Ronan – Capítulo 107 – Aprendiza – Parte VI


Faltavam três dias para irem embora, pensar nisso trouxe um misto de melancolia e entusiasmo ao sorriso de Anna.

O burburinho da água fluindo pelo rio ali perto acalmava os ânimos do casal descansando com as costas apoiadas no tronco de um pinheiro solitário no alto de uma pequena elevação.

A pontezinha de concreto onde compartilharam o primeiro beijo tornou-se o alvo dos olhares saudosos de Ronan e Anna, que reviveram aquela experiência em suas mentes. Assim como aquela vez, lufadas frias sacudiam os fios dos cabelos de ambos, assim como as felpas alvas na gola do casaco do rapaz.

— É como aquela vez, mas durante o dia — ela disse ao se largar sobre o rapaz, roçando-lhe o pescoço com os fios do seu cabelo.

— Está feliz que o nossos dias aqui estão para acabar? — perguntou segurando-a pela mão, para entrelaçarem os dedos.

— De certa forma, sim. Fico aliviada por deixar algumas coisas para trás, mas me entristece saber que ainda tenho muito que aprender com ele.

— O povo daqui parece viver muitas confusões, eles realmente precisam de gente como você e os instrutores por perto.

— Mas o pior é que deixamos uma moça morrer dias atrás, poderíamos tê-la salvado.

— Sério? O que aconteceu?

Anna inclinou a cabeça e o beijou na bochecha.

— Política meu amor, política…

A resposta o confundiu, mas não quis se meter nos assuntos entre mestre e aprendiza.

Anna levantou sem dizer nada e caminhou até ficar de frente a ele, sentou, deu as costas, e se jogou sobre Ronan, que a tomou em seus braços, sentindo o contato das costas dela em seu peitoral. Aninhados, observaram em silêncio as nuvens percorrendo o céu azulado até Anna se manifestar:

— Amanhã é a última viagem de vocês?

— É sim, acho que por isso a Vitória nos deu uma pilha de livros para devolver.

— Deve ser por causa da mudança.

— Que mudança?

— É verdade, vocês ainda não sabem. Eles vão se mudar logo.

— Motivo?

— Eles vivem viajando, ficam algumas semanas numa cidade ou vilarejo atendem quem precisa e depois partem até a próxima parada.

— Isso deve ser terrível para a pesquisa, deve dar um trabalhão viver se realocando desse jeito.

Anna se remexeu, segurou as mãos que a envolviam e encaixou a cabeça entre o ombro e o pescoço do rapaz.

— E o Dario, onde ele está agora?

— Provavelmente praticando manipulação com a Vitória — disse afagando o cabelo de sua amada. Ela virou sem avisar. Ronan levou uma mão ao rosto dela, acariciando aquela bochecha um tanto rosada.

Anna sorriu e Ronan acompanhou os olhos dela crescerem ao se aproximar. Os lábios se encostaram e dançaram após as línguas se tocarem, num longo e intenso beijo entre amantes apaixonados. Roçou a ponta dos dedos na bochecha de Anna. De leve, mordeu a outra língua em sua boca com todo cuidado, algo que veio a descobrir por acaso que ela adorava. Parando com a troca de carinho, eles se afastaram e sentaram de frente ao outro. A face de Anna corou.

Olhares se cruzaram, e ela suspirou ao dizer:

— Eu te amo, Ronan.

— E eu amo você, Anna.

— Você ainda pensa nela?

— Não, nenhum pouco — soube estar dizendo a verdade, mas temeu que suas palavras não expressassem o sentimento verdadeiro. Mas, pela reação alegre naquele rosto, funcionou. Feliz, Ronan a segurou-a pela mão, e disse:

— Quero viver ao seu lado.


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Autor: Raphael Fiamoncini



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