FNR – Capítulo 39 – Ranpa, o vendedor de escravos



Na cidade de Lenus, lugar único, onde a venda de escravos é praticada sem interferência do governo de Lemur, isso acontece porque a própria cidade foi declarada como um território neutro graças às articulações de Ranpa.

Uma grande mobilização tomou essa cidade, o autor do tumulto não é ninguém menos que o líder do clã dos lobos azuis, Ranpa.

Inúmeros escravos de batalha estão alinhados esperando pelas ordens de seu dono. Ranpa aprecia a visão de suas propriedades submissas às suas vontades.

O cruel lobo azul riu em seu interior da pobre situação dos seus escravos.

Seus três líderes, capatazes fiéis e tão detestáveis quanto o próprio, vieram a seu encontro, como ato de respeito colocaram seus joelhos no chão.

Ranpa aprecia o respeito prestado a ele, seus capazes não são escravos, são empregados leais a suas ordens, pois partilham dos gostos de luxo e dinheiro.

Todos os três, são bestiais lobos azuis tal como Ranpa, cada um tinha consigo um chicote, prova de sua crueldade para com os escravos sofredores.

Ranpa fala com seus servos:

— Fico feliz que tenham atendido meu chamado tão rapidamente.

Um de seus três servos se levantou, ele é como seu mestre, alguém polido e de aura esbanjando confiança.

— Meu mestre! Claro que seguiremos suas ordens à risca, mas me responda, porque chamou a todos? creio que apenas um seria suficiente.

Ranpa andou de um lado para o outro com movimentos pomposos e começou:

— Não! Dessa vez o assunto é muito sério, tão sério que mesmo os três juntos não poderiam resolver.

O segundo servo se levanta, apesar de ter uma estatura menor que o outro, tem uma aparência que despertaria o interesse de muitas mulheres.

— Meu senhor! Para que fale dessa forma…. presumo que seja muito sério mesmo!

— E é Rodolf ! uma situação muito delicada, mesmo assim os lucros valeriam toda a pena.

O terceiro se levanta, esse não é tão jovem quanto os demais, uma barba toma seu rosto, porém sua estrutura que de longe é a maior ali, um olhar áspero e uma cicatriz em sua bochecha esquerda, ele emana uma enorme pressão nos demais.

— Mestre Ranpa! Poderia nos adiantar os detalhes?

— Claro Besker!

Ranpa avança um passo e explica:

— O paradeiro da minha melhor “peça” foi descoberto!

Besker arregalou os olhos e coçou sua cicatriz, com um sorriso sinistro ele murmura:

— Uhuhuhuhuhu! Então Stela com certeza será achada!

Ranpa responde com um sorriso, ele sabe que essa ferida no rosto de seu fiel servo foi feita pela traidora, Stela a coelha cinzenta.

O primeiro que começou o com diálogo pede:

— Mestre! Isso é uma ótima notícia! Nos despache nesse momento e cumpriremos suas ordens!

— Fico feliz que seja um entusiasta Jorn, porém existe uma parede irritante que nós teremos que trespassar.

Besker pergunta curioso:

— E que tipo de parede seria essa, mestre?

— Uma parede chamada Jhedar!

Besker exprime com rancor:

— A cidade de Harp? Só pode ser brincadeira! Como alguém com o passado como o de Stela conseguiu guarita em tal cidade complicada?

Ranpa responde com ódio em sua voz:

— De alguma forma ela vendeu informações sobre meus negócios a Aurus!

Rodolf, mostrou ira em seu rosto, com os punhos cerrados ele expressa sua angústia:

— MALDITO CÃO NEGRO! Sempre ele, sempre ele, sempre ele…..

O veneno nas palavras de Rodolf é partilhada por seus companheiros, devido a interferência de Aurus, a captura de escravos diminuiu drasticamente, seus movimentos começaram a ser previstos pela logística de Aurus.

Besker, ao sorrir tranquiliza a todos:

— Hunf! Não se exaltem por causa de um cão imundo! Quando colocarmos nossas garras na felina de olhos azuis, todo o esforço será recompensado de uma vez só!

Ranpa completa o pensamento de Besker:

— Exatamente! Com a quantia que vou receber, finalmente teremos nosso próprio país, os negócios irão às alturas, já que em meu país a escravidão será permitida, preparem-se para mergulhar no mais fino luxo que nossos bolsos podem carregar!

Os escravos em volta assistiam amedrontados, aquelas palavras apagou deles o pequeno brilho de esperança guardado em seus corações.

Ranpa diz a Besker:

— Você será o líder dessa comoção! Mas primeiro irei para Harp buscando a negociação, Jhedar não é o líder da cidade afinal!

Besker deu meia reverência e respondeu:

— Agradeço sua escolha mestre! Adianto que o líder de Harp é alguém ganancioso, porém é extremamente segregacionista, tanto que em Harp existe uma parte que apenas os roedores habitam, ele não venderia sua própria gente, mas despacharia qualquer outro clã por boas moedas.

— Hunf! Como sempre, bem informado!

Besker continua em sua meia reverência mostrando respeito.

— Devemos fazer bons laços com futuros fornecedores.

Os outros dois assistiam calmamente o diálogo entre Besker e Ranpa.

Rodolf deu um passo à frente e informou:

— Senhor Ranpa! Desculpe por minha presunção, mas Jhedar não é o único problema em Harp!

— Seja direto Rodolf, diga! O que mais seria um estorvo entre minha ambição e a felina de olhos azuis?

Rodolf falou:

— Mestre! Já escutou sobre o mestiço dos boatos?

— Se refere ao mestiço que matou Laruk? Não seja tolo! Isso é apenas um conto idiota! Nem em um milhão de anos um mestiço venceria um bestial da nobreza, isso foi um conto inventado para agitar os mestiços inúteis! E também, Laruk sofria de uma séria doença.

Rodolf revelou:

— Não é um boato meu senhor! Mandei espiões confirmarem a informação e a notícias são perturbadoras!

Ranpa fica curioso e pede:

— Diga o que sabe!

— O mestiço é um lobo de pelagem negra, seus olhos tem uma cor de um amarelo âmbar, luta usando correntes e tem um gnoll como seu companheiro…

— Pelagem negra é? Consigo enxergar um bom produto para venda, afinal os ricos apreciam olhos exóticos.

— Meu senhor! Esse mestiço venceu as cópias residuais de Jù yuán!

Besker grita:

— O QUE! UM MESTIÇO VENCEU O REI MACACO! QUE IMPERTINÊNCIA É ESSA?

Rodolf abaixa a cabeça, mesmo ele não acreditaria nessa história se não a pesquisasse, ele entende o descaso de seus amigos, ainda sim insistiu:

— Mestre! Existem provas! Dois aventureiros da liga adamantium confirmam o fato!

Ranpa cerrou os dentes.

— Droga! Isso significa que existem pelo menos dois aventureiros da liga adamantium em Harp!

Ranpa recupera a compostura e fala para si:

— Primeiro, achar um jeito de tirar esse aventureiros de Harp, também temos Alba Lepus, posso dar um jeito nisso também….

Ranpa pergunta a Rodolf:

— Qual é o nome desse distinto mestiço que venceu duas pessoas da Predatory:

— Ele é um bestial lobo, ainda que mestiço, seu apelido é: O lobo negro Ferus.

Ranpa torceu a face com nojo.

— Atribuir o nome de “lobo” a uma imundice mestiça! Isso é inaceitável!

Ranpa ordena:

— Jorn! Mande chamar Dart!

Jorn arregalou os olhos.

— Mestre! “Darts, o lunático” é mentalmente instável, ele sente prazer em exterminar sua vitimas de modo doentio, sofremos diversas perdas de escravos por causa da jeito doente e nojento daquele cara!

— Eu sei disso! mesmo assim ele ama dinheiro tanto quanto eu, então enquanto tiver dinheiro terei sua lealdade, não posso negar que ele é doente e repulsivo, dito isso, ele é um antigo aventureiro da liga adamantium, não posso medir esforços para obter a felina de olhos azuis, ainda que me custe um furo no bolso.

Jorn fez meia reverência e saiu em busca de Darts, a insatisfação era aparente, mesmo assim ele não ousou contestar as ordens de seu mestre…

Ranpa ordena a Rodolf:

— Faça os preparativos! Partirei em seguida, não quero perder um minuto sequer!

— Sim mestre!

Após um arco respeitoso, Rodolf saiu em sua tarefa atribuída.

Besker que agora está sozinho com Ranpa conversa:

— Esse tal lobo negro! Escutei que ele também venceu a aberração de espinhos, para o pior caso ele deve ser um tipo raro.

Ranpa pondera por algum tempo e responde:

— Bom! Temos o exemplo de Alba Lepus, ela também é um tipo raro com uma habilidade única perturbadora, tenho uma carta na manga para essa situação, acho que seria meu ás de ouro, pena que terei que usá-lo assim.

Besker saiu depois de prestar respeito, Ranpa sorriu e falou sozinho:

— Hunf! Poderia tirar um sarro daquele macaco velho, porém ele tem informações sobre esse tal lobo negro, vai custar um pouco, no entanto devo ser precavido, não posso me dar ao luxo de perder tal barganha.

Ranpa voltou a sua residência acompanhado por seu escravo vestido trapos.

Harp, restaurante Toca da coelha:

— Crec!

— Patroa! Você está desligada hoje! É o segundo prato, você se sente bem?

Uma pequena roedora de aparência infantil repreende sua chefe, essa é Millin, ela é a mais útil força de trabalho da pessoa que não consegue se concentrar hoje.

Stela se desculpa:

— Millin! Não me sinto bem hoje, tudo bem se me substituir?

— Hunf! É claro que sim! Embora a Hellen não tenha vindo trabalhar, você recontratou a Jana, ele é hábil nesse serviço e hoje não é um dia movimentado, então vá para casa descansar e deixe para mim.

Stela dá um sorriso forçado e aceita a oferta, Millin que nunca a viu assim pergunta:

— Algum problema? Sabe, talvez eu possa ajudar!

Stela baixou os olhos por um momento, ela está preocupada com Hellen, agora tribulações podem vir e mesmo sua vida pode ser tirada, mesmo assim ela se esforçou a ficar firme e tranquilizou Millin:

— Apenas um mal pressentimento. Vou para casa agora, conto com você!

Millin estufa o peito e responde:

— Deixe para mim!

Stela deixou mais cedo seus afazeres, ela pensou em visitar Hellen, mas tem medo de encará-la, depois de tudo o mal sempre volta em dobro.

Estela tem um vislumbre de seu passado, passado no qual se arrepende e não se orgulha, o passado em que conheceu Hellen:

— Essa é a garota! Ranpa exige que ela aprenda modos, assim seu preço vai elevar-se.

Stela que naquela época vestia-se como uma dama da alta roda, ela era uma invejável mulher que ganhava a vida ensinado outras mulheres nobres a arte da etiqueta, sua profissão não era incomum, porém ela se destacou muito entre as demais, até mesmo estudantes da realeza passaram em seu currículo brilhante.

A coelha cinzenta encarou com indiferença a pequena menina a sua frente, embora seus olhos fossem azuis, eram mortos e sem vida, a pequena, no entanto já mostrava traços de sua feminilidade, uma criança que certamente se tornará uma bela mulher, pena que os trapos que vestia não lhe faziam justiça.

Stela sorriu e falou para o homem que trouxe a pequena:

—Hunf! Ranpa tem bons olhos! Essa menina fará inveja em muitas mulheres, ainda que seja uma mestiça, esses olhos azuis são como jóias, pena que não há brilho neles.

O homem que trouxe a menina é um dos vassalos de Ranpa, Besker.

— Essa garota trabalhou nos serviços manuais, por sorte nunca foi açoitada por um chicote, ela fez seu melhor para não ser castigada.

Stela pegou o rosto da menina e virou-o de um lado para o outro como se analisasse um mero produto.

— É verdade! Essa menina não tem cicatrizes sérias, mas suas mãos calejadas são um problema, sorte que ainda é jovem, se tirarmos dela o trabalho manual seus calos sumirão com o tempo.
Besker sorri e declara:

— Meu mestre confia em seus talentos, já que se mostrou hábil com as mercadorias anteriores!

— Bom! O que seu mestre quer que eu “crie” dessa vez?

— Uma dama! Uma dama refinada que poderia atender um rei ou um príncipe!

Stela riu seca e declarou:

— Isso será bem caro!

Besker pegou um bolsa de couro e jogou para estela dizendo:

— Haverá uma dessa para cada mês, isso inclui os gastos e também seu pagamento, meu mestre espera que você transforme esse pedaço de carvão em uma pérola brilhante, boa sorte com isso!

Stela avisa:

— Três anos! Levará ao menos três anos para tal façanha!

Besker olhou com indiferença.

— Que seja três anos! Afinal o mestre já sabe que este é um investimento a longo prazo! Porém ele exigirá resultados positivos, você entende isso, não é?

— Nunca falhei com seu mestre nenhuma vez sequer, espero alguma consideração por isso!

Besker apontou para a bolsa e respondeu:

— A única pessoa a quem meu mestre paga adiantado, é você, isso mostra a confiança dele, só estou alertando-a para que não deixe a guarda baixa, falhar é uma coisa comum entre os seres vivos, mas Ranpa não tolera fracassos.

— Eu sei disso! Agora deixe-me!

Besker saiu dali. A pequena bestial felina observa Stela com o olhar penetrante.

— Precisamos consertar esse olhar! — Disse Stela — Não sei o que passou em sua vida, contudo essa pode ser a oportunidade de sair da miséria, você ainda quer essa vida?

A pequena balança a cabeça negando.

— Então escute o que tenho a dizer! Se seguir meus ensinamentos vai ser comprada por um homem rico, se for fiel e receber seu favor vai gozar de uma boa vida, onde será cercado por luxo e conforto, para essa façanha deve me escutar, tudo bem?

A menina concordou com a cabeça, ainda que seus olhos estivessem mortos.

Os anos se passaram e a pequena felina superou as expectativas, não apenas bonita, assim como uma ninfa dos contos élficos a menina que foi nomeada por Stela de Hellen, subiu os degraus da beleza natural, mesmo as mais belas mulheres seriam humilhadas pela beleza de sua menina, aos quatorze anos, Hellen já humilhava as damas a sua volta.

Stela a moldou, ensinou a se comportar e a falar diferentes idiomas, ela não é habilidosa em trabalhos domésticos, mas qualquer tolo que a comprasse não desperdiçaria sua beleza em coisas assim.

Hellen era sua obra prima, o orgulho de Stela, que com o tempo se afeiçoou fortemente com ela.

Dois anos se passaram, Stela não podia ter filhos, por isso não se casou, no entanto, a menina que agora está a um passo de se tornar uma mulher ocupou esse lugar.

Os olhos mortos que exibia no começo, foram mudados para um brilhante inocente.

Contudo o tempo de despedida estava chegando, Hellen já sabia que esse dia chegaria, porém com todos os ensinamentos de Stela, uma vida brilhante a aguardava, ainda que fosse uma escrava.

Stela espera que Hellen seja vendida a um nobre muito rico, mesmo como concubina Hellen teria um bom tratamento já que sua beleza não tem par.

Expectativa e realidade são coisas diferentes afinal.

Um ano antes do combinado, Besker veio buscar Hellen, Stela reclamou que não foi o combinado, mas Besker sequer deu importância e levou a propriedade de Ranpa embora.

Stela sentiu que algo havia sido roubado dela, ela que havia treinado diversas garotas na mesma situação, nunca havia sentido tanto afeto por ninguém, ela mesma se achava uma mulher seca de emoções.

Mas nesse caso foi como se sua filha fosse roubada, mesmo ela não entendeu esse sentimento complicado.

Os dias se passaram.

Nesse meio tempo, Hellen sofreu abusos verbais e maus tratos dos vassalos de Ranpa, claro que nada físico foi feito, arruinar uma mercadoria de classe seria como pedir a morte, mesmo assim a tortura mental começou, um trauma sério foi criado na jovem que começou a repudiar o clã dos lobos, um servo ousou tentar profanar o corpo da felina, mas o mesmo foi apunhalado por Besker, era complicado ser dona de tamanha beleza.

Hellen inconscientemente começou a odiar a própria aparência e odiar ainda mais o clã dos lobos.

Ranpa começou a exibir Hellen a todos em Lemur, de forma subjuntiva ele a fez o acompanhar e o servir na frente de todos, isso era apenas propaganda armada pelo ardiloso lobo azul. O interesse sobre a linda escrava mestiça de olhos azuis crescia e crescia, não demorou muito para que as fofocas chegassem a capital Bérius.

Ranpa sabia bem que sua escrava lhe renderia uma boa quantia, ele apenas não esperava pelo inesperado.

Uma comitiva vinda do reino dos demônios chegou em sua casa, não era uma simples comitiva, as pessoas ali eram membros importantes da corte de Deva, o país dos demônios.

A famosa bruxa do Norte, Glinda. Uma mulher de grande beleza, usava um chapéu pontudo e roupas negras provocantes, seus olhos tem cada um uma cor diferente, o olho direito era castanho claro, mas o esquerdo era vermelho rubro, seu aspecto é de uma pessoa tranquila e serena.

Tabask, o lendário demônio espadachim. Usando inúmeras espadas que estavam embainhadas em suas costas e cintura, num total de dezesseis espadas, era um velho de barba bem-feita e com um par de chifres negros, os chifres são a única marca que o difere de um humano.

Azfir, o terceiro príncipe de Deva, um jovem com um ar arrogante, sua excelente aparência lhe deu uma certa fama entre as mulheres, todavia esse mesmo príncipe partilha de robes repugnantes.

Ranpa foi pego de surpresa em sua própria casa, logo seguiu ao assunto:

— Me diga! O que um príncipe quer de um reles vendedor de escravos?

O príncipe, que foi servido pelo escravo de Ranpa com um dos melhores vinhos, desdenhou do que foi oferecido.

— Não me ofereça essa bebida nojenta, mesmo mijo de cavalo deve ser melhor que isso!

Ranpa não se abalou com a provocação, ele já havia visto milhares iguais a esse príncipe, e também sua conduta de negociante não o faria perder nenhum negócio que poderia ser rentável.

O príncipe notou que Ranpa nem sequer piscou com sua ofensa riu em seu interior.

Azfir falou dando a mão para o ar:

— Huhuhuhuhuhu! É como dizem, você é um homem frio e calculista.

Ranpa não gostava de rodeios e declarou:

— Poderia ser breve majestade! Embora aprecie sua companhia, tempo é dinheiro!

— AUAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHA!

O príncipe riu freneticamente.

Depois de se acalmar o príncipe foi direto ao assunto:

— Quero um contrato exclusivo com você, como sabe, o reino de Deva depende de uma política escravista. Escravos em nossa terra se tornaram escassos, então queremos escravos de outros lugares, os bestiais em especial são muito robustos e resistentes.

Ranpa respondeu:

— Posso lhe vender escravos, mas um contrato exclusivo não me parece lucrativo, o país de Isoltis é um contratante no qual tenho me dado bem nesses anos, então…. o que tem a me oferecer para deixar uma “amizade” com o país do sol e começar uma com vocês?

— Sete vezes!

— Hun?

— Isso que escutou! Pagaremos sete vezes o valor designado pelo país do sol!

Os pelos de Ranpa arrepiaram, ele não esperava por essa possibilidade lucrativa, queria rir alto, mas isso seria idiota da parte de um negociante, então ele manteve a cara normal.

O príncipe observa silenciosamente e Ranpa deu sua contraproposta:

— Dez vezes mais! Fora isso não valeria a pena ter como minha inimiga a religião do sol, eles são fanáticos e bem vingativos, já que não consideram ninguém além deles como seres dignos!

Azfir mostrou uma pressão fria em direção a Ranpa, mas sorrindo ele falou:

— Oito vezes! Esse é meu limite!

Ranpa levantou-se e estendeu a mão:

— Acordo selado!

Azfir estendeu a mão e apertou a de Ranpa, apesar de sentir-se enojado de toca-lo, o astuto lobo azul sabia dos sentimentos de Azfir, mesmo assim mostrou um sorriso de negociante.

Ranpa pediu a seus servos:

— Tragam a melhor bebida importada de Deva e sirva o príncipe!

Azfir ficou surpreso em saber que Ranpa possuía tal bebida, o vinho foi trazido estava em um balde com gelo, esse vinho é da melhor safra dos parreirais de Deva, Azfir apertou os olhos ao notar tal bebida que é difícil de obter até mesmo por ele estava ali.

Uma linda garota apareceu para servir o príncipe, essa era Hellen.

Azfir, ficou fascinado pela beleza da jovem, nunca em sua vida havia visto uma pele tão bela, apresentar Hellen a Azfir foi uma jogada meticulosa de Ranpa.

Glinda, que até o momento ficou calada se aproximou de Hellen e tocou seu rosto cheia de fascínio, Hellen não reagiu, tratar um convidado com desrespeito implicaria em uma punição violenta, embora ela ainda esteja assustada.

— Mas que bela menina! Nunca em minha vida vi tamanha beleza, esses olhos azuis!…. Ranpa! Me diga seu preço!

Ranpa deu os braços e falou:

— Esse menina não será vendida tão facilmente, como você mesma viu, ela tem uma beleza distinta e cativante!

— Pago dois milhões em ouro por ela!

Ranpa quase deixou cair seu cálice de vinho, como negociante ele nunca aceitaria a primeira proposta, antes de dizer seu preço, o príncipe Azfir fez um lance absurdo.

— Pago dois bilhões de platiniuns por ela!

Todos na sala ficaram boquiabertos por esse valor absurdo oferecido.

Na mesma hora Ranpa questionou:

— Ei! Ei! Cuidado com o que diz príncipe, pense bem! Eu não aceito devoluções, nem mesmo de realezas.

O príncipe se aproximou de Hellen a felina sentiu um arrepio na espinha, Azfir era um homem belo, mas seu olhar é podre, a forma como ele a olhou foi doente e sombria, pelos pensamentos da pobre menina passou o pressentimento “Eu vou morrer!”.

Até mesmo Ranpa sentiu simpatia pela felina, há rumores de que esse príncipe repugnante arrancava as peles de jovem mulheres para fazer suas vestimentas, a primeira coisa que o príncipe falou foi sobre a pele da jovem.

Mas Ranpa nunca recusaria uma proposta tão lucrativa, para falar a verdade, ele nunca pensou que receberia uma proposta absurda dessas, ele ficaria ainda mais rico só pelo mero capricho de um fedelho palaciano.

Glinda clicou a língua murmurando:

— Pobre menina! Esse doente….

A promessa de venda seria atendida depois de Ranpa obter a quantia absurda prometida.

Nesse meio tempo, Stela roubou Hellen e fugiu, Ranpa não soube como ela descobriu sobre a venda, tão pouco esperava que Stela causasse esse tumulto.

O príncipe ofendido quase destruiu Ranpa e seus negócios, a irá de uma criatura com o poder aquisitivo maior que o dele foi sentida.

Ranpa quase arruinado conseguiu aplacar a irá de Azfir sobre ele, mas isso custou caro para seus bolsos.

Essas foram as memórias de Stela que foi alvejada ao fugir com sua menina por dois longos anos.


Autor: Marcus | Revisor: Heaven



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