SE – Capítulo 5 – Ye Hong



Um ano rapidamente se passou.

Assim como a mulher disse, essa criança é especial, muito inteligente.

Bom, acho que fui muito leviano… Essa criança é EXTREMAMENTE inteligente… Tão inteligente que é um absurdo.

A mãe dele disse que com um ano poderá falar, e com dois poderá racionar, certo?

ELA ESTAVA TOTALMENTE ERRADA.

Numa casa em um bairro de classe alta, uma coisa nunca antes vista na terra está acontecendo.

Um bebê está andando pela casa, e um homem está seguindo atrás. O estranho dessa cena é:

“Hong, o que é aquilo ali?”

O bebê perguntou ao homem com intensa curiosidade.

“Aquilo é uma cortina.”

O homem respondeu com um semblante amargo.

Examinando curiosamente a cortina, o bebê continuou a perguntar:

“Para que serve essa tal cortina?”

O homem respondeu amargamente:

“Para bloquear a luz solar de entrar na casa.”

A criança inocentemente continuou perguntando:

“Porque se deve bloquear a luz solar de entrar na casa? Ela faz mal?”

O homem continuou a responder quase que um robô:

“A luz do sol é boa. Quando alguém é muito exposto, pode haver queimaduras, mas a luz solar é muito benéfica. Só que, durante o sono, os olhos das pessoas ficam fechados, isso acostuma os olhos à escuridão, então ao amanhecer, a pessoa fica com os olhos irritados devido ao excesso de sol. A cortina foi feita pra evitar isso.”

O bebê continuou examinando a cortina e voltou a perguntar:

“Então porque não simplesmente deixam de construir janelas? Se estiver tudo fechado, não vai precisar de cortinas para bloquear a luz de entrar na casa.”

O homem parecia extremamente cansado de tantas perguntas, mas ainda continuou respondendo:

“Janelas são necessárias em casas e/ou ambientes fechados. Isso porque sem janelas, ambientes fechados ficam abafados, e por isso precisam ser arejados pelo vento, bem como a luz, que impede do ambiente ficar úmido. Então as janelas são muito necessárias.”

Assentindo lentamente, a criança olhou para a cortina por um tempo e então voltou a andar pela casa.

Esse homem seguindo o bebê é Ye Hong, o médico do hospital, o mesmo homem que foi selecionado pela mulher para criar seu filho.

Ele é um jovem médico, agora com vinte e seis anos. Cursou uma prestigiada faculdade e foi o melhor de sua turma no curso de medicina. A elite da elite estudantil. Uma pessoa inteligente e estudiosa, descendente da família Ye, uma poderosa família na China com mais de trezentos anos de existência.

A sua posição na família é bem especial. O atual chefe da família é seu avô, Ye Chonghu, uma pessoa famosa em toda a China. Ye Hong é o primeiro filho de Ye Lincheng, o filho mais velho de Ye Chonghu. Não só isso, de todos os netos, ele é o mais velho, então naturalmente ele é a melhor escolha para ser o sucessor da família.

Alguém que é inteligente, estudioso e bonito, uma pessoa bem capaz em seu campo. Quando jovem, foi bem sucedido ao ser enviado por seu pai para cuidar de negócios no exterior. Não só bem sucedido, como excedeu e muito o esperado de si, conseguindo o respeito por suas capacidades dentro da família.

Seu pai, Lincheng, e seu avô, Chonghu, tem muito orgulho dele, o amam e o mimam desde pequeno.

E novamente entra sua excelência. Mesmo sendo uma pessoa assim, com talento, esforço, inteligência e uma família rica e respeitada em toda a China, com vasta influência.

Ele ainda assim, com toda a apreciação de sua família e todos os outros fatores, continua uma pessoa extremamente humilde.

Isso tudo graças a um evento que aconteceu quando era jovem. Com doze anos, conheceu o primeiro amor da sua vida. Era uma menina de uma família poderosa, embora não tão poderosa quanto à família Ye. Ela veio com seu avô e pai visitar a família Ye para uma socialização, e estava no jardim, silenciosamente em pé apreciando a bela paisagem em volta.

Naquela época, Ye Hong não era exatamente arrogante, mas com certeza não era humilde, sendo desse jeito, mimado por seus talentos, bem como apreciado por sua poderosa família. Quando encontrou a menina, e se aproximou, ele colocou em ares, atuando como se fosse incrível na frente dela.

É claro, era uma fachada, mas ele impulsivamente foi arrogante com a menina, pensando que era o jeito certo de chamar sua atenção.

Depois de falar um pouco com ela, a menina não tinha nenhuma reação à sua conversa arrogante. Ele notou isso e estava em pânico quanto ao que fazer.

Foi então que ele pensou em uma coisa que seu pai lhe disse uma vez:

‘Filho, se você gosta mesmo de uma menina, seja agressivo. Se você for passivo, nunca vai consegui-la com suas próprias forças. ‘

Seus pensamentos correram rapidamente e ele chegou a uma conclusão. Então, com um impulso de coragem, ele pegou a mão dela, a puxou para seus braços e a beijou.

Eles ficaram na posição de beijo por uns trinta segundos. Não teve língua, apenas o toque de seus lábios. Ye Hong estava gostando do beijo, então deixou acontecer, mas a menina estava claramente atordoada, olhando com olhos arregalados para o que estava acontecendo. Ela definitivamente não esperava isso, e demorou um bom tempo para entender o que aconteceu.

Assim que se recuperou do choque, ela saiu do abraço de Ye Hong com olhos aguados, o olhou com ódio e lhe deu um forte tapa em seu rosto.

Ye Hong recebeu o tapa e ficou estupefato.  Ele pensou que seu pai estava certo e que o que fez foi correto, mas no final, levou um tapa. Virando a cabeça para olhar a menina…

Outro tapa.

Ela o deu outro tapa no mesmo lado do rosto. E então aconteceu algo que Ye Hong não esperava, e algo que nunca iria esquecer pelo resto da vida.

A menina o pegou pela gola da camisa, e chutou suas pernas, fazendo Ye Hong cair no chão.

Montando em cima de Ye Hong, a menina começou a estapear ele ferozmente enquanto chorava.

Ela o estapeou várias e várias vezes.

Não se sabe quanto tempo passou, nem quantos tapas ela deu, mas ela distribuiu tantos tapas no rosto de Ye Hong que parecia até carne viva.

As mãos dela estavam totalmente vermelhas, com certeza deviam estar doendo, mas ela continuou batendo.

Depois de um tempo, um dos servos da família estava passando e, ao ver aquilo, entrou em pânico e correu para separa-los.

O servo segurou a menina e começou a gritar, esperando que outros servos viessem ao seu auxilio.

Logo, dois outros servos vieram, e ao ver a menina chorando e o seu jovem mestre no chão atordoado e com os dois lados do rosto totalmente vermelhos, um deles rapidamente entrou para dentro da casa, enquanto o outro ajudou o rapaz que estava no chão a se levantar.

O servo levantou o jovem ainda atordoado e o levou para um quarto. Momentos depois, um velho levando uma pequena maleta preta entrou, e com um semblante surpreso, fez os curativos no rosto do rapaz e foi embora.

A menina o tempo todo ficou no canto do quarto sendo vigiada por um dos servos. Ela parecia muito triste, como se o seu mundo tivesse virado de cabeça para baixo.

Vinte minutos depois, dois velhos entraram no quarto, seguido por três homens de meia idade.

Ao olhar para a menina chorosa e o rapaz atordoado com o rosto todo enfaixado, um dos velhos ficou pálido e rapidamente correu para falar com a menina, mas ela não falava nada e só olhava para a parede com um semblante triste.

O outro velho olhou para as duas crianças com uma expressão furiosa.

Um dos homens atrás do velho estava franzindo a testa com força, o outro parecia confuso e o último estava olhando consternado para a menina.

Depois de algumas explicações, todos entenderam o que aconteceu.

Os dois velhos na sala eram os respectivos mestres das famílias Ye e Xu, Ye Chonghu e Xu Xilong.

Um dos homens é o pai de Ye Hong, Ye Lincheng, e o outro era o tio, Ye Tian.

O último era o pai da menina, Xu Dongfang.

Ye Chonghu tinha agora um sorriso amargo no rosto, afinal, descobriu que a culpa no final residia em seu neto. Ye Lincheng olhava para o seu filho com um sorriso estranho, e o seu tio, Ye Tian, olhava para o seu amado sobrinho de forma bem confusa, afinal, não é da personalidade de Ye Hong sair por aí beijando meninas.

O avô da menina, Xu Xilong, olhava para Ye Hong bem amargamente. Foi só um beijo, não é algo importante. A menina pode estar com raiva e triste agora, mas com o tempo isso vai sumir. O pai da menina, Xu Dongfang, parecia estar avaliando Ye Hong com um sorriso estranho no rosto.

O primeiro a quebrar o silêncio constrangedor da sala foi o pai de Ye Hong, Ye Lincheng:

“Isso é algo entre as crianças, eu não sei o que aconteceu com o meu filho já que isso não é do seu feitio, mas deixe-os cuidarem dos seus próprios problemas”.

Foi seguido pelas palavras do pai da menina, Xu Donfang:

“Sim, vamos deixar eles sozinhos para se acertarem.”

Assim que terminaram suas frases, foram embora lentamente da sala com sorrisos estranhos no rosto.

Os velhos mestres das duas famílias, como se tivessem entendido alguma coisa, também saíram. O último que saiu foi o tio de Ye Hong, Ye Tian, que olhou para Ye Hong como se quisesse dizer alguma coisa, mas no final não disse nada e saiu do quarto.

Ye Hong já se recuperou do choque até esse momento, mas ainda estava olhando meio bobo, sem saber o que pensar ou dizer. Ao ver as pessoas saindo, ele não sabia se ria ou chorava. Ele tinha mais ou menos ideia do que queriam com essa saída, mas ele mesmo não sabia o que fazer. Afinal, depois de se acalmar, ele percebeu que machucou a menina.

Depois de alguns minutos pensando no que fazer, Ye Hong se levantou da cama e se aproximou da menina que não teve nenhuma reação.

Olhando para ela, ele se sentia estranho. Quanto mais olhava, mais gostava. Mesmo depois de apanhar tanto dela, ele não ficou nem um pouco com raiva, na verdade, ele ficou é com raiva de si mesmo por ter errado tão feito. Os tapas foram um castigo adequado.

Depois de alguns minutos em silêncio, ele abriu a boca para falar primeiro:

“Me desculpa, eu…”

Ele nem começou a falar direito antes de ser interrompido pela menina:

“Eu nunca vou te perdoar.”

Ao escutar isso, Ye Hong sentiu tanta dor no peito que começou a sentir falta de ar, como se algo pesado estivesse em cima, impedindo que ele respire corretamente.

Ele começou a olhar lamentavelmente para a menina, e seus olhos começaram a aguar…

Ele começou a chorar.

Um rapaz de doze anos, ainda tão jovem, depois de escutar palavras tão duras da menina que gostava, começou a chorar.

Ele segurou seu peito em intensa dor e não sabia o que dizer. Embora não estivesse chorando exageradamente, as lágrimas ainda caíam.

Ao ver o rapaz chorando, a menina olhou estranhamente para o rapaz. Depois de um momento, ela se levantou, andou até a porta, abriu e falou enquanto olhava para trás:

“Meu nome é Xu Fei.”

E então ela saiu do quarto, deixando Ye Hong ali, sem palavras.

Desde esse dia, Ye Hong inconscientemente se tornou uma pessoa humilde.


Autor: ReaderBecameWriter    |   Revisor: Blame



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