Ronan – Capítulo 21 – O Feiticeiro Carmesim – Parte IV



O pátio do vilarejo virou o inferno. Conjurações de fogo cortaram o ar em enormes labaredas para serem anuladas por escudos conjurados ou barreiras projetadas das runas dos Guardiões. Leonel e Ludwig se refugiaram na lateral esquerda da casa à direita enquanto os demais buscaram abrigo na mureta rochosa do minúsculo jardim da casa ao lado.

Os besteiros agora em pé sobre o telhado disparavam suas armas, mas caiam conforme lanças, esferas e setas luminosas eram disparadas em sua direção. Os coitados não tinham como se proteger daquilo. Leonel não tinha como agradecer a oportunidade que eles proporcionaram. No momento, diversas casas ao redor eram consumidas pelas chamas. O calor atingiu um ponto insuportável. Walfrido, o Feiticeiro Carmesim, buscou refugio na estalagem de onde saíra para se revelar. A posição da maioria de seus cumplices era agora, desconhecida.

Na lateral da casa, Leonel formulou um plano para tirar proveito da situação.

— Ludwig, chame seus colegas. Vocês precisam avançar, eu e os Procuradores daremos cobertura.

O Guardião concordou com o único plano formulado no inferno ardente. E com um berro, convocou seus colegas.

— Frederico, Roth, Rayek. Se preparem. Quando eu der o sinal nós vamos avançar em direção àquele desgraçado.

Leonel não precisou ordenar os Procuradores, com as ordens de Ludwig eles compreenderam suas respectivas funções. Com um grito de guerra, o Guardião liderou o avanço.

— Em nome da Ordem! — disparou ascendendo sua lâmina em chamas, seus colegas repetiram o gesto.

Percebendo o ataque dos Guardiões, os renegados reagiram conjurando as mais variadas manipulações. Uma lança de fogo foi aparada pelo efeito da runa na couraça de Ludwig, que já cruzara metade do caminho. Uma tempestade de areia foi rebatida pela manipulação do ar de Roth. Enquanto isso, os Procuradores lançavam setas de energia pura em direção aos ferozes oponentes. Não para acertar, mas para proporcionar tempo e espaço para os Guardiões adentrarem na casa onde o líder renegado se escondeu. Ludwig foi o primeiro a saltar para dentro da varanda.

Um clarão irradiou da janela e porta aberta, seguida pelas chamas da explosão que engoliu a casa. Os Guardiões foram arremessados para longe, mas o líder estatelou na parede da casa que Leonel usava como cobertura.

O comandante correu em direção ao colega, Ludwig estava seriamente ferido, mas por sorte tinha ativado a runa da armadura e boa parte da energia liberada pela explosão foi absorvida, mas o desenho entalhado se desmanchou ao não suportar, deixando um buraco no peitoral da armadura que a Ordem tanto se orgulhava.

Os demais Guardiões estarreceram em choque, mas em condições melhores que o líder. No meio dos escombros, saindo da cortina de fumaça, Walfrido reapareceu. Leonel e os Procuradores ficaram sozinhos contra o poderoso oponente.

— Adoraria continuar nossa conversa filosófica… jovem comandante. Mas creio que eu possa ser surpreendido novamente por meros arqueiros. — Deu uma pequena pausa para dar um suspiro antes de retomar. — Não gosto de ter que fazer isso, mas terei de apelar.

Apelar? Você acabou de explodir uma estalagem. Se para ele aquilo não foi apelar, Leonel não quis saber o que seria.

— Rand, Rawls — chamou seus Procuradores. — Cerquem-no e deixem uma conjuração defensiva preparada para qualquer coisa.

— Sim senhor — responderam em uníssono.

O Feiticeiro Carmesim não se deixaria cercar assim de graça. Puxou uma pequena faca por baixo do robe branco rajado e fez um corte em sua mão. Leonel percebeu na hora o significado daquilo e, sem hesitar, conjurou uma labareda, Rand e Rawls fizeram o mesmo. O inferno tomou conta de onde Walfrido estava, mas antes das chamas o atingirem, um globo sangrento formou-se onde estava o feiticeiro, girando em sentido anti-horário, agregando para si as chamas dos conjuradores.

O poder proporcionado pela conjuração de sangue fez as feições dos três se contraírem em incredulidade. Foi à segunda vez que presenciavam algo tão macabro. Por um bom tempo àquela situação perdurou. Percebendo a futilidade de continuar, Leonel e seus colegas desfizeram as chamas, se preparando para o que viria a seguir.

Tinham de atacar quando a guarda de Walfrido baixasse, era a única opção.

O globo sangrento parou de rotacionar e o feiticeiro reapareceu. Por intermináveis quatro segundos, os quatro se encararam.

— Me desculpem garotos, isso termina aqui.

Num piscar de olhos ele golpeou o punho onde tinha feito o corte antecessor e a conjuração defensiva voltou. O globo voltou a girar como antes.

Os três se encararam. Mas Leonel percebeu tarde demais, mesmo assim, tentou avisá-los:

— Corram!

O globo expandiu em uma explosão infernal, engolindo tudo em um raio de 100 metros. Por agoniantes milésimos Leonel sentiu a armadura derreter, o cabelo pegar fogo e a pele arder como nunca.

Até tudo acabar.

Uma cratera restava no meio da infernal demonstração de poder. Walfrido vislumbrou o céu limpo da bela tarde, admirou a macabra paisagem e relaxou por sublimes instantes.

Um estralo longínquo.

Um longo silvo.

O familiar som de algo perfurando a carne.

Sangue emergiu do robe branco rajado em carmesim.

Ao longe, empunhando a besta com apenas uma das mãos, Hobb comemorou do alto do telhado onde havia se escondido.

— Isso!


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    Autor: Raphael Fiamoncini   |   Revisora: Marina



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