Ronan – Capítulo 93 – Emboscada – Parte II



Os dez Corvos da Tormenta alcançaram o portão da paliçada guarnecida por uma milícia improvisada que não ousou lhes dirigir a palavra. Escutando apenas o arrastar das botas e grevas, o grupo seguiu em frente, rumo à estalagem Orvalho do Campo.

Chegando lá, Ivar realocou sem cerimônias um grupo de bebuns para outra mesa. Ninguém em sã consciência ousaria ocupar a maior superfície da estalagem quando os Corvos entravam por aquela porta. Eric ocupou seu lugar de sempre, a ponta. Repousou o elmo na superfície retangular de madeira enquanto o machado iria descansar encostado ao lado da cadeira.

Em comemoração ao bom trabalho desempenhado por seus camaradas, Eric comprometeu-se a pagar toda bebida e comida consumida por eles na estalagem durante a noite. E, em homenagem ao pastor que denunciou a espiã de Leon, também prometeu pagar uma rodada da cerveja mais aguada a todos que estivessem junto com eles.

Ivar foi incumbido de uma missão especial, encontrar o bendito pastor e lhe entregar a devida recompensa, quinhentas moedas de prata, o bastante para comprar duas vacas das mais gordas, mas isso seria feito só depois da merecida comemoração.

— Ivar — Eric o chamou. Ao obter sua atenção, prosseguiu: — Tome conta das minhas coisas. Eu já volto.

— Tá bom chefe.

O líder se levantou, caminhou e sumiu nas escadas ao fundo da estalagem.

Os demais guerreiros guardaram os elmos em cima da mesa e começaram a farra da bebedeira. As piadas de Ivar podiam não funcionar no líder dos Corvos, mas com seus camaradas subalternos a situação era bem diferente, cada história narrada e cada trocadilho contado sempre garantiam o bom humor da rapaziada que ria sem medo de ser feliz.

Devidamente ébrios, nem Ivar, nem qualquer outro Corvo notou que o líder havia regressado da escadaria. Eric aproximou-se da mesa carregando na mão direita o seu antigo machado, ergueu-o acima da cabeça e o desferiu, encravando a lâmina na mesa, a poucos centímetros da mão esquerda de Ivar, que empalideceu na tonalidade branca da vela iluminando o centro da superfície.

— Pra não ficar dizendo por ai que sou um chefe ingrato. — Abandonou a arma com a lâmina enterrada na madeira da mesa.

A cor voltou ao rosto de Ivar, que contemplou a arma aposentada de Eric Tormensson. Observou de perto aquela runa cruel. Os demais Corvos se acotovelaram ao lado para verem o presente. Embasbacado, Ivar observou:

— Mas eu não sou um bruxo. Não consigo ativar esse troço.

Com um sorriso no rosto, Eric o sacaneou:

— Você deve atingir seus oponentes com a lâmina, não com a runa.

As gargalhadas dos Corvos constrangeram o pobre Ivar.

Sven, “o barbudo”, ostentador de uma barba loira de dar inveja, levantou o caneco e lançou uma pergunta:

— Chefe — chamou num brado animado. — Com aqueles filhos da mãe lambendo o chão, a nossa missão aqui terminou, não é mesmo?

Eric direcionou o olhar a ele.

— Sim, é verdade. Logo nos encontraremos com o resto dos nossos irmãos. — Suas palavras fizeram os nove Corvos ali presentes se levantarem e brindarem numa saudação empolgada.

— Alias — Ivar começou. — Onde estão os Corvos restantes?

— Na verdade nós somos os Corvos restantes. Eu só não estou com os outros quarenta porque meu irmão temia que aparecesse um manipulador por aqui.

— Muito bonito o seu discurso chefe, mas onde eles estão?

— Na fronteira. Em nossa próxima parada. — Eric levantou-se e ergueu o caneco. — Bebam a vontade irmãos, pois depois de amanhã marcharemos e chutaremos a bunda de um tal imperador.


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Autor: Raphael Fiamoncini



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