um era péssima.

“Ele construiu do nada um grupo de empresas que se estendem por áreas muito delicadas, temos provas concretas que ele comprou rifles na casa dos milhares e munição o suficiente para armar um exército por anos!”

“Senhor!” Um oficial da SWAT que estava dando apoio para a operação levantou a mão.

“Sim.” Reynolds falou.

“Ele está ligado a algum grupo terrorista?” O oficial quis saber.

“Ainda não sabemos, tudo o que sabemos é que hoje e amanhã todas as empresas pertencentes a ele estarão de folga. Seja qual for o plano dele, ele vai agir logo!”

Ninguém falou mais nada, agora todos sabiam da gravidade da situação.

“Rápido, vamos fazer o nosso trabalho e evitar que o pior aconteça.” Reynolds incitou o grupo, na verdade não havia nenhum indicativo que algum atentado estava prestes a acontecer, mas felizmente as provas circunstanciais eram muitas e isso autorizava a operação.

 

***

 

Quando Tyler viu quem falou com ele, seu coração caiu. Era um homem na casa dos 30 vestindo um terno preto e um colete balístico, ao lado dele dois oficiais armados com pistolas e usando aquele icônico casaco azul com três grandes letras amarelas, FBI.

“Pois não?” Tyler tentou mostrar uma aparência neutra.

O homem de terno que parecia ser o responsável, andou até ele e disse. “Eu gostaria de informar que o senhor está sendo preso nesse instante.” Um sorriso presunçoso se formou nos lábios dele.

“Eu? Como assim? Qual o motivo?” Tyler jorrou uma série de perguntas refletindo sua clara surpresa e insatisfação.

“Terrorismo!” O sorriso se alargou.

“Impossível!” Tyler soou fraco e completou. “Eu vou ligar para o meu advogado agora mesmo.” Ele mentiu e fingiu estar trêmulo e atrapalhado enquanto discava números aleatórios no celular.

“Você vai ter muito tempo para isso quando estiver preso, Agora vire-se e coloque as mãos para trás.” O oficial ordenou.

Tyler fingia estar aterrorizado e parecia que o homem tinha comprado essa mentira. Mesmo Tyler não o obedecendo, ele avançou e tentou algemar uma das mãos de Tyler, sem ter cobertura dos dois outros agentes.

* Clack * quando o pulso esquerdo dele foi algemado, Tyler agiu.

A palma da mão de Tyler foi de encontro com o nariz do oficial e o tirando de serviço por alguns instantes enquanto ele pulou para os dois outros agentes.

Usando a proximidade excessiva deles como escudo, Tyler atacou os pontos vulneráveis deles, virilhas, traqueia, olhos e nariz.

Tyler foi rápido como um tigre, ele dançou entre os dois restantes. E em questão de segundos todos os três estavam caídos.

“Você!” O primeiro policial atingido falou com raiva.

“Não me culpe por suas falhas.” Ele disse enquanto desarmava cada um deles. “Calie já está sob custódia, não é?” Tyler lembrou-se da ligação caindo de repente.

“Eu não vou falar nada!” Reynolds disse.

“Quer morrer agora?” Tyler disse sério e encostou uma pistola na testa do oficial.

“Sim, ela já está presa.” Ele confessou de primeira.

“Merda!” Tyler o chutou furioso, nesse instante ele soube que não teria mais Calie com ele.

Pensando como tudo estava perdido ele usou de seus planos de contingência. Com o celular ele ligou para um número que há muito tempo ele tinha decorado.

Era o de uma central eletrônica, quando esse número era ativado, todos os integrantes do RH eram notificados de que a casa tinha caído!

Arquivos eram deletados, pessoas iriam se esconder e todo e qualquer rastro apagado, mesmo esse prédio começaria a pegar fogo.

Felizmente hoje Tyler estava com a Mercedes, e não com a F-22. Calie não sabia, mas essa Mercedes era modificada, ela era blindada e com motor mexido que lhe dava uma potência extra.

Tyler colocou o oficial Reynolds no passageiro e entrou no carro. Ele deixou o oficial bem amostra para usá-lo como escudo. Se ele não fizesse isso, uma chuva de balas seria certa, sem contar em ações mais sérias.

“Azul 1, qual a situação?” Uma voz saiu do bolso do homem.

Tyler pegou o rádio e tossiu fingindo estar mal. “Nos fundos, rápido, há um túnel para o esgoto, mandem todos para lá!”

Como Tyler estava na pequena garagem bem abaixo da entrada principal, ele sabia que todas as forças estavam sendo redirecionadas para os fundos do prédio.

* Bum! *

Uma explosão foi a deixa de que ele precisava, Tyler sabia que os homens estavam arrombando as portas.

Sem pensar em mais nada, Tyler abriu a porta da garagem e partiu em alta velocidade.

Tyler ainda recebeu uma saraivada de tiros até que os outros agentes percebessem o colega refém. Usando toda habilidade que tinha, Tyler correu como um piloto de fuga.

Logo um comboio de viaturas acompanhava Tyler, ele contou mais de 20, sem contar os 2 helicópteros.

“Merda!” Tyler cuspiu.

Ele sabia que estava no fundo do poço e agora só lhe restava uma última opção. Pegando um controle remoto no porta-luvas, Tyler começou a apertar números aleatórios.

Esse controle era de certas bombas perto do complexo da US Storage. Tyler sabia que era padrão o evacuamento quando o local estava em risco de explosão.

Sendo assim Tyler queria limpar aquele local.

Por mais de 10 minutos os guardas tentaram de tudo. Tentaram rodá-lo para fora da pista, colocaram pregos para perfurar os pneus e até o intimidaram com o helicóptero fazendo voos rasantes.

Tyler não sabia como, mas por um triz escapou de todos e conseguiu chegar até o terreno.

Um forte bloqueio foi feito na entrada. Tyler usou o controle e explodiu a entrada.

Tyler só usou esse como efeito moral e tomou um atalho pelas cercas da propriedade.

Agora todos estavam desesperados e atiravam sem cessar nele. Usando tudo que tinha

Tyler conseguiu chegar até a entrada da caverna.

Não parecia haver ninguém ali, então ele apertou o último botão…

* Bumm * Bumm * Bumm *

A entrada foi selada, trancando Tyler em seu destino.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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