Ronan – Capítulo 55 – O Rei do Sul – Parte V



No meio do acampamento, em frente à tenda real, os guardas do rei protegiam o soberano com as suas vidas.

Trajando as novas e belíssimas armaduras eles brandiam suas armas contra os inimigos que os cercavam e proferiam provocações baratas para que saíssem de formação.

Meros tolos.

Um mercenário empunhando uma espada e um escudo avançou, engajando em duelo contra o guarda em sua frente. O agressor atacou e logo esquivou dos golpes do oponente.

Tentou provocá-lo mostrando a língua, fazendo-o ser tomado pela fúria.

Em instantes o campeão real ergueu sua espada montante aos céus para desferi-la num golpe de cima pra baixo, partindo ao meio a madeira do escudo do mercenário, que amedrontado, voltou à formação onde seus colegas hesitavam engajar em combate.

Mas o rei e seus homens continuavam cercados.

Apenas o poder amedrontador dos guardas mantinha os covardes distantes. Para sorte de Henrique, nenhum deles trouxera uma arma de disparo, algo um tanto peculiar.

O rei perguntou-se onde estariam os arqueiros que incendiaram as tendas com flechas incendiárias. Quando terminou de pensar, arrependeu-se, pois um arqueiro surgiu entre duas tendas em chamas.

Ele tirou da aljava uma flecha e a envolveu com uma tira de pano. Levou o projetil ao fogo e o tecido queimou.

— Rapazes! Arqueiro! Protejam-me! — esbravejou Henrique a seus guardiões.

Dois cavaleiros de proporções monstruosas colocaram-se entre o atirador e o monarca. O arqueiro riu, pois não mirou em sua direção. Ele levou a flecha ao arco, tencionou a corda e levantou a arma, mirando a lua lá em cima.

E disparou.

— Boa sorte! — ele se despediu após curvar-se em reverência.

Os mercenários recuaram em disparada, apavorados com algo se aproximando. O som de galopes ressoou nas proximidades. E Henrique recebeu os recém-chegados com os braços abertos.

— A cavalaria chegou. De onde vieram estes príncipes em armaduras brilhantes?

Um dos cavaleiros desmontou.

— Fomos enviados pela imperadora Triss Loboprata. Viemos garantir sua chegada à capital do novo império.

— Ah! — berrou Henrique. — E assim vocês fizeram meus amigos, vou garantir a promoção de todos vocês. Alias, viram a cara dos moleques quando vocês chegaram? Eu acho que uma dúzia deles se borrou nas calças.

Todos riram das palavras do rei. Um zunido chamou-lhe a atenção. Uma flecha caiu próximo de seu pé direito.

— Viram isso? Por pouco a missão de vocês não foi pros ares. — Brincou com a sorte.

Em instantes um zunido somou-se a milhares, o infernal tomou os ares como se um gigantesco vespeiro fosse cutucado.

Algo se aproximava, o que seria ninguém soube dizer, até cavalos serem atingidos, cavaleiros perfurados, guardas alvejados e o rei, trespassado por dezenas de flechas que surgiram da escuridão.

A uma distância segura do acampamento em chamas, uma figura embrenhou-se no bosque.

O arco repousava em suas costas, envolto na metade de baixo por um invólucro de couro, uma espécie de bolsa para facilitar o transporte da arma sem comprometê-la.

Na mão direita ele empunhava uma espada curta, utilizando-a para golpear as folhagens, alargando a trilha por de onde viera minutos antes. Sem pausar ele fez dez cortes, acompanhados pelos passos cujas botas pisaram na vegetação decepada.

Uma clareira tomava forma por entre as folhas diante de seus olhos.

A lâmina foi erguida acima do ombro para descer e decepar aquilo que obstruía sua visão.

No meio da clareira, um rapaz o aguardava, estava cercado por dez arqueiros mirando suas flechas tensionadas contra quem adentrava.

— Um belo serviço. Eu lhe devo meus sinceros parabéns — disse ele.

O mercenário guardou a lâmina, se aproximou e disse com um sorriso no rosto:

— Você tinha que ver a felicidade do coitado, ele acreditou que tínhamos recuado por causa da cavalaria.

A figura misteriosa retirou sua boina marrom, mostrando o cabelo castanho. Com uma das mãos ele coçou a nuca.

— Cavaleiros? — Parecia incomodado.

— Sim, vestiam uma couraça por cima do uniforme azul e cinza.

Os olhos do homem da boina se arregalaram em preocupação.

— Chame seus homens agora! — ordenou enérgico — Vamos partir enquanto há tempo.

O mercenário estranhou a mudança súbita no humor.

— E agora? — perguntou repousando a bolsa com o arco, no tronco da árvore mais próxima.

— Eu partirei em viagem até a Cidade Livre. Se quiser nos acompanhar eu recomendaria que se disfarçassem com as cores do império.

— Você que paga?

— O que você acha?

Um sorriso malicioso se formou no rosto do líder dos mercenários, que recolheu a bolsa e correu para espalhar as novas aos seus camaradas.


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    Autor: Raphael Fiamoncini   |   Revisora: Marina



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