SE – Capítulo 205 – Estranho



Baijian entendia isso. Esse planeta era mil vezes maior que a terra. O primeiro mapa-múndi conhecido da terra foi feito na Babilônia entre os séculos 6 e 7 a.C. Ele era feito de argila, e embora fosse um “mapa-múndi”, foi feito a partir da perspectiva de que era plano.

O mapa não tinha a América, mostrando que a pessoa que desenhou na época ainda não sabia da existência dela.

O primeiro mapa-múndi da terra desenhado da forma que conhecemos hoje foi feito em abril de 1507 pelo cartógrafo alemão Martin Waldseemüller.

Ou seja, só em 1507 d.C que o mapa-múndi foi completado.

Para um planeta como o de Origens, Baijian não ficou surpreso que não existia um mapa-múndi. Na verdade, faz sentido não ter um mapa desses.

Afinal, para um jogador, uma das coisas mais atraentes é explorar o inexplorado. Então ter um planeta tão grande torna tudo ainda mais excitante. Os jogadores poderão jogar sem parar, e ainda terão coisas a serem exploradas.

O diretor, que se chama Agwen, saiu e voltou depois de um tempo carregando um rolo de papel.

Baijian pegou o rolo de papel e o abriu. Assim que ele abriu, sua mente entrou no rolo. Dentro do rolo, ele conseguiu sentir seus braços e pernas, como se realmente tivesse entrado no rolo.

Olhando em volta, ele viu que o lugar em que estava era um grande salão que, a partir dos seus cálculos, tinha o tamanho de cem campos de futebol.

Ele então olhou para o teto, e ficou surpreso.

O teto ficava a mais ou menos uns quinhentos metros do chão, mas o que o chocou de verdade era que tinha um desenho no teto inteiro.

Não levou muito para perceber que o desenho era o mapa.

De onde estava, ele conseguia ver quase todo o mapa, então não levou nem um segundo para ele olhar, memorizar e analisar todo o mapa.

Observando esse mapa gigante, Baijian sabia que de fato esse continente era gigante… Num nível que mesmo que juntasse todos os continentes da terra, não daria nem 1/10 dele.

Mas ele sentiu que não é absurdo. As pessoas que entrarem nesse mundo terão capacidades físicas melhoradas para outro nível, sem falar que esse jogo com certeza não irá durar só uns cinco ou dez anos.

Pode ser que mesmo depois de mil anos, ainda haverão pessoas jogando esse jogo e explorando esse mundo.

Depois de olhar o mapa inteiro, Baijian pensou em sair, e ele realmente saiu.

Saindo do rolo, ele ficou em silêncio por um tempo antes de devolver o mapa para o diretor.

O diretor Agwen recusou e falou:

“Senhor, essa é uma cópia, pode ficar com ele.”

Baijian balançou a cabeça e falou:

“Eu já memorizei o mapa.”

Baijian também sabia que esse mapa era extremamente difícil de copiar. Ele muito provavelmente levou muito tempo, dinheiro e esforço para isso.

Tendo o mapa na mão não o ajudaria, então ele resolveu devolver.

O diretor ficou chocado ao saber que Baijian já memorizou o mapa, mas ele ainda falou:

“Senhor, pode ficar com o mapa. Mesmo que tenha memorizado, se o senhor quiser dar para alguém, tudo bem. Se o senhor precisar de dinheiro no futuro, pode vender essa cópia e conseguirá muito dinheiro.”

“Em todo o mundo, só a Biblioteca de Verusa tem esse mapa, mas ele é uma cópia. Ninguém conseguirá fazer uma cópia usando uma cópia, então pode relaxar. Se quiser usá-lo para dinheiro, tudo bem.”

“O senhor pode ir até qualquer Imperador de qualquer Império, até mesmo Impérios de outros continentes para vendê-lo, e muito provavelmente conseguirá uma fortuna.”

Baijian assentiu com a cabeça, e finalmente o colocou no inventário. De fato, para ele é útil se vende-lo, sem falar que ele pode dar para as meninas caso elas precisem.

O diretor hesitou um pouco depois de ver que ele aceitou o rolo de papel, antes de perguntar:

“O senhor precisa de mais alguma coisa…?”

Agwen era um homem justo. Ele sabia que esse mapa não valia tanto quanto o que Baijian estava lhe dando, então ele esperava que Baijian pedisse mais coisas para que pudesse pagar de forma apropriada.

Baijian na verdade não tinha muito o que pedir. Se ele pedisse mais coisas, iria facilitar demais seu jogo, então ele respondeu:

“Diretor, não tenho muito mais o que pedir… Só peço que, caso eu precise da ajuda de vocês no futuro, possam me ajudar.”

Ouvindo isso, os olhos do diretor se iluminaram.

É claro!

Ele estava pensando constantemente em como pagar Baijian, mas de fato, o melhor pagamento seria a ajuda dele caso precisasse no futuro.

Honestamente, com o tanto de conhecimento que Baijian irá lhe dar, Agwen não acha que dinheiro vai resolver, mesmo que ele dê todo o dinheiro que tem… Ele sabe melhor do que ninguém isso. Conhecimento vale muito mais do que dinheiro.

Por isso ele estava se sentindo frustrado pensando no que dar em troca, mas ouvindo isso, ele finalmente assentiu com um sorriso. Embora ainda não equivalesse ao que está lhe sendo dado, uma promessa dele de ajuda no futuro é algo que vale muito mais do que dinheiro.

Baijian sorriu vendo que Agwen parecia mais despreocupado, e finalmente falou:

“Me dê um papel.”

Ouvindo o pedido, os olhos de Agwen ficaram vermelhos. Ele pegou centenas de folhas de papel e uma caneta tinteiro e as colocou em cima da mesa.

Baijian pegou e começou a escrever. Sua velocidade era rápida, e ele escrevia sem pausa. Não levou nem três horas antes dele terminar de escrever e entregar as folhas para Agwen, que estava tão excitado que parecia que ia gritar.

Vendo isso, Baijian sorriu gentilmente. Ele gosta de pessoas que buscam algo de forma tão inocente. Para ele, conhecimento é extremamente fácil de se adquirir. Mas para esse homem, mesmo que ele fosse tremendamente inteligente, o conhecimento é uma fonte de prazer, e algo que, mesmo que ele busque a vida inteira, nunca acabaria.

Depois de alguns segundos lendo as folhas, Agwen rapidamente saiu da sua excitação e entregou as folhas para os dois vice-diretores nas suas costas que também estavam extremamente excitados.

Tossindo para acabar com o seu embaraço de mostrar uma cena tão vergonhosa, Agwen sorriu e falou:

“Eu já notifiquei a todos os funcionários que o senhor tem acesso total à biblioteca. Quanto aos livros que o senhor queria… Contanto que o senhor não exagere, pode pegar quantos quiser.”

Baijian assentiu, e ficou feliz. Pegando os livros que estavam ao lado, ele colocou todos dentro do seu inventário, e falou:

“Estou saindo agora.”

O diretor assentiu com a cabeça, e Baijian saiu do quarto enquanto se dirigia para o segundo andar da biblioteca.

Nenhum dos funcionários o impediu, e ele entrou no segundo andar rapidamente.

O segundo andar ainda era bem grande, embora menor do que o primeiro. Baijian usou o mesmo método e conseguiu ler todos os livros.

Depois que terminou de ler tudo, ele foi até um dos atendentes do segundo andar e falou que ia pegar vários livros. Ele também achou muitos livros de missão, então decidiu pegá-los também, dessa vez foram 14 livros.

Somados aos 25 que pegou antes, ele já tinha 39 livros de missão.

Depois foram as vezes do terceiro e quarto andares, ele fez a mesma coisa. A cada andar, o número de livros por missão aumentava. Embora o número de livros em si diminuísse, se comparado com o número de livros por andar, na verdade era maior.

O segundo andar, por exemplo, era mais do que quatro vezes menor, mas o número de livros era 14, enquanto no primeiro andar, que era mais do que quatro vezes maior, o número era 25…

No terceiro andar o número era 9, e no quarto era 6…

Ele sabia que, quanto mais complexo o livro, maior a chance de missão, e mais complicadas são as missões… Ele sabia que as missões dos livros do quarto andar provavelmente seriam extremamente complicadas.

Baijian então decidiu entrar no quinto andar.

O quinto andar era o menor de todos os andares, só tinha uma sala pequena de cinquenta metros quadrados.

Dentro da sala, havia duas mesas de madeira com cadeiras, e uma estante com alguns livros.

Assim que entrou, ele viu um velho que lia um livro em silêncio dentro da sala. Baijian entendeu que provavelmente era alguém que estava tentando desvendar os mistérios dos livros antigos.

Agwen falou sobre os dez livros no quinto andar da biblioteca em detalhes, então Baijian entendeu muito bem o quão atraente o conteúdo desses dez livros é.

Vendo o velho em silêncio sentado em uma das mesas lendo um dos livros, Baijian foi até a estante e pegou os nove livros que estavam lá.

Colocando-os em cima da outra mesa, ele pegou um deles e começou a tentar a ler.

Assim que abriu, a expressão despreocupada de Baijian mudou um pouco já que ele começou a ficar um pouco confuso.

O livro tinha uma língua que ele nunca viu na vida.

Dentro da biblioteca, ele viu inúmeros livros diferentes, todos com línguas que nunca havia visto na terra… A língua normal dentro do mundo do jogo é o inglês, e o próprio tem tradutores para quando um NPC falar, ou quando for ler um livro.

No primeiro nível da biblioteca, sempre que ele pegava um livro, aparecia um pequeno ícone no canto esquerdo inferior da tela. Quando ele clicou, perguntava:

“Deseja traduzir o conteúdo do livro para Chinês?”

Isso porque o conteúdo do livro era em outra língua. Era uma língua própria do jogo, que ele não sabia qual era.

Mas Baijian não traduziu.

Ele já tinha um conhecimento tão grande de línguas que mesmo quando lia um livro com uma língua desconhecida, era só ler as páginas para encontrar os padrões dentro das palavras e entender o que estava escrito.

Baijian já tinha esse talento antes, é apenas que ele precisava de mais esforço para isso.

Mas depois que aprendeu quinhentas línguas diferentes, e adquiriu o que a sua mãe chama de “Essência das Línguas”, Baijian percebeu a velocidade com que aprendia as línguas.

Ele percebeu que à medida que aprendia uma língua nova, se tornava mais fácil aprender a próxima. Quando Ye Hong o entregou trezentos livros contendo línguas diferentes, Baijian planejava usar a deep web para adquirir referências de aprendizado para ser mais fácil e rápido.

Dependendo, ele planejava até mesmo chamar pessoas que conheciam a língua para ensiná-lo.

O problema era depois que pegou o primeiro livro, ele percebeu que conseguia entender um pouco. E só precisava ler o livro, e alguns minutos de análise, para entender os padrões da língua e finalmente entendê-la completamente.

Depois disso, a cada língua que ele tentava aprender sem referências, Baijian se tornou mais rápido. Ele não fez isso nem 50 vezes antes de perceber que conseguia entender qualquer língua só a olhando uma vez.

Essa era a Essência das Línguas.

Mesmo que fosse uma língua que não usasse o alfabeto chinês, japonês, coreano, ou o normal ocidental. Mesmo que fosse uma língua, como a egípcia, Baijian conseguia entender rapidamente.

É por isso que, no primeiro andar, ele leu todos os livros sem precisar traduzir. A mesma coisa para o segundo andar… O intrigante é que os livros no terceiro e no quarto andar não tinham o ícone de traduzir.

Provavelmente a ideia é que, para traduzir, os jogadores, ou precisariam ir atrás de NPC’s, ou precisariam ir atrás de um livro para traduzir.

Embora não tivessem ícones para traduzir, não importava. Sejam os livros do primeiro, do segundo, terceiro ou quarto… Não importava a complexidade do livro, nem a complexidade da língua, ele conseguia ler com um único olhar.

É por isso que ele ficou confuso quando abriu esse primeiro livro… Ele já tinha aprendido a Essência das Línguas, mas estava confuso com as palavras em um livro.

Ele passou a folhear as folhas, e quanto mais lia, mais confuso ficava.

O que o deixou ainda mais confuso foi que a sua memória não ajudava em nada. Depois que ele olhou para a primeira página, e pulou para a segunda página, ele sentiu como se as palavras da primeira página tivessem sumido da sua mente.

Ele conseguia lembrar vagamente, mas as palavras não permaneciam na sua mente.

Quanto mais passava as páginas, mais confuso ficava…

A expressão de Baijian começou a mudar e se tornou grave. Era a primeira vez que sua memória não funcionava, e a primeira vez que seu poderoso cérebro não conseguia analisar algo.

Isso era muito estranho.


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Autor: ReaderBecameWriter  |  Editor: Delongas



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