Ronan – Capítulo 11 – O Rugido da Leoa



Contrastando com o estranho frio dos últimos dias, o calor retornou escaldando os moradores da capital em uma noite de segunda-feira. Na residência dos Briggs, no quarto de Ronan, o rapaz recostado à janela não conseguia tirar da cabeça a chantagem de Nathalia Leonhart.

Mesmo valorizando a amizade que nutria por Dario, perder o financiamento estudantil seria o fim da sonhada jornada como universitário. Quando parava para imaginar o desgosto dos pais caso soubessem do risco que estava correndo, ele sentia o coração partir. Após muito ponderar sobre as possibilidades disponíveis, ele largou-se na cama, vencido pelo estresse.

Lufadas de ar morno entraram pela janela gradeada. A temperatura menor vinda de fora quando comparado à estufa que era seu quarto trouxe uma falsa sensação de frescor as partes descobertas do rapaz, que já havia se revirado na cama mais de cinquentas vezes em busca do frescor de cada parte não melada em suor. E quando atingido por uma rajada fria digna dos invernos do sul, ele adormeceu…

Para acordar alfinetado pelos raios solares que aprendeu a detestar. Levantou-se em segundos e se trocou em outros. Preparado e em meio a tantas dúvidas, decidiu ir consultar os pais sobre os seus problemas, vai que eles teriam uma solução.

Ronan seguiu reto para a cozinha onde Hobb e Laura conversavam sentados ao redor da mesa, sobre as amenidades do cotidiano.

Ao perceber a seriedade no rosto do filho, Hobb perguntou:

— O que aconteceu? Foi dispensado pela menina que gosta?

— Hobb! — disse Laura lhe dando uma cotovelada.

— É que… — Ronan tentou reunir a coragem para abrir o jogo. — Eu gosto de uma garota, mas ela não gosta de mim. — Hesitou com o rosto corado. Não queria preocupar seus pais. Não agora, convenceu a si mesmo.

— Rá! Não falei querida. — Hobb satisfez-se por adivinhar o falso problema do filho. — Pode se sentar campeão, vou te contar uma história.

E por uma hora e meia, Ronan ouviu as galantes aventuras do pai em sua juventude…

Pela centésima vigésima segunda vez.

Como ainda não sabia responder a chantagem de Nathalia, Ronan quis evitar Dario por enquanto. Não iria encontrá-lo no caminho de ida à universidade. Mas precisava encontrar uma resposta logo, afinal, não conseguiria evitar o amigo por muito tempo sem que ele desconfiasse.

Enquanto caminhava ia formulando uma terceira escolha. Pensou em confrontá-la frente a frente, mas soube que não conseguiria fazê-la ouvir a razão. Imaginou apelar à própria coordenação, mas o que iria dizer? Que a filha de um aristocrata estava lhe ameaçando? Que provas tinha para sustentar tamanha acusação?

Aos poucos foi percebendo um detalhe um tanto capcioso: o que ela diria ao próprio pai? O que poderia condená-lo a ponto de perder o benefício? Anna tinha lhe contado que isso era de fato possível, mas a dúvida era: como ela conseguiria?

Munido da incerteza, Ronan se decidiu, iria ignorar a ameaça Leonhart enquanto pudesse. Seria ridículo romper a amizade com Dario baseado em suposições. Se fosse mesmo verdade, e Nathalia de fato conseguisse cancelar o seu financiamento, recorreria contra esse absurdo e encontraria alguma forma de pagar os estudos. Decidido e com um plano em mente, Ronan deu meia volta, pois compartilharia o percurso até a universidade com o amigo.

Após dez minutos de caminhada, cinco para voltar e mais cinco para chegar à residência de Dario, Ronan fez questão de não mencionar a chantagem que tanto lhe perturbava. Foi difícil, não havia como negar, mas pela expressão melancólica desenhada no rosto do amigo, notou que o luto ainda o abatia.

Mas é claro, o que eu esperava da morte de um familiar tão próximo? Ronan refletiu e logo sacudiu a cabeça em desaprovação consigo mesmo, atraindo à atenção do dito cujo, mas ele não se importou, ou aparentou não se importar.

A distração era tamanha que Ronan apenas notou o portão frontal da universidade quando passou por baixo dele. Os dois seguiram reto, ignoraram a fonte do pátio e seguiram o caminho rente à parede esquerda do bloco administrativo.

Enfileirados, os alvos prédios A, B e C ganharam a visão da dupla pouco antes deles pisarem no pátio dos fundos. Os tijolos retilíneos agraciaram as solas dos dois pares de calçados escuros. As duas folhas que compunham a porta do “Bloco A” estavam escancaradas para dentro, prontas para receberem a dupla.

Lá dentro, próximas da escadaria, a visão de um trio atordoou Ronan no meio do caminhar.

— Que foi? — Dario perguntou puxando a alça da mochila. Antes que Ronan recobrasse o juízo, ele avistou as três encostadas na parede próxima à escada. — Entendi… Vamos passar reto, nem ouse encarar a cascavel, muito menos dar atenção ao chacoalhar daquele guizo irritante.

Daquela doce voz ardilosa.

Ronan desferiu dois tapinhas no próprio rosto para que acordasse, sacudiu e acenou com determinação.

— Vamos!

Ignorando todos ao seu flanco direito, Ronan seguiu com olhar determinado para a escadaria. Torceu para Nathalia ignorá-lo, pois havia planejado revelar sua decisão apenas quando um momento oportuno aparecesse; de preferência sozinhos, e bem longe de Dario.

Um dos calçados tocou no primeiro degrau ao mesmo tempo em que uma voz anunciou:

— Ronan!

Os dois viraram ao mesmo tempo, julgados pelo arregalado olhar inquisidor de Nathalia, à frente; avaliados pelos olhos semicerrados de Karen, à esquerda e amparados pelas íris trêmulas de Anna, à direita.

Com os punhos cerrados, Dario manifestou-se:

— Cai fora sua víbora!

— Calado Zeppeli. Isso é entre mim e ele — Nathalia disse sacudindo a cabeça e com os olhos fechados. Quando os abriu, mirados para Ronan, ela prosseguiu: — Então… Já se decidiu? — Com os braços cruzados apontou o indicador da mão direita em direção à vítima.

Os batimentos cardíacos do rapaz dispararam numa fração de segundos.

Assustado, Dario o olhou como se exigisse alguma explicação.

— Cheguei sim. — Ronan fez uma pausa proposital. — Eu não aceitarei a condição.

— Do que vocês estão falando? — Dario já conjecturava o pior. — Que condição é essa, Ronan?

Ignorando as perguntas levantadas por Zeppeli, a Leonhart prosseguiu.

— Devo dizer que o admiro. Se sacrificar por uma amizade tão boba, espero que não se importe em ser expulso da universidade. — Nathalia caminhou a passos módicos e pôs-se de frente à Ronan com um olhar inquisidor. Levou a mão ao próprio ouvido direito, jogou o cabelo para trás e voltou a encarar o rapaz. — Espero que não se arrependa… De verdade.

Os músculos da face de Dario se contraíram numa ira prestes a irromper.

— Ronan, do que ela tá falando? — vociferou.

Mas foi Anna quem não suportou mais a situação. Ela levou as mãos à face para confessar o ultimato profetizado pela amiga.

— A Nat chantageou o Ronan pedindo que rompesse a amizade entre vocês para continuar na universidade. — Sua voz tremulou em um quase choro.

Nathalia grunhiu uma frustração prolongada.

— Anna!

Dario empurrou o amigo para o lado e deu um passo à frente, ficando cara a cara com a Leonhart.

— Como pode ameaçar ele? Sua víbora, sua família inteira é uma linhagem de cobras.

— Parem — Anna esbravejou chorosa.

Karen ficou observando com seus braços cruzados, não se movera desde o início.

Nathalia ignorou o lamento soluçado pela amiga.

— Cobras? Ao menos nosso sobrenome não caiu em desgraça.

— Se caímos em desgraça foi por sua causa — Dario retrucou logo em seguida. — Sempre provamos nosso potencial, mas vocês nunca nos aceitaram como iguais, sempre nos trataram como lixo!

Os dois estavam a centímetros de distância, gritando um na cara do outro. A confiança metódica outrora envolta em Nathalia cedeu espaço a uma frustração incrédula. Os fios dourados dançaram em seu ombro, nas costas e no próprio rosto, picando sua pele pálida, impecável, mas um tanto enrubescida. E, com os dentes brancos a mostra, revelou pondo para fora todo o ódio acumulado pelo sobrenome do rapaz a sua frente.

— Vocês todos são a definição definitiva do termo lixo! Vocês Zeppelis não passam de uma linhagem de renegados em potencial!

Uma pequena roda de estudantes havia se formado nas periferias do corredor sediando a batalha verbal entre estudantes do primeiro semestre.

Dario não se deixaria abater por um comentário tão baixo. Tudo tinha um motivo bem determinado, tudo tinha seus porquês de acontecerem.

— Isso é história! Não é justo querer me culpar pelos crimes dos meus ancestrais.

— É a verdade! Eu nunca vou confiar em alguém vindo de uma família que trouxe tanta desgraça ao mundo.

— Meu irmão morreu lutando contra esses desgraçados! Quantos precisam morrer para que vocês nos deixem em paz?

— Eu não me importo. Por mim todos vocês poderiam ir junto com ele!

Dario não pôde mais se controlar. A fúria animalesca irrompeu para satisfazer seus instintos reprimidos. Num bote ferino avançou sobre a Leonhart, agarrando-a pelo braço esquerdo, machucando-a com o pressionar de seus dedos no braço dela.

A selvageria atraiu mais olhares de terceiros que por ali conversavam ou apenas transitavam. Nathalia levou a mão livre ao braço do agressor, sua força não era o bastante. Ninguém tentou apartá-los. O olhar semicerrado de Karen já tinha se arregalado há um tempo, agora testemunhava boquiaberta, “aquilo”.

— Me solta seu brutamonte! — Nathalia gritou chorosa entre gemidos de dor, tentando desvencilhar o braço esquerdo das garras do predador.

Com a boca aberta e dentes à mostra, Dario vociferou:

— Como pôde falar uma coisa daquelas na minha frente?

— Parem! — Mais uma vez Anna tentou fazer aquela loucura acabar. O choro dela foi acentuando conforme a batalha foi transcorrendo.

Mas ninguém deu ouvido. Karen continuava observando com os braços cruzados e a boca aberta. Ronan, por outro lado, teve a sola do calçado preso ao chão, atraído pelo magnetismo da impotência…

E medo.

Os dois colegas ainda lutavam.

— Me solta ou eu… — Nathalia tentou ameaçá-lo pouco antes de uma pontada dolorida tirar suas palavras da boca.

— Ou o que? — Dario quis testar os limites da rival.

Os mais próximos do embate sentiram um calor irradiante aquecê-los. Não demorou muito para a mão direita de Nathalia ser envolta numa cintilante aura alaranjada, castigando a própria conjuradora e, principalmente, seu algoz.

A raiva crepitando nas entranhas de Dario foi dissipando ante a visão do fogo. Retomando o controle das suas ações, ele projetou a mão esquerda para agarrar o braço da garota por onde diminutas chamas brotavam da aura, trazendo o terror nos rostos dos mais próximos, inclusive de Karen.

Isso. Continue apenas na defensiva. Não faça nenhuma besteira, Ronan torceu em sua mente. Não havia reparado, mas Anna havia parado de choramingar, para soluçar com as mãos no rosto, umedecidas pelas lágrimas escorrendo entre seus dedos.

Como Dario não fora possuído por uma fúria cega, Ronan decidiu não se intrometer dessa vez, ainda mais com uma conjuração de fogo no meio dos dois.      

Apenas um idiota tentaria separá-los.

Mas foi uma idiota que se atirou entre Dario e Nathalia

— Chegaaa! — Anna berrou tentando pôr um fim àquela insanidade.

O grito espantou Dario, fazendo-o largar o braço esquerdo de Nathalia, que lutou e fez de tudo para livrar-se da última mão que a segurava. E num puxão ela se desvencilhou, concentrando toda sua força no braço direito, vencendo os esforços do Zeppeli. Mas não parou por ali. A força empregada acabou excedendo suas expectativas, fazendo o braço desenhar um arco horizontal incandescente em sua trajetória.

Alerta com o perigo que espreitava, Dario saltou para trás, sentindo o calor irradiado aquecendo o seu rosto.

Mas Anna foi surpreendida pelo brilho que se aproximava. Desesperada, o instinto a fez bloquear o golpe incandescente com o próprio braço. O reflexo fez Nathalia reduzir a potência das chamas até restar uma centelha, centelha esta que atingiu o braço erguido por Anna.

As testemunhas fugiram espantando àqueles que nada viram, até por fim, ficarem apenas os três envolvidos no acidente e Ronan. Anna grunhia em dor. Apesar dos esforços da Leonhart, seu braço esquerdo absorveu a pequena chama por inteira, em uma exitosa tentativa de proteger o rosto. A pele atingida enrubesceu e os três entraram em pânico ao mesmo tempo, Nathalia rendeu-se ao desespero. Dario permanecia assustado e Ronan, preocupado.

A melhor amiga da vítima a segurava em seus braços enquanto chorava em meio a mil desculpas. E, em vez de ajudá-la, Dario também balbuciava suas desesperadas desculpas.

E foi da vítima em agonia que vieram as instruções para remediar o acidente.

— Minha… — Anna hesitou em meio a gemidos de dor. — Mochila.

Ronan correu os olhos no corredor vazio e encontrou o objeto indicado próximo à parede. Em menos de cinco segundos ele já estava com ela em mãos.

— Tem uma pequena bolsa branca — disse a vítima entre caretas, antes de parar para recuperar o fôlego. — Lá tem uma pomada e curativos.

Procurando como um desesperado os itens requisitado, Ronan revirou a mochila, até encontrar a bolsa com os itens solicitados.

Ela continuou a dar instruções.

— Passe a pomada onde essa anta me atingiu — disse estendendo o braço machucado, que tremia.

Com o recipiente em mãos, Ronan aplicou a pomada na queimadura com todo cuidado.

— Agora é só enfaixar com uma gaze — ela disse enquanto suprimia a dor proporcionada pelo efeito posterior à queimadura.

Expressões de relativo alívio sinalizaram que tudo poderia ficar bem.

Mais uma vez Ronan seguiu as instruções. Quando os primeiros socorros foram concluídos todos pareciam já ter esquecido a confusão que causaram, exceto Nathalia, que ainda chorava e implorava o perdão da amiga. Dario continuou incomodado com a chantagem, mas não iria trazer à tona aquilo tudo novamente.

Anna agradeceu os rapazes, apesar de eles em parte serem responsáveis pelo acidente. Na verdade, ela parecia responsabilizar a amiga. Ao caminharem para a sala de aula, os dois puderam ouvir Anna dando um esporro em Nathalia.

— Você sabe que ela vai culpar a gente por isso.

— E como.

Anna decidiu não passar na enfermaria após o acidente. A garota justificou a queimadura como se fosse um evento ocorrido em casa, pois mesmo que dezenas de estudantes tenham presenciado o acidente em primeira mão, eles eram de salas e semestres diferentes.

A aula teve inicio sem que suspeitas fossem levantadas. A justificativa dada por Anna acabou satisfazendo quem viesse lhe perguntar o que havia acontecido com o seu braço. E pelo resto do dia tudo ocorreu melhor do que o planejado, pois ninguém mais a incomodou, ou desconfiou.

Anna passava a segunda semana de fevereiro na residência dos Leonhart. Tal costume tornou-se frequente desde que as duas se conheceram quando muito pequenas. Mas durante o caminho de volta, suportar as torrenciais desculpas vindas da amiga foi mais irritante que a própria dor proporcionada por ela. Precisou de três dúzias de: “está tudo bem”, “não tem problema, eu sei que não foi de propósito” e principalmente: “eu te perdoo”, para que ela se calasse por um minuto.

As duas cruzavam o pátio guarnecido da mansão Leonhart, decorado por salgueiros que costumavam arrancar suspiros entusiasmados de Anna Ambrósio.

Eu poderia aproveitar a paisagem e a culpa dela para dar um fim nessa loucura toda, Anna pensou emendando com uma pergunta:

— Não é meio injusto querer punir aquele coitado?

— Pode até ser, mas você sabe que eu faria de tudo para enlouquecer o Zeppeli.

— Eu sinto pena dele. Ele não vem de uma família rica ou tradicional, teve que dar seu jeito para entrar na universidade, e com muito esforço, ele conseguiu.

— Pelos deuses garota, você se apaixonou, é? E desde quando você se importa com quem eu decida atormentar?

Ela enrubesceu de vergonha.

— Não é por isso Nat. Ele também tem seus problemas. Como você não estava na primeira semana graças a sua arrogância e a falta de noção do Zeppeli, você não pôde ver ele se matando para tentar manipular o vento.

— Ele já está com dificuldade? — Um raio de luz perfurou a folhagem do salgueiro, acentuando o dourado do cabelo dela.

Por segundos Anna distraiu-se com a beleza proporcionada à sua amiga. Deixando a admiração para trás e voltando ao que importava, prosseguiu:

— Sim, mas você sabe que isso é normal para os que começam a manipular quando mais velho.

— Não adianta Anna, não posso voltar atrás, minha palavra é lei. — ela disse quando veio lhe abraçar. — Você tem que parar de sentir pena de qualquer coitadinho que encontrar — terminou acariciando aquele cabelo castanho.

Nat, você não tem jeito

Após semanas fora de casa, Magnus Leonhart regressou ao lar tarde da noite. Para sua agradável surpresa, Anna estava passando a semana com a sua filha. Aquela era uma garota que muito admirava, parte por culpa e pena, parte pela determinação feroz que ela demonstrava frente às adversidades. Na noite do seu regresso a convidada já dormia. E dentro do escritório iluminado por velas e com janelas voltadas para o arejado pátio traseiro — onde archotes preso às colunas cilíndricas iluminavam quem próximo delas caminhasse —, no momento, Magnus se ocupava na confecção de uma carta, quando sob o vão da porta, alguém o chamou:

— Papai. — A voz de Nathalia soou doce como mel.

Ele virou-se para trás.

— Boa noite minha filha. Não escutei você chegar. Aconteceu alguma coisa?

Nathalia ainda não sabia como abordar o assunto.

— Tem um garoto na minha turma…

Seu pai interrompeu antes que pudesse terminar.

— Ele fez algo com você? — perguntou preocupado, largando a pena de lado.

— Mais ou menos — ela respondeu mordendo o lábio inferior.

Algo a perturbava, Magnus aguardou ansioso o motivo de ela parecer tão incomodada. Uma expressão de tristeza se desenhou no rosto da filha. Lágrimas começaram a escorrer de seus belos olhos azuis, uma herança sua. Ao vê-la chorando, Magnus se levantou num sobressalto para confortá-la, e sob a sua proteção, ela revelou:

— Tem um rapaz da minha sala… — Soluçou com a mão no rosto. — Papai… Ele me assediou!

Magnus sentiu as chamas lhe implorarem para serem libertas num frenesi.

— Quem foi o cretino?


    Autor: Raphael Fiamoncini   |   Revisora: Marina



Fontes
Cores