Ronan – Capítulo 32 – Infiltrados – Parte I



O bando formado por cavaleiros em mantos e capuzes negros cavalgava rumo à última cidade ao norte de Leon, Alvovale, local conhecido por ficar no limiar de dois vales convergente, um a leste e outro a oeste. Em cima do morro ela permanecia imponente aos olhos dos visitantes.

Ao longo da história a cidade fora tomada apenas uma vez, há 15 anos, durante o último confronto entre o Império de Leon e o Reino de Lince, numa época onde as tropas lideradas por Alexandre Griffhart conquistaram a região do inimigo, os expulsando da porção oeste do continente.

Permanecendo a meio quilômetro dos altos muros negros da cidade, o bando se aproveitou da escuridão da noite para se aproximar da Floresta Inclinada, que recebera este nome por ocupar as laterais dos vales convergentes.

Os cavaleiros desmontaram dos cavalos e os amarraram no tronco da primeira árvore que encontraram. Em seguida, seguiram rumo ao destino: a Prisão Imperial. Os oito não trajavam suas armaduras completas para à ocasião. Cada um vestia um conjunto de couro por baixo para suportar o impacto e o incomodo da preciosa couraça, a única proteção metálica autorizada para a missão.

Deles todos, apenas o comandante conhecia alguma coisa sobre a região. Ele viera à cidade meses atrás, para visitar o alvo dessa operação. Mas na época foi em missão diplomática e não para resgatar alguém sem o consentimento de quem o aprisionou.

Após quase uma hora vagando na escuridão da floresta, eles chegaram. Vislumbraram a Prisão Imperial com um misto de admiração e medo. Assim como a cidade ela era rodeada por penhascos intimidantes. Para acessá-la da maneira convencional, seria necessário entrar em Alvovale e atravessar a ponte de concreto na ponta norte, que ligava os dois locais, mas em baixo da ponte, uma queda de quinze metros aguardava os incautos.

Prevenido, o comandante do bando obtivera por intermédio dos seus espiões uma rota alternativa ao caminho tradicional pelos portões da prisão. Quando guiou o grupo para fora da Floresta Inclinada, eles contemplaram graças à luz do luar, o paredão rochoso que isolava a prisão “ilhada”.

Os oito retiraram da cintura o equipamento fornecido pelo líder. A picareta de escalada assemelhava-se a um martelo, mas a cabeça tinha o formato de um bico de corvo, projetada para facilitar a perfuração da superfície. Com este instrumento em mãos, a metódica escalada de dez metros, ou talvez mais, teve início.

A subida seria feita de dois em dois para evitar que os ruídos provenientes das golpeadas nas rochas atraíssem a indesejada atenção dos guardas. A previsão da escalada em sua totalidade levaria mais de uma hora, pois a cautela nesta situação era primordial. O comandante e seu braço direito (o cavaleiro, não o membro do corpo) foram à primeira dupla a alcançar o topo.

Lá de cima os dois pioneiros atiraram cordas para baixo, presas por duas estacas metálicas fixadas no chão. Era hora do comandante dar o sinal. Três pedras com um “x” talhado foram jogadas para baixo. O baque delas atingindo o chão atraiu a atenção dos encapuzados que começaram a vasculhar os arredores em busca de uma delas.

Caso encontrassem o “x” marcado, a próxima dupla poderia subir. Não levou dois minutos para encontrarem. Com a ajuda dos primeiros lá em cima, a dupla seguinte nem precisou se utilizar das picaretas.

Contando com a força do comandante e do subordinado, a corda foi puxada em fortes impulsos. Quando os próximos alçaram o topo, o comandante e seu braço direito lhes entregaram as cordas para que puxassem a próxima dupla. Esse processo foi feito e repetido até todos vencerem o paredão. Esta seria a parte fácil, pois as chances de atraírem a atenção das sentinelas era pequena devido à distância.

Na parte superior do declive os oito contemplaram a muralha negra de oito metros que cercava a prisão. Diversas tochas permeavam as torres de vigília onde guardas tentavam em vão avistar invasores na vastidão negra.

O terreno que pisavam era estreito, menos de três metros e meio separavam o precipício escalado da muralha a ser escalada.

Com muita calma o bando seguiu rente ao paredão em direção norte, onde seria realizada a nova e mais perigosa subida. Ao caminharem até lá testemunharam a muralha acabar ao uniu-se à parede do complexo carcerário.

Todos despiram dos mantos negros, revelando a runa talhada na couraça de cada um, porém, os capuzes continuaram ocultando seus rostos, o comandante foi o único a puxá-lo para trás, revelando o cabelo castanho avermelhado. Em seguida, ordenou o braço direito a retirar o gancho de escalada.

Obediente ele mostrou aos demais o instrumento semelhante a um enorme anzol de pesca, mas contando com três envergaduras menos curvadas. Como precisavam evitar o barulho estridente do metal atingindo a superfície, o comandante havia formulado uma maneira de contornar o problema.

— Guibs! — chamou à atenção do braço direito num sussurro. Ao obter a devida atenção, prosseguiu: — Cubra o gancho com aquilo que eu te mostrei no quartel. — referiu-se ao dia que planejaram a invasão.

Guibs jogou o capuz para trás, mostrando seu rosto arredondado e o cabelo curto castanho. Um encapuzado retirou pequenas tiras de couro de dentro da pequena bolsa que carregava presa à cintura. Guibs, encabeçado da vital tarefa, forrou o gancho com as tiras fornecidas e para fixar, utilizou finos fios metálicos. Após envolver o gancho em couro e o couro em arames, tudo estava pronto.

Respirando fundo Guibs preparou-se para o arremesso, encarou o colega encapuzado, o mesmo que lhe entregou as tiras. Quando obteve sua autorização visual, levou o gancho para trás, segurando pela corda girou-o cinco vezes e, com toda a força, o atirou para cima.

O instrumento ganhou voo numa trajetória retilínea demais. O encapuzado concentrou-se, levantou as mãos e disparou uma concentrada rajada de vento para impulsionar o gancho, permitindo que atingisse o topo da prisão a 12 metros de altura.

O couro foi suficiente para suprimir parte do barulho causado com o impacto. Guibs deu um forte puxão na corda, ela parecia travada, deu mais um puxão, com mais força ainda. Estava presa de fato, pronta para ser escalada.

Os oito Guardiões comemoraram em meio a sussurros contidos de satisfação.


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    Autor: Raphael Fiamoncini   |   Revisora: Marina



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