FNR – Capítulo 43 – A maldição de Tales



— Aaaaaaah! Que sono!

Um jovem rapaz despertou de seu sono, as marcas de olheiras em volta dos seus olhos são aparente, ele teve pesadelos a noite.

O rapaz se levanta e senta em sua cama, sua aparência está uma bagunça, ele coça os cabelos negros arrepiados, suas orelhas de lobo estão caídas mostrando a falta de vontade dele.

Com um suspiro ele relembra seu pesadelo de ontem, onde um escravo morrendo em seus braços pedia ajuda.

— Como poderia ajudar? Ahahahaha!

O rapaz balança o rosto frustrado com ele mesmo e se levanta juntando a pouca vontade que lhe resta.

— Affs! Ontem disse coisas magnânimas, mas me pergunto se posso cumprir com elas!

Os ouvidos afiados de Ferus podem captar o mínimo ruído, seus [Sentidos Sobrenaturais] estão bem agora, não foi como se ele controlasse seu uso plenamente, apenas se acostumou com eles.

Mesmo no andar de cima, ele podia dizer com clareza que Stela e Millin já estavam com a mão na massa, pois seu olfato é infalível, embora ele não deseje que ninguém saiba disso.

Um terceiro aroma foi agradavelmente nostálgico para ele, era o cheiro de Hellen, ela estava com as outras, com um sorriso ele murmurou:

— Então ela veio!

Ferus desceu de sua cama e se viu no espelho, ele mesmo sabe de seu desleixo por sua aparência, porém, mesmo para ele, seu estado era lamentável.

Indo até o banheiro ele lavou seu rosto e os cabelos, infelizmente seu projeto de criar um vaso sanitário ficou adiado por muito tempo, ele não tinha tempo para isso agora.

Ferus se lembra do compromisso que fez a Cyous, embora não esteja atrasado ele precisa se apressar.

— Café da manhã! Acho que dá tempo!

Ferus desceu as escadarias do segundo andar, no andar inferior já era parte do restaurante, a primeira a nota-lo foi Millin.

A pequena roedora de aparência infantil veio sorridente a seu encontro, com um bom humor ela agradeceu:

— Obrigada Ferus! Graças a você a Hellen veio ao trabalho, ela levou uma bronca da patroa, mas está bem.

— Entendo! Mas não precisa agradecer — Ferus falou forçando um sorriso. — a decisão de seguir em frente foi dela afinal, não tenho méritos para receber.

Millin riu graciosamente:

— Fufufufufufu! Você e sua falsa modéstia.

O jovem lobo Torceu seu rosto para acusação de Millin que rapidamente mudou o assunto:

— A propósito Ferus! Você já conheceu a Jana?

— Eh? Não!…. É alguém que eu devia conhecer?

— Sim! Ela é mais ou menos a nova funcionária da Toca da Coelha!

— Mais ou menos? Como assim mais ou menos?

— Bom! Lembra-se daqueles lobos que expulsou do andar de cima para alugá-lo?

— Ah! Sim eu me lembro disso!

— Então…. Jana foi uma das funcionárias que pediu demissão devido ao assédio daqueles malditos pervertidos!

Millin fez um rosto cheio de nojo quando falou dos lobos que Ferus botou para correr, ele não podia culpá-la, nenhuma garota do mundo se sentiria bem em um lugar em que ela pode ser fisicamente assediada.

— Eeeeh?…. quando ela chegar me apresenta ela!

— Tudo bem! Mas vou adiantando que ela pode ser bem rude…

— AAAAAAH! Não me diga que ela odeia lobos também?

— Ah! Não é bem isso…. como posso dizer…. ela gosta de se meter em assuntos que não lhe dizem respeito e tem um sotaque caipira, além de ser muito preguiçosa e bagunceira….

Ferus nunca pensou que a pequena Millin fosse capaz de falar mal de alguém e para completar ela parece irritada só de conversar sobre essa pessoa.

Ferus mudou de assunto:

— Ha! Millin! Você viu o Hiekf?

— Ah! Ele saiu cedo, disse que tinha algo para resolver!

— Nossa! Faz quase uma semana que nem consigo falar com ele, será que é mesmo uma coisa séria?

— Eu… eu não faço ideia!

Ferus sentiu um amargo sentimento de solidão, mas ele também tem que gerenciar seu tempo com agilidade:

— Millin! Por favor prepare meu café, se possível gostaria de uma marmita para levar também!

— Tudo bem! Sente-se onde gosta!

Ferus sentou-se em seu lugar favorito, uma mesa perto da janela, ele gostava de apreciar o movimento de fora do restaurante, a cidade ficou bem calma nos últimos dias, as caravanas de mercadores saíram de Harp para buscar mais mercadorias ao redor do mundo, Depois de reabastecidos, os mercadores voltam para fazer negócios.

Ferus que tinha seu braço apoiado na mesa colocou sua mão no queixo e começou a admirar a paz do lado de fora, um modesto sorriso podia ser visto em seus lábios.

Hellen saiu da cozinha com o pedido de Ferus preparado em suas mãos, pretendia agradecê-lo por encorajá-la ontem, como sempre o jovem lobo sentava em um assento próximo à janela, naquele momento, Hellen parou um pouco, ela notou como Ferus estava imerso olhando pela janela, seu rosto com um leve sorriso, como se apreciasse a vista, a verdade é que o rapaz tem uma boa aparência, embora tenha um olhar assustador, ainda é atraente.

A felina sentiu um sentimento estranho por Ferus, sentia vergonha em dirigir a palavra a ele por algum motivo, por isso Hellen não consegui dizer que ela estava ali com sua refeição preparada, vendo-o daquele jeito de alguma forma sentiu atração pelo rapaz, seu coração bateu rápido.

Ferus percebeu a presença de Hellen e virou seu rosto confrontando-a com um sorriso gentil, e então falou:

— Você veio afinal! Fico contente por vê-la aqui!

Hellen sentiu seu rosto formigar, ela não entendeu o que acontecia, por isso ela colocou a refeição de Ferus em sua mesa.

— Obrigado Hellen!

Mais uma vez Ferus deu um sorriso, Hellen não sabia que Ferus podia sorrir daquele jeito, mas ela tinha que se recompor, isso foi o que dizia para si mesma.

Hellen devolveu o sorriso e agradeceu:

— Obrigada por ontem! Você me animou!

Ferus balançou a cabeça devagar em negação.

— Você está errada! O único que foi animado fui eu, obrigado! Eu estava me sentindo mau naquele momento e foi você que estendeu a mão para me ajudar, fico feliz que tenha me aceitado mesmo contra seus princípios, acima de tudo fico feliz por ter me dado a chance de ser seu amigo!

Hellen enrubesceu e baixou a cabeça, ela não queria que Ferus percebesse a vergonha que sentia, ao mesmo tempo sentia felicidade.

Ferus a encarou curioso com sua reação.

— Eu…. eu estou indo! — disse Hellen.

Hellen correu para cozinha visando esconder seu constrangimento, Ferus ficou surpreso em vê-la com tanta pressa e murmurou:

— Deve estar bem ocupada! Que pena, queria conversar mais com ela.

O jovem lobo já percebeu a muito tempo que sente um grande sentimento pela felina, contudo, a garota havia se recuperado de um trauma que deu a ela um ódio profundo para os bestiais do clã dos lobos, mesmo Ferus se declarando um mestiço que não tem nenhum clã, ainda era um bestial lobo, foi por esse motivo que ele nunca teve nenhuma expectativa em relação a Hellen.

O fato é que Ferus não tem nenhuma experiência amorosa, ele não sabe como conquistar uma garota e mesmo que soubesse, Hellen está longe de seu alcance, era isso que ele pensava.

— Que pena! — lamentou o rapaz com tristeza.

Ele poderia pensar mais nisso, todavia ele tem um compromisso, pediu que um famoso aventureiro o instruísse, por esse motivo saiu rápido após tomar seu café, guardou a marmita em seu espaço dimensional e se foi, ainda faltavam algumas horas para o horário marcado, então pensou em passar em um conhecido.

Uma casa sem placa ou identificação que na verdade é uma loja, essa é a oficina de Bartor, um anão habilidoso nas artes da forja com quem fez contato a uns dias.

Ao entrar na oficina muitas coisas haviam mudado, a loja vazia e sem nenhuma mobília estava agora recheada com coisas, embora esteja bagunçada.

— Oláaaaaa! Bartor!

A porta dos fundos se abriu e de lá veio Bartor, que limpava suas mãos em um pano velho, como sempre, seu corpo está sujo com a fuligem de sua grande fornalha.

— Oh! Menino Ferus! O que o traz aqui?

— Senhor Bartor, Tenho umas perguntas para o senhor, é sobre umas armas estranhas que achei!

Ferus abriu seu espaço dimensional e retirou de lá uma faca, essa faca foi usada pelos escravos que tentaram lhe matar ontem.

Ele entrega a faca para Bartor que a recebeu com cuidado, logo quando a faca foi pega por Bartor ele arregalou seus olhos severos e fintou Ferus desconfiado.

— Sim! Embora seja infinitamente mais fraca é a mesma propriedade que retirei de sua adaga, pode me dizer o que é isso!

Bartor fechou seus olhos por um momento e explicou:

— Para começar, isso não é uma propriedade e sim uma maldição….

Ferus se surpreende, Bartor continuou:

— Essa maldição causa uma doença quase incurável, essa maldição é proveniente de uma magia antiga repudiada por qualquer mago, uma magia de necromancia chamada de {Mácula do apodrecimento}.

— Guh! Que nome nocivo!

— Você não faz ideia rapaz! Essa magia causa morte por necrose avançada, era uma magia usada para reunir miasma em determinado lugar, se essa magia for usada em um ponto da floresta por exemplo, a floresta pode ser infectada e morrer apodrecendo aos poucos, o pior é que as aberrações nascem devido ao acúmulo de miasma.

— Aberrações? Como a Aberração de espinhos que matei?

— Exatamente!

Ferus se lembrou de quando morava na floresta com os lobos de chifre, antes de ter os lobos de chifre como aliado ele matou um ser chamado cão infernal, apesar de não ter sido adversário para Ferus, o rapaz sentia a maldade transbordando daquele ser, logo depois encontrou a aberração de espinhos que parecia semelhante a ele.

— Senhor Bartor! Quem fez uma arma dessas? E porque a sua adaga que salvei tinha essa magia?

Bartor cruzou os braços e respondeu com angústia:

— Essas armas são fabricação de um único necromante, embora ele apareça muitas vezes na história do mundo, não se sabe como viveu tanto, porém, textos antigos afirmam que ele era um dos quatro generais de Gaidus!

O lobo negro torceu o rosto com curiosidade:

— Gaidus? Você fala do dragão da escuridão eterna do livro de contos “fogo fátuo”?

— Exatamente! Você está bem informado!

— Ah! É que eu tenho um livro desses, para falar a verdade eu gosto da estória.

— Garoto! Todo o conto nasceu de alguma verdade, mas esse não é o assunto aqui!

— Me diga ao menos qual é nome desse tal general de Gaidus que pode criar armas assim!

— Ah! É mesmo… se não me falha a memória o nome dele era Tales, Tales o necromante.

Ferus não sabia e nem entendia porque essas armas estão aqui, com isso em mente ele perguntou:

— Eu não entendo! Porque uma arma dessas foi usada para me atacar?

— Quanto a isso eu não sei, mas posso te dizer que embora seja raro, não é impossível ter uma dessas. o exército de Gaidus usava esse armamento afinal.

Ferus entendeu:

— Entendi! Existiram muitas dessas armas, ainda que se passaram seiscentos anos existem lugares que elas podem ser encontradas por acidente, porque muitas foram feitas.

— Exatamente!

— Nesse caso! Como a pessoa que me atacou conseguiu oito delas?

Bartor se espantou:

— Oito? Isso é muito garoto, me explique do começo, por favor!

Ferus explicou como foi atacado e conseguiu sobreviver aos escravos que queriam lhe amaldiçoar com essas armas.

Bartor olhou para baixo preocupado e pediu a Ferus:

— Rapaz! Poderia me dar essas armas?

Ferus sentiu que se tratava de um assunto delicado, ele também decidiu confiar em Bartor, por isso não negou seu pedido, concedeu a Bartor todas as oito armas amaldiçoadas.

Bartor recebeu elas com cuidado e enrolou cada uma em um pano branco, Ferus novamente perguntou:

— Aquela adaga que retirei a maldição, como ela possuía esse poder?

Bartor disse com desgosto:

— Meu discípulo pesquisou essas armas, o que ele queria fazer era imitar o processo de Tales.

Ferus olhou com desgosto, mas Bartor o cortou:

— Não é o que pensa! A filha de meu discípulo sofria de uma doença similar a maldição de Tales, acreditava ele, que se estudasse o processo poderia criar uma curar para a doença de sua filha.

Ferus aprendeu que não se deve julgar antes de saber de tudo.

Bartor forçou uma mudança de assunto:

— Então, existe algum armamento que deseja?

— Para falar a verdade não, mas…. você teria alguma dica? Sabe, eu estou em um beco sem saída buscando me fortalecer, até procurei por um tutor como você me aconselhou antes, então…. você acha que existe alguma coisa que não estou vendo ou estou esquecendo?

Bartor respondeu convicto:

— Claro que há!

Ferus apertou o rosto e perguntou:

— O que seria? Por favor me diga! Tenho que concertar minhas falhas!

— Escute! Primeiro não tenha tanta pressa, faça as coisas no ritmo certo, mesmo que esteja em uma situação apertada faça as coisas do jeito certo, aprenda da maneira correta, não tente nenhum atalho, ou pode se perder.

O jovem lobo entendeu os argumentos de Bartor, mas ainda se sentia apreensivo, o anão falou sem reservas:

— Existe uma coisa que você anda negligenciando muito, isso pode custar sua vida!

— e o que seria? — ferus pergunta ansioso.

— A defesa! Tipos “derrube a porta” como você só se preocupam em aumentar seu ataque, acham que podem decidir a lutar se atacar primeiro.

Ferus não podia refutar o discurso de Bartor, pois é assim que ele pensava mesmo.

Bartor palestra:

— O ideal é ter um balanço entre ataque, defesa e velocidade, você também está desleixado com sua velocidade, embora seja auto de data, vai chegar um momento onde um oponente cheio de técnica vai limpar o chão com você!

Na mente de Ferus, ele viu as costas de Jù yuán rindo dele e engoliu o próprio ar.

— Rapaz! Faça uma armadura!

Ferus respondeu:

— Mas, é a minha mobilidade?

— Nesse caso faça uma armadura com metais leves, eles são caros, mas é um bom investimento, afinal nada compra uma vida de volta.

Ferus concordou:

— Muito bem! Me faça uma!

— Qual é o orçamento?

Ferus possui consigo um valor de quase seiscentas mil peças de ouro, por isso ele falou:

— Com duzentas mil peças de ouro! O que pode fazer?

Bartor, abriu um largo sorriso e respondeu confiante:

— Com duzentos mil ouros? Posso te tornar uma fortaleza móvel!

— Ei Bartor, nada muito pesado, ok!

— Deixe comigo, mas antes venha aqui!

— ???

Bartor, tirou minhas medidas, isso me custou uns quinze minutos, felizmente ainda estou no horário.

Finalmente irei até Cyous aprender com um dos melhores.


Autor: Marcus | Revisor: Heaven



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